Série documental ‘Águas Passadas’ percorre a memória dos igarapés de Manaus

Produção amazonense, a série apresenta histórias de moradores, artistas, pesquisadores e ativistas que testemunharam as transformações ambientais dos cursos d’água da capital; estreia é nesta quarta-feira (22) no Amazon Sat.

Foto: Divulgação/Ykamiabas Produções

A série documental ‘Águas Passadas’, produzida pela empresa amazonense Ykamiabas Produções, das sócias Keylla Gomes e Francy Junior, estreia no canal Amazon Sat nesta quarta-feira (22), às 11h, no horário de Manaus (AM). Com cinco episódios de 26 minutos, a produção percorre diferentes igarapés da capital amazonense para revelar histórias, memórias e resistências que permanecem vivas às margens das águas da cidade.

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‘Águas Passadas’ é uma série documental que percorre os igarapés de Manaus para revelar histórias, memórias e resistências que seguem vivas às margens das águas da cidade.

Entre paisagens urbanas e vozes da comunidade, a produção mergulha na relação entre território, meio ambiente e pertencimento, mostrando como os igarapés carregam não apenas água, mas também identidade, cultura e a memória afetiva das pessoas que vivem ou viveram próximas a eles.

Ao longo dos episódios, a série apresenta um olhar sensível sobre os impactos da urbanização, o descarte irregular de resíduos, a degradação dos cursos d’água e as iniciativas de preservação ambiental, valorizando as narrativas humanas que sobrevivem entre pontes, ruas, palafitas e correntezas.

Série documental 'Águas Passadas' percorre a memória dos igarapés de Manaus
Foto: Divulgação/Ykamiabas Produções

Cinco igarapés, diferentes histórias

Cada episódio é dedicado a um território e às pessoas que construíram relações de afeto, trabalho, convivência e resistência com os igarapés de Manaus. A jornada começa na região da Cachoeira Grande, no bairro São Jorge, segue pelo Igarapé do Franco, na Avenida Brasil, pelo Igarapé do Quarenta, pelo Igarapé do Passarinho e chega, no episódio final, ao Igarapé Água Branca, localizado na bacia do Tarumã-Açu e considerado o último igarapé urbano limpo da cidade.

A série reúne a participação de 25 personagens, entre moradores antigos, artistas, pesquisadores, educadores, ambientalistas e representantes de organizações sociais. Por meio de seus relatos, o público conhece uma Manaus em que os igarapés já foram espaços de banho, pesca, brincadeiras, trabalho, transporte e convivência comunitária.

Foto: Divulgação/Ykamiabas Produções

Entre os personagens está o cineasta Moacy Freitas, de 85 anos, que nadou em diversos igarapés de Manaus durante a juventude e testemunhou, ao longo das décadas, o processo de degradação ambiental e transformação urbana da cidade.

A produção também apresenta o relato de Elizabeth dos Santos Junior, que, ainda criança, acompanhava sua mãe durante a lavagem de roupas na antiga represa da Cachoeira Grande, no bairro São Jorge. Suas lembranças recuperam um período em que aquele espaço fazia parte da rotina das famílias da comunidade e era utilizado para o trabalho, o banho e a convivência entre os moradores.

Leia também: Qual a importância dos igarapés para a Amazônia?

Outro relato presente na série é o da atriz Rita Lisboa, cuja mãe trabalhou como lavadeira no Igarapé do Quarenta. Depois de se aposentar, sua mãe passou a fazer teatro na FUnATI – Fundação Universidade Aberta da Terceira Idade, onde interpretava uma lavadeira. Atualmente, Rita mantém viva essa memória ao também representar nos palcos uma personagem inspirada nas antigas trabalhadoras dos igarapés.

No episódio dedicado ao Igarapé Água Branca, a série acompanha ainda a atuação de Jadson Maciel e Jó Farah, ativistas e defensores dos igarapés da bacia do Tarumã-Açu. Os dois apresentam iniciativas de conscientização, pesquisa e mobilização social voltadas à proteção dos cursos d’água, ao enfrentamento do descarte irregular de resíduos e à preservação do último igarapé urbano limpo de Manaus.

Foto: Divulgação/Ykamiabas Produções

‘Águas Passadas’ é uma realização da Ykamiabas Produções, produtora audiovisual amazonense formada pelas sócias Keylla Gomes e Francy Junior, que também assinam a direção da série. A empresa desenvolve projetos voltados à memória, à cultura, ao meio ambiente e às narrativas humanas da Amazônia, valorizando personagens, territórios e histórias da região.

Para a diretora Keylla Gomes, a série procura aproximar o público das histórias humanas existentes por trás dos problemas ambientais.

“Quando falamos sobre os igarapés de Manaus, muitas vezes pensamos apenas na poluição ou nas obras realizadas nesses espaços. Em ‘Águas Passadas’, buscamos olhar para as pessoas, para suas lembranças e para a relação afetiva que elas construíram com essas águas. São histórias de infância, trabalho, família e pertencimento que ajudam a compreender a própria formação da cidade”, afirma Keylla Gomes.

A diretora Francy Junior destaca que os depoimentos também funcionam como registros históricos de uma Manaus que passou por profundas transformações.

“Os personagens guardam lembranças de uma cidade em que os igarapés faziam parte da vida cotidiana. Eram lugares de banho, pesca, lavagem de roupas, encontros e brincadeiras. Ao reunir essas vozes, a série contribui para preservar uma memória que não está apenas nos documentos oficiais, mas nas experiências das pessoas que viveram esses territórios”, explica Francy Junior.

Foto: Divulgação/Ykamiabas Produções

Segundo o produtor executivo Anderson Mendes, a produção também pretende estimular uma reflexão sobre a responsabilidade coletiva na preservação dos recursos naturais.

“A série parte da memória, mas também fala sobre o presente e sobre o futuro. Ao escutarmos pessoas que conheceram os igarapés antes da degradação, percebemos o que Manaus perdeu ao longo do seu processo de urbanização. Ao mesmo tempo, encontramos pesquisadores, ativistas e comunidades que continuam trabalhando pela recuperação e pela proteção dessas águas. ‘Águas Passadas’ é um convite para que o público reconheça os igarapés como parte da história e da identidade da cidade”, ressalta Anderson Mendes.

Para Lemmos Ribeiro, gerente de Programação do Amazon Sat, a exibição da série reforça o compromisso do canal com conteúdos que valorizam as histórias e as questões socioambientais da Amazônia.

“O Amazon Sat tem como missão apresentar produções que dialoguem diretamente com a realidade da região e com as pessoas que vivem nela. ‘Águas Passadas’ reúne memória, cultura, meio ambiente e cidadania em uma narrativa profundamente conectada a Manaus. A exibição da série permite que essas histórias alcancem novos públicos e estimulem uma reflexão necessária sobre a preservação dos nossos igarapés”, afirma Lemmos Ribeiro.

Confira o trailer da série:

A série documental para televisão conta com cinco episódios de 26 minutos cada. Estreias às 11h nas quartas-feiras e reprises: sábados, às 18h30; segundas-feiras, às 7h45; domingos, às 19h30.

‘Águas Passadas’ foi contemplada pelo Edital de Audiovisual da Lei Paulo Gustavo, realizado pelo Governo do Estado do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, com recursos do Ministério da Cultura e do Governo Federal.

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