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Valdir Correia, o “Garotinho”: 10 curiosidades sobre os 50 anos de carreira do radialista amazonense

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Valdir Correia, o “Garotinho”, é considerado referência do rádio amazonense. Foto: Reprodução/Instagram-valdircorreiaogarotinho

Uma das referências da comunicação amazonense, o radialista Valdir Correia se despediu no final de janeiro da Rádio Difusora do Amazonas, depois de uma trajetória de 50 anos. O “Garotinho”, como é carinhosamente conhecido, encerra um ciclo de meio século marcado por uma vasta contribuição que se confunde com até com a história do cenário radiofônico do estado.

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Com uma carreira marcada pela credibilidade e uma relação fiel com o público ouvinte, o comunicador de 76 anos dará lugar à terceira geração Anzoategui, grupo familiar ligado à Difusora.

Diante da transição histórica que mexeu com a imprensa amazonense, a equipe do Portal Amazônia conversou com o “Garotinho” e reuniu uma lista de 10 curiosidades sobre a vida e a atuação do radialista ao longo dessas cinco décadas dedicadas ao compromisso de informar a sociedade baré:

1. Acreano de nascença, mas amazonense da gema

Apesar de ser referência na comunicação do Amazonas, Valdir Correia de Melo é natural de Sena Madureira, município do estado do Acre. O radialista veio para Manaus no ano de 1957, quando tinha sete anos de idade, junto com os pais Guiomar Correia de Melo e Gercino Gomes de Melo e os irmãos Gelsa de Melo Trovão e Israel Correia de Melo.

Mesmo com sangue acreano, Valdir se considera amazonense e carrega uma gratidão por toda carreira consolidada no estado. Prova disso é o reconhecimento da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM), que concedeu o título de cidadão amazonense ao radialista.

“Tudo que tenho em minha vida eu devo ao Amazonas. Sou um cidadão amazonense concedido pela Assembleia Legislativa do Amazonas, o qual agradeço o querido Marcos Rotta pela autoria dessa honra que é ser reconhecimento amazonense. Minha carreira, minha família, meu legado, tudo eu conquistei aqui no estado do Amazonas, o qual sou muito grato”, afirmou Correia.

2. De animador de arraial à balconista

Antes de se tornar referência na rádio amazonense, Correia utilizava a voz para serviços comunitários nos bairro Educandos e adjacências: trabalhava no “serviço de alto-falante”, uma espécie de carro de som.

“Comecei no serviço ‘A Voz Progresso’, na estrada do Paredão (atual avenida Presidente Kennedy), da família Holanda, e saio de lá para ser animador de arraial no Morro da Liberdade. Também atuei no serviço de alto-falante do Zé Milton, o rei do forró, e da Voz Constantinopla, na Leopoldo Peres, onde pude trabalhar com grandes nomes da locução como Leonardo Marinho, F. Cavalcante, Raimundo Nonato, entre outros”, explicou Garotinho.

No entanto, Valdir revelou que atuou em outras profissões antes de ingressar de fato na comunicação.

“Era vendedor de pipoca no Circo Garcia, depois fui ‘promovido’ a vender bombom nos cinemas. Fui caminhoneiro. Meu pai tinha um caminhão para carregar pedra, tijolo e areia, e eu era motorista do papai, mesmo sem ter carteira. Depois de muito tempo, fui balconista da drogaria Menescal, farmácia tradicional e muito conhecida em Manaus, trabalhava das 7h às 18h. E a noite, virava taxista até meia-noite”, contou o radialista ao Portal Amazônia.

3. Jogador de futebol

Além de craque nos microfones, Valdir também era bom de bola. Paralelo ao dom de comunicar, o radialista entregava estilo e habilidade dentro das quatro linhas: defendeu as camisas do Arsenal, time amador do Santa Luzia, e do Nacional, clube onde jogou por cinco anos.

“Teve uma vez que o time do Arsenal disputou um torneio, chegamos na final e aí o treinador Barbosa Filho convidou o time para treinar na escolinha do Nacional. No primeiro dia, treinamos 10 minutos e aí o treinador tirou seis jogadores, mandou a gente tomar banho e merendar porque quatro da tarde íamos treinar no juvenil contra os profissionais do Nacional”, contou Valdir.

Valdir Correia, o quinto agachado, da direita para a esquerda, no time da ACLEA. Foto: Reprodução/Acervo ACLEA

Bom marcador, Garotinho atuou de lateral-esquerdo pelo Leão da Vila Municipal, com um detalhe: era destro e jogou na posição por “irresponsabilidade” de um colega de time.

“Tinha um lateral chamado Roberto que vivia chegando atrasado, e aí o treinador estava se invocando com ele e disse: ‘Valdir, tu quer fazer um teste na lateral esquerda?’ Eu respondi ‘olha, eu não chuto de esquerda’, e o treinador respondeu que o Nilton Santos (lendário jogador do Botafogo e considerado o maior lateral-esquerdo de todos os tempos) era destro, olha a comparação que ele fez (risos), e que eu tinha que fazer o teste porque se desse certo, o Roberto nunca mais voltaria. Deu certo, ele mandou Roberto ir embora e fiquei como lateral esquerdo o resto da vida”, contou Correia rindo.

4. Dirigente no clube do coração

Apesar de ter defendido as cores do Nacional, Valdir sempre se declarou torcedor apaixonado do Atlético Rio Negro Clube. Prova disso foi quando o radialista conciliou os trabalhos na rádio com o cargo de dirigente do Galo, entre os anos de 1998 a 2001, quando ajudou o time a conquistar o 16º título estadual, último troféu levantado pelo clube no Amazonense.

“Mesmo com a gente com pouco dinheiro, a gente conseguiu formar um bom time e conquistar o Amazonense. Nós tínhamos o São Raimundo que era tido como o melhor da região Norte e o Nacional com muito dinheiro. Todo mundo pensava que o campeão seria um dos dois clubes, mas foi o Rio Negro, com uma folha de R$ 35 mil. Isso para mim foi uma conquista e tanto”, contou Garotinho.

Rionegrino de coração, Valdir Correia foi dirigente do clube do coração, entre os anos de 1998 a 2001. Foto: Reprodução/Rionegrino.com.br

5. Início no Rádio

Foto tirada no campo da Usina Labor, no bairro Educandos. Foto: Jornal do Commercio

A relação de Valdir com a comunicação já dava seus sinais desde a infância. Quando tinha 13 anos, o pequeno Garotinho brincava de narrar partidas no campo da Usina Labor, localizado na avenida Leopoldo Peres, bairro Educandos, onde hoje funciona uma rede de supermercado.

“Quando criança, eu gostava de pegar duas latas de leite, amarrava um cordão de uma lata para outra e ficava imitando a transmissão dos jogos. Então, desde muito cedo, eu já brincava de fazer transmissão”, relembra Garotinho.

Já como uma das vozes de destaque nos serviços de alto-falante, Garotinho participou de um concurso da Rádio Baré, considerada a grande emissora radiofônica do Amazonas. Em meio a dezenas de concorrentes, Valdir foi escolhido para integrar o quadro de profissionais do veículo.

“Eram somente duas vagas nesse concurso, eu e o Raimundo Nonato, um dos maiores narradores esportivos do Amazonas, fomos selecionados para a Rádio Baré. Foi uma experiência maravilhosa porque a Baré era uma escola da comunicação amazonense”, frisou Correia, que foi chamado para ancorar programas esportivos na emissora.

Depois da Rádio Baré, Valdir trabalhou na Rádio Tropical (hoje, Rádio Cidade) até meados de 1970, quando foi convidado para ser o locutor oficial e narrador dos jogos transmitidos pela Rádio Rio Mar. O sucesso foi tanto que seis anos depois, o empresário Josué Cláudio de Souza contratou Garotinho para fazer parte dos quadros da Rádio Difusora do Amazonas, onde permaneceu por 50 anos.

Valdir Correia, Carlos Martins e Orlando Rebelo. Foto: Reprodução/Manaus de Antigamente

6. Por que “Garotinho”?

Valdir explica porque ficou conhecido como “O garotinho”, apelido que nasceu de uma comparação feita por Josué Filho entre ele e José Carlos Araújo, um dos locutores de destaque do rádio nacional.

“Tudo começou quando o Zé Carlos Araújo começou a despontar no Rio de Janeiro. Era o terceiro da Rádio Globo, aí ele sai para ser o primeiro da Rádio Nacional, que tinha uma das maiores coberturas do Brasil. Como o grande Osmar Santos de São Paulo, o Pai da Matéria, já brincava com garotinho pra lá, garotinho pra cá, o Zé Carlos virou o Zé Carlos Araújo, o garotinho. Aí um dia o Josué Filho, no programa matinal, estava fazendo uma enquete e disse ‘é, tem o Garotinho do Rio e agora tem o Garotinho do Amazonas: Valdir Correia, o Garotinho da Difusora’. Aí pegou. Quase ninguém me chama de Valdir quando estou na rua, é só Garotinho”, explica Valdir.

7. Primeira transmissão internacional

Cartaz divulgação - Valdir Correia, o Garotinho
Anúncio de transmissão de jogo narrado por Valdir Correia, o Garotinho. Foto: Reprodução/Acervo Amazon Sat

Valdir esteve presente na primeira transmissão internacional ao vivo feita por uma rádio da Amazônia. Foi em 30 de junho de 1989, no jogo entre Brasil x Venezuela, válido pelas Eliminatórias Sul-Americanas da Copa do Mundo. Com narração de Garotinho e comentários de Eduardo Monteiro de Paula, a rádio Difusora foi pioneira da Amazônia a registrar ‘in loco’ uma partida fora do país, que contou com a vitória brasileira por 3 a 0 em cima dos venezuelanos.

Leia também: Como foi a primeira transmissão ao vivo, em outro país, de uma rádio da Amazônia

“Até então, nenhuma emissora da região Norte tinha transmitido um jogo oficial da Seleção Brasileira fora do país. Você transmitia partidas nacionais, mas lá fora só ia Globo, Itatiaia, Rádio Nacional, não era fácil. Com meu atrevimento, eu e alguns colegas fomos atrás para comprar os jogos das eliminatórias, que seriam dois, um na Venezuela e outro no Chile. Com Deus no coração, fomos para São Paulo, com pouco dinheiro e realizamos o grande sonho: o primeiro jogo internacional de uma emissora da região Norte ao vivo”, relembrou Correia, que narrou o seu primeiro jogo oficial do Brasil em 1976, quando a seleção canarinho enfrentou o Paraguai no Maracanã, também pelas Eliminatórias.

Valdir Correia, o Garotinho, com Dudu Monteiro de Paula
Valdir Correia, o Garotinho, e Eduardo Monteiro de Paulo, profissionais do jornalismo esportivo amazonense. Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

8. Entrevistas marcantes

Ao longo dessas cinco décadas, Valdir construiu um rica trajetória de entrevistas marcantes e coberturas jornalísticas no rádio amazonense. Ao Portal Amazônia, o Garotinho destacou as principais personalidades entrevistadas por ele.

“No cenário esportivo, entrevistei grandes estrelas do futebol mundial como Zico, Pelé, João Havelange e Roberto Dinamite. Já na parte cultural, tive o privilégio de conversar por telefone Julio Iglesias, na época que o cantor espanhol fez um show histórico de Réveillon na Ponta Negra, em 1995. Estive em todas as coberturas políticas desde quando entrei no rádio, na década de 1970, entrevistei todos os políticos que ocuparam os principais cargos em Manaus”, afirmou Garotinho.

9. A notícia mais triste

O radialista classificou a notícia da morte de Raimunda Holanda de Souza, esposa do radialista Josué Cláudio de Souza, como a notícia mais triste de sua carreira.

“Sem dúvidas, a da nossa querida Rai. Lembro que eu tinha acabado de entrevistar o então prefeito de Manaus, Alfredo Nascimento, quando recebi a notícia que a dona Raimunda tinha falecido. Foi uma decisão bem difícil noticiar, por tudo que ela representava e representa até hoje tanto para a Difusora quanto para o Amazonas. Para mim, foi a notícia mais triste da minha carreira”, contou.

10. Preferências

Por fim, Valdir revelou ao Portal Amazônia um pouco sobre os seus gostos em relação à temas da nossa região. Confira:

  • Culinária

“A banana pacovã, bem assada com canela, para mim é a melhor, depois coloco o nosso abacaxi e a melancia”.

  • Comida

“Me perdoem, mas eu gosto muito de um churrasco bem feito. Depois, vem o nosso tambaqui e aquela caldeirada de tucunaré”.

  • Torce pra qual time brasileiro?

Depois do Rio Negro, sou botafoguense declarado.

  • Caprichoso ou Garantido?

Eu gosto dos dois (risos).

  • Artistas amazônidas

“Carrapicho, do saudoso Zezinho Corrêa, que foi sucesso mundial, depois o querido Teixeira de Manaus e o ícone Abílio Farias”.

  • Maiores jogadores nortistas que viu jogar

“O maior atacante histórico do Amazonas, Edson Piola, o grande goleiro Clóvis e o craque Dermilson”.

Entrevista

Em 2024, Valdir Correia concedeu uma entrevista para o jornalista Eduardo Monteiro de Paula para o programa Made in Amazônia, do Amazon Sat, onde revelou outras curiosidades de sua carreira. Confira:

#Série – Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia: o que é íngua?

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Se você notar o aparecimento de alguns caroços em regiões específicas do corpo, é bom dar atenção ao alerta do seu corpo. Esses pequenos nódulos indicam alguma infecção ou inflamação, que são chamados popularmente de ínguas.

O termo popular é associado ao aumento dos linfonodos, que fazem parte do sistema imunológico e atuam na defesa do nosso organismo contra doenças ou infecções.

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A série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia chega em sua nona reportagem com o apoio da médica generalista Júlia Edwirges. Nesta matéria ela ajuda a esclarecer as principais características e funções da doença e porquê ela exerce um papel vital na prevenção e qualidade de vida do corpo humano.

O que é íngua?

Também conhecida como adenopatia ou linfadenopatia, a íngua é um quadro caracterizado pelo aumento dos glânglios linfáticos, pequenas estruturas do sistema imunológico que funcionam como filtros, produzindo células de defesa para o combate de infecções e doenças no corpo humano.

As ínguas podem aparecer por diversos motivos, mas geralmente elas costumam ser reações a algum tipo de quadro infeccioso ou inflamatório presente no corpo humano. Ou seja, quando os glânglios linfáticos inflamam, é sinal de que estão atuando e o organismo está combatendo alguma doença ou infecção.

Os linfonodos geralmente aparecem em regiões como pescoço, virilha e axilas, mas também podem aparecer em qualquer outro local do corpo.

Causas

Apesar das infecções serem as causas mais comuns da íngua, outros motivos também podem provocar o aparecimento dela no corpo humano. Doenças autoimunes como lúpus, artrite reumatoide, vasculite, entre outras, também podem causar o aumento dos linfonodos.

Irritações de pele ou pequenos ferimentos que acontecem no dia a dia podem ocasionar o surgimento de ínguas em diversos locais do corpo. Inflamações nas vias aéreas ou região oral, como rinite alérgica, faringite, gengivite ou inflamação de algum dente, por exemplo, também são fatores para o inchaço do linfonodo no pescoço ou no maxilar.

Íngua atrás da orelha. Foto: site Dr. Arthur Vicentini

Resfriados, gripes, otite, sinusite ou qualquer tipo de virose como Zika ou dengue causam o surgimento de caroço no pescoço, nuca, mandíbula ou atrás da orelha.

Outros tipos de infecção como pneumonia ou bronquite, ou na região abdominal, a exemplo de gastroenterites, infecções genitais como HPV, sífilis, candidíase ou vaginose, normalmente, causam gânglios na virilha. 

Leia também: Quebranto, peito aberto e mau-olhado: conheça 6 doenças tratadas pelas benzedeiras da Amazônia

O câncer é uma causa mais rara dos linfonodos, que podem ter um aspecto mais endurecido, não somem após um ou dois meses e não param de crescer.  Qualquer tipo de câncer pode causar ínguas, mas alguns mais característicos são o linfoma, câncer de mama e câncer de pulmão, por exemplo.

Os linfonodos também podem surgir devido a metástases de tumores, que ocorrem quando o câncer se espalha para outras regiões do corpo. 

Por fim, algumas vacinas (BCG, gripe, herpes zoster ou Covid-19) podem causar surgimento de íngua na axila, como uma resposta do sistema imunológico à imunização.

Sintomas

Os principais sintomas de íngua são:

  • Caroço sob a pele, que pode medir cerca de 0,5 cm a 1 cm;
  • Caroço que se move, quando apalpado;
  • Aumento da sensibilidade no local;
  • Dor, que geralmente surge quando existe inflamação ou infecção do linfonodo;
  • Caroço no pescoço ou no maxilar, dor  de garganta ou nariz escorrendo ou entupido, devido a infecções no sistema respiratório superior;
  • Caroços em várias partes do corpo, devido a infecções sistêmicas ou doenças autoimunes.

Além disso, nos casos de câncer, geralmente podem surgir várias ínguas, acompanhadas de outros sintomas como suor noturno, perda de peso, febre ou coceira na pele.

Tratamento

O tratamento da íngua é voltado principalmente à infecção causadora do quadro. Foto: Dra. Kelly Freitas

Como a íngua é causada diretamente por uma infecção, não existe uma maneira de tratá-la diretamente, apenas de tratar a infecção causadora da íngua. Desse modo, para um correto tratamento, é necessário primeiro que se investigue as possíveis causas do surgimento.

Uma vez determinadas as causas, o tratamento correto será indicado pelo médico que acompanhar o caso.

Em geral, os casos são tratados com antibióticos, anti-inflamatórios e analgésicos conforme prescrição médica.

Repouso, hidratação e remédios caseiros alternativos também podem ser indicados pelo médico especialista para ajudar na diminuição da íngua e no fortalecimento do sistema imunológico do organismo.

A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.

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#Série – Nomes populares de doenças na Amazônia: o que é mijacão?

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Você já viu um pontinho vermelho que aparece na pele e logo depois se transforma numa espécie de mapa? Literalmente, essa “característica geográfica” que coça bastante é o principal sintoma do “mijacão”. O termo popular é o que define a dermatite serpigionosa, infecção de pele causada por larvas presentes nas fezes de cães e gatos e que contaminam os humanos.

Na sétima reportagem da série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia, a equipe do Portal Amazônia conversou com a médica generalista Júlia Edwirges para entender melhor o que é esta doença conhecida como “mijacão”, um tipo de dermatite que causa muita coceira, irritação e lesões que se parecem com desenhos geográficos sob a pele.

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O que é “mijacão”?

Larva migrans cutânea. Foto: Reprodução

Também conhecido de “bicho-geográfico” ou dermatite serpiginosa, o “mijacão” é o nome popular dado à larva migrans cutânea, parasita da espécie Ancylostoma que vivem no intestino de cães e gatos e penetram na pele dos seres humanos através de suas fezes.

Hospedeiros dessa larva, os animais domésticos são infectados quando ingerem o verme por meio da água ou alimentos contaminados. No intestino, o parasita se desenvolve até a fase adulta, onde eclodem os ovos e liberam as larvas através das fezes dos animais.

Já presentes no solo, as larvas se proliferam e ficam prontas para infectar humanos e outros animais.

Transmissão

A transmissão do “mijacão” acontece por meio do contato direto da pele com o solo contaminado pelas larvas. Locais quentes e úmidos como praias, parques e quintais, frequentemente utilizadas pelos cães e gatos para defecar, são ambientes favoráveis para a contaminação.

Andar descalço ou brincar com os animais nesses locais são os principais facilitadores para a contaminação do “mijacão” nos humanos. Normalmente, as crianças são as mais acometidas pela doença, pelo fato de utilizarem esses ambientes para brincarem.

Brincar na areia é propício para a contaminação do “mijacão”. Maioria das crianças adquirem este tipo de infecção. Foto: Reprodução/Pixabay

Sintomas

O primeiro sintoma do “mijacão” é o aparecimento de uma bolinha vermelha, semelhante a uma picada de inseto, provocada pela penetração do verme na pele. Em seguida, a coceira é acompanhada pela formação de linhas avermelhadas e sinuosas parecidas com uma mapa.

Isso ocorre porque a larva entra no organismo e consegue se mover na camada mais externa da pele, deixando a marca do seu trajeto em pequenas lesões, daí o nome “bicho-geográfico”.

Esses “túneis” podem avançar de dois a cinco centímetros por dia e coçam bastante, além da formação de bolhas. A sensação de movimento debaixo da pele e a irritação da coceira podem desencadear inflamação e até ferimentos.

Ao adentrar na pele, a larva causadora do “mijacão” se movimenta na pele, marcando seu trajeto numa espécie de mapa. Foto: Reprodução/Medicina Ribeirão Preto

Os sintomas aparecem minutos ou até semanas após o contato inicial com a larva, já que ela pode permanecer dormente por algum tempo até começar a se movimentar e liberar a secreção que causa a irritação na pele. Mãos, pés, joelhos e nádegas são os locais que normalmente aparecem os sintomas do “mijacão”, já que entram mais facilmente em contato com o chão contaminado e, consequentemente, com a larva infectante.

Diagnóstico

Linhas avermelhadas e sinuosas são características marcantes do “mijacão”. Foto: Reprodução/site Toda Matéria

O diagnóstico do “mijacão” é, na maioria das vezes, clínico. O dermatologista pode identificar a condição pela aparência das lesões e pela história do paciente, como a exposição a ambientes onde a infecção é comum, como praias ou áreas com solo contaminado.

Em casos mais complexos, exames laboratoriais podem ser realizados para confirmar a presença das larvas ou para descartar outras condições com sintomas semelhantes.

Tratamento

O tratamento do “mijacão” é relativamente simples e envolve medidas como o uso de medicamentos antiparasitários, pomadas ou cremes corticóides e a aplicação de compressa de gelo no local. Os remédios devem ser prescritos pelo médico especialista para aliviar os sintomas e evitar complicações.

No entanto, em grande parte dos casos, os sintomas do “mijacão” desaparecem entre cinco a seis semanas após a morte das larvas no organismo. Em caso de tratamento, eles tendem a sumir entre dois ou três dias.

Prevenção

A adoção de algumas medidas ajuda a prevenir a infecção do “mijacão”, principalmente em áreas onde o risco de contágio é maior. São elas:

  • Evitar andar descalço, principalmente em praias e áreas externas onde animais costumar estar presentes;
  • Manter o bom higiene de animais, deixando a vermifugação de cães e gatos em dia e a limpeza dos seus ambientes
  • Tomar um bom banho, especialmente depois de visitar locais suscetíveis à contaminação do “mijacão”;
  • Usar toalhas ou panos, quando for deitar ou sentar em locais onde cães e gatos estão presentes.
Andar calçado é uma das prevenções para evitar a infecção do “mijacão”. Imagem de Juanita Mulder por Pixabay

A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.

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As cigarras anunciam a chegada da chuva? Descubra!

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Crenças antigas associam o som das cigarras como um aviso da chegada das chuvas. Foto: Celso Silvério/Acervo Pessoal

Não é de agora que crenças populares associam o canto das cigarras com a chegada das chuvas. Reza a lenda o som emitido pelos insetos servia como uma espécie de “aviso de toró” aos povos antigos. Mas será que realmente existe essa ligação do comportamento desses insetos com a condição climática?

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A equipe do Portal Amazônia conversou com biólogo Riuler Corrêa Acosta, mestre em Ciências com ênfase em Entomologia e especialista em bioacústica, comportamento e taxonomia de grilos e cigarras, para saber se isso é possível.

Leia também: Você sabia que o som das cigarras pode chegar a 120 decibéis?

Afinal, as cigarras anunciam as chuvas?

De acordo com Riuler, o canto das cigarras tem uma certa ligação com este fenômeno meteorológico, mas voltada para o período reprodutivo dos insetos.

Insetos possuem uma fisiologia que se regula conforme a temperatura ambiente. Foto: Divulgação/Universidade Estadual de Goiás

“A associação da chegada das chuvas e o som dessas espécies está ligada às temperaturas mais altas, totalmente necessárias para que esses insetos iniciem seu período reprodutivo. Ocorre que cigarras comuns, que geralmente emitiam sinais de dezembro até março, agora estão emitindo os sons de outubro e novembro até abril e maio, por conta do aumento da temperatura”, explicou o biólogo.

No entanto, o especialista conta que o período chuvoso contribui na transição dos insetos para a fase adulta.

“Como elas vivem enterradas próximas às raízes das plantas, a chegada das chuvas tornaria o solo menos firme, facilitando a formação de galerias para a saída das cigarras do solo, para que estes animais cheguem na fase adulta”, frisa Acosta.

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Segundo o cientista, a fisiologia desses animais também está relacionada às condições abióticas como temperatura e umidade.

“As cigarras, assim como outros insetos, são fisiologicamente chamados de termoconformadores, isto é, seu metabolismo segue as condições externas. O metabolismo fica mais alto em temperaturas mais altas, enquanto que o metabolismo fica baixo em temperaturas mais baixas, portanto, estes insetos não regulam seus sistemas internamente”, pontua o biólogo, que completa:

“Pensando nisso e nas alterações climáticas, provavelmente em breve haverão estudos que relacionam a mudança dos sinais dessas espécies, mas até o momento, não existem estudos que falem sobre a relação entre o som e o clima, apenas sobre elas estarem iniciando o seu período reprodutivo mais cedo”.

#Série – Nomes populares de doenças na Amazônia: o que é tuxina?

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Existem algumas doenças que, além da preocupação, causam um certo constrangimento em função da construção social em torno da por sua localização no corpo. A coceira no ânus, por exemplo, pode ser causada por vários motivos: má higiene no local, hemorroidas, fissuras, mas um deles é conhecido por um termo bem popular: tuxina.

Mas… o que é a tuxina? Quais são seus sintomas? Porque recebe esse nome?

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Na quinta reportagem da série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia, a equipe do Portal Amazônia conversou com a médica generalista Júlia Edwirges, que explica sobre a ‘oxiurose’, infecção parasitária comum no Brasil, cujo principal sintoma é a coceira intensa na região perianal.

O que é tuxina?

Também chamada de enterobiose, a oxiurose é uma infecção comum causada pelos oxiúros (Enterobius vermicularis), que são pequenos vermes de forma cilíndrica e cor branca, que medem cerca de 1 centímetro.

Parasita Enterobius vermicularis é o causador da oxiuríase ou enterobíase, popularmente conhecida como “tuxina”. Foto: Reprodução/Site MD Saúde

Os oxiúros vivem no intestino dos humanos, seus únicos hospedeiros naturais, e ficam instalados na região do ceco (início do intestino grosso) e do apêndice. Após o acasalamento, o macho morre e sai do corpo através das fezes, enquanto que as fêmeas grávidas permanecem no ceco.

À noite, as fêmeas migram para o ânus onde depositam seus ovos. Esse é o motivo daquela coceira intensa conhecida como “tuxina”, pois é no período noturno que acontece a eclosão dos ovos. Uma larva pode depositar até 10 mil ovos na região perianal. Depois dessa fase, as fêmeas tentam retornar para dentro do ânus, algumas conseguem, outras acabam sendo eliminadas nas fezes.

Ciclo ilustrativo da reprodução evolutiva da “tuxina”. Imagem: Reprodução/Guia de Parasitologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

Transmissão

A tuxina pode ser transmitida de três formas: direta, indireta e através da retroinfestação. A primeira é a via fecal-oral, em que o indivíduo, após coçar a área, não lava as mãos adequadamente e acaba comendo alimentos contaminados e ingerindo, praticamente “levando o parasita do ânus pra boca”. Geralmente, esse contágio é comum em crianças.

Já na forma indireta, a contaminação ocorre através dos ovos encontrados nos alimentos, roupas e até locais como assentos de privadas, brinquedos e demais objetos. Isso porque os óvulos conseguem sobreviver nesses locais por até três semanas, em temperaturas ambiente.

A retroinfestação é quando as larvas eclodem no ânus e conseguem “voltar” ao ceco, onde se tornam indivíduos adultos e acasalam novamente.

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Sintomas

A “tuxina” geralmente acomete mais crianças. Foto: UFMG

Apesar de algumas pessoas serem assintomáticas, o principal sintoma da tuxina é coceira anal, principalmente à noite. A presença de sangue no papel higiênico, dor e dificuldade para defecar e a presença de pequenos pontos brancos nas fezes também são indícios da enterobiose.

Em alguns casos, sinais como dores abdominais, insônia e diarreia também podem estar ligados aos sintomas da tuxina. No caso de meninas, podem ocorrer infecções genitais como vulvovaginite e corrimento vaginal e, em raras situações, o quadro de apendicite aguda em alguns pacientes.

Diagnóstico

A tuxina pode ser diagnosticada de forma clínica, através da realização do teste de Graham, que consiste numa fita adesiva aplicada na região perianal para depois ser examinada no microscópio. O exame pode revelar óvulos ou vermes da oxiurose. Geralmente, o exame é feito no início da manhã e, se der negativo por cinco manhãs consecutivas, o diagnóstico está descartado.

O médico também poderá indicar a realização de um exame parasitológico de fezes que, ainda que não defina o diagnóstico da oxiurose, pode apontar outras patologias como fissura anal, hemorroida, dermatite atópica, vaginose, entre outros problemas que colaborem para a ocorrência da doença.

O teste de Graham é um exame parasitológico usado para detectar ovos de parasitas como o Enterobius vermicularis, causador da tuxina. Foto: Reprodução/Durviz Ciência

Tratamento

O tratamento mais adequado para cada fase da tuxina deve ser orientado por um médico, que prescreve medicamentos vermífugos, pomadas anti-helmínicas ou outras indicações.

Seja qual for o medicamento utilizado, é recomendado que seja feito o exame novamente, para verificar se ainda há sinais de infecção e, em caso positivo, realizar novamente o tratamento.

Prevenção

Ao Portal Amazônia, a médica generalista Júlia Edwirges reforça que boas práticas de higiene são essenciais para a prevenção da tuxina, assim como de outras doenças.

“A prevenção é baseada em higiene: lavar sempre as mãos antes de comer e após ir ao banheiro, manter as unhas curtas, evitar roer unhas, trocar e lavar lençóis e roupas íntimas com frequência, e reforçar o hábito do banho diário. Com esses cuidados, o ciclo do verme é interrompido e a transmissão diminui consideravelmente”, assegura.

A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.

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#Série – Nomes populares de doenças na Amazônia: o que é curuba?

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– Nossa, estou me coçando todo.
– Vixi, deve tá bem com curuba.
..

Quem é da região amazônica certamente, em algum momento, já se deparou com algo parecido com esse diálogo quando o assunto envolve uma coceira constante na pele, seguida de algumas pequenas bolhas avermelhadas e muita irritação.

É a chamada curuba, termo popular associado à escabiose, doença de pele comum no Brasil e que acomete pessoas de todas as faixas etárias e classe sociais.

Mas, o que é curuba? Como se pega essa doença? Quais os sintomas? Porque esse nome? Na quarta reportagem da série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia, a equipe do Portal Amazônia conversou com a médica generalista Júlia Edwirges, em busca da explicação sobre essa dermatose infecciosa altamente contagiosa entre humanos.

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O que é a curuba?

Representação do ácaro Sarcoptes scabiei, causador da curuba. Foto: Reprodução/Sociedade Brasileira de Dermatologia

Popularmente conhecido como curuba, sarna ou pira, a escabiose é uma doença infecciosa causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei.

Dependentes da queratina, tais parasitas se instalam na camada superficial da pele para se alimentarem e também reproduzirem.

Durante o acasalamento, a fêmea penetra na parte superior da epiderme e sua movimentação forma pequenos túneis (tocas), que são micro lesões semelhantes a fios na camada superficial, causando a coceira, a principal sintoma da escabiose, também chamada de pereba, apesar desse termo ser mais usado para ferimentos.

Transmissão

A médica generalista Júlia Magalhães, explica que o contágio da curuba se dá somente entre humanos, através do contato direto com a pessoa contaminada no uso compartilhado de objetos.

“A escabiose, ou curuba, é transmitida principalmente pelo contato direto e prolongado de pele com pele com uma pessoa infectada, podendo também ocorrer pelo compartilhamento de roupas, toalhas ou roupas de cama contaminadas. Animais domésticos como cães e gatos não transmitem curuba para os humanos”, explica médica.

A sarna não se transmite apenas no simples toque, é necessário ter um contato prolongado para que ocorra a contaminação. Na primeira vez que a pessoa é infestada, o sistema imunitário demora até quatro semanas para gerar sintomas. Neste período, é possível contagiar outras pessoas.

No entanto, em caso de reinfestação, a coceira aparece de três a quatro dias depois, devido já ter ocorrido o contato anterior com o ácaro.

Sintomas

#Série - Nomes populares de doenças na Amazônia: o que é curuba?
Escabiose entre os dedos. Foto: Reprodução/Site Dra. Keilla Freitas

A coceira é o principal sintoma da curuba, que costuma ficar intensa durante a noite, que é o período em que o parasita costuma depositar seus ovos e se movimentar na pele humana. Além disso, a presença de pequenas bolhas, chamadas de pápulas, também podem surgir na pele, provocadas pelo ato constante de coçar.

Foto de uma curuba que virou infecção, devido à intensa coceira. Foto: Reprodução/Site Dra. Keilla Freitas

O aparecimento da doença geralmente ocorre nos locais mais quentes do corpo: as dobras (entre os dedos, axilas, dobras dos braços), atrás dos joelhos, orelhas, cintura (em volta do umbigo principalmente), nádegas, genitais, pescoço, pés e embaixo das mamas (também ao redor dos mamilos). Nas crianças, é comum aparecer lesões nos tornozelos e, em raros casos, no couro cabeludo.

O ato de coçar pode levar bactérias para as lesões, resultando em infecção, o que piora o quadro em alguns casos.

Diagnóstico e tratamento

Geralmente, o diagnóstico da escabiose acontece de maneira clínica, ou seja, feito por meio do atendimento presencial do médico com paciente, através da observação visual das lesões características da doença e o histórico de saúde da pessoa.

Em alguns casos, a avaliação das lesões pode ser feita por meio da dermatoscopia, exame que permite observar a estrutura interna da pele. Outra forma também consiste no exame parasitório, no qual o médico pode solicitar a raspagem da lesão, um tipo de biópsia, para identificar o ácaro causador da curuba.

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O tratamento da escabiose é realizado através de medicamentos tópicos, aplicados na pele, ou orais, de acordo com as condições do paciente e a extensão da curuba. Comumente, entre as indicações, o médico pode recomendar uso de inseticidas, antiparasitários ou escabicidas.

Vale lembrar que, mesmo quando a pessoa com escabiose não apresenta sintomas, a doença pode ser transmitida para outras pessoas, por isso, é importante que todas as pessoas que estiveram em contato direto com alguém diagnosticado também façam o tratamento, inclusive parceiros sexuais.

Prevenção

É importante ficar atento ao uso de objetos compartilhados, como toalhas, roupas e lençóis de pessoas com higiene precária ou que estão sabidamente infectadas. Também é fundamental que, em ambientes coletivos como creches, escolas e asilos, todos tenham conhecimento e sejam avisados caso exista algum caso. Assim, podem estar atentos aos sintomas ou serem atendidos por um médico e tratados, se necessário. 

“Para prevenir, é importante evitar contato próximo com quem apresenta coceira intensa e lesões suspeitas, não compartilhar itens pessoais, lavar roupas e lençóis em água quente, secar bem ao sol ou em alta temperatura e, quando houver um caso na casa, tratar todas as pessoas do convívio ao mesmo tempo para evitar reinfecção”, recomenda a profissional

Objetos como toalhas de banho não devem ser compartilhadas, pois são ambientes propícios para a contaminação da curuba. Foto: Pixabay

A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.

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“É preciso que respeitem a história de cada uma de nós”: Lívia Christina conta detalhes da experiência no BBB 26

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Foto: Heloíse Bastos/Portal Amazônia

“Da baixa, é força, é segredo, é deusa que baila ao som da canção”. O trecho da toada ‘Rainha Encarnada’, do Boi-bumbá Garantido, resume a participação de Lívia Christina na disputa por uma vaga no Big Brother Brasil 2026 (BBB26).

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Com a garra e determinação da mulher amazônida, a artista até que tentou, mas depois de enfrentar 96 horas de confinamento no Quarto Branco e três dias na Casa de Vidro, ela optou por aceitar um prêmio alternativo, de R$ 50 mil, e desistiu de entrar na casa mais vigiada do Brasil.

Uma semana depois de apertar o botão, a Rainha do Folclore conversou com o Portal Amazônia sobre a experiência vivida durante as dinâmicas do reality e revelou alguns detalhes curiosos.

Confira a entrevista exclusiva com Lívia Christina:

Portal Amazônia: Foram três dias na Casa de Vidro e depois mais quatro no Quarto Branco. O que te fez apertar o botão de desistência?

Lívia Christina: Acredito que foi a empatia. Foi pelo emocional. Ali no Quarto Branco tinha uma história mais linda que a outra, são pessoas maravilhosas, pensei nas meninas. Já estava no meu limite e de qualquer forma, eu ia continuar o meu trabalho de volta, ser item de Parintins, trabalhar com publicidade e poder dá uma vida financeira estável pra minha família. Então, eu entendi que naquele momento a proposta ia abrir as portas para mim e hoje eu estou feliz pela decisão, vou poder ajudar na casa da minha mãe, pagar as contas e limpar meu nome sujo (risos).

Foto: Heloíse Bastos/Portal Amazônia

Portal Amazônia: Durante o período de confinamento do Quarto Branco, o que te ajudou a se manter lá dentro?

Lívia Christina: Me apeguei na fé e no meu silêncio, porque eram muitos pensamentos aleatórios. Pensava na minha mãe, nela rezando para que eu não sentisse fome nem sede, então ficava muito quieta, no meu silêncio, pensando nas estratégias para seguir firme dentro do Quarto Branco.

Portal Amazônia: E como foi a experiência no quarto? Perguntaram muito sobre a Amazônia?

Lívia Christina: Por conta da minha característica indígena, eles perguntaram de qual região eu era e falei que sou do Amazonas, de Parintins. Conversamos sobre a nossa cultura, nossa gastronomia, falei sobre o nosso tambaqui, o tucumã, x-caboquinho, expliquei tudo para eles, inclusive do nosso festival, que é o maior evento folclórico do Brasil.

Portal Amazônia: Teve um infeliz caso de xenofobia envolvendo o termo “índio”, quando um participante se referiu às pessoas que moram na região Norte. Muitas vezes você já se viu nessa situação, com a necessidade de corrigir o tempo e explicar?

Lívia Christina: O Norte, por ser distante das outras regiões do Brasil, muita gente não entende que esse termo é pejorativo, quem colocou isso foram os primeiros colonizadores ao se referirem à Índia (à época os colonizadores confundiram, acreditando que tinham chegado no outro país). Expliquei sobre isso, que agora o termo indígena conta mais sobre a nossa história, nossa essência e identidade.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: qual a diferença entre os termos índio, indígena e indigenista?

Portal Amazônia: Se você entrasse no BBB, o que não iria faltar na sua mala? O que levaria da nossa culinária?

Lívia Christina: Com certeza, não iria faltar roupa vermelha, meus acessórios, o meu amuleto, farinha. Eu amo tucumã, ia levar uma saca de tucumã (risos).

Portal Amazônia: E qual remédio amazônico você não deixaria de levar para o BBB?

Lívia Christina: Égua, com certeza a minha andiroba e copaíba.

livia christina Foto Heloíse Bastos Portal Amazônia 2
Foto: Heloíse Bastos/Portal Amazônia

Portal Amazônia: Qual seria o tema da festa da líder Lívia Christina na casa?

Lívia Christina: Festival Folclórico de Parintins, sem dúvida, para falar da nossa cultura. Ia tocar muita toada de boi-bumbá, do Garantido, do Caprichoso, muito tic-tic-tac, para gente curtir bastante e poder contar um pouco sobre nossa história de Parintins.

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Portal Amazônia: Quem do Quarto Branco você levaria para o seu quarto do líder?

Lívia Christina: Eu levaria as meninas, o Boneco (Leandro) também levaria, talvez não o Matheus porque ele poderia me decepcionar no decorrer do jogo, assim como aconteceu lá no quarto branco quando ele me colocou como líder ali do grupo. Então, o único que eu não levaria seria ele.

Portal Amazônia: Existe muita comparação entre você e as outras itens do festival ligadas ao BBB (Isabelle Nogueira e, agora, a Marciele Albuquerque). Como você recebe isso?

Lívia Christina: Eu acho que é preciso ter respeito com as identidades de cada uma. A gente carrega a mesma cultura, a mesma história, o mesmo povo, mas com personalidades diferentes. É preciso que respeitem a história de cada uma de nós, como nos vestimos, o que usamos. Isso é triste e penso que é preciso entender e respeitar cada uma com sua personalidade.

Portal Amazônia: E falando em Marciele, qual o recado que você deixa para ela?

Lívia Christina: Minha mana, você está brilhando, está representando muito bem a nossa história e cultura, que Deus te abençoe muito aí, pode ter certeza que tanto Garantido quanto Caprichoso vão se unir para que a gente eleve o nosso festival. Tenha uma história muito linda e segure firme aí que aqui fora estamos fazendo nosso papel.

#Série – Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia: o que é barriga d’água?

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“Barriga d’água” é o termo popular da ascite, condição que indica estágio avançado de doenças. Foto: site Cuidados pela vida

Você sabia que a expressão “barriga d’água”, termo popularmente associado à doença da Esquistossomose, na verdade é um sintoma grave que envolve essa e outras patologias? Mas porque recebe esse nome? Tem mesmo como a barriga ficar cheia de água?

Na terceira reportagem da série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia, a equipe do Portal Amazônia conversou com a médica generalista Júlia Edwirges, que explica sobre a ascite, condição médica caracterizada pelo acúmulo anormal de líquido no abdômen e que indica estágio avançado de algumas doenças.

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Ilustração da “barriga d’água”. Foto: Health Jade

O que é barriga d’água?

Conhecida popularmente como barriga d’água, a ascite é o acúmulo de líquido livre dentro da cavidade abdominal, resultando no inchaço da região.

Apesar do nome popular, o líquido não é propriamente água, e sim um fluido cuja composição pode ser diversa: proteínas, bile, suco pancreático, entre outras substâncias.

Popularmente, a doença é associada à Esquistossomose, uma infecção parasitária provocada por vermes do gênero Schistosoma e transmitida pelo contato da pele com rios, lagos e água contaminados. Mas assim como as outras doenças, a ascite é um sintoma que indica o estágio avançado da patologia.

Causas

A “barriga d’água” é um sintoma relacionado à várias doenças do sistema humano e um indicador grave daquela enfermidade. Insuficiências renal, cardíaca e hepática, pancreatite, alguns tipos de câncer e infecções como tuberculose e esquistossomose são algumas das doenças que podem causar ascite, no entanto, a causa mais comum é a cirrose hepática, uma doença crônica do fígado.

Fatores como células cancerígenas espalhadas no revestimento do abdômen (peritônio), bloqueio do sistema linfático, aumento de pressão nos vasos sanguíneos e doenças inflamatórias que afetam a cavidade abdominal são os principais causadores da ascite.

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Sintomas

O inchaço e o crescimento injustificado da barriga é o principal sintoma da “barriga d’água”, porém, o acúmulo anormal do líquido é precedido de outros sinais como desconforto abdominal, dificuldade respiratória, náuseas e vômitos, falta de apetite e sensação de plenitude após consumo de pequenas quantidades de comida.

Conhecida como "Barriga d'água", a ascite é uma condição médica causada pelo acúmulo de líquido
Conhecida como “Barriga d’água”, a ascite é uma condição médica causada pelo acúmulo de líquido. Foto: Reprodução/Cuidados pela vida

Por conta disso, a ascite é considerada um indício de algo grave, uma vez que seu principal sintoma só se desenvolve após dias ou semanas, dependendo da doença e a evolução do quadro do paciente.

Inchaço nas pernas, aumento no tamanho das mamas, diarreia, peles e olhos amarelados também são outros sintomas que podem surgir antes da “barriga d’água”.

Diagnóstico

A identificação da “barriga d´água” consiste em diversas avaliações clínicas, dependendo da causa. Inicialmente, os médicos observam, claro, o aumento anormal do abdômen e realizam um teste físico, que consiste em leves batidas para detectar a presença de líquido acumulado.

Para confirmação de ascite, o paciente é encaminhado para exames de sangue e de imagem. Ultrassonografia, tomografia e ressonância magnética são alguns dos métodos usados para o diagnóstico de “barriga d’água”, sempre realizados com acompanhamento médico.

Tratamento

O tratamento da “barriga d’água” consiste, primeiramente, na redução do líquido ascítico na cavidade abdominal, através de medicamentos conforme prescrição médica, além de outras medidas como até mesmo a restrição do sal na dieta (contribui para a diminuir a retenção de líquidos) e a proibição no consumo de bebidas alcóolicas.

A parancetese, que é a punção para a retirada dos líquidos, só é indicada quando as outras formas de tratamento não surtirem efeitos ou forem insuficientes.

Mas o principal tratamento da “barriga d’água” é na doença causadora da condição médica. A remoção do líquido é uma fase paliativa, ou seja, visa primeiramente diminuir ou aliviar os sintomas relacionados à ascite.

Prevenção

Por ser um sintoma grave de várias doenças, não existe uma fórmula certa para prevenir o aparecimento da ascite, já que ela é uma consequência de alguma patologia recorrente no corpo humano.

Portanto, é importante adotar medidas para evitar o avanço das doenças associadas à “barriga d’água”, prevenindo a evolução a ascite e outras complicações.

A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.

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#Série – Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia: o que é Maria preta?

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Sabe aquela ferida de uma cor escura, de bordas endurecidas e, em alguns casos, sem dor aparente? É bom ficar em alerta, pois esses ferimentos indicam a possibilidade de infecções bacterianas ou má circulação sanguínea. Essas manchas têm até um nome popular: “feridas Maria preta”.

Mas, o que é a “ferida Maria preta”? Porque recebe esse nome popular? Na segunda reportagem da série ‘Nomes populares de doenças na Amazônia’, a equipe do Portal Amazônia conversou com a médica generalista Júlia Edwirges, que explica sobre esse termo e porquê esses ferimentos são motivos de tanta preocupação.

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O que é a ‘Maria Preta’?

“Maria preta” é o nome popular de uma doença que aponta um forte sinal de infecção. Ela é conhecida por descrever ferimentos que apresentam coloração muito escura. Tais ferimentos podem até mesmo indicar a presença de necrose, quando há morte de células ou tecidos.

Isso ocorre, principalmente, quando os tecidos deixam de receber fluxo sanguíneo adequado, o que acaba resultando na morte celular, deixando a pele necrosada.

feridas escures podem ser popularmente chamadas de Maria preta
Foto: Reprodução/MD Saúde

A origem do nome popular não tem um registro específico. Este nome está muito mais relacionado com o dia a dia das populações, por isso contos populares é que relatam que esse tipo de ferimento recebe o nome de “Maria preta” devido à sua aparência bem escura.

Sintomas

Os principais sinais de uma ferida desse tipo é o escurecimento da pele ao redor do ferimento e o aparecimento de bordas endurecidas e inflamadas.

A presença de pus, dor intensa, inchaço e até febre, em casos graves, são alguns dos sintomas característicos causados pela ferida.

Em algumas situações, pode ocorrer até a ausência de dor por conta dos nervos da região já estarem comprometidos, o que indica um estágio mais avançado do ferimento.

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Causas

Para que uma ferida evolua para “Maria preta”, as causas são diversas, no entanto todas ligam o sinal de alerta para buscar atendimento médico. São elas:

  • Descuido – geralmente quando a limpeza da ferida não é feita corretamente, facilitando a entrada de fungos e bactérias
  • Doenças crônicas – Diabetes, hipertensão arterial e arterosclerose são alguns dos exemplos dessas patologias.
  • Traumas ou queimaduras – Lesões profundas que danificam os tecidos da pele.
  • Má circulação – quando problemas de fluxo sanguíneo impedem a oxigenação dos tecidos.
Pacientes do pé diabético geralmente apresentam feridas “Maria preta”. Foto: Divulgação/Saefe

Tratamento

O principal passo para tratar uma ferida “Maria preta” é buscar atendimento médico especializado, que vai avaliar uma série de fatores para o início do processo de tratamento. A prescrição de medicamentos antibióticos, por exemplo, pode ser necessária.

Tratamento da ferida “Maria preta” deve ser feito de maneira correta para evitar complicações: Foto:

Em caso de pacientes com histórico das doenças relacionadas ao ferimento, como diabetes e insuficiência arterial, é fundamental o controle das patologias por meio de medicamentos específicos e acompanhamento médico.

Em casos mais graves, dependendo do grau da lesão, o médico especialista ainda pode sugerir o desbridamento da ferida: um procedimento que consiste na remoção do tecido morto para promover a cicatrização, podendo ser feito de forma clínica ou cirúrgica.

Complicações

O tratamento não adequado da “ferida Maria preta” pode evoluir para o agravamento da lesão, ocasionando consequências graves para o paciente como:

  • Ampliação da necrose
  • Infecção generalizada
  • Dor crônica
  • Deformidades
  • Amputação do membro (em casos extremos)

Prevenção

Para que um ferimento não evolua para “Maria preta”, é fundamental tomar algumas medidas de cuidado como manter a pele limpa e higienizada, especialmente em feridas ou lesões. É importante, também, observar se algum machucado não está escurecendo ou com cicatrização mais lenta que o esperado conforme as orientações médicas.

O controle das doenças associadas às questões vasculares precisa ter atenção continuada para evitar problemas de fluxo sanguíneo. Evitar pressão prolongada sobre partes do corpo, com uso de almofadas ou colchões para prevenir úlceras por pressão e alternar as posições de pacientes acamados também são alguns dos cuidados para evitar a progressão de uma ferida.

A hidratação diária da pele e o uso de roupas e calçados apropriados também são medidas preventivas para evitar que ferimentos evoluam para feridas “Maria preta”.

A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.

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#Série – Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia: o que é impinge?

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Uma mancha avermelhada na pele, em formato de anel, é um sintoma característico da doença conhecida como impinge. Foto: Reprodução/Ministério da Saúde

O Brasil possui um leque de variações linguísticas, em que cada estado usa palavras ou termos característicos daquele local. É o chamado ‘regionalismo linguístico’, no qual o vocabulário e o sotaque carregam as peculiaridades culturais de uma determinada localidade.

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Na área médica não é diferente. As doenças, por exemplo, são conhecidas por nomes ou expressões diferentes em vários estados brasileiros, o que obriga profissionais de saúde a conhecerem bem sobre as particularidades de cada região.

O Portal Amazônia preparou uma série especial sobre nomes populares de doenças que ocorrem na região amazônica, com apoio da médica generalista Júlia Edwirges, para explicar como alguns deles podem causar confusão. A primeira delas é a ‘impinge‘, condição dermatológica que afeta milhões de pessoas no mundo.

O que é impinge?

Conhecida popularmente como impinge, tinea ou micose, a dermatofitose é uma infecção fúngica que afeta a camada superficial da pele. Ela se desenvolve em qualquer lugar do corpo humano, mas costuma aparecer em regiões úmidas como pés, mãos, virilhas e também no couro cabeludo. Apesar de aparecer em qualquer idade, a doença é mais frequente em crianças.

A impinge é causada pelos fungos dermatóficos, que se alimentam e sobrevivem de queratina, a vitamina presente na pele. A médica generalista Júlia Edwirges explica que a transmissão da impinge se dá através do contato humano ou com animais infectados com a doença.

“A impinge é transmitida por fungos que passam de pessoa para pessoa, de animais para pessoas, ou pelo contato com objetos e superfícies contaminadas. Você pode pegar ao tocar diretamente na pele de alguém com micose, ao usar toalhas, roupas, bonés ou equipamentos compartilhados, ou andando descalço em lugares úmidos como vestiários e piscinas. Animais com falhas no pelo também podem transmitir”, explicou Julia ao Portal Amazônia.

Pessoas de baixa imunidade ou que possuem hábitos de higiene inadequados também são mais vulneráveis a doença, já que o sistema imunológico enfraquecido dificulta a defesa natural da pele contra os fungos dermatófitos.

A impinge causa uma coceira intensa, o que acaba deixando o local vermelho e causando irritabilidade. Foto: Reprodução/Site Dermatologista Especialista

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Sintomas

O aparecimento de manchas avermelhadas e a coceira intensa são os principais sintomas da impinge. As lesões geralmente possuem formato de círculo, com as bordas elevadas e uma região central mais clara, além de leve descamação. No couro cabeludo, a infecção pode causar queda dos cabelos na região contaminada.

Andar descalço em locais públicos é cenário propício para a proliferação da impinge. Foto: site Dermatologista Especialista

Tratamento

Após o aparecimento dos sintomas, o ideal é procurar um médico para iniciar a identificação das lesões corretamente e, dependendo do caso e da orientação médica, o tratamento pode envolver o uso de medicamentos antifúngicos como pomadas, loções ou cremes.

Pomadas específicas são os principais medicamentos utilizados para o tratamento da impinge. Foto: Reprodução/Site Tua Saúde

Em quadros mais graves, pode haver a necessidade da realização de exames complementares e a prescrição de medicamentos para uso oral.

De forma geral, o tratamento da impinge feito de forma eficaz dura alguns dias ou semanas, porém, caso os sintomas persistirem ou piorarem, é importante retornar ao atendimento especializado.

Prevenção

Apesar do verão ser considerado uma época favorável para a propagação da impinge, algumas dicas de higiene ajudam a evitar a contaminação dessa doença. Segundo Julia, a principal delas é evitar o compartilhamento de objetos pessoais como toalhas e roupas íntimas.

“Mantenha a pele sempre seca, especialmente entre os dedos, axilas e virilhas. Evite compartilhar toalhas e roupas, troque peças suadas rapidamente e não ande descalço em locais públicos úmidos. No caso de manchas aparecerem, o melhor é buscar ajuda médica para uma melhor avaliação”, finalizou.

Por ser quente e úmido, o verão é considerado clima favorável para a proliferação da impinge. Foto: Rebeca Beatriz/acervo G1 Amazonas

E a origem do nome?

O termo comumente usado, ‘impinge’, não tem uma origem exata registrada, ela é comumente usada oralmente na região amazônica. Assim, entre os relatos mais populares, a explicação mais usada é a que conta que ‘impinge’ deriva do latim “impetere” (atacar ou invadir).

Outras explicações apontam que a palavra vem do verbo impingir, que é “aplicar, forçar” algo à alguém. Portanto, o termo impinge se refere a uma infecção que aparece de forma forçada e invasora na pele.

A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.

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