3 doces clássicos adaptados ao paladar amazônico que você precisa provar

A mistura entre receitas de outras partes do Brasil e ingredientes amazônicos cria novas identidades gastronômicas.

Brigadeiro é o doce mais famoso do Brasil. Imagem mostra a versão de castanha-do-brasil. Foto: Reprodução/Sabores da Amazônia/Amazon Sat

Quando receitas de outras regiões encontram os ingredientes únicos da Amazônia, como castanha-do-brasil, cupuaçu, açaí e tapioca, surgem novas identidades gastronômicas, que respeitam a tradição e ao mesmo tempo refletem a criatividade local.

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Em conversa com a equipe do Portal Amazônia, a chef e empresária Talita Avelino, dona de uma confeitaria na cidade de Manaus (AM), exemplifica três doces que são populares na Amazônia e ganharam versões adaptadas ao paladar regional.

“Esses doces conquistaram o paladar amazônico por serem doces afetivos e festivos. Eles são fáceis de preparar e compartilhar em festas, aniversários e celebrações. Além disso, têm uma identidade afetiva que conecta gerações, assim como os doces tradicionais da Amazônia”, disse a chef ao Portal Amazônia.

Confira os três doces elencados pela chef:

Brigadeiro

Brigadeiro - doce clássico brasileiro, feito com chocolate e leite condensado.
Brigadeiro clássico brasileiro, feito com chocolate e leite condensado. Foto: Mayra/Wikipédia

De acordo com o artigo ‘O mais popular dos doces brasileiros: História crítica do brigadeiro’ (2019), de Pedro von Mengden Meirelles, o brigadeiro, doce mais famoso do Brasil, tem uma história “nebulosa”.

Uma versão popular sobre a origem do brigadeiro é que ele teria sido criado em meio à campanha do político Brigadeiro Eduardo Gomes, em meados do século XX, e vendido por suas eleitoras para arrecadar fundos ou distribuídos para angariar votos.

A versão conta que uma das senhoras participantes da equipe do candidato teria levado a curiosa sobremesa para uma reunião. Heloisa Nabuco de Oliveira apresentou ao restante do grupo o doce que fez um sucesso imediato e, para homenagear Gomes, deu ao doce o nome de “brigadeiro”.

A receita “original”, é composta por:

1 lata ou caixinha de 395 g de leite condensado
3 colheres (sopa) de chocolate em pó
1 colher (sopa) de manteiga
1 xícara (chá) de chocolate granulado

Junta-se todos os ingredientes em uma panela. Leve a panela ao fogo e mexa sem parar até atingir um ponto em que ele desgruda do fundo da panela. Deixa-se esfriar em recipiente untado e, depois, “enrola” a massa em pequenas bolinhas que devem ser passadas em granulados (da sua preferência) para formar os tradicionais brigadeiros.

Mas, claro, a receita foi sendo adaptada ao longo dos anos e tem ganhado versões diferentes, como a que incorpora um sabor típico da Amazônia: a banana frita. Confira:

Beijinho de coco

Doce beijinho é famoso nas festas de criança
Beijinho é um doce de coco com leite condensado e açúcar também muito consumido em festas infantis. Foto: Yardena / Wikipédia

Apesar da fama no Brasil, o doce é originário dos conventos de Portugal e, a princípio, a receita levava amêndoas e calda de açúcar. Ele chegou ao Brasil durante o período de colonização, junto com a família real portuguesa e, como o coco era uma fruta abundante aqui, foi incluído ralado na receita, no lugar das amêndoas, mudando o nome para beijinho de coco. Além disso, na calda de açúcar, foi acrescentado o leite.

Tempos depois, em meados do século XX, o doce ganhou mais uma adaptação: o uso do leite condensado, assim como outros doces da época e o popular brigedeiro.

O cravo também foi adicionado na composição visual do doce e o beijinho, já com este nome, espalhou-se por todo o país e continua sendo um dos mais tradicionais até hoje.

Inspirados tanto no brigadeiro quanto no beijinho, outros docinhos com sabores amazônicos já foram criados, como estes:

Leia também: Doces, salgados e mais: 9 lanches que fazem sucesso na Amazônia

Quindim

O Quindim é doce à base de gema de ovo, açúcar e coco, típico de outras regiões do Brasil, mas amplamente apreciado no Norte. Foto: Leonardo “Leguas” Carvalho / Wikipédia

De acordo com a tese ‘Influência portuguesa no preparo do quindim’, de Ilana Santos, da mesma maneira que outros doces populares no Brasil, o quindim também teve sua origem em Portugal. E foi nos conventos portugueses que este doce surgiu.

As freiras que viviam no convento tinham o hábito de usar claras de ovos para engomar as suas roupas, e com as gemas que sobravam elas faziam doces diversos como o bom-bocado, papo de anjo e brisas do lis.

Antigamente o brisas do lis tinha o nome de “beijinho”, mas como na época não era apropriado pedir um beijinho a uma religiosa o nome precisou ser mudado e esse doce deu origem ao quindim.

O brisas do lis era feito basicamente com açúcar, gemas e amêndoas. Na dificuldade de encontrar amêndoas no Brasil, elas foram substituídas pelo coco, dando origem ao quindim. Essa substituição veio das mulheres africanas que vieram ao Brasil escravizadas.

A popularidade desses doces ocorre porque o paladar amazônico é receptivo a novas experiências, especialmente quando essas receitas podem ser adaptadas aos ingredientes locais, como castanhas, frutas e especiarias. No caso do quindim, uma receita criada por um chef acreano incorporou o açaí:

A fusão entre tradição local e receitas de outras regiões cria uma familiaridade afetiva, tornando-os presentes em festas e encontros familiares. Para Talita, esses doces trouxeram diversidade e inspiraram a criatividade da culinária local.

“Eles convivem com os ingredientes amazônicos, e muitas vezes ganham versões regionais, incorporando frutas, castanhas e sabores típicos da região. Isso não apenas enriquece o repertório de sobremesas, mas também nos inspira a criar novas combinações e releituras que valorizam a cultura amazônica”, conclui a chef.

*Por Karla Ximenes, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

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