Conhecidas pelos seus sons marcantes, as cigarras somam em torno de 3 mil espécies diferentes em todo o planeta, sendo 150 delas espalhadas pelo Brasil. Mas na região amazônica, uma espécie tem chamado atenção por um comportamento no mínimo curioso: a cigarra Guyalna chlorogena.
Típica da região, a cigarra constrói pequenas torres de barro no solo durante a transição da fase ninfa para inseto adulto. Com tamanhos que variam entre 8 a 17 centímetros de altura, as estruturas envolvem a proteção e a troca gasosa dessas cigarras durante o período da metamorfose, segundo pesquisadores.
A descoberta, no entanto, nasceu também de um experimento bem inusitado: um grupo de cientistas utilizou camisinhas – os preservativos masculinos – para tentar entender a finalidade das torres. E deu certo!
O Portal Amazônia conversou com Izadora Nardi, uma das cientistas do grupo responsável pelo experimento, cujo tema virou artigo científico publicado no último dia 23 de fevereiro.
Estruturas variam de tamanho, entre três até 47 centímetros. Foto: Vanessa Gama/Musa
Izadora conta que os estudos das torres construídas pela cigarra Guyalna chlorogena começaram por meio dos seus orientadores.
“Os nossos orientadores mostraram as torres e ficamos muito animados porque não conhecíamos muito sobre elas. Pesquisamos artigos sobre as cigarras e vimos que não havia tanta coisa assim, e aí descobrimos que as ninfas da cigarra passam anos em túneis subterrâneos no solo e no último ano como ninfa constroem suas torres. As alturas das torres são bem variáveis, algumas bem pequenas e outras alcançam 40 centímetros, esse foi um dos motivos que nos fez questionar como o tamanho das torres está relacionado com o ajuste em resposta às variações no ambiente”, explica a pesquisadora.
Instigado pela curiosidade das torres, um grupo de pesquisadores do curso de Campo do Programa de Ecologia Quantitativa do Instituto Serrapilheira, do qual Izadora era integrante, partiu rumo à Amazônia para entender melhor sobre a função desenvolvida pelas cigarras. Durante a expedição, os cientistas observaram como elas construíam as torres de argila.
“A cigarra constrói a torre a partir da urina e da argila presente no solo. Vimos que elas aumentam o tamanho das torres em cerca de três centímetros durante o período noturno, mas que podem reconstruir até 7 centímetros em uma noite após danos estruturais. Durante a construção, as ninfas não saem das torres. O único momento em que a ninfa se encontra no lado exterior das torres é durante a metamorfose, que ocorre entre o crepúsculo [do anoitecer] às 2 horas, aproximadamente”, detalha Nardi.
Grupo de cientistas veio para Amazônia para estudar a finalidade das torres construídas pelo inseto. Foto: Reprodução/Instituto Serrapilheira
Experimento das camisinhas
Em meio às observações, Izadora explica que a ideia de usar camisinhas nas torres surgiu para descobrir se havia troca gasosa na estrutura.
“Descobrimos que, após chuvas na Amazônia, as cigarras abrem o topo das torres. Pensamos que, em situações de variações ambientais, as cigarras ajustam as torres em resposta às mudanças. A partir disso, surgiu a ideia de utilizar as camisinhas nas torres para vedar e impedir as trocas gasosas”, conta Izadora.
Grupo de cientistas constatou a troca gasosa das cigarras nas estruturas em observações noturnas. Foto: Reprodução/Instituto Serrapilheira
Com as torres cobertas, o grupo aponta que elas servem tanto para proteção das espécies contra possíveis predadores, quanto para a troca gasosa – para que as cigarras pudessem respirar dentro das estruturas.
“Possivelmente, as torres protegem as ninfas contra a predação durante a metamorfose e auxiliam na regulação de trocas gasosas. O único momento em que as ninfas ficam expostas no lado exterior das torres é durante a metamorfose. Utilizamos iscas de formigas e observamos que praticamente não houve predação das iscas que estavam dispostas no topo das torres. Em relação à regulação de trocas gasosas, nós observamos que as ninfas de torres maiores construíram maiores tamanhos de torres após o tratamento de vedação com camisinhas. Isso sugere que as torres maiores possibilitam a atenuação dos efeitos da vedação gasosa”, salientou a cientista.
Experimento com camisinha evidenciou que torres servem de proteção e troca gasosa para a cigarra Guyalna chlorogena. Foto: Reprodução/Instituto Serrapilheira
Cigarra Guyalna Chlorogena, a espécie que ‘constrói’ torres na Amazônia. Foto: Vanessa Gama/Musa
Novos estudos
Para Izadora, a descoberta abre a possibilidade de novos estudos sobre o comportamento de outras espécies de cigarras no mundo.
A cientista destacou, ainda, a importância da pesquisa para melhor compreensão da biodiversidade na Amazônia.
“Uma vez que algo curioso é divulgado, outros cientistas se interessam em tentar descobrir algo novo sobre isso também. Nosso estudo foi um trabalho de campo que conseguiu estas novas informações com pouco tempo para estudo. Se diferentes pesquisadores se interessarem após lerem sobre nosso trabalho, eles poderão dedicar mais tempo e investigar outras questões sobre estas cigarras. Somos um dos países com maior diversidade de insetos do mundo, muitos ainda para serem descobertos. Então, com certeza, há muito a ser feito e muitos estudos que ainda virão a respeito deles”, frisou Izadora.
A publicação do artigo científico sobre o experimento foi realizada no final de fevereiro deste ano e pode ser conferida na íntegra AQUI.
Às vesperas de seis décadas, a Zona Franca de Manaus (ZFM) é exemplo mundial de modelo econômico e preservação ambiental. Foto: Reprodução/Suframa
Considerado o maior modelo econômico sustentável do Brasil, a Zona Franca de Manaus (ZFM) completa 59 anos de história neste sábado, 28 de fevereiro. A data celebra a publicação do Decreto-Lei nº 288/1967, que instituiu a criação do parque industrial e transformou a capital amazonense num dos principais polos industriais do Brasil e exemplo mundial de preservação do meio ambiente.
Saiba o que é a ZFM, desde seu surgimento até o papel essencial que o centro industrial exerce para o desenvolvimento industrial, econômico e sustentável da Amazônia nos dias de hoje:
O que é a Zona Franca de Manaus?
Localizada em Manaus, capital do Amazonas, a Zona Franca de Manaus é um parque industrial brasileiro criado pelo governo brasileiro com intuito de viabilizar o desenvolvimento sustentável da região amazônica e a geração de benefícios socioeconômicos para toda a população brasileira.
Responsável por um dos maiores PIBs da indústria brasileira, a ZFM fabrica produtos que fazem parte do dia a dia de todos os brasileiros, tais como tablets, smartphones, videogames, televisores, notebooks, semicondutores, motocicletas, canetas esferográficas e barbeadores, entre outros, chegando a cobrir cerca de 95% do mercado nacional.
Parque industrial abriga mais de 500 empresas e gera meio milhão de empregos diretos e indiretos. Foto: Reprodução/Suframa
Como nasceu a ZFM?
Inicialmente, a criação da ZFM tinha dois objetivos: o primeiro era integrar a Amazônia com o restante do país, com intuito de reduzir as disparidades socioeconômicas em relação às outras metrópoles brasileiras. O segundo era justamente ocupar a região, considerada área estratégica do país tanto do ponto de vista geopolítico quanto ambiental, devido suas fronteiras internacionais e riquezas naturais.
Inauguração do então Distrito Industrial de Manaus, na década de 1970. Foto: Corrêa Lima. Foto: Acervo de Eduardo Braga via Instituto Durango Duarte
Na época, o cenário da região era frágil econômica e socialmente, com baixa densidade populacional e dependente de atividades extrativistas como a exploração da borracha, castanha e madeira. O processo de industrialização que avançava no país se encontrava distante da Amazônia e a ausência de infraestrutura da região dos grandes centros.
Por conta disso, o governo brasileiro, motivado pelas profundas transformações políticas, econômicas e sociais durante o regime militar instaurado no país, promulgou em 1967 o Decreto-Lei nº 288, que reformulou o modelo inicial da Zona Franca de Manaus, que já havia sido criado há 10 anos.
Começava ali, em 28 de fevereiro daquele ano, o projeto Zona Franca de Manaus concebido para promover o desenvolvimento econômico, a integração territorial e a preservação da soberania nacional da Amazônia.
Primeiras discussões
Apesar da data 28 de fevereiro marcar o aniversário da ZFM, a discussão pela sua criação iniciou em 1951, quando o então deputado federal Francisco Pereira da Silva apresentou, na Câmara dos Deputados, o projeto de lei nº 1.310 para a criação de um porto franco na capital amazonense.
Comemoração do então primeiro aniversário da Lei nº 288, que reformulou a Zona Franca de Manaus. Foto: Reprodução/O Jornal, 29 de fevereiro de 1968.
A sugestão do parlamentar se baseou nos ideais de Aureliano Tavares Bastos, advogado, político e jornalista alagoano que defendia o livre comércio e a navegação de navios comerciais pelo Rio Amazonas e seus afluentes. Em 1865, segundo publicações de jornais da época, Tavares teria visitado a então província do Amazonas e dito que “Manaus, Porto Franco, seria o empório dos países amazônicos”.
A Zona Franca de Manaus (ZFM), porém, só saiu do papel seis anos depois, mediante a Lei nº 3.173, sancionada pelo presidente Juscelino Kubitschek em 1957, com objetivo de ser um porto livre destinado ao armazenamento, beneficiamento e retirada de produtos do exterior.
A regulamentação veio em 3 de fevereiro de 1960, com o Decreto 47.757, e, sete anos depois, em 28 de fevereiro de 1967, o governo federal ampliou a legislação com o novo Decreto-Lei nº 288, reformulando o modelo criado em 1957 e estabelecendo incentivos fiscais por 30 anos para implantação de um polo de desenvolvimento na Amazônia. Junto com a data, foi criada a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), para administrar a área de atuação e prestação dos serviços referentes à ZFM.
Implementação
A ZFM passou a contar com uma área de 10 mil quilômetros quadrados, centralizada em Manaus, para se tornar um “centro industrial, comercial e agropecuário dotado de condições econômicas que permitam seu desenvolvimento, em face dos fatores locais e da grande distância a que se encontram os centros consumidores de seus produtos”.
Seu limite ficou estabelecido como “do vértice do paredão do Porto de Manaus, onde estão assinaladas as cotas das cheias máximas, pelas margens esquerdas dos rios Negros e Amazonas, até o promontório frente à Ilha das Onças; deste ponto, pelo seu paralelo, até encontrar o rio Urubu; desta intercessão, pela margem direita do mencionado rio, até a confluência do rio Urubuí; daí, em linha reta, até a nascente do rio Cuieiras; deste ponto, pela margem esquerda do citado rio, até sua confluência com o rio Negro; daí, pela margem esquerda deste rio, até o vértice do paredão do Porto de Manaus”.
Início da construção da infraestrutura do Distrito Industrial, no começo da década de 1970. Foto: Corrêa Lima. Foto: Acervo de Eduardo Braga via Instituto Durango Duarte
Em 1968, o governo federal por meio do Decreto-lei nº 356, estendeu os benefícios concedidos à Zona Franca para a Amazônia Ocidental, ampliando o raio da política de desenvolvimento da região. A partir de 1989, a Suframa passou a abrigar em sua área de jurisdição sete Áreas de Livre Comércio (ALCs), criadas com objetivo promover o desenvolvimento de municípios que são fronteiras internacionais na Amazônia e integrá-los ao restante do País.
Em 1991, o Amapá entrou no modelo Zona Franca através da Lei nº 8.387/1991, que ficou conhecida como Lei de Informática da Zona Franca de Manaus. Naquele momento o estado passou a integrar a área da Suframa com a criação da ALC de Macapá e Santana (municípios na fronteira com a Guiana Francesa). A partir daquele ano, a área de abrangência da Suframa passou a ser informada como “estados da Amazônia Ocidental e municípios de Macapá e Santana, no Amapá”.
Ainda no mesmo ano, foi criada a ALC de Guajará-Mirim, em Rondônia, e as ALCs de Pacaraima e Bonfim, em Roraima. Depois vieram as ALCs de Cruzeiro do Sul e Brasileia, com extensão para Epitaciolândia, no Acre. Em 2025, a ALC de Boa Vista passou a incluir, oficialmente, toda a superfície territorial do município de Pacaraima.
Como funciona o modelo?
O modelo de incentivos fiscais e tributários da Zona Franca de Manaus foi concebido como um instrumento estratégico para promover o desenvolvimento econômico da Amazônia, compensando as desvantagens logísticas e estruturais decorrentes de sua localização geográfica.
Esse sistema estabeleceu um regime diferenciado de tributação, com o objetivo de atrair investimentos e viabilizar a instalação de um parque industrial moderno e competitivo em uma região historicamente marcada pelo isolamento e pela baixa infraestrutura.
Entre os benefícios mais relevantes, destacam-se as isenções de impostos federais como:
Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI);
Imposto de Importação (II);
Programa de Integração Social (PIS);
Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).
No âmbito estadual, há a aplicação de mecanismos como o crédito estímulo do ICMS, que reduz a carga tributária e aumenta a competitividade das empresas instaladas na região. Tais incentivos abrangem tanto a importação de insumos, máquinas e equipamentos, quanto a produção e comercialização de bens dentro do território nacional.
O funcionamento desse modelo baseia-se na lógica de que a redução de tributos compensa os custos adicionais de produção e transporte, permitindo que a indústria local concorra em igualdade de condições com empresas situadas em regiões mais próximas dos grandes centros consumidores e fornecedores. Essa estratégia também favorece a diversificação produtiva, atraindo empresa de diferentes setores, como eletroeletrônicos, motocicletas, produtos químicos, plásticos, informática e bens de consumo duráveis.
A Zona Franca de Manaus compreende três polos econômicos:
Comercial, com ascensão até o final da década de 80, quando o Brasil adotava o regime de economia fechada;
Industrial, considerado a base de sustentação da ZFM, abrigando aproximadamente 500 indústrias de alta tecnologia que geram mais de meio milhão de empregos, diretos e indiretos, principalmente nos segmentos eletroeletrônico, bens de informática e duas rodas;
Agropecuário, que abriga projetos voltados a atividades de produção de alimentos, agroindústria, piscicultura, turismo, beneficiamento de madeira, entre outras.
Produção de motocicletas na Zona Franca de Manaus — Foto: Abraciclo
Prorrogações
Com prazo original até 1997, a Zona Franca de Manaus conseguiu sua primeira prorrogação, por mais 10 anos, em 1986. Já em 1988, reconhecida como modelo de desenvolvimento regional, a ZFM ganhou novo fôlego com uma prorrogação por mais 25 anos.
Em 5 de agosto de 2014, a Emenda Constitucional 83/2014 permitiu a prorrogação dos benefícios da Zona Franca de Manaus por mais 50 anos, até 2073. No mesmo ano, também foi aprovada a extensão do prazo dos incentivos de todas as Áreas de Livre Comércio (ALCs) da área de abrangência da Suframa até 31 de dezembro de 2050.
Em 59 anos de história, a Zona Franca de Manaus possui uma trajetória repleta de contribuições em prol do desenvolvimento sustentável da região amazônica e da geração de benefícios socioeconômicos para toda a população brasileira.
De acordo com dados da Suframa, até o momento, 516 empresas estão instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM), e responsáveis por gerar uma cadeia de 500 mil empregos diretos e indiretos em todo o país, sendo mais de 131 mil postos formais de trabalho, contribuindo decisivamente na economia do Amazonas e reduzindo a pressão sobre atividades humanas na floresta.
Bens de Informática lideram faturamento recorde da Zona Franca de Manaus. Foto: Reprodução/Acervo Suframa
Em 2025, a ZFM registrou o maior faturamento da história, com R$ 227,6 bilhões, um aumento de 11,6% em relação ao ano anterior. Os segmentos de Bens de Informática, Duas Rodas e Eletroeletrônicos concentraram a maior parte deste número recorde.
De acordo com a Suframa, mais de 170 novas empresas estão com projetos de implantação no Polo Industrial de Manaus, o que reforça a segurança jurídica proporcionada pelo modelo industrial.
Região da Floresta Amazônica. Foto: Rodolfo Pongelupe
Além da economia, a ZFM exerce um importante papel ambiental: é responsável pela preservação de 97% da cobertura florestal nativa. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, o aumento no número de empregos gerados pela Zona Franca de Manaus está relacionada à diminuição das taxas de desmatamento na Amazônia.
Investimentos
Além dos resultados, a Zona Franca de Manaus também possibilita o investimento de recursos em ciência e tecnologia, isso porque as empresas de bens de informática instaladas no Polo Industrial de Manaus têm a obrigação de investir em pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Por meio da Lei 8.387/1991, a Lei da Informática, as empresas devem reinvestir anualmente uma parte do seu faturamento bruto no mercado interno em atividades de PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação) realizadas na Amazônia Ocidental e no estado do Amapá.
Desconhecimento gera críticas
Mesmo com o leque de benefícios econômicos, ambientais e sociais gerados, a Zona Franca de Manaus ainda é alvo de críticas por parte de brasileiros ao redor do país. O custo fiscal e a particularidade dos incentivos cedidos são alguns dos questionamentos enfrentado pelo modelo econômico.
Para o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, o desconhecimento da importância da Zona Franca de Manaus é o principal fator ligado às críticas direcionadas ao modelo.
Bosco Saraiva, superintendente da Suframa. Foto: Reprodução/Suframa
“Isso acontece por profundo desconhecimento do que de fato é a ZFM. A maior parte das críticas se concentra no elevado custo fiscal da ZFM, o que eu considero um grande equivoco. A renúncia fiscal da Zona Franca não alcança nem 7% do valor total renunciado, e a maior parte deste montante está concentrado nas regiões sul e sudeste, não na região Norte. Além disso, é importante ter em mente que sem os incentivos fiscais, a grande maioria das empresas que operam aqui atualmente não estariam em outras regiões do país, mas sim em outros países”, ponderou Saraiva.
Reforma tributária
Nos últimos anos, os avanços nas discussões sobre a reforma tributária brasileira colocaram o diferencial da competitividade da Zona Franca de Manaus em xeque. No entanto, a bancada parlamentar do Amazonas no Senado, juntamente o governo estadual e entidades das classes de serviços e indústrias garantiram o entendimento que a manutenção do modelo oferece segurança jurídica para o centro industrial.
Plenário da Câmara dos Deputados — Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
O que dizem especialistas
Bosco Saraiva, superintendente da Zona Franca de Manaus:
“Costumo dizer que a Zona Franca de Manaus é o motor da economia da Amazônia. Além de produzirmos produtos de alto valor agregado de qualidade, geramos empregos, renda, oferecemos dinâmica econômica para outras atividades e, sobretudo, conhecimento”.
Serafim Corrêa, secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti):
“Antes de tudo, a Zona Franca de Manaus é um grande programa de desenvolvimento regional. Gera mais de meio milhão de empregos diretos e indiretos, uma arrecadação que financia políticas públicas no Amazonas e valoriza a floresta em pé, com 97% do território preservado. Portanto, a ZFM funciona, gera resultados e cumpre seu papel estratégico, o que precisamos é que o Brasil a reconheça como instrumento de desenvolvimento e conservação, não como problema“.
Wilker Barreto, deputado estadual e presidente da Comissão de Indústria, Comércio e Zona Franca da Assembleia Legislativa do Amazonas:
“A manutenção da ZFM para os próximos 50 anos é a certeza que nós teremos a vida preservada. Quando o Sul e o Sudeste atacam o modelo Zona Franca de Manaus, esquecem que é graças a este modelo que o ciclo das chuvas acontece. Sem a floresta em pé, o agronegócio e as chuvas do país seriam todas afetadas. E sem água, não há vida. É uma visão míope, portanto, é um modelo que não beneficia apenas 4 milhões de amazonenses, e sim todo um país”.
Uma das referências da comunicação amazonense, o radialista Valdir Correia se despediu no final de janeiro da Rádio Difusora do Amazonas, depois de uma trajetória de 50 anos. O “Garotinho”, como é carinhosamente conhecido, encerra um ciclo de meio século marcado por uma vasta contribuição que se confunde com até com a história do cenário radiofônico do estado.
Com uma carreira marcada pela credibilidade e uma relação fiel com o público ouvinte, o comunicador de 76 anos dará lugar à terceira geração Anzoategui, grupo familiar ligado à Difusora.
Diante da transição histórica que mexeu com a imprensa amazonense, a equipe do Portal Amazônia conversou com o “Garotinho” e reuniu uma lista de 10 curiosidades sobre a vida e a atuação do radialista ao longo dessas cinco décadas dedicadas ao compromisso de informar a sociedade baré:
1. Acreano de nascença, mas amazonense da gema
Apesar de ser referência na comunicação do Amazonas, Valdir Correia de Melo é natural de Sena Madureira, município do estado do Acre. O radialista veio para Manaus no ano de 1957, quando tinha sete anos de idade, junto com os pais Guiomar Correia de Melo e Gercino Gomes de Melo e os irmãos Gelsa de Melo Trovão e Israel Correia de Melo.
Mesmo com sangue acreano, Valdir se considera amazonense e carrega uma gratidão por toda carreira consolidada no estado. Prova disso é o reconhecimento da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM), que concedeu o título de cidadão amazonense ao radialista.
“Tudo que tenho em minha vida eu devo ao Amazonas. Sou um cidadão amazonense concedido pela Assembleia Legislativa do Amazonas, o qual agradeço o querido Marcos Rotta pela autoria dessa honra que é ser reconhecimento amazonense. Minha carreira, minha família, meu legado, tudo eu conquistei aqui no estado do Amazonas, o qual sou muito grato”, afirmou Correia.
2. De animador de arraial à balconista
Antes de se tornar referência na rádio amazonense, Correia utilizava a voz para serviços comunitários nos bairro Educandos e adjacências: trabalhava no “serviço de alto-falante”, uma espécie de carro de som.
“Comecei no serviço ‘A Voz Progresso’, na estrada do Paredão (atual avenida Presidente Kennedy), da família Holanda, e saio de lá para ser animador de arraial no Morro da Liberdade. Também atuei no serviço de alto-falante do Zé Milton, o rei do forró, e da Voz Constantinopla, na Leopoldo Peres, onde pude trabalhar com grandes nomes da locução como Leonardo Marinho, F. Cavalcante, Raimundo Nonato, entre outros”, explicou Garotinho.
No entanto, Valdir revelou que atuou em outras profissões antes de ingressar de fato na comunicação.
“Era vendedor de pipoca no Circo Garcia, depois fui ‘promovido’ a vender bombom nos cinemas. Fui caminhoneiro. Meu pai tinha um caminhão para carregar pedra, tijolo e areia, e eu era motorista do papai, mesmo sem ter carteira. Depois de muito tempo, fui balconista da drogaria Menescal, farmácia tradicional e muito conhecida em Manaus, trabalhava das 7h às 18h. E a noite, virava taxista até meia-noite”, contou o radialista ao Portal Amazônia.
3. Jogador de futebol
Além de craque nos microfones, Valdir também era bom de bola. Paralelo ao dom de comunicar, o radialista entregava estilo e habilidade dentro das quatro linhas: defendeu as camisas do Arsenal, time amador do Santa Luzia, e do Nacional, clube onde jogou por cinco anos.
“Teve uma vez que o time do Arsenal disputou um torneio, chegamos na final e aí o treinador Barbosa Filho convidou o time para treinar na escolinha do Nacional. No primeiro dia, treinamos 10 minutos e aí o treinador tirou seis jogadores, mandou a gente tomar banho e merendar porque quatro da tarde íamos treinar no juvenil contra os profissionais do Nacional”, contou Valdir.
Valdir Correia, o quinto agachado, da direita para a esquerda, no time da ACLEA. Foto: Reprodução/Acervo ACLEA
Bom marcador, Garotinho atuou de lateral-esquerdo pelo Leão da Vila Municipal, com um detalhe: era destro e jogou na posição por “irresponsabilidade” de um colega de time.
“Tinha um lateral chamado Roberto que vivia chegando atrasado, e aí o treinador estava se invocando com ele e disse: ‘Valdir, tu quer fazer um teste na lateral esquerda?’ Eu respondi ‘olha, eu não chuto de esquerda’, e o treinador respondeu que o Nilton Santos (lendário jogador do Botafogo e considerado o maior lateral-esquerdo de todos os tempos) era destro, olha a comparação que ele fez (risos), e que eu tinha que fazer o teste porque se desse certo, o Roberto nunca mais voltaria. Deu certo, ele mandou Roberto ir embora e fiquei como lateral esquerdo o resto da vida”, contou Correia rindo.
4. Dirigente no clube do coração
Apesar de ter defendido as cores do Nacional, Valdir sempre se declarou torcedor apaixonado do Atlético Rio Negro Clube. Prova disso foi quando o radialista conciliou os trabalhos na rádio com o cargo de dirigente do Galo, entre os anos de 1998 a 2001, quando ajudou o time a conquistar o 16º título estadual, último troféu levantado pelo clube no Amazonense.
“Mesmo com a gente com pouco dinheiro, a gente conseguiu formar um bom time e conquistar o Amazonense. Nós tínhamos o São Raimundo que era tido como o melhor da região Norte e o Nacional com muito dinheiro. Todo mundo pensava que o campeão seria um dos dois clubes, mas foi o Rio Negro, com uma folha de R$ 35 mil. Isso para mim foi uma conquista e tanto”, contou Garotinho.
Rionegrino de coração, Valdir Correia foi dirigente do clube do coração, entre os anos de 1998 a 2001. Foto: Reprodução/Rionegrino.com.br
5. Início no Rádio
Foto tirada no campo da Usina Labor, no bairro Educandos. Foto: Jornal do Commercio
A relação de Valdir com a comunicação já dava seus sinais desde a infância. Quando tinha 13 anos, o pequeno Garotinho brincava de narrar partidas no campo da Usina Labor, localizado na avenida Leopoldo Peres, bairro Educandos, onde hoje funciona uma rede de supermercado.
“Quando criança, eu gostava de pegar duas latas de leite, amarrava um cordão de uma lata para outra e ficava imitando a transmissão dos jogos. Então, desde muito cedo, eu já brincava de fazer transmissão”, relembra Garotinho.
Já como uma das vozes de destaque nos serviços de alto-falante, Garotinho participou de um concurso da Rádio Baré, considerada a grande emissora radiofônica do Amazonas. Em meio a dezenas de concorrentes, Valdir foi escolhido para integrar o quadro de profissionais do veículo.
“Eram somente duas vagas nesse concurso, eu e o Raimundo Nonato, um dos maiores narradores esportivos do Amazonas, fomos selecionados para a Rádio Baré. Foi uma experiência maravilhosa porque a Baré era uma escola da comunicação amazonense”, frisou Correia, que foi chamado para ancorar programas esportivos na emissora.
Depois da Rádio Baré, Valdir trabalhou na Rádio Tropical (hoje, Rádio Cidade) até meados de 1970, quando foi convidado para ser o locutor oficial e narrador dos jogos transmitidos pela Rádio Rio Mar. O sucesso foi tanto que seis anos depois, o empresário Josué Cláudio de Souza contratou Garotinho para fazer parte dos quadros da Rádio Difusora do Amazonas, onde permaneceu por 50 anos.
Valdir Correia, Carlos Martins e Orlando Rebelo. Foto: Reprodução/Manaus de Antigamente
6. Por que “Garotinho”?
Valdir explica porque ficou conhecido como “O garotinho”, apelido que nasceu de uma comparação feita por Josué Filho entre ele e José Carlos Araújo, um dos locutores de destaque do rádio nacional.
“Tudo começou quando o Zé Carlos Araújo começou a despontar no Rio de Janeiro. Era o terceiro da Rádio Globo, aí ele sai para ser o primeiro da Rádio Nacional, que tinha uma das maiores coberturas do Brasil. Como o grande Osmar Santos de São Paulo, o Pai da Matéria, já brincava com garotinho pra lá, garotinho pra cá, o Zé Carlos virou o Zé Carlos Araújo, o garotinho. Aí um dia o Josué Filho, no programa matinal, estava fazendo uma enquete e disse ‘é, tem o Garotinho do Rio e agora tem o Garotinho do Amazonas: Valdir Correia, o Garotinho da Difusora’. Aí pegou. Quase ninguém me chama de Valdir quando estou na rua, é só Garotinho”, explica Valdir.
7. Primeira transmissão internacional
Anúncio de transmissão de jogo narrado por Valdir Correia, o Garotinho. Foto: Reprodução/Acervo Amazon Sat
Valdir esteve presente na primeira transmissão internacional ao vivo feita por uma rádio da Amazônia. Foi em 30 de junho de 1989, no jogo entre Brasil x Venezuela, válido pelas Eliminatórias Sul-Americanas da Copa do Mundo. Com narração de Garotinho e comentários de Eduardo Monteiro de Paula, a rádio Difusora foi pioneira da Amazônia a registrar ‘in loco’ uma partida fora do país, que contou com a vitória brasileira por 3 a 0 em cima dos venezuelanos.
“Até então, nenhuma emissora da região Norte tinha transmitido um jogo oficial da Seleção Brasileira fora do país. Você transmitia partidas nacionais, mas lá fora só ia Globo, Itatiaia, Rádio Nacional, não era fácil. Com meu atrevimento, eu e alguns colegas fomos atrás para comprar os jogos das eliminatórias, que seriam dois, um na Venezuela e outro no Chile. Com Deus no coração, fomos para São Paulo, com pouco dinheiro e realizamos o grande sonho: o primeiro jogo internacional de uma emissora da região Norte ao vivo”, relembrou Correia, que narrou o seu primeiro jogo oficial do Brasil em 1976, quando a seleção canarinho enfrentou o Paraguai no Maracanã, também pelas Eliminatórias.
Valdir Correia, o Garotinho, e Eduardo Monteiro de Paulo, profissionais do jornalismo esportivo amazonense. Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat
8. Entrevistas marcantes
Ao longo dessas cinco décadas, Valdir construiu um rica trajetória de entrevistas marcantes e coberturas jornalísticas no rádio amazonense. Ao Portal Amazônia, o Garotinho destacou as principais personalidades entrevistadas por ele.
“No cenário esportivo, entrevistei grandes estrelas do futebol mundial como Zico, Pelé, João Havelange e Roberto Dinamite. Já na parte cultural, tive o privilégio de conversar por telefone Julio Iglesias, na época que o cantor espanhol fez um show histórico de Réveillon na Ponta Negra, em 1995. Estive em todas as coberturas políticas desde quando entrei no rádio, na década de 1970, entrevistei todos os políticos que ocuparam os principais cargos em Manaus”, afirmou Garotinho.
9. A notícia mais triste
O radialista classificou a notícia da morte de Raimunda Holanda de Souza, esposa do radialista Josué Cláudio de Souza, como a notícia mais triste de sua carreira.
“Sem dúvidas, a da nossa querida Rai. Lembro que eu tinha acabado de entrevistar o então prefeito de Manaus, Alfredo Nascimento, quando recebi a notícia que a dona Raimunda tinha falecido. Foi uma decisão bem difícil noticiar, por tudo que ela representava e representa até hoje tanto para a Difusora quanto para o Amazonas. Para mim, foi a notícia mais triste da minha carreira”, contou.
10. Preferências
Por fim, Valdir revelou ao Portal Amazônia um pouco sobre os seus gostos em relação à temas da nossa região. Confira:
Culinária
“A banana pacovã, bem assada com canela, para mim é a melhor, depois coloco o nosso abacaxi e a melancia”.
Comida
“Me perdoem, mas eu gosto muito de um churrasco bem feito. Depois, vem o nosso tambaqui e aquela caldeirada de tucunaré”.
Torce pra qual time brasileiro?
Depois do Rio Negro, sou botafoguense declarado.
Caprichoso ou Garantido?
Eu gosto dos dois (risos).
Artistas amazônidas
“Carrapicho, do saudoso Zezinho Corrêa, que foi sucesso mundial, depois o querido Teixeira de Manaus e o ícone Abílio Farias”.
Maiores jogadores nortistas que viu jogar
“O maior atacante histórico do Amazonas, Edson Piola, o grande goleiro Clóvis e o craque Dermilson”.
Entrevista
Em 2024, Valdir Correia concedeu uma entrevista para o jornalista Eduardo Monteiro de Paula para o programa Made in Amazônia, do Amazon Sat, onde revelou outras curiosidades de sua carreira. Confira:
Se você notar o aparecimento de alguns caroços em regiões específicas do corpo, é bom dar atenção ao alerta do seu corpo. Esses pequenos nódulos indicam alguma infecção ou inflamação, que são chamados popularmente de ínguas.
O termo popular é associado ao aumento dos linfonodos, que fazem parte do sistema imunológico e atuam na defesa do nosso organismo contra doenças ou infecções.
A série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia chega em sua nona reportagem com o apoio da médica generalista Júlia Edwirges. Nesta matéria ela ajuda a esclarecer as principais características e funções da doença e porquê ela exerce um papel vital na prevenção e qualidade de vida do corpo humano.
O que é íngua?
Também conhecida como adenopatia ou linfadenopatia, a íngua é um quadro caracterizado pelo aumento dos glânglios linfáticos, pequenas estruturas do sistema imunológico que funcionam como filtros, produzindo células de defesa para o combate de infecções e doenças no corpo humano.
As ínguas podem aparecer por diversos motivos, mas geralmente elas costumam ser reações a algum tipo de quadro infeccioso ou inflamatório presente no corpo humano. Ou seja, quando os glânglios linfáticos inflamam, é sinal de que estão atuando e o organismo está combatendo alguma doença ou infecção.
Os linfonodos geralmente aparecem em regiões como pescoço, virilha e axilas, mas também podem aparecer em qualquer outro local do corpo.
Causas
Apesar das infecções serem as causas mais comuns da íngua, outros motivos também podem provocar o aparecimento dela no corpo humano. Doenças autoimunes como lúpus, artrite reumatoide, vasculite, entre outras, também podem causar o aumento dos linfonodos.
Irritações de pele ou pequenos ferimentos que acontecem no dia a dia podem ocasionar o surgimento de ínguas em diversos locais do corpo. Inflamações nas vias aéreas ou região oral, como rinite alérgica, faringite, gengivite ou inflamação de algum dente, por exemplo, também são fatores para o inchaço do linfonodo no pescoço ou no maxilar.
Íngua atrás da orelha. Foto: site Dr. Arthur Vicentini
Resfriados, gripes, otite, sinusite ou qualquer tipo de virose como Zika ou dengue causam o surgimento de caroço no pescoço, nuca, mandíbula ou atrás da orelha.
Outros tipos de infecção como pneumonia ou bronquite, ou na região abdominal, a exemplo de gastroenterites, infecções genitais como HPV, sífilis, candidíase ou vaginose, normalmente, causam gânglios na virilha.
O câncer é uma causa mais rara dos linfonodos, que podem ter um aspecto mais endurecido, não somem após um ou dois meses e não param de crescer. Qualquer tipo de câncer pode causar ínguas, mas alguns mais característicos são o linfoma, câncer de mama e câncer de pulmão, por exemplo.
Os linfonodos também podem surgir devido a metástases de tumores, que ocorrem quando o câncer se espalha para outras regiões do corpo.
Por fim, algumas vacinas (BCG, gripe, herpes zoster ou Covid-19) podem causar surgimento de íngua na axila, como uma resposta do sistema imunológico à imunização.
Sintomas
Os principais sintomas de íngua são:
Caroço sob a pele, que pode medir cerca de 0,5 cm a 1 cm;
Caroço que se move, quando apalpado;
Aumento da sensibilidade no local;
Dor, que geralmente surge quando existe inflamação ou infecção do linfonodo;
Caroço no pescoço ou no maxilar, dor de garganta ou nariz escorrendo ou entupido, devido a infecções no sistema respiratório superior;
Caroços em várias partes do corpo, devido a infecções sistêmicas ou doenças autoimunes.
Além disso, nos casos de câncer, geralmente podem surgir várias ínguas, acompanhadas de outros sintomas como suor noturno, perda de peso, febre ou coceira na pele.
Tratamento
O tratamento da íngua é voltado principalmente à infecção causadora do quadro. Foto: Dra. Kelly Freitas
Como a íngua é causada diretamente por uma infecção, não existe uma maneira de tratá-la diretamente, apenas de tratar a infecção causadora da íngua. Desse modo, para um correto tratamento, é necessário primeiro que se investigue as possíveis causas do surgimento.
Uma vez determinadas as causas, o tratamento correto será indicado pelo médico que acompanhar o caso.
Em geral, os casos são tratados com antibióticos, anti-inflamatórios e analgésicos conforme prescrição médica.
Repouso, hidratação e remédios caseiros alternativos também podem ser indicados pelo médico especialista para ajudar na diminuição da íngua e no fortalecimento do sistema imunológico do organismo.
A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.
Você já viu um pontinho vermelho que aparece na pele e logo depois se transforma numa espécie de mapa? Literalmente, essa “característica geográfica” que coça bastante é o principal sintoma do “mijacão”. O termo popular é o que define a dermatite serpigionosa, infecção de pele causada por larvas presentes nas fezes de cães e gatos e que contaminam os humanos.
Na sétima reportagem da série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia, a equipe do Portal Amazônia conversou com a médica generalista Júlia Edwirges para entender melhor o que é esta doença conhecida como “mijacão”, um tipo de dermatite que causa muita coceira, irritação e lesões que se parecem com desenhos geográficos sob a pele.
Também conhecido de “bicho-geográfico” ou dermatite serpiginosa, o “mijacão” é o nome popular dado à larva migrans cutânea, parasita da espécie Ancylostoma que vivem no intestino de cães e gatos e penetram na pele dos seres humanos através de suas fezes.
Hospedeiros dessa larva, os animais domésticos são infectados quando ingerem o verme por meio da água ou alimentos contaminados. No intestino, o parasita se desenvolve até a fase adulta, onde eclodem os ovos e liberam as larvas através das fezes dos animais.
Já presentes no solo, as larvas se proliferam e ficam prontas para infectar humanos e outros animais.
Transmissão
A transmissão do “mijacão” acontece por meio do contato direto da pele com o solo contaminado pelas larvas. Locais quentes e úmidos como praias, parques e quintais, frequentemente utilizadas pelos cães e gatos para defecar, são ambientes favoráveis para a contaminação.
Andar descalço ou brincar com os animais nesses locais são os principais facilitadores para a contaminação do “mijacão” nos humanos. Normalmente, as crianças são as mais acometidas pela doença, pelo fato de utilizarem esses ambientes para brincarem.
Brincar na areia é propício para a contaminação do “mijacão”. Maioria das crianças adquirem este tipo de infecção. Foto: Reprodução/Pixabay
Sintomas
O primeiro sintoma do “mijacão” é o aparecimento de uma bolinha vermelha, semelhante a uma picada de inseto, provocada pela penetração do verme na pele. Em seguida, a coceira é acompanhada pela formação de linhas avermelhadas e sinuosas parecidas com uma mapa.
Isso ocorre porque a larva entra no organismo e consegue se mover na camada mais externa da pele, deixando a marca do seu trajeto em pequenas lesões, daí o nome “bicho-geográfico”.
Esses “túneis” podem avançar de dois a cinco centímetros por dia e coçam bastante, além da formação de bolhas. A sensação de movimento debaixo da pele e a irritação da coceira podem desencadear inflamação e até ferimentos.
Ao adentrar na pele, a larva causadora do “mijacão” se movimenta na pele, marcando seu trajeto numa espécie de mapa. Foto: Reprodução/Medicina Ribeirão Preto
Os sintomas aparecem minutos ou até semanas após o contato inicial com a larva, já que ela pode permanecer dormente por algum tempo até começar a se movimentar e liberar a secreção que causa a irritação na pele. Mãos, pés, joelhos e nádegas são os locais que normalmente aparecem os sintomas do “mijacão”, já que entram mais facilmente em contato com o chão contaminado e, consequentemente, com a larva infectante.
Diagnóstico
Linhas avermelhadas e sinuosas são características marcantes do “mijacão”. Foto: Reprodução/site Toda Matéria
O diagnóstico do “mijacão” é, na maioria das vezes, clínico. O dermatologista pode identificar a condição pela aparência das lesões e pela história do paciente, como a exposição a ambientes onde a infecção é comum, como praias ou áreas com solo contaminado.
Em casos mais complexos, exames laboratoriais podem ser realizados para confirmar a presença das larvas ou para descartar outras condições com sintomas semelhantes.
Tratamento
O tratamento do “mijacão” é relativamente simples e envolve medidas como o uso de medicamentos antiparasitários, pomadas ou cremes corticóides e a aplicação de compressa de gelo no local. Os remédios devem ser prescritos pelo médico especialista para aliviar os sintomas e evitar complicações.
No entanto, em grande parte dos casos, os sintomas do “mijacão” desaparecem entre cinco a seis semanas após a morte das larvas no organismo. Em caso de tratamento, eles tendem a sumir entre dois ou três dias.
Prevenção
A adoção de algumas medidas ajuda a prevenir a infecção do “mijacão”, principalmente em áreas onde o risco de contágio é maior. São elas:
Evitar andar descalço, principalmente em praias e áreas externas onde animais costumar estar presentes;
Manter o bom higiene de animais, deixando a vermifugação de cães e gatos em dia e a limpeza dos seus ambientes
Tomar um bom banho, especialmente depois de visitar locais suscetíveis à contaminação do “mijacão”;
Usar toalhas ou panos, quando for deitar ou sentar em locais onde cães e gatos estão presentes.
Andar calçado é uma das prevenções para evitar a infecção do “mijacão”. Imagem de Juanita Mulder por Pixabay
A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.
Crenças antigas associam o som das cigarras como um aviso da chegada das chuvas. Foto: Celso Silvério/Acervo Pessoal
Não é de agora que crenças populares associam o canto das cigarras com a chegada das chuvas. Reza a lenda o som emitido pelos insetos servia como uma espécie de “aviso de toró” aos povos antigos. Mas será que realmente existe essa ligação do comportamento desses insetos com a condição climática?
A equipe do Portal Amazônia conversou com biólogo Riuler Corrêa Acosta, mestre em Ciências com ênfase em Entomologia e especialista em bioacústica, comportamento e taxonomia de grilos e cigarras, para saber se isso é possível.
De acordo com Riuler, o canto das cigarras tem uma certa ligação com este fenômeno meteorológico, mas voltada para o período reprodutivo dos insetos.
Insetos possuem uma fisiologia que se regula conforme a temperatura ambiente. Foto: Divulgação/Universidade Estadual de Goiás
“A associação da chegada das chuvas e o som dessas espécies está ligada às temperaturas mais altas, totalmente necessárias para que esses insetos iniciem seu período reprodutivo. Ocorre que cigarras comuns, que geralmente emitiam sinais de dezembro até março, agora estão emitindo os sons de outubro e novembro até abril e maio, por conta do aumento da temperatura”, explicou o biólogo.
No entanto, o especialista conta que o período chuvoso contribui na transição dos insetos para a fase adulta.
“Como elas vivem enterradas próximas às raízes das plantas, a chegada das chuvas tornaria o solo menos firme, facilitando a formação de galerias para a saída das cigarras do solo, para que estes animais cheguem na fase adulta”, frisa Acosta.
Segundo o cientista, a fisiologia desses animais também está relacionada às condições abióticas como temperatura e umidade.
“As cigarras, assim como outros insetos, são fisiologicamente chamados de termoconformadores, isto é, seu metabolismo segue as condições externas. O metabolismo fica mais alto em temperaturas mais altas, enquanto que o metabolismo fica baixo em temperaturas mais baixas, portanto, estes insetos não regulam seus sistemas internamente”, pontua o biólogo, que completa:
“Pensando nisso e nas alterações climáticas, provavelmente em breve haverão estudos que relacionam a mudança dos sinais dessas espécies, mas até o momento, não existem estudos que falem sobre a relação entre o som e o clima, apenas sobre elas estarem iniciando o seu período reprodutivo mais cedo”.
Existem algumas doenças que, além da preocupação, causam um certo constrangimento em função da construção social em torno da por sua localização no corpo. A coceira no ânus, por exemplo, pode ser causada por vários motivos: má higiene no local, hemorroidas, fissuras, mas um deles é conhecido por um termo bem popular: tuxina.
Mas… o que é a tuxina? Quais são seus sintomas? Porque recebe esse nome?
Na quinta reportagem da série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia, a equipe do Portal Amazônia conversou com a médica generalista Júlia Edwirges, que explica sobre a ‘oxiurose’, infecção parasitária comum no Brasil, cujo principal sintoma é a coceira intensa na região perianal.
O que é tuxina?
Também chamada de enterobiose, a oxiurose é uma infecção comum causada pelos oxiúros (Enterobius vermicularis), que são pequenos vermes de forma cilíndrica e cor branca, que medem cerca de 1 centímetro.
Parasita Enterobius vermicularis é o causador da oxiuríase ou enterobíase, popularmente conhecida como “tuxina”. Foto: Reprodução/Site MD Saúde
Os oxiúros vivem no intestino dos humanos, seus únicos hospedeiros naturais, e ficam instalados na região do ceco (início do intestino grosso) e do apêndice. Após o acasalamento, o macho morre e sai do corpo através das fezes, enquanto que as fêmeas grávidas permanecem no ceco.
À noite, as fêmeas migram para o ânus onde depositam seus ovos. Esse é o motivo daquela coceira intensa conhecida como “tuxina”, pois é no período noturno que acontece a eclosão dos ovos. Uma larva pode depositar até 10 mil ovos na região perianal. Depois dessa fase, as fêmeas tentam retornar para dentro do ânus, algumas conseguem, outras acabam sendo eliminadas nas fezes.
Ciclo ilustrativo da reprodução evolutiva da “tuxina”. Imagem: Reprodução/Guia de Parasitologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)
Transmissão
A tuxina pode ser transmitida de três formas: direta, indireta e através da retroinfestação. A primeira é a via fecal-oral, em que o indivíduo, após coçar a área, não lava as mãos adequadamente e acaba comendo alimentos contaminados e ingerindo, praticamente “levando o parasita do ânus pra boca”. Geralmente, esse contágio é comum em crianças.
Já na forma indireta, a contaminação ocorre através dos ovos encontrados nos alimentos, roupas e até locais como assentos de privadas, brinquedos e demais objetos. Isso porque os óvulos conseguem sobreviver nesses locais por até três semanas, em temperaturas ambiente.
A retroinfestação é quando as larvas eclodem no ânus e conseguem “voltar” ao ceco, onde se tornam indivíduos adultos e acasalam novamente.
A “tuxina” geralmente acomete mais crianças. Foto: UFMG
Apesar de algumas pessoas serem assintomáticas, o principal sintoma da tuxina é coceira anal, principalmente à noite. A presença de sangue no papel higiênico, dor e dificuldade para defecar e a presença de pequenos pontos brancos nas fezes também são indícios da enterobiose.
Em alguns casos, sinais como dores abdominais, insônia e diarreia também podem estar ligados aos sintomas da tuxina. No caso de meninas, podem ocorrer infecções genitais como vulvovaginite e corrimento vaginal e, em raras situações, o quadro de apendicite aguda em alguns pacientes.
Diagnóstico
A tuxina pode ser diagnosticada de forma clínica, através da realização do teste de Graham, que consiste numa fita adesiva aplicada na região perianal para depois ser examinada no microscópio. O exame pode revelar óvulos ou vermes da oxiurose. Geralmente, o exame é feito no início da manhã e, se der negativo por cinco manhãs consecutivas, o diagnóstico está descartado.
O médico também poderá indicar a realização de um exame parasitológico de fezes que, ainda que não defina o diagnóstico da oxiurose, pode apontar outras patologias como fissura anal, hemorroida, dermatite atópica, vaginose, entre outros problemas que colaborem para a ocorrência da doença.
O teste de Graham é um exame parasitológico usado para detectar ovos de parasitas como o Enterobius vermicularis, causador da tuxina. Foto: Reprodução/Durviz Ciência
Tratamento
O tratamento mais adequado para cada fase da tuxina deve ser orientado por um médico, que prescreve medicamentos vermífugos, pomadas anti-helmínicas ou outras indicações.
Seja qual for o medicamento utilizado, é recomendado que seja feito o exame novamente, para verificar se ainda há sinais de infecção e, em caso positivo, realizar novamente o tratamento.
Prevenção
Ao Portal Amazônia, a médica generalista Júlia Edwirges reforça que boas práticas de higiene são essenciais para a prevenção da tuxina, assim como de outras doenças.
“A prevenção é baseada em higiene: lavar sempre as mãos antes de comer e após ir ao banheiro, manter as unhas curtas, evitar roer unhas, trocar e lavar lençóis e roupas íntimas com frequência, e reforçar o hábito do banho diário. Com esses cuidados, o ciclo do verme é interrompido e a transmissão diminui consideravelmente”, assegura.
A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.
– Nossa, estou me coçando todo. – Vixi, deve tá bem com curuba...
Quem é da região amazônica certamente, em algum momento, já se deparou com algo parecido com esse diálogo quando o assunto envolve uma coceira constante na pele, seguida de algumas pequenas bolhas avermelhadas e muita irritação.
É a chamada curuba, termo popular associado à escabiose, doença de pele comum no Brasil e que acomete pessoas de todas as faixas etárias e classe sociais.
Mas, o que é curuba? Como se pega essa doença? Quais os sintomas? Porque esse nome? Na quarta reportagem da série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia, a equipe do Portal Amazônia conversou com a médica generalista Júlia Edwirges, em busca da explicação sobre essa dermatose infecciosa altamente contagiosa entre humanos.
Representação do ácaro Sarcoptes scabiei, causador da curuba. Foto: Reprodução/Sociedade Brasileira de Dermatologia
Popularmente conhecido como curuba, sarna ou pira, a escabiose é uma doença infecciosa causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei.
Dependentes da queratina, tais parasitas se instalam na camada superficial da pele para se alimentarem e também reproduzirem.
Durante o acasalamento, a fêmea penetra na parte superior da epiderme e sua movimentação forma pequenos túneis (tocas), que são micro lesões semelhantes a fios na camada superficial, causando a coceira, a principal sintoma da escabiose, também chamada de pereba, apesar desse termo ser mais usado para ferimentos.
Transmissão
A médica generalista Júlia Magalhães, explica que o contágio da curuba se dá somente entre humanos, através do contato direto com a pessoa contaminada no uso compartilhado de objetos.
“A escabiose, ou curuba, é transmitida principalmente pelo contato direto e prolongado de pele com pele com uma pessoa infectada, podendo também ocorrer pelo compartilhamento de roupas, toalhas ou roupas de cama contaminadas. Animais domésticos como cães e gatos não transmitem curuba para os humanos”, explica médica.
A sarna não se transmite apenas no simples toque, é necessário ter um contato prolongado para que ocorra a contaminação. Na primeira vez que a pessoa é infestada, o sistema imunitário demora até quatro semanas para gerar sintomas. Neste período, é possível contagiar outras pessoas.
No entanto, em caso de reinfestação, a coceira aparece de três a quatro dias depois, devido já ter ocorrido o contato anterior com o ácaro.
Sintomas
Escabiose entre os dedos. Foto: Reprodução/Site Dra. Keilla Freitas
A coceira é o principal sintoma da curuba, que costuma ficar intensa durante a noite, que é o período em que o parasita costuma depositar seus ovos e se movimentar na pele humana. Além disso, a presença de pequenas bolhas, chamadas de pápulas, também podem surgir na pele, provocadas pelo ato constante de coçar.
Foto de uma curuba que virou infecção, devido à intensa coceira. Foto: Reprodução/Site Dra. Keilla Freitas
O aparecimento da doença geralmente ocorre nos locais mais quentes do corpo: as dobras (entre os dedos, axilas, dobras dos braços), atrás dos joelhos, orelhas, cintura (em volta do umbigo principalmente), nádegas, genitais, pescoço, pés e embaixo das mamas (também ao redor dos mamilos). Nas crianças, é comum aparecer lesões nos tornozelos e, em raros casos, no couro cabeludo.
O ato de coçar pode levar bactérias para as lesões, resultando em infecção, o que piora o quadro em alguns casos.
Diagnóstico e tratamento
Geralmente, o diagnóstico da escabiose acontece de maneira clínica, ou seja, feito por meio do atendimento presencial do médico com paciente, através da observação visual das lesões características da doença e o histórico de saúde da pessoa.
Em alguns casos, a avaliação das lesões pode ser feita por meio da dermatoscopia, exame que permite observar a estrutura interna da pele. Outra forma também consiste no exame parasitório, no qual o médico pode solicitar a raspagem da lesão, um tipo de biópsia, para identificar o ácaro causador da curuba.
O tratamento da escabiose é realizado através de medicamentos tópicos, aplicados na pele, ou orais, de acordo com as condições do paciente e a extensão da curuba. Comumente, entre as indicações, o médico pode recomendar uso de inseticidas, antiparasitários ou escabicidas.
Vale lembrar que, mesmo quando a pessoa com escabiose não apresenta sintomas, a doença pode ser transmitida para outras pessoas, por isso, é importante que todas as pessoas que estiveram em contato direto com alguém diagnosticado também façam o tratamento, inclusive parceiros sexuais.
Prevenção
É importante ficar atento ao uso de objetos compartilhados, como toalhas, roupas e lençóis de pessoas com higiene precária ou que estão sabidamente infectadas. Também é fundamental que, em ambientes coletivos como creches, escolas e asilos, todos tenham conhecimento e sejam avisados caso exista algum caso. Assim, podem estar atentos aos sintomas ou serem atendidos por um médico e tratados, se necessário.
“Para prevenir, é importante evitar contato próximo com quem apresenta coceira intensa e lesões suspeitas, não compartilhar itens pessoais, lavar roupas e lençóis em água quente, secar bem ao sol ou em alta temperatura e, quando houver um caso na casa, tratar todas as pessoas do convívio ao mesmo tempo para evitar reinfecção”, recomenda a profissional
Objetos como toalhas de banho não devem ser compartilhadas, pois são ambientes propícios para a contaminação da curuba. Foto: Pixabay
A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.
Com a garra e determinação da mulher amazônida, a artista até que tentou, mas depois de enfrentar 96 horas de confinamento no Quarto Branco e três dias na Casa de Vidro, ela optou por aceitar um prêmio alternativo, de R$ 50 mil, e desistiu de entrar na casa mais vigiada do Brasil.
Uma semana depois de apertar o botão, a Rainha do Folclore conversou com o Portal Amazônia sobre a experiência vivida durante as dinâmicas do reality e revelou alguns detalhes curiosos.
Confira a entrevista exclusiva com Lívia Christina:
Portal Amazônia: Foram três dias na Casa de Vidro e depois mais quatro no Quarto Branco. O que te fez apertar o botão de desistência?
Lívia Christina: Acredito que foi a empatia. Foi pelo emocional. Ali no Quarto Branco tinha uma história mais linda que a outra, são pessoas maravilhosas, pensei nas meninas. Já estava no meu limite e de qualquer forma, eu ia continuar o meu trabalho de volta, ser item de Parintins, trabalhar com publicidade e poder dá uma vida financeira estável pra minha família. Então, eu entendi que naquele momento a proposta ia abrir as portas para mim e hoje eu estou feliz pela decisão, vou poder ajudar na casa da minha mãe, pagar as contas e limpar meu nome sujo (risos).
Foto: Heloíse Bastos/Portal Amazônia
Portal Amazônia: Durante o período de confinamento do Quarto Branco, o que te ajudou a se manter lá dentro?
Lívia Christina: Me apeguei na fé e no meu silêncio, porque eram muitos pensamentos aleatórios. Pensava na minha mãe, nela rezando para que eu não sentisse fome nem sede, então ficava muito quieta, no meu silêncio, pensando nas estratégias para seguir firme dentro do Quarto Branco.
Portal Amazônia: E como foi a experiência no quarto? Perguntaram muito sobre a Amazônia?
Lívia Christina: Por conta da minha característica indígena, eles perguntaram de qual região eu era e falei que sou do Amazonas, de Parintins. Conversamos sobre a nossa cultura, nossa gastronomia, falei sobre o nosso tambaqui, o tucumã, x-caboquinho, expliquei tudo para eles, inclusive do nosso festival, que é o maior evento folclórico do Brasil.
Portal Amazônia: Teve um infeliz caso de xenofobia envolvendo o termo “índio”, quando um participante se referiu às pessoas que moram na região Norte. Muitas vezes você já se viu nessa situação, com a necessidade de corrigir o tempo e explicar?
Lívia Christina: O Norte, por ser distante das outras regiões do Brasil, muita gente não entende que esse termo é pejorativo, quem colocou isso foram os primeiros colonizadores ao se referirem à Índia (à época os colonizadores confundiram, acreditando que tinham chegado no outro país). Expliquei sobre isso, que agora o termo indígena conta mais sobre a nossa história, nossa essência e identidade.
Portal Amazônia: Se você entrasse no BBB, o que não iria faltar na sua mala? O que levaria da nossa culinária?
Lívia Christina: Com certeza, não iria faltar roupa vermelha, meus acessórios, o meu amuleto, farinha. Eu amo tucumã, ia levar uma saca de tucumã (risos).
Portal Amazônia: E qual remédio amazônico você não deixaria de levar para o BBB?
Portal Amazônia: Qual seria o tema da festa da líder Lívia Christina na casa?
Lívia Christina: Festival Folclórico de Parintins, sem dúvida, para falar da nossa cultura. Ia tocar muita toada de boi-bumbá, do Garantido, do Caprichoso, muito tic-tic-tac, para gente curtir bastante e poder contar um pouco sobre nossa história de Parintins.
Portal Amazônia: Quem do Quarto Branco você levaria para o seu quarto do líder?
Lívia Christina: Eu levaria as meninas, o Boneco (Leandro) também levaria, talvez não o Matheus porque ele poderia me decepcionar no decorrer do jogo, assim como aconteceu lá no quarto branco quando ele me colocou como líder ali do grupo. Então, o único que eu não levaria seria ele.
Portal Amazônia: Existe muita comparação entre você e as outras itens do festival ligadas ao BBB (Isabelle Nogueira e, agora, a Marciele Albuquerque). Como você recebe isso?
Lívia Christina: Eu acho que é preciso ter respeito com as identidades de cada uma. A gente carrega a mesma cultura, a mesma história, o mesmo povo, mas com personalidades diferentes. É preciso que respeitem a história de cada uma de nós, como nos vestimos, o que usamos. Isso é triste e penso que é preciso entender e respeitar cada uma com sua personalidade.
Portal Amazônia: E falando em Marciele, qual o recado que você deixa para ela?
Lívia Christina: Minha mana, você está brilhando, está representando muito bem a nossa história e cultura, que Deus te abençoe muito aí, pode ter certeza que tanto Garantido quanto Caprichoso vão se unir para que a gente eleve o nosso festival. Tenha uma história muito linda e segure firme aí que aqui fora estamos fazendo nosso papel.
“Barriga d’água” é o termo popular da ascite, condição que indica estágio avançado de doenças. Foto: site Cuidados pela vida
Você sabia que a expressão “barriga d’água”, termo popularmente associado à doença da Esquistossomose, na verdade é um sintoma grave que envolve essa e outras patologias? Mas porque recebe esse nome? Tem mesmo como a barriga ficar cheia de água?
Na terceira reportagem da série Nomes populares de doenças que ocorrem na Amazônia, a equipe do Portal Amazônia conversou com a médica generalista Júlia Edwirges, que explica sobre a ascite, condição médica caracterizada pelo acúmulo anormal de líquido no abdômen e que indica estágio avançado de algumas doenças.
Conhecida popularmente como barriga d’água, a ascite é o acúmulo de líquido livre dentro da cavidade abdominal, resultando no inchaço da região.
Apesar do nome popular, o líquido não é propriamente água, e sim um fluido cuja composição pode ser diversa: proteínas, bile, suco pancreático, entre outras substâncias.
Popularmente, a doença é associada à Esquistossomose, uma infecção parasitária provocada por vermes do gênero Schistosoma e transmitida pelo contato da pele com rios, lagos e água contaminados. Mas assim como as outras doenças, a ascite é um sintoma que indica o estágio avançado da patologia.
Causas
A “barriga d’água” é um sintoma relacionado à várias doenças do sistema humano e um indicador grave daquela enfermidade. Insuficiências renal, cardíaca e hepática, pancreatite, alguns tipos de câncer e infecções como tuberculose e esquistossomose são algumas das doenças que podem causar ascite, no entanto, a causa mais comum é a cirrose hepática, uma doença crônica do fígado.
Fatores como células cancerígenas espalhadas no revestimento do abdômen (peritônio), bloqueio do sistema linfático, aumento de pressão nos vasos sanguíneos e doenças inflamatórias que afetam a cavidade abdominal são os principais causadores da ascite.
O inchaço e o crescimento injustificado da barriga é o principal sintoma da “barriga d’água”, porém, o acúmulo anormal do líquido é precedido de outros sinais como desconforto abdominal, dificuldade respiratória, náuseas e vômitos, falta de apetite e sensação de plenitude após consumo de pequenas quantidades de comida.
Conhecida como “Barriga d’água”, a ascite é uma condição médica causada pelo acúmulo de líquido. Foto: Reprodução/Cuidados pela vida
Por conta disso, a ascite é considerada um indício de algo grave, uma vez que seu principal sintoma só se desenvolve após dias ou semanas, dependendo da doença e a evolução do quadro do paciente.
Inchaço nas pernas, aumento no tamanho das mamas, diarreia, peles e olhos amarelados também são outros sintomas que podem surgir antes da “barriga d’água”.
Diagnóstico
A identificação da “barriga d´água” consiste em diversas avaliações clínicas, dependendo da causa. Inicialmente, os médicos observam, claro, o aumento anormal do abdômen e realizam um teste físico, que consiste em leves batidas para detectar a presença de líquido acumulado.
Para confirmação de ascite, o paciente é encaminhado para exames de sangue e de imagem. Ultrassonografia, tomografia e ressonância magnética são alguns dos métodos usados para o diagnóstico de “barriga d’água”, sempre realizados com acompanhamento médico.
Tratamento
O tratamento da “barriga d’água” consiste, primeiramente, na redução do líquido ascítico na cavidade abdominal, através de medicamentos conforme prescrição médica, além de outras medidas como até mesmo a restrição do sal na dieta (contribui para a diminuir a retenção de líquidos) e a proibição no consumo de bebidas alcóolicas.
A parancetese, que é a punção para a retirada dos líquidos, só é indicada quando as outras formas de tratamento não surtirem efeitos ou forem insuficientes.
Mas o principal tratamento da “barriga d’água” é na doença causadora da condição médica. A remoção do líquido é uma fase paliativa, ou seja, visa primeiramente diminuir ou aliviar os sintomas relacionados à ascite.
Prevenção
Por ser um sintoma grave de várias doenças, não existe uma fórmula certa para prevenir o aparecimento da ascite, já que ela é uma consequência de alguma patologia recorrente no corpo humano.
Portanto, é importante adotar medidas para evitar o avanço das doenças associadas à “barriga d’água”, prevenindo a evolução a ascite e outras complicações.
A equipe do Portal Amazônia reitera que qualquer suspeita relacionada à doenças em geral deve ser tratada somente sob a supervisão de um médico devidamente certificado.