Pesquisa com biocarvão impulsiona cultivo de melancia em comunidade indígena de Roraima

Parceria entre agricultores e a Universidade Federal de Roraima (UFRR) melhora o solo do lavrado com o biocarvão e fortalece a produção na comunidade Mauixi.

Técnica com biocarvão impulsionou o plantio de melancia, gerando frutos doces de seis a oito quilos, vendidos no mercado local. Foto: Wéllida Campos/Rede Amazônica RR

O uso de biocarvão tem ajudado a comunidade indígena Mauixi, a 80 quilômetros de Boa Vista (RR), a superar os desafios do solo do lavrado e a gerar renda. Desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Roraima (UFRR), a prática impulsiona o cultivo de melancia na região e já apresentou resultados positivos.

O primeiro plantio ocorreu em uma área de 3 mil metros quadrados e chama a atenção pelo tamanho e qualidade dos frutos. As melancias pesam entre seis e oito quilos, são doces e já começam a ser vendidas no mercado local.

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A iniciativa surgiu do desejo dos moradores de fortalecer a produção agrícola na própria comunidade, como explica o tuxaua Alexandre da Silva.

“A gente tinha um interesse de cultivar a melancia na comunidade da região e a gente não tinha oportunidade e aí veio a oportunidade junto com a universidade. Fizemos uma assembleia e ele contou do projeto na teoria e tive uma curiosidade de colocar em prática”, relatou o líder indígena.

A partir desse contato, o Centro de Ciências Agrárias da UFRR passou a acompanhar as etapas do processo, desde a análise do solo até o plantio.

Biocarvão e os desafios do solo do lavrado

O lavrado, ecossistema predominante em Roraima, tem características naturais que dificultam a agricultura. O professor e agrônomo responsável pela pesquisa, Valdinar Melo, explicou que a análise confirmou a baixa fertilidade da área.

“Os solos em Roraima têm, por natureza, baixa fertilidade. São ácidos e têm teores de fósforo e cálcio muito baixos. Percebemos que esse produto [biocarvão] é muito rico nesses nutrientes. Fizemos a análise do solo, comprovamos a necessidade e instalamos o experimento”, esclareceu Valdinar.

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biocarvao melancia
Foto: Luiz de Matos/Rede Amazônica RR

Para contornar o problema, os pesquisadores usaram o biocarvão. Ele é feito a partir da queima controlada de galhos, espinhas de peixe, caroços de açaí e outros restos orgânicos.

O adubo é colocado direto na cova na hora do plantio. Além da melancia, a técnica já foi testada e teve sucesso no cultivo de milho.

Com a colheita considerada satisfatória, a Comunidade Mauixi agora negocia a venda da produção e avalia a possibilidade de ampliar o plantio nas próximas safras. Para os moradores, mais do que uma experiência agrícola, o projeto representa um passo importante rumo à autonomia e à segurança alimentar no lavrado roraimense.

*Por Wéllida Campos, da Rede Amazônica RR

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