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#Série – Nomes populares de doenças na Amazônia: o que é mijacão?

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Você já viu um pontinho vermelho que aparece na pele e logo depois se transforma numa espécie de mapa? Literalmente, essa “característica geográfica” que coça bastante é o principal sintoma do “mijacão”. O termo popular é o que define a dermatite serpigionosa, infecção de pele causada por larvas presentes nas fezes de cães e gatos e que contaminam os humanos.

Na sétima reportagem da série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia, a equipe do Portal Amazônia conversou com a médica generalista Júlia Edwirges para entender melhor o que é esta doença conhecida como “mijacão”, um tipo de dermatite que causa muita coceira, irritação e lesões que se parecem com desenhos geográficos sob a pele.

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O que é “mijacão”?

Larva migrans cutânea. Foto: Reprodução

Também conhecido de “bicho-geográfico” ou dermatite serpiginosa, o “mijacão” é o nome popular dado à larva migrans cutânea, parasita da espécie Ancylostoma que vivem no intestino de cães e gatos e penetram na pele dos seres humanos através de suas fezes.

Hospedeiros dessa larva, os animais domésticos são infectados quando ingerem o verme por meio da água ou alimentos contaminados. No intestino, o parasita se desenvolve até a fase adulta, onde eclodem os ovos e liberam as larvas através das fezes dos animais.

Já presentes no solo, as larvas se proliferam e ficam prontas para infectar humanos e outros animais.

Transmissão

A transmissão do “mijacão” acontece por meio do contato direto da pele com o solo contaminado pelas larvas. Locais quentes e úmidos como praias, parques e quintais, frequentemente utilizadas pelos cães e gatos para defecar, são ambientes favoráveis para a contaminação.

Andar descalço ou brincar com os animais nesses locais são os principais facilitadores para a contaminação do “mijacão” nos humanos. Normalmente, as crianças são as mais acometidas pela doença, pelo fato de utilizarem esses ambientes para brincarem.

Brincar na areia é propício para a contaminação do “mijacão”. Maioria das crianças adquirem este tipo de infecção. Foto: Reprodução/Pixabay

Sintomas

O primeiro sintoma do “mijacão” é o aparecimento de uma bolinha vermelha, semelhante a uma picada de inseto, provocada pela penetração do verme na pele. Em seguida, a coceira é acompanhada pela formação de linhas avermelhadas e sinuosas parecidas com uma mapa.

Isso ocorre porque a larva entra no organismo e consegue se mover na camada mais externa da pele, deixando a marca do seu trajeto em pequenas lesões, daí o nome “bicho-geográfico”.

Esses “túneis” podem avançar de dois a cinco centímetros por dia e coçam bastante, além da formação de bolhas. A sensação de movimento debaixo da pele e a irritação da coceira podem desencadear inflamação e até ferimentos.

Ao adentrar na pele, a larva causadora do “mijacão” se movimenta na pele, marcando seu trajeto numa espécie de mapa. Foto: Reprodução/Medicina Ribeirão Preto

Os sintomas aparecem minutos ou até semanas após o contato inicial com a larva, já que ela pode permanecer dormente por algum tempo até começar a se movimentar e liberar a secreção que causa a irritação na pele. Mãos, pés, joelhos e nádegas são os locais que normalmente aparecem os sintomas do “mijacão”, já que entram mais facilmente em contato com o chão contaminado e, consequentemente, com a larva infectante.

Diagnóstico

Linhas avermelhadas e sinuosas são características marcantes do “mijacão”. Foto: Reprodução/site Toda Matéria

O diagnóstico do “mijacão” é, na maioria das vezes, clínico. O dermatologista pode identificar a condição pela aparência das lesões e pela história do paciente, como a exposição a ambientes onde a infecção é comum, como praias ou áreas com solo contaminado.

Em casos mais complexos, exames laboratoriais podem ser realizados para confirmar a presença das larvas ou para descartar outras condições com sintomas semelhantes.

Tratamento

O tratamento do “mijacão” é relativamente simples e envolve medidas como o uso de medicamentos antiparasitários, pomadas ou cremes corticóides e a aplicação de compressa de gelo no local. Os remédios devem ser prescritos pelo médico especialista para aliviar os sintomas e evitar complicações.

No entanto, em grande parte dos casos, os sintomas do “mijacão” desaparecem entre cinco a seis semanas após a morte das larvas no organismo. Em caso de tratamento, eles tendem a sumir entre dois ou três dias.

Prevenção

A adoção de algumas medidas ajuda a prevenir a infecção do “mijacão”, principalmente em áreas onde o risco de contágio é maior. São elas:

  • Evitar andar descalço, principalmente em praias e áreas externas onde animais costumar estar presentes;
  • Manter o bom higiene de animais, deixando a vermifugação de cães e gatos em dia e a limpeza dos seus ambientes
  • Tomar um bom banho, especialmente depois de visitar locais suscetíveis à contaminação do “mijacão”;
  • Usar toalhas ou panos, quando for deitar ou sentar em locais onde cães e gatos estão presentes.
Andar calçado é uma das prevenções para evitar a infecção do “mijacão”. Imagem de Juanita Mulder por Pixabay

A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.

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As cigarras anunciam a chegada da chuva? Descubra!

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Crenças antigas associam o som das cigarras como um aviso da chegada das chuvas. Foto: Celso Silvério/Acervo Pessoal

Não é de agora que crenças populares associam o canto das cigarras com a chegada das chuvas. Reza a lenda o som emitido pelos insetos servia como uma espécie de “aviso de toró” aos povos antigos. Mas será que realmente existe essa ligação do comportamento desses insetos com a condição climática?

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A equipe do Portal Amazônia conversou com biólogo Riuler Corrêa Acosta, mestre em Ciências com ênfase em Entomologia e especialista em bioacústica, comportamento e taxonomia de grilos e cigarras, para saber se isso é possível.

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Afinal, as cigarras anunciam as chuvas?

De acordo com Riuler, o canto das cigarras tem uma certa ligação com este fenômeno meteorológico, mas voltada para o período reprodutivo dos insetos.

Insetos possuem uma fisiologia que se regula conforme a temperatura ambiente. Foto: Divulgação/Universidade Estadual de Goiás

“A associação da chegada das chuvas e o som dessas espécies está ligada às temperaturas mais altas, totalmente necessárias para que esses insetos iniciem seu período reprodutivo. Ocorre que cigarras comuns, que geralmente emitiam sinais de dezembro até março, agora estão emitindo os sons de outubro e novembro até abril e maio, por conta do aumento da temperatura”, explicou o biólogo.

No entanto, o especialista conta que o período chuvoso contribui na transição dos insetos para a fase adulta.

“Como elas vivem enterradas próximas às raízes das plantas, a chegada das chuvas tornaria o solo menos firme, facilitando a formação de galerias para a saída das cigarras do solo, para que estes animais cheguem na fase adulta”, frisa Acosta.

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Segundo o cientista, a fisiologia desses animais também está relacionada às condições abióticas como temperatura e umidade.

“As cigarras, assim como outros insetos, são fisiologicamente chamados de termoconformadores, isto é, seu metabolismo segue as condições externas. O metabolismo fica mais alto em temperaturas mais altas, enquanto que o metabolismo fica baixo em temperaturas mais baixas, portanto, estes insetos não regulam seus sistemas internamente”, pontua o biólogo, que completa:

“Pensando nisso e nas alterações climáticas, provavelmente em breve haverão estudos que relacionam a mudança dos sinais dessas espécies, mas até o momento, não existem estudos que falem sobre a relação entre o som e o clima, apenas sobre elas estarem iniciando o seu período reprodutivo mais cedo”.

#Série – Nomes populares de doenças na Amazônia: o que é tuxina?

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Existem algumas doenças que, além da preocupação, causam um certo constrangimento em função da construção social em torno da por sua localização no corpo. A coceira no ânus, por exemplo, pode ser causada por vários motivos: má higiene no local, hemorroidas, fissuras, mas um deles é conhecido por um termo bem popular: tuxina.

Mas… o que é a tuxina? Quais são seus sintomas? Porque recebe esse nome?

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Na quinta reportagem da série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia, a equipe do Portal Amazônia conversou com a médica generalista Júlia Edwirges, que explica sobre a ‘oxiurose’, infecção parasitária comum no Brasil, cujo principal sintoma é a coceira intensa na região perianal.

O que é tuxina?

Também chamada de enterobiose, a oxiurose é uma infecção comum causada pelos oxiúros (Enterobius vermicularis), que são pequenos vermes de forma cilíndrica e cor branca, que medem cerca de 1 centímetro.

Parasita Enterobius vermicularis é o causador da oxiuríase ou enterobíase, popularmente conhecida como “tuxina”. Foto: Reprodução/Site MD Saúde

Os oxiúros vivem no intestino dos humanos, seus únicos hospedeiros naturais, e ficam instalados na região do ceco (início do intestino grosso) e do apêndice. Após o acasalamento, o macho morre e sai do corpo através das fezes, enquanto que as fêmeas grávidas permanecem no ceco.

À noite, as fêmeas migram para o ânus onde depositam seus ovos. Esse é o motivo daquela coceira intensa conhecida como “tuxina”, pois é no período noturno que acontece a eclosão dos ovos. Uma larva pode depositar até 10 mil ovos na região perianal. Depois dessa fase, as fêmeas tentam retornar para dentro do ânus, algumas conseguem, outras acabam sendo eliminadas nas fezes.

Ciclo ilustrativo da reprodução evolutiva da “tuxina”. Imagem: Reprodução/Guia de Parasitologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)

Transmissão

A tuxina pode ser transmitida de três formas: direta, indireta e através da retroinfestação. A primeira é a via fecal-oral, em que o indivíduo, após coçar a área, não lava as mãos adequadamente e acaba comendo alimentos contaminados e ingerindo, praticamente “levando o parasita do ânus pra boca”. Geralmente, esse contágio é comum em crianças.

Já na forma indireta, a contaminação ocorre através dos ovos encontrados nos alimentos, roupas e até locais como assentos de privadas, brinquedos e demais objetos. Isso porque os óvulos conseguem sobreviver nesses locais por até três semanas, em temperaturas ambiente.

A retroinfestação é quando as larvas eclodem no ânus e conseguem “voltar” ao ceco, onde se tornam indivíduos adultos e acasalam novamente.

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Sintomas

A “tuxina” geralmente acomete mais crianças. Foto: UFMG

Apesar de algumas pessoas serem assintomáticas, o principal sintoma da tuxina é coceira anal, principalmente à noite. A presença de sangue no papel higiênico, dor e dificuldade para defecar e a presença de pequenos pontos brancos nas fezes também são indícios da enterobiose.

Em alguns casos, sinais como dores abdominais, insônia e diarreia também podem estar ligados aos sintomas da tuxina. No caso de meninas, podem ocorrer infecções genitais como vulvovaginite e corrimento vaginal e, em raras situações, o quadro de apendicite aguda em alguns pacientes.

Diagnóstico

A tuxina pode ser diagnosticada de forma clínica, através da realização do teste de Graham, que consiste numa fita adesiva aplicada na região perianal para depois ser examinada no microscópio. O exame pode revelar óvulos ou vermes da oxiurose. Geralmente, o exame é feito no início da manhã e, se der negativo por cinco manhãs consecutivas, o diagnóstico está descartado.

O médico também poderá indicar a realização de um exame parasitológico de fezes que, ainda que não defina o diagnóstico da oxiurose, pode apontar outras patologias como fissura anal, hemorroida, dermatite atópica, vaginose, entre outros problemas que colaborem para a ocorrência da doença.

O teste de Graham é um exame parasitológico usado para detectar ovos de parasitas como o Enterobius vermicularis, causador da tuxina. Foto: Reprodução/Durviz Ciência

Tratamento

O tratamento mais adequado para cada fase da tuxina deve ser orientado por um médico, que prescreve medicamentos vermífugos, pomadas anti-helmínicas ou outras indicações.

Seja qual for o medicamento utilizado, é recomendado que seja feito o exame novamente, para verificar se ainda há sinais de infecção e, em caso positivo, realizar novamente o tratamento.

Prevenção

Ao Portal Amazônia, a médica generalista Júlia Edwirges reforça que boas práticas de higiene são essenciais para a prevenção da tuxina, assim como de outras doenças.

“A prevenção é baseada em higiene: lavar sempre as mãos antes de comer e após ir ao banheiro, manter as unhas curtas, evitar roer unhas, trocar e lavar lençóis e roupas íntimas com frequência, e reforçar o hábito do banho diário. Com esses cuidados, o ciclo do verme é interrompido e a transmissão diminui consideravelmente”, assegura.

A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.

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#Série – Nomes populares de doenças na Amazônia: o que é curuba?

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– Nossa, estou me coçando todo.
– Vixi, deve tá bem com curuba.
..

Quem é da região amazônica certamente, em algum momento, já se deparou com algo parecido com esse diálogo quando o assunto envolve uma coceira constante na pele, seguida de algumas pequenas bolhas avermelhadas e muita irritação.

É a chamada curuba, termo popular associado à escabiose, doença de pele comum no Brasil e que acomete pessoas de todas as faixas etárias e classe sociais.

Mas, o que é curuba? Como se pega essa doença? Quais os sintomas? Porque esse nome? Na quarta reportagem da série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia, a equipe do Portal Amazônia conversou com a médica generalista Júlia Edwirges, em busca da explicação sobre essa dermatose infecciosa altamente contagiosa entre humanos.

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O que é a curuba?

Representação do ácaro Sarcoptes scabiei, causador da curuba. Foto: Reprodução/Sociedade Brasileira de Dermatologia

Popularmente conhecido como curuba, sarna ou pira, a escabiose é uma doença infecciosa causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei.

Dependentes da queratina, tais parasitas se instalam na camada superficial da pele para se alimentarem e também reproduzirem.

Durante o acasalamento, a fêmea penetra na parte superior da epiderme e sua movimentação forma pequenos túneis (tocas), que são micro lesões semelhantes a fios na camada superficial, causando a coceira, a principal sintoma da escabiose, também chamada de pereba, apesar desse termo ser mais usado para ferimentos.

Transmissão

A médica generalista Júlia Magalhães, explica que o contágio da curuba se dá somente entre humanos, através do contato direto com a pessoa contaminada no uso compartilhado de objetos.

“A escabiose, ou curuba, é transmitida principalmente pelo contato direto e prolongado de pele com pele com uma pessoa infectada, podendo também ocorrer pelo compartilhamento de roupas, toalhas ou roupas de cama contaminadas. Animais domésticos como cães e gatos não transmitem curuba para os humanos”, explica médica.

A sarna não se transmite apenas no simples toque, é necessário ter um contato prolongado para que ocorra a contaminação. Na primeira vez que a pessoa é infestada, o sistema imunitário demora até quatro semanas para gerar sintomas. Neste período, é possível contagiar outras pessoas.

No entanto, em caso de reinfestação, a coceira aparece de três a quatro dias depois, devido já ter ocorrido o contato anterior com o ácaro.

Sintomas

#Série - Nomes populares de doenças na Amazônia: o que é curuba?
Escabiose entre os dedos. Foto: Reprodução/Site Dra. Keilla Freitas

A coceira é o principal sintoma da curuba, que costuma ficar intensa durante a noite, que é o período em que o parasita costuma depositar seus ovos e se movimentar na pele humana. Além disso, a presença de pequenas bolhas, chamadas de pápulas, também podem surgir na pele, provocadas pelo ato constante de coçar.

Foto de uma curuba que virou infecção, devido à intensa coceira. Foto: Reprodução/Site Dra. Keilla Freitas

O aparecimento da doença geralmente ocorre nos locais mais quentes do corpo: as dobras (entre os dedos, axilas, dobras dos braços), atrás dos joelhos, orelhas, cintura (em volta do umbigo principalmente), nádegas, genitais, pescoço, pés e embaixo das mamas (também ao redor dos mamilos). Nas crianças, é comum aparecer lesões nos tornozelos e, em raros casos, no couro cabeludo.

O ato de coçar pode levar bactérias para as lesões, resultando em infecção, o que piora o quadro em alguns casos.

Diagnóstico e tratamento

Geralmente, o diagnóstico da escabiose acontece de maneira clínica, ou seja, feito por meio do atendimento presencial do médico com paciente, através da observação visual das lesões características da doença e o histórico de saúde da pessoa.

Em alguns casos, a avaliação das lesões pode ser feita por meio da dermatoscopia, exame que permite observar a estrutura interna da pele. Outra forma também consiste no exame parasitório, no qual o médico pode solicitar a raspagem da lesão, um tipo de biópsia, para identificar o ácaro causador da curuba.

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O tratamento da escabiose é realizado através de medicamentos tópicos, aplicados na pele, ou orais, de acordo com as condições do paciente e a extensão da curuba. Comumente, entre as indicações, o médico pode recomendar uso de inseticidas, antiparasitários ou escabicidas.

Vale lembrar que, mesmo quando a pessoa com escabiose não apresenta sintomas, a doença pode ser transmitida para outras pessoas, por isso, é importante que todas as pessoas que estiveram em contato direto com alguém diagnosticado também façam o tratamento, inclusive parceiros sexuais.

Prevenção

É importante ficar atento ao uso de objetos compartilhados, como toalhas, roupas e lençóis de pessoas com higiene precária ou que estão sabidamente infectadas. Também é fundamental que, em ambientes coletivos como creches, escolas e asilos, todos tenham conhecimento e sejam avisados caso exista algum caso. Assim, podem estar atentos aos sintomas ou serem atendidos por um médico e tratados, se necessário. 

“Para prevenir, é importante evitar contato próximo com quem apresenta coceira intensa e lesões suspeitas, não compartilhar itens pessoais, lavar roupas e lençóis em água quente, secar bem ao sol ou em alta temperatura e, quando houver um caso na casa, tratar todas as pessoas do convívio ao mesmo tempo para evitar reinfecção”, recomenda a profissional

Objetos como toalhas de banho não devem ser compartilhadas, pois são ambientes propícios para a contaminação da curuba. Foto: Pixabay

A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.

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“É preciso que respeitem a história de cada uma de nós”: Lívia Christina conta detalhes da experiência no BBB 26

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Foto: Heloíse Bastos/Portal Amazônia

“Da baixa, é força, é segredo, é deusa que baila ao som da canção”. O trecho da toada ‘Rainha Encarnada’, do Boi-bumbá Garantido, resume a participação de Lívia Christina na disputa por uma vaga no Big Brother Brasil 2026 (BBB26).

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Com a garra e determinação da mulher amazônida, a artista até que tentou, mas depois de enfrentar 96 horas de confinamento no Quarto Branco e três dias na Casa de Vidro, ela optou por aceitar um prêmio alternativo, de R$ 50 mil, e desistiu de entrar na casa mais vigiada do Brasil.

Uma semana depois de apertar o botão, a Rainha do Folclore conversou com o Portal Amazônia sobre a experiência vivida durante as dinâmicas do reality e revelou alguns detalhes curiosos.

Confira a entrevista exclusiva com Lívia Christina:

Portal Amazônia: Foram três dias na Casa de Vidro e depois mais quatro no Quarto Branco. O que te fez apertar o botão de desistência?

Lívia Christina: Acredito que foi a empatia. Foi pelo emocional. Ali no Quarto Branco tinha uma história mais linda que a outra, são pessoas maravilhosas, pensei nas meninas. Já estava no meu limite e de qualquer forma, eu ia continuar o meu trabalho de volta, ser item de Parintins, trabalhar com publicidade e poder dá uma vida financeira estável pra minha família. Então, eu entendi que naquele momento a proposta ia abrir as portas para mim e hoje eu estou feliz pela decisão, vou poder ajudar na casa da minha mãe, pagar as contas e limpar meu nome sujo (risos).

Foto: Heloíse Bastos/Portal Amazônia

Portal Amazônia: Durante o período de confinamento do Quarto Branco, o que te ajudou a se manter lá dentro?

Lívia Christina: Me apeguei na fé e no meu silêncio, porque eram muitos pensamentos aleatórios. Pensava na minha mãe, nela rezando para que eu não sentisse fome nem sede, então ficava muito quieta, no meu silêncio, pensando nas estratégias para seguir firme dentro do Quarto Branco.

Portal Amazônia: E como foi a experiência no quarto? Perguntaram muito sobre a Amazônia?

Lívia Christina: Por conta da minha característica indígena, eles perguntaram de qual região eu era e falei que sou do Amazonas, de Parintins. Conversamos sobre a nossa cultura, nossa gastronomia, falei sobre o nosso tambaqui, o tucumã, x-caboquinho, expliquei tudo para eles, inclusive do nosso festival, que é o maior evento folclórico do Brasil.

Portal Amazônia: Teve um infeliz caso de xenofobia envolvendo o termo “índio”, quando um participante se referiu às pessoas que moram na região Norte. Muitas vezes você já se viu nessa situação, com a necessidade de corrigir o tempo e explicar?

Lívia Christina: O Norte, por ser distante das outras regiões do Brasil, muita gente não entende que esse termo é pejorativo, quem colocou isso foram os primeiros colonizadores ao se referirem à Índia (à época os colonizadores confundiram, acreditando que tinham chegado no outro país). Expliquei sobre isso, que agora o termo indígena conta mais sobre a nossa história, nossa essência e identidade.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: qual a diferença entre os termos índio, indígena e indigenista?

Portal Amazônia: Se você entrasse no BBB, o que não iria faltar na sua mala? O que levaria da nossa culinária?

Lívia Christina: Com certeza, não iria faltar roupa vermelha, meus acessórios, o meu amuleto, farinha. Eu amo tucumã, ia levar uma saca de tucumã (risos).

Portal Amazônia: E qual remédio amazônico você não deixaria de levar para o BBB?

Lívia Christina: Égua, com certeza a minha andiroba e copaíba.

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Foto: Heloíse Bastos/Portal Amazônia

Portal Amazônia: Qual seria o tema da festa da líder Lívia Christina na casa?

Lívia Christina: Festival Folclórico de Parintins, sem dúvida, para falar da nossa cultura. Ia tocar muita toada de boi-bumbá, do Garantido, do Caprichoso, muito tic-tic-tac, para gente curtir bastante e poder contar um pouco sobre nossa história de Parintins.

Leia também: BBB 26: Marciele Albuquerque e Lívia Christina, as representantes da cultura no Norte

Portal Amazônia: Quem do Quarto Branco você levaria para o seu quarto do líder?

Lívia Christina: Eu levaria as meninas, o Boneco (Leandro) também levaria, talvez não o Matheus porque ele poderia me decepcionar no decorrer do jogo, assim como aconteceu lá no quarto branco quando ele me colocou como líder ali do grupo. Então, o único que eu não levaria seria ele.

Portal Amazônia: Existe muita comparação entre você e as outras itens do festival ligadas ao BBB (Isabelle Nogueira e, agora, a Marciele Albuquerque). Como você recebe isso?

Lívia Christina: Eu acho que é preciso ter respeito com as identidades de cada uma. A gente carrega a mesma cultura, a mesma história, o mesmo povo, mas com personalidades diferentes. É preciso que respeitem a história de cada uma de nós, como nos vestimos, o que usamos. Isso é triste e penso que é preciso entender e respeitar cada uma com sua personalidade.

Portal Amazônia: E falando em Marciele, qual o recado que você deixa para ela?

Lívia Christina: Minha mana, você está brilhando, está representando muito bem a nossa história e cultura, que Deus te abençoe muito aí, pode ter certeza que tanto Garantido quanto Caprichoso vão se unir para que a gente eleve o nosso festival. Tenha uma história muito linda e segure firme aí que aqui fora estamos fazendo nosso papel.

#Série – Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia: o que é barriga d’água?

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“Barriga d’água” é o termo popular da ascite, condição que indica estágio avançado de doenças. Foto: site Cuidados pela vida

Você sabia que a expressão “barriga d’água”, termo popularmente associado à doença da Esquistossomose, na verdade é um sintoma grave que envolve essa e outras patologias? Mas porque recebe esse nome? Tem mesmo como a barriga ficar cheia de água?

Na terceira reportagem da série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia, a equipe do Portal Amazônia conversou com a médica generalista Júlia Edwirges, que explica sobre a ascite, condição médica caracterizada pelo acúmulo anormal de líquido no abdômen e que indica estágio avançado de algumas doenças.

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Ilustração da “barriga d’água”. Foto: Health Jade

O que é barriga d’água?

Conhecida popularmente como barriga d’água, a ascite é o acúmulo de líquido livre dentro da cavidade abdominal, resultando no inchaço da região.

Apesar do nome popular, o líquido não é propriamente água, e sim um fluido cuja composição pode ser diversa: proteínas, bile, suco pancreático, entre outras substâncias.

Popularmente, a doença é associada à Esquistossomose, uma infecção parasitária provocada por vermes do gênero Schistosoma e transmitida pelo contato da pele com rios, lagos e água contaminados. Mas assim como as outras doenças, a ascite é um sintoma que indica o estágio avançado da patologia.

Causas

A “barriga d’água” é um sintoma relacionado à várias doenças do sistema humano e um indicador grave daquela enfermidade. Insuficiências renal, cardíaca e hepática, pancreatite, alguns tipos de câncer e infecções como tuberculose e esquistossomose são algumas das doenças que podem causar ascite, no entanto, a causa mais comum é a cirrose hepática, uma doença crônica do fígado.

Fatores como células cancerígenas espalhadas no revestimento do abdômen (peritônio), bloqueio do sistema linfático, aumento de pressão nos vasos sanguíneos e doenças inflamatórias que afetam a cavidade abdominal são os principais causadores da ascite.

Leia Mais: Quebranto, peito aberto e mau-olhado: conheça 6 doenças tratadas pelas benzedeiras da Amazônia

Sintomas

O inchaço e o crescimento injustificado da barriga é o principal sintoma da “barriga d’água”, porém, o acúmulo anormal do líquido é precedido de outros sinais como desconforto abdominal, dificuldade respiratória, náuseas e vômitos, falta de apetite e sensação de plenitude após consumo de pequenas quantidades de comida.

Conhecida como "Barriga d'água", a ascite é uma condição médica causada pelo acúmulo de líquido
Conhecida como “Barriga d’água”, a ascite é uma condição médica causada pelo acúmulo de líquido. Foto: Reprodução/Cuidados pela vida

Por conta disso, a ascite é considerada um indício de algo grave, uma vez que seu principal sintoma só se desenvolve após dias ou semanas, dependendo da doença e a evolução do quadro do paciente.

Inchaço nas pernas, aumento no tamanho das mamas, diarreia, peles e olhos amarelados também são outros sintomas que podem surgir antes da “barriga d’água”.

Diagnóstico

A identificação da “barriga d´água” consiste em diversas avaliações clínicas, dependendo da causa. Inicialmente, os médicos observam, claro, o aumento anormal do abdômen e realizam um teste físico, que consiste em leves batidas para detectar a presença de líquido acumulado.

Para confirmação de ascite, o paciente é encaminhado para exames de sangue e de imagem. Ultrassonografia, tomografia e ressonância magnética são alguns dos métodos usados para o diagnóstico de “barriga d’água”, sempre realizados com acompanhamento médico.

Tratamento

O tratamento da “barriga d’água” consiste, primeiramente, na redução do líquido ascítico na cavidade abdominal, através de medicamentos conforme prescrição médica, além de outras medidas como até mesmo a restrição do sal na dieta (contribui para a diminuir a retenção de líquidos) e a proibição no consumo de bebidas alcóolicas.

A parancetese, que é a punção para a retirada dos líquidos, só é indicada quando as outras formas de tratamento não surtirem efeitos ou forem insuficientes.

Mas o principal tratamento da “barriga d’água” é na doença causadora da condição médica. A remoção do líquido é uma fase paliativa, ou seja, visa primeiramente diminuir ou aliviar os sintomas relacionados à ascite.

Prevenção

Por ser um sintoma grave de várias doenças, não existe uma fórmula certa para prevenir o aparecimento da ascite, já que ela é uma consequência de alguma patologia recorrente no corpo humano.

Portanto, é importante adotar medidas para evitar o avanço das doenças associadas à “barriga d’água”, prevenindo a evolução a ascite e outras complicações.

A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.

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#Série – Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia: o que é Maria preta?

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Sabe aquela ferida de uma cor escura, de bordas endurecidas e, em alguns casos, sem dor aparente? É bom ficar em alerta, pois esses ferimentos indicam a possibilidade de infecções bacterianas ou má circulação sanguínea. Essas manchas têm até um nome popular: “feridas Maria preta”.

Mas, o que é a “ferida Maria preta”? Porque recebe esse nome popular? Na segunda reportagem da série ‘Nomes populares de doenças na Amazônia’, a equipe do Portal Amazônia conversou com a médica generalista Júlia Edwirges, que explica sobre esse termo e porquê esses ferimentos são motivos de tanta preocupação.

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O que é a ‘Maria Preta’?

“Maria preta” é o nome popular de uma doença que aponta um forte sinal de infecção. Ela é conhecida por descrever ferimentos que apresentam coloração muito escura. Tais ferimentos podem até mesmo indicar a presença de necrose, quando há morte de células ou tecidos.

Isso ocorre, principalmente, quando os tecidos deixam de receber fluxo sanguíneo adequado, o que acaba resultando na morte celular, deixando a pele necrosada.

feridas escures podem ser popularmente chamadas de Maria preta
Foto: Reprodução/MD Saúde

A origem do nome popular não tem um registro específico. Este nome está muito mais relacionado com o dia a dia das populações, por isso contos populares é que relatam que esse tipo de ferimento recebe o nome de “Maria preta” devido à sua aparência bem escura.

Sintomas

Os principais sinais de uma ferida desse tipo é o escurecimento da pele ao redor do ferimento e o aparecimento de bordas endurecidas e inflamadas.

A presença de pus, dor intensa, inchaço e até febre, em casos graves, são alguns dos sintomas característicos causados pela ferida.

Em algumas situações, pode ocorrer até a ausência de dor por conta dos nervos da região já estarem comprometidos, o que indica um estágio mais avançado do ferimento.

Leia também: Portal Amazônia responde: O que são doenças tropicais?

Causas

Para que uma ferida evolua para “Maria preta”, as causas são diversas, no entanto todas ligam o sinal de alerta para buscar atendimento médico. São elas:

  • Descuido – geralmente quando a limpeza da ferida não é feita corretamente, facilitando a entrada de fungos e bactérias
  • Doenças crônicas – Diabetes, hipertensão arterial e arterosclerose são alguns dos exemplos dessas patologias.
  • Traumas ou queimaduras – Lesões profundas que danificam os tecidos da pele.
  • Má circulação – quando problemas de fluxo sanguíneo impedem a oxigenação dos tecidos.
Pacientes do pé diabético geralmente apresentam feridas “Maria preta”. Foto: Divulgação/Saefe

Tratamento

O principal passo para tratar uma ferida “Maria preta” é buscar atendimento médico especializado, que vai avaliar uma série de fatores para o início do processo de tratamento. A prescrição de medicamentos antibióticos, por exemplo, pode ser necessária.

Tratamento da ferida “Maria preta” deve ser feito de maneira correta para evitar complicações: Foto:

Em caso de pacientes com histórico das doenças relacionadas ao ferimento, como diabetes e insuficiência arterial, é fundamental o controle das patologias por meio de medicamentos específicos e acompanhamento médico.

Em casos mais graves, dependendo do grau da lesão, o médico especialista ainda pode sugerir o desbridamento da ferida: um procedimento que consiste na remoção do tecido morto para promover a cicatrização, podendo ser feito de forma clínica ou cirúrgica.

Complicações

O tratamento não adequado da “ferida Maria preta” pode evoluir para o agravamento da lesão, ocasionando consequências graves para o paciente como:

  • Ampliação da necrose
  • Infecção generalizada
  • Dor crônica
  • Deformidades
  • Amputação do membro (em casos extremos)

Prevenção

Para que um ferimento não evolua para “Maria preta”, é fundamental tomar algumas medidas de cuidado como manter a pele limpa e higienizada, especialmente em feridas ou lesões. É importante, também, observar se algum machucado não está escurecendo ou com cicatrização mais lenta que o esperado conforme as orientações médicas.

O controle das doenças associadas às questões vasculares precisa ter atenção continuada para evitar problemas de fluxo sanguíneo. Evitar pressão prolongada sobre partes do corpo, com uso de almofadas ou colchões para prevenir úlceras por pressão e alternar as posições de pacientes acamados também são alguns dos cuidados para evitar a progressão de uma ferida.

A hidratação diária da pele e o uso de roupas e calçados apropriados também são medidas preventivas para evitar que ferimentos evoluam para feridas “Maria preta”.

A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.

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#Série – Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia: o que é impinge?

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Uma mancha avermelhada na pele, em formato de anel, é um sintoma característico da doença conhecida como impinge. Foto: Reprodução/Ministério da Saúde

O Brasil possui um leque de variações linguísticas, em que cada estado usa palavras ou termos característicos daquele local. É o chamado ‘regionalismo linguístico’, no qual o vocabulário e o sotaque carregam as peculiaridades culturais de uma determinada localidade.

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Na área médica não é diferente. As doenças, por exemplo, são conhecidas por nomes ou expressões diferentes em vários estados brasileiros, o que obriga profissionais de saúde a conhecerem bem sobre as particularidades de cada região.

O Portal Amazônia preparou uma série especial sobre nomes populares de doenças que ocorrem na região amazônica, com apoio da médica generalista Júlia Edwirges, para explicar como alguns deles podem causar confusão. A primeira delas é a ‘impinge‘, condição dermatológica que afeta milhões de pessoas no mundo.

O que é impinge?

Conhecida popularmente como impinge, tinea ou micose, a dermatofitose é uma infecção fúngica que afeta a camada superficial da pele. Ela se desenvolve em qualquer lugar do corpo humano, mas costuma aparecer em regiões úmidas como pés, mãos, virilhas e também no couro cabeludo. Apesar de aparecer em qualquer idade, a doença é mais frequente em crianças.

A impinge é causada pelos fungos dermatóficos, que se alimentam e sobrevivem de queratina, a vitamina presente na pele. A médica generalista Júlia Edwirges explica que a transmissão da impinge se dá através do contato humano ou com animais infectados com a doença.

“A impinge é transmitida por fungos que passam de pessoa para pessoa, de animais para pessoas, ou pelo contato com objetos e superfícies contaminadas. Você pode pegar ao tocar diretamente na pele de alguém com micose, ao usar toalhas, roupas, bonés ou equipamentos compartilhados, ou andando descalço em lugares úmidos como vestiários e piscinas. Animais com falhas no pelo também podem transmitir”, explicou Julia ao Portal Amazônia.

Pessoas de baixa imunidade ou que possuem hábitos de higiene inadequados também são mais vulneráveis a doença, já que o sistema imunológico enfraquecido dificulta a defesa natural da pele contra os fungos dermatófitos.

A impinge causa uma coceira intensa, o que acaba deixando o local vermelho e causando irritabilidade. Foto: Reprodução/Site Dermatologista Especialista

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Sintomas

O aparecimento de manchas avermelhadas e a coceira intensa são os principais sintomas da impinge. As lesões geralmente possuem formato de círculo, com as bordas elevadas e uma região central mais clara, além de leve descamação. No couro cabeludo, a infecção pode causar queda dos cabelos na região contaminada.

Andar descalço em locais públicos é cenário propício para a proliferação da impinge. Foto: site Dermatologista Especialista

Tratamento

Após o aparecimento dos sintomas, o ideal é procurar um médico para iniciar a identificação das lesões corretamente e, dependendo do caso e da orientação médica, o tratamento pode envolver o uso de medicamentos antifúngicos como pomadas, loções ou cremes.

Pomadas específicas são os principais medicamentos utilizados para o tratamento da impinge. Foto: Reprodução/Site Tua Saúde

Em quadros mais graves, pode haver a necessidade da realização de exames complementares e a prescrição de medicamentos para uso oral.

De forma geral, o tratamento da impinge feito de forma eficaz dura alguns dias ou semanas, porém, caso os sintomas persistirem ou piorarem, é importante retornar ao atendimento especializado.

Prevenção

Apesar do verão ser considerado uma época favorável para a propagação da impinge, algumas dicas de higiene ajudam a evitar a contaminação dessa doença. Segundo Julia, a principal delas é evitar o compartilhamento de objetos pessoais como toalhas e roupas íntimas.

“Mantenha a pele sempre seca, especialmente entre os dedos, axilas e virilhas. Evite compartilhar toalhas e roupas, troque peças suadas rapidamente e não ande descalço em locais públicos úmidos. No caso de manchas aparecerem, o melhor é buscar ajuda médica para uma melhor avaliação”, finalizou.

Por ser quente e úmido, o verão é considerado clima favorável para a proliferação da impinge. Foto: Rebeca Beatriz/acervo G1 Amazonas

E a origem do nome?

O termo comumente usado, ‘impinge’, não tem uma origem exata registrada, ela é comumente usada oralmente na região amazônica. Assim, entre os relatos mais populares, a explicação mais usada é a que conta que ‘impinge’ deriva do latim “impetere” (atacar ou invadir).

Outras explicações apontam que a palavra vem do verbo impingir, que é “aplicar, forçar” algo à alguém. Portanto, o termo impinge se refere a uma infecção que aparece de forma forçada e invasora na pele.

A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.

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Por que a invasão dos EUA não alterou o fluxo migratório de venezuelanos para o Brasil? Entenda

Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Passadas três semanas da intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, ocorrida no dia 3 de janeiro, o fluxo migratório de venezuelanos para o Brasil não teve grandes movimentações. Apesar da tensão instalada no país vizinho com a captura do presidente Nicolás Maduro pelo exército norte-americano, o cenário se manteve calmo na fronteira entre as duas nações.

Para entender a situação, o Portal Amazônia conversou com o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal de Roraima (UFRR), João Carlos Jarochinski, que explicou os motivos da operação americana não ter grandes reflexos no fluxo migratório venezuelano para o território brasileiro.

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Ação “muito pontual”

O especialista conta que a ação norte-americana focou somente na captura de Nicolás Maduro, com isso, não impactou diretamente no regime de governo e no cotidiano do país. Com isso, o fluxo migratório não chegou a ser afetado.

“A intervenção foi muito pontual, teve a extração do Maduro e não aconteceram outras ações. Então, do ponto de vista do funcionamento cotidiano do país, foi um cenário de continuidade, o mesmo grupo que já dominava o país vinculado ao Maduro permanece no poder, portanto não houve nenhuma alteração drástica de governo”, pontuou o professor.

Fluxo migratório de venezuelanos para o Brasil.
Operação Acolhida. Foto: Organização Internacional para as Migrações (OMI)

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Ausência de atos violentos

De acordo com Jarochinski, a ausência de atos violentos ou conflitos internos que gerassem violência no país venezuelano também contribuiu para a baixa movimentação no fluxo migratório, mesmo em meio a crise humanitária, social e econômica que afeta o país.

“Não houve elementos como explosões de violência ou conflitos internos violentos, que geraria um fator de saída muito significativo, ou algum tipo de piora na qualidade de vida como a falta de acesso a alimentos de forma abrupta. Tem reclamações do processo inflacionário, mas nada que seja algo que influencie na saída forçada do país”, comentou Jarochinski.

No entanto, o clima de instabilidade que paira sob a Venezuela ainda causa apreensão tanto para os venezuelanos quanto para os países vizinhos. Para o professor, a repressão no país tem sido um das maiores preocupações.

“A repressão tem sido um fator crucial para uma análise sobre o fluxo migratório. Ao mesmo tempo que você tem um número de presos políticos sendo libertados, há o aumento da repressão no espaço urbano, tem a imprensa que vem sendo perseguida pelas autoridades. As pessoas estão se sentindo inseguras de circular na cidade, há relatos de gente dizendo que parece a época da pandemia, ou seja, há um certo medo no ar gerado pela instabilidade”, destacou.

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Relação Brasil x Venezuela

Por fim, João Carlos Jarochinski enfatiza que, em caso de eventuais casos extremos vierem a acontecer, o Brasil manterá a sua política de receptividade em relação aos venezuelanos, diante da possibilidade do aumento do fluxo migratório.

“Há de se destacar que essa recepção aos venezuelanos pode ser chamada de política de Estado, porque já tivemos diferentes governos que acabaram mantendo ações como a Operação Acolhida. O Brasil reconhece a situação social complexa que vive a Venezuela, mas em caso de uma instabilidade em virtude de violência ou dificuldade econômica, o Brasil sem dúvida deve manter sua prática de regularização migratória”, finalizou.

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A Operação Acolhida, citada pelo professor, é a força-tarefa do Exército Brasileiro criada em 2018 pelo Governo Federal para o acolhimento e interiorização de migrantes venezuelanos no Brasil, bem como o ordenamento da fronteira. De lá para cá, mais de 150 mil venezuelanos foram interiorizados em meio a 1.100 municípios brasileiros.

Operação Acolhida, do Governo Federal. Foto: Alexandre Manfrim/Governo Federal

Leia também: Como é a jornada dos venezuelanos acolhidos na fronteira com o Brasil?

O Portal Amazônia entrou em contato com o Exército Brasileiro para obter mais informações acerca dos números relativos ao fluxo migratório dos venezuelanos para o Brasil, mas ainda não teve retorno. O espaço segue aberto para atualizações.

Exposição fotográfica do libanês Jacques Menassa “mostra a alma do amazônida” no Museu da Cidade de Manaus

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A exposição ‘Les Gens du Nord’, do fotógrafo Jacques Menassa, marca a abertura da programação cultural do espaço em 2026 nesta segunda-feira (5). Foto: Divulgação/Prefeitura de Manaus

Abrindo a programação cultural de 2026, o Museu da Cidade de Manaus, que fica no paço da Liberdade, no Centro Histórico, inicia nesta segunda-feira (5) as suas atividades com a inauguração da exposição Les Gens du Nord‘, do fotógrafo internacional Jacques Menassa.

A mostra reúne uma coleção de fotografias em preto e branco que retratam “a alma da Amazônia” a partir de uma estética sensível, profunda e humanista, segundo o fotógrafo.

Por meio de um domínio técnico de luz e da sombra, Menassa, que retorna à capital amazonense, transforma cenas do cotidiano em “poesia visual”, transitando entre as texturas da floresta, os traços urbanos e, principalmente, a força humana do povo nortista.

Leia também: Jacques Menassa: fotógrafo libanês que leva a Amazônia em sua arte e em seu coração

Exposição Jacques Menassa, no Museu da Cidade de Manaus.
Exposição de Menassa retrata a alma da Amazônia a partir de uma estética sensível, profunda e humanista. Foto: Divulgação/Prefeitura de Manaus

A exposição é aberta ao público e pode ser conferida a partir desta segunda-feira (5), no horário das 9h às 17h, no Museu da Cidade de Manaus. A entrada é gratuita.

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A identidade da ‘gente do Norte’

A mostra ‘Les Gens du Nord‘ tem como ideia principal mostrar o povo da região Norte. Jacques Menassa trabalha imagens do cotidiano em composições preto e branco, técnica que transformou os registros visuais num retrato da identidade local, revelando a resistência, alegria e dignidade de quem vive na Amazônia.

“A exposição é composta de 36 fotos em preto e branco, que mostram a vivência desse povo maravilhoso. O nome da exposição, inclusive, é uma homenagem minha, ‘Le gens du Nord’ é uma canção de Enrico Macias dedicada ao norte da França que eu escolhi para nomear a exposição e homenagear o povo do Norte do Brasil que eu amo muito”, explicou Menassa.

Mulher indígena amamentando seu filho. Foto cedida pelo fotógrafo Jacques Menassa

Além disso, o trabalho propõe uma reflexão sobre pertencimento, memória e identidade cultural, algo que o fotógrafo faz questão de mostrar para o mundo.

Natural do Líbano, Menassa possui vasta contribuição artística entre o país de origem e o Brasil, através de trabalhos de divulgação entre as nações.

“Só no Líbano, eu já realizei mais de dez exposições sobre a Amazônia e seus temas, já publiquei mais de 50 materiais sobre a região amazônica nos principais jornais de lá. Eu gosto de fazer esse intercâmbio com o Brasil, que esse ano completa 80 anos de relacionamento diplomático com o Líbano”, frisou o artista ao Portal Amazônia.

Historiador Abrahim Baze entrevistando fotógrafo Jacques Menassa no programa Literatura em Foco, do canal Amazon Sat. Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

Para o historiador Abrahim Baze, as obras de Jacques Menassa traduzem a história e preservação da vida amazônida para o mundo.

“Menassa é um pedaço da nossa cultura. Um artista plástico e fotógrafo de uma inteligência fenomenal, suas exposições têm uma marca importantíssima que são os registros pessoais do povo amazônida. Você analisar a Amazônia para o Brasil tem um referencial, mas para o Oriente Médio, especialmente o Líbano, Jacques é a nossa maior referência para os árabes, que foram fundamentais para a economia da nossa região. Este é Jacques Menassa, o árabe-brasileiro, ou melhor, o árabe amazônida”, afirmou Baze.

Assista a entrevista:

Quem é Jacques Menassa?

Fotógrafo libanês Jacques Menassa. Foto: Divulgação/Jacques Menassa

Jacques Menassa nasceu em Ghosta, Líbano, em 1956. Formado em Ciências Políticas e Administrativas, o artista contou ao Portal Amazônia que a paixão pela fotografia vem desde a infância.

“Gosto da fotografia desde criança, os meus amigos no Líbano compravam revistas artísticas de cantores e atores e eu gostava de recortar as fotos bonitas. Desde essa época, eu já gostava de fotografia, cheguei até a ir pra Paris aprender tudo sobre essa área”, contou Menassa, que aprendeu técnicas fotográficas na Universidade Saint-Esprit de Kaslik, no Líbano.

Com família instalada em Manaus, ele desembarcou na capital amazonense em 1990, onde ficou encantado com a vivência e passou a fazer registros fotográficos do cotidiano amazônida.

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“Visitei Manaus pela primeira vez em 1984, porque a família do meu tio paterno vieram morar aqui no Amazonas. Meu avô e irmãos vieram em 1985 e eu cheguei depois, em 1990, onde fiquei por oito anos. Depois disso, voltou para o Líbano e desde 2016 eu volto aqui a cada ano e fico por três meses”, conta o fotógrafo.

Desde então, Jacques coleciona diversas exposições e oficinais de fotografias, obras que tornaram o artística como um dos maiores expoentes do cenário artístico nacional e internacional.