Conheça 5 iniciativas indígenas brasileiras que estão salvando a natureza no Brasil

Voluntária indígena exibe mapas climáticos feitos à mão durante curso sobre o Sistema de Informação Geográfica (SIG), em Roraima. Foto: Ipam/divulgação.

Nos diferentes biomas brasileiros, da Amazônia ao Cerrado, a ameaça do fogo, do desmatamento, das invasões de terra e do garimpo ilegal ainda reina sem muitos contrapesos, colocando a natureza e a vida de povos tradicionais na rota da degradação e do conflito.

Enquanto cobram o poder público por medidas emergenciais e por mais apoio, grupos indígenas entenderam que não têm tempo a perder: com suas próprias ações coletivas, comunidades em todo o país atuam para combater as múltiplas crises que assolam seus territórios, exercendo o papel de guardiões de florestas, rios e planícies.

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A reportagem reuniu histórias de cinco projetos sob gestão indígena que, aliando saberes ancestrais, tecnologia e planejamento, já fazem a diferença na missão do Brasil rumo a um futuro de preservação.

Mulheres Krahô em Tocantins

Treze mulheres indígenas formam o Mē Hoprê Catêjê, grupo de guerreiras Krahô responsável pela vigilância territorial na Terra Indígena Kraolândia. Foto cedida por Luzia Krahô (Kruw).

Muita coisa mudou na Terra Indígena Kraolândia, que se espalha por mais de 300 mil hectares nos municípios de Goiatins e Itacajá, no Tocantins. Em um passado não tão distante, as mulheres ali se viam afastadas de postos de liderança, restritas ao trabalho doméstico, enquanto os perigos da extração de madeira, da caça e dos agrotóxicos espreitavam o território.

Para combater essas ameaças, as próprias mulheres indígenas Krahô deram um passo à frente, superando as barreiras de gênero para proteger seu território.

Jovens Yanomami recorrem a drones

Um jovem Yanomami consulta um aplicativo de mapeamento territorial. Foto: Evilene Paixão/HAY.

Se monitorar a maior terra indígena do Brasil já não é uma tarefa fácil, imagine protegê-la. É aí que entra a tecnologia: para se resguardarem do constante assédio de garimpeiros e invasores — e, assim, orientar possíveis planos de ação —, indígenas Yanomami estão usando drones para manter cada pedaço de seu gigantesco território ao alcance dos olhos.

Leia também: Indígenas de todo o Brasil ocupam a Esplanada dos Ministérios

Essa é a nova tarefa dos jovens Yanomami, que passam por treinamento em sistemas geográficos informatizados para ampliar suas afinidades com mapas e aplicativos.

Povo Pataxó transforma fazenda degradada em exemplo de agroecologia

Os trabalhadores Pataxó não contam com maquinários. Utilizando ferramentas como roçadeira e enxada, produziram cerca de duas toneladas de alimentos em um ano. Foto: André Cherri/V.U.E.L.A.

O que fazer com a terra degradada? Se depender dos Pataxó, o caminho é claro: transformá-la para dar espaço à agroecologia. No ano passado, a reportagem da Mongabay foi até a Terra Indígena Barra Velha do Monte Pascoal, no sul da Bahia, para ver de perto como o trabalho de comunidades indígenas tem ajudado a reflorestar nascentes e a repovoar o solo com alimentos livres de agrotóxicos.

Mas, apesar de valorizarem o próprio trabalho de preservação, geração de renda e subsistência, membros da aldeia Pataxi Pataxó Akuã Tarakwatê mantêm vivas suas denúncias: segundo eles, o apoio do poder público segue em falta

Mulheres Bakairi revolucionaram o combate aos incêndios no Cerrado

Mulheres Bakairi se preparam para uma ação de combate ao fogo na Terra Indígena Santana (MT). Foto: Coronel Paulo Selva.

Na Terra Indígena Santana, no Mato Grosso, é bastante comum ver mulheres Bakairi trocando seus cocares coloridos por capacetes de proteção, enquanto ocultam as pinturas de seus rostos com grossas balaclavas antichamas.

Essa é a rotina destemida de dezenas de mulheres indígenas à frente de uma brigada voluntária, há anos responsável por conter o avanço feroz das chamas no Cerrado brasileiro. O protagonismo delas nunca se fez tão necessário: nos últimos anos, a savana vem enfrentando uma de suas mais devastadoras temporadas de incêndio. A liderança feminina é mais do que decisiva para evitar desastres.

Mulheres indígenas são linha de frente na luta contra o fogo

As brigadistas indígenas Kadiwéu Luciana Correia (à direita) e Neudines Félix. Foto: Alicce Rodrigues/Instituto Terra Brasilis.

O fogo não dá trégua em nenhum dos principais biomas brasileiros. E quem vê tudo arder de perto não pode esperar: nos últimos anos, diante da falta de recursos e da ausência do Estado, mulheres indígenas como as Kadiwéu, no Mato Grosso do Sul, e as Wapichana, Macuxi e Waiwai, em Roraima, enfrentam as chamas que devastam a vegetação nativa e os habitats sensíveis.

Estudo, monitoramento, treinamento, um corajoso trabalho de campo e, depois, reflorestamento: é tudo com elas. 

*O texto foi originalmente publicado no site Mongabay


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