Gravuras rupestres no sítio Arara Vermelha. Foto: Marta Sara Cavallini
O estado de Roraima abriga diversos patrimônios arqueológicos que ajudam a contar a história de milhares de anos da região e revelar formas de ocupação humana, práticas culturais, rituais e modos de vida dos povos originários.
Atualmente, o estado possui 491 sítios arqueológicos registrados no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e cadastrados no Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão (SICG), banco de dados oficial do órgão.
“O sítio arqueológico tem a ver, primeiro, com a ideia de local, de uma coordenada geográfica, latitude e longitude, que apresenta vestígios de ocupação pretérita, anterior ao período colonial, o que também chamamos de pré-colombiano ou paleoameríndio”, explicou o doutor em geografia Deivison Molinari ao Portal Amazônia.
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De acordo com Molinari, os sítios arqueológicos guardam cemitérios, sepulturas, cerâmicas e artefatos que denunciam a moradia e o estilo de vida de povos antigos. A definição legal desses bens está prevista na Lei Federal nº 3.924, de 1961, que dispõe sobre os monumentos arqueológicos e pré-históricos no Brasil. Conheça três desses locais encontrados em Roraima:
Sítio Arara Vermelha
O sítio Arara Vermelha, também conhecido como Pedra do Sol, fica localizado no município de São Luiz do Anauá, ocupando uma área de 23,7 hectares. Descoberto entre 2024 e 2025, o local possui datação aproximada de 9.400 anos atrás, o que o torna um dos mais antigos do estado.
Descoberto através de um estudo da Universidade de São Paulo (USP), o sítio foi identificado como o primeiro do Brasil com evidências de granito lascado manuseado por povos indígenas pré-coloniais. O granito, pedra natural que se forma dentro da terra ao longo de milhões de anos, era utilizado na produção de artefatos e ferramentas.
O sítio, formado por um morro de granito com aproximadamente 38 metros de altura e por uma área plana no entorno, é coberto por rochas com 132 m² que reúne cerca de 17 hectares de rochas gravadas.
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“As pinturas, que são chamadas de gravuras rupestres, eram feitas em uma rocha do tipo sedimentar, conhecido como arenito. Então as pedras possuem vários riscos e desenhos, tanto zoomorfos, formas de animais, quanto antropomorfos, desenhos de pessoas”, explicou Molinari.
De acordo com o pesquisador, o sítio Arara Vermelha remete um pouco à história da arqueologia da Amazônia, além de ser considerado estratégico para a arqueologia amazônica por estar associado a um depósito sedimentar bem preservado, com alto potencial de novas descobertas.
Apesar da importância histórica, o Arara Vermelha enfrenta ameaças constantes, já que a região é usada para criação de gado e a prática da queima de áreas de mata para formação de pasto danificou blocos de granito com gravuras rupestres e comprometeu parte do entorno do sítio.
Sítio Pedra Pintada
O sítio arqueológico Pedra Pintada, localizado na Terra Indígena São Marcos, no município de Pacaraima, data de cerca de 4.000 anos atrás e é considerado o mais simbólico de Roraima. Trata-se de um grande bloco de granito com uma caverna na base e três áreas principais de pinturas rupestres.

As pinturas se dividem em área de caverna, painel principal e mesa de pedra (localizado em um lugar de difícil acesso conhecida pelo eco que produz em outras áreas do sítio). Essas pinturas possuem formas geométricas como círculos, retângulos, linhas e retas, que teriam sido desenhadas com a ajuda de escadas ou andaimes improvisados, já que estão a mais de 10 metros do solo.
Considerado sagrado pelos povos indígenas da região, o sítio revelou, em escavações realizadas na década de 1980, fragmentos cerâmicos, artefatos líticos, restos de alimentação, objetos de adorno, sementes, vestígios de cestaria, pigmentos minerais e sepultamentos.
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Ruínas do Forte São Joaquim do Rio Branco
O conjunto das Ruínas do Forte São Joaquim do Rio Branco, localizado em Bonfim, na confluência dos rios Uraricoera e Tacutu, foi construído em 1775, para evitar invasão dos espanhóis, ingleses e holandeses. O forte foi tombado em nível federal no estado por representar a ocupação portuguesa no norte do Brasil.
Erguido pelo engenheiro alemão Phelippe Frederico Stürm, com mão de obra indígena, o entorno do forte deu origem aos primeiros aldeamentos que resultariam na atual cidade de Boa Vista.
Com uma área total de 25.738,47 metros quadrados, viviam na região cerca de 1019 indígenas das etnias Paraviana, Wapixana, Sapará, Atruarí, Tapicarí, Uaiumará, Amaripa e Pauxianá.

O forte foi oficialmente tombado pelo Governo de Roraima, conforme a Portaria MINC nº 100, de 4 de dezembro de 2017 e homologado em 2023, utilizando o Decreto-Lei nº 25/1937.
Atualmente o lugar se encontra em ruínas, já que muitas pedras, balas de canhões e diversos vestígios arqueológicos foram roubados ao longo dos anos, fazendo com que a vegetação ocupasse novamente a área.
Além disso, o local se encontra abandonado e fechado para visitação por motivos de segurança e para evitar maior degradação e saques de seus vestígios arqueológicos que ainda restam no local.
*Com informações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
