Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM
O Brasil encara um período, de 12 a 19 de agosto, com temperaturas acima da média em algumas cidades das cinco regiões do país. É o chamado veranico, fenômeno meteorológico caracterizado pelo calor anormal e tempo seco durante o outono ou inverno, dependendo da região. Embora não muito conhecido, o conceito foi sistematizado nos anos 1950 e é utilizado até hoje por meteorologistas do país para definir o “verão pequeno” ou verão fora de época, significado dado à origem do nome.
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O veranico de agosto, segundo especialistas, é o terceiro que acontece no Brasil em 2026 e promete ser o mais longo e abrangente do ano, afetando estados de todas as regiões brasileiras. No entanto, para Leonardo Vergasta, meteorologista do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), o veranico terá uma atuação diferente na Amazônia em relação às outras partes do país.
“O veranico, no sentido técnico do termo, não se aplica bem à Amazônia neste momento do ano. Isso porque o conceito pressupõe uma anomalia, calor fora de época, dentro de uma estação que normalmente seria chuvosa. Só que, para a região amazônica, o período de junho a novembro é justamente a estação seca esperada, que a população daqui chama popularmente de “verão amazônico” e que tecnicamente chamamos de estiagem. Ou seja: calor e redução de chuvas agora não são, por si só, uma anomalia, são o comportamento climatológico normal da época”, frisa o especialista.

Vergasta explica que as características do veranico são diferentes de outros fenômenos como, por exemplo, as ondas de calor.
“O veranico tem critérios clássicos: duração mínima de cerca de 4 a 5 dias consecutivos, temperaturas máximas elevadas para o padrão da estação, céu limpo ou pouca nebulosidade, ventos fracos e baixa umidade relativa do ar. Um detalhe que costuma passar despercebido: diferente de uma onda de calor, o veranico normalmente não sustenta temperaturas altas durante a madrugada, as noites seguem frias, e o calor se concentra nas tardes”, explica o meteorologista.
Veranico tem relação com El Niño e La Niña?
Leonardo detalha que a relação entre os fenômenos climáticos El Niño, La Niña e veranico:
“El Niño e La Niña são padrões climáticos de grande escala, ligados ao aquecimento ou resfriamento das águas do oceano Pacífico, que se desenvolvem ao longo de meses e influenciam o clima em boa parte do planeta. Não são apenas um episódio de calor ou frio, apenas funcionam mais como um “terreno favorável” que pode deixar as condições mais propícias para calor e seca ou chuvas em excesso e cheias acontecerem. Então, em resumo, El Niño/La Niña são fenômenos de naturezas e escalas climáticas bem diferentes”, pontua Vergasta.
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Porque o nome veranico?
Por fim, o meteorologista explicou o que significa o termo veranico: “O nome vem de ‘verão pequeno’ ou ‘verão fora de época’, porque reproduz, em miniatura e no momento errado do calendário, as condições típicas do verão: calor, sol forte e tempo seco. É por isso que também se fala em ‘veranito’ ou ‘veranillo’ em países de língua espanhola, ‘Indian Summer’ nos países de língua inglesa, ‘Verão de São Martinho’ em Portugal, Espanha e Itália. Todos descrevem, essencialmente, a mesma ideia: um retorno breve e fora de hora do calor de verão”, finalizou.
