Saiba quais lendas, mitos e rituais foram para o Bumbódromo na terceira noite do 59º Festival Folclórico de Parintins

No Festival, os bois Caprichoso e Garantido apresentaram lendas e outras histórias que ajudam a preservar memórias, crenças e modos de vida transmitidos de geração em geração.

Fotos: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

A última noite do 59º Festival Folclórico de Parintins encerrou o espetáculo com narrativas que exaltam a ancestralidade, a espiritualidade e a força dos povos da Amazônia.

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Na arena do Bumbódromo, os bois Caprichoso e Garantido apresentaram histórias inspiradas em lendas amazônicas, rituais indígenas e figuras típicas que ajudam a preservar memórias, crenças e modos de vida transmitidos de geração em geração.

Caprichoso

3ª noite – 28 de junho

Lenda Amazônica: Nhaçã Hekã – Macacos Comedores de Gente

O Boi Caprichoso leva para a arena o tema Nhaçã Hekã – Macacos Comedores de Gente, uma lenda ligada à região da Ilha do Bananal. A narrativa conta a história do jovem guerreiro Maricá, que decide enfrentar criaturas gigantescas e ferozes que aterrorizavam seu povo ao devorar os homens que se aventuravam pela mata.

Com a ajuda encantada de duas guardiãs da floresta, a Cobra e o Sapo, Maricá recebe flechas fortalecidas pela magia e descobre o ponto fraco dos monstros. Sua coragem e inteligência permitem derrotar as criaturas e devolver a paz à comunidade.

 Conheça as lendas, mitos e rituais da terceira noite do 59º Festival Folclórico de Parintins
Lenda Amazônica: Nhaçã Hekã – Macacos Comedores de Gente. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Caprichoso 2026
Saiba quais lendas, mitos e rituais foram para o Bumbódromo na terceira noite do 59º Festival Folclórico de Parintins
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

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Figura Típica Regional: As Farinheiras da Amazônia

Na figura típica regional, o Caprichoso homenageia As Farinheiras da Amazônia, mulheres que mantêm viva uma das tradições mais importantes da cultura alimentar amazônica. Presentes em aldeias indígenas, comunidades ribeirinhas, quilombos e territórios caboclos, elas são responsáveis por preservar os conhecimentos sobre o cultivo da mandioca e a produção da farinha, alimento que ocupa papel central na identidade dos povos da região.

A apresentação destaca a casa de farinha como espaço de convivência, transmissão de saberes e fortalecimento comunitário. Entre tipitis, paneiros, fornos e o tradicional puxirum, sistema de trabalho coletivo baseado na cooperação, as farinheiras representam a força feminina que garante a continuidade de práticas ancestrais.

As Farinheiras da Amazônia. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Caprichoso 2026
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Ritual Indígena: Ritual de Iniciação Xamânica Xikrin M-Bêngôkre Xikrin

O ritual acompanha a formação do pajé, que precisa atravessar o portal Inhum-djêk, descrito como uma gigantesca teia de aranha suspensa entre o céu e a terra.

A travessia representa uma prova espiritual, já que apenas aqueles considerados preparados conseguem alcançar o plano celestial, onde encontram Okti, o Grande Gavião-Real, reconhecido como o primeiro grande xamã. Ao concluir a iniciação, o pajé recebe o dom de transitar entre diferentes dimensões espirituais, dialogar com as forças da natureza, recuperar almas, curar enfermidades e proteger seu povo.

A apresentação evidencia a profunda relação entre espiritualidade, natureza e conhecimento tradicional existente nas cosmologias indígenas, reforçando a importância dos pajés como mediadores entre o mundo visível e o invisível.

Ritual de Iniciação Xamânica Xikrin M-Bêngôkre Xikrin. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Caprichoso 2026
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Garantido

3ª noite – 28 de junho

Lenda Amazônica: Templo do Sol

O Boi Garantido apresenta a lenda Templo do Sol, inspirada na tradição do povo Konduri. Segundo a narrativa, Kwaracy, o Sol, caminhava pela Terra em forma humana, espalhando vida por onde passava.

Seu brilho intenso, porém, assustou os homens, que se esconderam na floresta. Diante do medo, o Sol retornou ao céu, mergulhando o mundo na escuridão.

Foi então que Yacy, a Lua, convenceu o irmão a retornar. Ao tocar as urnas cerâmicas produzidas pelos Konduri, Kwaracy lhes concedeu vida e fez delas o abrigo do fogo da criação, e com o passar do tempo, surgiu a Rainha do Sol, filha da união entre Kwaracy e uma mulher encantada das águas, responsável por ensinar o respeito à floresta, aos rios e aos elementos sagrados da natureza.

A lenda une elementos da cosmologia indígena com a rica tradição ceramista do povo Konduri, ressaltando a importância da arqueologia amazônica e da preservação de sua memória ancestral.

Lenda Amazônica: Templo do Sol. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Garantido 2026
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

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Figura Típica Regional: Festeiro de Santo

Na figura típica regional, o Garantido prestou homenagem ao Festeiro de Santo, personagem tradicional das comunidades amazônicas que mantém viva a devoção popular. Também chamado de promesseiro, ele organiza as festas religiosas em agradecimento às graças alcançadas, reunindo moradores em celebrações marcadas por procissões, ladainhas, mastros, fogueiras, comidas típicas, música e dança.

A apresentação também faz referência ao poeta e fundador do Boi Garantido, Lindolfo Monteverde, conhecido por sua forte devoção a São João Batista e pelo compromisso de manter viva essa tradição religiosa. Dessa forma, o item destaca a mistura entre fé, cultura popular e identidade amazônica que marca as festividades do interior da região Norte.

Festeiro de Santo. Foto: Reprodução/ Revista oficial Boi Garantido 2026
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Ritual Indígena: A Travessia das Cinzas

O Garantido levou para a arena o Ritual da Travessia das Cinzas, baseado nos costumes funerários da civilização Konduri, povo que habitou as margens dos rios Amazonas, Trombetas, Tapajós e Nhamundá.

Na tradição apresentada, a morte representa uma passagem para outro plano de existência. Após o falecimento, o corpo era colocado sobre uma pira para ser purificado pelo fogo, símbolo de transformação e libertação do espírito.

O pajé conduzia a cerimônia em uma canoa que lembrava um grande jacaré, animal associado ao poder de conduzir a alma durante a travessia para o mundo espiritual. O ritual também ressalta a presença das figuras zoomorfas encontradas nas cerâmicas Konduri, representações que evidenciam a relação de equilíbrio entre seres humanos, animais e natureza.

Ritual Indígena: A Travessia das Cinzas. Foto: Reprodução/Revista Oficial Boi Garantido 2026
Foto: Reprodução/Secom AM
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