Série digital reúne mestres da música acreana. Fotos: Reprodução/Youtube-Baquemirim
O acervo Memórias Musicais da Amazônia traz a trajetórias de artistas que ajudam a manter vivas práticas tradicionais do Acre. A série de vídeos reúne depoimentos, repertórios e histórias dos principais mestres da música acreana.
A coletânea já está disponível no canal do YouTube do Baquemirim. Dentre esses artistas está a cantora e compositora Zenaide Parteira, referência nos saberes populares e na música regional.
O material apresenta entrevistas e apresentações inéditas, gravadas com mestres e mestras de diferentes gerações.
Cada episódio foca em um artista e nos elementos que marcam sua identidade sonora, desde influências familiares até a relação com comunidades tradicionais e com os ritmos amazônicos.
“A Mostra Cultural Digital nasce do compromisso de registrar e preservar as práticas musicais dos baques acreanos para que sejam acessadas nos circuitos formais de difusão, atendendo todos os públicos, especialmente às novas gerações”, destacou Alexandre Anselmo, coordenador e pesquisador responsável pela curadoria do projeto.
Personagens da série
O primeiro vídeo da série traz Osmar do Cavaquinho, de 87 anos, um dos nomes mais conhecidos da música do Acre.
Com mais de cinco décadas de carreira, ele marcou o repertório local com composições como Beijo Ardente e Muchatita, além de obras que dialogam com ritmos como cumbia, samba, choro, forró e xote.
“A música mora dentro da gente, não adianta fugir. A minha foto vai pra parede e depois vai embora, se estraga. O que fica para a história é minha música, através de trabalhos como este que estamos fazendo aqui”, falou o artista.
O segundo episódio é dedicado a Zenaide Parteira, filha de seringueiros e descendente Kampa (povo Ashaninka). Guardiã de saberes tradicionais e autora de mais de 700 composições, ela ficou nacionalmente conhecida este ao gravar a canção ‘É No Balanço Dela’ com Geraldo Azevedo.
Na entrevista, Zenaide fala sobre o processo criativo, a relação com a ancestralidade e o impacto da música no fortalecimento das comunidades.
Série destaca memória musical acreana. Foto: Divulgação
A série também registra a trajetória de Nilton Bararu, músico ligado às tradições familiares do acordeão e integrante do grupo Som da Madeira.
O episódio revisita referências como marchinhas, baião e valsas amazônicas, que compõem o repertório preservado ao longo de décadas.
Outro episódio da série apresenta Mestre Zé Bolo (José Pinheiro de Freitas), do povo Nawa, cuja música carrega relatos dos seringais e das lutas territoriais.
O último episódio é dedicado a Francisco Saraiva Soares, natural de Xapuri, que cresceu entre o cavaquinho da família e a vida nos seringais antes de retomar a carreira musical em Rio Branco nos anos 1980.
“Passei por muita coisa na vida, e essa oportunidade de vocês me acolherem para realizar esse trabalho é uma honra pra mim, é uma ajuda muito grande […] me sinto muito feliz com essa possibilidade de registrar um pouco das minhas memórias. Quando novo não tive essa oportunidade e hoje estou tendo, depois de velho estou tendo essa oportunidade”, relembrou.
Por Jhenyfer de Souza e Renato Menezes, da Rede Amazônica AC
Robô é produzido em fábrica inaugurada em Macapá. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP
O AçaíBot, primeiro robô brasileiro criado para colher açaí, foi lançado na segunda-feira (24) em Macapá (AP). A tecnologia é desenvolvida pela empresa paraense KAA Tech, que também inaugurou uma fábrica na cidade.
O equipamento sobe sozinho nos açaizeiros, corta os cachos e permite que uma pessoa colha até 1 tonelada por dia — dez vezes mais que na colheita manual. Segundo a empresa, a unidade foi instalada na Amazônia para aproximar a inovação de comunidades locais, como ribeirinhos, indígenas e quilombolas.
Reinaldo Santos, idealizador do AçaíBot, explica que o principal objetivo é acabar com os acidentes graves que incapacitam peconheiros todos os anos.
“O robô acaba com o risco de queda, que deixa muita gente com sequelas para o resto da vida. Mulheres e pessoas mais velhas vão poder voltar a trabalhar com segurança. Esse é o nosso sonho: tirar a dureza do trabalho na floresta e levar dignidade pra essas pessoas”, disse.
Segundo ele, a construção do equipamento é composta por materiais leves. O robô pode ser carregado em uma só mão e manuseado por meio de um pequeno controle intuitivo e possui a mesma tecnologia dos carros elétricos.
Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP
Robô foi criado pensando em ajudar comunidades
Manoel de Nazaré, é presidente de uma cooperativa de açaí de Afuá (PA), a produção tem o Amapá como destino. Ele, que vive da colheita de açaí, contou que a criação marca uma nova era.
“Vai revolucionar tudo. Acaba o esforço físico e o medo de cair da árvore. Com o robô a gente colhe muito mais e ganha mais”, contou.
Com a fábrica em funcionamento, a Kaatech planeja ampliar rapidamente a produção do AçaíBot para todos os estados da Amazônia Legal.
A expectativa é transformar o açaí em um dos grandes pilares da economia sustentável brasileira, com segurança no trabalho, maior produtividade e preservação ambiental.
Paulo Moisés, presidente da Bio+Açaí uma das principais cooperativas de produtores do Amapá, reforça que a tecnologia chega em um momento estratégico.
“O colhedor deixa de ser artesanal e vira operador de máquina. É inovação chegando na hora certa, com mais renda, menos risco pro peconheiro e mais escala para levar o açaí aos grandes centros”.
O ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, representou o governo federal na inauguração e destacou o alinhamento do projeto com as políticas públicas para a bioeconomia.
“É o que a Amazônia precisa: tecnologia que gera emprego, aumenta a renda e protege a floresta. O presidente Lula já conheceu o robô e apoia totalmente”, explicou.
Floresta Nacional de Carajás. Foto: João Marcos Rosa
O público já pode conferir o passeio virtual pela Serra dos Carajás (PA) na plataforma Geo360º BR do Serviço Geológico do Brasil (SGB). A experiência imersiva permite explorar cavernas, mirantes e formações rochosas únicas sem sair de casa. Essa é também uma oportunidade para compreender os processos geológicos que contribuíram para a formação das paisagens.
A plataforma faz parte do Projeto Fomento ao Geoturismo do SGB. O passeio pela Serra de Carajás tem apoio do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade – Floresta Nacional de Carajás e da Prefeitura de Parauapebas (PA).
Entre os atrativos geoturísticos disponíveis na plataforma, estão a Cava da Serra Pelada, Lagoa Três Irmãs, Pedra da Harpia, Gruta da Guarita, Mirante do Paredão Ferradura, Garimpo das Pedras e Cachoeira Águas Claras.
O lançamento do passeio de Carajás ocorreu durante a COP30, em Belém (PA). “Pudemos mostrar Carajás de uma forma diferente, por meio de visitas virtuais com uso de óculos de realidade virtual, deixando o espectador mais imersivo e fazendo com que ele pudesse ter um vislumbre de como é conhecer Carajás e seus atrativos”, enfatizou o pesquisador Almir Costa, coordenador do Projeto Fomento ao Geoturismo.
Costa reforça que a iniciativa do SGB é uma forma de levar a mais pessoas informações sobre os geoparques e parques nacionais.
“O Projeto Fomento ao Geoturismo é importante para disseminar o conhecimento por meio da apresentação da geodiversidade em passeios 360º, mapas e e-books. Isso faz com que o projeto seja relevante tanto para fortalecer o turismo na região quanto para a educação”, disse.
Foto: Divulgação/SGB
Serra faz parte do geoturismo
O passeio pela Serra de Carajás tem apoio do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade – Floresta Nacional de Carajás e da Prefeitura de Parauapebas (PA).
O geoturismo é uma forma de turismo com base na geodiversidade, ou seja, sua geologia, geomorfologia, dentre outros, da região. O objetivo do SGB é disseminar o conhecimento geocientífico para toda a sociedade e promover um turismo mais educativo e consciente, além de impulsionar o desenvolvimento regional.
Além do passeio virtual à Serra dos Carajás, a plataforma do SGB incentiva o geoturismo oferecendo visitas remotas ao Parque Nacional da Serra da Capivara (PI), Parque Nacional da Serra do Cipó (MG), Seridó Geoparque Mundial da UNESCO, Parque Nacional da Serra da Canastra (MG) e Parque Nacional de Jericoacoara (CE).
Produtores indígenas explicaram a importância do cacau nativo e as oportunidades econômicas relacionadas a essa cultura. Foto: Divulgação/DEVIDA
A Comissão Nacional para o Desenvolvimento e Vida sem Drogas (Devida) apresentou na exposição nacional “Sementes do Peru” os avanços alcançados na conservação do cacau nativo e na geração de oportunidades econômicas para famílias ligadas ao desenvolvimento alternativo.
A apresentação ocorreu no âmbito da 11ª reunião do Conselho de Administração do Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e a Agricultura, organizada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em colaboração com os governos do Peru e da Suíça.
A exposição em Lima foi organizada pelo Instituto Nacional de Inovação Agropecuária (INIA) e reuniu instituições nacionais e delegações estrangeiras empenhadas na proteção da agrobiodiversidade.
Neste espaço, a Devida participou na zona ‘Inovação e Valor Agregado’ com um módulo que apresentava informações técnicas sobre as áreas produtoras onde a entidade atua e sobre as 14 variedades genéticas identificadas nas áreas de intervenção da entidade.
A Comissão destacou que o Peru preserva mais de 72% do material genético mundial do cacau, incluindo 18 dos 25 grupos conhecidos.
“Um patrimônio que sustenta a sustentabilidade da cultura e a competitividade dos cacaus finos e aromáticos produzidos por milhares de famílias de desenvolvimento alternativo”.
Cacau cultivado em Rondônia, no Brasil. Foto: Irene Mendes/Secom RO
Além disso, a ‘degustação de diversidade’ foi realizada com o objetivo de demonstrar que, mesmo mantendo todos os insumos constantes, o grupo genético do grão transforma completamente o sabor e o aroma do chocolate.
“Vários participantes tiveram a oportunidade de experimentar uma degustação sensorial das diversas variedades de cacau com as quais os produtores de desenvolvimento alternativo trabalham”, afirmou a instituição em um comunicado à imprensa.
Durante os três dias do evento, dois produtores e duas produtoras de comunidades indígenas atuaram como porta-vozes, explicando a importância do cacau nativo, dos sistemas agroflorestais e das oportunidades econômicas que hoje fortalecem o desvinculamento de suas comunidades do narcotráfico.
A intervenção da Devida no cultivo de cacau alcança atualmente 34.667 famílias de produtores, 45.516 hectares assistidos e 140 organizações fortalecidas em processos de qualidade, marketing e sustentabilidade.
“Esses avanços consolidam alternativas econômicas legítimas para milhares de famílias que agora estão construindo territórios mais seguros e menos vulneráveis ao tráfico de drogas”, destacou a organização.
Já pensou em ter um ‘Pelotão Mirim Ambiental’ formado para ajudar a difundir informações sobre a preservação do meio ambiente? Pois essa é a ideia da oficina que recebe este nome, realizada em Rio Branco (AC) por meio do projeto Consciência Limpa, da Fundação Rede Amazônica (FRAM).
Pela primeira vez na capital acreana, o projeto realiza diversas ações entre os dias 27 e 29 de novembro e, entre elas, o pelotão mirim, que acontece na escola estadual Dr. Pimentel Gomes no Bairro São Francisco.
A oficina busca incentivar crianças do 4° ano do ensino fundamental a terem maior consciência ambiental e cidadã, com foco na distinção dos tipos de resíduos sólidos e seu descarte adequado, nos 3R’s da sustentabilidade (Reduzir, Reutilizar e Reciclar) e em gincanas para estimular o aprendizado das crianças sobre o tema.
“Está sendo tudo muito bom, eu ganhei a corrida (gincana de corrida sustentável), todos passaram direto e eu encontrei o papel alumínio e minha equipe que é a amarela, venceu. Eu gostei muito, muito mesmo. Aprendemos a importância de jogar os resíduos nos locais certos, não jogar os lixos no meio do mato e nem na beira do rio, pois pode escorregar para dentro dele e poluí-lo”, disse João Pedro Negreiros Lima, da turma matutina 4B, no primeiro dia da ação.
Da turma vespertina 4D, Livya Emmanuelle da Silva Lima também conseguiu encontrar o resíduo indicado na gincana e, com sua equipe, venceu a corrida sustentável. “Eu achei muito legal, gostei muito, aprendi várias coisas e eu queria que esse tipo de ação acontecesse em todas as escolas”, disse.
Foto: Larissa Marinho
A diretora da escola, Sebastiana da Silva, afirmou que esse tipo de projeto é importante para a conscientização da comunidade: “Além de criativo, complementa o currículo da escola e para o aprendizado das crianças, nem se fala”.
O professor Rodrigo Gomes, do CATRAIA Soluções Ambientais, levou uma reflexão sobre como projetos desse porte promovem o pensamento sobre os hábitos praticados pelas crianças. “É um momento que de fato damos uma pausa na rotina da escola e colocamos eles dentro desse contexto, até porque esses aprendizados são válidos para que eles apliquem no dia a dia e no contexto familiar, o que é necessário para que esse mudança que ocorre de forma gradual, aconteça”, justificou.
Com linguagem acessível, abordagem comunitária e estratégias de multiplataforma, a campanha Consciênciua Limpa reforça a democratização do conhecimento, o fortalecimento da cidadania ambiental e a promoção de soluções sustentáveis para a Amazônia.
Para o coordenador de projetos da FRAM, Matheus Aquino, as oficinas são o coração do Consciência Limpa. “Quando vemos crianças e adolescentes engajados, fazendo perguntas, compartilhando experiências e entendendo seu papel como agentes de mudança, percebemos a potência transformadora do projeto. O Pelotão Mirim Ambiental não forma apenas multiplicadores de conhecimento, mas jovens protagonistas comprometidos com o futuro do Igarapé São Francisco e de toda a cidade”, afirma.
Ao longo dos três dias, moradores tem acesso a oficinas práticas, palestras de conscientização, ações de mobilização e o ‘DIA D’, que reúne serviços gratuitos, apresentações culturais. A formatura do ‘Pelotão Mirim Ambiental’, iniciativa que trabalha educação socioambiental com crianças do entorno do igarapé São Francisco está marcada para ocorrer no sábado (29).
Pesquisadores buscam conhecer biodiversidade dos insetos da Amazônia no alto das árvores. Foto: Luiza Caires/USP Imagens
Do alto de uma torre de 40 metros em uma reserva nas proximidades de Manaus (AM), o biólogo Dalton Amorim se assombra.
“O que vemos aqui é de tal beleza e complexidade que explode o coração. Temos 360 graus, até o limite do horizonte, de floresta primária pura, com todos esses tons de verde-limão, verde-acinzentado, verde-alaranjado, verde-amarronzado, verde-escuro… Cada copa tem um formato diferente. É uma riqueza brutal e linda, até difícil de explicar para quem não pode vir aqui”.
Essa está longe de ser sua primeira incursão na Floresta Amazônica ou subida na torre da Reserva ZF-2, do Inpa, mas desta vez o professor da USP partiu de Ribeirão Preto (SP) com o objetivo de encerrar a primeira etapa de um trabalho sobre a biodiversidade de insetos da Amazônia, acompanhado pelo Jornal da USP.
O entomólogo (estudioso de insetos) tem várias décadas de experiência no laboratório e em campo, mas nunca deixa de se surpreender com o que encontra. Nem poderia. O que os cientistas já conhecem da fauna amazônica, especialmente dos insetos, são algumas gotas d’água num oceano de espécies, habitando cada canto da floresta e cada altura – daí a importância da torre e outras técnicas inovadoras de coleta.
Expandir o conhecimento sobre os insetos da Amazônia está, na verdade, no centro dos planos de um megaprojeto que o professor sênior coordena, o BioInsecta – e que é parceiro de outra enorme empreitada, o BioDossel. Este último tem sede no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), e é liderado pelo professor da instituição José Albertino Rafael.
Vista do alto da torre ZF-2, na reserva do INPA em Manaus – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Os espécimes com que os projetos vão trabalhar alcançam números grandiosos, na casa das centenas de milhares a serem identificados e estudados, com a perspectiva de várias novas espécies sendo descritas. “A gente não pode fazer isso com meia-dúzia de pesquisadores de uma ou de duas instituições. Precisamos reunir a força taxonômica do País, e inclusive a de outros países, para que a gente consiga chegar ao elemento essencial da pesquisa, que é a espécie”, diz Rafael.
Amorim estima que a proporção de espécies ainda desconhecidas em relação às conhecidas pode ser de 90% a 98% da fauna de insetos da Amazônia. Um estudo dele e de colaboradores, publicado em 2022, aponta que mais de 60% da biodiversidade de insetos na Amazônia vive acima do solo, indo de 8 a 30 metros de altura, no chamado dossel da floresta.
Graças à parceria com o Inpa, a coleta não se limita a apenas um ponto da floresta. A partir de um experimento anterior, coletando espécimes de maneira estratificada nas alturas de 8, 16, 24 e 32 metros, os pesquisadores verificaram que a fauna que vive na parte alta da floresta (dossel) é muito diversa da fauna que habita a área onde hoje normalmente são feitas coletas, o solo – onde há mais facilidade de acesso. “Foi um resultado surpreendente e isso nos estimulou a desenvolver um projeto mais consolidado com coletas temporalmente mais extensas”, conta Rafael.
Inseto encontrado na Floresta Amazônica. Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Assim, o trabalho recente aconteceu durante 14 meses em três interflúvios, que são as áreas limites entre bacias hidrográficas, separadas por grandes rios (Amazonas, Madeira e Solimões). O professor do Inpa explica que o objetivo é conhecer a fauna que habita cada ponto e também ver o quanto há de “turnover faunístico”, ou seja, de substituição de fauna entre um ponto e outro.
“A partir do momento em que a gente tiver esses dados, poderemos começar a extrapolar os resultados para a Amazônia como um todo e sensibilizar os órgãos financiadores da importância de realizar coletas em outros locais. Esse tipo de coleta agora está centrado nas proximidades de Manaus, com um ponto fora do triângulo que é no Maranhão, em Gurupi, onde a gente conta com a parceria da Universidade Estadual do Maranhão. Mas a Amazônia é imensa”, reitera.
O conhecimento gerado sobre as espécies não ficará restrito aos taxonomistas, que identificam e classificam os seres vivos. “Os dados de biodiversidade e estrutura vertical da fauna de insetos vão alimentar estudos de ecólogos da floresta por muitos anos. Esses dados também vão ser usados por engenheiros florestais e cientistas da conservação para decisões na proteção da floresta”, exemplifica Amorim em entrevista anterior a Leandro Magrini no Jornal da USP.
Pesquisadores trabalham na coleta de exemplares dos insetos. Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Inovação nas armadilhas
“Os insetos são extremamente importantes devido à sua interatividade com a dinâmica da floresta e também com as populações que vivem nela, mas desconhecemos a maioria das espécies e sua distribuição, principalmente os que vivem no alto das árvores – o lugar menos coletado e estudado na região amazônica e em outros biomas”, diz o técnico do Inpa Francisco Felipe Xavier Filho – o Chico, enquanto trabalhava na retirada de uma armadilha.
Coletar além do nível do solo exige um grau maior de complexidade. O pontapé inicial para esta amostragem da vida nas alturas se deu na torre ZF-2. “Essa torre foi construída numa cooperação com o Japão no final da década de 1970, especialmente para medidas meteorológicas. E desde o começo da década de 1980, os pesquisadores do Inpa têm coletado insetos dessa floresta, em várias alturas. Isso já foi mostrando uma diversidade muito especial no dossel da Amazônia”, relata Dalton Amorim.
Em 2017, José Albertino Rafael e seu grupo colocaram armadilhas de interceptação de voo encaixadas em vários pontos: no solo, a 8, 16, 24 e a 32 metros. “Foi aí que a gente viu realmente o impacto que um projeto do tipo poderia ter”, ressalta Amorim.
Nesse primeiro piloto, com a torre metálica, os cientistas praticamente não tiveram problemas. Mas com os dois novos megaprojetos, o objetivo passou a ser comparar diferentes áreas, e construir torres em cada uma delas teria um custo extremamente alto.
“Então tínhamos que desenvolver uma estratégia para coletar de maneira estratificada, e para isso nós buscamos um desenho, rabiscamos muitos papéis, e fomos ao campo testar a elevação das armadilhas”, relembra Rafael.
Cascata de armadilhas para coleta dos insetos. Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Os pesquisadores buscaram as árvores emergentes, aquelas que crescem e se abrem somente acima dos 30 metros, chegando até cerca de 60 metros de altura (mas com alguns registros de árvores com até 80). Elas passaram a fazer o papel da torre, com as armadilhas ancoradas nos seus galhos mais fortes. “Após conseguir passar uma corda nesses galhos, levantamos as armadilhas e elas ficam suspensas em intervalos padronizados, de sete em sete metros, chegando até os 28 metros, que é a altura média do dossel na Amazônia Central”, detalha o professor do Inpa.
Ao bater na tela das armadilhas, os insetos caem em coletores com álcool absoluto – para preservar o DNA – pendurados nas pontas delas. Depois de duas semanas, quando chega o momento da coleta, os frascos ficam repletos de moscas, mosquitos, grilos, pernilongos, louva-a-deus, gafanhotos, mutucas e mariposas, entre outros. São centenas de milhares de exemplares que terão um pedaço do DNA sequenciado e seguirão para uma enorme rede de especialistas em cada um dos grupos de insetos. Eles vão identificar os que forem de espécie conhecida, e descrever aqueles cujas espécies forem novas.
“A gente está coletando em uma escala em que nunca ninguém coletou e nossos resultados vão ser inéditos na literatura científica”, anima-se Amorim.
Mas como conhecimento vale muito mais quando compartilhado, um artigo recém-publicado pelos pesquisadores inclui uma espécie de manual de construção da cascata de armadilhas. No texto, eles ressaltam que o sistema pode ser replicado em todo o mundo, em qualquer floresta, para explorar a diversidade de insetos e sua dinâmica.
Como sequenciar tantas amostras num espaço de tempo relativamente curto, seja nos laboratórios do BioInsecta, em Ribeirão Preto, ou nas instalações do Inpa, em Manaus? Quem explica é Miriam Silva Rafael, pesquisadora do Inpa há mais de 30 anos que integra o BioDossel com foco no sequenciamento de DNA.
“A nossa meta a atingir é de 320 mil espécimes sequenciados. Ela é pautada no barcode [código de barras], usando um método bem eficiente que permite sequenciar muitos bichos de uma só vez numa placa de 96 poços. O que dá uma perspectiva bem promissora de que em dois anos, três no máximo, podemos sequenciar todo esse material e enviar aos especialistas para as suas respectivas análises de interesse”, anuncia ela, ressaltando, porém, que isso só está sendo possível após uma série de atualizações nos procedimentos.
Trabalho de análise é realizado nos laboratórios do Inpa em Manaus. Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
“O método que a gente segue já sofreu bastante adaptações, exatamente para que não tenhamos tropeços. E já temos uma boa quantidade de bichos sequenciados com essa metodologia, que foi realmente padronizada para trabalharmos com as amostras” comemora a cientista, ao lembrar dos desafios vencidos.
“A gente já superou os maiores desafios, entre eles, conseguir amplificar o DNA do maior número de espécies em cada placa de PCR, sendo que temos bichos de diferentes tamanhos, variando entre ‘PP’, pequeno, médio e grande”.
A PCR à qual a cientista se refere é a sigla em inglês para Reação em Cadeia da Polimerase, uma técnica que produz milhões de cópias de uma determinada região de DNA partindo de uma quantidade bem pequena. Isso é o que os pesquisadores chamam de amplificar o DNA.
Nesta etapa, a professora do Inpa conta que a maior dificuldade foi fazer adaptações para os diferentes tamanhos dos insetos e dos fragmentos de DNA, adequando o tempo de programação de ciclagem – processo de aquecer e resfriar repetidamente a amostra, permitindo a amplificação de sequências específicas (cada repetição do ciclo dobra a quantidade de DNA). “Esses foram os nossos maiores gargalos – mas ainda bem que já ‘foram’, com o verbo no passado”.
Educadores em ação
Levantar informações para os cientistas é só um dos braços do projeto BioInsecta, que tem ações voltadas para educação, extensão e divulgação científica. Um primeiro produto neste sentido é o podcast Antena Cultural, que traz o diálogo entre o cotidiano das pessoas e aspectos culturais relacionados aos insetos. Os primeiros episódios foram feitos por alunos de iniciação científica para um edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e o podcast continua, agora com bolsas da Universidade e da Fundação da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP.
Os programas alternam uma discussão sobre o fazer científico e sobre o inseto no cotidiano. “Escolhemos um inseto e, a partir dele, buscamos relações com a arte, literatura, música, e com narrativas que vêm da infância – memórias afetivas que têm a ver com esses insetos, da culinária, das superstições e da religião”, explica Marcelo Motokane, professor da USP em Ribeirão Preto que integra o BioInsecta.
“A ideia é que o inseto não está presente só em casa, na floresta ou no jardim, mas está presente na sua cultura. É mostrar para as pessoas que a biodiversidade tem a ver com a cultura delas e que, uma vez que acabamos com a biodiversidade, um pedaço da cultura vai junto.”
Em outubro, no mês das crianças, o inseto escolhido foi a abelha. “Fomos a uma creche ouvir o que as crianças sabem sobre abelhas”. O formato é sempre esse, entrevistas com as pessoas em geral e também um especialista falando daquele inseto. No episódio, um especialista em abelhas e uma criança de três anos falam.
“E aí a gente pergunta para essa menininha: ‘Toda abelha pica?’. Ela fala: ‘Não, arapuã não pica’.” E o pesquisador conta que nem toda abelha tem ferrão, nem toda abelha pica, nem toda abelha vive em sociedade. Existe um conhecimento da ciência que uma criança de três anos também tem”, diz Motokane.
Em outra ação de extensão, a nutróloga Suzane Torquato, da etnia Sateré Mawé, foi convidada para falar sobre o uso de formigas na gastronomia, em um ciclo de palestras que envolve diferentes cosmovisões sobre a biodiversidade. Suzane deu ainda uma oficina gastronômica para jovens no Sesc em Ribeirão Preto. “A gente tem feito essas trocas e diálogos, nas confluências entre outras epistemologias e a ciência biológica”, diz o professor da USP.
O tema insetos é também alvo de pesquisas com foco na educação, orientadas por Motokane. “Tenho alunos que relacionam a literatura, os insetos e a educação para a biodiversidade, em busca de metodologias de ensino mais adequadas para a questão da conservação.” Uma pesquisa de mestrado, por exemplo, trabalha com A Metamorfose, de Franz Kafka, fazendo relações com o medo de insetos. Um outro projeto trabalha com narrativas de povos originários sobre formigas.
Até mesmo os produtos de extensão do BioInsecta viram temas de pesquisa em educação. “Em uma das pesquisas, a gente usa os podcasts em sala de aula para entender como podem ajudar o professor a aproximar os alunos da ciência e da conservação da biodiversidade.”
O jornalismo científico completa o rol de ferramentas utilizadas pelo BioInsecta para chegar além dos muros da academia. O doutor em Biologia Comparada Leandro Magrini, que também se especializou em divulgação científica, toca esta parte, produzindo uma série de matérias publicadas em diferentes veículos, atendendo a pedidos de outros jornalistas que desejam noticiar os trabalhos, e cuidando da página do projeto no Instagram, @bioinsecta. O apoio é da Fapesp, pelo programa Mídia Ciência.
Mais ao norte do País, o BioDossel, do Inpa, também investe nas ações de extensão. “A gente vai às escolas de Manaus mostrar o que fazemos dentro da floresta aos estudantes, com idade de 8 a 17 anos”, conta o técnico do Inpa Francisco Xavier Filho.
“Eles ficam apaixonados ao saber que existe esse tipo de trabalho científico dentro da floresta, do lado da cidade em que moram. Perguntam, ficam curiosos e vibram quando a gente mostra os frascos com os insetos: ‘Nossa, existe tudo isso?’. Alguns até perguntam: ‘Mas vocês matam esses insetos?’. Aí a gente explica que eles foram sacrificados, que alguns exemplares deram a vida para que outros bilhões de insetos e outros animais e plantas da floresta sejam mais bem conhecidos e, assim, preservados”, relata.
“Os estudantes ficam empolgadíssimos, querem conhecer os lugares onde a gente trabalha, e até se vestir como a gente, falar como os cientistas e técnicos. A maioria deles nunca caminhou nessa floresta que está do lado de casa, então começam a pensar diferente quando recebem estas informações de alguém que por esses anos todos caminhou, como eu e outros colegas. A mentalidade muda sobre termos que cuidar dessa floresta, usando seus recursos de uma forma correta e sustentável”.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da USP, escrito por Luiza Caires
Na vida, muitas vezes somos surpreendidos com mensagens que nos fazem refletir sobre nosso comportamento passado. No meu trabalho na Rede Amazônica, cheguei a atuar em todas as áreas sociais da vida. Lembro de acompanhar de perto um grupo de dança, cujo nome era Ritmo Quente, comandado por um grande amigo e ótimo dançarino, que estava completando um livro de dez anos de atividades e junto com uma bela companheira chamada Claudia. A gravação do festejo veio precedida de outras matérias, sempre com esta dupla especialmente simpática.
Passados alguns dias, estava eu na redação da TV Amazonas escrevendo sobre as minhas matérias quando fui comunicado de que Claudia tinha chegado e solicitaram que eu a atendesse. Imediatamente fui recebê-la. Na sala da recepção a encontrei bastante emocionada e imediatamente me falou: “Dudu, você é meu pai!”.
Me surpreendi e, olhando nos olhos dela, me coloquei a escutar a história que me contava. “Quando você trabalhava na STAR SHIP (eu era DJ), você conheceu minha mãe e estiveram juntos algumas vezes, e em consequência disso ela ficou grávida e jurou que nunca você saberia. E assim foi feito até que, lamentavelmente, ela veio a óbito. Como sempre quis lhe falar, estou livre para te comunicar. Não quero nada! Tudo que quero é que você saiba”.
Tivemos uma longa conversa e, como tinha que apresentar o Globo Esporte, combinei com ela para encontrá-la no sábado para uma aproximação maior durante um café da manhã. Nos abraçamos longamente e dei um beijo na sua testa. Fiquei ansioso para ouvir mais, além de começar a pensar no que fazer para ajudá-la mais.
Foi uma semana longa, e na sexta-feira recebo um comunicado, um telefonema de alguém que não se identificou, me comunicando que Claudia tinha sofrido um acidente e tinha falecido. Ela estava na parada de ônibus em frente a antiga Universidade de Tecnologia do Amazonas (Utam) e um carro capotou na curva e a atropelou. A pessoa disse mais: que ela já tinha sido enterrada e desligou.
Foi um grande impacto! Foi o fim do início de uma bela história. Hoje, passado tanto tempo, me pergunto: será que ela veio se despedir para concluir um ciclo de vida? Como nada sabia dela, além do que ela me falou, fica para sempre a alegria de tê-la conhecido antes da partida. Sempre a amarei pelo pouco que convivemos como pai e filha. Deus te ilumine.
Eduardo Monteiro de Paula é jornalista formado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com pós-graduação na Universidade do Tennesse (USA)/Universidade Anchieta (SP) e Instituto Wanderley Luxemburgo (SP). É diretor da Associação Mundial de Jornalistas Esportivos (AIPS). Recebeu prêmio regional de jornalismo radiofônico pela Academia Amazonense de Artes, Ciências e Letras e Honra ao Mérito por participação em publicação internacional. Foi um dos condutores da Tocha Olímpica na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.
Lançado na 30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudança do Clima (COP30), realizada em Belém (PA), o minidocumentário “Açaí Nativo: Fruto da Amazônia” reúne histórias de comunidades ribeirinhas extrativistas na Ilha Jacaré Xingu, em Cametá (PA).
Na produção, de aproximadamente 10 minutos, os ribeirinhos relatam como aprenderam a extrair o açaí, a relevância do fruto para a sua dieta, seu sustento e como o alimento se tornou uma identidade regional.
“O açaí é mais do que um alimento e fonte de sustento para quem vive de sua extração — é também tradição, cultura e um pilar da sociobioeconomia amazônica, valorizando saberes locais e fortalecendo modos de vida que integram floresta, pessoas e economia”, afirma Sara Leal, diretora do filme e coordenadora de Comunicação do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).
Açaí é um dos frutos típicos da Amazônia. Foto: Reprodução/IDAM
Açaí é identidade cultural
A produção faz parte do projeto Cadeias Produtivas Sustentáveis no Pará, que produziu dados qualificados sobre as cadeias do cacau e do açaí para subsidiar estratégias de impacto socioeconômico, ambiental e de fortalecimento da sociobioeconomia no Estado.
O projeto é uma realização do IPAM em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca do Estado (Sedap Pará), com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e com apoio da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).
Assista:
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM Amazônia, escrito por Sara Leal
O garimpo ilegal na Amazônia é um dos problemas na região que receberam atenção nos últimos anos, com ações de combate por diversas entidades. O Ministério Público Federal (MPF) promoveu, no dia 13 de novembro, um ciclo de palestras para apresentar um panorama sobre a atuação do órgão contra a prática irregular de minérios na região amazônica na Green Zone (Zona Verde) da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) em Belém (PA).
O procurador da República Gilberto Naves Filho alerta que o garimpo ilegal na Amazônia é preocupante, especialmente em regiões próximas à zonas de proteção ambiental e territórios indígenas. Uma delas é a região do Rio Tapajós, no Pará, que tem forte incidência de garimpo ilegal.
“A bacia do Tapajós é uma área altamente impactada pelo garimpo ilegal. O MPF tem uma alta demanda sobre as permissões de garimpeiros sem a prévia autorização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que é um requisito legal. Entendemos que essas permissões são ilegais, mineração em área de preservação permanente, sedimentos sem tratamento sendo jogados diretamente nos rios, ausências de bacia de sedimentação. Tudo isso preocupa muito o MPF, por isso entramos com ação judicial para pedir a anulação dessas permissões”, comenta o procurador.
Naves reforça que o garimpo ilegal é um problema que afeta a sociedade em todos os seus níveis e que os povos indígenas e comunidades tradicionais são os maiores prejudicados dessa problemática.
Área degradada pelo garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. Foto: Divulgação/HAY
“O garimpo ilegal é um enorme problema. No ponto ambiental, que causa danos graves ao meio ambiente; no ponto de vista da saúde pública devido à contaminação do mercúrio nas águas dos rios, prejudicando povos indígenas e comunidades; e o dano social, através da violência e conflitos até mesmo dentro das comunidades tradicionais, que estão pagando um preço altíssimo e incalculável”, pontua o procurador.
Os estudos apontam níveis alarmantes de contaminação dos povos tradicionais por mercúrio, o que afeta especialmente mulheres e crianças.
“O MPF tem tido uma atuação muito firme pelo cumprimento da lei e pelo combate à essa ilegalidade, com toda energia e rigor que a situação merece. Temos tido uma postura de muita cobrança às autoridades públicas para que esse problema seja resolvido. Ainda é um desafio, mas é uma tarefa que a gente precisa vencer. O garimpo ilegal tem que acabar”, assegura.
Especial COP30
A entrevista com o procurador da República, Gilberto Naves Filho, faz parte de uma sequência especial dedicada à Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima – Conferência das Partes (COP30) do programa ‘Bate-papo na CBN’, da rádio CBN Amazônia Belém (102,3 FM ).
Com o olhar de quem vive na região, o programa reuniu informações e entrevistas sobre toda a movimentação da 30ª edição do encontro mundial realizado em Belém (PA), realizado entre os dias 10 e 22 de novembro.
Procurador da República, Gilberto Naves, abordou sobre o tema do garimpo ilegal na Amazônia. Foto: Reprodução/Youtube – CBN Amazônia
Ainda no programa, a gerente executiva da ‘Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura’, Carolle Alarcon, avaliou sobre as primeiras impressões da COP30.
“Eu acho que teve alguns bons marcos, tivemos falas importantes como André Corrêa do Lago (presidente da COP) fazendo menção de que é a COP da Amazônia, da floresta, da realidade. Eu acho que teve muita realidade ao longo dessa semana, dos negociadores entenderem o que é uma chuva amazônica, o que é o calor, de ver a presença da sociedade civil organizada, seja por manifestações ou pela multiplicidade de eventos paralelos. Foram muitos pontos positivos”, pontuou.
Gerente executiva da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, Carolle Alarcon, avaliou a primeira semana da COP30. Foto: Foto: Reprodução/Youtube – CBN Amazônia
A gerente também explicou sobre a participação da Coalizão Brasil na COP30, que apresentou uma proposta de transformação da agricultura e dos sistemas alimentares.
“Nós apresentamos uma proposta que levantou pontos em dois eixos: o olhar para a floresta, para biodiversidade e a transformação da agricultura e dos sistemas alimentares. 75% das emissões do efeito estufa do Brasil vem do uso da terra como agricultura, agropecuária, então não tem como não falar de transição climática sem falar dessa agenda da floresta. A coalização apresentou isso e ficamos muito felizes de poder trabalhar com essa pauta, de ver essa agenda sendo trazida para a discussão aqui na COP30″, finalizou.
Com oito episódios, os programas da rádio, apresentados pela jornalista Brenda Freitas, também ganharam versões especiais no canal Amazon Sat e no Portal Amazônia.
Assista as entrevistas completas no terceiro episódio da edição especial do programa:
A iniciativa Banzeiro da Esperança é uma parceria entre Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Fundação Rede Amazônica (FRAM) e Virada Sustentável, com patrocínio do Banco da Amazônia (BASA). Esta edição do Banzeiro da Esperança é uma jornada de conexão, troca de saberes e transformação com foco na COP30.
Foto: Reprodução/Dossiê de registro do Bem Cultural
A ourivesaria da cidade tocantinense de Natividade (TO) foi reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil na 111ª Reunião Ordinária do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A arte é um bem cultural definido pela produção e uso de um conjunto de joias artesanais – feitas com ouro e prata extraídos da própria região – como crucifixos, colares, cordões, gargantilhas, brincos, pingentes, pulseiras e anéis.
Para a confecção das joias, são empregadas distintas técnicas, sendo a filigrana a mais valorizada. Trata-se de um delicado entrelaçado de hastes finas de ouro, algumas com a espessura de um fio de cabelo, com laterais serrilhadas, técnica cujas raízes remontam à região do Minho, em Portugal, e que se aclimataram ao território do atual estado do Tocantins durante o período colonial, com a chegada de artesãos que aqui se fixaram.
O dossiê de registro ressalta que a ourivesaria de Natividade emerge como um bem cultural que vai além da simples confecção de joias de ouro e prata.
Seu valor reside na sua capacidade de sintetizar técnicas artesanais, história e identidade local, refletindo as complexas relações entre tradição, fé, arte e memória elaboradas historicamente em território tocantinense.
O presidente do Iphan, Leandro Grass, destacou a relação da ourivesaria com a história da cidade e com o trabalho da população negra, inclusive dos quilombos: “Ao longo de gerações os ourives de Natividade têm preservado e inovado na fabricação o fabrico de técnicas e hoje se tem um patamar artístico único no Brasil”.
Para o superintendente do Iphan no Tocantins, Danilo Curado, o reconhecimento reverbera as transformações sociais e culturais do interior do Brasil central. “A cultura do Brasil profundo ganha reconhecimento nacional e a partir disso todo o país vai conhecer esta arte, além do reconhecimento ao trabalho destas pessoas” destacou.
Foto: Reprodução/Dossiê de registro do Bem Cultural
As joias nativitanas, em especial aquelas com inspiração nas formas e símbolos da natureza brasileira (como a flor do maracujá) e nas manifestações religiosas (como os corações nativos e os diversos símbolos cristãos) são peças carregadas de significados, não apenas no plano material, mas também no simbólico e no social. Elas permeiam o cotidiano e as festividades religiosas, sendo um dos pilares da identidade cultural da comunidade nativitana e de outros municípios do sudeste tocantinense.
Segundo o parecerista Nelson Fernando Inocencio, membro do Conselho, o resultado desse trabalho são peças carregadas de significados não apenas no plano material, mas também simbólico e social.
“A continuidade e revitalização do ofício, com o apoio de iniciativas comunitárias garantem que essa a ourivesaria permaneça viva, transmitida para novas gerações de artesãos de diferentes extrações sociais, raciais e de gênero e continue a gerar desenvolvimento na região, contribuindo para a redução das desigualdades”, concluiu.