Entre os animais que realizam técnicas diferentes está o macaco-de-cheiro. Foto: Rudimar Narciso Cipriani
Está no ar… na terra, nos rios. Os rituais de cortejo são um capítulo importante na reprodução dos animais e alguns realmente são dedicados nesse assunto. Para se destacar na hora da conquista, tem inseto cantor, pássaro dançarino, peixe que prepara ninho e cuida dos filhotes. Quando o assunto é encontrar um parceiro, os animais amazônicos usam estratégias curiosas e impressionantes.
Segundo a professora Wlaisa Sampaio, coordenadora do Grupo de Estudos de Animais Selvagens (Geas Carajás) do campus Parauapebas Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), o Macaco-de-cheiro (Saimiri collinsi) é um primata exclusivo do bioma amazônico, com distribuição ao sul do rio Amazonas. É um primata de reprodução sazonal marcante em que os machos do gênero exibem uma condição única na natureza conhecida como fenômeno fattening.
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No início da estação de cópulas os machos acumulam gordura e água nos ombros e tórax o que lhes conferem uma aparência de gordo e inchado, o que atrai a atenção das fêmeas. Os machos mais gordos também se exibem e impõem sua dominância, competindo com os mais machos magros.
Esse fenômeno vai além da seleção sexual pré-copulatória, mas pode ter relação com a qualidade seminal. Ao que tudo indica quanto mais gordo, mais sexy e com isso melhor a qualidade seminal aumentado as chances de gerar prole.
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Outro animal exclusivo do bioma amazônico é o Galo-da-serra (Rupicola rupicola), uma espécie que vive em florestas úmidas. Presente nas serras fronteiriças do norte do Brasil, que compreende desde o Amapá até a região do alto rio Negro, passando por Roraima, e também em Presidente Figueiredo (AM), é encontrado na Guiana Francesa, Guiana, Venezuela, Colômbia.
Quando um Galo-da-Serra quer conquistar uma fêmea, cerca de 15 ou mais machos se reúnem para se exibir e iniciar uma competição de dança. O ritual é conhecido como Lek. Quando a fêmea aparece, é sinal da disputa começar e cada um se exibe em um palquinho particular. Depois de observar, ela escolhe o parceiro de que mais gosta, pousando atrás dele para mordiscar suas penas ou bicá-lo no pescoço. Às vezes os machos estão tão empolgados na competição que até esquecem o motivo pelo qual estão fazendo o Lek, e a fêmea tem que se esforçar para chamar a atenção do parceiro.
Animais desenvolvem técnicas únicas
É nas águas que os rituais de conquista mais se diferenciam e envolvem desde “danças” sincronizadas a serenatas elétricas. Segundo o professor Bruno Prudente, coordenador do Programa de pós-graduação em Aquicultura e recursos aquáticos tropicais (PPGAqRAT), os peixes são o grupo de vertebrados com a maior variedade de estratégias reprodutivas, utilizando o cortejo para reconhecer parceiros da mesma espécie, avaliar sua qualidade e sincronizar o momento exato da reprodução.

Os Tucunaré (Cichla sp) são grandes galãs das águas amazônicas. Durante o período reprodutivo, o macho passa por uma transformação visual: suas cores tornam-se muito mais vibrantes, em tons de azul e verde. O ritual de conquista inclui a limpeza cuidadosa de um “ninho”, onde os ovos irão se desenvolver. Ele também desenvolve uma estrutura peculiar na cabeça, uma protuberância conhecida como gibosidade.
A estrutura atrai a fêmea e serve como reserva de energia, já que o macho se dedicará intensamente ao cuidado dos filhotes (após a fecundação) e vai se alimentar pouco. É o macho quem protege a prole, colocando os alevinos (filhotes) até dentro da própria boca e mantendo-os seguros até que qualquer perigo passe.
Já os peixes elétricos (Electrophorus sp), como o famoso Poraquê, utilizam descargas elétricas de baixa intensidade para o cortejo. Com as águas turvas da Amazônia, onde a visão é limitada, a sedução acontece por meio da sincronização de sinais elétricos. O macho e a fêmea emitem esses sinais para reconhecer seu parceiro e posteriormente saberem que estão aptos a reproduzirem. É como se tivessem uma rádio particular para declarar seu interesse amoroso. Quando estão na mesma frequência, o romance acontece.

Enquanto isso, ciclídeos como o Acará-bandeira (Pterophyllum sp) e Piabinhas (caracídeos) fazem uma dança sincronizada e em determinado momento tremem o corpo e vibram para sincronizar o momento da desova.
Segundo a professora Telma Batista o discente Pedro Silva, do Museu de Entomologia da Ufra, campus Belém, entre os insetos amazônicos, a cantoria e a força se destacam.
No caso do grilo-arbóreo (Oecanthus buxixu) o ritual de conquista é a partir de uma grande cantoria. O macho emite sons característicos por meio da estridulação, mecanismo no qual uma das asas anteriores é esfregada contra a outra. Esse canto funciona como sinal de comunicação e possui padrões específicos para cada espécie, permitindo que as fêmeas identifiquem parceiros adequados, pois o canto também pode transmitir informações sobre o tamanho do macho, vigor e condição física. Quando uma fêmea responde ao chamado e se aproxima, o macho pode alterar o ritmo e a intensidade do canto, produzindo sinais mais curtos e direcionados ao cortejo. Quanto melhor a cantoria, mais fêmeas são atraídas, aumentando suas chances de reprodução.

O grilo-arbóreo Oecanthus buxixu é uma espécie encontrada na Floresta Amazônica brasileira, especialmente no estado do Amazonas. A comunicação sonora desempenha papel fundamental no sucesso reprodutivo desses insetos. Em ambientes florestais densos, como a Amazônia, a utilização do som é uma estratégia particularmente eficiente, pois permite a comunicação mesmo quando os indivíduos estão ocultos entre a vegetação.

No caso do besouro-rinoceronte (Megaceras crassum), quando os machos dos Besouros Rinocerontes disputam a mesma fêmea, eles iniciam uma luta corporal com o uso dos chifres e tentam levantar-se ou derrubar um ao outro. Embora pareçam agressivas, essas lutas raramente resultam em ferimentos graves; seu principal propósito é determinar qual indivíduo é mais forte e capaz de ter acesso à fêmea. Os chifres são resultado de um processo evolutivo no qual características que aumentam o sucesso reprodutivo tendem a ser mais favorecidas ao longo das gerações. Ou seja, machos com chifres maiores e mais desenvolvidos possuem vantagens nas disputas e tem maior probabilidade de deixar descendentes.
Essa é uma espécie encontrada na Amazônia brasileira, habita ambientes florestais e áreas com grande quantidade de matéria orgânica em decomposição. Pertencente à subfamília Dynastinae, esse besouro chama a atenção pelo chifre desenvolvido dos machos, chamado de “Córneo”, é uma estrutura que desempenha papel fundamental em seu comportamento reprodutivo e atração da fêmea, enquanto as fêmeas não possuem chifres.
*Com informações da Ufra
