Foto: Reprodução/Acervo Funai
Os povos indígenas são responsáveis por diversos costumes e tradições que preservam suas identidades e histórias. Uma dessas práticas é a pintura corporal, utilizada por várias etnias como uma forma de expressão cultural, espiritual e de pertencimento desses grupos originários.
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Essas pinturas são feitas a partir de tinturas obtidas de elementos naturais como plantas, frutas, sementes e minerais. A preparação dos pigmentos é realizada de forma artesanal e cada tintura é utilizada conforme os costumes da etnia da região.
Saiba mais sobre como são feitas as colorações e quais tipos de elementos naturais são utilizados:
Urucum: vermelho
Obtida através da polpa do urucuzeiro, a semente de urucum é responsável pela cor vermelha. A extração consiste na mistura da semente amassada com óleo, como andiroba, que ajuda na fixação da cor na pele.
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Jenipapo: preto
Uma das tinturas mais utilizadas, o preto é extraído do fruto verde do jenipapo e o sumo é misturado com carvão para garantir uma tonalidade escura. Essa “tinta” é bem popular, pois a duração da fixação na pele é de aproximadamente 15 dias.

Tabatinga: branco
Encontrada nas margens ou no fundo de rios, a tabatinga é uma argila clara, de alta viscosidade, que é bastante utilizada para a extração de pigmentos natural da cor branca voltada para pinturas artísticas.

Açafrão-da-terra: amarelo
A planta da mesma família do gengibre é utilizada para extração de tons amarelados, por meio de sua raiz seca e moída.

Estudo sobre os elementos usados para as pinturas corporais
No artigo intitulado ‘O Uso de Corantes Naturais por Algumas Comunidades Indígenas Brasileiras: Uma Possibilidade para o Ensino de Química Articulado com a Lei 11.645/2008’, as pesquisadoras Vania da Costa Ferreira Vanuchi e Mara Elisa Fortes Braibante, apresentaram a descrição química de alguns corantes naturais e quais comunidades indígenas utilizam as colorações para as pinturas corporais:


Além disso, as pesquisadoras também descreveram o modo como determinadas comunidades indígenas realização a extração dos pigmentos como, por exemplo, o urucum.
“Os Asurini do Trocará (TO), os Xikirin (PA) e os Karajá (MT) amassam as sementes com as mãos e espalham pelo corpo. Já os Xerentes (TO) obtêm a tintura por meio da fervura prolongada da semente de urucum e após esfriar, espalham pelo corpo. Por outro lado, os indígenas do Alto Xingú ralam as sementes, peneiram e fervem em água até formar uma pasta”, especificam.
