Além dos painéis de debate sobre soluções para a Amazônia, a Glocal Amazônia 2025, em Manaus (AM), também reuniu visitantes no Largo de São Sebastião para conhecer a arte e serviços de empreendedores da capital amazonense.
A influenciadora Isabelle Nogueira e o ator Adanilo também participaram da Glocal Amazônia 2025. Eles uniram as forças das artes para mostrar que o trabalho do artista também é uma forma de levar ao público a importância da sustentabilidade na região amazônica e que ela pode partir do olhar dos amazônidas.
O Secretário de Meio Ambiente do Estado do Amazonas, Eduardo Taveira, foi um dos participantes da terceira edição da Glocal Amazônia em Manaus (AM). Para ele, os debates realizados no evento entre 28 e 30 de agosto, principalmente saber quais são as demandas do público, são relevantes, pois ajudam na construção de políticas públicas com foco na melhoria da qualidade de vida dos amazônidas.
Foto: Aguilar Abecassis/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa
Por três noites, há quase 30 anos, Manacapuru é palco de tradição, cultura popular e inovação com a realização do Festival de Cirandas. A 27ª edição do evento acontece em 2025 no já tradicional Parque do Ingá, conhecido como Cirandódromo, entre os dias 29 e 31 de agosto.
As apresentações são divididas entre três cirandas competidoras: Ciranda Guerreiros Mura (cores vermelho, azul e branco), Ciranda Tradicional (cores vermelho e o branco) e Ciranda Flor Matizada (cores verde e roxo-claro).
De caráter competitivo, o Festival de Cirandas é definido pelo julgamento de 14 itens obrigatórios, avaliados em arena conforme o regulamento. Esses quesitos são divididos em dois blocos: musical e artístico, cada um composto por sete itens.
Foto: Aguilar Abecassis/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa
É a cirandeira que conduz o pavilhão da agremiação, devendo expressar amor e zelo ao símbolo maior da Ciranda.
Item 06 – Cirandeira Bela
É a cirandeira mais bela da agremiação, que representa a beleza e o bailado típico das cirandeiras de Manacapuru. O item deve expressar graça, beleza e carisma.
Item 07 – Cordão de entrada
É julgado de acordo com o tema proposto pela agremiação. A apresentação do grupo de bailarinos irá proporcionar a introdução ao tema defendido.
Item 08 – Cordão de Cirandeiros (indumentária)
Neste item, é julgada a vestimenta utilizada pelos cirandeiros, levando-se em consideração a temática defendida.
Item 09 – Cordão de Cirandeiros (coreografia e sincronismo)
Neste quesito, é julgado o agrupamento formado pelos pares, utilizando de coreografias adequadamente criadas para cada cirandada.
Item 10 – Harmonia Geral
O item é o agrupamento de ações que possam conduzir a agremiação a expor as propostas dentro de um determinado tempo, de forma harmoniosa e englobando todos os elementos do espetáculo.
Item 14 – Princesa Cirandeira
O item traz o bailado típico das cirandeiras de Manacapuru, com uma indumentária que deve estar de acordo com o tema proposto. Deve expressar beleza, carisma e simpatia.
O apresentador é o mestre de cerimônia e porta-voz da agremiação. É quem apresenta o tema da Ciranda, apresentando cada item para os jurados e para o público em geral.
Item 02 – Cantador
Este item pode ser defendido de forma individual ou coletiva. É responsável por conduzir o desenvolvimento do tema, através das ‘cirandadas’.
Item 03 – Tocata ou Tocada
É o agrupamento de vozes e instrumentos musicais como percussão, instrumentos de metais, corda e eletrônicos. Eles formam a base para o desenvolvimento musical da agremiação.
Item 04 – Cirandada
É a música inédita, jamais apresentada em festivais anteriores ou outro festival. Ela é eleita para representar um momento que esteja ligado ao tema abordado pela agremiação.
Item 11 – Criatividade e originalidade
O item é julgado a partir das ações que possam expressar a temática defendida por cada agremiação no campo criativo e original.
Item 12 – Alegoria
É julgada a estrutura alegórica a partir da relação com o tema apresentado. A alegoria funciona como suporte cenográfico para a apresentação da agremiação.
Item 13 – Tema e desenvolvimento
É a reunião de todas as ideias dispostas de forma organizada na arena. É levado em consideração se a Ciranda seguiu com o que foi proposto, devendo existir coerência entre a parte escrita e a apresentação.
*Com informações da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa
O CEO do Grupo Rede Amazônica, Phelippe Daou Junior, participou da terceira edição da Glocal Amazônia em Manaus (AM), evento que reúne interessados em construir uma Amazônia mais sustentável para o futuro. O evento, que busca reunir ideias e soluções para os problemas da região, contou a participação do empresário, que disse se tratar de um evento que inspira a sonhar e empreender.
Ele participou do segundo painel do primeiro dia e tratou sobre a ‘Sustentabilidade corporativa: como empresas podem impulsionar o desenvolvimento sustentável e valor de mercado na Amazônia’.
O Palácio da Justiça, no Centro de Manaus (AM), recebeu a terceira edição da Glocal Experience Amazônia entre os dias 28 e 30 de agosto. Em 2025, o evento reúne palestrantes, organizadores e convidados para debates sobre a importância da sustentabilidade para a Amazônia.
A criação do Fundo Estadual de Apoio do Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Açaí (Fundo Açaí) e a implementação do Programa do Fortalecimento da Açaícultura no Estado do Pará foram temas da reunião realizada na sexta-feira (29) na sede da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap). Participaram representantes de instituições públicas e privadas, além de representantes da sociedade civil, que integram o grupo técnico que atua na construção de iniciativas que visam estimular e promover o desenvolvimento da cadeia do açaí no Pará.
Durante a primeira reunião do grupo, foi apresentada a minuta de criação do Fundo Açaí. Os representantes das instituições apresentaram sugestões para alterações ou inclusões que acharam necessárias. Todas as contribuições à minuta original serão finalizadas na próxima reunião a ser marcada, a princípio, em até 15 dias.
Uma das finalidades com a criação do Fundo Açaí é ampliar a eficiência da produção e comercialização do fruto com a viabilização de ações e projetos voltados à melhoria e ampliação da cadeia de açaí, conforme informou o gerente de fruticultura da Sedap, Geraldo Tavares, que coordenou a reunião desta sexta-feira.
“É um universo muito grande de possibilidades. Projetos como, por exemplo, a viabilização de material de propagação de sementes selecionadas da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), para beneficiar uma grande quantidade de produtores, além de avanços tecnológicos com a realização de convênios com instituições de ensino superior, poderão ser financiados por meio deste fundo”, informou Tavares.
Durante a reunião, o gerente de Fruticultura fez alusão ao Fundo de Apoio à Cacauicultura do Estado do Pará (Funcacau), criado em 2008 e que serviu de fonte para a criação do Fundo Açaí. Ele informou que o Funcacau apoia financeiramente programas e ações de geração e difusão de tecnologias, assistência técnica, fomento e comercialização, dirigidos à expansão, fortalecimento e consolidação de arranjos produtivos locais da cacauicultura no Estado do Pará.
A exemplo do Funcacau, que apoia uma das mais importantes culturas do Pará, o fundo voltado ao açaí apoiará programas e ações de geração e difusão de tecnologias, assistência técnica, fomento e comercialização, entre outros benefícios.
Além do gerente de fruticultura, a reunião contou com a participação de representantes da Sedap que atuam no Procacau, no Planejamento e na Secretaria Adjunta e na Diretoria de Feiras e Mercados da Sedap.
Inclusão
Além de representantes de associações de batedores de açaí da capital, como é o Caso do Instituto Ver-o-Peso, o grupo de trabalho conta com a participação de trabalhadores de municípios de outras regiões de integração do Pará, como é o caso do município de Parauapebas (Região de Integração de Carajás). O gerente de Fruticultura informou que a mescla de representantes de todos os segmentos é importante, por se tratar de uma cultura que representa todo o Estado.
“Há batedores artesanais de Belém e do sudeste do Estado e também tem representações da sociedade civil, da indústria, da Federação dos Trabalhadores, e as secretarias que representam o segmento no Governo do Estado como a Sedap, a Seaf (Secretaria de Estado de Agricultura Familiar), a Sedeme (Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia), a Emater e a Adepará. Ou seja: para se ter um projeto bom, todos têm que ser ouvidos; essa é a finalidade desse GT”, defendeu Tavares.
Açaí. Foto: Reprodução/IDAM
Entre os representantes do grupo que são de fora da capital está o presidente da Associação de Batedores e Vendedores de Açaí de Parauapebas (Abap), Werbet Santana. A associação, de acordo com o representante, tem 110 estabelecimentos afiliados, mas a quantidade total de batedores artesanais ultrapassa 200 em Parauapebas, segundo ele.
Para o presidente da Abap, a participação do município na construção do Fundo Açaí é importante por levar políticas públicas da capital para o sul do Estado. “Para nós é de grande relevância fazer parte desse grupo seleto e representar o sul do Pará; Parauapebas hoje já tem vários produtores e principalmente batedores de açaí, no nosso último censo tivemos um levantamento que mostrou que o município movimenta em torno de R$ 25 milhões mês na cadeia do açaí. Consideramos uma matriz econômica forte dentro de Parauepaebas”, destacou.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), Carlos Xavier, que abriu a reunião, disse que o Pará como primeiro produtor de açaí do Brasil (e do mundo), necessita de iniciativas que alavanquem e aperfeiçoem a cadeia e que invistam em mais tecnologia. É um produto que tem oferta e demanda, como observou – ressaltando possibilidades de um promissor mercado de açaí no futuro com a Índia e a China.
Segundo ele, com a criação do Fundo Açaí e de um programa que fortaleça a açaícultura, o estado poderá ampliar sua produção e comercialização do açaí e ainda abastecer a demanda interna.
“O objetivo de se criar um fundo também é para subsidiar e ajudar o produtor da pequena propriedade a gerar o seu desenvolvimento e fazer o aproveitamento daquilo que o Pará é o primeiro do mundo, que é a produção do açaí. A transformação da sociedade brasileira passa necessariamente pela produção”, frisou o presidente da Faepa.
Além da Sedap, participaram representantes da Secretaria de Estado de Planejamento (Seplad), da Sedeme, do Sindicato das Indústrias de Frutas e Derivados do Pará (Sindifrutas), da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), do Instituto Açaí, da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), da Emater e da Abap.
Natural de Óbidos (PA), mas é radicado no Amazonas. Com uma carreira que já soma três décadas e muitas artes espalhadas pelo mundo mostrando detalhes da Amazônia sob seu olhar. Jandr Reis é formado em Comunicação Digital Design e Multimídia na Universidade Paulista (UNIP) e pós-graduado em Museologia na Universidade Federal do Amazonas (UFAM).
Jandr é reconhecido como uma voz forte e potente no cenário das artes visuais contemporâneas no Brasil, com um trabalho que reflete a Amazônia de uma forma enérgica e única.
Por sua trajetória levando aquilo que não se vê da região ao mundo, Reis foi um dos convidados da Glocal Amazônia 2025 em Manaus (AM). Ele participou no segundo dia, em 29 de agosto, cujo tema era “Escolas e Universidades”. Mesmo tímido, mostrou como sua experiência o tem feito revelar a Amazônia e a fazer ser, cada vez mais, visível.
Painel ‘Da Amazônia para o Mundo – Arte e Cultura como Potência Global’ foi formado por Adanilo, Isabelle Nogueira, Robério Braga e Jandr Reis. Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia
Neste contexto, a participação de Jandr Reis foi imprescindível para o público conseguir ter uma dimensão maior sobre o que a a arte produzida na região é capaz de fazer. Ele foi um dos destaques do painel ‘Da Amazônia para o Mundo – Arte e Cultura como Potência Global’.
“Toda a minha arte tem um engajamento e eu uso como ferramenta para a preservação da Amazônia. Como as flores, da minha série ‘Orquidário’. Tem o ‘Jaraquiarte’, em que eu uso os peixes amazônicos, tipo o Jaraqui, que é o nosso peixe muito conhecido aqui, que o manauara gosta bastante. Eu trabalho muito com a fauna e a flora amazônicas”, explica.
Mas muito além do que muitos poderiam considerar óbvio, Jandr também explica que esses elementos podem estar cercados também do que considera “um grito de alerta para que não joguem lixo nos nossos rios e igarapés”.
Isso porque Jandr coloca em sua arte um apelo voltado para a preservação da Amazônia, além, claro, de participar de eventos como a Glocal, onde pode levar sua voz para destacar a necessidade de um futuro sustentável em que não se perca a identidade, a fauna e flora amazônicas.
“Eu acho de grande importância participar da Glocal, que dá voz, que abre esse espaço para a gente incentivar as pessoas para terem consciência do meio ambiente, para não poluir o nosso planeta. É como um papel de educador, né?”, frisou.
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
Legado da Glocal para a arte
Na visão do artista, o legado da Glocal é para todos os setores sociais. “É sempre muito bom para os artistas locais e para a população em geral [ter eventos como a Glocal]. Eu acho que é um espaço que dá trabalho para as pessoas do Amazonas. Incentiva à arte cada vez mais, incentiva as pessoas à produzirem e dá reconhecimento a esses artistas. Eu me sinto muito honrado em fazer parte da Glocal”, comentou.
“Isso aqui deixa um legado para os artistas que é muito bom. O reconhecimento dos artistas. Por exemplo, quando eu fui para o Rio [de Janeiro], eu saí na imprensa, na mídia de lá, e isso faz com que o artista ganhe reconhecimento nacional. Então eu acho que só é o grande ganho para os artistas amazonenses e para o público geral de Manaus”, celebrou.
Foto: Thay Araújo
Para Jandr Reis, os debates da Glocal são necessários para se repensar o futuro. “É reconhecimento. É futuro e reconhecimento, com responsabilidade sobre a biodiversidade amazônica”.
Professor, advogado e pesquisador nas áreas de História do Amazonas e Patrimônio Cultural, Robério Braga é uma figura amplamente reconhecida no Estado por suas diversas contribuições para a cultura e educação. Autoridade intelectual e cultural, Braga também é um defensor de um futuro sustentável para a Amazônia, sendo inclusive mestre em Direito Ambiental.
Seu envolvimento com o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, onde foi presidente em vários mandatos, e sua longa gestão como Secretário de Estado de Cultura (1997-2017) evidenciam seu compromisso duradouro com a preservação e promoção do patrimônio histórico e cultural da Amazônia.
Por essa trajetória de referência e contribuição, Braga foi um dos convidados da Glocal Amazônia 2025 em Manaus (AM). Ele participou ativamente do evento e, no segundo dia, em 29 de agosto, dia dedicado ao tema “Escolas e Universidades”, mostrou como sua experiência transformadora também pode ser inspiradora.
Painel ‘Da Amazônia para o Mundo – Arte e Cultura como Potência Global’ foi formado por Adanilo, Isabelle Nogueira, Robério Braga e Jandr Reis. Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia
Neste contexto, a participação de Robério Braga foi fundamental para dar luz ao papel crucial da expressão artística como um veículo de comunicação e preservação dos valores amazônicos.
Braga foi um dos destaques do painel ‘Da Amazônia para o Mundo – Arte e Cultura como Potência Global’. Ele defendeu que a arte é uma manifestação universal e permanente.
Ressaltou ainda que a arte tem um poder que transcende o tempo e as barreiras da língua: “Através da arte, você se comunica com qualquer idioma, em qualquer lugar do planeta, e de uma maneira permanente. Esse também é um aspecto interessante, porque a arte fica”.
Ele completou explicando, sob sua visão, enquanto o artista é transitório, o produto de sua inteligência e trabalho permanece, carregando consigo a essência de sua origem e levando sua mensagem para além de sua existência.
Para Robério Braga, o debate na Glocal se aprofunda no conceito de “amazoneidade” na produção artística. O professor argumentou que a arte produzida na região carrega uma mensagem única e autêntica sobre a floresta e seus habitantes. Para ele, o artista amazônico possui uma vantagem insuperável ao retratar o seu próprio ambiente.
“Ninguém fora da Amazônia pode falar tão bem por qualquer linguagem artística sobre meio ambiente, sobre proteção da natureza do que nós”, destacou.
O pesquisador citou exemplos como a forma em que o artista plástico ou o fotógrafo impregnam suas obras com a identidade da região, “seja ao retratar a floresta, o homem da Amazônia, seus costumes, tradições, culinária e até mesmo a maneira de se vestir e se portar”.
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
O papel do artista amazônida no cenário global
Robério Braga fez uma ponte entre a arte local e seu potencial de alcance global, mencionando a crescente visibilidade de talentos como Adanilo, no cinema, e a arte de Jandr Reis. Ele afirmou que a expressão artística desses indivíduos mostra a riqueza e a diversidade cultural do Brasil.
Entre os tantos outros exemplos citados pelo professor, um destaque: a cúpula do Teatro Amazonas. “É um símbolo que identifica a única cidade no mundo reconhecida por seu teatro”. Este é um fato que, segundo ele, demonstra a singularidade cultural de Manaus e sua representatividade. Por isso a necessidade de proteger aquilo que a envolve, preservando para o futuro.
Braga também elogiou a atitude e a inteligência de artistas como Isabelle Nogueira, cuja expressão de mulher amazônica, sua atuação na dança e nas relações sociais, têm sido fundamentais para a captação de atenção e visibilidade para a Amazônia.
O incentivo da Glocal
Robério Braga também colocou em pauta o papel da Fundação Rede Amazônica (FRAM) na realização da Glocal em Manaus. Ele explicou que a ideia de trazer o evento para a capital amazonense começou com sua iniciativa: “A invenção da Glocal aqui [em Manaus] começa comigo, quando eu apresentei ao Phelippe Daou Júnior uma equipe da Fundação Getúlio Vargas, que o convidou para ir para Glocal no Rio”, relatou.
A partir desse primeiro contato, a parceria com a FRAM deu início aos debates que tem se tornado cada anos mais relevantes e importantes no que diz respeito a pensar em soluções para a Amazônia, mas com a colaboração direta dos amazônidas, que palestram, discutem, produzem e, claro, também realizam as ações que são sugeridas ou elaboradas a cada edição.
Foto: Thay Araújo
Para ele, esse envolvimento social é o que transforma realmente a realidade, pensando no futuro da região. A combinação entre a visão da Glocal (pensar global e agir local) e seu alcance, é, cada vez mais, uma realidade.
O pesquisador adiantou ainda que sob o contrato atual, mais duas edições da Glocal Amazônia já estão previstas, mas que com o crescimento do evento e avanço de suas pautas, é possível pensar (agora) em estender para mais edições.
Ator, dramaturgo e diretor, Adanilo é um manauara tem mais de dez anos de trabalho nas artes que levam a Amazônia para o mundo. Também é escritor, vertente natural de quem trabalha com o teatro, sendo co-autor do livro ‘Outras Dramaturgias’ e autor de ‘Dramaturgia Galerosa’. É na arte que ele expõe com sua voz algo que sabe bem: o ser amazônida.
Após viver Deocleciano na novela ‘Renascer’, da TV Globo, Adanilo realizou um feito que gerou o sentimento de pertencimento aos amazonenses na novela que participou logo em seguida, ‘Volta por cima’. Ele foi um motorista de ônibus no subúrbio do Rio de Janeiro. Mas um motorista motorista manauara raiz, com direito à camisa de time local, gírias que muita gente não conseguia entender e um carisma que rendeu inclusive memes na internet.
A força da arte como instrumento de transformação social é percebida neste artista indígena em tudo que se propõe. Por isso ele também é uma voz que busca mostrar a força da Amazônia.
Por sua trajetória, Adanilo foi um das convidados da Glocal Amazônia 2025 em Manaus (AM). O evento voltado à sustentabilidade e ao futuro das novas gerações amazônidas contou com a participação do ator no dia 29, dia dedicado ao tema “Escolas e Universidades”.
Painel ‘Da Amazônia para o Mundo – Arte e Cultura como Potência Global’ foi formado por Adanilo, Isabelle Nogueira, Robério Braga e Jandr Reis. Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia
Hoje é reconhecido por seu trabalho no teatro, no cinema e nas novelas, e destacou que suas trajetórias pessoal e profissional estão diretamente ligadas ao fortalecimento da identidade amazônica e indígena, refletindo também os debates urgentes sobre meio ambiente e o futuro da Amazônia.
Nesse contexto, Adanilo foi um dos destaques do painel ‘Da Amazônia para o Mundo – Arte e Cultura como Potência Global’. Sob o ponto de vista de sua arte, o ator destacou como ela tem potencial para transformar realidades, conscientizar e gerar impacto social e ambiental.
Além disso, o artista ressaltou o papel da cultura na valorização da identidade, da natureza e na educação, reforçando a importância do protagonismo amazônico nas narrativas nacionais e internacionais.
“Eu sou uma pessoa que foi transformada pela arte. Sou nascido e criado no bairro da Compensa [em manaus], e até os 20 anos eu nunca tinha ido ao teatro. E por aí dá para gente entender que existe uma realidade paralela e esse acaba sendo um desafio também como artista, né? Como eu, agora trabalhando com teatro e cinema há um tempo, consigo levar minha arte para as pessoas e transformá-las?”, refletiu Adanilo.
O artista ressaltou que, desde 2015, quando se reconheceu como indígena, passou a direcionar suas produções a narrativas que valorizam o Amazonas. Suas criações passaram a dialogar com histórias amazônicas, com os povos originários e com a necessidade de preservar a floresta.
“Eu acho que é quase impossível produzir arte na Amazônia que não esteja ligada à natureza. De algum jeito, tem até um desafio de como fazer isso sem estigmatizar, sem estereotipar. E isso só acontece de forma verdadeira quando nós mesmos protagonizamos nossas narrativas”, completou.
Sustentabilidade em cena
O artista reforça a proposta da Glocal Amazônia, que nesta edição também voltou seu olhar para a educação ambiental e cultural das novas gerações. Com a COP 30 se aproximando, debates como esse ganham ainda mais relevância, colocando a Amazônia no centro das discussões sobre clima, biodiversidade e futuro sustentável.
Adanilo citou exemplos práticos de como pequenos gestos artísticos podem provocar grandes reflexões, como o dia que um amigo o questionou sobre o uso de um “suco de morango” em uma peça teatral, em vez de frutas regionais como o taperebá ou o cupuaçu.
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
O ator ressaltou como a arte, ao dar visibilidade para esses detalhes, torna-se ferramenta poderosa de transformação:
“Eu acho que a arte é uma lupa, já que quando você faz um filme, uma peça de teatro, um quadro ou um espetáculo de dança, você está fazendo um recorte de uma realidade. É uma lupa, você está ampliando aquela visão de mundo, direcionando pautas importantes”, declarou.
Representatividade como espelho
Além de sua atuação nos palcos, Adanilo ressaltou a importância da televisão como meio de popularização cultural, já que ao levar expressões e símbolos amazonenses para seus personagens em novelas, gerou identificação imediata com o público.
“A gente foi fazer o lançamento de ‘O Último Azul’, meu último filme, em Manacapuru, e dezenas de pessoas vieram me agradecer pelo simples fato de eu ter usado a camisa do Princesa do Solimões, que é um time de lá. Então, você vê que a gente está a fim de ser representado e de se enxergar assim”, afirmou.
O artista levantou ainda a questão de como a Amazônia sempre foi retratada pela arte nacional e internacional quase sempre de maneira estereotipada e sem participação direta dos amazônidas: “Não tem mais essa de fazer uma obra que fale sobre a Amazônia, sobre o nosso território, sem a gente”.
Foto: Thay Araújo
Arte como educação
Adanilo reforçou a necessidade de pensar a arte também como ferramenta educacional. Defensor de uma “educação horizontal”, ele acredita que encontros como o da Glocal Amazônia fortalecem a formação de cidadãos conscientes e engajados.
“Eu acredito numa educação horizontal. A arte, com o propósito de educação também, acho muito forte. A gente ajuda a formar cidadãos, a formar pensamentos, ideias. Então, eu acho muito potente. E encontros como esse fortalecem ainda mais isso”, afirmou.