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Quarta, 29 Junho 2022

Seja bem-vindo, meu neto

Nasceu Levi. Já foi chamado de quinto elemento, pelo número de irmãos. O mais velho, Lukas, tem 21 anos e decidiu empreender. Bruno, de 18, planeja vir estudar no Brasil, fazendo o caminho inverso de milhares de jovens daqui que querem ir para os EUA. Brian e Oliver, de 13 e 10, mostram traços próprios, cada um com o seu talento, cada um com o seu caminho.

Quando alguém chega em algum local, cabe a outro alguém dizer como são as coisas por ali. Quais são as regras, o que funciona, o que não funciona e assim por diante. É assim nas empresas, nas organizações e em todos os tipos de grupos. Mas o que dizer ao Levi? Que mundo é este em que vivemos?

Podemos destacar os grandes avanços da tecnologia, a internet, os celulares, as redes sociais, o conhecimento da física, da biologia e da astronomia. Podemos mencionar a inteligência dos algoritmos, a queda da mortalidade infantil no mundo e o aumento da expectativa de vida. Para complementar, que tal mencionar as maravilhas da natureza, a beleza da música, da literatura e da arte de um modo geral? Teríamos muito a falar. Ele, certamente, se sentiria feliz e entusiasmado com o que ainda iria desfrutar.

Mas poderíamos também dizer a ele outras coisas que não teríamos como explicar. Como a esta altura da história ainda temos guerras que eliminam vidas, destroem cidades e espalham sofrimento por todos os lados? E o que falar das guerras do dia a dia, dentro dos lares, das empresas, em qualquer lugar? E a ameaça das pandemias, as catástrofes naturais e as ações humanas que colocam em risco exatamente o mundo em que ele vai viver quando, talvez nós não estejamos mais aqui? Como explicar a desigualdade social, a violência das hegemonias, o egoísmo e o materialismo de nossa cultura? Como Levi reagiria a esta realidade?
Foto: Reprodução/LinkedIn

 Volto a trazer a questão, caro leitor. O que dizer ao Levi?

Qualquer das duas visões pode ser apontada como incompleta, insuficiente. No entanto, elas não são igualmente benéficas ou igualmente negativas. Uma delas pode levar ao pessimismo. Outra, estimular a esperança. Em nenhum dos casos seria benéfica a superficialidade do pessimismo e do exagerado otimismo. No entanto, a visão conscientemente positiva, mesmo diante de tantos problemas, permite trazer a consciência da responsabilidade.

O pessimismo e a desesperança não constroem. Ao contrário, nos acomodam nas profecias autorrealizáveis de que o pior é inevitável. O que quero dizer ao Levi é que ele poderá ser um agente ativo na construção do mundo em que ele quiser habitar. Que grande parte do que ele viverá ainda será construído e que ele e a sua geração estarão, no devido tempo, recebendo o bastão para seguir em frente. Que sim, que ele e a sua geração poderão ser felizes. Mas que ela, a felicidade, não cairá do céu. Ela precisará ser construída.

Não direi muitas coisas ao Levi. Desejo que, quando criança, possa ter alegria, leveza e espontaneidade. Ao crescer, que boas perguntas o levem a refletir e a fazer as suas próprias escolhas. O que você traz, Levi? Qual será a sua missão? Que propósitos você desenvolverá ao longo da vida? Quais serão os seus sonhos?

Seja bem-vindo, neto Levi. Há muita diversão e trabalho pela frente. Que você construa felicidade, para você e para todos que puder atingir. 

Sobre o autor

JulioSampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

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