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11 experiências para viver em Belém durante a COP30

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Experiências para fazer em Belém durante a COP30. Foto: Alexandre Costa/Alepa

Belém (PA) está no centro das atenções mundiais. Durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), são esperados mais de 40 mil visitantes na cidade e, com isso, surge a necessidade de opções que permitam conhecer a região de forma autêntica, prática e protagonizada por lideranças locais, aproximando os participantes da Conferência à realidade da sociobioeconomia amazônica.

Ao todo, 11 “Rotas da Bioeconomia” foram lançadas no fim de outubro, em um evento no Complexo Porto Futuro, em Belém, que reuniu autoridades governamentais, integrantes da Associação dos Negócios de Sociobioeconomia da Amazônia (ASSOBIO), empreendedores locais e empresários do trade turístico.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: o que é a COP30?

Entre as opções, os visitantes podem conhecer cadeias produtivas da sociobioeconomia das empresas Manioca, Da Cruz, Meu Garoto, Blaus, Da Tribu, Filha do Cumbu, Uruçun, AMZ Tropical, Cacauaré e Jucarepa, todas ligadas à ASSOBIO.

Em novembro, serão mais de 450 saídas, em roteiros com duração de 1 a 7 horas e em diferentes horários, dependendo do local e da experiência. Todas as imersões serão realizadas junto aos negócios locais e que possuem, em média, 23 vagas por saída, com o investimento que varia de R$ 50 a R$ 560 por pessoa.

experiências para fazer em Belém durante a COP30
Rotas da Bioeconomia foram lançadas no fim de outubro para os visitantes durante a COP30. Foto: Divulgação/Vivalá/Jucarepa

“Mostrar a sociobioeconomia da região Norte é valorizar o que a Amazônia tem de mais precioso: as pessoas, os saberes e os sabores da floresta. Cada produto conta uma história de sustentabilidade, cultura e vida. As rotas são essenciais porque movimentam a economia local e mantêm o valor dentro da região. Elas fortalecem produtores, criam oportunidades e fazem a floresta girar de forma sustentável”, afirma Mauro Valério, diretor da Blaus, uma sorveteria que faz parte dos roteiros.

Leia também: Três locais para conhecer em Belém durante a COP30

As experiências foram criadas especialmente para o mês de novembro e para serem opções durante o evento, entretanto, ficarão como parte do legado pós-COP, sendo disponibilizadas nos próximos anos.

A construção do programa foi realizada pela Vivalá – Turismo Sustentável no Brasil em parceria com Cooperação Alemã, KFW, Governo do Estado do Pará, Fundação de Ação Social (FAS) e Associação dos Negócios de Sociobioeconomia da Amazônia (ASSOBIO).

Há roteiros diversos e acessíveis. Foto: Divulgação/Vivalá/DaTribu

“Ser escolhido pela Assobio e Governo do Estado do Pará para produzir este programa foi uma grande honra para a gente e está diretamente ligada à nossa missão de aproximar as pessoas de experiências reais, conectando, na COP30, tomadores de decisão com a realidade do dia a dia da Amazônia. Reserve sua vaga e conheça de perto a força da bioeconomia!”, destaca Daniel Cabrebra, cofundador e diretor-executivo da Vivalá. 

Os roteiros

Há roteiros diversos e acessíveis, para diferentes disponibilidades de agenda e de bolso, como:

  • “Entre tradição e inovação na rota da bioeconomia”, uma rota desenvolvida junto à Assobio e que é um convite para vivenciar a Amazônia com calma, escuta e sensibilidade;
  • “Raízes do Cumaru: a baunilha da Amazônia, da muda à mesa”, que mostra aos viajantes a importância do cumaru para a floresta;
  • e “Alquimia Amazônica: a origem da cachaça com jambu”, um passeio pela plantação de jambu e a cachaçaria Meu Garoto.

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A expectativa é que todos os roteiros sigam em funcionamento após a COP30. Foto: Divulgação/Vivalá/Manioca

“Entendemos que fazer visitas nos negócios é uma forma de aproximar e potencializar o público, seja consumindo produtos da sociobioeconomia, mas também fazendo vivências muito mais próximas da realidade, com as comunidades e nos negócios, vendo o impacto. É uma realidade aproximar o que está por trás, quem faz, a complexidade e o valor que a Amazônia tem. Com certeza as rotas são mais reais e mais profundas, porque tem a gente pertinho ali”, complementa Tainah Fagundes, conselheira da Assobio e uma das lideranças do projeto.

Leia também: Belém deve receber mais de 50 mil turistas estrangeiros durante período da COP30

As experiências contam com muita história, cultura, degustações e interações, além de sempre terem um anfitrião junto e, na maioria das vezes, os próprios fundadores dos negócios locais. O investimento para participar vai de R$ 50 a R$ 560, com opções de parcelamento. Há opções de grupos abertos ou experiências privativas para empresas e delegações governamentais.

A expectativa é que todos os roteiros sigam em funcionamento após a conferência. “Manter as rotas após a COP30 é garantir que o legado continue vivo. Esses caminhos fortalecem a economia local, valorizam quem produz na floresta e mostram que o desenvolvimento da Amazônia não é um evento, mas um compromisso permanente”, finaliza Mauro.

Sobre a Vivalá 

A Vivalá é referência em programas de impacto socioambiental positivo, atendendo algumas das maiores organizações do país, com agendas de inovação, bioeconomia, tecnologia, cultura tradicional e responsabilidade social, promovendo experiências que buscam ressignificar a relação que as pessoas têm com o Brasil.

Rotas da Bioeconomia foram lançadas no fim de outubro para os visitantes durante a COP30. Divulgação Vivalá/MeuGaroto

Com 16 prêmios e reconhecimentos nacionais e internacionais da Organização Mundial do Turismo, ONU Meio Ambiente, Braztoa, Embratur, Abeta, Fundação do Grupo Boticário, Yunus & Youth, entre tantos outros. A Vivalá tem uma operação 100% carbono neutro e é uma empresa B certificada, tendo a maior nota do setor no Brasil e a 7ª maior no mundo, além de ter injetado mais de R$ 7 milhões em economias locais por meio da compra de serviços de base comunitária.

Sobre a ASSOBIO

A ASSOBIO é uma associação representativa, que reúne 126 pequenos e médios empreendimentos, que visam proteger e promover a sociobiodiversidade da Amazônia, integrando aspectos socioeconômicos e ambientais. Fundada em 2023, é resultado de um ecossistema cada vez mais importante na região e que incentiva uma economia verde, que gera emprego e renda nas cidades amazônicas.

O Amazonas e Canudos na narrativa de Roberto Mendonça

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O historiador e pesquisador Roberto Mendonça. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br 

‘Cândido Mariano e Canudos’ é a obra do historiador e pesquisador Roberto Mendonça agora numa segunda edição. Cândido Mariano foi militar, nascido em Algemas, no sul de Minas Gerais no dia 2 de maio de 1870, filho do advogado Cândido José Mariano e da senhora Leopoldinas Gomes Mariano.

Roberto Mendonça, pesquisador festejado, afirma que a obra é o resultado de anos de pesquisa desse nobre comandante do Batalhão Policial Militar do Amazonas que se empenhou na guerra da pequena cidade de Antônio Conselheiro em Canudos, no Sertão da Bahia, ao mesmo tempo em que descreve o deslocamento da nossa tropa até aquela cidade.

O autor é Coronel da Polícia Militar e dedicou parte da sua vida na história da Polícia Militar. Nessa obra recorreu ao arquivo em diversas cidades e capitais brasileiras antes de chegar à Bahia, onde realizou o sonho de pisar nas terras do Conselheiro. Porém, o mérito maior foi ter encontrado com a senhora Lucy no Rio de Janeiro, filha de Cândido Mariano, conseguindo assim, um valioso relato sore a história do Comandante, como bem lembra a vice-Presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia senhora Elba Carvalho Mendonça.

“Sabeis, o Comandante que a campanha aos bravos viajantes não é novo nos sofrimentos e nas refregas, seu nome já sagrado nos feitos pela república” (Fileto Pires Ferreira, Governador do Amazonas, ao despedir-se da tropa que partia de Manaus).

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O Amazonas e Canudos na narrativa de Roberto Mendonça
Canudos, no Sertão da Bahia. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

A Estação da Calçada do Bonfim visivelmente ordenada e as redondezas da estação ferroviária conservavam-se com céu cheio de nuvens aquele momento histórico. Os acontecimentos e especialmente os personagens da tragédia de Canudos refluem com avassaladora energia na demolição de Belo Monte, consolidado na terça-feira 5 de outubro de 1897.

Os herdeiros de Bom Jesus Conselheiro estão resgatando este singular movimento com a rediscussão dessa saga ocorrido no curto período do quatriênio inaugurado em junho de 1893, ou seja, a partir da implantação daquele arraial liderado por Antônio Vicente Mendes Maciel, conhecido eternamente como Antônio Conselheiro.

Para a Polícia Militar do Estado do Amazonas a data mais significativa da referida campanha é a do retorno de sua tropa, em 8 de novembro daquele mesmo ano. Naquela ocasião O Primeiro Batalhão de Infantaria do Regimento Militar foi saudado com flores e com versos, com discursos inflamados de políticos e literatos no átrio do quartel da Praça da Polícia e das janelas engalanadas dos sobrados, desde o humilde cidadão até as autoridades como o Governador Fileto Pires Ferreira.

Quem é o autor Coronel Roberto Mendonça

Ao ingressar na Polícia Militar do Amazonas (PMAM), em meados de 1966 encontrei, a despeito da escassez de subsídios, o culto a um incensado herói de Canudos Cândido José Mariano. Quase nada se conhecia ou existia publicado a seu respeito, quando em 1972 essa corporação encomendou a um historiador uma síntese histórica. Foram essas primeiras informações biográficas que me impulsionaram a desvendar a origem e o destino deste paladino.

Em frente! Quando servia na Casa Militar do Governo (1983-84), despertou minha curiosidade e impediu-me a desvendar a substância da PMAM uma máquina leitora e copiadora de microfilmes disponível no Palácio Rio Negro. Tardes e tardes inquietei-me diante do visor luminoso a cata de fatos e datas, de nomes e de feitos. As anotações acumularam-se , pois a leitora dispunha de recurso reprodutivo e cópias ampliadas, assim o trabalho de pesquisa tornou-se mais franco e asséptico.

Apesar da assepsia, estou convencido de que, naquele instante, fui inoculado com um veneno da pesquisa. Daí em diante, decidi recuperar de páginas amareladas de compêndios e de fontes disponíveis, o ilustre desconhecido Cândido Mariano.

Da partida, reli e anotei todos os dias dados existentes em arquivos da cidade de Manaus. Visitei (e aqui registro meu agradecimento) todos os departamentos estaduais, todos os locais onde fosse possível colher algum apontamento acerca do campeador de Canudos.

Selo comemorativo dos Correios referente ao centenário do fim da guerra de Canudos. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Somente quando esgota a pesquisa local e ainda pela inexistência de dados básicos, como datas de nascimento e de morte do biografado, viajei ao Rio de Janeiro com a vã esperança de recolher no principal cemitério daquela cidade os pormenores que me afligem. Ledo engano. Descobri, então, que ali os mortos desafortunados ainda não estavam atendidos por esse recurso tecnológico. Contudo, não perdi a viagem, o Arquivo do Exército cedeu-me cópia de todos os documentos existentes na pasta do ex-capitão Cândido Mariano, alguns dos quais ilustram este trabalho.

De retorno a Manaus, certo dia caminhando solitário (como atleta frustrado) veio-me a ideia de repetir a experiência realizada em A Crítica, jornal da cidade. Inquiri-me por que não endereçar uma carta a um jornal carioca? Assim, no início de dezembro de 1993, remeti com certa descrença uma carta ao leitor para O Globo. Resumindo como presente natalino, recebi um telefonema de Jorge Torres, neto de Cândido Mariano. É, para meu cabal entusiasmo anunciava que sua mãe adotiva – nonagenária era a filha de Cândido Mariano e, estava viva e me aguardando.

Alvorecei-me para encontrar tão preciosa descoberta. Viajei ao Rio, onde dialoguei durante uma semana (vou explorar isso a exaustão do decurso desta retrospectiva) com dona Lucy Mariano, que me proporcionou uma incomensurável dadiva. A de ser o último e único policial militar do Amazonas a conversar com a filha de Cândido Mariano. O privilegio recompensou-me de tantas andanças e de horas e horas enfurnado em pesquisas, nem sempre em ambiente acolhedor como também postado a frente do computador.

A partir desse diálogo, localizei no cemitério de São João Batista, do Rio de Janeiro a arca contendo os restos mortais de Cândido Mariano no extremo do campo santo, constituindo a parede para a rua fronteiriça. Ao retornar a Manaus, fiz gestão junto ao comandante-geral no sentindo de que a PMAM efetuasse a remoção dos restos mortais de seu patrono. Já ponderei essa sugestão a mais outros comandantes. Contudo, nunca obtive sucesso. Oxalá, a urna ainda esteja perpetuando o combatente de Canudos.

E avancei na empreitada. Em busca de maiores detalhes sobre o homenageado, visitei Rio Branco e Sena Madureira, no Acre e Porto Velho, capital de Rondônia, onde vasculhei arquivos de organizações, sem muito alcançar. O arquivo rondoniense estava a merecer maior espaço e organização (1994), e os apontamentos sobre os funcionários da estrada de Ferro Madeira Mamoré estavam sendo processados para se construir um acervo de futuro museu. Ainda há muito a pesquisar, pois o comandante do batalhão do Amazonas operou por diversas cidades do sul ao norte do país. Espero que a divulgação deste trabalho ajude aos interessados a recompor a trajetória deste combatente.

Por fim, aventurei-me em uma particular quinta expedição. Para isso, retornei a Salvador (BA), quando mantive contato com o saudoso mestre José Calasans Brandão da Silva (1915-2006) e com professores do Centro de Estudos Euclides da Cunha (CEEC), da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), para recolher informações sobre Canudos. Fiz uma parada e, Juazeiro (BA), aonde recebi o apoio do 3.° Batalhão Policial ali instalado que, me permitiu madrugar em direção a Canudos. Embora estivesse e, veículo policial, a turma da Associação Canudense de Estudos e Pesquisas Antônio Conselheiro (Acepac) conduziu-me pelas trilhas sagradas de Belo Monte. Concretizei um sonho!

Acerca da campanha canudense, não me propus a produzir uma dissertação acadêmica. Livros a mão cheias expostos, tentando desvendar os mistérios insólitos daquela luta as margens do rio Vaza Barris. Meu intento persiste – tão somente – em particular a presença amazonense, recolhendo, para isso, de compêndios e de revista, de diários e de periódicos, a descrição do desempenho da força militar no campo de luta. Bem como a passagem do batalhão de Cândido Mariano por algumas cidades da costa brasileira, em especial, a capital baiana. Valho-me do método de revelar a história, fazendo falar os personagens, que vem ao encontro do leitor, tal como me inspirou Hélio Silva, saudoso historiador.

Seja qual for resultado deste trabalho, a participação da Polícia Militar do Amazonas no evento bélico do final do século XIX, na Bahia de inúmeros Antônios, está posta a disposição de estudiosos ou, simplesmente de interessados. Sou imensamente grato a quantos me incentivaram a publicá-la.

Roberto Mendonça

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Roraima bate recorde histórico na produção agrícola, aponta Conab

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Roraima teve a maior safra da história do Estado. Foto: Divulgação

Roraima alcançou um marco inédito na agricultura. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Estado registrou a maior safra da sua história, com 692 mil toneladas de grãos colhidos na temporada 2024/2025.

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Os números foram apresentados oficialmente no dia 7 de novembro, durante a penúltima noite da Expoferr Show 2025, no Parque de Exposições Dandãezinho, em Boa Vista.

O levantamento foi realizado ao longo de 12 meses, em parceria com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e a Seadi (Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação), avaliando as principais culturas produzidas no Estado – soja, milho, arroz e feijão.

Roraima bate recorde histórico na produção agrícola
O levantamento foi realizado ao longo de 12 meses, em parceria com o IBGE e a Seadi. Foto: Bárbara Araújo/Secom-RR 

Leia também: Rally da Safra: expectativa de colheita da soja em Roraima é de 470 mil toneladas na safra 2024/25

“Roraima teve a maior safra da história do Estado. São 692 mil toneladas de grãos produzidos. Esse resultado confirma que Roraima se consolida como uma nova fronteira agrícola nacional. É fruto de um esforço conjunto entre produtores, políticas públicas e instituições que incentivam o campo, mesmo diante dos desafios de clima e logística”, destacou o superintendente regional da Conab, Pablo Cabadas.

A decisão de divulgar os dados na Expoferr reforça o papel do evento como principal vitrine do agronegócio da região Norte, reunindo produtores, empresários e instituições financeiras.

“Lançamos os números oficiais na Expoferr porque ela representa o coração do agro roraimense. É onde o produtor, o técnico e o investidor se encontram”, completou Cabadas.

Políticas para o desenvolvimento agrícola

Roraima teve a maior safra da história do Estado. São 692 mil toneladas de grãos produzidos. Foto: Divulgação

O governador Antonio Denarium comemorou o resultado e atribuiu o recorde ao conjunto de ações do Governo do Estado voltadas para o fortalecimento da produção rural.

“Esse resultado é fruto de um esforço coletivo, com regularização fundiária, infraestrutura, energia, incentivos e crédito rural. Trabalhamos para dar segurança jurídica e condições para que o produtor invista e cresça. Hoje, Roraima é a nova fronteira agrícola do Norte do Brasil”, celebrou Denarium.

Produtores destacam importância dos dados consolidados

Estado registrou a maior safra da sua história, com 692 mil toneladas de grãos. Foto: Divulgação

O presidente da Aprosoja Roraima, Murilo Ferrari, destacou que a divulgação dos dados oficiais da Conab fortalece o planejamento e a segurança do produtor.

“Ter dados confiáveis é essencial para orientar as decisões no campo e para cobrar políticas públicas que garantam infraestrutura, como estradas, pontes e energia. Essa produção crescente significa emprego, renda e desenvolvimento para todo o Estado”, afirmou Ferrari.

O boletim completo da safra 2024/2025 pode ser consultado no site da Conab.

‘Gato ciclope’: felino nasce com um olho só em Rondônia

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Um filhote de gato nasceu com apenas um olho no distrito de Nova Conquista, interior de Vilhena (RO). Foto: Gilmar Almeida

Um caso raro chamou a atenção de moradores do distrito de Nova Conquista, interior de Vilhena (RO) no dia 4 de novembro: um filhote de gato nasceu com apenas um olho. O tutor da mãe do animal, Gilberto Almeida, relatou que o nascimento surpreendeu toda a família.

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“Tenho 32 anos nunca tinha visto isso na minha vida. Minha gata já teve várias crias, só que essa foi a primeira vez que isso aconteceu. Nasceram três juntos com ele [gato ciclope], mas só esse veio diferente”, conta Gilberto. O gatinho viveu apenas um dia e faleceu. Segundo Gilberto, o filhote tinha problemas para respirar.

Leia também: ‘Bizarrices’ no mundo animal: relembre casos de animais geneticamente modificados na Amazônia; o último vai te surpreender (vídeo)

Depois do nascimento do gato, surgiram dúvidas sobre a ciclopia, anomalia congênita rara que chamou atenção pela aparência incomum do gato. Para a veterinária Janete Silva, o gato apresenta uma condição congênita chamada ciclopia, caracterizada por uma má formação.

“Quando o embrião está se desenvolvendo, em vez de a estrutura do cérebro se dividir em duas partes, forma-se uma massa única. Como os olhos acompanham essa divisão, acabam ficando centralizados”, explica a veterinária Janete Silva, especialista em cirurgias animais.

A ciclopia é considerada uma condição rara tanto em animais quanto em humanos. O nome tem origem na mitologia grega: os ciclopes, criaturas gigantes e imortais que possuíam apenas um olho no centro da testa.

Leia também: ‘Fenômeno genético?’: Galinha com características de duas espécies nasce em sítio de Rondônia

De acordo com a especialista, defeitos genéticos, como alterações nos cromossomos, ou fatores externos, como exposição a toxinas e medicamentos durante a gestação, podem estar entre as causas da anomalia.

Janete ressalta que a expectativa de vida de animais que nascem com essa condição é bastante baixa, já que a má formação também compromete as narinas, dificultando a respiração, como aconteceu com o filhote.

Mas o que é ciclopia?

'Gato ciclope': felino nasce com um olho só em Rondônia
Gato ciclope. Foto: Gilmar Almeida

Segundo a veterinária, a ciclopia é caracterizada pela fusão dos olhos em uma única cavidade central. O problema ocorre quando, durante o desenvolvimento embrionário, o cérebro não se divide corretamente em dois hemisférios. Como os olhos acompanham essa divisão, acabam se formando juntos.

O termo “ciclope” vem da mitologia grega, em referência aos gigantes com um único olho na testa.

Leia também: Mistério: o caso do filhote de ‘Mapinguari’ que intrigou Manaus em 2006

De acordo com a especialista, defeitos genéticos, como alterações nos cromossomos, ou fatores externos, como exposição a toxinas e medicamentos durante a gestação, podem estar entre as causas da anomalia.

A veterinária ressalta ainda que a expectativa de vida de animais que nascem com essa condição é bastante baixa, já que a má formação também compromete as narinas, dificultando a respiração, como aconteceu com o filhote.

Classificação oficial

De acordo com documentos do Ministério da Saúde, a ciclopia está entre as anomalias congênitas do sistema nervoso. A condição pode estar associada a alterações cromossômicas ou à exposição da mãe a toxinas e medicamentos durante a gestação.

Leia também: Boi com três chifres vira atração em fazenda no Acre; caso é raríssimo

A expectativa de vida de bebês ou animais com ciclopia é extremamente baixa, já que a má formação compromete funções vitais como respiração e alimentação.

*Por Raíssa Fontes, Marcos Miranda e Iuri Lima, da Rede Amazônica RO

San Martín lança campanha para restaurar florestas amazônicas afetadas por incêndios no Peru

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Foto: Reprodução/Agência Andina

Em uma cerimônia realizada no final de outubro na cidade de Morales, o Instituto Peruano de Pesquisas da Amazônia (IIAP) lançou a Campanha 2025 para a Restauração das Florestas Amazônicas Afetadas por Incêndios Florestais com Esferas de Restauração, uma iniciativa que busca recuperar milhares de hectares de ecossistemas degradados e promover uma cultura ambiental de prevenção e restauração.

Durante o evento, realizado na região de Ricuricocha, foi feita uma demonstração prática da implantação de esferas restauradoras — pequenas cápsulas feitas de materiais biodegradáveis ​​contendo sementes de espécies florestais nativas — em áreas afetadas por incêndios florestais.

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Essas esferas foram dispersas tanto manualmente quanto com o auxílio de drones, uma inovação tecnológica que acelera o processo de reflorestamento em áreas de difícil acesso.

uso de drones na campanha para restaurar florestas amazônicas afetadas por incêndios no Peru
Foto: Reprodução/Agência Andina

A presidente executiva do IIAP, Carmen García Dávila , destacou a importância da iniciativa e afirmou que esta campanha é uma “resposta à constante perda de nossas florestas devido aos incêndios florestais”. 

“O IIAP está promovendo esta campanha com o objetivo de recuperar ecossistemas degradados e fomentar uma cultura ambiental de prevenção e restauração. A ciência e a inovação são nossas aliadas para trazer vida de volta às paisagens amazônicas e fortalecer a resiliência às mudanças climáticas”, disse.

Ela afirmou que o objetivo central da campanha é restaurar mais de 2.000 hectares de florestas amazônicas nas regiões de San Martín e Ucayali, por meio da regeneração natural da floresta e da recuperação de seus serviços ecossistêmicos — como captura de carbono, regulação climática, conservação da biodiversidade e proteção dos recursos hídricos.

Leia também: Quais são as áreas naturais protegidas com maior biodiversidade no Peru?

Restauração de florestas

Entre 2024 e 2025, o IIAP restaurou com sucesso mais de 1.315 hectares de floresta utilizando essa tecnologia ecológica, alcançando taxas de germinação superiores a 40%. De acordo com o instituto, esse progresso reflete o potencial das esferas de restauração como uma ferramenta eficaz e sustentável para a recuperação de áreas afetadas por incêndios.

O evento contou com a presença de representantes do Ministério do Meio Ambiente, do Governo Regional de San Martín, do Congresso da República, da Prefeitura do Distrito de Morales, além de professores, universitários, alunos do ensino fundamental e moradores locais, que se uniram simbolicamente aos esforços de restauração.

A campanha reforça o compromisso do Peru com os objetivos da Década das Nações Unidas para a Restauração de Ecossistemas (2021-2030) e com a Estratégia Nacional para a Restauração de Ecossistemas Degradados, que estabelece a meta de restaurar 3,2 milhões de hectares até 2030.

“Esta campanha representa não apenas um esforço técnico e científico, mas também um apelo à ação coletiva. Envolve comunidades, instituições públicas, estudantes e o público em geral para trabalharem juntos pela recuperação do patrimônio natural da Amazônia e pela construção de um futuro mais sustentável para todos”, concluiu Carmen.

*Com informações da Agência Andina

#Galeria Expoferr Show 2025: confira destaques do quinto dia da feira em Roraima

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Foto: Willame Sousa

O quinto e último dia da Expoferr Show 2025, neste sábado (9), em Boa Vista (RR), foi marcado pelo calor da região Norte, mas também pela alegria da feira que encerra sua programação do ano.

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Corridas de cavalo e prova de tambores, por exemplo, foram atrações do dia que lotaram as arquibancadas com um público curioso sobre quem ganharia as provas.

Além disso, claro, todas as demais atrações da Expoferr receberam dezenas de visitantes que aproveitaram cada minuto! Veja alguns momentos:

O sábado na Expoferr contou com movimento intenso de visitantes. Foto: Willame Sousa
A corrida de cavalos levou uma multidão à arena. Foto: Willame Sousa
E os equinos encantaram o público com sua velocidade. Foto: Willame Sousa
A tradição se mantém para toda família. Foto: Willame Sousa
A vaquejada também era um dos momentos mais aguardados. Foto: Willame Sousa
Área gastronômica. Foto: Willame Sousa
O projeto Expofeira na Rede, da Fundação Rede Amazônica (FRAM), proporcionou ações divertidas, como as fotos instantâneas para os visitantes. Foto: Willame Sousa
E também o quiz sustentável, para todas as idades. Foto: Willame Sousa
E é claro que os visitantes aproveitaram cada momento registrando tudo. Foto: Willame Sousa

Expofeira na Rede

O projeto Expofeira na Rede é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio de Amatur, Dois90, Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) e Governo de Roraima.

Relatório inédito revela ameaças aos Povos Indígenas e Comunidades Locais da Amazônia

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Floresta do Rio Negro, Amazonia. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agencia Brasil

Um relatório inédito divulgado pela Aliança Global das Comunidades Territoriais (GATC), pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), pela Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA), pela Earth Insight e por outras organizações lideradas por Povos Indígenas e comunidades locais, revela uma pressão industrial sem precedentes sobre os territórios indígenas e comunidades locais na Amazônia.

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O estudo mostra que 31 milhões de hectares (12%) desses territórios estão sobrepostos por blocos de petróleo e gás, 9,8 milhões de hectares por concessões de mineração e 2,4 milhões de hectares por concessões de exploração madeireira industrial.

Comunidades Locais da Amazônia
Comunidades ao longo do litoral do Amapá. Foto: Nataliel Rangel, Mickael Marques e Thales-Lima

O novo relatório intitulado Territórios de Povos Indígenas e Comunidades Locais na Linha de Frente: Mapeando Ameaças e Soluçõesnas Maiores Florestas Tropicais do Mundo, apresenta um panorama detalhado das ameaças causadas pelas indústrias extrativas que atingem os Povos Indígenas e as comunidades locais responsáveis por preservar as maiores florestas tropicais do planeta.

O estudo também propõe caminhos e soluções para enfrentar esses desafios. O relatório faz parte de uma avaliação global que analisa as pressões sobre as florestas da Amazônia, da Região do Congo, da Indonésia e da Mesoamérica. Juntas, essas regiões reúnem 958 milhões de hectares de florestas tropicais, administrados por cerca de 35 milhões de pessoas. Os resultados referentes à Amazônia mostram como as atividades de petróleo e gás, mineração e exploração madeireira industrial podem afetar 250 milhões de hectares em áreas fundamentais para a proteção da biodiversidade e para a manutenção do equilíbrio climático do planeta.

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Comunidades ribeirinha em Borba, Amazonas. Foto: Divulgação

Lançado às vésperas da COP30, o relatório busca chamar a atenção para a urgência de priorizar as pautas e soluções apresentadas pelos Povos Indígenas e pelas comunidades locais. O objetivo é influenciar a agenda climática global e mostrar que garantir os direitos territoriais é essencial para alcançar as metas internacionais de clima e biodiversidade.

As florestas amazônicas produzem cerca de 20 bilhões de toneladas de água por dia, formando um “rio voador” ainda maior que o próprio Rio Amazonas. No entanto, o desmatamento já reduziu a quantidade de chuvas em até 74%, comprometendo o ciclo da água que sustenta a vida em toda a América do Sul e em outras regiões do planeta.

Leia também: Portal Amazônia responde: O que são os rios voadores?

Principais conclusões do relatório apontam para uma crise generalizada em toda a Amazônia:

• Territórios indígenas sob ameaça: 31 milhões de hectares (12%) dos territórios de Povos Indígenas e de comunidades locais estão sobrepostos por blocos de exploração de petróleo e gás, 9,8 milhões de hectares por concessões de mineração e 2,4 milhões de hectares por concessões de exploração madeireira industrial em toda a Bacia Amazônica.

• Corredor Yavarí-Tapiche em risco: A proposta de criação de um corredor de 16 milhões de hectares (uma área duas vezes maior que o Panamá) para Povos Indígenas em Isolamento Voluntário e de Contato Inicial (PIACI) ainda preserva 99% de sua floresta intacta. No entanto, enfrenta a sobreposição de projetos de petróleo, gás, mineração, extração de madeira e construção de estradas. Além disso, o Peru ainda não reconheceu oficialmente as reservas fundamentais nessa região.

• Crise no território Waorani (Equador): Cerca de 64% dos 800 mil hectares reconhecidos do território Waorani estão sobrepostos por blocos de exploração de petróleo, o que expõe as comunidades indígenas a graves problemas de saúde e à perda de biodiversidade. Resíduos tóxicos deixados pela indústria petrolífera continuam afetando as comunidades na Amazônia equatoriana. Das mais de 3.500 áreas identificadas que foram contaminadas pelo setor de petróleo e gás no país, apenas metade passou por algum processo de recuperação ambiental.

• Expansão agrícola no Brasil: Aproximadamente 30% dos territórios de Povos Indígenas e comunidades locais no Mato Grosso do Sul já foram ocupados por áreas agrícolas. Essa expansão tem sido acompanhada por um histórico de violência sistemática contra o povo Guarani-Kaiowá, resultando no assassinato de 608 lideranças e ativistas entre 2003 e 2021- um padrão que especialistas em genocídio chamam de “kaiowicídio”

Povos indígenas. Foto: Divulgação

“A Amazônia brasileira é o coração verde do nosso país e uma das maiores reservas de biodiversidade e água doce do planeta”, afirmou Kleber Karipuna, copresidente da GATC e coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). 

“Nossos sistemas de governança, nossos conhecimentos ancestrais e nossos modos de vida mantêm esses ecossistemas em equilíbrio. Mas esse equilíbrio está sendo quebrado pelo avanço da mineração, do agronegócio, da exploração de petróleo, da extração ilegal de madeira, das invasões de terra e de políticas que enfraquecem nossos direitos. Pedimos que o mundo reconheça e apoie nossa liderança porque não somos uma barreira de resistência final, somos a raiz viva de um futuro possível”.

A avaliação é divulgada em um momento em que a Amazônia enfrenta uma pressão cada vez maior não apenas das indústrias extrativas tradicionais, mas também de projetos que se apresentam como parte de planos nacionais de desenvolvimento. Povos Indígenas e comunidades locais que vivem próximos a áreas de exploração de petróleo têm apresentado altos níveis de mercúrio, cádmio e chumbo no organismo. Além disso, mais de 70% das mulheres indígenas da Amazônia equatoriana relatam problemas de saúde causados pela contaminação da água com resíduos de petróleo.

Relatório também destaca soluções conduzidas por diferentes Povos Indígenas e comunidades locais da Amazônia, entre elas:

  • Na Colômbia, 25 Entidades Territoriais Indígenas (ETIs) aguardam reconhecimento oficial. Juntas, elas representam 36% da Amazônia colombiana e mantêm 99,5% de suas florestas preservadas.
  • No Brasil, o Fundo Podáali, criado pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), é o primeiro fundo totalmente idealizado e gerido por Povos Indígenas a abranger toda a Amazônia brasileira, canalizando recursos diretamente para iniciativas locais.
  • Também no Brasil, os Povos Indígenas lançaram a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) Indígena, que propõe uma estratégia climática de base comunitária, integrando direitos territoriais, proteção das florestas, ação climática e uma transição justa.
Ribeirinhos da Amazonia. Foto: Ricardo Botelho/MME

O relatório se baseia na Declaração de Brazzaville e nas Cinco Demandas da GATC: garantir os direitos territoriais dos Povos Indígenas e comunidades locais; assegurar o consentimento livre, prévio e informado; garantir que os recursos cheguem diretamente às comunidades; proteger a vida dos defensores e defensoras dos territórios e; integrar o conhecimento tradicional nas políticas globais.

Essas demandas traçam um caminho claro para que governos, financiadores e instituições passem de um modelo de exploração para um modelo de regeneração, centrado na justiça climática e na valorização dos saberes ancestrais.

“Dizem que a Mãe Floresta Amazônica dá chuva às nuvens e cria rios no céu. Se a floresta desaparecer, vai levar embora a chuva e os rios”, afirmou Fany Kuiru, coordenadora-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA). 

“Convocamos governos, aliados e todos os povos da Terra a se mobilizarem e assumirem sua responsabilidade. Isso não é um ato de solidariedade, é uma questão de sobrevivência, pois se a Amazônia desaparecer, leva com ela o nosso futuro comum.”

“Sem uma ação firme para garantir direitos e fortalecer a gestão feita pelos Povos Indígenas, a humanidade não vai conseguir alcançar suas metas climáticas e de biodiversidade”, disse Juan Carlos Jintiach, secretário-executivo da GATC. “Mas, se seguirmos a liderança de quem protege esses ecossistemas há gerações, o mundo tem nas mãos um caminho real rumo à regeneração”.

“As evidências são claras: sem o reconhecimento urgente dos direitos sobre os territórios, o respeito ao consentimento livre, prévio e informado, e a proteção dos ecossistemas que sustentam a vida, as metas globais de clima e biodiversidade não serão atingidas”, afirmou M. Florencia Librizzi, vice-diretora da Earth Insight.

“Precisamos reconhecer e fortalecer os modelos comunitários de gestão e governança que já mostram o caminho para um futuro mais justo e regenerativo”.

*Com informação da Aliança Global das Comunidades Territoriais (GATC), Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA) e Earth Insight.

Biscoito com farinha de casca do café valoriza Robustas Amazônicos

Foto: Enrique Alves

A Universidade de Brasília (UnB) depositou pedido de patente para uma receita de biscoito elaborada com farinha de cafés Robustas Amazônicos (Coffea canephora). O produto substitui em cerca de 30% da farinha tradicional, tornando-se uma opção mais saudável e viável para consumidores adeptos de dietas equilibradas por conter mais fibras, antioxidantes e cafeína.

A inovação também inaugura um novo e promissor mercado para a casca do café, até então utilizada principalmente como adubo no Brasil. O estudo, desenvolvido ao longo de dois anos, é resultado de parceria com a Embrapa Rondônia (RO).

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Segundo o pesquisador da Embrapa  Enrique Alves, as cascas de cafés denominados finos – produtos com mais de 80 pontos na avaliação da Specialty Ccoffee Association (SCA), que considera critérios, como aroma, sabor, acidez, corpo e finalização – são insumos nobres, com diversidade sensorial e nutricional muito rica, às vezes até maior do que a dos grãos. “Entretanto, no Brasil, são usados, principalmente, como adubo”, explica.

Além de se enquadrarem na pontuação estipulada pela SCA como produtos finos, as variedades de cafés Robustas Amazônicos, selecionadas pela Embrapa em conjunto com os cafeicultores nas Matas de Rondônia, resultaram na primeira Indicação Geográfica (IG) de Coffea canephora do mundo, a “IG Matas de Rondônia“, concedida pelo INPI em 2021. O projeto envolve o desenvolvimento de cultivares adaptadas à região e à Floresta Amazônica, plantadas, em sua maioria, por agricultores familiares, indígenas e comunidades tradicionais.

“Hoje em todo o estado de Rondônia, mais de 17 mil famílias cultivam essas variedades”, complementa o pesquisador.

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Foto: Enrique Alves

Portanto, agregar valor a esse subproduto era uma prioridade para a Embrapa, como explica Alves:

“Além da qualidade, as cascas dos cafés Robustas Amazônicas elas ainda carregam características diferenciadas de sustentabilidade por serem cultivadas na Amazônia por povos indígenas e comunidades tradicionais”.

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Lançamento e degustação do biscoito na COP30

A inovação tecnológica será apresentada no dia 6 de novembro, durante a Semana Internacional do Café (SIC), que acontece de 5 a 7 de novembro, na Expominas, em Belo Horizonte (MG).  Trata-se de uma das maiores feiras do mundo e o grande encontro de profissionais que tem o objetivo de conectar e gerar oportunidades para toda a cadeia do café brasileiro no acesso a mercados, conhecimento e negócios.

Durante a COP30, o biscoito será oferecido para degustação no Cooking Show, que é um espaço de apresentação e degustação de produtos resultantes da pesquisa agropecuária, além de troca de experiências entre culinárias tradicionais. A área funcionará dentro do pavilhão “Comida, Tradição e Cultura” na Agrizone – Casa da Agricultura Sustentável da Embrapa na Conferência – e a programação será compartilhada com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

Biscoito com farinha de casca do café valoriza Robustas Amazônicos
Foto: Enrique Alves

Valorização da casca do café une Embrapa e UnB

Diante disso, a Embrapa Rondônia e a UnB se uniram para desenvolver pesquisas voltadas à valorização das cascas de cafés Robustas Amazônicos sob diferentes óticas de processamentos pós-colheita. A linha de pesquisa, coordenada pela engenheira de alimentos e professora da UnB Lívia de Oliveira, tem como focos a caracterização química, funcional e sensorial dessas cascas e a sua aplicação em alimentos, bebidas e cosméticos, contribuindo para uma cafeicultura sustentável e integrada à economia circular.

O estudo teve início em 2023, com a avaliação do potencial químico e sensorial das cascas de Robustas Amazônicos da cultivar Apoatã, produzidas pela Embrapa Rondônia, sob três processamentos distintos: natural (secagem do fruto inteiro em terreiro suspenso por cerca de 20 dias), lavado (despolpamento mecânico e secagem da fração pergaminho) e fermentação anaeróbica autoinduzida (espontânea em ambiente anaeróbio, conduzida de 2 a 20 dias, seguida de secagem e descascamento).

Foto: UnB

Essas amostras foram analisadas quanto à composição proximal, de compostos bioativos, açúcares, ácidos orgânicos e voláteis, além de submetidas à avaliação sensorial por meio de infusões e produtos derivados.

De acordo com Lívia, os resultados demonstraram que:

Foto: UnB
  • As cascas naturais apresentaram maior teor de compostos fenólicos, flavonoides, antocianinas e fibras, além de perfil aromático doce e caramelado.
  • As cascas lavadas (originadas do processamento de via úmida) exibiram baixa complexidade química e volátil, predominando compostos estruturais e menor teor de açúcares.
  • As cascas de fermentação anaeróbica autoinduzida mostraram grande variabilidade conforme o tempo de fermentação. As amostras de 4 a 20 dias apresentaram aromas frutados e florais e bom equilíbrio sensorial, enquanto as de tempos intermediários (10 a 16 dias) geraram notas mais secas e amargas.

Essas diferenças foram atribuídas à atuação microbiana no metabolismo de açúcares e fenólicos, que modulou a formação de ácidos orgânicos, ésteres e furanonas (compostos formados durante o processamento de alimentos, que desempenham um papel crucial no seu sabor e aroma), resultando em perfis sensoriais distintos e potenciais de aplicação diferenciados para cada tipo de casca.

Novo biscoito tem ainda mais fibras e menos açúcares

A professora explica que, com base nesses resultados, foi desenvolvido um segundo eixo de pesquisa voltado à aplicação alimentar das cascas, por meio da elaboração de um biscoito, com 30% de farinha de casca de robusta amazônico. Trata-se de um resultado inédito, uma vez que, pela literatura científica, o máximo de substituição de farinha obtido até o momento tinha sido de 15%.

As formulações reformuladas com lecitina e polidextrose apresentaram um aumento de até 15 gramas de fibras por 100 g de produto. Além disso, reduziram em até 45% as gorduras saturadas e em 25% os açúcares adicionados, mantendo conformidade com a RDC nº 429/2020 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A melhor aceitação sensorial para as amostras produzidas foi com as cascas naturais e fermentadas por 4 ou 20 dias, associadas a notas doces, frutadas e amanteigadas.

“Esses resultados evidenciam que o tipo de processamento da casca é determinante para notas sensoriais do produto final, sendo um parâmetro-chave de inovação tecnológica e posicionamento sensorial. Todavia, todos os cookies elaborados apresentaram aceitação sensorial satisfatória, confirmando que as cascas de qualquer dos processos podem ser usadas como ingrediente para esse produto”, enfatiza Lívia.

A receita final, submetida ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e registrado no dia 4 de setembro, é resultado de um processo de fermentação de 8 dias. De acordo com a professora, com esse período, o produto mantém o açúcar da polpa, não tem excesso de fermentação e possui notas frutadas, que conferem um sabor especial ao biscoito.

A seleção do produto final contou com a avaliação sensorial de mais de 250 consumidores convidados pela UnB para degustar os biscoitos oriundos das diferentes etapas da pesquisa.

Foto: UnB

Novas frentes de pesquisa

A partir de 2026, as instituições vão investir também em estudos voltados ao desenvolvimento de bebidas fermentadas e instantâneas à base da casca de café, incluindo kombuchas e infusões aromatizadas.Além disso, serão fortalecidas pesquisas de formulações cosméticas com extratos de casca para o tratamento de alopecia e uso dermocosmético. 

Foto: Enrique Alves

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Cafés Robustas Amazônicos têm salto de produtividade

Os cafés Robustas Amazônicos são cultivados há décadas na Amazônia e, nos últimos dez anos, ganharam visibilidade no mercado e a preferência dos cafeicultores da região. A atividade foi iniciada com agricultores de Rondônia e se expandiu entre produtores de outros estados, que passaram a renovar antigos cafezais seminais e implantaram novos plantios com variedades clonais.

De acordo com Enrique Alves, a cafeicultura na Amazônia evoluiu de um modelo quase extrativista para uma produção tecnológica sustentável. A atual média de produção de estados como Acre (51 sacas por hectare) e Rondônia (55 sacas), de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em nada lembra a produtividade de um passado recente, que raramente superava 10 sacas por hectare.

“Alcançamos avanços significativos na cultura e dispomos de tecnologias que possibilitam aproveitar todo o potencial agronômico dos clones de cafés Robustas Amazônicos e elevar a produção. Por isso, é comum encontrar propriedades familiares com produtividade de 120 a 150 sacas de café por hectare e algumas lavouras superam 200 sacas”, conclui o pesquisador.

Investir em pesquisas que agreguem valor a esses cafés, incluindo outras partes do fruto, como a casca, a polpa, está entre as prioridades das equipes de pesquisa da Embrapa e parceiros.

Foto: Enrique Alves

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa

Encontro entre líderes indígenas e o príncipe William fortalece Museu Goeldi como espaço de diálogos pela Amazônia

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Príncipe William ouviu as demandas das lideranças indígenas, à sombra da sumaúma. Foto: Carla Serqueira

Às vésperas da abertura da Conferência das Partes (COP30), o príncipe William, do Reino Unido, esteve no dia (07/11) no Parque Zoobotânico do Museu Emílio Goeldi. Instalado há 130 anos na região central de Belém (PA), o espaço, que é referência em pesquisa sobre a Amazônia, foi escolhido para sediar os diálogos entre o herdeiro da coroa britânica e líderes indígenas.

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“O Museu Goeldi é um espaço plural, para comunidades indígenas terem diálogos, apresentarem suas culturas, falarem de temas pertinentes às suas lutas. Hoje, no âmbito da COP, a gente recebe o príncipe William para tratar, junto com a presidente da Funai, de questões que envolvem a bilateralidade entre o Brasil e a coroa britânica”, afirmou o diretor da instituição Nilson Gabas Júnior, relembrando que, em 2023, o Parque Zoobotânico do Museu Goeldi foi declarado, simbolicamente, como ‘terra indígena’ e que tem se consolidado como esse espaço dos povos tradicionais.

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Encontro entre líderes indígenas e o príncipe William fortalece Museu Goeldi como espaço de diálogos pela Amazônia
Às vésperas da abertura da Conferência das Partes, o príncipe William no Parque Zoobotânico do Museu Emílio Goeldi. Foto: Carla Serqueira

Conforme explicou Nilson Gabas, embora o Museu Goeldi tenha sido o articulador das agendas cumpridas pelo príncipe William no Parque Zoobotânico, seu papel estratégico de fomentar alianças em benefício da região amazônica se consolida, devido ao seu legado histórico e científico.

“Tivemos aqui diálogos entre o governo brasileiro e o Reino Unido no sentido de levantar fundos, de desenvolver ações conjuntas. Eu fico muito feliz pelo Museu Goeldi estar cumprindo esse papel, de poder ceder o espaço para estas articulações importantes serem realizadas. Isso nos deixa muito felizes porque é um reconhecimento que se agrega ao papel estratégico da instituição na região amazônica”.

“A samaúma fortalece a importância de estarmos juntos”

Príncipe William ainda plantou uma muda de cedro-branco, espécie ameaçada de extinção na Amazônia. Foto: Carla Serqueira

Aos pés da samaumeira de 129 anos, a presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, dialogou com o príncipe William, ao lado de Dinamam Tuxá, Angela Kaxuyana, Watakakalu Yawalapiti, Juma Xipaia e Toya Manchineri.

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“Acho que a COP, para nós, já começa com esse diálogo internacional. Atualizamos as demandas dos povos indígenas de todos os biomas. É importante falar que não é só a Amazônia que pede pela demarcação das terras indígenas. Também pedimos apoio para as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs)”, pontuou a presidente, se referindo ao compromisso dos países para combater as mudanças climáticas e para reduzir a emissão de gases.

Sobre o encontro ter ocorrido no Museu Goeldi, Joenia Wapichana começa dizendo que “Belém é terra ancestral”. E, diante da samaúma centenária com quase 40 metros de altura, ela ressaltou a importância da luta coletiva.

“Estar dentro do Museu Goeldi, até mesmo na frente da samaúma, fortalece tanto a importância de estarmos juntos, caminhando juntos, mas também representa o que os povos indígenas têm falado, que é a conservação da biodiversidade, a união dos povos. E essa samaúma traz essa força para nós, tanto física, quanto espiritual e, agora, para construir esse diálogo que acabou de acontecer com o príncipe William”, explicou a presidente, que se comunicou sem intérprete com a realeza.

“O príncipe ficou impressionado com o Parque”

A embaixadora do Reino Unido, Stephanie Al-Qaq, também acompanhou a manhã do príncipe William no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi. Segundo ela, “foi muito importante para o príncipe visitar, saber mais do trabalho do Museu e também das pesquisas que estão acontecendo aqui e nas outras unidades”, disse, ao se referir ao Campus de Pesquisa, no bairro de Terra Firme, e à Estação Científica Ferreira Penna, implementada na Floresta Nacional de Caxiuanã, na década de 1990, com recursos da coroa britânica.

Na época, o pai do príncipe William, hoje, Rei Charles III, fez a doação de seis veículos para auxiliar nas pesquisas desenvolvidas na Estação do Museu Goeldi.

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Príncipe William ouviu as demandas das lideranças indígenas, à sombra da sumaúma. Foto: Carla Serqueira

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Assim como a presença do príncipe sucedeu a visita do pai a Belém, a embaixadora indicou que o relacionamento da coroa britânica com o Museu poderá ultrapassar gerações. “Eu acho que ele está plantando a próxima geração das árvores, o que é muito interessante. Talvez, quem sabe, os filhos dele vão voltar e plantar a próxima geração”, disse Stephanie, acrescentando que o príncipe William ficou impressionado com a preservação do Parque no meio da cidade.

Para a embaixadora, os encontros no Museu foram muito importantes. “Ele conseguiu ouvir as vozes dos jovens e da comunidade indígena, exatamente para entender um pouco mais dos desafios que enfrentam no dia a dia e o que buscam na COP30”.

Visita do rei Carl XVI Gustaf e da rainha Silvia 

Na dia (7/11), foi a vez de o diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior, receber a visita oficial do rei Carl XVI Gustaf e da rainha Silvia, da Suécia, também no Parque Zoobotânico. Integraram a comitiva representantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Embaixada da Suécia no Brasil. O diretor e a ecóloga Ima Vieira, pesquisadora do Museu Goeldi, expuseram às autoridades o trabalho científico e socioambiental desenvolvido pela instituição na Amazônia, no intuito de fortalecer laços de cooperação entre o Museu Goeldi e o Reino da Suécia.

Nilson Gabas Júnior, receber a visita oficial do rei Carl XVI Gustaf e da rainha Silvia. Foto: Carla Serqueira

Fez parte da agenda uma visita a pontos estratégicos do Parque Zoobotânico, como o lago da vitória-régia, o recinto das ariranhas e das tartarugas da Amazônia, a samaumeira anciã e o lago do tambaqui. Rei Carl XVI Gustaf plantou um exemplar de cumaru (Dipteryx odorata).

*Com informação do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG)

Árvores grandes consomem e armazenam mais carbono, aponta estudo

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Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, no Amapá. Foto: Léo Ramos Chaves /Revista Pesquisa FAPESP

Há muito se ouve falar sobre a iminência de a Amazônia atingir o ponto de não retorno e tornar-se degradada. Nos últimos anos as notícias foram ficando cada vez piores, diminuindo a capacidade da floresta de captar carbono. Agora, chega uma boa notícia: as árvores estão se tornando maiores por toda a região, possivelmente em consequência do aumento do teor de gás carbônico (CO₂) na atmosfera, segundo artigo publicado no final de setembro na revista científica Nature Plants. O aumento foi mais evidente nas árvores maiores.

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Os dados mostraram que o tamanho médio das árvores amazônicas cresceu 3,3%, por década, nos últimos 30 anos, enquanto o tamanho máximo aumentou 5,8%. Isso indica que as árvores maiores conseguiram se beneficiar mais do acréscimo de carbono ao ar, embora toda a floresta tenha aumentado, de modo geral. Por toda a bacia amazônica, a proporção de troncos com diâmetro maior de 40 centímetros (cm) aumentou.

“Usamos inventários florestais que integram uma rede chamada RAINFoR, nos quais os pesquisadores medem a floresta em cada um desses locais ao longo de muito tempo”, explica a ecóloga brasileira Adriane Esquivel-Muelbert, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, primeira autora do artigo.

Nos nove países amazônicos, integrantes da rede vão periodicamente a campo e medem as mesmas árvores, identificando quais sobreviveram.

A medida usada é o que os especialistas chamam de área basal, que quantifica quanto espaço o tronco ocupa se a árvore fosse cortada a uma distância de 1,3 metro (m) acima do chão. “Se há alguma deformidade no tronco, medimos mais acima”, relata Esquivel-Muelbert. “Para garantir que a medição seja feita sempre no mesmo lugar, pintamos uma marca no tronco”.

Assim é possível, ano após ano, avaliar mudanças. O que transparece disso é que as árvores com mais de 40 cm de diâmetro são cada vez mais numerosas e maiores, mas o aumento das árvores com tronco entre 10 cm e 20 cm não é tão perceptível. “O ideal seria termos a biomassa de cada árvore, mas não conseguimos ter precisão suficiente na estimativa da altura para acompanhar o crescimento”, afirma.

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O artigo interpreta a observação como um sinal de resiliência da floresta, que assim se afirmaria como um estoque de carbono. O bônus é retirar o CO₂ da atmosfera, mas essa função de sumidouro não basta para amenizar os danos causados pela emissão desenfreada pelo mundo afora.

O resultado é surpreendente porque estudos recentes indicam que a Amazônia estaria se tornando mais fonte do que captadora de carbono (ver Pesquisa FAPESP nº 321). “Esses estudos são feitos em uma escala diferente e olham para vários tipos de floresta ao mesmo tempo, inclusive áreas desmatadas”, diz a ecóloga. “Nós olhamos só para a floresta madura, e isso faz muita diferença”.

Ou seja, não há contraposição, porque os objetivos de estudo são distintos. As áreas desmatadas de fato são fonte de carbono, e o problema é elas predominarem sobre as de floresta madura.

“A capacidade de sumidouro das florestas maduras está diminuindo, existe uma previsão de que esse efeito pare de existir em 2030”, diz Esquivel-Muelbert.

Para reverter isso, é preciso garantir a permanência dessas florestas, além de reduzir a emissão de combustíveis fósseis.

árvores gigantes são encontradas no amapá
Árvore gigante na Amazônia. Foto: Rafael Aleixo/GEA

Mostrar que as árvores maiores, muito longevas, estão resistindo às mudanças climáticas pode ser um bom sinal, caso elas sejam mais resilientes do que se calculou até agora. Experimentos florestais que simulam uma seca extrema mostraram, anteriormente, que as árvores muito grandes podem morrer subitamente em situações de seca, por uma falha hidráulica no transporte de água das raízes às folhas (ver Pesquisa FAPESP nº 238). As secas estão, justamente, cada vez mais acentuadas e frequentes no contexto atual de mu­dança do clima.

A diferença das árvores gigantes

Mas isso não é o que se vê na realidade, de acordo com o biólogo brasileiro Paulo Bittencourt, pesquisador na Universidade de Cardiff, no Reino Unido. “Aparentemente as árvores grandes não são mais limitadas por seca do que as pequenas, nas áreas onde vivem”, afirma ele, que estuda árvores gigantes na Amazônia brasileira (ver Pesquisa FAPESP nº 336) e na Malásia.

“O monitoramento na Malásia tem mostrado que elas estão muito bem depois de uma forte seca e que se aclimataram mudando atributos da madeira”. Dados preliminares com o angelim-vermelho (Dinizia excelsa), no Amapá, mostram a mesma coisa.

Entender como árvores que podem passar dos 40 m de altura resolvem o desafio de engenharia hidráulica é uma questão ainda em aberto, mas Bittencourt tem avançado nessa investigação. Sobressair-se acima do dossel da floresta também é um risco no que diz respeito a atrair raios durante tempestades e a rachar por causa de rajadas de vento, riscos que parecem ter um papel mais preponderante.

“Continuamos a tentar entender as árvores gigantes”, diz a pesquisadora de Cambridge. “Como elas são raras na paisagem, é difícil entender o que causa a mortalidade”.

Bittencourt acrescenta que é preciso repensar os estudos: “Muitos inventários se baseiam em parcelas de 1 hectare (ha), nas quais não há mais do que 10 árvores grandes”, explica. “Se uma cai, o efeito na biomassa da parcela é muito grande”.

A fatia de 1% das árvores que representam as maiores da floresta acumula cerca de 50% da biomassa vegetal. Esquivel-Muelbert tem trabalhado com parcelas de 1.500 ha, justamente em busca de sanar essa limitação.

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Para o biólogo Rafael Oliveira, que participou do experimento de seca “Esecaflor” e do estudo liderado por Bittencourt com árvores gigantes do Amapá, o estudo de Esquivel-Muelbert pode sugerir uma mudança no olhar sobre o papel da Amazônia no ciclo do carbono.

“Quem estuda vegetação sabe que ela tem mecanismos de resistência a diversos fatores estressantes”, afirma. O cenário de colapso que domina as projeções vem, segundo ele, de modelos climatológicos que não levam em conta a fisiologia das árvores e de uma amostragem ampla da paisagem.

“Precisamos de mais estudos na escala local, para monitorar o que a vegetação está fazendo”.

Esquivel-Muelbert ressalta a necessidade de investimento de longo prazo, por vários países, nesse tipo de estudo. “Só vamos entender a dinâmica da floresta se continuarmos a fazer inventários detalhados”, avisa a pesquisadora, que considera os dados de longo prazo uma infraestrutura científica importante.

Ela ressalta também que experimentos são muito importantes para entender os mecanismos. Um deles é o AmazonFACE, que despejará CO₂ em trechos da floresta amazônica para medir a reação da vegetação. “Será que elas investem mais em frutos ou em crescimento?”, exemplifica a ecóloga. O primeiro pulso de emissão do gás, conta Bittencourt, deve acontecer em breve, com intenção de começar de fato o experimento no início de 2026.

“Talvez as árvores aumentem sua biomassa, talvez fiquem mais resistentes à seca por transpirarem menos, talvez já tenham atingido seu limite de aclimatação e não mudem nada”, propõe. Segundo ele, o mais empolgante do artigo da colega de Cambridge é que a observação na escala da bacia amazônica se encaixa perfeitamente nas percepções mais atuais.

A reportagem acima foi publicada com o título “Devoradoras de carbono” na edição impressa nº 357, de novembro de 2025.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp, escrito por Maria Guimarães