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Cheia dos rios no Amazonas força fechamento de escola e alunos têm aulas remotas em comunidade ribeirinha

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Famílias enfrentam apagões e risco de acidentes por conta da cheia em município do AM — Foto: Michel Castro/Rede Amazônica

A cheia do Rio Solimões no Amazonas está afetando diretamente a rotina escolar na comunidade Costa do Marimba, zona rural de Careiro da Várzea. A única escola do local, que atende cerca de 200 alunos da creche à Educação de Jovens e Adultos (EJA), está fechada e os alunos estão em casa desde o final de maio.

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Com cerca de 19 mil habitantes, Careiro da Várzea é um dos 42 municípios do Amazonas em situação de emergência por conta da cheia. De acordo com a Defesa Civil do estado, mais de 530 mil pessoas foram afetadas pela subida das águas.

Rio Solimões, Amazonas. Foto: Amanda Lelis

Segundo a medição mais recente divulgada no painel de monitoramento hidrometeorológico da Defesa Civil do Amazonas, o nível do rio em Careiro da Várzea é de 16,56 metros – exatos 90 centímetros a menos que a marca recorde de 17,46 metros, registrada em 2021.

Na Costa do Marimba, as aulas seguem no modelo remoto por causa do risco de afogamento. Além disso, a quadra esportiva está completamente alagada, e as atividades de educação física estão suspensas por tempo indeterminado.

O perigo é constante, principalmente para os mais pequenos. Há poucas semanas, a neta do pescador Clodoaldo Brito Nunes, de apenas 1 ano e 5 meses, caiu no rio durante um momento de descuido da família.

“Num descuido, ela escorregou o pezinho e passou por baixo do degrau. Foi um milagre a gente conseguir achar ela. E outro milagre ela sobreviver depois de cinco minutos debaixo d’água”, relatou emocionado.

Leia também: Pescadores relatam escassez de peixes mesmo com cheia do Rio Negro, em Manaus

Moradores sofrem com falta de energia elétrica

Além das ruas tomadas pela água e das pontes improvisadas com madeira, 200 famílias da comunidade Costa do Marimba estão enfrentando a falta constante de energia elétrica.

A cheia já afeta também outros municípios. Foto: Divulçagação

Com o problema, os habitantes não conseguem seguir tratamentos médicos que exigem uso de aparelhos, como é o caso da dona Raimunda Simão, de 87 anos.

“Tenho que fazer inalação toda noite, antes de dormir. Aí a luz vai embora. Chegou 11h, meio-dia já foi embora. Como é que pode uma coisa dessas?”, lamentou a aposentada.

Em outra casa, Raylla Suzianny, mãe do recém-nascido Theo, precisa acionar um motor gerador durante parte da madrugada para amenizar o calor. Depois disso, a família inteira reveza para embalar o bebê até o amanhecer.

“Pra ele não dormir sem energia, metade da noite a gente liga o motor. Vai até umas três da manhã. Depois disso, todo mundo tem que embalar ele na rede”, contou a pescadora.

A falta de energia é causada pelo tombamento dos postes que sustentam a fiação elétrica, arrastados pela correnteza em razão do nível alto da água.

Em nota, a concessionária Amazonas Energia informou que os alagamentos têm dificultado o acesso das equipes técnicas às áreas afetadas.

Municípios em emergência

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Cheia em Anamã. Foto: Divulgação

De acordo com a Defesa Civil, 42 municípios do estado em situação de emergência devido a cheia que atinge o Amazonas, segundo o boletim de monitoramento da cheia mais recente, divulgado na sexta-feira (11). Confira abaixo:

  • Guajará – Rio Juruá;
  • Ipixuna – Rio Juruá;
  • Itamarati – Rio Juruá;
  • Eirunepé – Rio Juruá;
  • Juruá – Rio Juruá;
  • Carauari – Rio Juruá;
  • Boca do Acre – Rio Purus;
  • Borba – Rio Madeira;
  • Nova Olinda do Norte – Rio Madeira;
  • Apuí – Rio Madeira;
  • Humaitá – Rio Madeira;
  • Manicoré – Rio Madeira;
  • Novo Aripuanã – Rio Madeira;
  • Atalaia do Norte – Rio Solimões;
  • Benjamin Constant – Rio Solimões;
  • Santo Antônio do Içá – Rio Solimões;
  • Tonantins – Rio Solimões;
  • Amaturá – Rio Solimões;
  • Fonte Boa – Rio Solimões;
  • Maraã – Rio Solimões;
  • São Paulo de Olivença – Rio Solimões;
  • Japurá – Rio Solimões;
  • Tefé – Rio Solimões;
  • Coari – Rio Solimões;
  • Jutaí – Rio Solimões;
  • Careiro da Várzea – Rio Solimões;
  • Careiro – Rio Solimões;
  • Manaquiri – Rio Solimões;
  • Anamã – Rio Solimões;
  • Careiro – Rio Solimões;
  • Anori – Rio Solimões;
  • Caapiranga – Rio Solimões;
  • Itacoatiara – Rio Negro;
  • Itapiranga – Rio Negro;
  • Boa Vista dos Ramos – Rio Negro;
  • Santa Isabel do Rio Negro – Rio Negro;
  • Manacapuru – Rio Solimões
  • Uarini – Rio Solimões
  • Urucurituba – Rio Amazonas
  • Alvarães – Rio Solimões
  • Iranduba – Rio Solimões
  • Barcelos – Rio Negro

Além dos municípios em emergência:

  • 13 estão em estado de alerta;
  • 1 em estado de atenção;
  • e seis em normalidade.

De acordo com dados da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc), 444 alunos foram impactados pela cheia dos rios em quatro municípios: Anamã, Itacoatiara, Novo Aripuanã e Uarini. Os alunos seguem com o calendário do “Aula em Casa”, programa de ensino remoto.

Segundo o Governo do Amazonas, para auxiliar os afetados pela cheia já foram enviados 580 toneladas em cestas básicas, 2.450 caixas d’água de 500 litros, 57 mil copos de água potável da Cosama, além de 10 kits purificadores do programa Água Boa e uma Estação de Tratamento Móvel (Etam) para dezoito municípios.

Também foram destinados 72 kits de medicamentos para os municípios de Apuí, Boca do Acre, Manicoré, Humaitá, Ipixuna, Guajará e Novo Aripuanã, beneficiando mais de 35 mil pessoas.

Manicoré recebeu uma nova usina de oxigênio, com capacidade para produzir 30 metros cúbicos por hora, destinada ao hospital municipal. Já Apuí, foi contemplado com seis cilindros de oxigênio para servir como reserva de segurança.

*Por Ruthiene Bindá, da Rede Amazônica. Publicado originalmente pelo g1 Amazonas.

Amazonas registra queda de quase 67% nos focos de calor no primeiro semestre de 2025

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Amazonas registra queda nos focos de calor no primeiro semestre. Fotos: Divulgação/Secom

O Amazonas encerrou o primeiro semestre de 2025 com uma redução significativa nos focos de calor, alcançando uma queda de aproximadamente 66,97% em relação ao mesmo período do ano passado.

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Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e monitorados pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).

Amazonas registra queda de quase 67% nos focos de calor
Amazonas registra queda nos focos de calor no primeiro semestre. Foto: Neto Lucena/Secom

De janeiro a junho, foram identificados 220 focos, frente aos 666 registrados no primeiro semestre de 2024. O resultado coloca o estado na sexta posição no ranking dos estados da Amazônia Legal com focos no período.

Para o secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, a redução é resultado direto do trabalho articulado entre diferentes instituições e da intensificação das estratégias de monitoramento.

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Amazonas registra queda nos focos de calor no primeiro semestre. Foto: Neto Lucena

“O Amazonas tem avançado no uso de tecnologias e no fortalecimento das equipes que atuam na linha de frente da prevenção e controle do fogo. Os dados refletem o impacto das ações integradas de monitoramento e resposta rápida, e mostram que estamos no caminho certo, com uma política ambiental baseada em dados, de forma responsável e técnica”, destacou o secretário.

Queda expressiva também em junho

Do total de registros de janeiro a maio, 70,45% ocorreram em áreas federais. As áreas sob jurisdição estadual representaram 15% dos focos, e os demais 14,55% ocorreram em regiões classificadas como vazios cartográficos, que são territórios ainda sem regularização fundiária definida.

Combate a queimadas. Foto: Divulgacao/Secom RO

A tendência de redução foi mantida no mês de junho, com 91 focos de calor detectados no Estado, representando uma queda de 64,73% em comparação ao mesmo mês de 2024, quando foram identificados 258 focos.

Assim como no acumulado do semestre, a maior parte dos focos em junho foi registrada em áreas federais, totalizando 83,52%. As áreas estaduais responderam por 8,79% dos casos, enquanto os vazios cartográficos concentraram 7,69% dos focos.

*Com informações da Agência Amazonas

Projetos analisam impactos de eventos climáticos no Médio Solimões

Projetos analisam impactos climáticos no Médio Solimões. Fotos: Ayan Fleischmann e André Zumak

Compreender o estado atual do clima e os recursos hídricos dos ambientes de várzea do Rio Solimões foram os objetivos de duas pesquisas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). Os estudos foram realizados via série do Programa de Apoio à Interiorização em Pesquisa e Inovação Tecnológica no Amazonas.

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Os projetos intitulados “Monitoramento do clima e recursos hídricos da Reserva Mamirauá” e “Mudanças climáticas e recursos hídricos nas várzeas do rio Solimões” foram coordenados pelo doutor em Engenharia de Recursos Hídricos, Ayan Santos Fleischmann, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), e tiveram como base os eventos climáticos extremos, que estão cada vez mais presentes no Rio Solimões.

Médio Solimões
Projetos analisam impactos climáticos no Médio Solimões. Fotos: Ayan Fleischmann e André Zumak

Segundo o pesquisador, este cenário de frequentes mudanças tem afetado as populações ribeirinhas, que dependem da água para agricultura, pesca e transporte. Por esse motivo, é necessário investigar qual tem sido a dinâmica dos ecossistemas aquáticos dessas áreas e o seu impacto durante os ciclos de cheia e seca.

“Os dois projetos convergem para um mesmo contexto, que é o de compreender melhor o ambiente, os recursos hídricos e o clima na região do Médio Solimões, onde está inserida a Reserva Mamirauá, que é a maior área protegida que existe no Brasil para conservar as várzeas”, explicou Ayan.

Por meio do Painter Infra CT&I, com a aquisição de novos equipamentos, como estações meteorológicas, gravadores de som e uma série de medições ao longo dos últimos dois anos, foi possível caracterizar eventos extremos de chuva na região, analisando diferentes aspectos como a intensidade de chuva, velocidade do vento, umidade do ar, temperatura da água e do ar, concentração de sedimentos, turbidez e níveis de água dos corpos hídricos.

Um dos métodos aplicados foi o georreferenciamento, com uso em campo de GNSS (Sistema Global de Navegação por Satélite) de alta precisão.

Veiculação da informação

A ideia é informar de maneira adequada às populações ribeirinhas a respeito das condições exatas do lugar em que vivem, e a longo prazo contribuir com dados concretos para a elaboração de políticas públicas relacionadas às mudanças do clima e do regime hidrológico. Para isso, a equipe de pesquisa elaborou o “Boletim das Águas do Médio Solimões”, disponibilizado às comunidades, por meio de grupo virtual, com cerca de mil pessoas da região, além de inserções em rádios em Tefé (distante a 523 km de Manaus).

Projetos analisam impactos climáticos no Médio Solimões. Fotos: Ayan Fleischmann e André Zumak

“Dentro da Reserva Mamirauá moram mais ou menos 11 mil pessoas, populações ribeirinhas que tem um modo de vida totalmente associado a essa dinâmica das águas”, relatou o pesquisador.

Outra forma apontada pelo coordenador do estudo, para se mitigar os impactos e promover adaptações em meio aos eventos extremos, que também causam impactos à economia regional, é estabelecer plataformas de monitoramento do clima e dos recursos hídricos.

Entre os dados coletados estão registros de padrões meteorológicos e da dinâmica das águas. A coleta de dados hidrossedimentológicos, por exemplo, torna possível compreender os eventos de seca e cheia severos na região, como ocorrem as mudanças nos padrões de inundação e na paisagem ao longo do tempo, e quais as novas formas de previsão deste tipo de fenômeno.

Metodologia

A expectativa é que a longo prazo esses estudos contribuam para a capacitação e a formação de recursos humanos. As metodologias dos projetos incluíram atividades de campo que resultaram na instalação de equipamentos e obtenção de amostras de água. Durante esse processo, foram examinados, por exemplo, os sedimentos transportados pelos rios Solimões e Japurá ao longo da Reserva Mamirauá.

Projetos analisam impactos climáticos no Médio Solimões. Fotos: Ayan Fleischmann e André Zumak

Além disso, os projetos realizaram o “monitoramento geoacústico” da chuva com técnicas de inteligência artificial em um método chamado de “Random Forest”, que avalia a intensidade pluviométrica a partir do som da chuva. Esse sistema faz a captação com gravadores de som, que registram os espectrogramas da chuva em áreas próximas aos pluviômetros instalados.

“Temos monitorado variáveis ambientais no âmbito desses projetos para trazer respostas sobre como se comportam as águas e o clima do Médio Solimões, especialmente no contexto das mudanças climáticas que têm trazido impactos sem precedentes para essa região, como as duas secas extremas de 2023 e 2024, e também as cheias extremas, como a de 2021, a maior já registrada em mais de 120 anos de dados em Manaus”, reforçou Ayan Fleischmann.

Apoio da Fapeam

O coordenador dos projetos destaca o apoio da Fapeam como fundamental, e explica que o investimento contribuiu para a melhoria da infraestrutura dos laboratórios e de equipamentos de campo que foram usados durante a realização das atividades. Dessa maneira, possibilitando entender quais os impactos da crise climática a médio e longo prazo.

“Esses projetos e o financiamento da Fapeam têm garantido a manutenção dessa rede de monitoramento hidrometeorológico, do clima, e dos recursos hídricos do Médio Solimões, que a gente tem desenvolvido aqui no Instituto Mamirauá”, afirmou.

Série Painter

A série do Programa de Apoio à Interiorização em Pesquisa e Inovação Tecnológica no Amazonas (Painter) tem o objetivo de fomentar a interiorização, por meio de projetos de pesquisa que visem o fortalecimento e a consolidação da infraestrutura de ciência, tecnologia e inovação (CT&I), visando a criação de um ambiente favorável ao desenvolvimento científico e tecnológico, com qualidade reconhecida, em instituições de ensino superior e/ou pesquisa ou centros de pesquisa sediados no interior do estado do Amazonas.

O adeus a Patrícia Civelli, uma guardiã da memória de Rondon

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Patrícia Civelli, uma guardiã da memória de Rondon. Foto: Reprodução

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Na tarde deste sábado, 12, o Rio de Janeiro despediu-se de uma de suas figuras mais dedicadas à preservação da história do cinema nacional: Patrícia Civelli, produtora cultural, curadora e incansável articuladora. Após uma internação de cerca de uma semana, vítima de um mal súbito, Patrícia ficou inconsciente e foi parar na UTI. Ela partiu discretamente — como quem deixa a cena não sem antes garantir – como nos velhos tempos – que os rolos de filme estejam rebobinados e prontos para a próxima exibição.

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Patrícia Civelli era diretora da empresa Memória Civelli, responsável por projetos que extrapolavam o fazer cinematográfico. Um deles, o documentário O Rio da Dúvida, dirigido por Joel Pizzini, foi rodado entre 2017 e 2018 em Rondônia e é testemunho da inquietude criativa que Patrícia cultivava. Outra obra que ela ajudou a desenvolveu e que tem impacto duradouro, é o Memorial Rondon, espaço inaugurado em 2015 em Porto Velho, onde mais de 400 peças expostas narram a expansão telegráfica e a ocupação amazônica sob a tutela do militar Cândido Mariano da Silva Rondon.

Patrícia Civelli
O casal Mário César e Patrícia Civelli. Foto: Reprodução

Legado em movimento

Viúva há dois anos e dois meses do roteirista Mário César Cabral, com quem dividiu sonhos e realizações ao longo de décadas, Patrícia Civelli era mais que uma herdeira: era uma continuadora. Filha do cineasta ítalo-brasileiro Mario Civelli (1923–1993), detentor dos direitos sobre as imagens de Rondon cedidos pelo próprio marechal, Patrícia preservou e ampliou esse acervo com paixão arqueológica e olhar cinematográfico.

Não se contentou com os vestígios herdados. Prosseguiu pesquisando em arquivos e aproximou-se dos familiares de Rondon, colecionou documentos, fotografias, obras de arte e registros que formam hoje uma das coleções mais valiosas sobre a história brasileira longe das capitais — um Brasil de florestas, estradas remotas e traços indígenas.

Cinemas nas veias

Patrícia viveu num lar onde o cinema não era apenas arte: era destino. Além do pai cineasta, a mãe Pola Vartuk (1927–1990) foi uma crítica respeitada, com passagem por veículos como O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil. Uma tia paterna, Carla Civelli (1921–1977), foi atriz, diretora e cinegrafista, mulher múltipla em uma época de poucas possibilidades para tantas facetas.

Do acervo de mais de 30 filmes do pai – 17 deles são brasileiros, produzidos entre 1948 e 1968 – , Patrícia assegurou recursos de patrocínio institucional e apoio privado, numa luta contra o esquecimento e a decomposição das velhas películas. Para ela, restaurar os longas-metragens era quase um ato político — devolver ao país a memória filmada de quem o construiu com esforço e coragem.

A despedida

Com a morte de Patrícia Civelli, encerra-se um capítulo singular da interseção entre memória histórica e linguagem cinematográfica. Produtora cultural e articuladora incansável, ela foi uma figura de convergência — entre o rigor técnico e a sensibilidade afetiva, entre os arquivos empoeirados e os olhares contemporâneos.

Patrícia Civelli morreu no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução

Sua atuação transcendeu o universo do audiovisual. Com uma rede extensa de colaboradores, envolveu dezenas de profissionais em empreitadas que iam do resgate de filmes à reconstituição de ambientes históricos por meio de maquetes, cenografia e curadoria documental. Com seu marido e equipe, ela reuniu, restaurou e revitalizou fotografias, manuscritos, mapas e registros que, sem sua intervenção, teriam sido tragados pelo esquecimento.

Patrícia não apenas preservou: interpretou e reconectou o passado à contemporaneidade. Seu legado material — filmes recuperados, arquivos organizados, projetos museológicos, exposições, palestras e conferências — é precioso. Mas é sua metodologia generosa, seu olhar profundo e sua capacidade de mobilizar memórias coletivas que se tornam ainda mais urgentes em tempos de desmemória institucional.

Deixa saudade e reverência. Mas deixa, principalmente, caminhos abertos — pistas concretas para que outros sigam o fio da memória. Afinal, como ela dizia com convicção, “memória não é o que passou; é o que insiste em continuar.”

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Ufopa começa em agosto projeto sobre Saúde Digital na Amazônia

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Ribeirinho da Amazônia. Foto: Miguel Monteiro/Instituto Mamirauá

O Instituto de Saúde Coletiva (Isco) da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) vai desenvolver o projeto Saúde Digital na Amazônia: Estratégias Interprofissionais e Interdisciplinares para o Fortalecimento do Sistema Único de Saúde em Contextos de Vulnerabilidade. Esse projeto será desenvolvido no âmbito do Programa de Educação pelo Trabalho, do Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação.

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Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). Foto: Divulgação

As ações do projeto da Ufopa começam em 1º de agosto de 2025 com o objetivo de promover a integração entre ensino, serviço e comunidade por meio de estratégias interdisciplinares e interprofissionais, buscando soluções digitais inovadoras para qualificar a gestão do cuidado, mapear lacunas dos processos informacionais e ampliar a disseminação de informações em saúde no Sistema Único de Saúde (SUS).

Coordenado pelo professor Hernane Santos Júnior, o projeto dará ênfase à Atenção Primária em Saúde (APS), tendo a proposta de buscar responder às especificidades e desafios dos territórios da Amazônia brasileira, utilizando tecnologias da informação e comunicação (TIC) como ferramentas de transformação da realidade local.

Ufopa começa em agosto projeto sobre Saúde Digital na Amazônia
Ufopa pretende iniciar o projeto em agosto de 2025. Foto: Divulgação

Ao longo do período de execução (2025 a 2027), serão realizados diagnósticos situacionais sobre as fragilidades da rede municipal de saúde em relação ao uso das tecnologias digitais, além do desenvolvimento de testes e validação de ferramentas digitais voltadas à melhoria do acesso, do cuidado e da gestão da informação. O projeto também pretende fortalecer a cultura da saúde digital entre profissionais, gestores e usuários do SUS, fomentando a produção de conhecimento aplicado à realidade amazônica, com o uso de painéis de evidências para subsidiar a tomada de decisão e o planejamento em saúde.

O projeto será desenvolvido, exclusivamente, no município de Santarém, em articulação com a rede local do SUS, buscando contribuir para o fortalecimento da APS, inclusão digital e formação em serviço a partir das especificidades do território amazônico.

Leia também: Pesquisadores da Ufopa participam de criação da ‘Rede de Pesquisa em Aquicultura da Amazônia Legal’

Chamada para docentes tutores bolsistas

Arte: Reprodução/Ufopa

O Isco abriu chamada simplificada visando à seleção de docentes-tutores bolsistas, que atuarão em Grupos de Aprendizagem Tutorial (GATs) do projeto a ser desenvolvido em Santarém. São 20 vagas, sendo 10 vagas para docentes de cursos: Bacharelado Interdisciplinar em Farmácia, Medicina e Saúde Coletiva) e 10 para docentes das áreas tecnológicas ou correlatas (Ciências da Computação, Sistemas de Informação e Informática Educacional).

As inscrições dos docentes podem ser feitas até sexta-feira, 11 de julho, pelo formulário eletrônico disponível aqui.

Além dos professores-tutores, também participarão do projeto 100 estudantes de graduação dos cursos vinculados aos docentes selecionados. As inscrições para os discentes vai até 15 de julho, pelo formulário eletrônico disponível aqui.

*Com informações da Ufopa

Café de Rondônia é destaque nacional com aumento de produção e valorização do mercado

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Rondônia é o quinto maior produtor do Brasil e o segundo maior na produção de robusta. Foto: Irene Mendes/Governo de Rondônia

A cafeicultura de Rondônia vive um de seus melhores momentos. Com produção recorde, qualidade reconhecida e valorização crescente, o estado se consolida como uma das principais referências do Brasil no cultivo do Café Robusta (Coffea canephora).

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De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rondônia produziu 3,1 milhões de sacas de café beneficiado em 2024, mantendo-se como o 5º maior produtor de café do Brasil e o 2º maior na produção de robusta, atrás apenas do Espírito Santo. O estado responde por cerca de 10% da produção nacional.

Café de Rondônia
Robusta Amazônico. Foto: Armando Junior

Só na cafeicultura são mais de 12 mil famílias acompanhadas, com presença marcante em regiões produtoras, como: Alta Floresta d’Oeste, Cacoal, Rolim de Moura, Ouro Preto d’Oeste, Nova Brasilândia d’Oeste, Buritis e a região do Cone Sul.

Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, a conquista é motivo de orgulho e demonstra a competitividade do café rondoniense no mercado global. “O café de Rondônia representa geração de emprego, renda e oportunidade em cada município. O governo tem trabalhado para garantir apoio, crédito, assistência e novos mercados para valorizar ainda mais quem atua no campo”, salientou.

Assistência técnica local

A produtividade nas propriedades assistidas pela Emater-RO surpreende, ultrapassando 55 sacas por hectare e chegando a mais de 100 sacas em propriedades com sistemas intensivos. Isso só é possível graças à atuação local dos técnicos que acompanham desde o preparo do solo até a colheita, levando tecnologia, orientações de manejo, boas práticas agrícolas e incentivo ao uso de mudas de qualidade.

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Foto: Renata Silva/Embrapa

Segundo o diretor-presidente da Emater-RO, Luciano Brandão,  o grande diferencial é estar próximo do produtor. “Temos escritórios em todos os municípios, extensionistas que conhecem cada realidade local, cada produtor. Isso faz toda a diferença. É a presença no campo que garante que o conhecimento chegue onde precisa chegar”, destacou.

Atualmente, a Emater-RO conta com 85 unidades operacionais distribuídas em todos os municípios, com uma equipe de cerca de 400 extensionistas e técnicos que garantem o atendimento direto a milhares de produtores rurais.

Reconhecimento e mercados valorizados

Rondônia foi o primeiro estado da Região Norte a conquistar uma Indicação Geográfica (IG) para seu café robusta, concedida em 2021, pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A conquista abrange 15 municípios, fortalecendo o valor agregado do produto, destacando a qualidade e a identidade regional do café rondoniense.

Robusta Amazônico. Foto: Enrique Alves

De acordo com o engenheiro agrônomo da Emater-RO, Fausto Lima, Rondônia produziu 2,5 milhões de sacas de café robusta em 2024. “Esse é o dado oficial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) levantado em parceria com a Emater”, explicou. Desse total, 584 mil sacas foram destinadas à exportação, gerando uma receita superior a US$ 130 milhões, segundo dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

“Esse café leva a marca do produtor familiar, do extensionista que orienta, do técnico que acompanha e do governo do estado que apoia. Cada saca que sai daqui carrega a história de famílias que acreditam no campo”, reforçou o diretor-presidente da Emater-RO.

Premiações 

O Concurso de Qualidade e Sustentabilidade do Café (Concafé) chega à sua 10ª edição, mobilizando centenas de produtores dos municípios atendidos pelas unidades operacionais da Emater-RO em todo o estado. As inscrições para o concurso ainda estão abertas e podem ser realizadas até o dia 15 de agosto.

Robustas Amazônicos. Foto: Aliny Melo

Já o projeto Degusta Café 80+ leva capacitação técnica aos produtores rurais, incluindo os das comunidades indígenas, incentivando a busca por cafés especiais com pontuação internacional. “A Emater é quem faz a ponte entre o produtor e o mercado. Nosso trabalho é valorizar quem vive da terra e mostrar ao Brasil que Rondônia tem café de qualidade, sustentável e competitivo”, afirmou o diretor-presidente da Emater-RO.

Com presença local forte, políticas públicas sérias e produtores dedicados, Rondônia se consolida como potência nacional na cafeicultura robusta, transformando a vida de milhares de famílias em cada canto do estado.

*Com informações do Governo de Rondônia

Projeto levará energia elétrica limpa a aldeia Kaxinawá

Aldeia Kaxinawá vista de cima. Foto: Reprodução/ Ibama.

O projeto Sisol Kaxinawá, da Universidade Federal do Acre – Ufac, coordenado pelo professor Rárison Roberto Acácio Fortes, em parceria com a empresa Huawei, levará energia elétrica limpa, eficiente e contínua à aldeia indígena Kaxinawá, no seringal Nova Aliança, no alto rio Purus.

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A iniciativa prevê a criação e implementação de um sistema híbrido de geração de energia elétrica, controlado por inteligência artificial (IA) e alimentado por painéis solares, geradores a diesel e baterias de alta performance.

Aldeia Kaxinawá. Foto: Josy Pinheiro

Com duração de um ano, de abril deste ano a abril de 2026, o sistema foi projetado para atender às demandas específicas da comunidade, respeitando sua cultura e realidade geográfica, garantindo confiabilidade energética mesmo em períodos de baixa insolação.

Leia também: Etnoturismo: 9 aldeias acreanas que atraem turistas por suas tradições culturais

O diferencial do Sisol está na utilização de IA para otimizar o uso das fontes de energia disponíveis, prever falhas, adaptar-se às condições climáticas locais e minimizar o consumo de diesel. O sistema contará ainda com interface em português e na língua kaxinawá, promovendo inclusão digital e autonomia na operação.

“Além de melhorar significativamente a qualidade de vida da comunidade, possibilitando avanços em saúde, educação e produção agrícola, o projeto gerará conhecimento científico de ponta e poderá ser replicado em outras comunidades isoladas da Amazônia”, disse o coordenador do projeto, Rárison Roberto Acácio Fortes.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Universidade Federal do Acre.

Pesquisadora analisa como é produzido instrumento típico do São João do Maranhão

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Zulma Alves, pesquisadora da UFMA. Foto: Reprodução/UFMA.

Ainda em ritmo de São João, a pesquisa acadêmica amplia os estudos dos elementos que fazem parte da tradição maranhense. Dessa vez, o trabalho foi dedicado na origem do instrumento que ecoa cultura, arrepia o corpo e acelera o coração de muitos maranhenses, a matraca.

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Sabemos que a matraca é um instrumento de percussão tradicional do Maranhão, feito com dois pedaços de madeiras e presente no bumba meu boi. Mas já parou para pensar que cada matraca tem sua própria “assinatura vegetal”? Seguindo essa perspectiva, a estudante do curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Zulma Guadalupe Alves Pinheiro desenvolveu um estudo intitulado ”Identificação botânica das plantas utilizadas nos rituais religiosos de matriz africana em São Luís, Maranhão”.

como é produzido instrumento típico do São João do Maranhão
como é produzido instrumento típico do São João do Maranhão. Foto: Reprodução/ UFMA

Segundo Zulma Alves, a ideia de estudar a relação entre as plantas e os instrumentos do bumba meu boi surgiu a partir da sua vivência nesse meio. Estudar essa relação é uma forma de unir minha paixão pela cultura popular com o meu amor pela botânica e pela valorização do conhecimento tradicional:

“A ideia de estudar a relação entre as plantas e os instrumentos do bumba meu boi surgiu da minha vivência dentro da própria brincadeira. Sou uma pessoa diretamente envolvida com as manifestações culturais, e participo ativamente do bumba meu boi como brincante, estando presente nos ensaios, nas apresentações e no dia a dia da organização. Isso despertou em mim a curiosidade de entender mais sobre essas espécies, seus usos e o saber tradicional por trás da escolha de cada material” compartilhou a estudante.

Os sotaques de matraca e da baixada são grupos de bumba meu boi que se destacam na presença das matracas, que, tradicionalmente, são confeccionadas com madeiras nativas. O ipê amarelo, o jatobá e a maçaranduba são as principais espécies utilizadas na produção desse instrumento, permitindo a diferenciação das características físicas e simbólicas, geralmente escolhidas por um saber tradicional construindo ao longo das gerações.

Leia também: Quando o encantado veste couro de boi: fé, cultura e resistência no São João do Maranhão

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como é produzido instrumento típico do São João do Maranhão. Foto: Reprodução/UFMA

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“A escolha das madeiras leva em conta diversos fatores. A sonoridade é central, os mestres e artesãos sabem exatamente qual madeira oferece o timbre ideal, seja mais seco, grave ou estalado, dependendo do sotaque do boi. Mas também entram em jogo a durabilidade, já que o instrumento sofre impactos constantes, e a disponibilidade da planta no território”.

“Algumas madeiras são mais fáceis de talhar, outras resistem melhor ao tempo e à umidade. Em sua maioria, as madeiras são nativas do Maranhão e da Amazônia. Essa relação reforça o vínculo entre a manifestação cultural e o território. Ao utilizar espécies locais, os grupos mantêm uma relação de cuidado com o meio ambiente, muitas vezes, aproveitando árvores já caídas ou sobras de madeira”, contou a pesquisadora.

Os diferentes sotaques do bumba meu boi têm sonoridades e ritmos próprios, influenciando na escolha das espécies de madeira. O jatobá é comum no sotaque de matraca, visto que essa espécie possibilita batidas que produzem sons firmes e prolongados.

Do contexto cultural para o contexto laboratorial do instrumento

O Laboratório de Estudos Botânicos da UFMA é um espaço dedicado para estudos da área de florística e fitossociologia de restingas e dunas, taxonomia de fanerógamos, etnobotânica e divulgação científica e atua para a conservação da biodiversidade da vegetação litorânea do Maranhão.

Com a missão de contribuir com a formação dos estudantes na área de botânica, o LEB foi palco para a elaboração do estudo que contou com a participação de profissionais que trabalham na área da etnobotânica e com o apoio de especialistas em determinadas famílias botânicas.

Entre os métodos utilizados, a pesquisadora buscou coleções botânicas, bibliografia etnobotânica, entrevistas com comunidades locais e comparações com amostras de referência para auxiliar na identificação e no entendimento dos usos da madeira. Nessa perspectiva, Eduardo Bezerra enfatiza o intuito dos trabalhos que evidenciam a utilidade das plantas.

“Quando pensamos nas matracas, é para mostrar que, até nas nossas festividades de São João, há a presença de planta, e não percebemos as variedades. Nós queremos trazer as curiosidades da planta para a pessoa falar ‘Como assim isso aqui é de um caule e eu nunca parei para prestar atenção?’, porque às vezes a gente não percebe isso. O nosso intuito é mostrar que tem plantas em todos os lugares, nós só precisamos saber reconhecer para entender e para valorizar”, pontuou a pesquisadora.

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Foto: Reprodução/UFMA

A união da ciência e da cultura popular proporciona a visão e o entendimento de eixos que geralmente são despercebidos e desvalorizados, como argumenta Zulma Alves.

“A etnobotânica nasce justamente desse diálogo entre ciência e saber tradicional. No nosso caso, a pesquisa não busca apenas identificar espécies, ela reconhece e valoriza os conhecimentos dos artesãos, que conhecem profundamente a natureza em virtude de sua prática e vivência. Quando a Universidade se aproxima com respeito e escuta ativa, ela amplia sua missão e contribui para o fortalecimento de culturas que resistem e se reinventam todos os dias”, afirmou.

Além dos “matraqueiros” — brincantes que tocam matraca —, maranhenses e turistas também utilizam a matraca para celebrar a cultura, mas geralmente não sabem a origem e o valor simbólico desse objeto. Com isso, Eduardo Bezerra esclarece o processo de produção da matraca.

“Tem muita gente matraqueira, e, quando ocorrem as festividades, está todo mundo tocando matraca e estamos querendo chamar a atenção que ali são duas madeirinhas que vieram de um caule, que era uma planta e que tem todo um cuidado na hora de se preparar essa matraca, porque, dependendo da madeira, o som vai ser diferente, a textura, o peso vai ser diferente, os cuidados que vão ter com a matraca é diferente, para ter mais tempo de conservação etc”.

Os estudos para a pesquisa continuam, os pesquisadores buscam aprofundar a bibliografia com referências da literatura e pretendem conversar com artesãos que produzem matracas, possibilitando uma percepção ampliada sobre a temática. 

A pesquisa é resultado do esforço e da mente sagaz da estudante e futura bióloga, Zulma Alves, que, por meio de suas experiências de vida, observou a essência de estudar um instrumento fundamental da tradição maranhense e suas raízes botânicas, que vão para além da nossa localidade.

A matraca não se resume a apenas “dois pedaços de madeira que produzem um som”, ela representa a história de uma cultura marcada pelo conhecimento tradicional que, por meio do estudo desenvolvido, conquistou um espaço que documenta os saberes de sua confecção, fortalecendo a conexão entre cultura e biodiversidade.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Universidade Federal do Maranhão e escrito por Aline Vitória.

Dia do Rock: conheça bandas em destaque de cada estado da Região Norte

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O rock brasileiro possui uma longa tradição marcada por movimentos e estilos distintos em cada região do país. Na Região Norte, embora menos presente nas grandes mídias, o gênero também floresceu e segue ativo por meio de bandas que misturam o peso das guitarras com influências culturais amazônicas. Com propostas musicais originais, algumas dessas bandas conquistaram reconhecimento nacional e internacional ao longo dos anos, provando que o Norte também tem um papel significativo na cena do rock brasileiro.

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Foto: Divulgação

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Entre os estados nortistas, Amazonas, Pará e Rondônia se destacam por abrigar bandas que, mesmo surgindo longe dos grandes centros urbanos, conseguiram espaço e relevância com sonoridades autorais e forte ligação com o ambiente amazônico. Mas por ser um estilo mundialmente acompanhando por fãs, cada estado possui pelo menos um representante. O Portal Amazônia destacou uma banda por estado dos sete da Federação.

Os Playmobils (Amazonas)

A banda Os Playmobils surgiu em Manaus (AM) no início dos anos 2000 e rapidamente se tornou uma das principais representantes do rock independente no estado. Misturando influências de rock alternativo, pop rock e punk, o grupo se destacou pelo tom irreverente de suas composições e por apresentações energéticas em festivais regionais.

Ao longo dos anos, Os Playmobils lançaram álbuns e EPs com letras bem-humoradas e críticas sociais, abordando o cotidiano da juventude manauara. O grupo participou de eventos como o Festival Música Independente (FMI) e teve canções incluídas em coletâneas de música alternativa do Norte e Nordeste.

Apesar das mudanças de formação, a banda permaneceu ativa no circuito local até 2020 mas mantém presença nas redes sociais e plataformas de streaming, contribuindo para manter vivo o cenário do rock amazonense.

Banda Madame Saatan (Pará)

Originária de Belém (PA), a Madame Saatan é uma das bandas de rock mais conhecidas da Região Norte. Fundada em 2003, o grupo se destacou por sua sonoridade agressiva e letras politizadas. A mistura de rock pesado com ritmos regionais como carimbó e guitarrada tornou a banda uma referência em experimentação sonora no cenário alternativo brasileiro.

Comandada pela vocalista Sammliz, a banda lançou seu álbum de estreia homônimo em 2007. O disco foi bem recebido pela crítica especializada e colocou o grupo em festivais importantes, como o Abril Pro Rock e o Porão do Rock. O segundo álbum, Peixe Homem, de 2011, consolidou a proposta sonora da banda e aprofundou ainda mais os temas sociais em suas composições.

A trajetória da Madame Saatan também abriu portas para artistas nortistas em outros segmentos do rock, provando que há público e espaço para expressões musicais fora do eixo Rio-São Paulo.

Banda Versalle (Rondônia)

De Porto Velho (RO), a banda Versalle se destacou nacionalmente após sua participação no reality show musical SuperStar, da TV Globo, em 2015. Com influências de rock alternativo e indie rock, o grupo conquistou jurados e público, chegando à final da competição.

Formada em 2009, a Versalle alcançou uma base sólida de fãs e gravou seu primeiro álbum, Distante em Algum Lugar, pelo selo da gravadora Som Livre. As músicas da banda tratam de temas existenciais, amorosos e sociais, com uma estética moderna e bem trabalhada. A exposição nacional impulsionou a carreira do grupo, que passou a fazer turnês por várias capitais do país.

A banda também tem investido em videoclipes e parcerias com artistas de outras regiões, ajudando a projetar o nome de Rondônia no mapa do rock nacional. Com novo trabalho previsto, a Versalle segue como um dos principais nomes do gênero oriundos da Região Norte.

Los Porongas (Acre)

Los Porongas é uma banda que surgiu no Acre em 2003, se mudou para São Paulo em 2007. O grupo, originalmente formado por acreanos, hoje conta Diogo Soares (voz), Márcio Magrão (baixo), João Leão (teclados) e com dois cearenses em sua formação, Carlos Gadelha (guitarra) e Xavier Francisco (bateria)

Sistema Tucujú (Amapá)

A banda Sistema Tucuju foi formada em 2024 por um grupo de amigos que compartilhavam a paixão pelo rock nacional brasileiro. Composta por cinco membros – PH (vocalista e membro fundador), Alê (guitarrista solo e membro fundador), Marco Antonio (Guitarrista Base e membro fundador), Wey (baixista e membro fundador) e Paulinho (baterista membro remanescente) -, a banda começou a se apresentar em bares de Macapá e hoje já tem realizado shows em várias partes do país.

Garden (Roraima)

Com 25 anos de estrada, a Banda Garden – formada por Siddhartha Brasil (voz), Rodrigo Baraúna (Guitarra), Neto Baraúna (Baixo) e Nekinhu Amaro (Bateria) é uma das mais atuantes no cenário do rock roraimense. A Lei Aldir Blanc proporcionou em 2021 o primeiro registro profissional em vídeo da banda.

Com o investimento do edital, o grupo apresentou um show ‘Garden Live – Estúdio Parixara’. O repertório contou com músicas dos dois discos da banda, o autointitulado – lançado em 2006 e ‘Quarto Branco’, lançado em 2016. O material está disponível em todas as plataformas digitais. (Spotfy, Deezer, Google Play, iMusic).

Centavos (Tocantins)

Uma das banda de rock mais famosa de Tocantins é a Centavos, formada em Araguaína (cidade distante 376 quilômetros da capital Palmas). Eles são conhecidos por sua música de rock com letras originais e riffs psicodélicos, explorando o gênero stoner rock.

O rock na Amazônia e seus desafios

Show em Belém. Foto: Divulgação

O surgimento de bandas de rock no Norte do Brasil enfrenta obstáculos característicos da região, como o isolamento geográfico, dificuldades de acesso a grandes centros culturais e escassez de casas de shows específicas para o gênero. Apesar disso, artistas e coletivos culturais têm se mobilizado para manter a cena viva, promovendo festivais independentes e criando selos alternativos para gravação e distribuição de música.

Além disso, muitas bandas nortistas incorporam elementos locais em sua produção — seja na letra, na estética ou nos arranjos — criando um som que carrega a identidade amazônica e rompe com padrões mais tradicionais do rock nacional. Esse hibridismo tem sido uma marca distintiva e também um atrativo para o público fora da região.

Assim, bandas como Madame Saatan, Os Playmobils e Versalle representam não apenas a força criativa da juventude nortista, mas também o potencial do rock como expressão cultural na Amazônia.

XTERRA terá provas de resistência na floresta Amazônica

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Considerado o maior circuito off-road do mundo, o XTERRA volta ao Amazonas após o sucesso da edição do ano passado. A iniciativa vai reunir nos dias 25 e 26 de julho atletas da elite e amadores em três modalidades: corrida em trilha (5, 10 e 21 quilômetros), triatlo e natação em águas abertas. As disputas acontecerão no Sítio Bom Futuro, em Paricatuba, no coração da selva amazônica.

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XTERRA
É considerado o maior circuito off-road do mundo. Foto: Divulgação

Trilhas desafiadoras conduzirão os participantes por uma imersão na selva, com sons, aromas e paisagens que só a Amazônia pode oferecer. A essência do XTERRA é incentivar a prática do esporte, preservando a natureza e movimentando as economias locais. Ao longo de sua história, o evento passou por mais de 45 países, com aproximadamente 70 mil participantes e 300 mil espectadores.

Considerado o maior circuito off-road do mundo também é realizado em diversas regiões. Foto: Divulgação

“Nosso objetivo vai muito além do simples uso dos locais pelos quais passamos. Acreditamos que temos responsabilidades ambientais e sociais. A prática esportiva envolve cuidar dos lugares e das comunidades que nos cercam nessa jornada, é um compromisso com as futuras gerações”, ressalta Mauricio Leal, Gerente de Projeto da X3M Entretenimento, que organiza e promove o XTERRA no Brasil: “Temos o orgulho de dizer que limpamos mais de 80 quilômetros de trilhas por edição”.

Entrega dos Kits do evento. Foto: Divulgação

Segundo os organizadores, mais de 300 pessoas são contratadas a cada edição do XTERRA, incluindo treinamentos e capacitação de moradores. Além disso, um ganho valioso que a iniciativa proporciona aos lugares por onde passa é o fomento das economias locais, com o crescimento do turismo – incluindo hotéis, restaurantes e prestação de serviços.