Yudith mora há oito anos em Manaus. Ela disse que acompanhou desde cedo sobre o ataque realizado por forças americanas contra a Venezuela na madrugada deste sábado (3). Foto: Yudith Mercedes Garcia Moreno/Acervo pessoal
Yudith Mercedes Garcia Moreno, imigrante venezuelana que mora há oito anos em Manaus (AM), contou ao Grupo Rede Amazônica que a família em Maturín, capital do estado de Monagas, está bem, mas permanece dentro casa.
Ela disse que acompanhou desde cedo sobre o ataque realizado por forças americanas contra a Venezuela na madrugada deste sábado (3). Segundo Yudith, os familiares que ainda vivem no país enfrentam uma realidade marcada pelo “medo e pela escassez”.
Yudith trabalha com manicurista e mora com a filha de 18 anos, Yulieth Garcia 18 anos, no bairro de Parque 10, zona Centro-Sul. Ela deixou a Venezuela em busca de sobrevivência.
“A Venezuela viveu e ainda vive sob uma ditadura opressora, onde muitas pessoas foram perseguidas, presas e até mortas por expressarem suas opiniões ou se posicionarem contra o governo. Houve inúmeros mortos políticos, e muitas vidas foram injustiçadas não só pela repressão direta, mas também pela fome e pela miséria. Pessoas morreram injustamente por não terem o que comer ou simplesmente por falar contra um governo que silenciou seu próprio povo”, relatou.
Natural de Maturín, Yudith veio para Manaus para garantir a sobrevivência e cuidar da filha mais velha. “Vim da Venezuela forçada pelas circunstâncias, deixando para trás minha terra, minha história e muitas pessoas queridas. Aqui no Brasil enfrentei muitas dificuldades, mas nunca desisti, porque minha maior motivação sempre foi garantir um futuro melhor para minha filha e proteger minha família”, pontuou.
Ela destacou que a vida de imigrante não é fácil, marcada por preconceito e falta de oportunidades.
“Trabalho de forma honesta e batalho diariamente para manter minha casa. A vida de imigrante não é fácil: enfrentei preconceito, falta de oportunidades e momentos de muita dor e insegurança. Mesmo assim, sigo firme, porque sei que minha luta representa resistência e esperança depois de tudo que o povo venezuelano sofreu”.
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Ela contou que mantém contato com a família em Maturín desde as primeiras horas do dia e que todos estão bem:
“Tenho parte da minha família em Manaus, mas ainda há familiares na Venezuela. Lá residem ainda a minha vó, tia com esposo e filhos. Eles vivem sob uma realidade marcada pelo medo e pela escassez. A preocupação é constante, pois sei que muitos continuam sofrendo com a fome, a falta de medicamentos e a ausência de direitos básicos. Essas condições forçaram milhares de pessoas, como eu, a deixar o país para sobreviver”.

Esperança
Apesar dos ataques, Yudith afirma que os venezuelanos mantêm esperança no futuro do país.
“Mesmo depois de tanta dor, ainda carrego esperança. A captura de Nicolás Maduro representa, para mim e para muitos venezuelanos, a possibilidade de liberdade e justiça. É a esperança de que o sofrimento do nosso povo não tenha sido em vão e de que a Venezuela possa, um dia, ser um país livre, onde ninguém precise fugir por fome, medo ou perseguição, e onde possamos viver com dignidade, sem opressão”.
Venezuelanos no Amazonas
O Amazonas é o segundo estado com maior concentração de venezuelanos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022 mostram que mais de 30 mil venezuelanos vivem no Amazonas. O primeiro, com quase 60 mil, é Roraima.
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Ataque
Uma série de explosões atingiu Caracas e os estados de Miranda, Aragua e La Guaira, na madrugada deste sábado. Pouco depois, o governo venezuelano afirmou que o país foi alvo de uma “agressão militar” dos Estados Unidos.
Segundo a Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas em Caracas em um intervalo de cerca de 30 minutos. Moradores de diferentes bairros relataram tremores, barulho de aeronaves e correria nas ruas.
O presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores foram capturados e levados de avião para os Estados Unidos. De acordo com o presidente Donald Trump, o casal será levado a Nova York a bordo de um navio de guerra.
Maduro será julgado pela Justiça dos Estados Unidos em um tribunal de Nova York, anunciou neste sábado a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi.
Segundo Bondi, Maduro e sua esposa foram formalmente acusados na Justiça dos EUA pelos seguintes crimes:
- Conspiração para narcoterrorismo;
- Conspiração para importação de cocaína;
- Posse de metralhadoras e dispositivos explosivos;
- Conspiração para posse de metralhadores.
Já o chanceler venezuelano, Yván Gil, solicitou uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU após os ataques.
*Com informações da Rede Amazônica AM
