A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) deu início, no último sábado, ao programa Aleam Educa, curso preparatório gratuito voltado a estudantes da rede pública estadual que irão prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A aula inaugural foi realizada no Auditório Belarmino Lins, sede da Aleam, das 8h às 12h, com foco em Língua Portuguesa e técnicas de redação.
Idealizado pelo presidente da Aleam, deputado Roberto Cidade (União Brasil), o programa é fruto do Projeto de Resolução Legislativa (PRL) nº 66/2025 e tem como missão fortalecer a cidadania por meio da educação.
“A Assembleia está de portas abertas para receber os estudantes, contribuir com a formação desses jovens e fortalecer a educação em todo o Amazonas”, enfatizou o presidente da Aleam, que esteve presente na ação.
Além de preparar os alunos para as provas do Enem, que ocorrerão nos dias 9 e 16 de novembro, o Aleam Educa também promove valores como direitos humanos, ética, convivência democrática, diversidade étnico-racial e de gênero, responsabilidade social e segurança pública.
“Nesta primeira aula, participaram 215 estudantes, de quatro unidades públicas de ensino”, informou a coordenadora do programa, Adriana Pimentel, que destacou ainda o caráter inclusivo da iniciativa.
A meta é atender 1,5 mil alunos até a data da primeira prova do Enem. “Sabemos que a prova é uma porta aberta para o ensino superior e para concursos públicos”, afirmou Pimentel, explicando que os encontros presenciais trabalharão conteúdos de redação e linguagem, com apresentação de dicas e reforço de aprendizado.
O próximo encontro ocorrerá no sábado, 11 de outubro, e reunirá estudantes do Colégio Brasileiro Pedro Silvestre, Escola Estadual Maria Amélia do Espírito Santo, Colégio Militar da Polícia Militar Pedro Câmara (CMPM VIII) e Escola Estadual Sant’Ana. As inscrições são realizadas pelas próprias escolas, com indicação da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc-AM).
Cronograma do Aleam Educa
📅 11 de outubro – 8h às 12h
📅 18 de outubro – 8h às 12h
📅 1º de novembro – 8h às 12h (manhã) / 13h às 17h (tarde)
No próximo mês, o Brasil deve ter uma nova capital. Pelo menos, simbolicamente. É que o Senado aprovou, nessa terça-feira (7), um projeto de lei que transfere simbolicamente a capital do Brasil para Belém, durante a realização da COP 30, entre os dias 11 e 21 de novembro.
O projeto é da deputada federal Duda Salabert, do PDT de Minas Gerais, prevê que, durante a COP30, os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário poderão se instalar em Belém.
Os atos e despachos do presidente Lula e dos ministros de Estado, assinados no período, também terão como registro a cidade de Belém.
O cineasta amazonense Roberto Kahane. Foto: Divulgação
O Amazonas perdeu, no início de outubro, uma de suas maiores referências no cinema brasileiro: Roberto Kahane. O documentarista, diretor e cineasta amazonense faleceu aos 77 anos em Manaus, deixando um legado inegável na cena cultural e cinematográfica do estado.
Em meio às contribuições de Kahane, a principal foi a preservação da memória cultural e histórica da Amazônia. Conhecido por muitos como “o guardião da memória”, o cineasta é o dono de um acervo de filmes resgatados, negativos raros e imagens que retratam a história manauara entre os anos de 1940 e 1990, período que a cidade enfrentou diversas transformações políticas, sociais e econômicas.
Entre suas produções disponíveis na internet, muitas reforçam o papel fundamental de Roberto Kahane na conservação da identidade histórica e cultural do povo amazônico, bem como suas lutas e resistências. Como bem dizia Kahane:
“Uma sociedade que vira de costas para sua memória, ela não tem rosto”.
Confira seis obras que fazem parte do legado de Kahane:
Igual a mim, igual a ti
Esta obra, de 1966, documenta a destruição da Cidade Flutuante, uma espécie de apêndice fluvial em Manaus, em 1965. Dirigido por Kahane e Felipe Lindoso, o filme aborda a remoção daquelas moradias, iniciativa encarada pelas elites locais como necessárias, do ponto de vista logístico, para uma cidade que abrigaria dois anos mais tarde a Zona Franca de Manaus. No entanto, a iniciativa foi considerada à época uma afronta ao modo de vida da população carente.
Um pintor amazonense
Também de 1966, este curta-metragem mostra um pouco da história de Hahnemann Bacelar (1948-1971), artista plástico, pintor e desenhista amazonense que marcou a arte e cultura local. Alguns de seus trabalhos artísticos, dos anos 1960, são mostrados na obra de Kahane.
1922 – A exposição da Independência
Com imagens de Silvino Santos, esta obra de 1970 mostra imagens da Exposição Internacional da Independência, evento que aconteceu entre os anos de 1922 e 1923 no Rio de Janeiro. Os registros foram recuperados e reconstituídos por Roberto Kahane.
O golpe tenentista de Ribeiro Júnior – O Filme
O documentário conta a história da Comuna de Manaus, movimento militar ocorrido em 1924 liderado pelo tenente Ribeiro Júnior, que depôs o governador do Amazonas, Rego Monteiro. Filmado por Silvino Santos, o pioneiro do cinema no Amazonas, as imagens foram resgatadas e recuperadas digitalmente por Kahane.
Teatro Amazonas
Com imagens raras, o documentário de 2005 aborda a história da construção do empreendimento e de seus personagens importantes que contribuíram para a obra fomentada pelo ciclo econômico da borracha.
Etelvina Garcia – A memória viva
Um dos seus últimos trabalhos, também de 2025, o documentário conta a trajetória de uma das maiores referências da história do Amazonas: a historiadora, jornalista e pesquisadora Etelvina Garcia, personagem icônica da identidade amazonense.
O deputado estadual Wilker Barreto (Mobiliza) participou, nesta segunda-feira (6/10), do lançamento da ExpoPIM 4.0 – Nova Indústria do Brasil, evento que busca conectar empresas, profissionais, estudantes e investidores em torno das novas tecnologias que vão marcar a transição do Polo Industrial de Manaus (PIM) rumo à Indústria 4.0. Wilker compôs a mesa de abertura representando a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e na condição de presidente da Comissão de Indústria, Comércio e Zona Franca.
Durante o evento, o parlamentar destacou que a exposição é um marco importante para preparar o modelo econômico da Zona Franca de Manaus para o futuro, garantindo que o Amazonas siga sendo protagonista do desenvolvimento nacional.
“Esse evento prepara o nosso modelo para o próximo salto, é inegável que a locomotiva do Amazonas continuará sendo por décadas esse modelo econômico. Eu fico feliz que a Suframa, juntamente com todo seu corpo técnico, com os empresários, com a classe política, esteja fazendo sua parte. Essa exposição vai permitir que a classe empresarial tenha as ferramentas necessárias, porque existe uma grande desinformação sobre isso e aqueles que têm a informação e são de fora das nossas fronteiras, não têm a coragem de propagar porque as questões econômicas ainda prevalecem mais que os interesses da república. Esse modelo econômico não é um modelo que beneficia apenas os que moram aqui nessa região, é um modelo que ajuda o país sobre os aspectos econômicos e ambientais”, afirmou.
O superintendente da Zona Franca de Manaus, Bosco Saraiva, também reforçou o papel estratégico da exposição.
“Essa será a melhor feira de negócios que vai acontecer e vocês haverão de perguntar: ‘por que só em março?’. Exatamente porque até março nós vamos propagar através do Instituto Somar no mundo, que quem quiser ver o Polo Industrial de Manaus tem que estar aqui. O que nós queremos é que o investidor venha à ExpoPIM 4.0 sabendo que vai encontrar uma indústria avançada, que só quem visita as fábricas consegue perceber a pujança das fábricas instaladas no Polo Industrial de Manaus”, disse.
A ExpoPIM 4.0 busca posicionar o PIM como um polo estratégico para o futuro da indústria brasileira, alinhado às tendências globais, e reforçar o modelo sustentável da Zona Franca como um ativo de competitividade, inovação e preservação ambiental.
O projeto “Mandala Educativa: Educando com Arte” conquistou o prêmio por integrar acolhimento, expressão e criatividade. Foto: Fernando Teixeira/PMBV
O poder transformador da arte ganhou destaque nacional com o reconhecimento do professor Claudinero Reis de Lima, da Escola Municipal Rujane Severiano dos Santos, vencedor da categoria Ensino Fundamental 1 do 26º Prêmio Arte na Escola Cidadã, o mais importante prêmio de arte-educação do país.
O projeto “Mandala Educativa: Educando com Arte” conquistou o prêmio por integrar acolhimento, expressão e criatividade por meio da construção de mandalas com diferentes técnicas — pintura, colagem, recursos naturais, digitais e até mandalas humanas.
No dia 12 de novembro, o professor Claudinero estará em São Paulo para receber oficialmente o certificado e o prêmio de R$ 10 mil, além de participar da gravação de um documentário sobre o projeto. Mais do que uma atividade artística, a iniciativa nasceu como uma proposta de reconexão emocional dentro da sala de aula, promovendo calma, foco e cooperação entre os alunos.
As mandalas trabalham o senso estético dos alunos, além de contribuir em diversos fatores, como concentração, organização, dentre outros. Foto: Fernando Teixeira/PMBV
Um círculo que acolhe e ensina
A “Mandala Educativa” surgiu como resposta a uma necessidade concreta: melhorar o comportamento e o interesse dos alunos em uma turma desafiadora. Inspirado por estudos sobre o simbolismo das mandalas e seu efeito na concentração e na organização interior, o professor criou um ambiente em que cada traço e cor se tornou uma forma de escuta e expressão.
Durante cinco encontros, os alunos criaram mandalas com diferentes materiais — folhas, sementes, tintas, tablets e até os próprios corpos. A culminância do projeto aconteceu na quadra da escola, com uma grande mandala coletiva e uma roda de conversa em que as crianças compartilharam o que aprenderam e sentiram.
O resultado foi perceptível: alunos mais calmos, concentrados e conectados entre si. Segundo o professor, a arte ajudou a transformar o comportamento e o vínculo dentro da turma. “Os pais relatam que os filhos ficaram mais organizados e tranquilos em casa. Na escola, eles melhoraram a concentração e a coordenação motora. Além disso, ficamos mais próximos. Criamos um senso de coletividade muito bonito”, contou.
Claudinero também destacou o sentimento de orgulho ao ser premiado. “É gratificante ver o nosso trabalho reconhecido. Essa conquista mostra que estamos no caminho certo. O prêmio representa não só um incentivo financeiro, mas o reconhecimento de que a arte realmente transforma”, relatou.
“Os pais relatam que os filhos ficaram mais organizados e tranquilos em casa”, contou Claudinero, professor. Foto: Fernando Teixeira/PMBV
Aprendizado que faz diferença na rotina
Os alunos que participaram do projeto sentiram na prática o poder da arte como ferramenta de equilíbrio e expressão. Ayla Aragão, de 10 anos, conta que o projeto a ajudou a lidar melhor com as emoções.
“Achei muito legal e um jeito fácil de ‘desestressar’. A gente aprende a demonstrar sentimentos nas mandalas e a ficar mais tranquilo. Antes, a turma era bem bagunceira, mas com o projeto a gente ficou mais calmo e mais unido”, contou.
Para Adriel Aires, 11 anos, a mandala trouxe leveza e amizade. “A gente se diverte desenhando. Quando pinta, sente que tudo está bem. A parte que eu mais gostei foi a mandala humana, porque a gente brincou com os colegas e todo mundo ficou junto. Quem se sentia sozinho ganhou muitos amigos”, disse.
Já Yuliannys Veliz, 11 anos, descobriu um novo prazer em criar e pintar. “Eu amei fazer a mandala humana. Ficou linda, vista de cima. Desde que comecei a pintar mandalas, melhorei muito. Pinto melhor, com mais calma. Quando fico chateada, faço uma em casa e isso me deixa tranquila”, comentou.
Alunos vivenciaram na prática o poder transformador da arte como instrumento de equilíbrio, acolhimento e expressão no projeto. Foto: Fernando Teixeira/PMBV
O reconhecimento nacional da arte-educação
O Prêmio Arte na Escola Cidadã ocorre há 26 edições, sendo o principal reconhecimento brasileiro voltado a projetos de arte desenvolvidos em escolas públicas e privadas. Criado em parceria com a UNESCO, o prêmio destaca educadores que utilizam a arte como instrumento de transformação social e pedagógica.
Além do certificado e da premiação de R$ 10 mil, os arte-educadores vencedores têm seus projetos registrados em um documentário produzido pelo Instituto Arte na Escola, com exibição nacional.
Com o objetivo de conhecer melhor as características, necessidades e motivações dos visitantes que participam da maior manifestação religiosa do Pará, a Secretaria de Estado de Turismo (Setur) iniciou, por meio do Observatório do Turismo Paraense, uma série de pesquisas durante o Círio de Nazaré 2025. A ação é realizada em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA) e a Universidade Federal do Pará (UFPA).
Entre os dias 8 e 12 de outubro, equipes estarão em pontos estratégicos de Belém, aplicando questionários com turistas e romeiros que participam da festividade. Ao todo, 44 pesquisadores irão aplicar 2.400 entrevistas, em locais de grande concentração de visitantes.
O secretário de Turismo do Pará, Eduardo Costa, destaca que as informações levantadas são estratégicas para o fortalecimento do turismo religioso no Estado:
“O Círio de Nazaré é um patrimônio cultural e espiritual do povo paraense, que movimenta milhares de visitantes e impacta fortemente a economia do Estado. Conhecer o perfil desses turistas e romeiros nos permite planejar melhor ações de acolhimento, infraestrutura e promoção turística, além de valorizar a fé e a identidade do nosso povo”.
A pesquisa ‘Perfil dos Turistas do Círio’ busca levantar dados sobre o número de visitantes de fora do Pará, os estados de origem das pessoas, tempo médio de permanência, gastos durante a estadia em Belém e o impacto econômico gerado para a economia local.
O estudo também investigará os principais meios de hospedagem utilizados — como hotéis, pousadas ou casas de amigos e parentes — e os atrativos turísticos mais visitados na capital paraense.
Já a pesquisa ‘Perfil dos Romeiros do Círio de Nazaré’ tem foco nos devotos que chegam a Belém a pé, de outros municípios. O levantamento busca compreender aspectos como o ponto de partida das caminhadas, o grau de envolvimento religioso, o formato das peregrinações (individual, em grupo ou familiar), a motivação para participar e a percepção sobre o acolhimento recebido ao longo do trajeto.
Foto: Rogério Uchoa/Agência Pará
De acordo com o coordenador do Observatório do Turismo do Pará e Região Norte, Admilson Alcântara, a iniciativa envolve ampla articulação técnica. “Na quarta-feira (8), à noite, a partir das 18h, faremos o lançamento da pesquisa com as equipes do Observatório e do Dieese. São 22 pesquisadores para cada pesquisa, nas ruas de Belém, e um total de 2.400 questionários aplicados, com o apoio de parceiros como a UFPA e a Setur”.
“Será um trabalho importante para entendermos com profundidade o perfil dos peregrinos e dos turistas que participam do Círio”, explicou Admilson Alcântara, ao contar que as pesquisas já são realizadas há 20 anos e a parceria com o Dieese também completa este ano duas décadas de trabalho conjunto.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), uma das principais contribuições do ministério para o debate sobre justiça social e ambiental é o Projeto Territórios Vivos, desenvolvido a partir da necessidade de reconhecer direitos territoriais dos povos e comunidades tradicionais brasileiros. A iniciativa tem como principal objeto a Plataforma de Territórios Tradicionais (PTT), uma ferramenta digital criada para dar visibilidade e garantir a proteção dos territórios autodeclarados por essas populações.
Lançada em 2019, a plataforma é um sistema que reúne dados sobre a localização e características dos territórios tradicionais, incluindo informações geográficas, vínculos identitários, histórico de ocupação, demandas, ameaças sofridas e formas de uso da terra.
Os cadastros são feitos pelas próprias comunidades e validados por um comitê técnico interinstitucional e por um conselho gestor formado majoritariamente por representantes das comunidades. Uma inovação que garante segurança, legitimidade e protagonismo às populações envolvidas.
“A Plataforma de Territórios Tradicionais é resultado de um esforço coletivo e permanente do MPF para assegurar que os povos e comunidades tradicionais sejam reconhecidos não apenas como beneficiários, mas como sujeitos ativos na formulação das políticas públicas que impactam seus modos de vida”, coordenadora da Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do MPF, Eliana Torelly.
Ilustração: Reprodução/MPF
As informações servem de base para a atuação do MPF na defesa desses povos e para a execução de políticas públicas voltadas a essas populações, baseadas na escuta e no respeito aos saberes tradicionais. Parte dos dados também pode ser acessada pelo público em geral. Hoje, mais de 400 territórios já estão cadastrados na plataforma, representando a diversidade dos biomas e das culturas tradicionais do Brasil.
O projeto é coordenado pela Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais (6CCR) do MPF, em parceria com o Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT) e a Agência Alemã de Cooperação Técnica para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ). Também conta com o apoio técnico de diversas universidades, instituições de pesquisas e organizações da sociedade civil.
O território existe quando é ocupado e reconhecido por seu povo
A ferramenta foi criada após o MPF constatar que milhares de comunidades tradicionais – como indígenas, quilombolas, ciganos, ribeirinhos, quebradeiras de babaçu, entre outras – permanecem invisíveis no processo de construção e execução das políticas públicas pelo Estado, mesmo preservando seus territórios há séculos. A proposta da plataforma parte de um princípio fundamental: o território tradicional é aquele reconhecido por seus próprios habitantes, ainda que o Estado brasileiro não o tenha oficialmente demarcado.
A iniciativa também reconhece a importância dos povos tradicionais para a preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado.
“Protegendo os territórios, protege-se a totalidade existencial dos povos e comunidades, incluídos os bens ambientais a partir dos quais essas comunidades se constituem como sujeitos coletivos particulares, portadores de modos de vida e de conhecimentos essenciais ao futuro sustentável de toda a humanidade”, explica o procurador da República e diretor-geral do projeto Territórios Vivos, Wilson Assis.
Encontro das águas dos rios Negro e Solimões em Manaus. Foto: Janailton Falcão/Acervo Amazonastur
Quem já mergulhou nos rios amazônicos e tentou abrir os olhos debaixo d’água, com certeza se deparou com um cenário desfocado e de pouca visibilidade. Mas e os peixes? Como será que funciona a visão deles nas águas escuras e barrentas dos rios Negro e Solimões, respectivamente? Será que eles conseguem enxergar com mais facilidade?
Para esclarecer essa dúvida, a equipe do Portal Amazônia conversou com o Dr. Luiz Peixoto, pesquisador adjunto no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e especialista em ictiologia (ramo da biologia que se dedica ao estudo dos peixes). Mas, antes da explicação técnica, é necessário entender o que é a visão.
Como funciona a visão humana?
A visão consiste num processo de captação de estímulos luminosos e formação de imagens através do cérebro, sendo os olhos os principais órgãos desse processo.
Quando a luz entra nos olhos, passa pela córnea, pupila e cristalino, que a foca na retina. Nela, células fotorreceptoras, chamadas cones e bastonetes, transformam essa luz em sinais elétricos, que são enviados ao cérebro pelo nervo óptico. O cérebro interpreta esses sinais e forma a imagem que você vê.
E como funciona a visão dos peixes?
Voltando à questão principal, Peixoto explica que a visão dos peixes funciona da mesma maneira que a dos seres humanos, mas adaptada ao meio aquático, e o que diferencia é a capacidade visual a partir das características dos diferentes ambientes aquáticos.
No caso das águas escuras do rio Negro e barrentas do Solimões, a visibilidade depende da quantidade de luz que penetra debaixo d’água e demais fatores como ação do vento, algas e partículas orgânicas suspensas.
“Os peixes conseguem enxergar em ambos os ambientes, tudo depende da disponibilidade de luz e quantidade de sedimento nas águas. Nos olhos dos peixes, os bastonetes são mais intensamente estimulados em ambientes de baixa luminosidade, dada a quantidade absurda de sedimentos como no Rio Solimões. Já os cones requerem luz mais brilhante, proporcionando assim a visão de cores. Portanto, a visão dos peixes é extremamente variável”, explicou o doutor.
O especialista exemplifica que a capacidade visual de peixes populares da região amazônica – como tambaqui, pacu, bodó, entre outras espécies – se adapta em qualquer ambiente e se diferencia apenas por características físicas das mesmas.
“O olho do tambaqui em geral é o padrão comum de peixes, contudo, apresenta um estoque substancial de gordura coroidal, que é uma camada vascular e esponjosa do olho localizada entre a esclera – parte branca do olho – e a retina. As piabas normalmente ocupam igarapés, portanto, são mais dependentes de luz para enxergar melhor. Já o bodó tem uma íris que pode ser alterada de forma e tamanho e, hipoteticamente, essas alterações são funcionais para a camuflagem do olho no fundo dos rios e igarapés. Ou seja, além da função sensorial, o olho ajuda também na camuflagem”, reforça Luiz.
Peixe tambaqui. Foto: Siglia Souza/Embrapa
Visão dos peixes x visão humana
O pesquisador destaca que, apesar de serem estruturalmente semelhantes aos vertebrados, os olhos dos peixes tem diferenças peculiares, como lentes esféricas e rígidas e a percepção de cores ultravioleta (UV). Os humanos, por exemplo, possuem apenas três tipos de cones para a visão das cores vermelho, verde e azul.
“De um modo geral, os olhos dos peixes são estruturalmente semelhantes aos de outros vertebrados. Em síntese, a luz perpassa a córnea e penetra no olho pela pupila. Existem espécies com visão focal a curta distância, outras a médias distâncias ou mistas. O que muda é a processo de focalização da imagem. Por exemplo, alguns peixes regulam a posição do olho para mais externamente ou internamente, diferente dos humanos, onde o foco é delimitado pela alteração do formato dos componentes do olho”, pontuou Peixoto.
Apesar de a visão ser um dos sentidos essenciais da vida humana, ela não é o principal meio de percepção do mundo utilizado pelos peixes. A linha lateral, como o nome diz, é um sistema sensorial localizado nos dois lados do animal, detecta movimentos e vibrações na água, como uma espécie de radar. Isso permite que os peixes detectem presas ou possíveis ameaças dentro da água.
“Alguns peixes utilizam a visão apenas como um sistema de percepção do meio de modo secundário devido a estruturas como a linha lateral ou a capacidade de perceber e produzir campos elétricos, no caso das tuviras”, revelou o ictiólogo.
Por tudo isso: sim, eles conseguem enxergar dentro dos rios amazônicos e dependem apenas de fatores externos e físicos relativos à luz para poder ver com clareza em seu próprio habitat. Já os humanos, é melhor pegar um óculos de mergulho e pular dentro do rio para imaginar a sensação da enxergar igual aos peixes.
Professor Raul Carvalho, coordenador Labtecs. Foto: Bruno Cecim/Agência Pará
Pesquisadores do Laboratório de Tecnologia Supercrítica (Labtecs), da Universidade Federal do Pará (UFPA), sediado no Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, em Belém, desenvolveram um azeite extraído da polpa do açaí. A pesquisa, apoiada pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica (Sectet), utiliza tecnologia limpa e inovadora, que garante um produto de alta pureza, livre de solventes químicos e com preservação dos compostos bioativos da fruta.
Rico em ácidos graxos mono e poli-insaturados — conhecidos como “gorduras boas” —, o azeite de açaí auxilia na saúde cardiovascular e no equilíbrio do metabolismo. A concentração de antioxidantes é cerca de 33 vezes superior à da uva, contribuindo para o controle do colesterol.
Além do uso culinário, especialmente em saladas e preparações frias, o produto tem potencial para a indústria cosmética, podendo ser incorporado em shampoos, cremes, hidratantes e sabonetes.
O projeto também busca reduzir o descarte de resíduos na cadeia do açaí. Atualmente, cerca de 83% do fruto são eliminados após o consumo da polpa. Com o azeite, esse resíduo pode ser aproveitado, gerando novas oportunidades econômicas em torno de um dos principais produtos da sociobiodiversidade amazônica.
“O azeite de açaí é um exemplo de como a ciência pode agregar valor à biodiversidade amazônica. Utilizamos uma tecnologia limpa e inovadora, que garante um produto de alta pureza e grande potencial gastronômico e cosmético. Além de promover saúde, essa iniciativa contribui para a sustentabilidade da cadeia do açaí e fortalece a bioeconomia regional. Nosso foco agora é viabilizar a inserção do produto no mercado e ampliar seu impacto positivo na Amazônia”, destaca o professor Raul Costa, coordenador do Labtecs.
Açaí é uma das frutas mais populares da Amazônia. Foto: Divulgação/Idam
O azeite é definido como o óleo obtido apenas por processos físicos, sem uso de solventes químicos, preservando as características naturais do fruto. Mais conhecido pelo azeite de oliva, o conceito também se aplica ao açaí quando extraído por prensagem mecânica ou tecnologia supercrítica, ambos métodos limpos.
Assim como o de oliva, o azeite de açaí pode ser classificado em virgem ou extra virgem, de acordo com sua acidez e pureza sensorial. No Brasil, o uso do termo “azeite” é regulamentado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A inovação utiliza dióxido de carbono em estado supercrítico, que combina características de gás e líquido, permitindo maior eficiência na extração de substâncias sem solventes tóxicos. Esse método é amplamente usado nas indústrias alimentícia, cosmética, farmacêutica e ambiental, inclusive para a descafeinação do café. Sua principal vantagem é preservar propriedades nutricionais e reduzir impactos ambientais.
Foto: Bruno Cecim/Agência Pará
Referência em inovação na Amazônia
O Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá é uma iniciativa do Governo do Pará, em parceria com a UFPA, Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e gestão da Fundação Guamá. Localizado em Belém, o complexo é o primeiro parque tecnológico da região Norte e atua como um polo de estímulo à pesquisa aplicada, ao empreendedorismo e à sustentabilidade.
Atualmente, reúne mais de 90 empresas residentes e associadas, 17 laboratórios com mais de 400 pesquisadores, 44 patentes e uma escola técnica. O PCT integra redes nacionais e internacionais de inovação, consolidando o Pará no mapa da ciência e tecnologia mundial.
Por conta das queimadas, em setembro de 2024 o céu de Rondônia estava cinza. Já em 2025, é possível contemplar um céu mais limpo. Fotos: Daiane Mendonça/Secom RO
Em setembro de 2024, Rondônia viveu um cenário marcado pela fumaça e pelos focos de calor acima da média histórica. Os céus, que deveriam ostentar sempre o azul, como descreve o hino estadual, ficaram cobertos pela névoa das queimadas. Os registros chegaram a índices de emergência, resultado direto da forte estiagem e déficit hídrico enfrentados no período.
Já em setembro de 2025, o panorama se transformou. De acordo com a Sala de Situação do Corpo de Bombeiros Militar de Rondônia (CBMRO) e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), os focos de calor caíram de forma expressiva, com números próximos ou até abaixo dos mínimos históricos.
No mês de setembro, o acumulado de 2.840 focos representou uma redução de 87,7% do número de focos que já havia sido registrado no mesmo mês do ano passado. Nas Unidades de Conservação, a redução também foi significativa, reforçando o efeito das medidas de monitoramento e prevenção.
Queimadas em Porto Velho. Foto: Reprodução/Prefeitura de Porto Velho
Integração no combate às queimadas
Para o governador de Rondônia Marcos Rocha, esse resultado é fruto das ações integradas do governo de Rondônia.
“Desde o início do ano estamos com operações do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil, da Sedam e de órgãos parceiros que serão sempre muito bem vindos para somar esforços”, salientou.
Com o céu mais limpo os portovelhenses conseguiram enxergar o fenômeno halo solar, no dia 24 de setembro. O fenômeno é formado quando a luz do Sol atravessa cristais de gelo hexagonais presentes em nuvens altas. Mas é necessário que o céu esteja limpo de nuvens baixas, permitindo que os cristais de gelo em nuvens altas sejam visíveis.
Halo solar em Porto Velho. Foto: Daiane Mendonça/Secom RO
Plataforma de monitoramento e tecnologias
Um exemplo de resultado positivo é o estudo que vem sendo feito pelo Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) que resultou em um painel que demonstra os resultados das ações do governo de Rondônia. O técnico do TCE-RO, ferramenta, que já está disponível na plataforma Mapbiomas deve trazer também dados por Unidades de Conservação”.
O comandante-geral do CBMRO reforça que “o uso de tecnologia de satélites de alta precisão, além de campanhas educativas junto às comunidades e produtores rurais. O investimento em prevenção refletiu em céus mais limpos, menor impacto ambiental e melhor qualidade de vida para a população”.