Em Normandia, Exército simula guerra na Amazônia em ataque com blindados e sensores inteligentes

Simulação do Exército reuniu mais de 1,1 mil militares e cruzou a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Ação final ocorreu em Normandia, com tecnologia que registra 'mortos' e 'feridos'.

O Exército Brasileiro concluiu uma simulação de guerra de quatro dias na Amazônia. Treinamento mobilizou mais de 1,1 mil militares em Roraima. Foto: João Gabriel Leitão/Rede Amazônica RR

Viaturas blindadas, aeronaves e sensores inteligentes que registram perdas em tempo real. Esses foram os aparatos usados pelo Exército Brasileiro em uma simulação de guerra na Amazônia que durou quatro dias. O treinamento ocorreu na fronteira Norte do país e mobilizou mais de 1,1 mil militares num percurso de 550 km que atravessou a Terra Indígena Raposa Serra do Sol.

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O Grupo Rede Amazônica acompanhou a última etapa do treinamento na quinta-feira (20), na sede do município de Normandia, no interior de Roraima. Na ação final, 260 militares travaram um combate de ataque e defesa para “reconquistar” o aeródromo do município.

A simulação em Normandia ocorreu às margens da rodovia BR-401. A tropa foi dividida em 200 militares de ataque, enquanto 60 atuaram na linha de defesa do local a ser reconquistado. O efetivo incluiu militares de Roraima, Amazonas e Rio de Janeiro.

Treinamento Operação Amazônia Roraima
Foto: João Gabriel Leitão/Rede Amazônica RR

Sensores no colete e capacete

O Exército utilizou 140 equipamentos com sensores nos capacetes e coletes dos militares, fornecidos pelos Centros de Adestramento (CA) da Amazônia e Leste. Quando um militar era “atingido”, o equipamento emitia um aviso sonoro que indicava se ele havia sido morto ou ferido.

No caso de ferimento, o soldado ainda poderia ser resgatado pela equipe, mas, caso o equipamento indicasse “morto” por meio do sinal de voz, o militar sentava no chão e retirava o capacete, ficando “fora de combate”.

O uso desses equipamentos é usado como forma de incentivar os militares a colocarem os treinamentos e instruções de combate do Exército em prática. Os dados dos coletes são enviados para um computador, que registra baixas e movimentos para elaboração de relatórios de desempenho.

Leia também: Maior exercício militar do Brasil faz demonstração com tanques, aviões e armas em Roraima

Tiros de festim

Durante o combate, foram utilizados tiros de festim, munição composta apenas por uma cápsula com pólvora, sem o projétil (parte da bala que viaja pelo ar e causa ferimentos reais). Houve troca de tiros em diversos pontos da vila, conforme os militares de ataque avançaram em direção ao aeródromo.

A presença das tropas despertou os moradores de Normandia no início da manhã. Em uma escolinha da cidade, o som dos disparos foi ouvido por alunos e funcionários. A orientadora pedagógica Isadora Constância relatou que o Exército avisou a população com antecedência, mas o efetivo nas ruas surpreendeu.

“Não é todo dia que a gente vê uma presença muito grande de soldados na rua. As crianças escutaram os tiros e a gente ficou curioso”, disse. “Saber que o Exército está atuando e ver com os próprios olhos é uma experiência diferente”, acrescentou a moradora.

Uso de blindados

O exercício empregou 39 viaturas blindadas, incluindo os modelos Guaicurus e Guarani. O Guaicurus é um veículo 4×4 usado para proteção e mapeamento de áreas, operado apenas pela 1ª Brigada de Infantaria de Selva. O Guarani é utilizado para o transporte de tropas.

A marcha de combate começou no entroncamento da BR-174 com a BR-433, em Surumu, cruzou a Terra Indígena Raposa Serra do Sol e seguiu até Normandia. Na simulação de ataque na região do Contão, houve apoio de aeronaves de ataque A-29 Super Tucano.

Leia também: Maior exercício militar do Brasil reúne 10 mil militares em Roraima: Operação Atlas 2025

A manobra testou a capacidade da tropa de reconquistar um território invadido. Segundo o major Pedro Xavier, da 1ª Brigada de Infantaria de Selva, a unidade é preparada para ser acionada em situações de emergência, com militares prontos para entrar em ação a qualquer momento.

“O Exército sempre busca estar pronto por meio do seu preparo para as diversas operações que podem aparecer para ele”, explicou o major. “Esse adestramento materializou nossa vocação principal, que é a defesa externa no extremo norte do país”, concluiu.

Treinamento Operação Amazônia Roraima
Foto: João Gabriel Leitão/Rede Amazônica RR

Na defesa do aeródromo estava o soldado Lucas Peixoto. “Sabemos que o calor de Roraima não é fácil, mas mantivemos a tropa em posição, sempre bem abrigados. Acredito que teve muito desafio, mas batemos esse objetivo, que foi manter uma visibilidade grande do terreno”, destacou o recruta.

Durante a ação, militares à paisana interpretaram civis que pediam ajuda em meio ao combate. Eles foram socorridos pelas tropas e encaminhados a um posto de triagem fictício.

Normandia já recebeu outras ações

Treinamento Operação Amazônia Roraima
Foto: João Gabriel Leitão/Rede Amazônica RR

A região de Normandia e municípios vizinhos também foram cenário de atividades militares em 2025, durante a Operação Atlas. A ação faz parte do treinamento conjunto das Forças Armadas no país e reuniu 6 mil militares no estado.

O treinamento simulou um cenário real de confronto armado, com apoio de aeronaves de combate da Força Aérea Brasileira (FAB), tanques, blindados e artilharia terrestre. Na época, a operação teve o objetivo de avaliar a capacidade de atuação conjunta do Exército, Marinha e Aeronáutica e aprimorar estratégias de defesa na Amazônia.

Na ocasião, o maior míssil de longo alcance desenvolvido no Brasil, do sistema Astros, foi disparado pela primeira vez na região amazônica, em Bonfim. O sistema é capaz de lançar foguetes e mísseis que alcançam até 300 quilômetros de distância, com alto grau de precisão.

*Por João Gabriel Leitão, da Rede Amazônica RR

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