Foto: Reprodução/Aliança Bike
Nas capitais da Amazônia Legal, a infraestrutura cicloviária, estruturas criadas para garantir mais segurança e conforto de ciclistas e de quem utiliza outros meios de mobilidade individual em vias urbanas, avança de forma lenta.
De acordo com dados da Associação Brasileiras do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), levantados a partir da extração e análise de dados geoespaciais atualizados do Open Street Map, entre julho de 2024 e julho de 2025, a presença de ciclovias e ciclofaixas na região ainda é pequena em comparação com outras capitais brasileiras.
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Segundo o levantamento, somando 150,58 quilômetros de vias destinadas aos ciclistas, Belém (PA) é a única cidade da região que aparece entre as dez melhores do país em extensão de ciclovias e ciclofaixas. O número coloca a capital paraense na 8ª posição do ranking nacional e como a mais bem colocada entre as capitais amazônicas.
Além dos quilômetros totais, a capital paraense também está entre as cidades com melhor proporção de ciclovias em relação à malha viária, com 4,89% de ruas com estrutura cicloviária acima da média nacional.
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Com cerca de 93 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas, a cidade de Palmas (TO) é outro destaque em relação à malha viária, possuindo um dos maiores índices por habitante do país: 30,72 quilômetros para cada 100 mil moradores.
Na sequência, aparecem Rio Branco (AC), com 74,5 km; Cuiabá (MT), com 69,40 km; e Boa Vista (RR), com 47,55 km, que apesar dos números, ainda se encontram abaixo da média nacional, de 158 quilômetros de malha cicloviária por capital.
Embora não estejam entre as primeiras posições do ranking nacional, essas cidades superam outras capitais amazônicas e apresentam redes mais consolidadas.
Piores índices
As cidades de Macapá (AP), Manaus (AM) e Porto Velho (RO) possuem os menores índices:
- Manaus soma 28,1 quilômetros;
- Macapá soma 18 km;
- e Porto Velho 22,37 km.
Além disso, Manaus e Porto Velho têm menos de 0,5% das ruas com infraestrutura voltada para bicicletas, um dos menores percentuais entre todas as capitais brasileiras.
Crescimento lento
De acordo com o estudo da Aliança Bike, houve aumento de cerca de 5% na extensão das ciclovias nas capitais brasileiras em um ano, mas o ritmo de expansão ainda é insuficiente para provocar mudanças significativas na mobilidade urbana.
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Atualmente, as ciclovias representam apenas 2,77% de toda a malha viária das capitais, o que evidencia o desafio de ampliar o uso da bicicleta como meio de transporte.
Desafio para a mobilidade
Os dados mostram que, embora haja avanços pontuais, as capitais amazônicas ainda precisam investir na ampliação e integração das redes cicloviárias.
A expansão desse tipo de infraestrutura é estratégica para melhorar a mobilidade urbana, reduzir a emissão de poluentes e garantir mais segurança para ciclistas.
Diferenças entre ciclovias e ciclofaixas
A sinalização cicloviária tem a função de organizar a circulação, dar prioridade aos ciclistas e prever espaços como rotas específicas e locais de estacionamento.
De acordo com o Anexo I do Código de Trânsito Brasileiro, no Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito, a ciclovia é uma pista exclusiva para bicicletas e outros ciclos, totalmente separada do tráfego de veículos por elementos físicos, como canteiros, blocos de concreto, grades ou até diferença de nível em relação à pista.
Já a ciclofaixa é uma faixa destinada ao uso exclusivo de ciclistas dentro da própria pista, sendo delimitada apenas por pintura no asfalto e por dispositivos de sinalização, como tachões, balizadores e placas.

Em ambas as estruturas podem circular bicicletas, bicicletas elétricas, ciclos e equipamentos de mobilidade individual.
A principal diferença entre elas está no nível de separação em relação aos carros e motos, já que enquanto a ciclovia oferece isolamento físico e maior proteção, a ciclofaixa compartilha o espaço da via, contando com a sinalização para garantir a prioridade dos ciclistas.
