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Terça, 23 Abril 2024

Bairro acreano quase foi parar em território da Bolívia durante enchente

Foto: Reprodução/Prefeitura de Brasiléia

O nível do Rio Acre em Brasiléia (AC), na fronteira com a Bolívia, começou a baixar. Imagens feitas nesta sexta-feira (1º) no bairro Leonardo Barbosa, que chegou a ficar isolado do lado brasileiro, mostram um cenário de destruição deixado pela enchente. A área, porém, não sofreu rompimento definitivo do território nacional.

Após ultrapassar a marca histórica em Brasiléia, que era de 15,55 metros, o Rio Acre chegou a 11,13 metros no início da noite desta sexta, abaixo da cota de transbordo de 11,40 metros. Na quarta (28), a cidade, que fica a cerca de 230 km da capital Rio Branco, ficou 80% inundada.

Por conta do estrago, só é possível chegar ao bairro Leonardo Barbosa a pé. O local tem muita lama, galhos e destroços. Moradores deixam os veículos de um lado e passam caminhando pela área destruída para chegar do outro lado.

O bairro fica na periferia da cidade e tem cerca de 1,1 mil moradores, segundo a Assistência Social do município. O total da área do bairro, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), é de 44 hectares, o equivalente a 66 campos de futebol.

Há anos, a área enfrenta erosão causada pelas cheias do Rio Acre, com o risco de ficar isolada do lado brasileiro e só acessível pelo lado boliviano.

O coordenador da Defesa Civil Municipal, coronel Eden Santos, disse que houve a interrupção total da rua, bloqueio e colapso no sistema de abastecimento de água e energia. Segundo ele, o restabelecimento da energia deve demorar entre 5 a 7 dias em todas as casas.

"Foi feito um paliativo para que as águas cheguem até lá. A partir das 18h já está funcionando o bombeamento [de água] para lá. Foram levados kits de limpeza, cestas básicas, entre outros suprimentos", ressaltou.

Ainda segundo o coordenador, o Centro de Brasiléia e o bairro Leonardo Barbosa foram as áreas mais afetadas pela enchente. Segundo ele, uma árvore foi responsável por não permitir que a rua apartasse.

"Quando a água estava a três metros acima da estrada, um tronco de árvore parou no local e travou a correnteza. Por conta dessa árvore não apartou. Se não fosse ela, teria feito um novo leito do rio com certeza. A parte de lá passaria para Bolívia",

ressaltou.

Moradores receberam suprimentos

Na tarde desta sexta, um grupo de pessoas fez uma 'corrente humana' para transportar suprimentos de um caminhão com doações para os moradores da região. Foram doados kits de limpeza, água mineral, cestas básicas e produtos de higiene pessoal.

Equipes da Defesa Civil Municipal, do Ministério Público Estadual e da prefeitura estiveram no local para levar ajudar os moradores afetados. Uma equipe do sistema de abastecimento de água também começou a arrumar os canos rompidos pela enchente.

A Defesa Civil Municipal informou, por meio das redes sociais da prefeitura, que as equipes da Energisa Acre irão até o bairro para religar a energia elétrica. O restabelecimento, no entanto, deve levar no mínimo uma semana.

Ainda segundo a Defesa Civil Municipal, a enchente em Brasiléia atingiu 15.312 pessoas. Doze bairros ficaram alagados e montados 16 abrigos para instalar os moradores desabrigados.

O total de desabrigados chegou a 1.276. Já o número de pessoas que saíram de suas casas e ficaram com parentes e amigos foi de 2.220. As equipes de resgate e assistência chegou a mais de 500 pessoas.

O trecho do Rio Acre que corta o município de Brasiléia, no interior do Acre, chegou à marca de 15,58 metros ao meio-dia quarta, se tornando a maior já registrada no município.

Mapa explica como seria o rompimento. Foto: Divulgação/ Inpa MCTI

Enchente histórica

Neste ano, a enchente provocou o isolamento da cidade por via terrestre, já que a Ponte Metálica José Augusto, que liga a cidade a Epitaciolândia, município vizinho, teve que ser interditada no último dia 25.

Treze bairros foram atingidos pela enchente e 15 abrigos foram disponibilizados à população. Além disto, 14.980 pessoas foram atingidas pelas águas no município.

Sem a Ponte Metálica José Augusto, os moradores de Brasiléia e de Epitaciolândia, cidade vizinha, fizeram filas para aguardar as embarcações que têm feito o transporte de moradores para várias atividades. O comércio, inclusive, não parou de funcionar, nem mesmo com a cheia. A ponte foi liberada nesta sexta-feira (1º) após o rio começar a baixar.

O Acre enfrenta uma cheia histórica em 2024. Em todo o estado, pelo menos 23.087 pessoas estão fora de casa, dentre desabrigados e desalojados, segundo a última atualização nesta sexta-feira (01) feita pelo governo do estado.

Além disso, 17 das 22 cidades acreanas estão em situação de emergência e quatro pessoas morreram por conta do transbordo de rios e igarapés. Quatro pessoas já morreram em decorrência da cheia.

*Por Aline Nascimento, do g1 Acre

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