Centro econômico de Assunção, no Paraguai. Foto: Autor anônimo via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
Com foco na industrialização e expansão do regime de Maquila, regulamentado pela Lei nº 1064/1997, um mecanismo de atração de investimentos que permite às indústrias estrangeiras produzirem no país com alíquota única de 1% sobre o valor agregado; isenção de impostos na importação de insumo, carga tributária 10-10-10, uso intensivo de energia renovável e reformas regulatórias, o governo aposta em um plano de longo prazo para transformar a economia do Paraguai, elevar exportações, gerar empregos e dobrar o PIB em apenas uma década.
Algo semelhante ao modelo japonês de desenvolvimento no pós-guerra, baseado em um Estado intervencionista estratégico, educação de alta qualidade, exportação de tecnologia e o sistema de gestão Toyotismo, caracterizado pelo Just in Time (produção sob demanda), Kaizen (melhoria contínua), controle de qualidade rigoroso e eliminação de desperdícios, visando alta produtividade face a recursos escassos.
A economia do Paraguai, mesmo longe do modelo japonês, reproduzido em muitos aspectos na Coreia do Sul a partir dos anos 1960, vem apresentando sinais animadores. Encerrou 2025 com US$ 1,309 bilhão em exportações da Maquila (contra US$ 602 milhões do PIM (jan-set/2025), crescimento de 18% no emprego formal e um plano estatal para dobrar o PIB em dez anos. O país deverá registrar o maior crescimento econômico da América Latina e do Caribe em 2026, segundo projeções divulgadas pela Organização das Nações Unidas (ONU).
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A previsão coloca o país entre as economias em desenvolvimento mais dinâmicas da região, ao lado de Costa Rica, República Dominicana, Guatemala, Honduras e Panamá, todas com crescimento projetado acima de 3,5%. A Guiana – média anual de crescimento de14% nos próximos cinco anos, nas contas do Fundo Monetário Internacional (FMI) -, segue como exceção regional, impulsionada pelo avanço do setor petrolífero.
A ONU estima que a inflação no Paraguai deverá alcançar 3,7% em 2026, índice considerado moderado e compatível com um ambiente macroeconômico relativamente estável, próximo à meta de 3,5% estabelecida pelo Banco Central para o período. O relatório classifica o país como uma economia de renda média-alta e o inclui no grupo de países em desenvolvimento, sem litoral.
Apesar do bom desempenho esperado, a Organização aponta desafios relevantes, entre eles a necessidade de sustentar o ritmo de crescimento e ampliar o emprego formal em um cenário internacional marcado por incertezas. No contexto regional, a ONU estima que a produção da América Latina e do Caribe crescerá 2,3% em 2026, levemente abaixo dos 2,4% projetados para 2025. Ao que destaca o documento, em diversas economias da região as condições do mercado de trabalho permaneceram relativamente sólidas ao longo de 2025.
O desemprego recuou ou se manteve relativamente baixo em países como Brasil, Costa Rica, República Dominicana, Paraguai e Uruguai. No Brasil, a taxa atingiu mínimas históricas, variando entre 5,4% e 5,6% em 2025.
Já a Argentina registrou desemprego de 7,6% no segundo trimestre do ano, abaixo do pico observado no início do período. Não obstante os fortes indicadores, a ONU alerta que a recuperação do mercado de trabalho ainda é incompleta. Em várias economias, incluindo a paraguaia, a taxa de participação na força de trabalho não retornou aos níveis anteriores à pandemia.
Numa escala global, a Organização projeta crescimento de 2,7% para a economia mundial em 2026, abaixo dos 2,8% estimados para 2025 e distante da média de 3,2% registrada antes da pandemia. Ressalta ainda que, embora uma flexibilização parcial das tensões comerciais tenha limitado impactos recentes, tarifas mais elevadas, incerteza macroeconômica e eventos climáticos tendem a pressionar a atividade econômica no próximo ano. No geral, contudo, os indicadores mostram-se favoráveis à solidificação do crescimento econômico latino-americano no médio prazo.
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Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
*O conteúdo é de responsabilidade do colunista
