Foto: Ricardo Martins
O número de negócios ligados à bioeconomia mapeados na Amazônia Legal passou de 130, em 2017, para 890 em 2025, crescimento de 585% no período. O dado integra o estudo ‘Bioeconomia e empreendedorismo de impacto na Amazônia: evidências, estado atual e visão de futuro’, apresentado pela Fundação CERTI no dia 5 de outubro em evento promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Quito, no Equador. A análise mostra ainda que 70% dos negócios identificados têm até cinco anos de existência.
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O levantamento aponta que os negócios de bioeconomia estavam distribuídos por 142 municípios da Amazônia Legal em 2025, ante 54 municípios ao fim da fase inicial analisada, até 2017. A expansão ganhou velocidade a partir de 2018 e ocorreu tanto nas capitais quanto em cidades do interior. Entre os 890 negócios mapeados, 91% apresentavam situação cadastral ativa.
A publicação foi apresentada em Quito, no Equador, por Rafael Kamke, diretor do Centro de Economia Verde da CERTI, durante o painel ‘A Amazônia – Um Laboratório de Inovação’ no GET Fórum 2026. Elaborado a partir de dados reunidos durante a implementação da Jornada Amazônia, iniciativa promovida pela CERTI para fortalecer o ecossistema de bioeconomia na região, o levantamento examina o ecossistema amazônico como um todo, considerando sua evolução, características e desafios.
Bioeconomia é potência na Amazônia Legal
O estudo também identificou 9.881 talentos em 279 municípios da Amazônia Legal, entre 2023 e 2025, além de 1.570 ideias de negócios relacionadas à bioeconomia, originadas em 181 municípios. Os dados mostram que, embora as capitais concentrem parte importante dos novos empreendimentos, há uma base de negócios no interior fortemente ligada às cadeias da sociobiodiversidade e às atividades produtivas locais.
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Segundo Rafael Kamke, diretor do Centro de Economia Verde da CERTI, os dados apontados pelo levantamento resultam de fatores como a ampliação de programas de formação e apoio a empreendedores, a aproximação entre empresas, universidades, centros de pesquisa, investidores e organizações de suporte e a maior presença da bioeconomia nas agendas de desenvolvimento, clima, conservação e inovação.

Apesar do crescimento, o ecossistema ainda enfrenta desafios de maturidade e escala. Na análise da Comunidade de Negócios da Jornada Amazônia, cerca de metade das iniciativas estavam nas etapas de protótipo ou produto mínimo viável (MVP).
“O desafio agora não é somente fazer o ecossistema crescer. É aumentar sua capacidade de estruturar negócios, levar soluções ao mercado e gerar valor de forma sustentável e distribuída pelo território, com impactos econômicos, sociais e ambientais positivos”, conclui Kamke.
A discussão sobre a bioeconomia amazônica integra a programação do evento promovido pelo BID Lab, braço de inovação e venture capital do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O encontro no Equador reuniu empreendedores, investidores, lideranças empresariais, representantes de governos e agentes dos ecossistemas de inovação da América Latina e do Caribe.
*Com informações da Fundação CERTI
