Localizado no Complexo do Ver-o-Peso, em Belém (PA), o Mercado Municipal de Carne Francisco Bolonha é um dos prédios mais antigos da capital paraense ainda em funcionamento com sua finalidade original. Inaugurado no início do século XX, o mercado foi concebido como parte de um amplo projeto de reorganização urbana, sanitária e econômica da cidade.
O mercado foi construído em 1867, às margens da baía do Guajará, mas foi denominado em homenagem ao engenheiro que o remodelou somente na inauguração datada em 17 de dezembro de 1908.
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A construção do mercado integrou um conjunto de iniciativas na época, ao lado de outras estruturas voltadas à organização do comércio urbano. A escolha de um espaço específico para a venda de carnes fazia parte de uma política pública que buscava reduzir riscos à saúde da população e estabelecer padrões mais rigorosos de funcionamento para atividades ligadas à alimentação.
Assim, o mercado foi planejado para atender tanto comerciantes quanto consumidores, concentrando em um único local o comércio de um produto essencial.
O projeto arquitetônico ficou a cargo do engenheiro e arquiteto Francisco Bolonha, profissional que atuou em diversas obras públicas no período. Francisco Bolonha teve participação relevante na consolidação de uma arquitetura funcional em Belém, voltada para o uso prático dos espaços e para a adaptação às condições climáticas da região amazônica.
O mercado que leva seu nome apresenta estrutura metálica, amplos vãos e preocupação com ventilação e iluminação naturais, características comuns aos mercados públicos construídos no início do século XX.
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Arquitetura do mercado
Um aspecto marcante do Mercado Municipal de Carne Francisco Bolonha está nos elementos construtivos em ferro que compõem sua estrutura e acabamento. O edifício apresenta colunas, vigas e treliças metálicas aparentes, típicas das construções públicas do início do século XX, período em que o uso do ferro era associado à modernidade e à durabilidade.
Em 2025, como parte das ações para receber a COP30, o Mercado de Carne passou por uma reforma: ganhou novos balcões em granito, piso em korodur, a estrutura de madeira da cobertura e do piso no andar superior foi recuperada, ganhou novas instalações elétricas, hidrossanitárias e de drenagem, e a pintura foi renovada. A entrega oficial foi no dia 12 de janeiro deste ano.

Agora, o mercado conta com 99 permissionários atuantes em 123 equipamentos com: venda de carnes, artigos religiosos, ervas medicinais, produtos gerais industrializados, ambientes destinados à gastronomia e artesanato local.
Relação com o Ver-o-Peso e o abastecimento da cidade
O Mercado Municipal de Carne Francisco Bolonha integra o conjunto do Ver-o-Peso, uma das áreas comerciais mais tradicionais e antigas de Belém. Sua localização estratégica, próxima ao porto e a outros mercados especializados, reforçou sua função dentro da rede de abastecimento da cidade. O Ver-o-Peso reúne diferentes atividades comerciais, como a venda de pescados, frutas, verduras, ervas medicinais e produtos regionais, enquanto o mercado de carne passou a concentrar exclusivamente esse tipo de comércio.
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Essa relação entre os espaços contribuiu para uma organização setorial do comércio, permitindo maior controle das atividades e facilitando a fiscalização sanitária. O Mercado Francisco Bolonha tornou-se referência para o fornecimento de carnes destinadas tanto ao consumo doméstico quanto ao abastecimento de restaurantes, feiras e outros estabelecimentos comerciais de Belém e da região metropolitana.
Ao longo das décadas, o mercado acompanhou mudanças na dinâmica urbana e nas exigências legais relacionadas à comercialização de alimentos. Ainda assim, manteve sua função principal, preservando práticas tradicionais de venda que convivem com normas sanitárias mais recentes.
O Mercado de Carne do Complexo do Ver-o-Peso foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1977. A permanência dessa atividade reforça o papel do mercado como elemento estruturante do sistema de abastecimento da capital paraense.
