Fumaça de queimadas voltam encobrir céu de Manaus e qualidade do ar chega a nível ‘muito ruim’

Concentração de partículas finas chegou a 118 µg/m³ nesta quarta-feira (9), segundo dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental, da UEA. Fumaça é transportada para a capital por ventos em baixos níveis da atmosfera.

Fumaça é registrada nesta quarta-feira em Manaus. Foto: Jackeline Lima/Rede Amazônica AM

A qualidade do ar voltou a piorar em Manaus (AM) na manhã desta quarta-feira (9), pelo segundo dia consecutivo. Imagens feitas por drone mostram a cidade encoberta pela fumaça.

Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mostram que a concentração de partículas chegou a 67,9 µg/m³ no sensor instalado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), índice considerado ruim.

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Durante a madrugada, os índices foram ainda mais elevados em alguns pontos da capital. Por volta das 5h48, sensores chegaram a registrar até 118 µg/m³. A qualidade do ar é considerada boa quando a concentração de partículas fica entre 0 e 25 µg/m³.

Apesar da fumaça registrada na capital, Manaus está entre as cidades com menor número de focos de incêndio no Amazonas, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Leia também: Saiba como monitorar a qualidade do ar na Amazônia em plataformas online

Pesquisador aponta queimadas na região; Prefeitura cita fumaça de outros estados

A origem da fumaça é atribuída a diferentes áreas pelas fontes consultadas pelo Grupo Rede Amazônica. De acordo com o pesquisador Rodrigo Augusto Ferreira de Souza, da UEA, a fumaça registrada na capital está fortemente relacionada às queimadas na Região Metropolitana de Manaus.

Já a Prefeitura de Manaus afirma que a fumaça também é proveniente de áreas de queimadas ao sul do Amazonas, no norte de Mato Grosso e em Rondônia. Segundo a administração municipal, o material particulado está sendo transportado para a capital pela circulação dos ventos em baixos níveis da atmosfera.

A Prefeitura relaciona a mudança na circulação dos ventos ao avanço de uma frente fria pelo centro-sul do país. O fenômeno teria alterado temporariamente o padrão dos ventos e favorecido o transporte da fumaça em direção a Manaus.

A fumaça já havia sido observada em Manaus na manhã de terça-feira (8), quando a qualidade do ar foi classificada como moderada. Moradores também relataram cheiro de fumaça em diferentes bairros da capital.

Queimadas fazem Manaus amanhecer encoberta de fumaça pelo 2º dia seguido. Foto: Sérgio de Andrade

Níveis de poluição do ar na Região Metropolitana de Manaus

Na quarta-feira (9), na Zona Oeste de Manaus, o sensor do Tarumã registrou 30,1 µg/m³, índice classificado como moderado. Já na região central da cidade, a concentração chegou a 53,9 µg/m³. Municípios da Região Metropolitana também apresentaram piora na qualidade do ar nesta quarta-feira.

Em Iranduba, a qualidade do ar era considerada muito ruim. Por volta das 7h40, o sensor do município registrava 83 µg/m³. A situação ocorre após o incêndio registrado no lixão da cidade.

No mesmo horário, Autazes registrava 78,4 µg/m³. Em Manacapuru, o índice chegou a 46,1 µg/m³, enquanto Manaquiri registrou 39,9 µg/m³. Todos os municípios apresentaram concentrações acima do nível considerado bom.

Nas redes sociais, moradores reclamaram da fumaça. “Já não basta o calor descomunal e ainda tem algum desgraçado que achou de bom tom fazer queimada”, disse um usuário na rede social X.

O que fazer quando há fumaça

Com a piora da qualidade do ar, a orientação da Defesa Civil é reduzir a exposição prolongada à fumaça e evitar atividades físicas intensas ao ar livre nos períodos de maior concentração de partículas.

A recomendação também é manter-se hidratado e acompanhar as atualizações sobre a qualidade do ar e as condições meteorológicas.

A Defesa Civil informou que continua monitorando a situação ao longo desta quarta-feira e que novas informações devem ser divulgadas caso haja mudança significativa no cenário.

Em situações de risco, a população pode acionar a Defesa Civil pelo telefone 199.

Leia também: Qualidade do ar: veja quais são os cuidados essenciais em períodos de fumaça causada por queimadas

Foto: Sérgio de Andrade

*Por Jadson Lima, da Rede Amazônica AM

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