Artistas trans da Amazônia: vozes que ampliam direitos e repertórios por meio da música

Cena musical e cultural da região tem ganhado destaque com artistas trans que transbordam criatividade e diversidade em suas produções, além da luta por seus direitos.

Artistas trans tem relevado criatividade e representatividade. Fotos: Reprodução

O Dia da Visibilidade Trans, celebrado em 29 de janeiro, é um momento dedicado a reconhecer as vidas, trajetórias e trabalhos de pessoas trans e travestis em todo o país. E nesse contexto, a cena musical tem ganhado destaque com artistas que revelam criatividade e diversidade nas sonoridades que produzem.

Essa visibilidade reflete um conjunto de trajetórias artísticas em contextos regionais e nacionais, incluindo nomes ligados à Amazônia.

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Conheça seis dessas vozes amazônidas, que tem lutado por direitos e para mostrar seus repertórios e bagagens de vida:

Flor de Mururé: expressão musical e ancestralidade

Entre os nomes de artistas trans ligados à cena musical na Amazônia, Flor de Mururé, natural de Belém, no Pará, é uma voz potente da região. Seu álbum CROA é um trabalho que dialoga com ritmos populares, tradições e vivências de corpo e espírito. O disco misturou sonoridades como coco, hip hop, carimbó, pop e guitarrada, articulando elementos da cultura popular com suas vivências como homem trans.

Flor de Mururé ganhou projeção com lançamentos autorais que exploram referências espirituais, simbólicas e territoriais. As composições apresentam letras que transitam entre temas do cotidiano, memória cultural e identidade, inseridas em arranjos que mesclam instrumentos tradicionais e recursos contemporâneos de produção musical.

O single e clipe “Dona Mulambo” integra esse projeto, trazendo uma mistura sonora e simbólica que se relaciona com tradições religiosas afro-indígenas e expressa potenciais narrativas de resistência e pertencimento.

Margot Inajosa e a performance trans

Margot Inajosa é outra artista trans que tem se apresentado em espaços culturais na região amazônica. Natural de Macapá, capital do Amapá, sua atuação inclui apresentações autorais e participação em festivais que buscam ampliar a presença artística de pessoas trans.

Wendy Lady e a cultura indígena

Wendy Lady é outro nome que aparece associado à presença trans em circuitos culturais da Amazônia. Com atuação principalmente em Manaus, capital do Amazonas, o trabalho de Wendy Lady transita entre música, performance e estética cênica e integra eventos e festivais ligados à arte e à cultura regional, contribuindo para a ampliação de linguagens no cenário artístico local.

Sua trajetória está vinculada a espaços independentes e coletivos culturais, onde a música se articula com outras formas de expressão artística. A cultura indígena é algo muito forte em seu trabalho, tanto em sons como na estética.

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Ella Viana no cenário nacional

Natural de Guajará-mirim, em Rondônia, a cantora Ella Viana construiu uma carreira musical que passou por diferentes fases e gêneros. Sua trajetória inclui participações em produções de alcance nacional e lançamentos autorais que marcaram momentos distintos de sua vida artística.

Ella Viana passou a ganhar destaque também por sua visibilidade como mulher trans no cenário musical brasileiro. Seus trabalhos mais recentes dialogam com novas propostas estéticas e sonoras, acompanhando transformações pessoais e profissionais.

A artista mantém relação forte com o Norte do país, seja por origem ou por referências culturais, integrando o conjunto de artistas trans que ampliam a diversidade da música brasileira.

Enme Paixão: som que cruza fronteiras

Enme Paixão é uma artista trans natural de São Luís, no Maranhão, conhecida por sua atuação como cantora, compositora, rapper e produtora cultural. Sua sonoridade mistura elementos do hip hop, afrobeat, reggae e ritmos tradicionais, refletindo referências culturais da região em suas letras e produções.

Por seus trabalhos autorais e participações em festivais, Enme conquistou reconhecimento em circuitos nacionais e internacionais e já lançou projetos como o EP Movediça e o álbum Atabake, nos quais explora temáticas ligadas à identidade, ancestralidade e narrativa urbana.

Ariana Paes: DJ na cena eletrônica em Manaus

A DJ e criadora de conteúdo Ariana Paes nasceu em Manaus (AM) e atuan na cena eletrônica da cidade há vários anos. Sua trajetória inclui apresentações em festas e eventos locais, onde comanda sets que transitam por diferentes ritmos, refletindo a diversidade musical da capital amazonense.

Além da atuação como DJ, Ariana também é conhecida por sua visibilidade enquanto influenciadora e por integrar espaços culturais que ampliam a presença de artistas trans na música e na vida noturna da região.

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