Museu Goeldi celebra Festa Anual das Árvores com trilhas guiadas e homenagem ao jacaranda copaia

O jacarandá copaia, espécie nativa da Amazônia, conta com dois exemplares dentro do Parque Zoobotânico, onde será realizada a programação.

Jacaranda copaia é usada para reflorestar áreas degradadas. Foto: Hedayson Rogério

Para celebrar a Festa Anual das Árvores, o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) convida o público para participar da trilha “Botânica Social”, na manhã do próximo sábado (28/03), no seu Parque Zoobotânico (PZB). Planejado para pessoas de todas as idades, o passeio terá três saídas: às 9h, às 10h e às 11h. Basta passar pela bilheteria e a equipe de guias do Serviço de Educação do Parque irá recepcionar os interessados em frente a Rocinha.

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No roteiro, 11 paradas. Em cada uma, a história de uma árvore será compartilhada, a partir de sua importância histórica, cultural, ambiental e social. A programação é um convite para aprender, com base na ciência e nos saberes tradicionais, sobre a biodiversidade amazônica e sobre a relação humana com a botânica. A trilha finalizará diante da árvore jacarandá copaia, também chamada de parapará, a espécie homenageada pelo Museu Goeldi este ano. 

Museu Goeldi celebra Festa Anual das Árvores com trilhas guiadas e homenagem ao jacaranda copaia
Floração de jacaranda copaia ocorre entre agosto e setembro. Foto: Hedayson Rogério

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A Festa Anual das Árvores consta no calendário nacional, instituída pelo Decreto n° 55.795, de 24 de fevereiro de 1965. O objetivo é difundir conhecimentos acerca da conservação das florestas e valorizar as práticas de preservação das árvores. A chefe do Serviço de Educação do MPEG, Mayara Larrys, explica que, tradicionalmente, o Museu Goeldi comemora a data com atividades educativas.

“A nossa programação anual expressa o compromisso da instituição em fazer divulgação científica, aproximando os públicos de todas as idades da biodiversidade que temos no ambiente, e também dos aspectos sociais e culturais atrelados a ela. Cada vez que o público participa, aprende as formas de conservação das espécies, mais especificamente das espécies amazônicas; conhece a importância destas espécies para a nossa região; e reflete sobre como a preservação da biodiversidade é a solução para enfrentarmos a crise climática”, descreve.

Jacarandá copaia, a árvore homenageada pelo museu

No Parque Zoobotânico, existem dois exemplares do jacarandá copaia (também conhecido como parapará, caroba e marupaúba), sendo um com 25 e outro com 28 metros. Eles estão localizados perto do viveiro da onça e ao lado do bambuzal. As copas do jacarandá copaia ganham o colorido das flores roxas entre agosto e novembro, quando passam a ser visitadas por abelhas grandes, chamadas de mamangavas, responsáveis pela polinização.

Sua madeira é considerada leve, de cor branco-palha, sendo indicada para fabricação de objetos como brinquedos, caixas e cabos de ferramentas. Devido à beleza da sua floração, é considerada uma boa opção para projetos de arborização urbana e, por causa do seu crescimento rápido, costuma ser uma espécie estratégica para a recuperação de áreas degradadas.

Com mais de 20 metros de altura, copa de jacaranda copaia se destaca no parque. Foto: Hedayson Rogério

O jacarandá copaia, geralmente, é encontrado no norte da América do Sul, em países como Brasil, Bolívia, Belize, Guiana e Guiana Francesa. Em território brasileiro, a espécie possui ampla distribuição nos estados do Pará, Amazonas, Mato Grosso e Maranhão. Por suas propriedades anti-inflamatórias, na medicina tradicional, é valorizada em tratamentos para aliviar os sintomas de artrose e reumatismo. A infusão de folhas e cascas em banhos serve para combater infecções na pele, devido à sua ação antisséptica e cicatrizante. Problemas renais, sífilis e relacionados ao colesterol alto também já foram combatidos com a espécie.

Engenheiro agrônomo responsável pelo setor de flora do Parque, Hedayson Rogério explicou que o jacarandá copaia foi escolhido como árvore homenageada este ano por ser uma espécie emblemática da Amazônia devido à beleza da sua floração.

“Outro motivo foi a sua importância ecológica como pioneira na regeneração de florestas degradadas e na captura de carbono, além dos benefícios para a fauna silvestre, sendo um excelente referencial de valor educativo e científico para abordar a importância da conservação do uso sustentável da floresta e da manutenção da biodiversidade”, ressaltou.

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As árvores do Parque Zoobotânico

A copaíba, a seringueira, o açaizeiro, a samaumeira, o cupuaçuzeiro, o mogno, o pau rosa, o cipó alho, a castanheira e o jacarandá copaia formam o “elenco” de árvores que serão visitadas no decorrer da trilha “Botânica Social”, na manhã do próximo sábado. Com duração prevista de 45 minutos, o passeio revelará histórias e curiosidades sobre cada espécie, com a explicação de guias do Serviço de Educação do MPEG. Cada grupo será formado por ordem de chegada, com capacidade de até 30 participantes. Vale lembrar que a concentração estará ocorrendo em frente ao prédio da Rocinha, próximo à bilheteria.

Foto: Adrya Marinho/MPEG

As árvores do roteiro estão entre as 3.034 árvores que vivem no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi. Do total de exemplares, 282 possuem mais de 20 metros de altura e 73 são espécies frutíferas.

O chefe do Serviço de Administração do PZB, Pedro Pompei, falou sobre algumas raridades preservadas no lugar. “A gente tem frutas aqui que já foram muito populares, como o cutite, o camitiê e o pajurá de Óbitos. Temos frutíferas que as pessoas nem lembram mais que existem e que as frutas não são mais encontradas nas feiras porque os prédios foram crescendo e as casas e os quintais foram desaparecendo”, frisando que as frutíferas são atraentes, mas as frutas não podem ser colhidas, uma vez que são alimentos para a fauna livre do Parque Zoobotânico.

Atenção para o que é proibido no Parque Zoobotânico

  • Riscar as árvores e subtrair vegetação;
  • Alimentar os animais e retirar os frutos das árvores;
  • Transportar ou carregar animais domésticos ou silvestres;
  • Atirar qualquer objeto dentro dos recintos dos animais;
  • Fumar dentro do Parque;
  • Ultrapassar canteiros, portões e muros de proteção;
  • Jogar lixo no chão.

*Com informações do Museu Goeldi

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