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Terça, 06 Dezembro 2022

Pesquisadores medem impactos das mudanças climáticas em espécie de macaco

Pesquisadores medem impactos das mudanças climáticas em espécie de macaco

Pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e de outras universidades utilizaram técnicas de modelagem de nicho ecológico para identificar como as mudanças climáticas podem afetar a adequabilidade ambiental nos próximos 50 anos de uma espécie de macaco encontrado na região sudoeste da Amazônia brasileira, o Mico nigriceps, também conhecido pelo nome popular de sagui-de-cabeça-preta.

O doutorando da Unemat no Programa em Rede em Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal, Almério Câmara Gusmão, é o autor principal do artigo que trata dessa pesquisa e que foi publicado em setembro pela renomada revista internacional Plos One. Ele explica que os pesquisadores aplicaram essa metodologia da modelagem e com isso estimam que a espécie em questão vai perder muito das condições adequadas do habitat e que dessa forma estará seriamente ameaçada.

Almério lembra que essa espécie de primata é pouco conhecida da ciência, uma vez que até o momento haviam registros na literatura de somente cinco indivíduos. Com isso os dados sobre a biologia, distribuição geográfica e ecologia geral dessa espécie ainda precisam ser melhor estudados. A partir desse levantamento foi possível disponibilizar 121 registros de novos indivíduos em 14 locais diferentes, além dos cinco registrados na literatura. 

As principais características físicas dessa espécie são que o padrão geral é branco-acinzentado na porção superior do corpo, com as extremidades pretas, enquanto que o braço, o manto e o ventre são castanho-claros e laranja, o dorso é castanho e os membros posteriores laranja-acastanhado e a cauda é completamente preta. 

Sagui-de-cabeça-preta no seu habitat natural. Foto: Almério Câmara Gusmão/Arquivo pessoal

"Nossa pesquisa utilizou como método a modelagem de nicho ecológico, para melhor entender como a adequação ambiental pode limitar a área ocupada pela espécie. Em seguida, projetamos uma distribuição para 2070 com os cenários SSP2-4.5 (mais otimista) e SSP5-8.5 (mais pessimista). Nossos dados confirmaram a distribuição geográfica da espécie como restrita às cabeceiras do rio Ji-Paraná / Machado, mas com extensão de 400 km ao sul. De acordo com os cenários de mudança climática modelados, a área adequada para a espécie diminui em 21% sob o mais otimista, e em 27% no pessimista, cenário ao longo do período projetado de 50 anos. Embora tenhamos ampliado a área de ocorrência conhecida desta espécie, ressaltamos que as mudanças climáticas ameaçam fortemente a estabilidade dessa população recém-descoberta, e que esse perigo é intensificado pelo desmatamento, incêndios florestais e caça", alerta Almério Gusmão.

O mais alarmante do estudo publicado na revista internacional é que, no caso do estudo para essa espécie de sagui, é que a área de estudo sofreu severa destruição e as projeções para os próximo 50 anos não são animadoras. De acordo com os pesquisadores nesse cenário, além da espécie investigada, toda a biodiversidade pode ser afetada.

Projeções 

Os pesquisadores recomendam intensificar a restauração florestal nas áreas que atualmente são pastagens além de proteger as área que formam o habitar atual e futuro desta espécie. 

Os dados do estudo mostraram que nos dias atuais a mudança climática nessa região já tem afetado a distribuição de mamíferos de baixa mobilidade que essa tendência mostra que nos próximos anos, 25% das espécies de mamíferos tendem a perder 40% do seu território atual.

Além de Almério, João Carlos Pires e Odair Diogo, que são estudantes de doutorando da Unemat, o estudos contou com a participação como autor da pesquisadora Joine Cariele Evangelista Vale da Universidade de Brasília e Adrian A. Banett da Universidade Federal de Pernambuco.

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