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Terça, 16 Agosto 2022

Felicidade - falta uma letra no ESG

Quando fiz o mestrado, e isto já faz um bom tempo, era visto na minha turma e, por parte dos professores, como um cara suspeito. Defendia ideias que pareciam estranhas para eles. Ou eram utópicas ou mal-intencionadas, já que eu trabalhava na área comercial. Minha bandeira era de que era possível aliar o lucro ao bem e que fazer o bem poderia ser um bom negócio. Logo recebi o apelido jocoso de "lucro" e, na melhor das hipóteses, era percebido como alguém ingênuo. Vivi o suficiente para ver hoje o que é chamado de ESG.

Para quem não está familiarizado com o assunto e fazendo uma explicação muito simplificada, a sigla representa empresas que exercem práticas comprometidas com o meio ambiente (E de environment em inglês), sociais ( S) e a Governança (G). O conceito que se tornou um movimento forte do mundo durante a pandemia, quando ficou evidente que empresas que tinham um propósito maior do que apenas gerar lucros para os seus donos, apresentavam maior resiliência diante de uma crise tão grave. Eram empresas mais seguras para se investir, projetavam maior longevidade e, ainda por cima, faziam o bem. Confirmou-se assim a velha máxima de que fazer o bem faz bem.

Foto: Divulgação

Tudo isto se potencializou e se alastrou rapidamente quando os maiores grupos de gestores de recursos mundiais (apenas um deles detém quatro vezes o PIB brasileiro), declarou que os investimentos de todo este capital seriam direcionados apenas para as empresas comprometidas com a ESG. Estabeleceu-se a partir daí uma nova corrida do ouro, atraindo empresas de todos os tipos, as legítimas e os ilegítimos também. As instituições financeiras foram as primeiras a se apresentar, seguidas das indústrias e dos mais diferentes tipos de negócios, todos querendo provar que tinham um propósito, não poluíam, trabalhavam contra a desigualdade social e exerciam um sistema de governança baseada em ética, transparência e equidade. Ficou mais difícil separar o joio do trigo, mas nada que diminua a relevância do movimento. Afinal, mesmo que por puro egoísmo se fizer o bem, o bem está feito.

O ESG é sim uma evolução de ideias e práticas que começaram lá atrás, como o Desenvolvimento Sustentável, a Responsabilidade Social, a Responsabilidade Corporativa e mais recentemente o conceito de Empresas de Impacto. É positivo olhar-se para os negócios com métricas que vão além dos resultados financeiros. Há uma escala que tenta classificá-las em diferentes estágios de prática: financeiros, responsáveis, sustentáveis e impacto, para falar apenas nas empresas que visam o lucro. O ESG ajuda a materializar e acelerar o que é bom para todos, para as pessoas, para os negócios, para o mundo.

Mas quero fazer um novo grito. Falta uma letra no ESG. Defendo fortemente o F de felicidade. Sim, empresas saudáveis devem ter o compromisso de promover Felicidade. Não se trata de utopia ou de algo abstrato. Pensadores como Mihaly Csikszentmihalyi já defendiam que as organizações podem ser, ao contrário do que predomina hoje, espaços positivos onde há a sensação de bem-estar e felicidade, boas relações entre líderes, liderados e colegas, aliados à produtividade, aos lucros e aos efeitos benéficos à sociedade. A psicologia positiva do trabalho avançou em seus estudos e há diversos trabalhos que comprovam que isto é possível. Para isso, no entanto, é preciso que a Felicidade se torne um Princípio, um valor central, e não apenas um efeito periférico. É preciso trabalharmos para o ESG-F.

Sobre o autor

JulioSampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista


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