Roraima tem quase metade da população de rua da região Norte, mostra relatório

Com 9.954 pessoas em situação de rua, Roraima tem 49,2% de toda população em situação de rua da região Norte, conforme relatório do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua da UFMG.

Roraima tem a 9ª maior população de rua do Brasil, segundo relatório. Foto: Ivonisio Lacerda Júnior/Rede Amazônica RR

Roraima concentra quase metade da população de rua da região Norte e está entre as 10 maiores do Brasil. É o que mostra um relatório do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (ObPopRua-POLOS), vinculado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

No total, são 9.954 pessoas em situação de rua. O número coloca o estado em 9º lugar no ranking nacional e supera o de estados mais populosos, como Pernambuco (8.066) e Goiás (5.725). Os dados do relatório são coletados com base no Cadastro Único (CadÚnico) do governo federal.

Plataforma do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, o CadÚnico reúne dados de famílias de baixa renda e pessoas em situação de vulnerabilidade social para que possam acessar benefícios e programas do governo.

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A população em situação de rua de Roraima se concentra quase totalmente na capital. Do total, 9.928 dessas pessoas estão em Boa Vista – apenas 26 estão em outros municípios. O número coloca a cidade em 6º lugar no país com mais pessoas nesta situação, acima de metrópoles como Brasília (8.970) e Porto Alegre (6.420).

O coordenador do Observatório, professor André Luiz Freitas Dias, explica que o número de pessoas em situação de rua no estado têm relação, principalmente, com o contexto migratório venezuelano.

Contexto: Na fronteira do Brasil com a Venezuela, Roraima é, desde 2015, a principal porta de entrada para venezuelanos que buscam melhores condições de vida no país. Mais de 1 milhão de pessoas cruzaram a fronteira, e mais da metade permanece no país, atraída pela política brasileira de acolhimento e interiorização.

Dias disse ainda que esses números de Roraima são vistos com “bastante preocupação”. Além disso, refletem uma complexidade local constatada durante uma visita técnica ao estado em 2023, a convite do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

“Pudemos perceber o quanto as sobreposições de violências e violações de direitos atingem diversos grupos vulnerabilizados no estado, como a população em situação de rua, migrantes, indígenas e refugiados”, afirma Dias.

O coordenador também explicou que o crescimento da população em situação de rua a nível nacional foi influenciado pela precarização do período da pandemia de Covid-19 e a ausência de políticas públicas de moradia.

Leia também: Migração venezuelana influencia no crescimento populacional de Roraima, o maior do país

Pertences de migrantes venezuelanos em alojamentos improvisados. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

Cenário na região Norte

Sozinho, Roraima concentra 49,2% de toda a população em situação de rua na região Norte: são 20.220 pessoas nesta condição ao todo. O segundo estado da região com mais registros é o Pará, com 4.100, seguido pelo Amazonas, com 3.346.

Entre as capitais, a disparidade é ainda maior. Boa Vista tem mais que o triplo de pessoas em situação de rua em relação a Manaus, que é a segunda colocada no ranking, com 2.971 casos, e mais de quatro vezes a de Belém (2.195).

Estados do Norte que têm um número de habitantes total semelhante à de Roraima, segundo o Censo de 2022, como Acre (830.026 habitantes) e Amapá (733.580 habitantes) figuram entre os três últimos no ranking regional de população em situação de rua.

Roraima registra alta desde 2018

O relatório também fornece dados comparativos de 2018 a 2024, que revelam aumentos consecutivos na população em situação de rua de Roraima nos últimos anos.

Em 2018, o estado registrava 1.046 pessoas em situação de rua e saltou para 7.206 em 2024. A capital Boa Vista acompanhou o salto e subiu de 1.029 pessoas em 2018 para 7.168 em 2024.

No último ano, o estado deu continuidade à série histórica, e foi de 7.206 em 2024 para os 9.954 registrados no levantamento mais recente, um aumento de mais de 38% em menos de um ano.

*Por João Gabriel Leitão, da Rede Amazônica RR

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