Marabaixo ganha Plano de Salvaguarda, divulga Iphan

Documento propõe ações para garantir a preservação e continuidade do Marabaixo, uma das maiores expressões culturais do Amapá.

Marabaixo é uma das principais manifestações culturais do Amapá. Foto: Pedro Gontijo

Em meio ao balançar ritmado das saias floridas, seguindo o arrastar dos pés em sentido anti-horário e ao som do toque firme das palmas das mãos nas caixas e nos tambores misturado aos vocais potentes dos Mestres e Mestras aquecidos pela tradicional gengibirra (bebida fermentada, alcoólica ou não, feita com gengibre, açúcar e água) desenvolveram-se as ações do Plano de Salvaguarda do Marabaixo, manifestação registrada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como Bem Cultural Imaterial desde 2018. 

O Plano de Salvaguarda é um instrumento fundamental para a gestão dos bens registrados como Patrimônio Cultural Imaterial. 

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Elaborado sob a liderança do Comitê Gestor da Salvaguarda do Marabaixo (CGMAP) – grupo de trabalho composto por representantes das comunidades, barracões, grupos e associações que mantêm viva a tradição no Amapá -, o Plano reúne as principais ações de salvaguarda a serem executadas, considerando a realidade das comunidades detentoras. Seu objetivo é organizar e priorizar as ações de salvaguarda relevantes aos detentores que atuaram diretamente na pesquisa, identificação, preservação, fortalecimento e transmissão da manifestação. 

As ações buscam direcionar os esforços para a sustentabilidade cultural, criando condições sociais, econômicas, políticas e ambientais adequadas para que o bem possa existir e ser praticado, propondo ações preventivas e corretivas diante de possíveis ameaças. O documento, além de ser de grande importância para o povo detentor do Marabaixo, também imprime a necessidade de proteção desse bem, considerando a discriminação e o preconceito preconceito existentes contra as manifestações de matriz africana.  

Leia também: Conheça história do Marabaixo, manifestação cultural ancestral do Amapá

Para o superintendente do Iphan no Amapá, Michel Flores, o lançamento do Plano de Salvaguarda do Marabaixo representa mais que uma conquista: é um compromisso coletivo com a valorização de uma tradição que atravessa gerações. 

“O documento é resultado de um trabalho conjunto entre Iphan, detentores e sociedade civil. Mais do que um instrumento técnico, representa o reconhecimento do Marabaixo como expressão viva da fé, da resistência e da ancestralidade afro-amapaense. A participação das comunidades é fundamental para que o som dos tambores continue ecoando nas gerações futuras, mantendo viva a identidade do povo amapaense”, afirmou.  

Marabaixo
A estética do Marabaixo também carrega simbolismos profundos. Foto: Pedro Gontijo

Conheça o patrimônio: Marabaixo

Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan em 2018, o Marabaixo é uma das manifestações mais autênticas do povo amapaense. De origem afrodescendente, celebra o Divino Espírito Santo e a Santíssima Trindade por meio de uma combinação de ritos religiosos e festivos. O ciclo do Marabaixo começa na Páscoa e termina no Domingo do Senhor (primeiro domingo após Corpus Christi).  

Durante as celebrações, misturam-se tradições africanas, (como o corte do mastro, a quebra da murta e as danças) e rituais católicos (como missas, novenas e procissões). As músicas, chamadas “ladrões”, são entoadas ao som das caixas de marabaixo, grandes tambores tocados com baquetas, enquanto os participantes dançam em círculo, arrastando os pés, no sentido anti-horário.   

A estética também carrega simbolismos profundos: as mulheres vestem saias floridas, anáguas, colares e flores nos cabelos, em uma estilização das antigas vestimentas das escravizadas; os homens, por sua vez, usam roupas brancas e coloridas. A manifestação está presente principalmente nos bairros do Laguinho e Santa Rita, em Macapá, além das comunidades tradicionais como Mazagão Velho, Campina Grande, Curiaú, Lagoa dos Índios e Maruanum.  

*Com informações do IPHAN

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