Paixão de Torcedor: amor que vem do berço e uma forte ligação emocional com o boi-bumbá de Parintins

Fotos: Hector Muniz/Portal Amazônia

O Carnaboi é uma amostra da grandeza do Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas. O evento marca o final do Carnaval e o início da temporada bovina com edições em Parintins e em Manaus. As galeras, ou seja, os torcedores de cada bumbá – Caprichoso e Garantido -, representam o item 9 da competição, pois são incluídas nas avaliações para definir o campeão da disputa que ocorre todo mês de junho, no bumbódromo da ilha da magia.

E, assim como toda torcida, a paixão fala alto quando o assunto é defender o boi escolhido…

Amor pelo boi azul e branco: “desde que eu nasci”

Assistir o Caprichoso durante o Carnaboi de Manaus é se lembrar de sua relação com a cultura amazônica. Este é o sentimento de muitas pessoas que foram acompanhar o boi azul e branco no Centro de Convenções Professor Gilberto Mestrinho, o Sambódromo de Manaus, nos dois dias de festa este ano, sexta-feira (20) e sábado (21), marcando presença no evento que tradicionalmente abre a Temporada Bovina no Amazonas.

O Carnaboi é considerado o ponto de partida do calendário que culmina no Festival Folclórico de Parintins, no fim de junho. É neste período que itens oficiais, artistas e torcedores intensificam ensaios, eventos e mobilizações, fortalecendo a conexão entre o boi e sua galera antes das três noites de disputa no Bumbódromo.

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O evento chegou a sua 25ª edição este ano e é quando começa o alinhamento dos artistas com o público para a apresentação no fim do mês de junho na ilha tupinambarana e a busca por mais um título de campeão do Festival Folclórico de Parintins.

Este sentimento muitas das vezes traz ao torcedor vontade de fazer parte das apresentações. Rogério Jesus de Souza é uma dessas pessoas.

Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), com uma carreira consolidada na área de gerenciamento de recursos pesqueiros e controle de qualidade do pescado de água doce da Amazônia, Rogério Jesus de Souza é o nome pelo qual é conhecido no meio acadêmico. Mas, no meio da torcida do Caprichoso, ele é conhecido apenas como “Roca”.

O amor pelo boi da estrela azul vem do berço, pois ele é natural de Parintins e desde sempre viveu rodeado pela cultura vibrante dos bois parintinenses. Hoje, Roca se dedica tanto à sua carreira quanto à função de coordenador da Marujada de Guerra em Manaus, nome oficial da banda de percussão oficial do touro negro. Já são pelo menos 25 anos que ele coordena parte da equipe que compõe o item 3 do Caprichoso no Festival.

“O meu relacionamento com o Caprichoso foi desde que eu nasci.Porque meu pai, minha mãe, meus avôs, todos são Caprichoso. Desde pequeno eu frequentava Curral [Zeca Xibelão], quando ainda era na rua Cordovil (em Parintins). Mas aí eu vim estudar em Manaus, depois fui fazer graduação de Engenharia de Pesca em Fortaleza (CE), fui fazer minha carreira. Até que em 1982 eu fui nomeado para um cargo em Parintins e tive contato novamente com a Marujada de Guerra. E de lá para cá eu nunca mais saí”, revelou.

‘Roca’ coordena os integrantes da Marujada de Guerra em Manaus. Foto: Hector Muniz/ Portal Amazônia

‘Roca’ então foi construindo uma carreira dentro do Caprichoso em paralelo ao seu trabalho na formação de engenheiro de pesca. Como engenheiro, em 1988, foi admitido por meio de concurso no Inpa em Manaus e continuou nas atividades do Boi Caprichoso na capital amazonense.

Ele é, inclusive, um dos fundadores do ‘Bar do Boi’, um evento tradicional de Manaus, organizado pelo Movimento Marujada para celebrar o amor pelo Caprichoso na capital amazonense.

“Já aqui no Bar do Boi de Manaus precisava ter o ritmo. Aí nós fundamos a Marujada de Guerra aqui em Manaus também, principalmente para acompanhar o Arlindo Júnior nas apresentações. E então com o tempo fui tesoureiro, fui do administrativo, fui até vice-presidente e presidente, e depois que um amigo saiu para se dedicar a carreira dele de advogado eu assumi como coordenador. E aí já tem 25 anos”, conta com um sorriso no rosto.

Leia também: Veja como foi a segunda noite do Carnaboi 2025

Para “Roca”, fazer parte da Marujada de Guerra e participar das apresentações do Boi Caprichoso se tornou algo natural na sua vida.

“O Caprichoso é o meu hobby, porque como profissão eu sou engenheiro de pesca, trabalho no Inpa há quase quarenta anos. Mas durante esse tempo todo eu venho acompanhando o Caprichoso aqui em Manaus. Então é a minha parte cultural, digamos assim. E é principalmente isso que me liga emocionalmente à Parintins”.

Mãe, filha e nenhuma barreira geográfica

Adriane Figueiredo e Maria Eduarda Vieira são integrantes da Raça Azul, torcida oficial do Caprichoso. Foto: Hector Muniz/ Portal Amazônia

Natural de Santarém, município do Pará, Adriane Figueiredo sempre foi torcedora do Caprichoso. Ao conseguir um emprego em Manaus, ela constituiu família e pôde ficar mais próxima das apresentações do boi azul e branco.

A proximidade dos estados na Amazônia revela como o amor pela cultura popular não conhece a geografia e nenhuma barreira que não possa ser vencida.

“Sempre gostei do Caprichoso desde que eu vivia em Santarém. O meu marido é torcedor do Caprichoso e naturalmente minha filha também se tornou. Mas foi por vontade dela. Ela que quis assim. E há pouco mais de um ano, eu fui chamado para a ‘Raça Azul’ que é a torcida oficial do Caprichoso. Então participar dessa torcida e contribuir com o meu boi, que é a minha paixão, é uma alegria muito grande pra mim. E tendo minha filha aqui comigo é melhor ainda”.

A filha de Adriane Figueiredo, Maria Eduarda Vieira, viu também a Raça Azul como uma forma de contribuir com as apresentações do boi Caprichoso, erguendo e balançando grandes bandeiras no meio do público para abrilhantar as apresentações do bumbá parintinense.

“Gosto muito de participar com a minha mãe. Foi um convite feito pela amiga dela e é assim que a gente se diverte com o Caprichoso”, disse a jovem de 15 anos.

O amor pelo boi Caprichoso, e pelo Festival Folclórico de Parintins, se revela uma tradição familiar que ultrapassa os limites dos mapas. Famílias apaixonadas pela cultura do boi-bumbá a perpetuam de geração para geração, formando novos torcedores apaixonados.

Carnaval Amazônico

O projeto Carnaval Amazônico é uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica que conecta o público com a essência do Carnaval da região Norte, com o apoio do Governo do Estado do Amazonas.

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