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Domingo, 29 Novembro 2020

Sem comprovação da eficácia do chá de jambu para Covid-19; conheça as propriedades da hortaliça

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Nas últimas semanas, um boato envolvendo uma mistura contendo Jambú (hortaliça originária da Amazônia) foi amplamente divulgado nas redes sociais. Um chá milagroso da planta combinado a outras subtâncias prometia a "cura" do novo coronavírus. A notícia se espalhou e chamou a atenção de jornalistas e portais de notícias, que foram checar a informação com pesquisadores. Os cientistas garantiram: ainda não há cura para o Covid-19. E não há eficácia científica comprovada do chá no combate ao vírus.

Jambu. (Foto:Divulgação)


Mas ficou a dúvida: afinal, o que o Jambú tem além de causar o característico tremor, que já foi até tema de música? Quem responde é a pesquisadora Mônica Trindade Abreu de Gusmão, doutora em Agronomia e docente da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA). A professora conhece bem as propriedades da planta e há anos estuda as características, cultivo e produção do Jambú. 


"É um alimento rico em ferro e vitamina C. As característica físico-químicas demonstram que em cada 100g de ramos, folhas e inflorescências do Jambú são encontrados mais de 80% de água, além de carboidratos, lipídios, proteínas, ferro, vitaminas, sais minerais e fibras", explica.

Chá de jambu. (Foto:Divulgação)

As propriedades podem ajudar a aliviar sintomas, assim como o uso de outras hortaliças. "O bem estar tem várias causas, inclusive a psicológica. Só resultados de pesquisa podem comprovar efeito benéfico ou não de uma substância. O conhecimento tradicional indica o jambu utilizado como produto fitoterápico em fortificantes, estimulador de apetite, antiinflamatório, antihelmintico, analgésico, diurético, anestésico bucal, estimulante sexual , dentre outros. Mas ainda existem poucas pesquisas sobre aplicação farmacológica", explica a pesquisadora.


Mas além de virar notícia como chá contra Covid-19 ou de ser presença conhecida na mesa dos paraenses, o Jambú também é alvo de interesse da indústria. A dormência, sentida por quem experimenta a planta, é causada por uma substância conhecida como Espilantol, que confere ao Jambú sua característica anestésica, ou seja, aquela que dá a sensação de pungência, seguida de formigamento e entorpecimento.


"Além de aminas e antioxidantes, o Jambú tem mais mais de 18 componentes no óleo essencial, entre eles o Espilantol, que é o maior interesse da indústria alimentícia, de bebidas e cosméticos. No momento existem várias empresas desenvolvendo protocolos para extração do Espilantol e sua exportação. Na indústria é utilizado em cosméticos e bebidas alcoolicas. Existem patentes internacionais que dão outros usos, como goma de mascar, creme e enxaguantes bucais e estimulantes sexuais. A cachaça e o licor já ultrapassaram as fronteiras nacionais", diz.

Flor de jambu. (Foto:Divulgação)

Essas e outras informações estão disponíveis no livro "Jambu da Amazônia (Acmella oleracea [(L.)R.K. Jansen]: caracteristicas gerais, cultivo convencional, orgânico e hidropônico", feito em parceria com o professor Sérgio Gusmão e lançado pela Editora da Ufra.

Não há estudo específico da área comprovando a eficácia do Jambú no combate ao Covid-19. O Ministério da Saúde criou uma página específica para combater as fake News e divulgou que "até o momento, não há nenhum medicamento, substância, vitamina, alimento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo coronavírus". E disponibilizou um número de whatsapp para que as pessoas possam enviar notícias que mereçam ser checadas. As notícias serão apuradas pelas áreas técnicas e respondidas oficialmente. A melhor prevenção, segundo o Ministério da Saúde e Organização Mundial de Saúde, ainda é cumprir as orientações de higiene e manter o isolamento social.

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