Multifunções? Potencial do caroço de açaí é estudado no Amapá: do asfalto a produção de energia

Foto: Luciana Pombo

O mundo já conhece as potencialidades alimentícias do açaí, mas cientistas estão empenhados em conhecer novas aplicações para esse fruto que é uma das maiores riquezas da Amazônia. E uma das linhas de pesquisa, desenvolvidas por pesquisadores da Universidade do Estado Amapá (Ueap) em parceria com outras instituições de ensino, identificaram diversas possíveis utilidades do produto, como a geração de energia e a produção de ligas asfálticas e biofertilizantes.

Isso é possível através de um processo chamado pirólise, que carboniza os caroços do açaí e os transforma em carvão ativado. A partir desse material uma série de outros produtos podem ser gerados, entre eles um bio-óleo, que segundo o professor do colegiado de Engenharia Química da Ueap, Menyklen Penafort, se assemelha muito ao petróleo.

“Nós fizemos análises em laboratório e descobrimos que esse óleo tem propriedades químicas muito parecidas com o petróleo, o que pode permitir a produção de subprodutos que esse material também gera, como biogasolina, querosene verde, diesel verde, bioligante asfáltico, biofertilizantes e bioinseticida”, relatou o professor.

Leia também: Bio-óleo produzido a partir do caroço de açaí no Amapá pode ser alternativa ao gás e petróleo

A pesquisa faz parte de um projeto mais amplo coordenado pelo professor Nélio Machado, da Universidade Federal do Pará (Ufpa), intitulado ‘Gasolina Verde’ que, além do açaí, também utiliza caroços de tucumã na produção de combustíveis.

O objetivo do grupo é apresentar os resultados na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30) marcada para novembro deste ano, em Belém, no Pará. 

Energia Verde

O grande diferencial do projeto é que a produção do insumo é sustentável, já que todo gás carbônico produzido é absorvido pelo processo de fotossíntese dos açaizeiros que eventualmente serão plantados para alimentar o ciclo.

Além disso, o processo aproveita um resíduo que seria descartado no meio-ambiente e que representa 80% do fruto – apenas o restante é aproveitado para o consumo.

Núcleo de Energia e Biorrefinaria Sustentável da Amazônia

Para desenvolver projetos como o do bio-óleo de caroço de açaí, a Ueap está estruturando o Núcleo de Energia e Biorrefinaria Sustentável da Amazônia (NEBSA), que terá suas ações focadas pesquisa, consultoria e inovação em tecnologias limpas, com foco em energias renováveis, biocombustíveis e valorização de resíduos da Amazônia.

Outro projeto que também envolve o caroço do fruto regional é o Açaí Biogás Prime, que utiliza uma miniusina experimental, demonstrando na prática como o caroço de açaí pode ser convertido em biogás, produto que pode ser utilizado para geração de energia elétrica e produção de biofertilizantes.

*Com informações da UEAP

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