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Pesquisa aponta alta incidência de doenças parasitárias em áreas vulneráveis de Manacapuru

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Pesquisa analisou 340 exames de fezes de moradores da área urbana e rural do município. Foto: Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM)

O estudo realizado pela acadêmica de Medicina da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Manacapuru, Verônica Monteiro, apontou alta incidência de doenças parasitárias em moradores de áreas vulneráveis do município.

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De 340 exames de fezes analisados, 18,8% apresentaram o parasita endolimax nana (ameba), 10% entamoeba histolytica (outro tipo de ameba) e 10% tinham giardíase.

Cidade de Manacapuru, Amazonas. Foto: Sandro Freire

Saiba mais: Conheça a cidade de Manacapuru

O levantamento foi feito com moradores da área urbana e rural do município, que passaram por exame laboratorial e responderam questionário social, com perguntas sobre tipo de moradia, acesso a saneamento básico e água tratada. O objetivo foi identificar a relação dessas condições com a incidência de infecções parasitárias.

Para chegar aos resultados, os questionários foram aplicados aos moradores quando levavam exames para análise. As amostras foram estudadas pelos métodos de Hoffman e Faust, técnicas laboratoriais usadas para identificar protozoários e outros parasitas intestinais.

A professora do curso de Medicina e orientadora do projeto, Nadielle Castro, explica que o estudo visa ter dados que possam direcionar os agentes públicos para a promoção de ações de saúde e saneamento que contemplem essa parcela da população.

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Pesquisa aponta alta incidência de doenças parasitárias em áreas vulneráveis de Manacapuru
Estudo realizado pela acadêmica de Medicina da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Manacapuru, Verônica Monteiro. Foto: Afya Faculdade

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De acordo com Verônica Monteiro, que conduziu o estudo, o que ficou evidenciado nos dados dos exames e questionário social é que as más condições de infraestrutura criam um cenário propício para a transmissão e reincidência dessas doenças.

“As infecções parasitárias são um grave problema de saúde pública, pois causam complicações que podem levar a casos graves de anemia, comprometimento no crescimento, diarreias crônicas”, explica.

A estudante acrescenta que, com intervenções direcionadas e sustentadas, é possível reduzir significativamente a carga dessas infecções e melhorar a qualidade de vida das populações mais vulneráveis.

Incentivo – Segundo a diretora geral da Afya Manacapuru, Karen Ribeiro, a instituição mantém programas de incentivo à pesquisa científica, pois entende a importância de evidências para direcionar avanços na saúde. “Nossos alunos são estimulados a desenvolver, através desses estudos, o pensamento crítico e a formular estratégias que contribuam com a comunidade local”, destaca.

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Ela reforça a parceria com a Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Saúde de Manacapuru, que cede seus espaços para que os alunos possam desenvolver esses trabalhos. “A nossa contrapartida como instituição é fornecer esses dados para que ações de saúde possam ser direcionadas a quem mais precisa”, conclui.

*Com informações da Afya Faculdade de Ciências Médicas

A relação das empresas portuguesas e o látex na Amazônia

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Fachada da empresa de JG Araújo frente pela Avenida Eduardo Ribeiro. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br 

Os imigrantes portugueses tiveram importante função na modelagem da sociedade e da economia amazônica, tanto nas cidades quanto no interior. Naturalmente, como classe política dominante e com o surgimento das atividades agrícolas e florestais extrativistas, tornaram-se agentes decisivos suprindo essas atividades de liderança empresariais necessárias, como produtores, mercadores exportadores e comerciantes, alcançando posição oligopolista, que se manteve do ápice da atividade socioeconômica baseada na borracha até o advento de novas correntes e grupos culturais mais dinâmicos e inovadores.

Durante a fase áurea do látex do século XIX e na primeira década do século XX, milhares de imigrantes lusos, atraídos pela fortuna conquistada por meio do trabalho, foram pioneiros na organização do sistema mercantilista de intercâmbio, cuja, maior atuação era representada pelo comércio típico das casas aviadoras. As firmas portuguesas estabelecidas em Manaus e Belém, transformaram essas cidades em entrepostos comerciais e, por algumas décadas, estabeleceram as linhas lógicas de suprimento rio acima de mercadorias a base de crédito pessoal, com os seringalistas recebendo, em contrapartida, rio abaixo, mediante compra e venda, os gêneros e produtos extrativistas destinados a exportação.

Esse período histórico da economia amazônica, como bem escreveu o professor emérito Samuel Benchimol, denominou a Era dos Jotas, em decorrência da preferência dessa letra nas iniciais das firmas pertencentes a portugueses de então como por exemplo: J. G. Araújo, J. S. Amorim, J. A. Leite, J. Soares, J. Rufino e tantos outros.

Foto: Reprodução/Domínio público

Nesse período de crise e depressão nas décadas dos anos 20, 30 e 40 substituíram os antigos exportadores anglo saxões e germânicos que emigraram para os seus países de origem passando a dominar como aviadores e exportadores, nas capitais e no interior do Amazonas, com os descendentes dos imigrantes judeus marroquinos e sírio-libaneses.

As estatísticas do Censo de 1920 contaram a existência no Estado do Amazonas, 8.376 portugueses, sendo 6.103 homens e 2.273 mulheres e, no estado do Pará havia 15.631 portugueses, sendo 12.382 homens e 3.249 mulheres o que muito contribuiu no processo de integração e miscigenação a partir do casamento com mulheres nativas.

Eram os portugueses o maior número do grupo de estrangeiros, com um total de 24.007 pessoas estrangeiras para um total de 39.019 estrangeiros recenseados no ano de 1920, ou seja, os portugueses representavam 5.61% da população amazônica, dos quais 445.356 em Belém e 249.746 em Manaus.

Considerando somente a população urbana, 236.402 habitantes em Belém e, 75.704 em Manaus, os 24.0007 portugueses da época que na sua maioria residiam nessas duas cidades representavam 13,0% da população urbana dessa duas metropólis do látex.

Na sua grande maioria os imigrantes portugueses provinham da região dos minifúndios do médio e do norte de Portugal. Deixaram suas aldeias, freguesias, quintas ao longo do rio Douro, Minho e Tejo: Vila Real, Póvoa do Varzim, Viana do Castelo, Vila Nóvoa de Gaia, Porto, Caldas da Rainha, Guarda, Albergaria a Velha e Alcobaça e tantos outros pequenos lugarejos, vilas e concelhos (um termo usado em Portugal para designar uma subdivisão administrativa territorial e autárquica, equivalente ao município no Brasil) de onde se originaria a maioria dos portugueses que imigraram e se estabeleceram em Manaus e Belém.

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Processo defumação da borracha foto domínio público
Processo defumação da borracha. Foto: Domínio público

No Amazonas e Pará alguns desses nomes portugueses se tornaram muito familiares em nossa região, pois foram adotados por ocasião de fundação de vilas e cidades da Amazônia.

Os imigrantes portugueses na sua maioria eram jovens descendentes de famílias pobres, normalmente filhos de agricultores e proprietário de quintas e sítios, naturalmente de numerosa família patriarcal, com rígida educação doméstica e extremamente obediente a tradição, valores familiares devotos de santa ou santo padroeiro da comunidade em especial a Nossa Senhora de Fátima.

Portugal, no final do século passado enfrentava forte crise econômica. As terras agrícolas dos minifúndios, pertencentes a proprietários que possuíam famílias numerosas, sem terem como encaminhar seus filhos para a lavoura, uma vez que as parcelas de terras, como a subdivisão da herança, se tornaram tão pequenas que eram incapazes de sustentar uma família.

Uma das formas encontradas para sobreviver era buscar novos horizontes. O jeito encontrado fora imigrar para as colônias de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Goa, Diu, Damão, Macau, remanescentes do antigo império. No limiar de suas juventudes, migravam para essas colônias e para o Brasil, Venezuela e Estados Unidos, em busca de trabalho e dias melhores.

As numerosas famílias que sobreviveram de uma agricultura quase de sobrevivência, cuidando das vinhas, das oliveiras, do azeite, da cortiça e de outros tantos produtos, incentivaram seus filhos a imigrar para o além-mar. Em muitas ocasiões eram trazidas por parentes próximos e até amigos da família que, no Brasil, haviam conseguido um pequeno negócio e procuraram pessoas de confiança para ajudar a administrar os negócios. Normalmente a fama de negócios eram: mercearias, padarias, açougues, bares, botequins, feira, quitandas, lojas e comércio em geral.

Imagem da fachada do armazém B. Levy & Cia que ficava na então Av. Eduardo Ribeiro com a Marechal Deodoro, no centro da cidade de Manaus. Fonte: Indicador Illustrado do Estado do Amazonas de 1910. Edição: Courrier e Billiter. Foto: Reprodução/Instituto Durango Duarte

No decorrer do tempo esses parentes e amigos se tornaram sócios e parceiros no empreendimento comercial em que trabalhavam. Ou até se desligavam para formar novas parcerias ou começar os próprios negócios. Dessa forma começava sua ascensão socioeconômica.

No caso da Amazônia, além desses estabelecimentos varejistas, os portugueses dominavam as casas aviadoras e o comércio de látex e gênero regionais. Dessa forma propiciou a chegada de muitos imigrantes portugueses para aprender o ofício de caixeiros, balconistas, vendedores internos e externos, viajantes e prepostos dos patrões como pessoas de confiança.

Com o distanciamento das famílias que ficavam na origem, Portugal passava-se anos sem notícias dos seus descendentes, que quando conseguiam amealhar recursos visitavam a família em Portugal.

BASE, Abrahim. Luso Sporting Club – A Sociedade Portuguesa no Amazonas. Manaus. Editora Valer, 2007. Pág.: 13-16.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista … – Veja mais em https://portalamazonia.com/historias-da-amazonia/passaro-de-aco-catalina-amazonia/

Cultivo de alface em areia e caroços de açaí é testado como alternativa sustentável no Amapá

Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

A Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado do Amapá (SDR) está testando o cultivo hidropônico de alface em areia e em caroços de açaí, como alternativa sustentável e eficiente para a produção agrícola local. A iniciativa está exposta da 54ª edição da Expofeira.

O plantio é apresentado na feira pelo coordenador da pasta, Samuel da Silva Barroso. Ele contou que o objetivo é adaptar uma técnica já utilizada em outras partes do Brasil às condições climáticas do estado, que enfrenta variações intensas entre períodos de seca e chuva.

Leia também: Hidroponia: produtor rural usa técnica de plantio sem uso do solo para cultivar alface em Roraima

O cultivo hidropônico é uma técnica de produção agrícola que dispensa o uso do solo. Em vez disso, as plantas crescem com as raízes submersas em uma solução nutritiva sem a necessidade de interferências tóxicas

“Aqui a gente precisa controlar sol e chuva. A forma hidropônica é muito vantajosa porque permite esse controle”, explicou o coordenador Samuel.

cultivo hidropônico de alface em areia e em caroços de açaí
Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

Leia também: Multifunções? Potencial do caroço de açaí é estudado no Amapá: do asfalto a produção de energia

Cultivo com sistema aberto e controle ambiental

O projeto utiliza um sistema aberto de hidrofertilização – uma água adubada. A utilização de tanques como a água permite um controle rigoroso da qualidade, reduzindo o risco de doenças e pragas nas culturas.

Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

A estrutura permite ajustar a irrigação conforme a necessidade: quando o sistema está muito úmido, ele é fechado; quando precisa de mais água, é reaberto. Com isso, é possível controlar sombra, umidade e alimentação da planta com precisão.

Na feira, os dois plantios cresceram ao mesmo tempo, dentro de 15 dias. O cultivado na areia é maior, enquanto o que cresce entre os caroços de açaí é menor. No entanto, os dois apresentam os mesmos benefícios.

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A areia, por ter granulometria menor, favorece o enriquecimento da planta e apresenta menos riscos sanitários.

A área de testes conta com sensores que monitoram umidade, temperatura e luminosidade. Os dados são acessados por aplicativo no celular, facilitando o controle remoto da produção.

Alfaces são cultivados em caroços de açaí em areia. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

“A SDR quer mostrar ao agricultor o potencial das novas tecnologias para melhorar a produção agrícola no estado”, afirmou Barroso.

Além disso, o retorno do investimento é mais rápido do que no cultivo convencional. A técnica também reduz a infestação de pragas, dispensando o uso de inseticidas.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Parque de diversões da Expofeira do Amapá gratuito nesta segunda-feira; saiba como

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Dia da Família ocorre nesta segunda-feira (8) na Expofeira do Amapá. Foto: Ruan Alves/GEA

O parque de diversões da 54ª Expofeira do Amapá funcionará de maneira gratuita nesta segunda-feira (8). A programação busca atender crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social e, para participar, é necessário realizar um pré-cadastro online. 

Faça o pré-cadastro aqui

Para realizar a inscrição, o interessado deve informar dados do responsável e da criança, como contato, faixa etária, bairro de residência e se a família é beneficiária de algum programa social.

A retirada dos ingressos ocorre no Parque de Exposições da Fazendinha de 15h às 20h. Já o parque de diversões funcionará das 16h às 22h. 

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A organização informou que um novo credenciamento será liberado conforme a disponibilidade de vagas. Em casos de dúvidas, a população pode entrar em contato via WhatsApp pelo número (96) 99127-3097.

A programação conta também com show da banda Chocolate com Pipoca, a partir das 18h. A expectativa é atender cerca de 15 mil pessoas, sendo 10 mil crianças entre 2 e 14 anos. 

*Com informações da matéria de Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

Expofeira na Rede

A Expofeira na Rede tem o objetivo de valorizar e ampliar o impacto social, cultural, econômico e turístico da tradicional ExpoFeira do Amapá. É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Grupo Equatorial, Tratalyx e Governo do Amapá.

Embrapa contribui com tecnologias avançadas para o desenvolvimento agropecuário sustentável da Amazônia

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Coleta de cacau. Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

De acordo com estudos avançados da Embrapa, a empresa contribuirá para ajudar produtores no que tange à pressão internacional por desmatamento zero e melhor uso da terra tanto na Amazônia quanto no Cerrado incentivando, por exemplo, os modelos integrados e a ILPF (Integração Lavoura Pecuária Florestas). Dados da instituição informam haver 17 milhões de hectares cultivados com o sistema ILPF, sendo a maioria integração lavoura-pecuária (ILP). A Embrapa vem trabalhando via Rede ILPF para alcançar 30 milhões de hectares, incluindo a integração com o reflorestamento. No Norte, vem se desenvolvendo em larga escala sistemas agroflorestais, com cacau, café e açaí. Além disso, trabalha com a dimensão sobre o uso de cobertura da terra, participando dos projetos TerraClass Amazônia e TerraClass Cerrado, que, a partir de dados do Prodes, classificam e analisam os dados.

De acordo com o site da Embrapa, vem sendo trabalhado o modelo junto com os Ministérios da Agricultura, do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia para ampliar o programa para os outros quatro biomas brasileiros. A partir da classificação dos dados, é possível ter um monitoramento melhor da dinâmica de uso e cobertura da terra e trabalhar com políticas públicas para incentivar o uso dessas tecnologias, visando à adoção da agricultura regenerativa. De acordo com a presidente da empresa, Silvia Massruhá, “a agricultura de baixo carbono já está sendo concretizada há mais dez anos, o Plano de Agricultura de Baixo Carbono, hoje “RenovaAgro”.

No Brasil, começamos a estabelecer alguns protocolos, o de soja e carne e leite de baixo carbono por meio de parceria público-privada. Agora, estamos avançando no cálculo da pegada de carbono do ciclo de vida do sistema de produção”. Massruhá salienta que “a Embrapa tem uma metodologia já reconhecida e validada internacionalmente. O balanço da pegada de carbono começou com a cana-de-açúcar e avançou para soja, milho, leite e café. É uma metodologia que estamos aplicando em outras cadeias produtivas. A agricultura emite carbono, mas sequestra também. Na análise do ciclo, muitas vezes o saldo é positivo. Portanto, temos que trazer esses dados por cadeia e referências tropicalizadas, visando às exigências de mercado”.

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Em relação à produção sustentável de alimentos, a Embrapa desenvolveu o App TecAmazônia: tecnologias para a agricultura sustentável no Bioma Amazônia. Trata-se de um App gratuito, que apresenta soluções tecnológicas sustentáveis da Embrapa para a produção agropecuária no bioma da região. Abrange cultivares, práticas agropecuárias, processos agroindustriais, metodologias, entre outros tipos. O site da empresa informa que as buscas podem ser feitas por produto (mandioca, milho, açaí, leite, aves, dentre outros) ou por localização. Esta pode ser selecionada a partir de uma lista dos municípios do bioma ou com o uso do GPS do smartphone. O aplicativo mostra onde encontrar e dá acesso a materiais de apoio (publicações, vídeos, áudios) sobre cada tecnologia. Permite, ainda, que o usuário faça avaliações e registre sua opinião sobre as soluções tecnológicas apresentadas. A tecnologia gera enormes benefícios sociais e econômicos ao organizar soluções sustentáveis para o bioma amazônico, facilitando ainda a busca de tecnologias para os produtos agropecuários mais recorrentes na região.

Segundo a Embrapa, o App pode ser acessado mesmo sem conexão com a internet, e permite o uso em campo por produtores rurais, extensionistas, gestores públicos e de organizações privadas, ou qualquer pessoa com interesse no desenvolvimento sustentável no bioma Amazônia por meio da tecnologia. Participam do projeto as seguintes unidades: Embrapa Amazônia Oriental, Embrapa Amazônia Ocidental, Embrapa Acre, Embrapa Amapá, Embrapa Rondônia, Embrapa Roraima, Embrapa Maranhão, Embrapa Agrossilvipastoril, Embrapa Pesca e Aquicultura.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Brasil, Peru e Colômbia unem forças contra a exploração madeireira ilegal no Trapézio Amazônico

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Foto: Divulgação/Agência Andina

Mais de 60 autoridades e especialistas do Peru, Brasil e Colômbia trocaram opiniões e experiências sobre a extração ilegal de madeira no ‘Trapézio Amazônico’ e na região da Tríplice Fronteira, uma atividade que prejudica as comunidades locais e as economias de ambos os países.

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Os debates ocorreram no Fórum Regional sobre Cooperação Operacional: Coordenação Transfronteiriça em Casos de Crimes Florestais, realizado em Iquitos (Peru) e organizado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), em coordenação com a Agência de Supervisão de Recursos Florestais e de Vida Selvagem (OSINFOR) e a Interpol.

O encontro ocorreu durante três dias, com a participação de policiais, promotores e representantes de ministérios, órgãos ambientais e organizações internacionais.

O objetivo do workshop era fortalecer a cooperação transfronteiriça para prevenir, detectar e investigar crimes florestais, compartilhando informações importantes sobre rotas ilegais e modus operandi .

Neste contexto, foram realizadas simulações de campo utilizando técnicas de pesquisa, e demonstrado o uso de imagens de satélite e algoritmos de detecção de registro seletivo baseados em inteligência artificial.

Leia também: Saiba quantos Amazonas existem na Amazônia Internacional

combate à exploração de florestas amazônicas - peru
Foto: Divulgação/Agência Andina

Osinfor oferece metodologias contra exploração

Durante o evento, o chefe da OSINFOR, Williams Arellano Olano, destacou a importância de compartilhar experiências no uso de ferramentas tecnológicas para monitorar florestas e a exploração da região.

Ele afirmou que a agência que supervisiona implementou metodologias de detecção seletiva de exploração madeireira e sistemas de alerta precoce baseados em imagens de satélite, drones e algoritmos especializados para garantir a origem legal da madeira.

Leia também: Aplicativo criado no Peru reconhece madeira e pode ser usado para combater comércio ilegal

Os participantes do workshop também identificaram áreas de exploração onde estão ocorrendo atividades que afetam a Amazônia, como mineração ilegal, plantações ilícitas, desmatamento e extração ilegal de madeira, bem como rotas transfronteiriças para essas atividades ilegais.

Também foi estabelecida uma estrutura de cooperação com base na coleta e análise de informações , detecção precoce por meio de novas tecnologias e planejamento de investigações conjuntas e operações coordenadas em território compartilhado.

“A cada minuto, uma área de floresta é perdida na Amazônia, enquanto as economias ilegais continuam a avançar”, disse Alek Arora, representante do UNODC. “Se trabalharmos juntos, seremos capazes de prevenir, combater e desmantelar as redes que ameaçam as florestas”.

Arrecadação de alimentos e coleta de resíduos na 54ª Expofeira do Amapá ultrapassam o esperado

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Alimentos foram arrecadados no ‘Pesque e Troque’. Foto: Sal Lima/GEA

Aliar diversão e ainda ajudar o próximo foi o foco do “Troque e Pesque”, ação promovida pelo Governo do Estado durante a 54ª Expofeira do Amapá. Durante as atividades realizadas dentro da ação, no Parque de Exposições da Fazendinha, foram arrecadados 1,5 toneladas de alimentos para serem distribuídos a entidades beneficentes.

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O evento, coordenado pela Secretaria de Estado de Pesca e Aquicultura (Sepaq), reuniu mais de 4 mil pessoas com a proposta de, além de promover um espaço de lazer, auxiliar em ações sociais com a doação de um quilo de alimento não perecível, exceto sal, que dava direito à pescaria.

“O balanço do Pesque e Troque foi extraordinário, e todas as atividades que fizemos foram ótimas. A pesca é a terceira maior atividade econômica do estado, e precisa ser potencializada. Além disso, é uma oportunidade de aliviar o estresse com a família e de se aproximar de mais pessoas”, declarou Paulo Nogueira, titular da Secretaria de Estado de Pesca e Aquicultura (Sepaq).

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Ao longo da programação também ocorreu o ‘Sexta Elas Pescam’, voltado totalmente para o público feminino, com atividades que incluíram massagens, cortes de cabelo e limpeza de pele. A data temática arrecadou mais de 300 kits de higiene pessoal.

O número de mulheres e crianças que participaram do Troque e Pesca superou a dos anos anteriores. Nesta edição, homens, mulheres e crianças concorreram a premiações exclusivas para cada público. 

“Estamos encerrando a programação com mais de 100 peixes pescados nessa última manhã. Todos os dias vieram muitas pessoas, foi um sucesso. Atendemos a pedidos de reservarmos uma programação especial para as mulheres, isso foi uma sugestão delas durante a edição do ano anterior”, disse Deurio Freitas, coordenador de Mercado e Comercialização da Sepaq.

Foto: Sal Lima/GEA

Coleta de resíduos na Expofeira

Outro número que chama a atenção é referente à coleta de resíduos nos seis primeiros dias da Expofeira. Foram mais de nove toneladas de resíduos sólidos por meio da coleta seletiva no Parque de Exposições da Fazendinha, em Macapá. A ação tem como objetivo conscientizar a população sobre a conservação e incentivar a educação ambiental.

O trabalho consiste no recolhimento de materiais como vidro, plástico, metal e resíduos orgânicos. A coleta seletiva é coordenada pela Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia (Setec).

“Incentivar a educação ambiental e a economia circular é uma das prioridades da atual gestão. Os resíduos coletados deixarão de ir para o lixão de Macapá e se transformarão em novos produtos, impactando diretamente ações de conservação ambiental”, destacou Edivan Andrade, Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (Setec). 

coleta de resíduos na expofeira 2025
Foto: Flávio Sousa/Setec AP

Para a realização da coleta seletiva, foram contratadas empresas amapaenses especializadas na gestão de resíduos sólidos como a Vitrum, que reaproveita garrafas de vidro para produzir areia.

Foram coletados 932,7 quilos de resíduos reciclados, 88,9% de taxa de reciclagem e a ação alcançou mais de duas mil pessoas durante o evento. 

Atualmente, cerca de 50 profissionais estão atuando, direta ou indiretamente, na coleta de resíduos sólidos na Expofeira e a expectativa é de que mais de 20 toneladas de materiais sejam recolhidos até o final da feira.

Expofeira na Rede

A Expofeira na Rede tem o objetivo de valorizar e ampliar o impacto social, cultural, econômico e turístico da tradicional ExpoFeira do Amapá. É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Grupo Equatorial, Tratalyx e Governo do Amapá.

Kwai indica 4 criadores de conteúdo que disseminam a cultura Amazônica; veja quem são

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Criadores locais que disseminam a cultura Amazônica. Foto: Kwai/Divulgação

A plataforma Kwai, aplicativo de criação e compartilhamento de vídeos curtos, em comemoração ao Dia da Amazônia, indica influenciadores locais para quem deseja mergulhar na cultura amazônica.

Esses influenciadores, utilizam o aplicativo como um espaço que valoriza que amplifica vozes autênticas, promovendo conexões reais com quem vive e respira a riqueza dessa região.

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 Isabelle Nogueira, cunhã-poranga do Boi Garantido e ex-participante do BBB. Foto: Michael Dantas/SEC-AM

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Isabelle Nogueira simboliza a força e tradição amazônida. Foto: Divulgação

Reforçando essa conexão com as raízes brasileiras, a plataforma mantém parcerias com personalidades que representam a diversidade cultural do país. Um exemplo é a colaboração com Isabelle Nogueira, cunhã-poranga do Boi Garantido, ex-participante do BBB e com 1 milhão de seguidores no app – ela simboliza a força e tradição amazônida.

Além de Isabelle, outros criadores se destacam no aplicativo ao compartilhar as belezas naturais, a culinária, a música e as tradições dos estados da região amazônica. É o caso de alessandraaraujo, a “blogueira raiz” do Tocantins. Alessandra Araújo conquistou os 1,6 milhão de seguidores que acompanham sua criatividade e seu talento, especialmente nas recriações de trajes inspirados em celebridades. Seu trabalho rendeu o Prêmio Kwai 2024 na categoria “Faça Você Mesmo”, com um impressionante vestido artesanal feito com palha de milho.

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Kwai indica 4 criadores locais
Criadores locais que disseminam a cultura Amazônica. Foto: Kwai/Divulgação

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Outro exemplo é coracaodoacre, perfil de Débora, que compartilha com mais de 0,5 milhão de seguidores sua rotina como agricultora no Acre, estado que faz divisa com o Peru. O perfil brudiro, com mais de 428 mil seguidores e 6 milhões de curtidas, retrata toda a beleza, a cultura e os pontos turísticos de Belém do Pará, oferecendo um olhar autêntico sobre a capital paraense.

Já o raphaelcamposo, com mais de 225 mil seguidores, combina experiências gastronômicas de Manaus (AM) com receitas exclusivas, tornando-se um perfil completo para quem gosta de conhecer um lugar por meio de sua culinária.

Outro destaque é o Festival de Parintins, uma das maiores festas folclóricas do Brasil, realizada anualmente em Parintins (AM). A celebração, que gira em torno da rivalidade entre os bois-bumbás Caprichoso (azul) e Garantido (vermelho), ganhou ainda mais visibilidade após a participação de Isabelle Nogueira no BBB 24. No Kwai, os perfis oficiais Caprichoso e Garantido permitem acompanhar de perto toda a tradição e festividade que envolvem rituais indígenas, costumes ribeirinhos e lendas amazônicas.

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No Kwai, os perfis oficiais Caprichoso e Garantido permitem acompanhar de perto toda a tradição e festividade. Foto: Divulgação

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Com uma abordagem que combina tecnologia e representatividade, o Kwai se diferencia ao apostar em conteúdos que refletem a pluralidade cultural do Brasil. Aliado a um algoritmo democrático que garante visibilidade a criadores de todos os tamanhos, o aplicativo se consolida como um ambiente genuíno, onde diferentes histórias podem ser contadas e celebradas.

Sobre o Kwai

Um dos aplicativos de vídeo gratuitos mais populares do Brasil, o Kwai permite que os usuários criem seu próprio conteúdo e compartilhem as produções online de forma fácil, inclusiva e acessível usando apenas o celular.

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“Um sucesso”, declara pesquisador sobre expedição em busca da origem da biodiversidade amazônica

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Foto: Rodolfo Salas-Gismondi    

O rio Amazonas rugia e inspirava admiração. Suas águas haviam subido consideravelmente devido às chuvas intensas acompanhadas de tempestades, mas o objetivo era claro: a expedição científica multidisciplinar chegou a Pebas, na região de Loreto, no Peru, pela primeira vez, em busca da origem e evolução da biodiversidade da Amazônia peruana. O paleontólogo peruano Rodolfo Salas-Gismondi, que lidera a expedição, garante que foi “um sucesso”.

“Como resultado desta primeira expedição — de 10 a 24 de agosto — posso dizer que  foi um sucesso retumbante, apesar das circunstâncias não serem as mais favoráveis , porque este ano a estação seca não foi tão seca como nos outros anos: choveu muito e o nível do Rio Amazonas estava muito alto”, observou.

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“A maioria dessas rochas ainda estava sob o Rio Amazonas; chovia todos os dias e houve tempestades tremendas que nos impediram de trabalhar em algumas ocasiões. No entanto, conseguimos superar essa situação e encontramos muitos fósseis”, disse ele.

O pesquisador da Universidade Peruana Cayetano Heredia (UPCH) afirmou que “na área de Pebas, encontramos sítios paleontológicos promissores; sítios onde descobrimos fósseis que ainda não conseguimos reconhecer porque são diferentes daqueles que encontramos perto de Iquitos. Isso significa que ainda há muito a descobrir”.

Quase 150 quilos de carga

“Há um osso em particular que não sabemos a que pertence, mas é de um animal grande. Temos muita experiência e somos capazes de reconhecer a anatomia de quase todos os animais que viveram naquela época que conhecemos, mas há alguns que ainda não conhecemos”, explicou ele à Agência Andina de Notícias.

Salas-Gismondi afirmou que muitos restos de animais antigos foram descobertos. “Conseguimos fazer coleções significativas. Trouxemos quase 150 quilos de carga, incluindo fósseis de vertebrados, alguns invertebrados, troncos de árvores fossilizados e sedimentos”, explicou.

Outro fóssil encontrado na área é um crânio de Gnatusuchus pebasensis , um jacaré super-raro que existiu no sistema Pebas — o coração do conhecimento da Formação Pebas — e do qual existia apenas um crânio.

“Agora temos um segundo crânio, mas este está em bom estado de preservação; o primeiro foi esmagado e a geometria exata do crânio não pôde ser vista. Neste, podemos ver como era o focinho levantado. É um verdadeiro deleite; estamos muito felizes por tê-lo descoberto”, disse ele.

Ancestral do jacaré branco?

Cientistas também descobriram os restos mortais de um jacaré que se acredita ser parente do jacaré branco encontrado na Amazônia, e esta é uma “descoberta extraordinária porque não havia registro fóssil do jacaré branco”.

“Não sabíamos quando ele surgiu, e parece ser anterior à formação do Rio Amazonas. Isso é interessante porque ele sobreviveu a muitas mudanças ambientais na Amazônia, o que reforça a ideia de que esse jacaré é muito versátil ecologicamente”, disse ele.

Segundo o pesquisador, isso pode explicar por que ele é um dos jacarés menos afetados pelo desmatamento, pela poluição e pelas mudanças em seu habitat (a Amazônia), devido ao avanço da agricultura, por exemplo.

“O jacaré-branco não está em perigo de extinção, e a história do registro fóssil provavelmente apoia, em parte, o motivo disso; claro, esta é uma hipótese preliminar, que pode demonstrar o valor do registro fóssil para a conservação da nossa Amazônia”, disse ele.

Além disso, ele disse, essas novas descobertas “estão testando a hipótese de que o sistema Pebas contribuiu crucialmente para a biodiversidade amazônica atual”.

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O que vem a seguir?

O próximo passo será processar o material coletado em Pebas. “Você pode imaginar que a primeira coisa que vamos começar a preparar e limpar será o crânio do Gnatusuchus pebasensis e do jacaré-branco, ou seu ancestral. Depois, começaremos a investigar o que descobrimos “, disse ele.

A equipe também se concentrou “em entender um pouco mais sobre a idade da Formação Pebas, porque não sabemos a idade exata dos fósseis; parece que isso vai mudar um pouco. As paleontólogas Julia Tejada (Peru) e Carina Hoorn (Holanda) estão trabalhando nessa tarefa”.

Ele destacou a participação da paleontóloga holandesa Carina Hoorn, que deu nome à Formação Pebas. “Foi realmente um privilégio tê-la conosco e sua colega Julia Tejada, que, com sua equipe, conseguiu coletar dados para estabelecer com mais precisão as idades dos fósseis. Isso é fundamental ”, concluiu.

O cientista da UPCH atribuiu o “sucesso retumbante” desta primeira expedição ao fato de ter sido uma equipe de cerca de 20 profissionais altamente experientes que trabalharam muitos dias, o que lhes permitiu visitar diferentes locais.

“Somos um grupo multidisciplinar com pessoas trabalhando em diversos aspectos, buscando informações de diferentes perspectivas sobre a história da Amazônia peruana, contada pelas rochas da Formação Pebas”, comentou.

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Foto: Rodolfo Salas-Gismondi    

Ele destacou o envolvimento do paleontólogo John Flynn, do Museu Americano de História Natural, em Nova York, Estados Unidos, que “está envolvido conosco desde os primeiros anos e foi fundamental nos resultados devido ao seu conhecimento de mamíferos fósseis sul-americanos”.

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“Ele, junto com outros cientistas franceses, foi o primeiro pesquisador a descobrir ossos na área de Pebas em 2002. Foi aí que essa aventura começou “, disse ele. A expedição a Pebas faz parte do projeto de pesquisa “Registro Fóssil de Loreto: Arquivos sobre a Origem da Biodiversidade Amazônica”, que será financiado com 500.000 soles pelo Programa Nacional de Pesquisa Científica e Estudos Avançados (ProCiencia), órgão executor do Conselho Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Tecnológica (Concytec).

Próxima expedição

A equipe multidisciplinar acaba de retornar de Loreto, mas já planeja a próxima expedição, que será ao rio Napo em fevereiro de 2026 , “ao local onde foi descoberto o Pebanista yacuruna , o maior golfinho de rio do planeta e que é parente dos golfinhos que vivem no rio Ganges, na Índia, um dos mais importantes da Ásia.

“Já discutimos isso com a equipe e achamos crucial ir em fevereiro, que é a estação seca do Napo. Chegamos ao Napo em agosto de 2024, mas não foi o melhor mês porque o rio estava um pouco alto; no entanto, encontramos algumas coisas interessantes”, lembrou.

“Vamos ver que surpresas este fantástico sítio paleontológico nos reserva. Estamos planejando ir ao Rio Napo para procurar golfinhos. Acho que isso complementará muito bem o trabalho que fizemos em Pebas “, disse ele.

*Com informações da Agência Andina

Jogo criado no Museu Paraense Emílio Goeldi ensina evolução de espécies

Fotos: Divulgação/Museu Goeldi

Um jogo digital, criado por pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), para auxiliar pessoas de diferentes faixas etárias a compreenderem a evolução e classificação de espécies animais, está sendo utilizado pela Universidade Federal Fluminense (UFF), no Rio de Janeiro, com muito entusiasmo. “Filogenia dos vertebrados” leva o usuário a comparar, por exemplo, espécies de mamíferos com características semelhantes, para então deduzir se os animais pertencem ao mesmo grupo ou a grupos diferentes.

Responsável pela elaboração do jogo, o biólogo Alexandre Bonaldo ressalta a importância de democratizar informações científicas como estas.

“O pensamento evolutivo é uma das grandes conquistas do método científico. Todas as pessoas têm o direito de ter acesso aos conceitos que definem esse pensamento, mesmo que isso tenha pouco a ver com suas realidades ou mesmo as confronte com seus sistemas de crença. A própria ideia de preservação da natureza surge do Iluminismo, ao recolocar a humanidade de volta, ao lado dos outros organismos. Só podemos preservar aquilo que entendemos como importante”, argumenta.

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Para ilustrar as minúcias do desafio proposto pelo jogo, o biólogo Horácio Higuchi, parceiro de Bonaldo na construção do jogo, menciona o grupo de marsupiais, conhecidos, em especial, por darem à luz filhotes prematuros que se arrastam para dentro de uma bolsa na barriga da mãe, onde se fixam aos mamilos e se alimentam até completar seu desenvolvimento. Entre eles estão os cangurus e os gambás.

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“Há alguns que se parecem muito com cachorros (o lobo-da-tasmânia, Thylacinus) e outros que lembram ratos (o gambá ou sariguê, Didelphis), embora não tenham parentesco próximo com cães ou roedores”, contrasta.

O fato é que, com a emergência da Teoria da Evolução, considera-se fundamental para uma classificação zoológica consistente o agrupamento de animais por meio da existência de um ancestral comum, do qual ao menos uma característica singular entre os animais é a base desse agrupamento.

O especialista destaca que, para fazer isso, deve-se examinar profundamente cada representante desses grupos à procura de alguma característica que só ele e seus parentes próximos apresentem. Horácio Higuchi detalha que “essa característica deve ser uma novidade na história evolutiva do grupo, ou algo que se modificou a partir de uma forma ancestral de aspecto diferente”.

Desafio

Na prática, várias características são examinadas e, muitas vezes, elas podem ser conflitantes. O lobo-da-tasmânia, por exemplo, tem focinho, orelhas, cauda e porte de cachorro, assim como o gambá em relação ao rato; entretanto, os dois animais têm em comum algo que cães e roedores não têm: o marsúpio (bolsa ventral). “Isso significa que o ancestral comum dos marsupiais tinha essa bolsa e que os ancestrais desse ancestral ou não a possuíam, ou a tinham num aspecto diferente”, justifica Horácio.

Bonaldo explica que “o jogo da árvore evolutiva pode ser adaptado para qualquer grupo de organismos, o que dá à proposta uma grande flexibilidade para atender públicos diferentes. Por exemplo, ao invés da história geral dos vertebrados, como feito na versão original, pode-se optar por mostrar a evolução de um grupo de aves amazônicas, em função da separação de suas populações ancestrais por barreiras históricas, como os grandes rios. Poderíamos até mesmo mostrar a formação histórica de palavras comuns em diferentes línguas, como exemplo da evolução da linguagem em culturas humanas. Então, esse é um instrumento para contar a história comum que nós humanos temos com o planeta”.

O jogo

O aplicativo criado pelos pesquisadores do Museu Goeldi surgiu da necessidade de traduzir alguns conceitos científicos básicos sobre evolução de uma forma lúdica.

“Uma das ideias que pretendíamos passar é a de que os clados, ou seja, as linhagens de animais e plantas que compartilham ancestrais comuns, são entidades históricas, reconhecidas por características derivadas únicas. Considerando que a proposta da exposição foi de abranger um público amplo, essa atração específica deveria se dirigir a estudantes de ensino médio e superior, mas também ser acessível e atraente para todos os públicos”, relembra Bonaldo.

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O jogador vai se deparar, inicialmente, com três grupos de organismos, número mínimo para serem estabelecidas hipóteses de classificação. E, para os três grupos de organismos, uma série de características é oferecida, sendo apenas uma a correta.

O usuário passa de fase à medida em que acerta as características derivadas que indicam as relações evolutivas entre os organismos apresentados. Em cada fase subsequente, um novo clado é adicionado e novas características são apresentadas. Este processo se repete até que se complete a árvore filogenética.

“No caso da exposição permanente, escolhemos representar a evolução dos vertebrados, incluindo peixes, répteis e nós, mamíferos. Mas o programa pode ser adaptado para contar a história evolutiva de qualquer grupo biológico. Esse tipo de abordagem, em que se propõem ao público a construção de filogenias através de ferramentas interativas, é comum em museus do exterior, e tem se mostrado importante na tarefa de transmitir conceitos científicos para o público em geral, especialmente em um momento em que se prega o negacionismo”, aponta Bonaldo.

Parceria

Professora do Departamento de Neurobiologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), a bióloga Lucianne Fragel explica que a instituição estreou, em agosto, o jogo criado pelo Museu Goeldi, durante a realização do Ciência sob Tendas, centro de ciências itinerante sediado em Niterói. A programação da universidade integra a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e inclui atividades de anatomia comparada, tanto com animais marinhos quanto com animais terrestres, a partir de fragmentos, como ossos de tartaruga e mandíbula de tubarão.

“Funcionou super bem. Todas as nossas atividades são mediadas por alunos de graduação e pós-graduação. Mas, a ideia era deixar o jogo livre para que o público pudesse jogar. Estamos atendendo uma escola no município do interior do Rio de Janeiro, que é Cordeiro”, conta ela, reafirmando a intenção de oferecer “uma atividade conjunta, com uma parte de manipulação animal e uma parte digital”, disse.

Titular da Coordenação de Museologia do Museu Goeldi, Emanoel Fernandes de Oliveira Júnior contextualiza que o jogo foi desenvolvido no âmbito da exposição “Diversidades amazônicas”, aberta ao público em setembro de 2022, com o objetivo de instigar os visitantes a interagir com os conteúdos propostos pelo eixo “Espécies”, um dos cinco que compõem a mostra original. “A cessão de uso do jogo faz parte de uma colaboração que o Museu Goeldi está construindo com a Universidade Federal Fluminense (UFF) e que se iniciou nos primeiros meses deste ano”, relembra. A parceria estende para o interior do Rio de Janeiro uma experiência que estava restrita aos visitantes do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, em Belém.

“Seguimos trabalhando no incremento desta mostra e estamos tentando entender, a partir de informações coletadas junto ao público, que outros conteúdos podem ser associados a este aplicativo no intuito de otimizar a experiência dos visitantes com ele. O certo é que este é um recurso muito interessante, que facilita a compreensão em torno das origens e da expansão da biodiversidade na Amazônia”, conclui Emanoel.

*Com informações do MPEG