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Livro sobre memória dos cantos Karib do Alto Xingu tem lançamento inédito em território indígena

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Foto: Marcella Saraceni/CGCOM Funarte

A Fundação Nacional de Artes (Funarte), vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer do Mato Grosso (Secel-MT), realizou uma missão inédita à Aldeia Ipatse, localizada na Terra Indígena do Xingu, onde foi lançado o livro ‘Meu Amado me Disse: os cantos tōlo dos povos Karib do Alto Xingu‘, um registro histórico dos cantos da região, idealizado pela linguista e antropóloga Bruna Franchetto em parceria com o pesquisador indígena Yamaluí Kuikuro Mehinaku.

A cerimônia, realizada em 21 de setembro, reuniu a comunidade Kuikuro, lideranças indígenas, representantes da Secel-MT e comitiva da Funarte, composta pela presidenta, Maria Marighella, a diretora do Centro de Artes Visuais e primeira dirigente indígena da instituição, Sandra Benites, a chefe de gabinete Laís Almeida e o organizador geral da obra, André Vallias, representando também a pesquisadora Bruna Franchetto.

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A presença da Funarte no território indígena é considerada histórica, marcando uma nova etapa da instituição no reconhecimento, valorização e difusão das artes e memórias dos povos originários. Com este lançamento, também pela primeira vez, a Funarte está lidando com a dimensão de direitos autorais coletivos em suas publicações, sendo a Associação Indígena Kuikuro do Alto Xingu (AIKAX) a detentora: uma inovação que mobiliza a Fundação a abarcar dinâmicas próprias das criações e artes indígenas.

Meu Amado me Disse: os cantos tōlo dos povos Karib do Alto Xingu reúne 100 cantos tradicionais (tōlo), transmitidos entre gerações e executados por mulheres em rituais sagrados dos Kuikuro. A partir da documentação em campo realizada por Bruna Franchetto e pelo também antropólogo Carlos Fausto, os cantos-poemas foram transcritos na língua original, pertencente à família Karib, e traduzidos ao português, incluindo áudios acessíveis por QR-Code.

Integrando o Programa Funarte Memória das Artes, o livro se insere nos eixos “Memória e Pesquisa” e “Formação e Reflexão” da Política Nacional das Artes, reafirmando o compromisso da instituição em preservar a diversidade cultural brasileira e projetar futuros a partir da memória.

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Na ocasião, a comunidade também entregou à presidenta da Funarte, Maria Marighella, e ao secretário adjunto de Cultura do MT, Jan Moura, um pedido formal para a criação do Centro Cultural do Povo Kuikuro.

A pesquisadora Bruna Franchetto apresenta o livro: “‘É com esse canto que minha filha madrugará esta noite’: são as palavras da eginhoto (mestra de cantos) mais idosa de Ipatse, a principal aldeia do povo Kuikuro do Alto Xingu. Ájahi transmitiu seus conhecimentos e sua arte para novas gerações de mulheres. O livro que agora publicamos é registro de memórias ancestrais, de uma tradição sempre renovada e um estímulo, esperamos, para que mais jovens queiram aprender e cantar nas madrugadas e na praça da aldeia”.

Lançamento celebra uma década de produção do livro

Sobre o processo de produção, ela conta: “Foram pelo menos 10 anos de trabalho colaborativo, linguístico e etnográfico, de pesquisadores indígenas e não-indígenas, um esforço contínuo para que esta arte verbo-musical pudesse ser apresentada ao mundo com a sua beleza e a sofisticação. É um exemplo de que a poesia cantada da palavra está viva nos povos originários e é sublime”.

Livro 'Meu Amado me Disse: os cantos tōlo dos povos Karib do Alto Xingu'
Livro foi lançado na Aldeia Ipatse. Foto: Reprodução/Instagram-mariamarighella

Sobre o lançamento na Aldeia Ipatse, Bruna Franchetto diz: “Foi uma decisão acertada a de lançar o livro na aldeia, com festa, danças, cantos, corpos pintados, crianças. Os Kuikuro folhearam as páginas, ouviram os cantos, gostaram das cores, das traduções possíveis de sua língua para o português. A beleza dos cantos-poemas é deles; André Vallias contribuiu para a beleza do objeto ‘livro’. Que os povos alto-xinguanos continuem sendo os guardiões de suas muitas línguas e artes”.

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Para a presidenta da Funarte, Maria Marighella, o livro reafirma a missão da instituição.

“No momento atual, criações como essa nos convidam a refletir sobre uma ética do existir que seja um cuidado com esse corpo coletivo. As artes indígenas têm retomado terras, línguas, cantos, técnicas, materiais e imaginários na sua diversa e sofisticada produção poética. Nesse sentido, a presente publicação realizada pela Fundação Nacional de Artes, Ministério da Cultura e Governo Federal, em parceria com fundamentais pesquisadores do campo, é uma afirmação de horizontes”.

A diretora do Centro de Artes Visuais da Funarte, Sandra Benites, falou sobre o marco da publicação: “Os cantos também são uma forma de nós, mulheres, nos organizarmos politicamente e dizermos aquilo que queremos. São como uma arte onde se usa metáfora para se dizer muitas coisas de forma poética, festejando. O canto engloba as dimensões de saúde e educação. Também é sagrado, político, artístico e uma comunicação com espíritos. É uma forma de nos relacionarmos com universos que não são visíveis. É muito importante que os cantos das mulheres indígenas sejam valorizados”.

A liderança indígena e professor Mutua Kuikuro, ao destacar a importância da presença da Funarte no território, também descreveu a relevância do conteúdo da obra: “O canto traz a força para nosso povo, principalmente para as mulheres. São 16 tipos de ritual dos Kuikuro, mais de 12 mil cantos, muitos que a gente ainda precisa escrever como escreveram com esse livro. Continuamos com essa força”.

O secretário adjunto de Cultura da Secel-MT, Jan Moura, também comentou sobre as muitas histórias que ainda precisam ser contadas pelas vozes dos povos originários. “Vamos continuar sendo parceiros para que mais publicações deem voz às histórias que não foram contadas dos povos que construíram o que a gente chama hoje de Brasil”.

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Os Kuikuro vivem ao longo dos rios formadores orientais do Rio Xingu, na Terra Indígena do Xingu (TIX), localizada no estado do Mato Grosso, Amazônia Meridional. Juntamente com outros povos falantes de línguas da família karib que habitam o Alto Xingu — Kalapalo, Nahukwa, Matipu e Naruvoto —, os Kuikuro formam o sistema regional multilíngue conhecido como Alto Xingu. Os cantos tōlo, tradicionalmente executados por mulheres durante rituais, reúnem elementos de espiritualidade, coletividade e resistência.

Mais que um registro, o livro representa um gesto de preservação, reconhecimento e difusão das artes indígenas em um país que abriga mais de 260 povos originários. A publicação está disponível em sua versão física por meio da Livraria da Funarte, e pode ser adquirida presencialmente ou pelo e-mail livraria@funarte.gov.br. Em breve, também será disponibilizada em formato digital, com acesso público e gratuito, ampliando o alcance dos cantos e fortalecendo o compromisso da Funarte com a salvaguarda, proteção e difusão das manifestações artísticas do Brasil. 

Serviço

Livro “Meu Amado me Disse: os cantos tōlo dos povos Karib do Alto Xingu”

Produção inovadora da espirulina ganha destaque no Amapá

A espirulina é uma microalga utilizada como suplemento alimentar. Foto: Elane Cunha/Acervo pessoal

Uma startup de bioeconomia amapaense desenvolveu um novo formato na produção da espirulina. Conforme a bióloga e fundadora da empresa, Elane Cunha, atualmente, o microrganismo – fabricado no estado – tem formato de grânulos crocantes e com sabor neutro.

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O formato é diferente da versão em pó, comum no mercado e “que tem gosto forte, muitas vezes desagradável e, em alguns casos, chega contaminada”.

“A espirulina é cultivada em tanques cobertos similares aos de piscicultura e não pode ficar exposta. Os microrganismos vem pelo ar e pela chuva. A falta de boas práticas de cultivo, uso de tanques com material inadequado, sem cobertura e o processo de secagem inapropriado influenciam no sabor e na qualidade”, afirma Elane.

Durante a produção, testes de toxinas e monitoramento microbiológico são realizados para evitar contaminações por outras algas. Para Elane Cunha, trata-se de um padrão de qualidade pioneiro no Brasil.

Leia também: Estudo identifica mais de 100 espécies de algas no interior do Amazonas

A produção inovadora e segura da espirulina no Amapá rendeu investimentos em pesquisa e premiações em dinheiro. Foto: Elane Cunha/Acervo pessoal

Utilidades da espirulina

A espirulina também é uma microalga, utilizada como suplemento alimentar e o consumo traz diversos benefícios à saúde, como o aumento da massa muscular, da imunidade, emagrecimento e ganho de energia. É rica em proteínas, minerais, antioxidantes e vitaminas do complexo B. Ainda previne doenças do coração e auxilia no tratamento de diabetes e da rinite alérgica.

A startup é uma deep tech, ou seja, “são empresas baseadas em investigação científica atuantes com inovação complexa e lidam com problemas como tratamento de doenças”, conforme o Sebrae.

O investimento em pesquisa científica foi impulsionado graças às diversas premiações em dinheiro, no âmbito estadual e federal. Os planos da startup são construir um parque industrial, alavancar a produção em larga escala e vender o produto para o Brasil e para o mundo.

Na França, a bióloga visitou fazendas de espirulina para adquirir boas práticas de fabricação e trazer o conhecimento da tecnologia para o estado. Foto: Elane Cunha/Acervo pessoal

“Nós desenvolvemos pesquisas em parceria com a Unifap, Senai Amapá e Senai Cimatec, financiadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial. Estamos com dois trabalhos que serão publicados em artigos internacionais e em um livro”, ressalta a CEO da empresa, Maria Eleonora Cunha.

Na França, a bióloga visitou fazendas de espirulina para aprender a escalar, adquirir boas práticas de fabricação e trazer o conhecimento da tecnologia para o estado.

O país europeu é considerado referência mundial na produção de espirulina de alta qualidade. “O Amapá tem o clima ideal para produção. Na Europa não tem por causa do inverno e a criação ocorre durante sete meses do ano. A espirulina gosta das altas temperaturas e luminosidade”, conclui a fundadora.

Falta de boas práticas de cultivo, uso de tanques com material inadequado e processo de secagem inapropriado podem influenciar no sabor e na qualidade da espirulina. Foto: Elane Cunha/Acervo pessoal

As cientistas amapaenses desejam transformar o estado em referência nacional e até internacional na produção de espirulina de alta qualidade.

*Por Luiz Felype Santos, da Rede Amazônica AP

De “terra de promessas” ao desenvolvimento, Roraima completa 37 anos; veja os principais destaques

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Roraima celebra 37 anos como Estado federado. Foto: Divulgação

Roraima chega aos 37 anos como Estado federado com muito a celebrar. O que antes era lembrado como “a terra das promessas”, hoje se consolida como espaço de crescimento econômico, modernização da infraestrutura e valorização social.

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No dia 5 de outubro, o Estado comemora mais de três décadas de criação, com um presente marcado por conquistas históricas: segurança energética, safra recorde de grãos, novos investimentos, além da credibilidade fiscal que o coloca entre os mais confiáveis do País.

“Estamos transformando Roraima em um dos Estados mais desenvolvidos da Amazônia, aberto ao diálogo e com políticas de incentivo que geram emprego, renda e qualidade de vida. Roraima deixou de ser uma promessa e se tornou realidade”, afirmou o governador Antonio Denarium.

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Roraima
Roraima vive plena expansão e tem caminho consolidado para seguir crescendo. Foto: Reprodução/Secom RR

Energia para crescer: Roraima finalmente conectado ao SIN

Um dos maiores marcos da história recente foi a integração de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN) com a chegada do Linhão de Tucuruí, investimento de R$ 3,4 bilhões.

O projeto, destravado por articulação do Governo do Estado em 2019 após anos de paralisação, garante fornecimento de energia estável e sustentável, abrindo espaço para o crescimento em áreas como saúde, turismo, tecnologia e agro.

Saiba mais: Com Sistema Elétrico Nacional, Roraima se torna polo estratégico de energia e abre espaço para novos investimentos

Linhão de Tucuruí vira realidade e promove independência energética de Roraima. Foto: William Roth/Secom RR

“É um avanço histórico que garante fornecimento de energia estável e abre as portas para grandes oportunidades nos setores de saúde, turismo, tecnologia, agro e muito mais. Tudo isso só foi possível graças ao trabalho firme que iniciamos em 2019, quando conseguimos destravar na Justiça a obra do Linhão de Tucuruí, parada desde 2011”, declarou Denarium.

O governador destacou que a conquista foi fruto de esforço e parceria com o Governo Federal. “Em 2023 demos a largada com a ordem de serviço e no último dia 26 de setembro de 2025 celebramos essa grande vitória para o povo de Roraima. A independência energética é o passaporte para um futuro de mais oportunidades”, completou.

Mais empregos, mais empresas e PIB forte

De 2019 a 2025, Roraima criou mais de 32 mil novos empregos formais, um crescimento de 61% no estoque total de trabalhadores. No mesmo período, o saldo de abertura de empresas chegou a 29 mil.

Escola Rural de Roraima: Foto: Jackson Souza/Prefeitura de Boa Vista

Esse dinamismo reflete diretamente no PIB estadual, que registrou avanço de 37,9% entre 2019 e 2024 – desempenho superior à média nacional e até mesmo a países como a China no mesmo período. Com a projeção para 2025, o crescimento real acumulado chega a 43,5%, consolidando Roraima como um dos estados de maior expansão econômica do país.

“Roraima tem muito que comemorar nestes 37 anos. Em 2018 o Estado estava quebrado, você não via expectativa de crescimento. E agora, quase sete anos depois, você vê um lugar diferente”, refletiu o vice-governador e secretário de Infraestrutura, Edilson Damião.

“Roraima hoje não é mais conhecido como o ‘Estado do contracheque’, é o Estado da soja, do milho, da carne. Nosso rebanho bovino já é de quase 1 milhão e nossa área plantada, que era de apenas 35 mil hectares em 2018, agora é de cerca de 150 mil hectares”, complementou o vice-governador.

Safra recorde, aumento da área de produção e mais infraestrutura

O agro é símbolo da transformação de Roraima. Em 2025, a área plantada no Estado alcançou 132 mil hectares, mais que o dobro de 2018, com produção superior a 500 mil toneladas de grãos.

Roraima tem crescimento contínuo na safra de grãos. Foto: Reprodução/SecomRR.

Além da soja, milho e arroz, houve avanços na pecuária, piscicultura e agricultura indígena. O programa Planta Roraima apoia hortas urbanas e comunidades tradicionais, enquanto a Sepi leva insumos e assistência a mais de 500 comunidades.

Para garantir escoamento, o Governo entregou 400 km de asfalto, recuperou 4 mil km de estradas vicinais e revitalizou 750 pontes. Um acordo com a Guiana viabiliza exportações pelo porto de Linden, abrindo mercado para o Caribe.

Saiba mais: Colheita de soja 2025 tem previsão de ultrapassar mais de 430 mil toneladas em Roraima

Contas equilibradas e reconhecimento nacional

Quando assumiu a intervenção em 2018, Denarium encontrou dívida de R$ 8,4 bilhões. Até agora, mais de R$ 3,6 bilhões já foram pagos, o que garantiu ao Estado a Nota A do Tesouro Nacional e o título de bom pagador.

Segurança pública com índices em queda

As mortes violentas caíram de 390 em 2018 para 132 em 2024. De janeiro a julho de 2025, foram registrados apenas 60 casos, o menor índice absoluto do país.

Mais de R$ 229 milhões já foram investidos em tecnologia, equipamentos, infraestrutura e valorização das forças policiais. Outros R$ 61 milhões estão em execução.

*Com informação da Secom RR

Livro reúne informações sobre fortalecimento do ecossistema de inovação no Médio Solimões

Foto: Reprodução/Instituto Mamirauá

O Instituto Mamirauá lançou o livro ‘Fortalecendo o Ecossistema de Inovação na Região do Médio Solimões’, organizado por Tabatha Benitz, Cláudia de Lima Souza e Iolanda de Cassia R. L. Monteiro, uma obra que documenta as conquistas e aprendizados do ‘I Inova Tefé’, evento realizado na instituição, em colaboração com uma rede de parceiros.

Entre 400 participantes, o ‘I Inova Tefé’, no Amazonas, reuniu empreendedores, estudantes, pesquisadores, professores e representantes de instituições, promovendo a troca de experiências e incentivando o desenvolvimento de negócios alinhados à conservação e à sustentabilidade da Amazônia.

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O livro registra todas as atividades do evento, incluindo formações de impacto em economia circular e criativa, marketing digital, audiovisual, propriedade intelectual e captação de recursos, além da Bio Ideação, um mini hackathon onde estudantes do Instituto Federal do Amazonas (IFAM) criaram soluções para enfrentar os desafios da estiagem na região.

No livro, também são descritas as palestras sobre bioeconomia e inovação, as apresentações de pitches de incubadoras e empreendedores, as rodadas de oportunidades para conexão com investidores, e os relatos de pesquisa apresentados em sessões orais, pôsteres, vídeos e podcasts, abordando temas como, por exemplo, a comercialização do pirarucu e o potencial medicinal de plantas amazônicas.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a diferença entre economia verde e bioeconomia?

Além disso, o I Inova Tefé demonstrou preocupação com a inclusão e a diversidade, registrando a roda de conversa sobre grupos vulneráveis e negócios de impacto social, com foco em comunidades LGBTQIAPN+ e quilombolas, e a programação lúdica do Espaço Curumim, voltado para crianças.

A Feira Cultural Inova Tefé, realizada na Praça Gourmet de Tefé, encerrou o evento, reunindo produtos regionais, apresentações culturais e atividades infantis que fortaleceram a economia criativa local. 

capa do livro
Foto: Reprodução/Instituto Mamirauá

Em um capítulo do livro, Tabatha Benitz, coordenadora geral do evento, fala da importância da economia circular e da economia criativa para o desenvolvimento sustentável: 

“A economia circular é um modelo econômico que visa minimizar o desperdício e maximizar a reutilização de recursos. Em vez do tradicional ciclo linear de ‘extrair, produzir e descartar’, a economia circular promove práticas que permitem que produtos e materiais sejam mantidos em uso por mais tempo, através da reciclagem, reparo e reuso. Essa abordagem não apenas reduz a pressão sobre os recursos naturais, mas também incentiva a inovação e a sustentabilidade, contribuindo para a proteção do meio ambiente e o fortalecimento das comunidades. Este modelo valoriza a criatividade e a colaboração, reconhecendo que bens e serviços culturais, como música, arte, design e tecnologia, não apenas geram receitas, mas também têm o poder de engajar e transformar comunidades. Na formação foram abordados os conceitos de economia circular e criativa e, em seguida, aplicado o modelo ‘canvas’ e ‘design thinking’, no qual os participantes formaram grupos e criaram ideias de negócios de impacto social envolvendo esses conceitos”.

Benitz ainda reforça o papel da publicação como memória do evento e ferramenta de aprendizado contínuo: “No livro que preparamos para vocês, selecionamos alguns trechos e fotos de cada etapa da programação, resultando em um material de memória e reforço das lições aprendidas ao longo da programação. Esperamos que gostem! Uma ótima leitura!”.

A obra inclui ainda reflexões sobre transferência tecnológica, propriedade intelectual e tecnologias sociais, além de referências ao podcast ‘Mamirauá Inova: Conceitos básicos da inovação‘, democratizando o acesso aos conceitos abordados durante o evento. 

Com essa publicação, o Instituto Mamirauá afirma que reforça seu compromisso com a promoção da inovação, do conhecimento científico e do desenvolvimento sustentável, oferecendo à comunidade e aos interessados na Amazônia um registro detalhado de um evento que transformou a forma de pensar e agir sobre inovação na região. 

Sobre o Inova Tefé

A primeira edição do Inova Tefé foi realizada pelo Instituto Mamirauá e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM) e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Amazonas (Sedecti).  

O evento também contou com a parceria de instituições locais, regionais e nacionais, como SEBRAE, Senac, Prefeitura de Tefé, RAMI, Sitawi, Impact Hub Manaus, Incubadora INPA, Bionorte, UNIP, Anprotec, Inpactas, Instituto Federal do Amazonas – Campus Tefé, UEA, APAFE e FEMAPAM, que contribuíram para a diversidade de experiências e a consolidação do ecossistema de inovação no Médio Solimões. O Inova Tefé é um evento bianual e sua próxima edição ocorrerá no segundo semestre de 2026. 

Livro do evento

O livro ‘Fortalecendo o Ecossistema de Inovação na Região do Médio Solimões’ está disponível gratuitamente:

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Mamirauá, escrito por Julia A. Rantigueri

Projeto busca reduzir 5 mil toneladas de CO² na aviação da Amazônia

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Angelim-vermelho na Floresta do Paru. Foto: Reprodução/Fundação Amazônia Sustentável

Com o objetivo de modernizar as rotas de tráfego aéreo para garantir a redução da emissão de mais de 5 mil toneladas de gás carbônico (C0²) por ano, foi implementada pelo Quarto Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo – CINDACTA IV a terceira etapa do projeto ECONORTE, com a nova circulação aérea da Terminal de Cuiabá, em Mato Grosso.

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O projeto é uma iniciativa estratégica do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB), conduzida pelo CINDACTA IV, que visa modernizar e otimizar o gerenciamento do tráfego aéreo da Região de Informação de Voo da Amazônica (FIR Amazônica), incluindo as áreas de maior densidade como BelémManaus e Cuiabá.

O foco principal do projeto é alinhar a estrutura do espaço aéreo amazônico às melhores práticas internacionais de eficiência, segurança e sustentabilidade. 

Projeto busca reduzir 5 mil toneladas de CO²
O projeto é uma iniciativa estratégica do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB), conduzida pelo CINDACTA IV. Foto: San Marcelo

As companhias aéreas, pilotos e controladores de tráfego aéreo passam a dispor de rotas mais eficientes, gerando economia de combustível e redução da emissão de gás carbônico (CO²). O projeto impacta positivamente no turismo, na logística e na integração da Amazônia ao restante do país. 

“O ECO-Norte é um marco para o controle do tráfego aéreo brasileiro. A grandiosidade desse projeto está no seu duplo impacto: ao mesmo tempo em que garantimos maior segurança e eficiência para a aviação, contribuímos para a preservação da Amazônia, reduzindo emissões e apoiando a sustentabilidade. É a Força Aérea Brasileira unindo tecnologia, inovação e responsabilidade ambiental em benefício de toda a sociedade”, destaca o coordenador do ECO NORTE, Major Rui Nunes da Costa. 

Os resultados já são mensuráveis. Foto: Ricardo Oliveira/Ipaam

A implementação iniciou-se em julho de 2025 com a aplicação da nova rota de circulação na TMA Belém. Em agosto , a aplicação foi realizada na TMA Manaus e, finalmente, ocorreu a implantação na TMA de Cuiabá, em outubro.

Esse processo envolveu o redesenho de rotas, Saídas Padrão por Instrumentos (SID), Chegadas Padrão (STAR) e Procedimentos de Aproximação por Instrumentos (IAP), Rotas de Aeronaves em Voo Visual (REA), Carta de Aproximação Visual (VAC), Espaços Aéreos Condicionados (EAC) e estudos de aplicação de Point Merge System, acompanhado por monitoramento constante de capacidade e segurança operacional.

Os resultados já são mensuráveis. Na implantação da TMA Manaus, por exemplo, os cálculos indicaram uma redução de mais de 28 toneladas de combustível e cerca de 88 toneladas de CO₂ nas primeiras semanas de operação, representando economia para as empresas e ganhos ambientais significativos. A expectativa é que as mudanças resultarão em redução de 5070 toneladas de CO² na atmosfera por ano. 

As companhias aéreas, pilotos e controladores de tráfego aéreo passam a dispor de rotas mais eficientes. Foto: Divulgação

“Este resultado é fruto do esforço coletivo, da dedicação e do profissionalismo de todos os envolvidos – planejadores do espaço aéreo, elaboradores de procedimentos, controladores, técnicos, gestores, parceiros institucionais e companhias aéreas. Cada contribuição, desde o planejamento inicial até as últimas coordenações operacionais, foi essencial para que este projeto fosse conduzido com êxito, mantendo-se sempre alinhado aos pilares que norteiam o ECO NORTE: segurança operacional, aumento de capacidade, eficiência das trajetórias e mitigação ambiental”, afirma Major Rui Nunes.

Para a Força Aérea Brasileira, reforça a missão constitucional de garantir a soberania e a eficiência do espaço aéreo amazônico, ampliando a segurança operacional e a interoperabilidade com parceiros nacionais e internacionais. Para a sociedade civil, representa um passo concreto rumo a um transporte aéreo mais seguro, rápido, sustentável e ambientalmente responsável, sobretudo em uma região de dimensões continentais e grande relevância ecológica.

*Com informação da Força Aérea Brasileira

STF reconhece que Governo do Brasil cumpriu metas de proteção a terras indígenas e encerra julgamento da ADPF 709

Localizada no Pará, terra indígena Munduruku foi objeto de operação de desintrusão do Governo entre novembro de 2024 e janeiro de 2025. Foto: Márcio Lopes

O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou, no dia 26 de setembro, o julgamento da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709, reconhecendo que o Governo do Brasil cumpriu as metas de proteção a terras indígenas e de enfrentamento às atividades ilícitas. Desde 2023, operações articuladas em nove territórios retiraram invasores, garantiram a integridade de mais de 58 mil indígenas e asseguraram o usufruto exclusivo de 18,7 milhões de hectares aos povos indígenas, conforme prevê a Constituição.

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As operações seguem em andamento em duas áreas estratégicas: na Terra Indígena Yanomami, onde o garimpo ilegal foi reduzido em 98%, e na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, em Rondônia, que teve início no dia 8 de setembro e onde já há resultados parciais de combate à exploração madeireira.

A decisão unânime do STF extinguiu a ação com resolução de mérito e determinou que a Petição 9.585, antes vinculada à ADPF, siga de forma autônoma para a conclusão das duas desintrusões, além da implementação das medidas de sustentabilidade.

As ações do governo, contudo, não se encerram com o julgamento. Elas avançam agora para a fase de manutenção e consolidação, com planos de gestão territorial e ambiental construídos em diálogo com as comunidades, garantindo proteção contínua e sustentabilidade a longo prazo.

Leia também: Ações de desintrusão fazem garimpo recuar nas maiores Terras Indígenas da Amazônia, aponta Greenpeace

Resultados

As operações realizadas desde 2023 resultaram na destruição e apreensão de milhares de equipamentos usados em crimes ambientais, com prejuízo estimado de R$ 740,6 milhões às atividades ilegais. O balanço mostra a consolidação de uma política de Estado inédita de defesa dos territórios indígenas, da biodiversidade e da vida.

“Esse é um compromisso de Estado. Não se trata apenas de cumprir decisões judiciais, mas de garantir a vida, a saúde e o futuro dos povos originários e da nossa biodiversidade. O Brasil mostra ao mundo, em uma política inédita de Estado, que é capaz de proteger quem sempre cuidou da floresta”, afirma o ministro da Casa Civil, Rui Costa.

Mobilização inédita

Mais de 20 órgãos federais participaram das operações, coordenadas pela Casa Civil da Presidência em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas, (MPI), a Funai, a Polícia Federal, o Ibama, o ICMBio, a PRF, a Força Nacional, o Ministério da Defesa e o Censipam, entre outros.

O relator da ação no STF, ministro Luís Roberto Barroso, ressaltou a relevância dos resultados. “O resultado das medidas adotadas pela União para efetivar a desintrusão é significativo. Na TI Yanomami, vitimada por grave crise humanitária, houve redução de 98% dos garimpos ativos”, registrou. “Pelas razões apresentadas, entendo que houve resolução do mérito desta ação, especialmente em relação aos problemas estruturais identificados nos itens ‘c’ e ‘d’ da petição inicial”, concluiu o ministro. 

Para a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, os avanços representam um novo paradigma. “As desintrusões são etapas e ao mesmo tempo resultados de uma política consistente, que une segurança, saúde, proteção territorial e sustentabilidade. Cada operação foi planejada com base em diálogo e articulação institucional”, ressalta.

Terra Indígena Yanomami. Foto: Leonardo Prado/PGR

Impactos sociais e ambientais

As desintrusões não apenas afastaram atividades criminosas como também permitiram a recuperação ambiental, a redução de desmatamentos e queimadas ilegais e a retomada da produção agrícola, da pesca e de práticas culturais pelos povos originários.

Além de causar a destruição de ecossistemas – sendo responsáveis, por exemplo, por queimadas irregulares para fins de agropecuária –, os ilícitos deixam um rastro de problemas sociais e de aumento da violência nos municípios onde se instalam. 

Segundo o Governo, o objetivo é restaurar a dignidade, a segurança alimentar e a autonomia produtiva e cultural em territórios por décadas marcados pela violência e pela destruição ambiental.

Alto Rio Guamá

Embora não esteja no escopo da ADPF, a Terra Indígena Alto Rio Guamá também foi objeto de desintrusão pelo Governo Federal, em 2023. O território demarcado aguardava há 30 anos a retirada dos invasores desse território e era objeto de outra ação que tramitava na Justiça Federal. Cerca de mil não indígenas que viviam ilegalmente na área foram retirados da TI.

Continuidade garantida

As ações do Governo não se encerram com a retirada dos invasores. Concluídas as etapas ostensivas de combate aos ilícitos, as equipes de fiscalização e segurança pública são mobilizadas para garantir a manutenção dos resultados das desintrusões, com a elaboração de Planos de Manutenção pelo MPI. Criado em 2023, o Comitê Interministerial de Desintrusão articula a presença permanente do Estado nas áreas, prevenindo reinvasões e apoiando a gestão autônoma dos territórios.

Além disso, programas estruturantes, como o Programa de Consolidação da Posse Indígena (PCPI) e os Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA), asseguram que os territórios permaneçam livres de pressões externas e fortalecem a sustentabilidade, a vigilância territorial e a autodeterminação dos povos.

ações de desintrusão em terras indígenas promovidas pelo governo e parceiros
Operações do Governo na TI Kayapó, no Pará, destruíram acampamentos, maquinários e outras estruturas utilizadas pelo garimpo ilegal. Foto: Thiago Dias/SECOM-PR

Resultados por território

Terra Indígena Yanomami (Roraima e Amazonas) | Ações permanentes desde 2023

  • Declaração de Emergência em Saúde Pública de Interesse Nacional (ESPIN), em 2023, pelo Ministério da Saúde
  • Criação da Casa de Governo em 2024 como coordenação dos mais de 20 órgãos que atuam em Roraima nas ações integradas de proteção dos povos yanomami, ye’kwana e sanöma
  • Redução de 98% dos alertas de novas áreas de garimpo (de 4.570 ha para 136 ha entre mar/2024 e set/2025)
  • 7.314 operações realizadas, 668 acampamentos inutilizados, 33 aeronaves e 212 embarcações destruídas, 124 armas apreendidas, além da inutilização de mais de 129 mil litros de combustíveis
  • Prejuízo estimado em R$ 498,7 milhões ao garimpo ilegal
  • Aumento de 169% no número de profissionais de saúde, de 690 em 2023 para 1.855 em 2025, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, nutricionistas e agentes de saúde
  • 37 polos-base em funcionamento e 40 UBSIs ativas, incluindo novas construções e reformas
  • Instalação do Centro de Referência em Saúde Indígena, em Surucucu, responsável por atendimentos de média e alta complexidade e suporte em emergências. Unidade já está em funcionamento e irá beneficiar cerca de 10 mil indígenas de 60 comunidades
  • Mais de 140 mil cestas de alimentos entregues, alcançando mais de 500 comunidades
  • 184 equipamentos para casas de farinha e 5.000 kits de ferramentas agrícolas distribuídos
  • Abertura de quase 224 hectares de roçados na TIY, entre 01/01/2025 e 13/04/2025, o que equivale a aproximadamente 313 (trezentos e treze) campos de futebol. Esse dado indica que os povos indígenas estão retomando o plantio de culturas tradicionais
  • Implantação do Centro de Atendimento Integrado da Criança e Adolescente Yanomami e Ye’kwana (CAICYY) e do Centro de Referência em Direitos Humanos Yanomami e Ye’kwana (CREDHYY) em fase final de estruturação. As equipes foram contratadas e já estão realizando atividades. 

TIs Apyterewa e Trincheira-Bacajá (Pará) | OUT a DEZ – 2023

  • Ações inutilizaram escavadeiras, motores, geradores, bombas de sucção, armas e veículos
  • Prejuízo estimado às atividades ilegais: R$ 25,7 milhões (multas e destruição de equipamentos) 

TI Karipuna (Rondônia) | JUN a JUL 2024

  • Operações contra desmatamento e grilagem de terras
  • 154 ações realizadas, dentre apreensões e inutilizações de bens
  • Destruição de mais de 20 edificações no interior da TI
  • Apreensão ou inutilização de 54 metros cúbicos de madeira 

TI Arariboia (Maranhão) | FEV a ABR 2025

  • Combate a invasões para exploração madeireira e pecuária ilegal
  • 440 ações de reconhecimento e fiscalização
  • Retirada de mais de 12 km de cercas
  • Reaproveitamento de 60 m³ de madeira ilegal para construção da Base de Proteção Etnoambiental da terra indígena 

TIs Munduruku e Sai-Cinza (Pará) | NOV 2024 a JAN 2025

  • Regiões historicamente afetadas pela exploração de ouro.
  • Redução de 100% nos alertas de novas áreas de garimpo ilegal
  • 523 ações de fiscalização e repressão realizadas
  • Prejuízo de R$ 112,3 milhões às atividades ilícitas – R$ 24,2 milhões somente em multas  

TI Kayapó (Pará) | MAIO a JUL 2025

  • 686 ações realizadas de reconhecimento e fiscalização
  • Identificação e destruição de 1.384 alvos de garimpo ilegal – mais que o dobro da meta inicial (650)
  • Prejuízos de quase R$ 100 milhões aos criminosos
  • Redução de quase 100% nos alertas de novas áreas de influência e do garimpo ativo
  • Redução da turbidez de rios da terra indígena, evidenciando a recuperação ambiental 

TI Uru-Eu-Wau-Wau (Rondônia) | Iniciada em SET/25, em andamento

  • Principais ameaças são a pressão fundiária do entorno, especialmente em razão da atividade pecuária e extração ilegal de madeira
  • Combate a grilagem e tentativas de invasão no território
  • Dados até o momento: R$ 4 milhões em multas aplicadas, totalizando R$ 5,1 milhões em prejuízo estimado aos ilícitos

*Com informações do Ministério dos Povos Indígenas

Nova espécie de orquídea é descoberta em Parque Nacional no Peru: Telipogon yanesha

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A orquídea Telipogon yanesha se destaca por sua beleza discreta e distinta. Foto: Luis Valenzuela

As áreas naturais protegidas do Peru estão mais uma vez surpreendendo o mundo. Uma nova espécie de orquídea foi descoberta nas florestas montanhosas do Parque Nacional Yanachaga Chemillén, na região de Pasco.

Batizada de Telipogon yanesha, esta pequena flor se junta ao exclusivo grupo de “telipogons em miniatura”, dos quais onze espécies já são reconhecidas no país, anunciou o Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas do Estado (Sernanp), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (Minam).

Leia também: Do tamanho da ponta de uma caneta, nova espécie de orquídea é encontrada no Peru

A descoberta, feita no coração da Reserva da Biosfera Oxapampa-Asháninka-Yánesha e publicada recentemente na revista científica Phytotaxa, foi anunciada pelo Sernanp, consolidando as áreas naturais protegidas como verdadeiros laboratórios vivos de biodiversidade.

Beleza da orquídea é considerada discreta e particular

A orquídea foi descrita pelos pesquisadores Luis Valenzuela (Jardim Botânico do Missouri, Peru) e William Nauray (Serviço Nacional de Florestas e Vida Selvagem do Peru). Sua beleza discreta e particular se distingue pelas flores amarelo-esverdeadas, com estruturas florais únicas que a diferenciam claramente das demais espécies. 

A nova espécie foi encontrada crescendo nos galhos finos de uma árvore da família Melastomataceae (Miconia calophylla), a uma altitude entre 2.100 e 2.300 metros acima do nível do mar. Além disso, como parte da pesquisa, foi observado que esta orquídea floresce em março, coincidindo com um dos meses de maior pluviosidade na região.

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A orquídea Telipogon yanesha se destaca por sua beleza discreta e distinta. Foto: Luis Valenzuela
Foto: Luis Valenzuela

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Orquídea Telipogon yanesha

O nome escolhido é uma homenagem ao povo Yánesha, uma comunidade indígena que habita as bacias dos rios Pichis e Palcazú, na Reserva da Biosfera Oxapampa-Asháninka-Yánesha. Suas tradições, língua e conhecimento ancestral da flora e fauna refletem a riqueza cultural e a resiliência das comunidades indígenas do Peru, guardiãs históricas da biodiversidade amazônica.

Esta descoberta foi possível graças ao apoio do Jardim Botânico do Missouri, do Herbário Selva Central Oxapampa (HOXA) e da sede do Parque Nacional Yanachaga Chemillén. “Gostaríamos também de agradecer aos pesquisadores Rodolfo Vásquez Martínez e Rocío del Pilar Rojas Gonzáles por suas valiosas contribuições e sugestões. Agradecemos também a colaboração de Shane Verde Q., J. Flores S. e E. Pinche S., que prestaram assistência em campo e com o herbário, respectivamente”, destacaram os pesquisadores.

*Com informações da Agência Andina

Cópula rara entre onças-pintadas é registrada pela primeira vez na natureza em parque no Pará

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Registro das onças foi feito por pesquisadores do Projeto Amazon Biodiversity and Carbon (ABC) Expeditions. Foto: Divulgação/ICMBio

Pesquisadores do Projeto Amazon Biodiversity and Carbon (ABC) Expeditions registraram pela primeira vez, na natureza, a reprodução de uma onça-pintada de pelagem preta (melânica). O flagrante, obtido por armadilhas fotográficas, em setembro de 2023, no Parque Nacional da Serra do Pardo, em Altamira (PA), mostra a cópula entre um macho de pelagem comum e uma fêmea melânica.

O estudo foi publicado no mês de agosto na revista científica Ecology and Evolution e representa um marco para o conhecimento do comportamento reprodutivo da espécie.

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Segundo o pesquisador do projeto e co-autor do artigo científico, Raffaello di Ponzio, o registro das onças abre novas perspectivas para a ciência e a conservação.

“Esse tipo de estudo ressalta como é fundamental investir em observações de história natural em ambientes tropicais remotos. No caso da fêmea melânica, encontramos indícios de lactação, o que sugere que ela poderia estar interagindo com o macho enquanto mantém seus filhotes ocultos, possivelmente como forma de confundir a paternidade ou reduzir o risco de infanticídio. Isso evidencia a natureza complexa e adaptativa dos sistemas de acasalamento dessa espécie”, explicou. 

A descoberta também permite comparações entre comportamentos reprodutivos observados em cativeiro e em ambiente natural.

“Constatamos que a cópula é bastante semelhante nos dois contextos, o que é importante para validar estratégias de conservação ex-situ, apoiando programas de manejo in-situ”, acrescentou Raffaello. 

Leia também: Onças-pretas são flagradas atravessando estrada em Mato Grosso

onças pretas são raras
Onça-pintada melânica na Reserva Mamirauá, no Amazonas. Foto: Miguel Monteiro/Acervo Instituto Mamirauá

Registro das onças

O registro foi obtido por uma das 48 armadilhas fotográficas instaladas pelo Programa Monitora em três trilhas do Parque, com câmeras posicionadas a cada 200 metros e em operação por 11 dias. O trabalho contou com apoio logístico do Instituto Chico Mendes (ICMBio), por meio do Núcleo de Gestão Integrada (NGI) Terra do Meio, e da comunidade ribeirinha da Vila de São Sebastião, localizada dentro da UC. 

Leia também: Portal Amazônia responde: como as onças ensinam seus filhotes a sobreviver?

O Projeto ABC Expeditions revisita áreas do antigo RadamBrasil — programa dos anos 1970 que mapeou recursos naturais da Amazônia — para avaliar a biodiversidade, a estrutura florestal e os estoques de carbono. A ideia é comparar dados coletados há 50 anos com a situação atual, medindo o impacto da degradação ambiental e projetando cenários futuros. 

As onças-pintadas (Panthera onca) são animais de hábitos solitários, com grandes áreas de vida, o que dificulta a documentação de comportamentos reprodutivos. Indivíduos melânicos são ainda mais raros, representando cerca de 10% da população. Essa variação genética, que torna a pelagem preta, pode influenciar a atividade, o comportamento social e reprodutivo da espécie. 

Para Raffaello, registros como esse só são possíveis graças à proteção proporcionada pelas unidades de conservação.

“Elas asseguram que os animais mantenham seus comportamentos naturais, ao mesmo tempo, em que dão suporte logístico, técnico e administrativo às pesquisas. Além de proteger a biodiversidade, fortalecem a ciência brasileira e tornam possíveis avanços inéditos como este”, destacou. 

Leia também: Saiba o que são as Unidades de Conservação (UCs) e a importância delas para a Amazônia

Criado em 2005, o Parque Nacional da Serra do Pardo integra o mosaico de áreas protegidas da Terra do Meio, na bacia do médio rio Xingu, considerado estratégico para a conservação da onça-pintada. A região abriga uma das maiores populações da espécie na Amazônia, reforçando o papel das unidades de conservação para o conhecimento científico e a preservação da fauna brasileira. 

*Com informações do ICMBio

Saiba quem foi Roberto Kahane, referência do cinema amazonense

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Foto: Divulgação

“Nasci com uma câmera de cinema em cima de mim”. Foi assim, numa entrevista, que o amazonense Roberto Kahane, um dos maiores nomes do cinema brasileiro, descreveu o início da sua paixão pela sétima arte.

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Mas, depois de cinco décadas de vastas contribuições, o diretor, escritor e cineasta faleceu em Manaus (AM) na última sexta-feira (3), aos 77 anos, vítima de um infarto fulminante, deixando vazio imensurável no meio cultural, sobretudo no cenário regional.

Primeiras experiências

Nascido em 7 de setembro de 1948, sua relação com o cinema começou na infância, onde convivia com o hobby do pai, Dr. Salim Kahane. Desde cedo, trocou os brinquedos por películas, equipamentos e o fascínio daquilo que viria fazer parte de cinco décadas de sua trajetória profissional.

Nos anos 1960, Roberto Kahane fez parte de uma geração do movimento cineclubista em Manaus, que revolucionou o cinema amazonense. Ao lado de nomes como Joaquim Marinho e Aurélio Miquiles, foi um dos pilares daquele período que assegurou a conquista de espaço para críticas cinematográfica, realização de curtas-metragens e promoção de festivais.

Suas primeiras experiências cinematográficas aconteceram na segunda metade dos anos 60, com produções coloridas em formato de película de 8 milímetros, algo inovador na área. No 1º Festival de Cinema Amador do Amazonas, em 1966, Roberto realizou três curtas-metragens:

  • “Plástica e movimento”, com Felipe Lindoso, Raimundo Feitosa e Aldísio Filgueiras;
  • “Um Pintor Amazonense”, com Felipe Lindoso;
  • e “Igual a Mim…Igual a Ti”, com Felipe Lindoso.

Leia também: Conheça 4 diretores que levam o cinema amazônida para o mundo

Premiação

Em 1969, Kahane participou do I Festival Norte do Cinema Brasileiro, sendo premiado com a obra “A Coisa Mais Bela que Existe ou a trajetória de um seringueiro”, na categoria Melhor Curta-Metragem.

Tal premiação permitiu que o cineasta produzisse, anos mais tarde, o seu primeiro curta de 35 mm, chamado “Manaus”, onde abordou sobre a arquitetura da cidade e o ciclo da borracha.

Foto: Divulgação

Obras e feitos de Kahane

A partir de então, Roberto emplacou mais de 40 produções e participações em projetos audiovisuais, sempre com propósito de unir críticas social e estética experimental, além da valorização do cinema independente local. Entre suas obras estão Como Cansa Ser Romano nos Trópicos (1969) e Noites sem Homem (1974).

Roberto Kahane foi responsável por resgatar o acervo pessoal de Silvino Santos, grande cineasta português pioneiro do cinema e da fotografia na Amazônia. Produziu quatro grandes obras: “Fragmentos da Terra Encantada”, “1922, A Exposição da Independência”, “Vale Quem Tem” e “A Propósito do Futebol”. Elas mostram como era a vida no Rio de Janeiro e em Manaus nos anos 1920.

Já “Silvino Santos – O Fim de um Pioneiro”, de 1970, foi uma outra produção de Roberto que registrou a despedida ao cineasta português, que faleceu em 14 de maio daquele ano.

Televisão

Nas décadas de 1980 e 1990, Kahane dedicou sua vida ao trabalho na televisão amazonense. Casada com Norma Araújo, uma das apresentadoras mais renomadas do cenário local, atuou na produção de programas televisivos de sucesso, entrevistando autoridades, celebridades e ícones regionais. Via de Regra e Programa da Norma, foram algumas das produções realizadas por ambos, onde permaneceram por anos nas grades de programação das emissoras locais.

A Câmera do Dr. Salim

Em 2023, Roberto Kahane finalizou uma obra póstuma do diretor Jean Robert Cézar (falecido em janeiro daquele ano) chamada “Robert Kahane e a Câmera do Dr. Salim”, que retratava a relação do próprio Roberto e seu pai, através de um acervo fílmico guardado por décadas. O documentário abordou a sua vida pessoal e o amor ao cinema, entre latas de filmes herdados de seu pai e negativos raros, além de obras próprias e de terceiros.

Últimos trabalhos

Respeitado por sua relevante contribuição ao cinema local, Roberto Kahane recebeu diversos reconhecimentos nos últimos anos. Em 2019, nove de seus filmes foram exibidos no Cine Teatro Amazonas, reforçando sua importância para a história do cinema. Quatro anos mais tarde, também foi homenageado pelo Cineclube de Arte, que promoveu uma mostra com parte de suas obras.

Em 2023, Roberto foi convidado para dirigir o documentário de aniversário de 125 anos do Teatro Amazonas, para abordar a história da construção do empreendimento e de seus personagens importantes durante o ciclo econômico da borracha. A obra se tornou uma das mais bem produzidas do país.

Em seu último trabalho, Roberto lançou, em maio de 2025, o documentário Etelvina Garcia: A memória Viva, obra que apresenta a trajetória da pesquisadora, jornalista e uma das maiores historiadoras do Amazonas.

Com mais de cinco décadas de vida voltadas ao cinema, Roberto Kahane deixa um enorme legado para as próximas gerações de cineastas, cinéfilos e produtores audiovisuais do Amazonas.

*Com informações do Cineset, Amazônia Incrível e TV Encontro das Águas

Pontos de Informação Turística serão disponibilizados em Belém para a COP30, informa MTur

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Parque Linear da Nova Doca em Belém. Foto: Alexandre Costa/Agência Pará

Belém (PA) terá Pontos de Informação Turística (PITs) com dados bilíngues para acolhimento aos visitantes que participarão da COP30, que acontecerá em novembro. Diante da expectativa de receber mais de 40 mil visitantes na Conferência Mundial do Clima, as estruturas trarão informações sobre a cidade em pontos de grande circulação e estratégicos do evento.

O anúncio foi feito pelo ministro do Turismo, Celso Sabino, durante agenda com o presidente Lula na quinta-feira (2), na capital paraense, para a inauguração do Parque Linear da Nova Doca.

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O Protocolo de intenções que viabiliza a instalação dos PITs faz parte de um acordo que une esforços do Ministério do Turismo, da Secretaria Extraordinária para a COP30, da Embratur, do Governo do Pará e da Prefeitura de Belém.

O ministro Celso Sabino destacou que os Pontos de Informação Turística reforçam a importância da COP30 como um marco para o turismo amazônico.

“Esse acolhimento com os pontos de informação posicionados estrategicamente vão mostrar ao mundo o potencial do Pará e do Brasil, oferecendo uma experiência acolhedora, informativa, alinhada à sustentabilidade e fortalecendo o legado da COP da Amazônia para o turismo nacional”, afirmou o ministro.

A visita do presidente da República à cidade teve como objetivo entregar obras da COP30 e anunciar novos investimentos, e os PITs fazem parte da estratégia do turismo para atender o grande público esperados no encontro.

Agenda em Belém (PA) marcou anúncio da instalação de Pontos de Informação Turística (PITs) na cidade para a COP30.
Agenda em Belém (PA) marcou anúncio da instalação de Pontos de Informação Turística (PITs) na cidade para a COP30. Fotos: Alessandra Serrão/MTur

O presidente Lula agradeceu o empenho do ministro Celso Sabino na preparação da COP30 e frisou que o encontro deste ano vai reforçar a imagem positiva do Brasil no exterior.

“Nós vamos virar motivo de orgulho para o mundo a partir dessa COP. Aqui, quando a gente resolve trabalhar com o governo municipal, o governo estadual e o governo federal juntos, ninguém consegue segurar. A gente quer ser o exemplo mundial de defesa do clima”, declarou Lula.

Ao ressaltar os números da atividade turística brasileira na sua fala, Celso Sabino ressaltou que os esforços do governo federal vêm mudando a história do turismo do Brasil. “O resultado mais gratificante é o que toca o cidadão: a geração de empregos. Desde 2023, foram mais de 500 mil vagas com carteira assinada criadas em atividades ligadas ao turismo”, enfatizou o ministro.

Também participaram do anúncio o governador do Pará, Helder Barbalho; o prefeito de Belém, Igor Normando; o diretor-geral da Itaipu Binacional, Enio Verri; o ministro das Cidades, Jader Filho, e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, entre várias outras autoridades.

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Atendimento nos Pontos

A instalação dos Pontos de Informação Turística será realizada em pontos estratégicos de Belém, incluindo áreas de grande fluxo de visitantes, como o Aeroporto Internacional, a Estação das Docas, os arredores da Basílica de Nazaré e as zonas Verde e Azul da COP30.

As unidades vão oferecer atendimento bilíngue, informações sobre roteiros culturais, gastronômicos e de ecoturismo, além de orientações sobre serviços essenciais, como saúde, segurança e transportes.

Também estão previstas ações interativas, a disponibilização de totens digitais, estandes temáticos e a distribuição de materiais sustentáveis e informativos, reforçando a imagem de um Brasil comprometido com a biodiversidade e o turismo responsável.

A rede de PITs oferecerá suporte durante a COP30, mas também será um legado duradouro para o turismo de Belém e do Pará, consolidando a cidade como destino estratégico para o ecoturismo, o turismo cultural e de base comunitária.

*Com informações do Ministério do Turismo