Três espécies de papagaios encontradas na Amazônia que encantam e revelam a saúde da floresta

Os papagaios são aves com boa capacidade vocal e penas com cores vibrantes, mas além disso são aves importantes para o equilíbrio ecológico, segundo o gerente do Bosque dos Papagaios, em Boa Vista (RR), Francisco Ibiapina.

Papagaios são animais encantadores com cores vibrantes. Foto: Thiago Silva/Semuc – PMBV

Você deve conhecer uma espécie de ave que se comunica com assobios ou até repete o que humanos falam perto dela. É conhecida por sua coloração verde, penas com detalhes marcantes e um bico bem redondo.

Serviu de inspiração para um dos pássaros mais famosos do mundo: o Zé Carioca, que representa o Brasil nos desenhos animados da Disney. E se você pensou em papagaio, acertou!

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Os papagaios se encontram em vários biomas do Brasil e costumam ser lembrados por suas características físicas, como descrito acima, e um comportamento que cativa.

O Portal Amazônia conversou com Francisco Luciano Ibiapina, funcionário público e gerente do Bosque dos Papagaios, em Boa Vista (RR), para falar sobre três espécies de papagaios comuns na Amazônia.

Bosque dos Papagaios. Foto: Divulgação/Prefeitura de Boa Vista

Papagaio-moleiro (Amazona farinosa)

Segundo Ibiapina, o moleiro é o maior papagaio do Brasil e é conhecido também como jeru, juru, ajuru, juru-açu e ajuruaçu.

Sua coloração é verde-clara, com aspecto “empoeirado”, como se suas penas fossem cobertas por um pó branco muito fino. A parte de cima de sua cabeça, geralmente, é amarela, azul e vermelho, tem o bico e anel dos olhos brancos, cauda longa com extremidade em um tom de verde claro.

O papagaio-moleiro tem uma vocalização forte e grave e costuma viver em bandos grandes. Vive principalmente em florestas densas e áreas úmidas, como a Amazônia. Andam em grupos pelos ares à procura de frutos, incluindo de palmeiras.

Sua reprodução acontece em ninhos feitos em ocos de árvores e elevações rochosas, principalmente durante os três primeiros meses do ano, de acordo com a Fundação Jardim Zoológico de Brasília.

papagaios
Papagaio-moleiro. Foto: Divulgação / Wikipédia

Papagaio-campeiro (Amazona ochrocephala / A. aestiva, dependendo da região)

De acordo com o gerente do Bosque dos Papagaios, o papagaio-campeiro mede entre 35 e 38 centímetros de comprimento e pesa entre 340 e 535 gramas.

Possui plumagem verde com coroa amarela, cauda verde com as pontas verde amareladas claras e a base das penas em tons avermelhados. Em seus olhos, a íris é vermelha no indivíduo adulto, anel ocular branco e bico cinzento-claro. 

Costuma ser encontrado em áreas abertas, cerrados, campos e bordas de mata. É uma espécie muito adaptável e possui vocalização alta e frequente.

O campeiro constrói ninho em buracos de cupinzeiros em árvores e ocos de palmeiras, a pouca altura do chão, na temporada seca, para se reproduzir, segundo a Fundação Jardim Zoológico de Brasília.

A coloração da cabeça e face pode variar individualmente, mas, de uma forma geral, possui uma área amarela maior na coroa.

Papagaio-campeiro. Foto: Divulgação / Fundação Jardim Zoológico de Brasília

Curica (Amazona amazonica ou Amazona autumnalis, conforme a região)

O papagaio-do-mangue, conhecido como curica, é menor que as outras aves citadas. Sua cor é um verde mais escuro, com detalhes coloridos (amarelo, vermelho ou azul na cabeça e em sua face).

Habita matas ciliares, áreas alagadas, comum em florestas de galeria, várzeas, alagados com árvores e manguezais. Costuma pernoitar e se reproduzir em ilhas cobertas de mata.

Reproduz-se geralmente no segundo semestre do ano e faz ninhos em cavidades, aproveitando ocos de árvores, paredões rochosos e cupinzeiros, conforme a Fundação Jardim Zoológico de Brasília. O casal permanece unido por toda vida. E por falar em casal, em voo eles mantém contato através de gritos longos e elaborados.

Papagaio-do-mangue (curica). Foto: Divulgação / Fundação Jardim Zoológico de Brasília

Diferenças entre as espécies

Para Francisco Luciano Ibiapina, de forma resumida, o moleiro é o papagaio maior e mais florestal, o campeiro é mais comum em áreas abertas e é adaptável, e a curica é menor e mais associada a matas e rios.

“O papagaio-campeiro está associado a campos naturais e florestas com araucária, dependendo muito de sementes sazonais. O papagaio-moleiro vive em florestas densas e úmidas, incluindo áreas de várzea. O papagaio-do-mangue (curica) ocorre em florestas ribeirinhas, manguezais e áreas próximas a rios. O habitat influencia diretamente na alimentação, reprodução e deslocamento dessas aves”, reforçou o especialista.

O papagaio-campeiro costuma formar grandes bandos, principalmente fora do período reprodutivo. O papagaio-moleiro é mais discreto e geralmente observado em pares ou pequenos grupos. O papagaio-do-mangue é bastante vocal, com chamados altos e repetitivos, facilitando sua identificação em campo.

Segundo o gerente, os papagaios campeiro e moleiro podem ser confundidos, por isso é preciso falar de suas diferenças. “Quando as aves voam é mais fácil de ver essa diferença, com o vermelho cobrindo uma área bem maior no campeiro enquanto no moleiro é apenas uma pequena porção da asa com essa cor”, exemplifica.

Leia também: Zé Carioca na Amazônia? Conheça o papagaio-verdadeiro

Importância ecológica e ameaças ambientais dos papagaios

Segundo Ibiapina, essas aves têm papel fundamental na dispersão de sementes, contribuindo para a regeneração florestal. Também ajudam no equilíbrio ecológico, interagindo com diversas espécies vegetais e animais. E, mesmo com um papel fundamental para a natureza, eles sofrem muitas ameaças.

“As principais ameaças são a perda e fragmentação do habitat, o desmatamento, a captura ilegal para o tráfico de animais silvestres e, em alguns casos, conflitos com atividades agrícolas. O papagaio-campeiro é especialmente sensível à perda de áreas naturais específicas”, explicou o gerente para o Portal Amazônia.

Ele indica medidas para ajudar na conservação desses papagaios:

“A comunidade pode contribuir evitando a captura ilegal, denunciando o tráfico e preservando áreas naturais. Já as políticas públicas devem fortalecer a fiscalização ambiental, apoiar programas de educação ambiental, proteção de habitats e ações de reabilitação e soltura monitorada de animais silvestres”, concluiu. 

*Por Karla Ximenes, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

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