As jararacas são viperídeos de uma família que pertence também a cascavel e a surucucu-pico-de-jaca. Mas a jararaca é a mais abundante, mais comum e a que mais causa acidentes no Brasil. De cada dez acidentes causados por serpentes, sete são causados por jararacas.
Elas são bem comuns, principalmente nessa época de chuvas na Amazônia. A incidência entre janeiro, fevereiro e março aumenta, chegando até três acidentes por dia no estado de Rondônia. E, na Amazônia, dezenas de acidentes e mais de 70 acidentes por dia no Brasil, só pela serpente jararaca.
O acidente com uma jararaca acontece do seguinte modo: ela inocula um veneno que causa muita dor, hemorragia, equimose (mancha roxa, azulada ou avermelhada na pele causada pelo rompimento de pequenos vasos sanguíneos e extravasamento de sangue sob a pele) e dor intensa. Um hospital tem que ser procurado o mais rápido possível.
É muito importante tirar a foto do animal para a sua identificação e para que o médico tome as atitudes corretas, pois para cada cobra existe um soro específico.
Cuidados
Ao entrar numa área de mata, seja para pescar, passear ou caminhar, é muito importante usar bota, perneira, calça fechada, camisa de manga longa, não colocar a mão em buracos debaixo de tronco de árvore, entulhos, e prestar bastante atenção onde anda, principalmente no período noturno que é quando as jararacas estão em maior atividade aqui na Amazônia.
Foto: Flávio Terassini/Acervo pessoal
Ao ver o animal, não mate porque elas também são muito importantes para o meio ambiente: elas se alimentam de roedores, de outros animais, então controlam a população desses animais da floresta desempenhando um papel fundamental na cadeia alimentar.
Além de ser predadoras de roedores que causam doenças, elas também servem de alimentos para outros animais como as aves, os gaviões e até outras serpentes. Por isso elas são muito importantes.
Segue a dica: ao encontrar uma jararaca, muito cuidado, não tente colocar a mão nela porque ela vai se defender inoculando veneno. Fotografe e sempre preste muita atenção ao entrar em áreas de floresta.
Pôr do sol em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. Foto: Lucas Macedo/Rede Amazônica AM
O pôr do sol em São Gabriel da Cachoeira, às margens do Rio Negro, no Amazonas, é mais do que um espetáculo de cores para os povos originários da região. Entre os Tukano e os Baniwa, duas lendas diferentes dão sentido ao momento em que o sol se despede do dia, transformando o fenômeno natural em um ritual sagrado.
A ligação entre as visões ancestrais com a cultura do município amazonense se justifica: São Gabriel da Cachoeira é a terceira cidade mais indígena do Brasil, segundo Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com 93,2% da população pertencente às etnias distribuídas no município. Para a maior parte dos habitantes, o pôr do sol segue sendo um dos símbolos mais fortes da união entre mito e realidade.
O céu tingido de laranja, vermelho e roxo reflete nas águas escuras do rio e impressiona moradores e turistas. Mas, para os povos indígenas, o espetáculo vai além da estética: é um momento de respeito e silêncio, em que se reafirma a conexão espiritual com os antepassados.
Relatos da beleza do pôr do sol
De acordo com a Secretaria de Cultura do Município, na tradição Tukano, o sol mergulha nas águas do Rio Negro para descansar e renovar suas forças, sendo acompanhado por espíritos que garantem a continuidade da vida.
A visão da etnia sobre o fenômeno natural já foi alvo de estudos internacionais. O antropólogo britânico Stephen Hugh-Jones, esteve na Amazônia em 1979, e passou um tempo com o povo Tukano.
A experiência resultou na publicação sobre a lenda no estudo ‘From the Milk River: Spatial and Temporal Processes in Northwest Amazonia‘ (Do Milk River: Processos Espaciais e Temporais no Noroeste da Amazônia, em tradução literal).
“O sol é visto como um operador do tempo e do espaço, responsável por ordenar o ciclo da vida e garantir o equilíbrio entre o dia e a noite”, diz trecho do estudo.
Município de São Gabriel da Cachoeira. Foto: Divulgação/Amazonastur
Já para os Baniwa, o pôr do sol simboliza a passagem do tempo e a harmonia entre os mundos, com os ancestrais guiando o astro em sua travessia para assegurar equilíbrio entre natureza e humanidade.
“O pôr do sol entre os Baniwa é também um marcador de tempo, que orienta práticas sociais e agrícolas, funcionando como um mapa cosmológico”, explica a pesquisadora da Universidade Federal do Amazonas, Silvana Rossélia dos Santos.
O pesquisador americano Robin Wright, especialista na cosmologia Baniwa, destacou no estudo “História Indígena e do indigenismo no Alto Rio Negro”, a crença indígena sobre o fenômeno:
“Cada pôr do sol é entendido como um ritual de passagem, em que os ancestrais conduzem o sol para o mundo espiritual, reafirmando a ligação entre presente e passado”.
A comunicadora Yngrid Duarte, que saiu de Brasília para acompanhar uma comitiva que levou donativos para comunidades indígenas na cidade, ressaltou a experiência vendo o pôr do sol:
“O pôr do sol foi muito bonito, parecia que estava saindo faísca do céu, teve várias rajadas, foi mágico, encantado. Acho que isso explica muito sobre a cidade”.
Guias locais costumam compartilhar essas histórias durante passeios de barco, destacando a importância da preservação cultural e ambiental.
Ambas as tradições reforçam que o pôr do sol é mais do que um fenômeno natural — é um momento sagrado de conexão entre mundos.
*Com informações de Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM
O fotógrafo e ambientalista Mário Barilá realizou um ensaio no aterro sanitário de Macapá como parte do projeto Água Vida. Foto: Mário Barilá/Reprodução
O fotógrafo e ambientalista Mário Barilá realizou um ensaio no aterro sanitário de Macapá como parte do projeto Água Vida, que existe há mais de 10 anos e busca destacar questões sociais e ambientais.
Os bailarinos Agesandro Rego e Alana Lins posaram em meio às montanhas de lixo. A proposta foi mostrar o contraste entre a vida urbana e a arte, evidenciando a urgência da causa ambiental e a presença da humanidade mesmo em cenários de abandono.
Em uma das imagens, uma montanha de lixo aparece ao fundo com urubus sobrevoando. Para Barilá, o registro simboliza “a montanha dos pássaros gigantes”.
O fotógrafo explica que o objetivo não era retratar o lixo, mas sim os bailarinos dançando diante dele.
“Queremos chamar atenção para erradicar o lixão ou dar outro destino a esse material”, disse.
Durante a produção, um caminhão chegou para despejar resíduos e catadores correram para recolher o material. Para Barilá, a cena reforça a mensagem do ensaio sobre a necessidade de políticas públicas voltadas às famílias que vivem no entorno.
Além das fotos, o projeto promoveu o plantio de mudas frutíferas próximo ao lixão. A ideia é oferecer alternativas de renda e alimentação para a comunidade.
“Eles vão produzir frutas locais e vender o excedente. O problema do lixão cabe aos governantes resolver. Nós levantamos essa bandeira”, afirmou o fotógrafo.
O Projeto Água Vida une arte e preservação ambiental. A iniciativa realiza o plantio de árvores nativas em áreas ameaçadas e usa a fotografia como forma de conscientização.
O projeto já atuou em locais como Brumadinho (MG), após o rompimento da barragem, na Ilha do Mel (PR) e no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO).
Além de recuperar áreas degradadas, busca sensibilizar comunidades e visitantes sobre a importância da preservação da natureza.
Os testes iniciais com um corante natural produzido pelo fungo Talaromyces amestolkiae, encontrado na Amazônia, demonstram que é possível desenvolver cosméticos ecológicos como cremes faciais, bastões em gel e xampus, alcançando ação antioxidante e antibacteriana.
A descoberta é importante porque os colorantes microbianos – ainda pouco explorados na área da pesquisa em cosmética – podem ser alternativa sustentável aos sintéticos.
O fungo produz corantes vibrantes que variam do vermelho ao amarelo e têm alto potencial industrial. Nos últimos anos, diversos países têm proibido e restringido o uso de alguns tipos de corantes sintéticos na medida em que têm sido associados a alergias e outros problemas de saúde. Com isso, a demanda por produtos ecologicamente corretos e saudáveis vem aumentando cada vez mais.
De acordo com os dados, o extrato conseguiu diminuir em mais de 75% as substâncias que reagem com o oxigênio ao entrar em contato com a pele, ou seja, reduziu compostos que podem causar danos celulares. Além disso, os testes também mostraram que mais de 60% das células permaneceram vivas, indicando que o produto não compromete a saúde da pele. Os dados foram publicados na revista ACS Ômega.
A pesquisa foi desenvolvida por Juliana Barone Teixeira e orientada por Valéria de Carvalho Santos-Ebinuma, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista (FCFAr-Unesp), campus de Araraquara, em parceria com Joana Marques Marto, da Universidade de Lisboa.
O estudo também contou com contribuições de pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP) e teve apoio FAPESP (processos 23/13069-0, 23/01368-3, 24/19904-1, 24/16647-8, 24/16477-5 e 21/06686-8).
“Nós conseguimos demonstrar que esse colorante pode ser aplicado em formulações cosméticas mantendo a segurança, a funcionalidade, a textura e o desempenho de forma geral, sem causar nenhum impacto na formulação e na experiência dos possíveis clientes”, explica Teixeira, primeira autora do artigo. “O que chamou atenção para esse fungo, inicialmente, foi a cor. A partir daí começamos uma série de estudos. Foram mais de dez anos até chegar nessa etapa de produção”, conta Ebinuma.
De acordo com as pesquisadoras, estudos na área de marketing vêm mostrando como a cor é um dos principais fatores que influenciam a compra dos produtos, por isso, algumas estratégias de venda, inclusive, evocam a emoção a partir dessas sensações para atrair os consumidores.
“Nós buscamos um parceiro que trabalhasse com a parte dos cosméticos, por isso a professora Joana da Universidade de Lisboa nos ajudou com diferentes formulações”, explica Ebinuma.
“Nem todo microrganismo causa mal, gera problemas para a saúde. Alguns produzem compostos que trazem benefícios. Essa é uma área que cresceu e é onde justamente nós trabalhamos com a biotecnologia, o emprego desses seres vivos ou de componentes desses seres vivos para o benefício da sociedade”, destaca a pesquisadora.
“Em vez de avaliarmos o colorante de forma isolada, nós buscamos estudá-lo dentro de uma formulação final considerando tudo o que deve ter em um produto colocado em prateleira”, ressalta Teixeira.
A descoberta que levou ao corante
De acordo com Ebinuma, os estudos com o fungo Talaromyces amestolkiae começaram ainda no seu doutorado, quando conheceu a professora Maria Francisca Simas Teixeira, curadora da Coleção de Culturas do Departamento de Parasitologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), uma das maiores referências nos estudos da área da micologia do país, que faleceu no ano passado.
Foi ela que o encontrou, com seus alunos, espalhado pelas árvores do campus, e o colocou em sua coleção. De lá para cá, a espécie T. amestolkiae tem despertado o interesse dos pesquisadores porque é capaz de produzir colorantes que vão desde amarelos e laranjas intensos até os vermelhos.
“Quando começamos a estudar, verificamos que ele produzia essa coloração vermelha. Ele é um fungo encontrado na natureza, mas que gosta de condições específicas, por exemplo, as altas temperaturas de Manaus. Então, o que nós fizemos foi simular uma temperatura próxima à de Manaus para que ele produzisse esse corante vermelho também em laboratório”, explica Ebinuma.
Diante da descoberta, a professora destaca ainda a importância de continuar estudando as espécies nativas, porque há muito o que se descobrir na biodiversidade amazônica. “Pode ser que existam outras espécies parecidas”, comenta a cientista.
Atualmente, cerca de 20 estudantes de graduação e pós-graduação estão envolvidos nos estudos do grupo de pesquisa. Alguns desses trabalhos, segundo Ebinuma, buscam entender a aplicação do corante em tecidos ou em alimentos, como gelatinas. “Temos várias frentes para esse fungo e também estamos estudando outros”, conta.
De acordo com a pesquisadora, um dos principais objetivos agora é tentar melhorar todos os processos que envolvem a produção do corante. “Hoje eu produzo 1 grama [g] desse tipo de corante, mas o objetivo é chegar a 10 g. Qual é o caminho que podemos percorrer de 1 g até 10 g? Por isso há uma rede de alunos e de professores envolvida nisso”, diz a pesquisadora.
CEO do Grupo Rede Amazônica, Phelippe Daou Júnior recebeu a medalha nesta segunda-feira (9). Foto: Marcelo Vila Real/Rede Amazônica RR
O CEO do Grupo Rede Amazônica, Phelippe Daou Júnior, recebeu a medalha da Ordem do Mérito Forte São Joaquim, a mais alta honraria de Roraima. A cerimônia ocorreu nesta segunda-feira (9) no palácio Senador Hélio Campos, sede do governo estadual, em Boa Vista.
Após receber a homenagem, Phelippe Daou Júnior disse que a comenda representa o trabalho de 51 anos feito pela Rede Amazônica em Roraima, o que motiva a emissora a aprimorar cada dias mais os serviços prestados à comunidade.
“Receber essa comenda, a medalha Forte São Joaquim, para mim, não só para mim, para a nossa empresa, é uma grande honra. É claro que isso representa todo o trabalho de 51 anos que nós estamos realizando aqui no estado de Roraima. Ter esse reconhecimento, entre tantos outros empresários e investidores aqui no estado, para nós, é muito importante”, afirmou.
Além do CEO, o presidente da Guiana, Mohamed Irfaan Ali, também recebeu a medalha. Na fronteira com o Brasil, o país tem sido estratégico para Roraima “para fortalecer sua posição no comércio internacional”, segundo o governo do estado. As honrarias foram entregues pelo governador Antonio Denarium (PP).
“A Guiana valoriza profundamente sua relação com o Brasil. Uma parceria baseada no respeito mútuo, na coexistência pacífica e em um compromisso comum com o desenvolvimento”, disse o presidente.
Ana Karoliny Siqueira Calleri – empresária responsável pelo projeto Imeru café;
Aniceto Campanha Wanderley Neto – empresário de piscicultura;
Antônio Cabrera Mario Filho – ex-ministro da agricultura;
Aluizio Nascimento da Silva – secretário de atração de investimentos do estado de Roraima;
Blairo Borges Maggi – ex-ministro da agricultura e ex-governador do Mato Grosso;
Creuzival Neris Vasconcelos – presidente da Coophorta;
Damian Popolo – diretor de relações externas e sustentabilidade na Enel Brasil ;
Emerson Carlos Baú – diretor-superintendente do Sebrae Roraima;
Geraldo Falavinha – empresário agroindustrial;
Getúlio Alberto de Souza Cruz – radialista, economista, professor e empresário;
Irineu Boff – fundador e presidente do conselho administrativo da oleoplan;
Jaime Benchimol – presidente da Fogás;
José Geraldo Ticianeli – reitor da Universidade Federal de Roraima;
José Lopes Primo – ex-deputado estadual;
Lino Lopes Cançado – ceo da Eneva;
Luiz Carlos Brito – empresário do setor da construção civil;
Roberto Paulo da Silva Santos – delegado da receita federal de Roraima;
Vitor Hugo Perin – empresário.
A comenda homenageia o Forte São Joaquim, construído pela coroa portuguesa às margens do Rio Branco para garantir a proteção do território durante o período colonial.
A ordem do mérito reconhece pessoas físicas e jurídicas, nacionais ou estrangeiras, que prestaram serviços relevantes ao estado de Roraima. Os graus de distinção da comenda são: Grã-Cruz; Grande-Oficial; Oficial; Comendador e Cavaleiro.
Foto: Reprodução/Agiliza.agromkt
Mais sobre o CEO do Grupo Rede Amazônica
O CEO do Grupo Rede Amazônica, Phelippe Daou Júnior, nasceu em São Paulo, e é filho do jornalista e fundador da Rede Amazônica, Phelippe Daou e de Magdalena Arce Daou. A filial da emissora foi implantada em Roraima em 1975, há 51 anos.
Phelippe é o criador e embaixador do projeto “Amazônia Que Eu Quero“. Ele é formado em engenharia eletrônica com ênfase na área de telecomunicações.
A primeira unidade de soberania alimentar na Terra Indígena Yanomami foi inaugurada, no dia 2 de fevereiro, na comunidade de Sikamabiu, localizada na região do Baixo Mucajaí, em Roraima. A iniciativa do Governo do Brasil marca um passo focado na recuperação ambiental e no fortalecimento da segurança alimentar das comunidades indígenas, com o avanço da retirada do garimpo ilegal da região.
A estrutura implantada em Sikamabiu faz parte de um projeto mais amplo, que prevê a instalação de outras sete unidades de soberania alimentar ainda neste ano, beneficiando 18 comunidades indígenas nas regiões de Surucucu, Homoxi, Xitei, Lasasi, Ajarani, Olomai e Uxiu.
As unidades demonstrativas combinam produção de alimentos, recuperação ambiental e capacitação comunitária, contribuindo para a reconstrução das áreas degradadas pelo garimpo ilegal.
A unidade recebeu investimento de R$ 90 mil do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e contou com a presença do ministro Wellington Dias.
Os recursos investidos pelo MDS integram um Termo de Execução Descentralizada (TED) firmado com a Embrapa Roraima, responsável pela execução do projeto, com apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Roraima (IFRR) participa da iniciativa por meio da capacitação dos moradores da comunidade.
Na área inaugurada, foram implantados um aviário com 100 galinhas, um viveiro com capacidade para 2 mil mudas de espécies nativas, como açaí e cacau, além de tanques de compostagem para a produção de adubo natural.
As roças comunitárias contam com o cultivo de mandioca, batata e arroz, além da implantação de Sistemas Agroflorestais voltados à recuperação das áreas degradadas.
Também foi construído um tanque escavado de 440 metros quadrados para criação de peixes destinados ao consumo da comunidade. Além disso, dois açudes que haviam sido utilizados pelo garimpo ilegal foram recuperados e transformados em criadouros.
Testes realizados confirmaram a ausência de contaminação por mercúrio, permitindo a reintegração dessas áreas ao sistema produtivo. Ao todo, os três espaços abrigam cerca de 4 mil filhotes de peixes.
Autonomia da população
A comunidade de Sikamabiu reúne aproximadamente 30 famílias, totalizando quase 400 indígenas. Onde antes operavam dragas, motores e outras estruturas do garimpo ilegal, hoje é possível produzir alimentos de forma sustentável, fortalecendo a segurança alimentar e a autonomia da população local.
Além da ação coordenada pelo MDS, a comunidade de Sikamabiu também recebeu apoio do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), com a instalação de 10 tanques elevados com revestimento impermeável para criação de tambaqui, que abrigam outros 4 mil filhotes.
A ação do MPA conta com a parceria do IFRR e inclui a formação de 34 indígenas, que serão responsáveis pelo manejo dos tanques, garantindo a autonomia da comunidade na criação dos peixes. A estimativa dos técnicos envolvidos é que a produção de proteína animal alcance cerca de 1 tonelada até o final de 2026.
Outras entregas
A agenda do Governo do Brasil em Roraima incluiu outras entregas no território Yanomami e na capital Boa Vista, como a inauguração do Centro de Referência em Direitos Humanos Yanomami e Ye’kwana, coordenado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, voltado ao atendimento especializado e à proteção contra violações de direitos humanos.
Todas essas iniciativas integram o Plano de Ação para o Desenvolvimento Sustentável da Terra Indígena Yanomami, liderado pela Funai, que articula ações de diferentes ministérios e órgãos federais com o objetivo de promover o bem viver dos povos Yanomami e Ye’kwana. A Terra Indígena Yanomami tem 9,6 milhões de hectares e abriga aproximadamente 31 mil indígenas, sendo a maior terra indígena do Brasil em extensão territorial.
*Com informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
Agremiações já divulgaram cronograma de datas dos ensaios e eventos tradicionais da temporada bovina de 2026. Foto: Yesid Rodrigues/ João Guilherme/ Creative Commons
A menos de cinco meses do 59º Festival Folclórico de Parintins, os bois Caprichoso e Garantido divulgaram os calendários oficiais de eventos para a temporada bovina de 2026. A programação, divulgada nas redes sociais das respectivas agremiações, conta com as datas dos ensaios técnicos e oficiais, além das tradicionais festividades, visando a preparação para o maior espetáculo cultural do planeta, que acontece nos dias 26, 27 e 28 de julho.
Neste ano, o boi Garantido terá o tema ‘Parintins: Portal do Encantamento’, enquanto o Caprichoso apresenta ‘Brinquedo que canta seu chão’. Do lado do Touro Negro, o cronograma de datas está sujeito a alterações, em razão da participação da cunhã-poranga Marciele Albuquerque no BBB26 e do calendário do Governo do Amazonas.
O Desembargador Felismino Francisco Soares por diversas vezes foi Venerável Mestre da Grande Benemérita Loja Simbólica Amazonas n.º2. Tendo sido iniciado na mesma Loja, no dia 9 de março de 1935, foi elevado ao grau de companheiro, em 25 de abril de 1935 e Mestre Maçom, em 20 de julho de 1935.
Dotado de grande conhecimento jurídico, era respeitado pela sua qualidade de gestor e de hábil conciliador entre irmãos. Coube a ele encontrar o caminho do equilíbrio institucional em uma época de grandes convulsões sociais, como foram os anos de 1960. Ponderado, justo e discreto soube manter a GLOMAM fora das paixões políticas de então. Foi seu Eminente Grão-Mestre Adjunto Manoel Ribeiro.
Felismino Francisco Soares, filho do velho campeador Domingos Francisco Soares e Maria Rebelo Soares. Realizou os estudos de nível secundário na Escola Normal em Manaus, tendo colado grau como professor em 1920 e, onde exerceu posteriormente o cargo de secretário. Lecionou no interior do estado do Amazonas e depois no Rio de Janeiro.
Como mestre em Manaus teve destacada atuação, lecionando História Universal e História do Brasil, na Escola Normal, hoje Instituto de Educação do Amazonas e Caligrafia, Legislação Fiscal e Prática do Processo Civil e Comercial na Escola Municipal de Comércio Solon de Lucena. Foi também assistente técnico do Departamento de Educação e Cultura do Estado do Amazonas.
Em 1927 fundou a Escola Noturna União Operária, pertencente à União Operária Amazonense. Em 1932 graduou-se em Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais e filiou-se ao Partido Trabalhista Amazonense, tendo sido eleito Deputado Estadual em 1935, cujo mandato foi interrompido em 1937, em função do golpe de estado que foi instaurado no país, a chamada Ditadura Vargas.
Sua participação na advogacia foi marcante e dinâmica sendo considerada clássica. Inteligente, ágil de raciocínio, pouco precisou para ganhar a simpatia dos obreiros da maçonaria amazonense. Posteriormente foi Desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas, Corregedor de Justiça, Vice-presidente e Presidente. Exerceu em comissão a função de Chefe de Polícia do Estado.
Militou na imprensa local nos jornais Estado do Amazonas, O Liberal e O Trabalhista, tendo colaborado em jornais e revistas do Rio de Janeiro, como a Revista O Malho e Jornal dos Moços. Dedicou-se à música e a poesia. Foi autor de composições que alcançaram êxito, como a valsa Meiga Recordação. De sua lavra em prosa e verso, destacam-se: Jubileu em Florilégio, Contos e Poesias, Resposta, Cartilha Trabalhista, Doutrinação Política que constituiu em sua plataforma de conduta.
Casou-se duas vezes: a primeira em 1927 com a senhora Dídia de Amorim Soares, e a segunda em 1968, com a senhora Haydée de Amorim Soares, irmã da primeira esposa. Teve nove filhos dos quais sobreviveram apenas sete que se destacaram em nosso cenário como médicos, advogados, oficiais do exército nacional, bacharéis em administração pela Fundação Getúlio Vargas e professores.
Nasceu no dia 23 de julho de 1902 e faleceu no dia 1 de janeiro de 2000, deixando uma grande lacuna na Jurisprudência e na maçonaria amazonense.
O Desembargador Felismino Francisco Soares. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Segundo o escritor Robério Braga, assim o descreve:
Felismino Francisco Soares, um dos grandes amigo de meu pai, Lourenço da Silva Braga, desde as lides político partidárias, em 1933, a tal ponto das famílias se tornarem fraternas e solidarias até os dias atuais. Era filho de Domingos Francisco Soares e Maria Ribeiro Soares, nascido em Urucurituba em 23 de julho de 1902. Casou-se com Dídia de Amorim Soares (1927) e com Haydee de Amorim Soares (1968).
Em 1913 estava no Ginásio Amazonense Pedro II. Em 1916 foi aprovado em exames na Escola Normal, sendo colega de Benedito Sidou, Ruth Pires, Dulce Caminha, Lucila Caminha, Lucinha Nelson, Amazônia Sidou, Cecilia Santos, dentre outros alunos. Formou-se em professor normalista em 1920, acompanhado de Raimundo Comte de Carvalho Leal, Ruth Pires dos Santos e Dulce da Silveira Caminha. Logo lecionou em escolas do interior do estado, na capital, no Rio de Janeiro e na Escola de Comércio de Manaus, depois Escola Solon de Lucena, aplicando várias disciplinas como Historia Geral, Historia do Brasil, Caligrafia, Legislação Fiscal, Pratica de Processo Civil e Pratica Comercial.
Foi auxiliar do diretor do Colégio Rayol, precisamente do seu proprietário, o professor Alexanddre Rayol (1927), ano em que exerceu a direção da Escola da Sociedade União Operaria, onde ajudou a fundar.
Formado em 1932 pela Faculdade de Direito do Amazonas. Atuou na advocacia sindical, ampliando sua influência na politica local. Foi suplente e em 1946 foi cogitado a ser candidato a governador em eleição simulada pelo Jornal do Commercio, fase em que foi eleito presidente do diretório municipal do PTB, em 1947 tornou-se Deputado Federal pelo partido Partido Trabalhista Nacional.
Como Desportista foi Secretário do Paiçandu Sport Clube, de Manaus 1918, líder e presidente do Princesa Isabel Esporte 1944, presidente da Liga Amazonense pró Liberdade de Consciência 1959. No serviço publico, foi técnico do Departamento de Educação e Cultura do Estado e Chefe de Polícia.
Encontra-se na imprensa artigos de sua lavra em O Trabalhista, O Estado do Amazonas, O Liberal, Jornal das Moças e revista O Malho, estes dois últimos, no Rio de Janeiro e muitos outros.
Em 1947 foi desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas e presidente em 1951. Escreveu Plaqueta tratando do tema trabalhismo e proletarismo, editada no Rio de Janeiro, noticiada em Manaus com o título de Cartilha Trabalhista. Como poeta publicou algumas poesias no Jornal do Commercio, as quais reunidas pelos filhos constituíram no livro Jubileu em Florilégio, comemorativo dos seus cinquenta anos de vida.
Membro ativo da Maçonaria Amazonense, alcançou elevação em vários graus da Sublime Ordem e foi eleito Grão-mestre do Grande Oriente Estadual.
Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.
Livro infantil exalta histórias e saberes ancestrais. Foto: Lucas Macedo/Rede Amazônica AM
Crianças indígenas que vivem na comunidade Duraca, nas proximidades de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, receberam, neste sábado (7), a doação de exemplares do livro ‘Coleção Mágica’, obra que reúne histórias e saberes da própria cultura originária. O conteúdo será utilizado na escola da comunidade.
A doação ocorreu durante uma missão institucional formada por representantes do Cieam, Fieam e do Conselho das Indústrias de Defesa da Amazônia. A missão acontece entre os dias 6 e 8 de fevereiro, com o objetivo fortalecer o diálogo com as Forças Armadas e ampliar o apoio social na região.
Segundo a professora Maristela Silvano da Silva, o material recebido representa um marco para a educação local. “Eu tenho certeza porque nós nunca tivemos apoio para a escola do jeito que vocês estão doando”, afirmou.
Livro revela importância da própria cultura para as crianças
O vice-presidente da Fieam, Luiz Augusto Rocha, destacou a importância da aproximação com os povos indígenas e ressaltou o valor da preservação da ancestralidade:
“Essas crianças vão poder estudar com a sua ancestralidade mantida e preservada”, disse.
Entrega de livros para crianças indígenas no interior do Amazonas. Foto: Lucas Macedo/Rede Amazônica AM
A comitiva foi recebida com cantos, danças tradicionais e o ritual do Caxiri, que emocionou os visitantes. Ao final, os empresários também receberam presentes da produção agrícola indígena. O gesto sensibilizou o diretor industrial da Bic Amazônia, o francês Jean Marc Hamon.
“Dou uma importância enorme para a cultura originária e para essa brasilidade, nossa língua original. Eu quase choro em certo momento ”, declarou o empresário.
A iniciativa reforça o papel da educação comunitária e da valorização cultural como pilares para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, colocando a “Coleção Mágica” como símbolo de união entre tradição e futuro.
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
O Paraguai, vizinho brasileiro do Sudoeste, vem despertando curiosidade internacional – ou firmes interesses? – na atração de investimentos graças ao ambiente de estabilidade macroeconômica, energia barata, impulsionado pelo regime de Maquila (1% de imposto sobre valor agregado) e a carga tributária 10-10-10. O sistema tributário simplificado do Paraguai, conhecido por ser um dos mais competitivos da região, compreendendo:
10% – IVA (Imposto sobre o Valor Agregado) sobre o consumo;
10% – IRE (Imposto de Renda Empresarial) incidente aos lucros das empresas;
e 10% – IRP (Imposto de Renda Pessoal) ou Dividendos aplicável à renda ou à distribuição de lucros.
Extraordinárias vantagens, vêm permitindo a implantação de um parque industrial de dimensões, neste momento, incalculáveis. Sua consolidação dependerá, contudo, da sedimentação das políticas públicas responsáveis pelo atual arrebatamento negocial que se esparrama em torno do país desde a América do Sul, sobretudo do Brasil, e o resto do mundo.
O Paraguai, efetivamente, graças a um governo de visão desenvolvimentista, vive um boom imobiliário e diversificado em setores de energia limpa, mineração (urânio/lítio) e autopartes, e impulsionado pelo regime de maquila (1% de imposto sobre valor agregado). As principais vantagens do sistema:
a) Simplicidade, clareza e baixo custo operacional da estrutura tributária;
b) Territorialidade: o Paraguai adota um sistema territorial, tributando apenas o que é produzido dentro do país;
c) Redução de Custos devido menor burocracia e impostos fixos baixos;
d) Lei de Maquila, que permite a importação temporária de matérias-primas com suspensão de impostos para posterior reexportação, semelhante ao drawback brasileiro.
Embora atrativos, contudo, especialistas recomendam planejamento tributário para garantir a conformidade legal e evitar riscos. Estruturado em avançado sistema de governança, o Paraguai fortaleceu sua posição ao conquistar a classificação de grau de investimento Standard & Poor’s REDIEX, garantidor de um ambiente mais seguro e atrativo ao capital estrangeiro.
Para o economista amazonense Rodemarck Castello Branco, as vantagens da fabricação no Paraguai dependem fortemente do tipo de produto, sendo mais expressivas naqueles intensivos em mão de obra por unidade fabricada, como ocorre, por exemplo, com produtos têxteis, confecções e determinados bens de montagem manual. Sob o aspecto tributário, destaca-se o Regime de Maquila, além das vantagens na importação de máquinas, equipamentos e insumos com suspensão de tributos, desde que destinados à produção de bens voltados à exportação.
Salienta que “para o produto fabricado no Paraguai gozar de isenção do Imposto de Importação ao ingressar no Brasil é necessário o cumprimento das regras de origem do Mercosul, que normalmente exigem que ao menos 40% do valor agregado tenha origem no Paraguai ou em outros países do bloco”. Convém salientar, afirma, não haver “dúvidas quanto às vantagens competitivas da ZFM para vários segmentos industriais, notadamente duas rodas, eletrônicos de consumo e outros produtos sujeitos a elevada tributação interna”.
Castello Branco ressalta que as vantagens da fabricação no Paraguai dependem fortemente do tipo de produto, sendo mais expressivas naqueles intensivos em mão de obra por unidade fabricada, como ocorre, por exemplo, com produtos têxteis, confecções e determinados bens de montagem manual. Nesses casos, a mão de obra paraguaia apresenta custo significativamente inferior ao brasileiro, com encargos sociais substancialmente mais baixos e legislação trabalhista mais simples.
Sob o aspecto tributário, além dos benefícios da Maquila, destacam-se os referentes à importação de máquinas, equipamentos e insumos com suspensão de tributos, desde que destinados à produção de bens voltados à exportação. Releva, entretanto, que, “ao ingressar no mercado brasileiro, o bem produzido no Paraguai é tratado como importação, ficando sujeito aos tributos internos do Brasil, notadamente Imposto de Importação (se não atendida a regra de origem), IPI, ICMS, PIS e COFINS. Em razão disso, para produtos com elevada carga de IPI ou forte dependência de incentivos fiscais internos, a Zona Franca de Manaus (ZFM) tende a apresentar maior competitividade, uma vez que oferece um mix estruturado de incentivos fiscais federais e estaduais, concebido especificamente para o abastecimento do mercado nacional”.
O economista chama a atenção para um detalhe crucial. Ao que entende, a decisão empresarial quanto ao local de instalação da unidade fabril, quando a comparação se dá entre a Zona Franca de Manaus (ZFM) e o Paraguai, deve ser necessariamente realizada caso a caso, por meio de um Plano de Negócios estruturado, que contemple, de forma integrada, a análise dos custos logísticos, impactos tributários e disponibilidade e custo dos recursos humanos, além de aspectos regulatórios e de mercado.
“Não há dúvidas quanto às vantagens competitivas da ZFM para vários segmentos industriais, notadamente duas rodas, eletrônicos de consumo e outros produtos sujeitos a elevada tributação interna, especialmente aqueles com alto IPI. Por outro lado, o Paraguai configura-se como uma alternativa estratégica relevante para setores como calçados, vestuário e demais bens intensivos em mão de obra, nos quais o diferencial de custo trabalhista e o regime tributário simplificado podem gerar ganhos expressivos de competitividade”, salienta.
Segundo afirmou à coluna o presidente do grupo Bemol, Denis Minev, que se encontra em viagem de negócios à China, “o Paraguai evoluiu muito nos últimos anos em produtividade e, em certos aspectos, compete com Manaus dada sua posição geográfica mais favorecida em relação aos mercados do Sudeste do Brasil”. Informou ter estado recentemente em um evento com o presidente do Paraguai, Santiago Peña, oportunidade em que conversaram sobre o recente acordo com a Suframa. Em minha opinião, destacou Minev, os modelos “são mais concorrentes do que complementares e assim não vejo muita lógica no comparativo ZFM/Paraguai, particularmente, pois o presidente Peña não pareceu muito interessado em distribuir no país os produtos ZF”.
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).