Desmatamento: modelos mostram que a floresta amazônica mantém microclima no solo

O estudo indica que as regiões desmatadas no estado de Rondônia, no sudeste do Pará e no norte de Mato Grosso são as mais afetadas.

Floresta mantém microclima no solo. Foto: Liana Anderson

Um estudo confirmou em microescala o que mostram os modelos sobre o efeito climático do desmatamento em grandes regiões de floresta. Pesquisadores brasileiros, norte-americanos e britânicos usaram imagens de satélite para esquadrinhar a Amazônia.

Eles dividiram o bioma em 204 quadrados com 55 quilômetros (km) de diâmetro, e calcularam a proporção de mata em cada um deles.

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Comparando o clima de regiões desmatadas, com cobertura florestal inferior a 60%, com as mais preservadas, com 80% ou mais de vegetação, eles constataram que a perda de árvores contribuiu para aumentar a temperatura do solo, diminuir a transpiração das plantas e a frequência das chuvas.

“Esse clima afasta as espécies vegetais mais sensíveis da floresta úmida, favorecendo as gramíneas exóticas e outras espécies resistentes ao clima mais seco”, observa o especialista em sensoriamento remoto Marcus Silveira, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Leia também: Desmatamento na Amazônia ameaça igarapés e segurança hídrica

O estudo indica que as regiões com a perda vegetal no estado de Rondônia, no sudeste do Pará e no norte de Mato Grosso são as mais afetadas (Communications Earth & Environment, 21 de novembro).

Estudo aprofunda referências para mapear desmatamento

Desmatamento: modelos mostram que a floresta amazônica mantém microclima no solo
Imagem: Reprodução/Acervo do estudo

Todas essas células da grade estão inteiramente dentro do bioma de floresta úmida, apresentaram perda florestal insignificante entre 2013 e 2021 e foram agrupadas por sua porcentagem de cobertura florestal remanescente em 2021 (≤40%, 40–60% ou 60–80% para células desmatadas e cobertura florestal >80% para células de referência).

A distribuição das diferenças climáticas entre as células desmatadas de cada grupo de desmatamento em comparação com as células vizinhas de referência foi comparada com a distribuição das diferenças climáticas entre as células de referência e suas respectivas vizinhas, como também exemplificado no painel à direita.

As células de referência em verde desbotado foram adicionalmente utilizadas em uma segunda avaliação para gerar, em toda a região de estudo, 1000 amostras aleatórias de 150 pares de diferenças climáticas entre as células de referência e suas vizinhas.

A distribuição original das diferenças climáticas entre as células desmatadas e as células de referência foi então comparada com cada uma das 1000 distribuições de células de referência aleatórias para avaliar a consistência dos padrões a partir dos testes estatísticos. Os mapas base do oceano e do terreno foram obtidos do Natural Earth

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