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Quinta, 29 Setembro 2022

Marius Bell, o artista que coloriu o Amazonas

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O artista plástico Marius Bell nasceu em Manaus no dia 01 de abril de 1950. Desde criança foi atraído pela arte do desenho. Aluno do terceiro ano primário no Grupo Escolar Getúlio Vargas, sonhava em ser professor de História, provavelmente por conta da sofreguidão com que lia gibis, romances de cavalaria e obras de Monteiro Lobato. Já naquela época fazia desenhos espetaculares. O problema é que Marius havia descoberto os catecismos do Carlos Zérifo e, começava a ganhar alguns trocados dos colegas de classe replicando aquelas saborosas histórias em quadrinhos com traços cada vez mais ultrarrealistas.

Na maioria das vezes fazia desenhos com o rosto da professora, que era o terror da sala, afinal ninguém gostava dela. Durante uma aula de português onde a tarefa de classe era escrever o ditado "A caneca da Cecilia", recitada pela professora, Marius Bell começou a desenhar a pedido de um dos colegas de classe, nesta oportunidade ele entretido na tarefa quando sua professora se aproximou segurando-lhe pela orelha e antes que pudesse reagir, tomou-lhe o desenho de suas mãos, era uma sexta-feira, dia em que o padre redentorista comparecia ao educandário pra ministrar aquelas palestras chatíssimas sobre a necessidade de não se pecar com as mãos, sob pena de ficar cego, nascer cabelos na palma da mão, ou queimar eternamente no fogo do inferno. Marius Bell o promissor artista plástico começa a trabalhar como auxiliar de gari do Departamento Estadual de Rodagem do Amazonas (DER-AM).

Marius Bell trabalhando na mesa de criação na Amazonas Publicidade. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Era o trabalho difícil retirar as ervas daninhas que teimavam em nascer no entorno dos paralelepípedos da Rua Carvalho Leal, munido de uma pequena faca artesanal feita de um pedaço de flande com o cabo de madeira, tudo isso foi castigo de sua mãe por ter feito um desenho erótico em sala de aula. Marius Bell não realizou seu grande sonho, ser um professor de História. Na Universidade foi até o terceiro período de Arquitetura e Urbanismo na Ulbra Manaus, mas, Manaus ganhou um tremendo artista plástico.

Quem passa pela Avenida Lourenço Braga em direção ao Bairro de Educandos, ao olhar para frente no muro da Antiga Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa depara-se com a obra de Marius Bell, casas antigas retratadas com perfeição em uma parede em mais de 1.200 metros quadrados. O cinza daquele espaço foi substituído pelo colorido e pela criatividade desse excelente profissional.

Marius Bell conversando com Phelippe Daou em uma feira no Studio 5. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Outra obra imponente de Marius Bell está no município de Borba, localizado a 215 km de Manaus, aquela imensa imagem de Santo Antônio de frente para o rio e ao lado da basílica. Foram aproximadamente 150 operários, seus auxiliares trabalhando na obra, que levou quatro meses para ser concluída, foram seus parceiros neste trabalho, o marceneiro Edvaldo Smurf, o poeta Marcos Gomes, que colaborou na logística, Lildo Fado, responsável pela administração financeira e Pedro Profeta que executava os desenhos ampliados, sem esquecer Jones Karrer que doou a obra para o Santuário da Igreja, a quinta do mundo a guardar um pequeno "relicário" com os restos mortais de Santo Antônio. Borba considerada como Terra dos Milagres recebe visitantes de várias partes do mundo com a finalidade de participar dos festejos de Santo Antônio. A estátua também foi fonte de criação de um dos mais conhecido poema "Santo Antônio de Borba que o Diga", do jornalista e membro da Academia Amazonense de Letras Aldisio Filgueiras.

Outro fato importante da vida de Marius Bell está ligado com a história de cinema de Manaus. Ele era quem pintava os imensos painéis de chamada dos filmes colocados a frente dos principais cinemas da cidade. Marius Bell no início de sua carreira foi funcionário da empresa Amazonas Publicidade Ltda, de propriedade do jornalista Phelippe Daou, jornalista Milton Cordeiro e o publicitário Joaquim Margarido. Marius Bell lembra sua criação dos dez anos da Rede Amazônica.

Carta de apresentação ao artista Marius Bell assinada por Milton Cordeiro. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Esse artista plástico de nome nacional, durante a campanha a presidência da República de Fernando Collor de Melo, pintou um quadro com a foto do então candidato e que mais tarde foi dado de presente ao candidato. Participou também da exposição "Retratos de Estrelas". Outro trabalho de história importante foi a produção de painel que resgatou a memória da imprensa oficial, que foi exposto na antiga sede o órgão. Em abril de 2008 lança-se ao seu maior desafio como roteirista, produzindo seu primeiro curta metragem, baseado em uma monografia do Curso de História, com o título "Obras e Artes de Cemitérios. Participou do Oitavo Festival Brasileiro de Filme Publicitário, promovido pela Associação Brasileira de Propaganda – ABP, representando a empresa que trabalhava, Amazonas Publicidade, que ocorreu no Rio de Janeiro, em 30 de outubro de 1986. Fez o curso a "Importância da Propaganda no Mundo de Hoje", no SEBRAE|Am, em 1989 e, também, fez o curso, Formação de Arte Finalista, do treinamento "Iniciação e Produção Comercial de TV, promovido pela Rede Amazônica de Rádio e Televisão, em parceria com o SENAC, participou também do Programa de Desenvolvimento Empresarial, e da primeira "Oficina Preparatória, para o Primeiro Encontro Sul-Americano das Culturas Populares e Segundo Seminário de Políticas de Culturas Populares", realizado pela Secretaria de Cultura do Amazonas.

Em março de 1976, Mario Bezerra, conhecido como artista plástico e com o codinome de Marius Bell, pede seu desligamento da empresa Amazonas Publicidade e seguiu produzindo a sua arte. Marius Bel como é conhecido continua criando seus trabalhos e participando de importantes exposições que ocorrem em Manaus e no Brasil, especialmente nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.

Logo dos 10 anos da Rede Amazônica. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

A criação do logotipo dos 10 anos

De acordo com o informativo ano 1 n.4 da Rede Amazônia à época em que ela transmitia a Rede Bandeirante Marius Bell, fez a concepção artística do logo tipo alusivo aos dez anos da TV Amazonas canal 5, que também acumulava a função de Diretor de Artes da Amazonas publicidade. Esse importante artista jamais frequentou uma escola de arte ou desenho, tendo herdado do seu pai essa qualidade profissional, com imaginação, talento, humildade, venceu com sua arte.

Sua principal característica é assumir sem temor trabalhos difíceis, procurando os ângulos mais divergentes do desenho publicitário para conceber novas formas, ideias e criação. O logotipo dos 10 anos da TV Amazonas, pelo excelente visual tem merecido encômios, exímio leitor gosta de ler tudo que se relaciona a sua profissão, daí o êxito de sua caminhada promissora até os dias atuais. 

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista 


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