Pico da Neblina tem exatos 2.995,30 metros de altitude e está localizado no estado do Amazonas, na Serra do Imeri, fronteira com a Venezuela – Foto: Cassiano Gatto/ICMBio
Servidores do Parque Nacional do Pico da Neblina, a montanha mais alta do país com 2.995,30 metros de altitude, realizaram de 26 de janeiro a 6 de fevereiro, uma expedição técnica para avaliar melhorias na trilha e nas estruturas de acesso à montanha, localizada no Amazonas.
A iniciativa foi conduzida por servidores do Parque Nacional, com o apoio da Frente de Proteção e da Força-Tarefa Yanomami, ambas vinculadas à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), além do Instituto Socioambiental (ISA), com o objetivo de identificar melhorias na trilha e nas infraestruturas de acesso ao Yaripo.
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A equipe que escalou os 2,9 mil metros de altitude da montanha mais alta do país foi composta por 11 napë (os brancos) e 22 Yanomami, divididos entre condutores, carregadores e cozinheiros, conforme é estruturado no Plano de Visitação Yaripo Ecoturismo Yanomami, elaborado com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para ordenar a visitação à unidade de conservação federal.

Durante os 12 dias de jornada, entre 26 de janeiro e 6 de fevereiro, os participantes da expedição enfrentaram o desafio de atingir o cume da montanha, lidando com condições de calor, frio, chuva, lama, fome, sede, desgaste físico e mental.
O trabalho, portanto, consistiu em fazer uma leitura técnica do percurso para que sejam propostas soluções que amenizem parte das dificuldades, com destaque para a infraestrutura dos acampamentos e para os pontos de maior risco de acidentes — concentrados sobretudo no trecho de ataque ao cume.
“Desta expedição, reunimos o conhecimento necessário para promover melhorias ao Plano de Visitação ao Pico da Neblina, relativo à nossa gestão da unidade e à melhoria das condições de trabalho dos profissionais Yanomami. É naturalmente um avanço difícil, dadas as condições geográficas de isolamento da localidade, mas esta iniciativa é um primeiro passo para a busca de soluções”, destacou o chefe do parque, Cassiano Gatto.
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Após a conclusão da expedição técnica, a equipe de especialistas definiu os seguintes encaminhamentos:
- Propostas para o acampamento Base: elaboração de três alternativas de estrutura para o acampamento “Base”, localizado no sopé do Pico da Neblina, contemplando diferentes níveis de recursos e infraestrutura.
- Melhorias no trecho final da trilha: está prevista, para agosto de 2026, a instalação de 50 degraus no segmento de ataque ao cume, bem como a reestruturação do sistema de apoio — incluindo cordas e correntes — com o objetivo de elevar os níveis de segurança durante a subida.
- Mapeamento ambiental: realização de mapeamento prévio, por meio de drone, das cicatrizes do garimpo e de seus efeitos sobre a vegetação endêmica da Bacia do Gelo – o platô situado a cerca de 2.000 metros de altitude que abriga o acampamento Base.
- Validação de protocolos operacionais: atualização e validação de procedimentos segundo o Plano de Visitação Yaripo, incluindo a pesagem e a distribuição de cargas entre os profissionais Yanomami, a organização da estrutura de coordenação geral, o acompanhamento dos visitantes ao longo da trilha e a realização de visitas técnicas dos responsáveis pelo projeto no ICMBio e no ISA.
Pico da Neblina
No coração da Amazônia, onde a floresta encontra as nuvens, ergue-se o Yaripo — a Montanha dos Ventos, como os Yanomami chamam o Pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil.
Entre paredões cobertos por floresta e neblina quase permanente, esse lugar é mais do que um marco geográfico: guarda significados espirituais, histórias ancestrais e um dos cenários naturais mais preservados do país, sagrado para os povos indígenas e desafiador para montanhistas.
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*Com informações do ICMBio
