Glocal Amazônia 2025: tecnologia verde e sustentabilidade corporativa são discutidas em painéis

Os debates sobre tecnologia verde e sustentabilidade nos ambiente corporativos fazem parte da terceira edição da Glocal Amazônia, realizada em Manaus, entre os dias 28 e 30 de agosto.

Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia

No primeiro painel da terceira edição da Glocal Amazônia em Manaus (AM), nesta quinta-feira (28), abordou um dos temas mais discutidos na atualidade: ‘Tecnologia verde: IA, Big data e inovação para a floresta’. Os especialistas discutiram como tecnologias podem servir para a proteção, monitoramento e conservação da floresta amazônica.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O debate reuniu especialistas de diversos setores que ressaltaram como os saberes tradicionais e a inovação podem ser integrados a soluções tecnológicas que podem ajudar e contribuir para a a proteção e a conservação da floresta.

O painel contou com a presença de Paulo Guilherme Molin, coordenador do Centro de Pesquisa e Extensão em Geotecnologias (CePE-Geo) e do Laboratório de Geotecnologias, ambos na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Escola Superior de Agricultura Luiz Queiroz (ESALQ); Carlos Souza Junior, coordenador técnico-científico do SAD Earth Engine e do Projeto MapBiomas, co-fundador da Eco-Lógica Consultoria Socioambiental e da startup Terras App; Justino Rezende Tuyuka, indígena do povo Utãpinopona-Tuyuka, antropólogo, pesquisador e pós-doutorando no ‘Projeto Patrimônio e Territorialidade: percepções passadas, presentes e futuras entre os Tacana, Tsimane e Waiwai’; e Allan Gomes, coordenador do Centro Popular de Comunicação e Audiovisual (CPA). O painel foi mediado pela superintendente adjunta geral da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Valcléia Lima.

Glocal
Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia

Leia também: B2B: veja como foi o primeiro dia da Glocal Amazônia em Manaus

De acordo com Allan Gomes, a inovação só é de fato verde se ela for comunitária, ou seja, feita coletivamente em conjunto com o interesse público, principalmente na Amazônia que possui “uma dimensão continental e variedade sociocultural”. Para ele, a Amazônia precisa de tecnologias, mas também de decisões sobre o uso dessas tecnologias.

“É interessante os espaços como a Glocal porque a gente consegue articular vozes plurais de comunidades tradicionais, de cientistas e de organizações do terceiro setor que discutem questões de produção da florestas, que discutem soluções e também apresentam críticas a modelos que estão aí, as vezes aparecendo só para reforçar exclusões”, afirmou.

Valcléia Lima, da FAS, ressaltou a importância de conectar a tecnologia com os saberes tradicionais e a necessidade de considerar tanto soluções quanto preocupações ao implementar novas tecnologias.

“Levar a tecnologia para dentro das comunidades é importante, sem deixar de conectar com os saberes ancestrais, já que as vezes a gente acha que levar uma inovação a gente vai mudar a realidade, quando de fato a gente pode até levar algumas preocupações para esse território. A Glocal é isso, é a gente pensar que existem soluções para uma série de questões. O importante é criar soluções para coisas que muitas vezes são simples de resolver, mas acaba não sendo priorizado”, declarou.

Glocal
Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia

Leia também: Glocal Amazônia 2025: especialistas convidam público em Manaus para debates sobre sustentabilidade e uma prévia da COP 30

De acordo com Justino Tuyuka, as tecnologias verdes podem ajudar e contribuir, mas não vão solucionar os problemas do mundo, como os conhecimentos tradicionais não são soluções para os problemas do mundo atual, mas as duas, ou inúmeras ciências, podem se complementar e buscar soluções mais adequadas para o mundo de hoje.

“Aposto na questão da interdisciplinaridade que nos ajuda a ampliar nossos conhecimentos e outras possibilidades na questão da ancestralidade. A ancestralidade se refere ao nosso passado e como diziam os indígenas: ‘só o passado que ensina, o futuro não ensina porque não existe’. Então é importante não esquecer a ancestralidade e como o conhecimento era transmitido”, afirmou.

Além disso, os participantes do primeiro painel do evento também exploraram os desafios éticos e técnicos na Big Data e como a coleta de dados precisa trabalhar em larga escala para fazer disso benéfico para todos, os principais objetivos no desenvolvimento de ferramentas de monitoramento remoto dos territórios e como tirar as comunidades da invisibilidade para atender as necessidades e garantir o acesso a programas sociais.

Sustentabilidade pode ser corporativa?

O segundo painel do primeiro dia tratou sobre a ‘Sustentabilidade corporativa: como empresas podem impulsionar o desenvolvimento sustentável e valor de mercado na Amazônia’. O objetivo dos participantes foi pontuar a importância de conectar o conhecimento local com as inovações globais.

Participaram do painel a jornalista Daniela Assayag; a superintendente adjunta geral da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Valcléia Lima; a CEO da Bee2Be, Simone Ponce; a empresária Priscila Almeida; e o CEO do Grupo Rede Amazônica, Phelippe Daou Júnior.

Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

“Ao promover a transformação social, geramos o cuidado com a região, a valorização de suas riquezas e a otimização do seu aproveitamento. Isso, por sua vez, cria um ambiente propício para o desenvolvimento das pessoas e das empresas”, destacou Simone Ponce sobre os modelos de empreendedorismo amazônicos.

Já Phelippe Daou Júnior enfatizou que a missão dos ambientes corporativos também tem que envolver a valorização dos recursos locais: “Nós promovemos a troca de conhecimento. Valorizamos o que você já tem, e então nós alavancamos e mostramos para o mundo. Não foi uma transformação, não foi uma criação. Foi uma valorização de tudo que é produzido na terra pelas mãos das pessoas que cuidam dessas terras, com os seus conhecimentos milenares, respeitando as relações ecossistêmicas para alimentar o mundo”.

“Nosso objetivo é o desenvolvimento sustentável, sem jamais esquecer que as pessoas que vivem na região são o nosso maior patrimônio. Elas merecem respeito, cidadania e acesso aos seus direitos em todo o mundo”, afirmou.

O evento acontece no Centro de Manaus, entre o Centro Cultural Palácio da Justiça e o Largo de São Sebastião, até o dia 30 de agosto. Confira a programação completa AQUI.

Glocal Experience Amazônia 2025

A Glocal Experience Amazônia 2025 é idealizada e operada por DreamFactory, com realização da Fundação Rede Amazônica e tem o apoio de Bono Conta, Clube POP, Amazônica Net, Águas de Manaus, Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e Governo do Amazonas.

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Charges que ilustram fase da ditadura militar em Belém são analisada em tese na Universidade Federal do Pará

Tese analisou as charges produzidas pelo cartunista paraense Biratan Porto no período do governo militar, entre 1978 e 1985.

Leia também

Publicidade