Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br
Avançamos rapidamente sobre fevereiro, ou melhor, fevereiro avançou rapidamente sobre nós. E as nossas metas? Se é verdade que não existem bons ventos para quem não sabe para onde ir, precisamos ter claras quais são as nossas metas para o ano, não é mesmo? E precisamos lidar bem com elas.
Se você é um executivo ou um profissional de vendas deve estar acostumado a receber metas de resultados ou de prazos, que você pode simplesmente absorvê-las com tranquilidade, sem maiores questionamentos ou considerá-las inexequíveis, irreais, injustas ou até desumanas.
Quem recebe metas de terceiros já passou por estes ou outros sentimentos, na maioria das vezes, sem muito o que fazer. “Metas são metas. Metas não se discutem”, costumava eu mesmo dizer quando estive na frente de equipes comerciais. A sentença equivalia quase a um dogma. Quando se é mais jovem, as afirmações costumam ser absolutas.
O tempo nos faz ser mais reflexivos sobre as metas. Elas ganham força quando são interiorizadas e quando se transformam em nossas metas e não dos outros. Neste caso, somos proprietários delas, nos dois sentidos: de quem estabelece e de quem buscará cumpri-las.
Ter metas é bom, desde que elas nos levem para onde precisamos ou queremos ir. É o caso das metas alinhadas à nossa Missão e ao nosso Propósito, que são as metas mais importantes e que garantem que estamos colocando energia na direção certa.
Há metas que traduzem não o que esperamos da vida, mas o que a vida espera de nós naquele momento, naquela determinada situação. Podemos estar diante de uma grande dificuldade, um beco sem-saída. Podemos também estar em uma encruzilhada de dilemas, por exemplo, entre o fácil e o correto ou entre os nossos interesses e os da maioria. Nestas situações, metas conscientes podem nos ajudar a fazer o que precisa ser feito.
Há metas que nascem de sonhos e elas começam a existir ainda em um plano invisível, como sementes que se materializarão no futuro. Transformar um sonho em uma meta pode ser divertido e bastante prazeroso. Não significa que serão metas fáceis, mas que há um prêmio nos aguardando, quando chegarmos lá.
Metas não devem ser fáceis mesmo, mas também não devem ser inatingíveis. Metas perfeitas estão no exato ponto entre o desafio e a nossa qualificação para atingi-la, gerando crescimento. Não por acaso, é onde podemos vivenciar o estado de flow, de plenitude. Por isso, um bom gestor buscará construir metas diferenciadas em uma equipe, considerando o estágio e potencial de cada um e fazendo com que todos ganhem propriedade sobre elas. Nas nossas vidas, podemos fazer o mesmo, estabelecendo metas desafiantes e realizáveis.
Metas devem ter um placar. Como saberemos se estamos avançando ou não, na sua direção? Como seria uma partida de futebol sem um placar? Como seria uma olimpíada sem os recordes a serem superados a cada edição da competição?
Metas devem ser escritas e relidas continuamente. Algo mágico acontece quando as escrevemos e as lemos sempre, se possível, diariamente.
O pesquisador e consultor George Doran publicou em 1981 um artigo na revista Management Review em que propôs para metas o método SMART. Desde então, o método vem sendo bastante aceito no mundo corporativo, com aplicações também na vida prática. A palavra é um acrônimo que, trazida para o português, pode ser entendida como: S (específica), M (mensurável), A (atingível), R (relevante), T (em um tempo determinado).
E você? Já escreveu suas metas para o ano? Você está cuidando bem delas?
Sobre o autor
Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.
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