Biocosméticos são produzidos com elementos da Amazônia e saberes Wajãpi no Amapá

Alunas do ensino médio participam do projeto Meninas na Ciência, da Ueap, aprendendo técnicas tradicionais de extração de óleos e essências realizadas por comunidades extrativistas.

Estudantes do ensino médio participam do projeto Meninas na Ciência da Ueap. Foto: Francisco Pinheiro/Rede Amazônica AP

Elementos da Amazônia são amplamente utilizados na fabricação de biocosméticos devido às propriedades hidratantes, regenerativas e anti-inflamatórias. Esse conhecimento já é antigo e faz parte da cultura da região Norte. E o tema tem sido estudado na Universidade do Estado do Amapá (Ueap). Foi nesse contexto que surgiu o projeto Meninas na Ciência, uma iniciativa de extensão universitária voltada a incentivar a participação feminina na pesquisa.

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Cinco estudantes da Escola Estadual Esther da Silva Virgolino foram selecionadas para integrar a equipe. No contraturno, elas têm aulas teóricas e práticas para a produção de biocosméticos, utilizando produtos naturais da floresta e aprendendo técnicas tradicionais de extração de óleos e essências realizadas por comunidades extrativistas.

“O projeto surge quando a gente percebe que as meninas têm uma certa rejeição com as áreas das exatas e também não se imaginam no campo da pesquisa. Então a gente pensou, sentamos com meu grupo do Pibid (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência) em fazer um projeto destinado a meninas e incentivar elas no campo da ciência. O projeto vem alinhando não somente a questão das mulheres dentro do campo da pesquisa, mas também o reconhecimento dos povos originários”, declarou a coordenadora.

Biocosméticos são produzidos com elementos da Amazônia e saberes Wajãpi no Amapá
Estudantes do ensino médio produzem biocosméticos como sabão líquido através do projeto Meninas na Ciência. Foto: Francisco Pinheiro/Rede Amazônica AP

Biocosméticos com sabedoria ancestral

Dentro do projeto, é incentivado o destaque à cultura dos povos Wajãpi. Segundo a coordenadora, são usados elementos da Bioamazônia do Amapá para produzir os biocosméticos, por serem mais preservados do que os encontrados em outras áreas da Amazônia Legal.

Na primeira etapa, as alunas conheceram aspectos culturais dos povos originários, incluindo grafismos Wajãpi.

Vanessa Letícia, de 16 anos, é uma das participantes. Para ela, o projeto tem grande importância pelos conhecimentos que aprendem e vão levar para a vida toda.

“Esse projeto é fundamental para nós. Nós principalmente aprendemos a trabalhar em grupo, porque é muito importante. Esse projeto envolve outras coisas: ciência, química, biologia, de extrema relevância, extrema importância para nós. Esse aprendizado que nós estamos tendo já vai levar para a nossa vida, são coisas imensuráveis”, declarou.

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Sabão produzido pelas estudantes do ensino médio no projeto Meninas na Ciência. Foto: Francisco Pinheiro/Rede Amazônica AP

As aulas são conduzidas pela acadêmica de licenciatura em química, Ini Palheta. Segundo ela, as estudantes têm contato com práticas experimentais de saberes ancestrais e também com atividades de laboratório para a fabricação de biocosméticos.

“Esses conhecimentos que elas estão absorvendo também vão compartilhar com escolas agrícolas, com outras meninas da academia da universidade e com outras meninas de fora”, explicou.

Parte do projeto é incentivar as estudantes a empreender a partir dos produtos que produzem, criando independência e autonomia. Elas também podem aplicar pinturas e significados culturais nos itens.

“Nós também vamos poder aprender que é importante. Já temos todo esse conhecimento aqui e podemos expandir. O objetivo é dar visibilidade para esse projeto, que tem grande potencial e importância para nós”, destacou.

*Por Francisco Pinheiro e Mayra Carvalho, da Rede Amazônica AP

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