Ministério da Cultura visita projetos culturais amazonenses incentivados pela Lei Rouanet

A agenda de encerramento da itinerância no Norte visa aproximar os projetos culturais da região ao colegiado da CNIC.

Salão de espetáculos do Teatro Amazonas, um dos projetos culturais amazonenses incentivados pela Lei Rouanet. Foto: Victor Vec/MinC

O Ministério da Cultura (MinC) realizou, no dia 6 de março, visitas técnicas a projetos culturais do Amazonas apoiados pela Lei Rouanet. A atividade, que encerra a 368ª reunião ordinária da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), visa aproximar a diversidade cultural da região aos comissários por meio das iniciativas beneficiadas pela lei de incentivo.

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Para o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, Thiago Rocha, a realização da itinerância no estado amazonense reforça a estratégia de nacionalização do fomento cultural no país.

“Trazer a CNIC para o Amazonas reafirma o compromisso do Ministério da Cultura com a nacionalização das linhas de incentivo à cultura por meio do fomento. É trazer informação e conhecimento sobre a Lei Rouanet e a Política Nacional Aldir Blanc, mas também é se aproximar daqueles que fazem a cultura acontecer e conferir de perto”, afirmou.

A atividade iniciou com a visita do colegiado ao Museu da Amazônia (Musa). Situado em um recorte de 100 hectares da Reserva Florestal Adolpho Ducke, ele opera como uma instituição de pesquisa e difusão científica da natureza.

A visitação ao espaço museal foi guiada pelo diretor-geral, Filippo Stampanoni, que apresentou à comissão espaços como a torre de observação em aço, com 42 metros de altura e que oferece acesso ao dossel das árvores da reserva, além de laboratórios de exposição de serpentes, borboletário, orquidário e trilhas interpretativas sobre solo e a flora local.

“O Musa funciona como um museu vivo dentro desta reserva. Nossa prioridade é a pesquisa e o contato direto com a natureza. Nossa missão central é a pesquisa científica e a observação da natureza em seu estado mais puro. Aqui, o visitante sobe na torre ou percorre as trilhas para entender a complexidade do bioma amazônico na prática. A Lei Rouanet entra como uma ferramenta muito importante nesse processo. É o recurso que nos permite traduzir os dados da ciência e os vestígios da arqueologia em uma linguagem que o público compreenda e valorize”, destacou Stampanoni.

Ao todo, o Musa já captou mais de R$ 3,79 milhões por meio da Lei Rouanet.

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Museu da Amazônia, um dos projetos culturais amazonenses incentivados pela Lei Rouanet. Foto: Victor Vec/MinC

Na seção de arqueologia, o Museu exibe vestígios cerâmicos de ocupações pré-colombianas. Já a exposição permanente Peixe e Gente utiliza artefatos e narrativas para descrever os métodos de pesca e a cosmologia dos povos indígenas do Alto Rio Negro.

Centro Cultural Casarão de Ideias

A comitiva visitou também as obras da nova sede do Centro Cultural Casarão de Ideias. O espaço, com 15 anos de existência, é dedicado à promoção da cultura e à defesa do patrimônio histórico e artístico da cultura amazonense. Com uma programação diversa, o Casarão abriga um cinema, uma cafeteria, áreas para exposições e um salão cênico para apresentações culturais.

Além disso, o espaço físico também é amplamente utilizado para ações transitórias, como ensaios de outros grupos, exibições de fotografia, concertos, debates, reuniões, oficinas e espetáculos de teatro e dança.

“Este dia é de grande importância para a trajetória do Casarão de Ideias. Tivemos a honra de recepcionar a CNIC, instância responsável pela gestão da Lei Rouanet. Como executamos diversos projetos por meio deste mecanismo de fomento, a visita dos comissários e pareceristas de todo o país possui um valor estratégico. Eles puderam testemunhar a seriedade com que aplicamos os recursos e a solidez do nosso trabalho em Manaus. Reafirmo que o Casarão de Ideias mantém sua crença inabalável no poder transformador da cultura brasileira”, destacou o diretor-geral do Centro Cultural Casarão de Ideias, João Fernandes Neto.

Musa, um dos projetos culturais amazonenses incentivados pela Lei Rouanet.
Casarão de ideias, um dos projetos culturais amazonenses incentivados pela Lei Rouanet Foto: Victor Vec/MinC

Atualmente, o Casarão já captou mais de R$ 855, 2 mil via Lei Rouanet.

A coordenadora-geral de Fomento da Fundação Nacional de Artes (Funarte) e membro da comissão, Luísa Hardman, celebrou a oportunidade de conhecer a iniciativa e reafirmou a relevância para a cidade de Manaus e para o território amazônico.

“Sinto imensa satisfação ao conhecer esta iniciativa vital para a cidade de Manaus e para todo o território amazônico. O Casarão estabelece uma relação direta com o cotidiano das ruas, com o comércio e com os agentes locais, fato que impulsiona o desenvolvimento da região de forma sustentável. É um privilégio observar o impacto positivo de um projeto que une arte e cidadania de maneira tão integrada”, afirmou.

As obras da nova sede, que estão previstas para serem concluídas em abril. O complexo da Saldanha Marinho ainda terá uma livraria, duas lojas colaborativas de parceiros, café, sala multiuso e galerias para exposições culturais.

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Teatro Amazonas

A comissão itinerante encerrou as visitas técnicas em um dos mais icônicos símbolos culturais da região Norte: o teatro Amazonas. Localizado no Largo de São Sebastião, no Centro Histórico de Manaus, o edifício foi construído durante o ciclo da borracha, no final do século 19, período de expansão econômica da região amazonense. A inauguração ocorreu em 31 de dezembro de 1896, e o teatro recebeu o tombamento como Patrimônio Histórico Nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1966.

A arquitetura do edifício apresenta elementos renascentistas no exterior e interiores ecléticos, com influência dos estilos Louis 15 e art nouveau.

“A cúpula é revestida por 36 mil escamas de cerâmica esmaltada nas cores verde, amarelo e azul. Materiais como mármore de Carrara, lustres de Murano e ferro de Glasgow foram importados do continente europeu para a construção”, explicou a guia do museu, Letícia Fraga.

O Salão Nobre possui pintura no teto do italiano Domenico de Angelis, intitulada A Glorificação das Bellas Artes na Amazônia. A sala de espetáculos tem capacidade para 701 pessoas e exibe quatro telas que homenageiam a música, a dança, a tragédia e o compositor Carlos Gomes.

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Teatro Amazonas, um dos projetos culturais amazonenses incentivados pela Lei RouanetFoto: Victor Vec/MinC

Atualmente, o Teatro Amazonas abriga corpos artísticos estáveis, como a Amazonas Filarmônica e o Balé Folclórico do Amazonas. Desde 1997, sedia o Festival Amazonas de Ópera, um dos principais eventos de música erudita do país. A programação do espaço inclui espetáculos de dança, teatro e mostras culturais.

“O Teatro Amazonas é um patrimônio que pertence ao povo brasileiro. Para a equipe do Ministério da Cultura, é muito importante estar aqui e ver de perto como esse espaço funciona na prática. A gente percebe que não se trata apenas de preservar a construção histórica, mas de manter uma programação cultural durante o ano inteiro. Isso faz diferença para quem mora em Manaus e também para os turistas que visitam a cidade”, afirmou a coordenadora-geral de Articulação e Gestão do Pronac, Érika Freddi.

O Teatro Amazonas é administrado pelo Governo do Estado por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas.

*Com informações do Ministério da Cultura

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