Quais lendas, mitos e rituais os bois levaram ao Bumbódromo na 1ª noite do 59º Festival Folclórico de Parintins?

A cada apresentação, lendas, mitos, rituais indígenas e figuras típicas ganham vida em espetáculos que unem pesquisa, arte e ancestralidade, levando ao Bumbódromo narrativas que atravessam gerações dos povos da Amazônia.

Fotos: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Muito além da disputa entre os bois Caprichoso e Garantido, o Festival Folclórico de Parintins é um grande palco de valorização da cultura amazônica.

A cada apresentação, lendas, mitos, rituais indígenas e figuras típicas ganham vida em espetáculos que unem pesquisa, arte e ancestralidade, levando ao Bumbódromo narrativas que atravessam gerações dos povos da Amazônia.

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Na 59ª edição do festival, realizada nos dias 26, 27 e 28 de junho, os bois levam para a arena histórias ancestrais em grandes alegorias, coreografias e encenações. As apresentações exaltam povos originários, seres encantados, ritos de passagem e personagens que fazem parte da identidade amazônica.

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Caprichoso

1ª noite – 26 de junho

Lenda Amazônica: Cobra Grande – A Deusa da Encantaria

O Boi-Bumbá Caprichoso aposta na força da encantaria amazônica com a lenda ‘Cobra Grande- A Deusa da Encantaria’. A narrativa apresenta a Cobra Grande como uma poderosa entidade feminina que existia antes mesmo da ocupação humana da ilha de Parintins.

Segundo a tradição, seu corpo sustenta toda a ilha, em que a cabeça repousa sob a Catedral de Nossa Senhora do Carmo, enquanto seu dorso acompanha a orla da cidade. Ela representa a guardiã dos rios, dos encantados e da memória ancestral, simbolizando a relação entre natureza, espiritualidade e território.

Lenda da Cobra Grande – A Deusa da Encantaria. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Caprichoso 2026
Fotos: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Ritual Indígena: Ritual de iniciação WAT-AMÃ

O ritual indígena apresentado pelo boi Caprichoso foi o Wat-amã, conhecido como Ritual da Tucandeira, uma das manifestações culturais mais importantes do povo Sateré-Mawé. 

O ritual marca a passagem dos jovens para a vida adulta, em que, durante a cerimônia, os iniciados utilizam luvas confeccionadas com palha de arumã contendo tucandeiras, formigas conhecidas pela ferroada extremamente dolorosa. Enquanto suportam a dor, os participantes executam danças e cantos sagrados, demonstrando coragem, disciplina, resistência e compromisso.

Mais do que um teste físico, o ritual simboliza o fortalecimento dos vínculos com a ancestralidade e a preparação para assumir responsabilidades dentro da comunidade.

Ritual da Tucandeira. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Caprichoso 2026
Fotos: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Figura típica regional: O Brincador de Boi-Bumbá de Parintins

A figura típica regional do Caprichoso homenageia o Brincador de Boi, personagem que representa os moradores dos bairros tradicionais de Parintins, como Francesa, Santa Clara e Palmares. São homens e mulheres que mantêm viva a tradição do boi-bumbá confeccionando fantasias, preparando os festejos, decorando os currais e transmitindo, de geração em geração, o sentimento de pertencimento ao boi negro.

Brincador de boi. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Caprichoso 2026
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

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Garantido

1ª noite- 26 de junho

Lenda Amazônica: Parintintin – O Povo que Veio do Céu

Na primeira noite, o Boi Garantido destaca a ancestralidade do poovo Parintintin, com a lenda ‘Parintintin – O Povo que Veio do Céu’, inspirada na narrativa de origem do povo Parintintin, pertencente ao tronco Tupi-Guarani. Segundo a tradição, o herói criador e pajé ancestral Pindova’Umi’ga percorreu os céus, as águas e o mundo subterrâneo até encontrar o lugar ideal para seu povo viver.

A narrativa explica a autodenominação dos Parintintin como ‘o povo que veio do céu’ e reforça a importância desse povo indígena na história da ilha de Parintins, cuja própria cidade herdou seu nome e parte de sua herança cultural.

Lenda Parintintin – O Povo que Veio do Céu
Lenda Parintintin – O Povo que Veio do Céu. Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Garantido 2026
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Ritual Indígena: Sonho de Ipají

O ritual indígena ‘Sonho de Ipají’ retrata o processo espiritual de formação de um novo pajé entre os Parintintin. Na tradição, o escolhido permanece isolado na Tocaia Sagrada enquanto, por meio dos sonhos, recebe os ensinamentos do espírito Rupigwara, entidade responsável por conceder os dons da cura, da sabedoria e da condução espiritual do povo.

Na sabedoria ancestral do povo Parintintin, os sonhos são os caminhos do espírito que permitem o pajé atravessar o mundo ancestral invisível pra encontrar respostas sobre o destino do seu povo.

Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Garantido 2026

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Figura típica regional: Mães da Floresta

A figura típica regional escolhida pelo Garantido é ‘Mães da Floresta’, uma homenagem às mulheres indígenas, caboclas e quilombolas que preservam os conhecimentos tradicionais da Amazônia. Parteiras, benzedeiras, pescadoras, agricultoras, artesãs e curandeiras representam a força feminina responsável por transmitir saberes ancestrais e proteger os recursos naturais.

Projeto:

Foto: Reprodução/Revista oficial Boi Garantido 2026
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia
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