Ministro do Meio Ambiente explica processo de criação de novas RDS próximas à rodovia BR-319, no Amazonas

Em participação no programa Entrevistas, João Paulo Capobianco deu detalhes sobre as novas Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) na área de influência da rodovia

Arte: Reprodução/Amazon Sat

A criação de quatro unidades de Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) no Amazonas foi um dos temas abordados pelo Ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, no programa Entrevistas, exibido pelo canal Amazon Sat, iniciativa do Grupo Rede Amazônica voltada aos temas discutidos em Brasília que impactam diretamente a Amazônia.

Durante a conversa, comandada pelo jornalista e apresentador do programa, Wellinton Lopes, o secretário nacional da pasta deu mais detalhes sobre as novas áreas de conservação, que estão localizadas na área de influência da BR-319, única via terrestre que liga o Amazonas à Rondônia e o restante do Brasil.

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Capobianco explicou que a criação das novas RDS fazem parte de um conjunto de medidas ambientais que visam possibilitar o pavimentação do trecho do meio da BR-319, área que compreende os km 250 e km 655, totalizando 405 km de extensão. Ele reforça que as novas unidades de conservação poderá contemplar aproximadamente 68% de áreas protegidas no entorno da rodovia.

“O objetivo é garantir que o entorno da rodovia mantenha as condições naturais que se encontra, recuperar algumas áreas degradadas, no sentido de manter a integridade ambiental e também de permitir o uso sustentável. Como essas novas unidades de conservação, somando terras indígenas, unidades de conservação do estado e as federais, chegamos a 68% do entorno da rodovia BR-319 com algum status de proteção”, explicou o ministro.

O que é uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS)?

Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) são territórios destinados à conservação ambiental e ao uso sustentável dos recursos naturais por comunidades tradicionais que vivem nesses locais há gerações. Nesses espaços é permitido o manejo sustentável da fauna, flora e outros recursos, sempre respeitando regras estabelecidas para evitar danos ao ecossistema.

As novas Reservas de Desenvolvimento Sustentável totalizam cerca de 669 mil hectares e estão localizadas no entorno da BR-319. São elas:

  • RDS Tupana Igapó-Açu I, em Borba (AM), com 114.076 hectares;  
  • RDS Tupana Igapó-Açu II, em Beruri e Tapauá (AM), com 422.100 hectares;  
  • RDS Canaã, em Careiro e Autazes (AM), com 109.607 hectares;
  • RDS Mirari, em Humaitá (AM), com 22.775 hectares.

As RDS foram criadas após decretos assinados pelo presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, no último dia 5 de setembro. As unidades têm entre seus objetivos a conservação da biodiversidade e a proteção dos modos de vida das populações agroextrativistas, considerando atividades como pesca, extrativismo e agricultura de subsistência. 

Leia também: Decretos criam quatro reservas de desenvolvimento sustentável no Amazonas

Segundo o ministro, o intuito das novas unidades visa valorizar as condições e melhoria dos modos de vida das populações que já habitam essas regiões de forma sustentável.

“Assim como os povos indígenas, essas comunidades tradicionais já usam os recursos de forma equilibrada. A ideia é garantir que isso permaneça assim, fomentando a proteção e ao mesmo tempo garantindo a a geração de oportunidades, recursos e de empregos”, frisa.

Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) é referência em manejo do pirarucu. Foto: Divulgação
Reserva de Desenvolvimento Sustentável é referência em manejo do pirarucu. Foto: Divulgação

Núcleos de bioeconomia

Na ocasião, João Paulo também anunciou a implantação de Núcleos de Desenvolvimento de Bioeconomia no entorno da rodovia, como uma estratégia para promover alternativas econômicas sustentáveis e conter o avanço do desmatamento na região.

“No momento que o presidente Lula assinou o decreto instituindo as RDS, nós assinamos contratos para iniciar a implantação de seis núcleos para promover e estimular a bioeconomia, que nada mais é do que oferecer às comunidades da região insumos, capacitação técnica, informações e crédito subsidiado para que elas possam ampliar sua atividade produtiva”, afirmou.

Leia também: ‘Entrevistas’ debate preservação ambiental no entorno do trecho do meio da BR-319

Outro ponto citado por João Paulo foi a assinatura dos contratos de concessão das Unidades de Manejo Florestal (UMF) II e III da Floresta Nacional de Humaitá, no Amazonas, pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB). Os acordos têm prazo de 40 anos e abrangem cerca de 162 mil hectares.

Na entrevista, o ministro que as concessões de manejo florestal sustentável irão permitir que o desenvolvimento da região terá os mesmos critérios das RDS pela manutenção da floresta em pé.

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições: quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30. Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT-4).

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