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Quarta, 25 Novembro 2020

Uma concertação pela Amazônia

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Um sonho distante, mas que começa a tomar forma. O objetivo: promover ampla aliança na busca pelos problemas enfrentados pela Amazônia. A proposta é de iniciativa de donos e executivos de grandes empresas e bancos, pesquisadores, militares, economistas, políticos e ambientalistas de distintas procedências. O título do projeto - Uma Concertação pela Amazônia -, vem atraindo interesses multiformes e já reúne mais de 100 nomes interessados em entender a região, discutir como desenvolver seu potencial sem derrubar a floresta e melhorar a qualidade de vida da população. De acordo com matéria publicada no jornal Valor Econômico, em agosto passado, a intenção do grupo líder da empreitada é construir pontes com o resto do país. Trata-se, em síntese, de mais um esforço do setor privado, da Academia e da sociedade civil de se organizar e debater diferentes visões em torno da Amazônia no vácuo deixado pelo poder público.

Criação de gado no Pará; número de cabeças de bois cresceu 9,79% nos últimos dez anos no estado. (Foto: divulgação/Ascom Adepará).

Outras ações de idênticas proporções, provenientes da iniciativa privada, vêm se multiplicando. Com efeito, além do programa "Juntos pela Amazônia", o grupo JBS lançou, no último dia 23, o "Fundo pela Amazônia". O foco aponta para o desenvolvimento sustentável da bioeconomia, ampliação do reflorestamento e conservação ambiental da floresta, além de ações voltadas ao fomento da pesquisa científica e tecnológica; apoio social às comunidades caboclas e a projetos de geração de renda destinados a indígenas, ribeirinhos e quilombolas. O orçamento do fundo deverá alcançar R$ 1 bilhão em doações até 2030. Para cumprir as metas, o grupo empresarial compromete-se "a igualar doações feitas por terceiros, até que o aporte do grupo atinja R$ 500 milhões, sendo que se compromete com doação mínima de R$ 250 milhões nos primeiros cinco anos tendo em vista garantir o início das atividades do fundo", informa a alta administração da JBS.

Há, na verdade, riquíssimos campos onde investir, mas a Amazônia continua desprovida de projetos de desenvolvimento com articulação governo-iniciativa privada. De acordo com a amazonóloga Bertha Becker, o aproveitamento das riquezas da floresta é hoje uma possibilidade concreta. Existem mercados a serem explorados e muitos outros por pesquisar mundo afora. Há vários exemplos de campos comerciais que estão prontos para serem aproveitados. Como afirma Becker, o ramo biomédico, por exemplo, embora seja difícil concorrer com os grandes laboratórios mundiais; o da nutracêutica, que é gigantesco, e para quem não sabe diz respeito aos alimentos naturais que geram bem-estar e saúde, além da dermocosmética, que algumas empresas brasileiras estão começando a explorar muito bem, inclusive internacionalmente. Verdade claríssima, e incontestável, a alta tecnologia gerada na universidade, centros de pesquisas e empresas precisa entrar na Amazônia para permitir a descoberta de novos produtos e mercados.

O Amazonas alia-se a esses movimentos. A partir dos resultados positivos alcançados pela aliança Fieam, Cieam, Eletros e Abraciclo nas ações de combate à pandemia empreendidas pelo Comitê ZFM Covid-19, o grupo está seguindo adiante. Com base na relevância e eficácia dessa experiência, segundo Wilson Périco, presidente do Cieam, "nos sentimos fortes e motivados para seguir trabalhando nesse formato". O próximo (e ousado) passo diz respeito à instalação da "Convergência Empresarial do Amazonas", resultado da somatória de esforços e competências das representações do segmento. A organização vai se voltar à busca de alternativas, consolidar metodologias, avançar iniciativas ao enfrentamento dos desafios e contradições, e, ainda, balizar, com subsídios e demandas, ações parlamentares, assim como promover fundamental alinhamento junto ao governo amazonense no que concerne a ações e posicionamentos diante das reformas que se avizinham. Um salto e tanto de qualidade, posto levar o empresariado a ocupar o espaço que lhe compete no esforço de desenvolvimento do Estado.


*O conteúdo do texto é de inteira responsabilidade do(a) autor(a) e não reflete, necessariamente, a posição do Portal Amazônia.

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