‘Quebra-pedra’: planta encontrada na Amazônia pode integrar lista de fitoterápicos do SUS

O remédio com a quebra-pedra está sendo desenvolvido por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Planta ‘quebra-pedra’ (Phyllanthus niruri). Foto: Reprodução/Horto Didático de Plantas Medicinais do HU-CCS (UFSC)

Dos quintais à medicina. Conhecidas por suas características curativas, muitas plantas comuns na Amazônia já tem a comprovação científica que a sabedoria popular reconhece e utiliza há tempos. Recentemente o Sistema Único de Saúde (SUS) anunciou que vai incluir a planta ‘quebra-pedra‘ (Phyllanthus niruri) na lista de medicamentos fitoterápicos para o tratamento de cálculos renais.

O remédio com a quebra-pedra está sendo desenvolvido por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Mas que planta é essa?

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Originária das regiões tropicais e subtropicais das Américas, a quebra-pedra ocorre em todo o Brasil.

“É uma planta anual muito encontrada em regiões quentes, úmidas e ensolaradas, como é típico aqui da Amazônia. É muito comum encontrá-la em solos arenosos e lugares inusitados como fendas de calçadas e muros”, explica a professora Márcia Aviz, docente da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra).

Por que ela se chama quebra-pedra?

De acordo com a professora a planta tem o nome de “quebra-pedra” por conta da eficácia no tratamento de pedras nos rins. “Ela ganhou destaque por auxiliar na prevenção e eliminação de pedras nos rins e na vesícula. O que explica o nome e o uso principal, além de ser um potente diurético natural”, explica a professora. 

Planta quebra-pedra
Foto: Reprodução/Horto Didático de Plantas Medicinais do HU-CCS (UFSC)

A quebra-pedra também possui uma série de compostos fenólicos que atuam no combate a inflamação e bactérias, pode auxiliar no controle de açúcar no sangue e favorecer no bom funcionamento do sistema urinário. Segundo a professora, o uso da quebra-pedra está fortemente ligado aos saberes ancestrais e a medicina popular brasileira transmitidos por séculos pela oralidade, conhecimentos que passam por gerações e fazem parte do cotidiano de comunidades tradicionais. 

Leia também: Fitoterapia: médico descreve prática ancestral de cura com ervas da Amazônia em livro

A professora, que ministra as disciplinas de plantas medicinais e aromáticas no curso de Agronomia, no campus Belém, diz que os estudos com plantas medicinais valorizam os saberes ancestrais e são responsáveis também pela preservação da floresta, potencializando novas pesquisas sobre o uso de ervas e a promoção da qualidade de vida. 

Para Marcia Aviz, essa inclusão e um marco para comunidades tradicionais, por destacar para a população os valores que a medicina popular possui.

“É apresentar a sociedade em geral os benefícios e o potencial que as plantas medicinais possuem. Muitos de nós, em algum momento da vida, já ouvimos nossos avós falarem ‘tenho um remedinho natural para isso’, que geralmente eram os chás, as infusões, os unguentos, as pomadas”.

*Com informações da Ufra

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