Animais domésticos também pedem atenção especial durante o verão amazônico

Especialista explica que as temperaturas elevadas já atingem os animais, pois atrapalham a dissipação do calor corporal, causam desidratação, estresse térmico e insolação.

Foto: Iqbal farooz via Pexels

Praia, piscina ou igarapé? Em julho, as férias escolares e o calor chamam para pelo menos um desses destinos e as famílias planejam passeios e viagens com todos seus integrantes, incluindo os pets. Se a sua opção é levá-los junto ou deixá-los sob outra supervisão, saiba que os animais domésticos precisam de cuidados específicos para manter a saúde e o bem-estar durante o verão amazônico.

Segundo o relatório sobre o Estado do Clima Global 2025, da Organização Meteorológica Mundial (OMM), o clima da Terra está mais desequilibrado do que em qualquer outro momento da história.

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Diante desse cenário, Adriano Braga Brasileiro de Alvarenga, docente da Faculdade de Medicina Veterinária do Instituto de Medicina Veterinária (IMV/UFPA Campus Castanhal) e especialista em Comportamento e Bem Estar Animal, explica que as temperaturas elevadas já atingem os animais, pois atrapalham a dissipação do calor corporal, causam desidratação, estresse térmico e insolação. Filhotes, idosos e obesos, os de pelagem escura ou densa, além daqueles com doenças cardíacas ou respiratórias estão entre os grupos mais vulneráveis.

Em caso de altas temperaturas, “o animal deve ser levado para um local fresco, receber resfriamento gradual com água fresca para permitir a termorregulação e ser encaminhado ao médico veterinário”, ressalta o professor.

Avaliar o consumo de nutrientes também é fundamental neste período. Adriano Alvarenga afirma que a alimentação não deve mudar, mas é essencial focar em alimentos frescos e evitar refeições pesadas nos horários mais quentes do dia. Certos animais podem reduzir o apetite durante o verão, desde que continuem bem hidratados e saudáveis.

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Disponibilizar pontos de água limpa é útil para estimular a ingestão. O professor alerta que a hidratação reduz diversas patologias, entre elas, as urinárias. “Outra boa opção é implementar o enriquecimento sensorial com alimentos dentro de cubos de gelo, pois ocupa o tempo do animal e proporciona hidratação adicional ou indireta”, recomenda Adriano.

animais
Animais domésticos precisam de atenção redobrada no período de calor mais intenso. Foto: Pedro Bentes

Animais podem sofrer com estresse e ansiedade durante viagens

O calor também acende um alerta para maior proliferação de pulgas, carrapatos e mosquitos. “Também são comuns dermatites e problemas gastrointestinais relacionados ao calor. A alta umidade do ar amazônico também pode favorecer doenças causadas por fungos”, reforça o especialista. É importante manter os animais domésticos em locais bem preservados e buscar protetores solares específicos, sobretudo para aqueles de pouca pelagem ou de cor clara.

Caso prefira aproveitar o verão passeando com os pets, priorize o início da manhã ou fim da tarde, um tempo de duração curto e em locais arborizados, pois a temperatura amena protege as patas de queimaduras. Já, se você estiver planejando uma viagem, é necessário considerar as condições prévias do animal como saúde, idade e temperamento, visto que algumas espécies sofrem com maior ansiedade e estresse.

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Se esse for o caso do seu animal, talvez seja preferível deixá-lo com um cuidador de confiança ou hotel especializado. Para qualquer desses responsáveis, repasse informações como rotina, alimentação, medicamentos, comportamento, além de deixar seus contatos e do médico veterinário, além de orientações em caso de emergência.

Adriano Alvarenga destaca que o bem-estar animal é o fator decisivo. “Animais expostos pela primeira vez a um novo ambiente como o carro, podem apresentar comportamento aversivo, enjoo e até vômito. O ideal é expor o animal a pequenos passeios prévios para o organismo se adaptar”, recomenda o professor.

Por isso, destinos conhecidos como pet friendly, que possuam boa estrutura veterinária, com áreas de sombra ou que não exijam longos períodos de esforço e de exposição ao sol são as melhores opções.

Nos trajetos de carro, utilizar a caixa de transporte ou cinto de segurança apropriado é indispensável, além de paradas para hidratação e realização das necessidades fisiológicas, lembrando de nunca deixar seu pet sozinho no veículo. Já nas viagens em transportes maiores como aviões, o mais recomendado é seguir as normas da companhia e consultar o médico veterinário antes do embarque.

Mesmo com tantos detalhes, o professor enfatiza que esses cuidados são básicos para evitar desconfortos e tornar a experiência proveitosa para toda a família.

“Planeje a viagem com antecedência, mantenha a vacinação e controle de parasitas em dia, leve água, alimentação, medicamentos, documentos do animal e os objetos com os quais ele está acostumado, como pelúcias e bolas. O objetivo é garantir a segurança e uma experiência positiva para o pet, evitando que ele associe a viagem e a estímulos aversivos”, finaliza Alvarenga.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Beira do Rio, da UFPA, edição 178, escrito por Karina Moraes

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