Manaus 30º • Nublado
Terça, 23 Abril 2024

Iphan inicia pesquisa para registro do ofício de tacacazeira como Patrimônio Cultural do Brasil

O modo de fazer, servir e vender tacacá que caracteriza o trabalho das tacacazeiras pode se tornar Patrimônio Cultural do Brasil. No dia 24 de fevereiro, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Amazonas, em parceria com o Núcleo de Estudos Interdisciplinares em Sociedades Amazônicas, Cultura e Ambiente da Universidade Federal do Oeste do Pará (Sacaca/Ufopa), reuniu-se com tacacazeiras e tacacazeiros amazonenses. O encontro faz parte da pesquisa sobre o tema, que será realizada também nos estados do Acre, Amapá, Pará, Roraima, Rondônia e Tocantins para orientar o processo de registro do Ofício de Tacacazeira pelo Iphan.

A reunião na superintendência do Iphan-AM teve o objetivo de escutar as detentoras e pensar estratégias de pesquisa e acompanhamento na análise do ofício.

"Quando um bem, seja ele material ou imaterial, é registrado, ele oficialmente passa a ser protegido. Um esforço é direcionado para que ele possa continuar a ser passado de geração a geração, com uma política voltada para aquela atividade", 

explicou a superintendente do Iphan-AM, Beatriz Calheiro.

De acordo com o Inventário do Ofício de Tacacazeira na Região Norte, o registro tem o sentido de trazer à luz e valorizar um ofício e um saber especiais que dizem da riqueza cultural do país. Envolve a complexidade dos sistemas culinários amazônicos, de um paladar bem específico, amplamente disseminado em vários estados e cidades e imerso em um universo simbólico denso, e uma prática tradicional que é também meio de vida para muitas famílias.

Foto: Tássia Barros/Comus PA

"Eu vou tomar um tacacá"

Após a viralização por todo Brasil da música 'Voando Pro Pará' da cantora Joelma, o tacacá ganhou mais repercussão nacional do que já tinha e surgiram dúvidas sobre o que era o alimento que a artista colocou em seu verso e na boca de milhões de brasileiros. O tacacá é um prato produzido e consumido em diversas regiões da Amazônia brasileira com subprodutos da mandioca, entre os quais o tucupi e a goma, além de camarão seco, jambu e diversos temperos.

Por outro lado, quem escuta a música não imagina o que os detentores enfrentam para manter por gerações o modo de fazer, servir e vender. O preço dos ingredientes, as mudanças climáticas e a falta de garantia de direitos trabalhistas e previdenciários para as tacacazeiras foram algumas das ameaças levantadas no encontro em Manaus. Também foi sugerido incluir o tacacá na merenda escolar, criar políticas públicas para fomentar a atividade no estado e fortalecer a agricultura familiar.

"Minha mãe fazia tacacá pra mim desde que eu era criança e isso se tornou uma profissão por acaso, depois de um curso de empreendedorismo. É importante discutir as dificuldades e o que fazer para que nossa atividade não acabe", disse a tacacazeira Aline Damasceno.

O alimento ocupa lugar central dentro de sistemas de relações sociais, comerciais e de significados coletivamente compartilhados. Embora seja feita em datas comemorativas, o tacacá é uma comida de rua, consumida no final da tarde, após as chuvas, nos inúmeros pontos de vendas espalhados pelas cidades do Norte do Brasil.


Veja mais notícias sobre NotíciasCulturaAmazônia.

Veja também:

 

Comentários:

Nenhum comentário feito ainda. Seja o primeiro a enviar um comentário
Visitante
Terça, 23 Abril 2024

Ao aceitar, você acessará um serviço fornecido por terceiros externos a https://portalamazonia.com/