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Estudo comprova sustentabilidade do café da região das Matas de Rondônia

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Estudo inédito realizado pela Embrapa comprova a sustentabilidade da cafeicultura das Matas de Rondônia. Por meio do uso da geotecnologia e com o apoio de imagens de satélite, o trabalho registrou desmatamento zero em sete dos 15 municípios da região, entre os anos de 2020 e de 2023. Em toda a região, foram encontrados traços de retiradas de áreas florestais em menos de 1% da área total ocupada pela cafeicultura. O trabalho também demonstra que mais da metade dos territórios dos 15 municípios somados é coberto por florestas, o que totaliza 2,2 milhões de hectares com vegetação nativa. Leia o trabalho na íntegra aqui.

As plantações de café e as áreas florestais da região foram identificadas em um Sistema de Informações Geográficas (SIG). Líder do trabalho, o pesquisador da Embrapa Territorial  Carlos Ronquim explica que a equipe cruzou dados de fontes oficiais e utilizou imagens de satélite de alta resolução espacial como apoio para definir em polígonos como áreas agropecuárias e como florestas. “Então, comparamos os cenários de 2020 e de 2023 para observar avanços dos cafezais sobre áreas de floresta. É um trabalho inédito e muito aguardado pelos produtores locais”, conta o pesquisador. Acesse os mapas gerados aqui .



Foto: Fernando Wagner Malavazi

As Matas de Rondônia são responsáveis por mais da metade da produção de café de Rondônia. A produção regional está crescendo e buscando ampliar o mercado para o seu produto, um café especial. A região é o berço do “robusta amazônico”, a primeira variedade a receber selo de Indicação Geográfica de cafés canéforas sustentáveis no mundo. A bebida gerada pelo grão amazônico vem ganhando destaque em feiras e concursos nacionais e internacionais como uma das mais exóticas e interessantes do ponto de vista sensorial.

Amazônia aumenta pressão mundial pela sustentabilidade 

Segundo os Cafeicultores Associados da Região das Matas de Rondônia (Caferon), além do mercado brasileiro, o robusta amazônico é comercializado com países da América do Sul, Ásia e Europa. As negociações comerciais não são simples. Para expandir o mercado de compradores, os produtos agrícolas da Amazônia enfrentam pressão maior para comprovar a sustentabilidade do processo, como afirma Juan Travain, produtor rural e presidente da Caferon. “Sabíamos que uma cafeicultura da região era sustentável, mas não tínhamos essa comprovação com base na ciência. E o estudo demonstra isso. Esses dados precisam ganhar o mundo. Queremos divulgá-los em eventos de grande repercussão nacional e internacional”, informa.

O estudo também aponta fatores que podem ajudar a cadeia local a atender à demanda de novos mercados, sem iniciar as áreas de floresta. A cafeicultura da região vem aumentando a produtividade pela aplicação de tecnologias, e pode ainda ocupar as vastas áreas de pastagens, que representam 1,9 milhão de hectares, tamanho um pouco menor que metade de toda a área da região.

“Trabalharemos para ocupar essas áreas novamente, mas de uma maneira com mais sustentabilidade e pujança, por termos mais tecnologias. A Amazônia será um celeiro de café para o mundo, de maneira mais sustentável, obedecendo a todas as normas”,

ressalta Travain.

Equipe formada por representantes da Embrapa, Senar e da Caferon, conversou com um produtor indígena de café, em Cacoal, RO (abril/2024) – Foto: Arquivo Pessoal/Carlos Ronquim

Além da conservação ambiental por parte dos produtores, o estudo destaca a contribuição das reservas indígenas, que preservam e conservam grandes “blocos” de florestas nativas primárias num total de 1,2 milhão de hectares. Somadas, essas áreas de vegetação nativa chegam a 56% de todo o território das Matas de Rondônia, ou 2,2 milhões de hectares (ha).

Desafio para identificar plantações de café 

Identificar as plantações de café não foi tarefa fácil. Mesmo com o apoio de imagens de satélite de alta resolução espacial, não foi possível automatizar o reconhecimento dos cafeeiros, pois a maior concentração de pés encontra-se dentro de pequenas propriedades rurais, sendo confundidas com outras culturas, ou até mesmo com bordas de floresta .

Dos 37 mil imóveis rurais da região das Matas de Rondônia, declarados no Cadastro Ambiental Rural (CAR), menos de 9 mil se dedicam à cafeicultura, e, destes, 95% são pequenas propriedades familiares, com 3,5 ha cultivados com café, em mídia.

Ronquim qualifica o trabalho como árduo, exigindo o envolvimento de muitos técnicos, entre pesquisadores, analistas e bolsistas.

No vídeo abaixo, ele conta como a equipe venceu os desafios para identificar os cafeeiros dentro das pequenas propriedades rurais espalhadas pelo vasto território das Matas de Rondônia.

Política Pública

pesquisador da Embrapa Rondônia (SP) Enrique Alves , coautor do trabalho, relata que a cadeia local articulada com o governo do estado o lançamento de um programa de desmatamento zero vinculado à cafeicultura. Essa proposta de política pública pode ser considerada um dos primeiros resultados práticos do projeto. Ela toma por base a Lei nº 5.722/2024 , que tornou a qualidade sustentável e a valorização do robusta amazônico um patrimônio cultural e imaterial do estado de Rondônia.

“Queremos um programa não só para mitigar qualquer problema ambiental que tenha na cafeicultura, mas também para prevenir qualquer desmatamento”, reforça Alves. A proposta será apresentada às autoridades estaduais e representantes da cadeia de café entre os dias 9 e 10 de maio, em um evento em Cacoal (RO).

Projeto 

Plantação de café na Reserva Indígena Sete de Setembro, em Cacoal, RO. (abril/2024) – Foto: Arquivo Pessoal/Carlos Ronquim

O mapeamento do uso e ocupação da cafeicultura rondoniense integra as atividades do projeto CarbCafé Rondônia, liderado pela Embrapa Territorial, em parceria com a Embrapa Rondônia, a Caferon e o Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil, divisão de Rondônia (Sicoob-RO). A pesquisa também se propõe a levantar o carbono estocado no solo e nas plantações de café e a elaborar um inventário de carbono do cultivo do grão na região em um segundo momento.

*Com informações da Embrapa

Sistema conectado a satélite protege 98% das Terras Indígenas do país

A 705 Km da Terra, o Brasil tem olhos que zelam pela proteção de 98% das Terras Indígenas (TIs) do país, onde vivem 867,9 mil indígenas. Conectado ao satélite americano Landsat-8, o Centro de Monitoramento Remoto (CMR) da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em Brasília, monitora e analisa imagens e dados para combater desmatamentos, degradação, incêndios florestais e ocupação e uso criminosos em cerca de 600 TIs da Amazônia Legal. Com esse poderoso instrumento, a Funai planeja fazer mais sete processos de desintrusão em TIs, nos próximos doze meses.

De acordo com o órgão indigenista, o CMR foi fundamental para planejar e executar as ações nas Terras Alto Rio Guamá, em agosto de 2023, e em Apyterewa e Trincheira Bacajá, em novembro passado, todas no Pará. A vigilância do país nas TIs cobertas pelo CMR tem precisão de 15 metros e forma uma base de imagens e dados vetorizados, gerados de forma autônoma a partir de uma varredura espacial que ocorre a cada 16 dias.

“Considerando a dimensão das TIs, 1.086.950 km, o CMR tem sido capaz de proporcionar maior efetividade da política pública, com tomadas de decisões mais rápidas, assertivas e de menor custo para o Estado, sobretudo no planejamento e nas ações de segurança. Uma incursão que antes durava 30 dias, atualmente conseguimos efetivá-la em 15”, afirma a Presidente da Funai, Joenia Wapichana, destacando também que além de funcionarem como imensas barreiras contra o avanço do desmatamento, as TIs desempenham papel crucial na preservação da biodiversidade.

“Neste dia dos Povos Indígenas, 19 de abril, precisamos chamar atenção para a proteção dos territórios indígenas. Proteger as TIs é proteger a humanidade. Devido aos modos tradicionais de vida, essas terras são as mais conservadas, em comparação com qualquer outro tipo de ocupação do solo”, diz.

O sistema da Funai também utiliza dados públicos de instituições do país inteiro. São informações fidedignas que o Estado já produz e juntas fazem um emaranhado de conhecimentos gerados e analisados diariamente pela equipe do CMR. A ferramenta permite o cruzamento de informações de diferentes temas como jurisdição das TIs, município, bioma, limitações com Unidades de Conservação, Cadastro Ambiental Rural, áreas quilombolas, imóveis certificados públicos e privados, rodovias, faixas de fronteira, dados e planos de mineração e planos de gestão territorial e ambiental. Para o trabalho de campo, em muitas situações o órgão indigenista conta com o apoio do Incra, Ibama, órgãos estaduais do Meio Ambiente, Polícia Federal e Força Nacional.

“Conseguimos atuar de forma mais estratégica nos pontos mais sensíveis. Por exemplo, desde o início das desintrusões em Apyterewa e Trincheira Bacajá, o monitoramento nos mostra que nenhuma árvore foi derrubada nessas terras, ou seja, tivemos zero desmatamento”, comemora Thais Dias Gonçalves, mestre em Engenharia Florestal e coordenadora do CMR.

O CMR foi estruturado e mantido nos últimos nove anos pela Norte Energia, concessionária da Usina Hidrelétrica Belo Monte. A empresa destacou ainda 12 profissionais dedicados ao desenvolvimento do software, engenheiros e especialistas em infraestrutura de rede, cartografia e geoprocessamento. O sistema fica disponível em uma plataforma composta por um painel interativo de fácil compreensão para o usuário, onde é permitido gerar gráficos, tabelas e mapas de forma ágil e intuitiva.

“Nosso objetivo, para além das responsabilidades pela concessão de Belo Monte, foi ajudar a implantar algo que, de fato, pudesse contribuir de forma significativa para os Povos Indígenas e seus territórios, e consequentemente, com o trabalho da Funai e dos órgãos de segurança”, diz o Diretor-Presidente da Norte Energia, Paulo Roberto Pinto.

O CMR também espacializa uma importante rede de comunicação, fundamental para o fortalecimento das atividades de monitoramento das TIs e para estabelecer contatos com as unidades descentralizadas da Funai e em aldeias localizadas em áreas remotas da Amazônia Legal. São as antenas de comunicação via satélite (VSAT), o único meio de contato das comunidades e das equipes de servidores da Funai, em muitas regiões.

*Com informações da Funai

Abelhas são fonte de renda extra para agricultores familiares no Mato Grosso

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Responsáveis pelo trabalho de polinização das plantas, as abelhas são fundamentais para a manutenção da biodiversidade no planeta e também para a produção agrícola. Não é à toa que o mundo reconhece essa importância e comemora em 20 de maio o Dia Mundial da Abelha, data instituída pela ONU em 2017.

As abelhas são consideradas as principais polinizadoras de culturas agrícolas e o valor do trabalho delas e de outros animais polinizadores é estimado em US$ 42 bilhões no Brasil e em até US$ 577 bilhões no mundo, segundo a Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES).

Os benefícios ambientais e produtivos das abelhas começam a ser incentivados e fortalecidos na região de Canarana (MT), por meio do projeto Semêa, desenvolvido pela Fundação Bunge desde 2022. Na região, agricultores familiares assentados começaram a ter uma renda extra a partir da criação desses polinizadores e grandes produtores rurais colhem os benefícios de terem esses insetos em suas áreas de cultivo de soja e gergelim.

Segundo o zootecnista e consultor da Fundação Bunge em abelhas, Heber Luiz Pereira, no mundo existem cerca de 20 mil espécies. No Brasil é estimada a presença de 3 mil delas. Algumas culturas agrícolas como maçã, melão, melancia e maracujá dependem do trabalho realizado por elas para que haja produção.

“No caso da produção agrícola, as abelhas acabam levando ao aumento da produtividade de algumas culturas ao mesmo tempo em que se beneficiam da abundância das flores e de néctar no tempo da florada. É por isso que no Brasil, grande parte da produção de mel acaba existindo por conta dessa produção agrícola, como em áreas de eucalipto e laranja”, explica.

Renda para os pequenos, produtividade para os grandes produtores

Em Canarana (MT), a polinização assistida foi uma das atividades incentivadas pelo Semêa, levando em conta as características do território, o caráter ambiental das abelhas e também seu potencial para geração de renda para os agricultores familiares e pequenos produtores, tanto pela produção de mel, quanto pelo “aluguel” de caixas para grandes produtores de soja.

“Vimos que as abelhas seriam uma excelente alternativa para a região. Estudos da Embrapa mostram que o trabalho de polinização das abelhas pode aumentar em média 13% a 18% a produtividade da soja, por exemplo. Com isso, agricultores familiares de Canarana estão colocando caixas de abelhas em grandes propriedades de soja e gergelim da região, prestando serviço aos grandes produtores rurais e gerando mel para diversificação de renda”, explica Cláudia Calais, diretora-executiva da Fundação Bunge.

Por meio do projeto, a Fundação Bunge doou 160 caixas de abelhas e equipamentos de proteção individual (EPI) para 29 famílias de agricultores familiares e outras 160 caixas para pequenos produtores de grãos. Além dos equipamentos necessários, foi oferecida formação para que os agricultores trabalhassem corretamente com as abelhas, estabelecessem a cadeia produtiva do mel e começassem a ter renda com a atividade. O sucesso verificado no Mato Grosso fará o projeto ser expandido para outros estados brasileiros.

Até julho deste ano, a Fundação, em conjunto com o Instituto Federal do Mato Grosso (IFMT), oferece a formação “Apicultura: Manejo, Empregabilidade e Empreendedorismo” para 25 homens e mulheres com vivência no campo, ligados a agricultura familiar ou de comunidades indígenas. A formação prevê módulos técnicos e práticos de apicultura. O conteúdo programático conduzirá os alunos a geração de renda por meio da elaboração de Planos de Negócio ou Planos de Desenvolvimento Individual direcionados ao trabalho na cadeia apícola. O fechamento do curso acontecerá na FEICAN, a maior feira agropecuária da região de Canarana. Os alunos estarão em um estande organizado pela IFMT e Fundação Bunge e terão a oportunidade de apresentar seus aprendizados e prospectar oportunidades de negócio junto a outros produtores rurais.

Foto: Keiny Andrade

Onde tem abelha, tem conservação

De acordo com Calais, a escolha do incentivo da criação das abelhas e apoio na criação da cadeia produtiva do mel na região é estratégica do ponto de vista do fomento a uma agricultura regenerativa de baixo carbono, base do projeto Semêa.

“Para ter abelhas, é preciso ter corpos d’água limpos e floresta conservada. Além disso, os produtores precisam adotar algumas práticas mais sustentáveis do ponto de vista da produção agrícola, com a aplicação de defensivos agrícolas de forma direcionada e correta, conforme indicado nas bulas, em momentos do dia que não atrapalhem a polinização das abelhas. Tudo isso é fundamental para uma agricultura mais regenerativa e que queremos incentivar no projeto”, afirma a executiva.

Ana Assad, diretora-executiva da Associação Brasileira de Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A), explica que a convivência harmônica das abelhas em áreas de produção agrícola é possível, mediante um diálogo construtivo entre produtores rurais e apicultores. “Este é um trabalho de ganha a ganha, mas é preciso que haja um diálogo contínuo para a adoção das melhores técnicas de manejo para que as abelhas sejam conservadas. Os produtores precisam saber os locais exatos que as caixas de abelhas estão instaladas e os produtores rurais, tendo acesso a essas informações, precisam fazer um bom manejo na aplicação de defensivos agrícolas, como a não aplicação em momentos de florada”, afirma.

A diretora da A.B.E.L.H.A. explica ainda que outro ponto fundamental é que as abelhas tenham acesso a áreas com água, plantas nativas e culturas que forneçam alimentos durante todo o ano. “Todos ganham com as abelhas. É importante que haja a conscientização e educação sobre o papel fundamental que esses polinizadores exercem no ambiente”, explica.

A Fundação Bunge

A Fundação Bunge, entidade social da Bunge no Brasil, há mais de 60 anos atua para gerar impactos positivos na sociedade em territórios e setores estratégicos para a Bunge, fomentando a diversidade com promoção dos direitos humanos por meio da inclusão produtiva e do estímulo à economia de baixo carbono, estimulando a ciência e a preservação da memória.

A Fundação é o pilar social da Bunge, líder mundial no processamento de sementes oleaginosas e na produção e fornecimento de óleos e gorduras vegetais especiais, que tem como propósito conectar agricultores a consumidores para fornecer alimentos, nutrição animal e combustíveis essenciais para o mundo. A Fundação valoriza suas parcerias com os agricultores para melhorar a produtividade e a eficiência ambiental da agricultura em nossas cadeias de valor e para levar produtos de qualidade de onde eles crescem para onde são consumidos.

Ao mesmo tempo, colabora com nossos clientes para pensar e criar o futuro dos alimentos, desenvolvendo soluções personalizadas e inovadoras para atender às necessidades e tendências alimentares em evolução em todas as partes do mundo.

Mineração no Rio Madeira sob chamas enquanto o governo federal retarda adoção de políticas de incentivo à produção legalizada do setor

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Dragas atracadas no Rio Madeira próximo ao município de Autazes, no Amazonas, em 2021. Foto: Silas Laurentino

Por Osíris M. Araújo da Silva

A história se repete no rio Madeira, mais uma vez em Humaitá. Desta vez não como farsa, mas como fato recorrente, novo capítulo de uma ópera bufa na qual os vilões são operários da mineração acostumados a ver, indefesos, suas instalações depredadas, explodidas, incendiadas. Em represália, na última terça-feira, 14, invadiram a cidade para protestar contra a truculência da Polícia Federal que, em parceria com o Ibama, cumpriu mais uma etapa da Operação Febre do Fogo desencadeada no município do sul do Amazonas, a 590 km de Manaus.

Relatos de moradores dão conta de que os garimpeiros ocuparam a orla da cidade e bloquearam o trecho da rodovia BR-230 (Transamazônica) na tentativa de impedir a chegada de reforço policial e dificultar ações do Corpo de Bombeiros de combate ao fogo, ameaçando invadir o prédio da Funai e o campus da Universidade Estadual do Amazonas (UEA). As manifestações tiveram como ponto focal a defesa da legalização da atividade mineradora instalada na região a fim de que, em obediência à legislação brasileira do setor, poder ganhar a vida e manter suas famílias.

Dados do site Gov.br estimam que a Operação localizou, nesse trecho do Madeira, aproximadamente 50 balsas e equipamentos utilizados para a dragagem de ouro. Em revide, algumas dezenas de garimpeiros chegaram a ocupar parte da orla da cidade, atear fogo em pneus e ameaçar invadir prédios públicos. Solidária aos garimpeiros, o Município cancelou as festas programadas para celebração do 155º aniversário da cidade, que ocorreria nos dias 14 e 15. Em Nota pública assinada pelo prefeito Dedei Lobo (União Brasil), a Prefeitura criticou a operação, afirmando que cancelou as comemorações “em solidariedade às famílias diretamente atingidas”.

Contextualizando o problema: a produção, a distribuição, o comércio e o consumo de produtos minerais é regulada pelo Decreto-Lei Nº 227, de 28 de fevereiro de 1967 (mesma data do DL 288, criador da ZFM). No Art. 2º a lei define como atividades voltadas ao aproveitamento das substâncias minerais: I – Autorização e Concessão, quando depender de expedição de alvará de autorização do Ministro das Minas e Energia e decreto de concessão do Governo Federal; II – Licenciamento, quando depender de licença expedida em obediência a regulamentos administrativos locais e de registro do produtor no órgão próprio do Ministério da Fazenda; III-Matrícula, quando depender, exclusivamente, do registro do garimpeiro na Exatoria Federal do local da jazida; e IV – Monopolização, quando, em virtude de lei especial, depender de execução direta ou indireta do Governo Federal.

A regulação da atividade é de responsabilidade da Agência Nacional de Mineração – ANM – que substituiu o Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM -, uma autarquia federal criada pela Lei 13.575/2017, vinculada ao Ministério de Minas e Energia. A ANM tem por finalidade promover o planejamento e o fomento da exploração mineral e do aproveitamento dos recursos minerais e superintender as pesquisas geológicas, minerais e de tecnologia mineral, bem como assegurar, controlar e fiscalizar o exercício das atividades de mineração em todo o território nacional.

De outro lado, o Plano Nacional de Mineração 2030, lançado em 2011, é uma ferramenta estratégica para nortear as políticas de médio e longo prazo que possam contribuir para que o setor mineral seja um alicerce para o desenvolvimento sustentável do País. O PNM-2030 tem como base três diretrizes: governança pública, eficaz para promover o uso dos bens minerais extraídos no País no interesse nacional; agregação de valor e adensamento de conhecimento e sustentabilidade. É supostamente o primeiro Plano de longo prazo que contempla a primeira etapa de industrialização dos minérios: a transformação mineral.

Entre os principais objetivos do Plano destacam-se a consolidação do Marco Regulatório da Mineração e a ampliação do conhecimento geológico. Os objetivos estratégicos e as ações previstas no PNM-2030 são propostas para a implementação das políticas do MME e deverão ser devidamente monitorados. A elaboração do Plano resultou de estudos, reuniões e oficinas temáticas, coordenadas pelo MME e com uma abordagem integrada, reunindo informações, conhecimento e experiências, com mais de 400 participações. Essa publicação representa uma etapa importante para a formulação de políticas e planejamento do setor mineral.

Não obstante a fundamentação, objetivos e metas definidos no Marco Regulatório, até hoje o plano jaz nos escaninhos burocráticos de Brasília aguardando sinalizações ao setor visando a agregação de valor à indústria mineral. E desta forma, torná-lo pólo estratégico para o desenvolvimento nacional e da região amazônica. A publicação do Plano, efetivamente, representou uma etapa importante para a formulação de políticas públicas dirigida ao setor, até hoje, contudo, não implementadas. A razão maior da proliferação de atividades ilegais no território nacional. Cabe, por conseguinte, ao governo federal não destruir propriedades, ilegais ou não, e sim estabelecer regras claras para incentivar a produção mineral sustentável segundo as normas regulatórias já estabelecidas que efetivamente venham a induzir o setor, de imensas e incalculáveis potencialidades, a tornar-se um dos esteios do desenvolvimento brasileiro.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Dom Romualdo Antônio de Seixas, o Marquês de Santa Cruz

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

Romualdo Antônio de Seixas nasceu em Cametá/PA, em 1 de novembro de 1787, seus pais Francisco Justiniano de Seixas e dona Ângela de Souza Bittencourt, sobrinho de Dom Romualdo de Souza Coelho, oitavo Bispo do Estado do Pará.

Fez seus primeiros estudos no seminário de Belém sob os auspícios de seu tio, o Padre Romualdo de Souza Coelho que mais tarde viria a ser bispo do Pará e que também nascera na mesma cidade de Cametá. Estudou algum tempo no seminário em Lisboa, onde seu talento foi sobre modo apreciado.

Voltando para o Pará, lecionou no Seminário Latim, Retórica, Filosofia e Francês. Posteriormente, tornou-se deputado na Assembleia Geral Legislativo. Como deputado, apesar de ter nascido no Pará, foi defensor incansável na Campanha em prol da criação da província do Amazonas e seus discursos a esse respeito constam dos Anais do Parlamento Nacional, assunto sobre o qual se refere o historiador Arthur César Ferreira Reis, em sua obra História do Amazonas, afirmando que foi a primeira voz a se erguer em favor da criação da Província do Amazonas.

Rua Marquês de Santa Cruz em Manaus (AM), 1953. Autoria: Tibor Jablonsky; Lúcio de Castro Soares. Soares. Série: Acervo dos trabalhos geográficos de campo. Foto: Reprodução/Biblioteca IBGE

Com a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, em 1808, o Bispo do Pará Dom Manuel enviou o padre Manuel Evaristo de Brito Mendes e o Diácono Romualdo Antônio de Seixas para levar os cumprimentos ao Rei Dom João VI, em nome do Clero Paraense. Manuel e Romualdo voltaram a Belém com a nomeação de Cônegos da Sé Paraense e Cavaleiros da Real Ordem de Cristo.

Romualdo Antônio de Seixas foi ordenado presbítero em Belém, no dia 1 de novembro de 1810, por Dom Manuel de Almeida de Carvalho, em seguida, nomeado pároco de Cametá e posteriormente Vigário Capitular. O cônego Romualdo Antônio de Seixas presidiu a junta governativa da Província do Grão-Pará e Rio Negro entre 1821 a 1823. Recebeu de Dom Pedro I o Título de Pregador da Capela Imperial e a Grande Dignatária da Imperial Ordem da Rosa e de Dom Pedro I, por ocasião de sua coroação, em 18 de julho de 1841, a Grã-cruz da Imperial Ordem de Cristo.

Ainda no reinado de Dom Pedro I foi nomeado Arcebispo da Bahia, no dia 26 de outubro de 1826 e confirmado pelo Papa Leão XII, no dia 20 de maio de 1827.

Dom Romualdo Antônio de Seixas foi sagrado na Capela Imperial do Rio de Janeiro por Dom José Caetano da Silva Coutinho, estando presente o imperador e toda sua corte, em 1841, como único arcebispo do Brasil à época. A Província Eclesiástica de São Salvador da Bahia abrangia todo território brasileiro e todas as demais dioceses, inclusive, a do Rio de Janeiro que eram sufragâneas da Arquidiocese Metropolitana de Salvador. Presidiu a solenidade de sagração Dom Pedro II, Imperador do Brasil e dele recebeu a Grã-cruz da Imperial Ordem de Cristo. Recebeu o título de Conde de Santa Cruz, por Decreto Imperial de 2 de dezembro de 1858. Em 14 de março de 1860, foi nomeado Marques de Santa Cruz.

Dom Romualdo Antônio de Seixas pertenceu ao grupo de bispos ultramanos ou reformadores como Dom Antônio Ferreira Viçoso, de Mariana, Dom Antônio Joaquim de Melo, de São Paulo, Dom Antônio Macedo Costa, do Pará e Dom Vital de Oliveira, de Pernambuco.

Foi sócio da Academia de Monique, do Instituto da África em Paris, do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro, da Sociedade Real dos Antiquários do Norte e outras sociedades de ciências e letras. Correspondeu-se com Carl Frederich Philipp von Martius e Johann Baptist von Spix após manter contato pessoal quando da viagem destes à Amazônia. Ao regressarem a Europa, os naturalistas lhe enviaram de lá o diploma de sócio da Real Academia de Ciências de Monique.

Em Cametá, há uma escola com seu nome – Grupo Escolar Dom Romualdo de Seixas – a qual é a mais antiga da cidade. Em uma das ruas do Bairro de Cambuci, em São Paulo, tem o nome Rua Dom Romualdo de Seixas. Assim como em Belém do Pará, no Bairro de Umarizal.

Seus discursos parlamentares, seus sermões, suas cartas pastorais e outros escritos firmaram-lhe a reputação de sábio, assim no Brasil como na Europa.

No dia 25 de fevereiro de 1858, escreveu seu belo e comovente testamento o qual fez executores ou testamenteiros Raimundo Barroso de Souza, seu primo, Cônego José Joaquim da Fonseca Lima, cunhado, e Cônego José de Souza Lima.  

Marquez de Santa Cruz, Arcebispo da Bahia, primaz do Imperio do Brasil. Litografia em preto e branco. Galeria dos Brasileiros Ilustres, de Sébastien Auguste, Sisson, 1861. Imagem: Abrahim Baze/Acervo

Dom Romualdo Antônio de Seixas muito sofreu da parte de inimigos gratuitos que lhe invejavam o talento e a fama. Estes não o pouparam espalhando no Reino as mais repelentes calúnias. O prelado, entretanto, nobre e magnânimo a todos perdoou, incluindo em seu testamento esta declaração impressionante:

“… Perdôo de todo meu coração todas as calúnias, de que tenho sido objeto, sem exceção das que com inaudita injustiça se fez correr por todo o Império, de que eu tinha alcançado por meios simoníacos o arcebispado da Bahia. Reconheço-me como o mais miserável dos pecadores, mas, tomo por testemunha a Deus que me há de julgar, que não sou culpado de tão abominável delito. Nunca dei nenhum passo ou apliquei meio algum ainda indireto para conseguir esta alta dignidade, que certamente não merecia, nem jamais me tinha vindo a lembranças, pelo contrário tentei logo pedir escusa e, se o não o fiz foi movido pelosa conselhos de um sábio e respeitável prelado, mas quando chegou a Bula da confirmação, tendo já transpirado a referida atrocíssima calunia, resolvi-me então, ir pedir a Sua Majestade Imperador, que me dispensa-se de semelhante cargo, pois que ainda era tempo, mas ele não se dignou atender-me”. 

Antologia Nacional de Werneck

Dom Romualdo Antônio de Seixas é Patrono da Poltrona n. 46 do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas. Chorado pelo seu rebanho, faleceu no dia 29 de dezembro de 1860, em Salvador, aos 73 anos.

Fontes:
BAENA, Antônio Ladislau Monteiro (1782-1850). Compendio das eras da Província do Pará, Belém: Universidade Federal do Pará, 1969.
BLACK, Augusto Victorio Alves Sacramento. Dicionário Bibliográfico Brasileiro. Rio de Janeiro, 1883-1902.
COUTINHO, Afrânio; SOUZA, J. Galante de (dir.). Enciclopédia de Literatura Brasileira. 2. Ed. Ver. Ampl, atual. e Il. Sob a coordenação de Graça Coutinho e Rita Moutinho. São Paulo: Global; Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional e Academia Brasileira de Letras, 2001.
Guia Histórico e catálogo da Arquidiocese de Belém, 1982.
RAMOS, Alberto Gaudêncio. Cronologia eclesiástica do Pará. Belém: Falângola, 1985.
SILVA, Cândido da Costa e; AZZI, Riolando. Dois estudos sobre D. Romualdo Antônio de Seixas Arcebispo da Bahia. Salvador: CEB, UFBA, 1981. (Centro de Estudos Baianos). 

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Maior morcego das Américas é registrado por pesquisadores no Amapá

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Por ser grande, câmera não conseguiu enquadrar todo o ‘Vampyrum spectrum’ — Foto: Jennifer Barros/ Bat Conservation International

Um morcego da espécie Vampyrum spectrum, a maior encontrada nas Américas, foi fotografado por um grupo de pesquisadores em uma caverna no município de Tartarugalzinho, na região central do Amapá. A espécie é carnívora e pode atingir um metro de envergadura.

A pesquisa realiza um levantamento sobre as populações dos mamíferos voadores e estuda mecanismos de proteção de cavernas no estado.

De acordo com a bióloga Jennifer Barros, da ONG Bat Conservation International, a criação de mecanismos de proteção desses ambientes é fundamental para o equilíbrio do meio ambiente na Amazônia.

“Nós temos quatro espécies de morcegos ameaçadas aqui no Brasil, sendo que três estão ameaçadas porque são estritamente associadas a cavernas, que por sua vez são ameaçadas por conta de mineração e perturbações antrópicas”, explicou a bióloga.

Foram visitados ainda locais em Calçoene e em Mazagão. A caverna de Tartarugalzinho foi a que mais chamou a atenção dos cientistas, que identificaram no local uma grande colônia de morcegos insetívoros.

O levantamento tem apoio da Universidade Federal do Amapá (Unifap) do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) através do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (Cecav).

O pesquisador William Douglas Carvalho, integra uma rede de estudos da Unifap com as Universidad Autónoma de Madrid (UAM) e Universidad Complutense de Madrid (UCM). Ele analisa como os serviços ecossistêmicos fornecidos pelos morcegos podem contribuir para uma produção agrícola mais sustentável nos cerrados do Amapá.

“Os resultados de nosso projeto terão um impacto direto na conservação da biodiversidade das savanas do Amapá, ajudando a identificar caminhos colaborativos através dos quais cientistas da conservação, comunidades locais e o setor produtivo possam trabalhar em conjunto para beneficiar a biodiversidade”, explicou o pesquisador.

Para a captura dos animais, foram usadas redes de neblina. O grupo também constrói casas para os morcegos, o que pode contribuir com o controle de insetos.

“Nosso projeto é um dos primeiros a avaliar hotéis para morcegos na América Latina, sendo que o resultado também pode impactar a vida das pessoas dentro das cidades, já que morcegos também tem um enorme potencial para a supressão de populações de insetos que causam transmissão de doenças tropicais, como dengue, chikungunya e zika”, descreveu Carvalho.

Importância dos morcegos para os ecossistemas

Em todo mundo existem mais de 1.400 espécies. No Brasil já foram registradas 182 espécies que possuem uma variação de hábitos alimentares como: frugívoros, insetívoros, nectarívoros, e carnívoros que se alimentam de sapos e peixes.

A bióloga Jennifer Barros explicou que apenas 3 espécies se alimentam de sangue, mas boa parte das pessoas acreditam que todas as espécies são assim.

Jennifer destacou que os morcegos frugívoros, por exemplo, são fundamentais para a regeneração de florestas e atuam como dispersores de sementes.

Já os insetívoros substituem até pesticidas em lavouras agrícolas e ajudam a controlar a população de insetos nessas áreas.

Os morcegos polinizadores realizam os mesmos trabalhados que as abelhas. Entre os exemplos de plantas que são polinizadas estão o pequi e a planta da tequila, a Agave-azul.

*Por Rafael Aleixo, do g1 Amapá

Circuito das Artes e Rota ferroviária: opções históricas de museus em Porto Velho

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O Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC) mobiliza os museus do Brasil a promoverem atividades especiais durante a 22ª Semana Nacional do Museu, cujo dia é celebrado em 18 de maio. Os museus, memoriais e centros culturais são parte das opções turísticas de Porto Velho (RO) e compõem o Circuito das Artes e a Rota Cultural de ‘O Melhor de PVH – Terra de Bravos Pioneiros’, a campanha de turismo da Secretaria Municipal de Indústria, Comércio, Turismo e Trabalho (Semdestur).

Circuito das Artes

O Circuito das Artes reúne museus e teatros, espaços dedicados a exposições, espetáculos, poesia, artes plásticas, músicas e muito mais.

O Memorial Marechal Rondon, situado na Estrada do Santo Antônio, 4863 , bairro Triângulo, funciona de terça a domingo, das 10h às 16h. Em um local histórico, próximo ao antigo marco fronteiriço entre os estados do Amazonas e Mato Grosso, o memorial ilustra a trajetória do marechal Cândido Mariano Rondon, que foi um indigenista, pesquisador e trouxe linhas telegráficas à Amazônia. Todo o legado, além de itens originais e réplicas, estão disponíveis no memorial, que está ao lado da histórica Igreja de Santo Antônio de Pádua e tem vista para a Usina Hidrelétrica Santo Antônio.

Museu Internacional do Presépio fica dentro da Associação São Tiago Maior

Foto: Leandro Morais

Na zona Leste de Porto Velho está o Museu Internacional do Presépio, que conta com o maior presépio monumental do Brasil e o segundo do mundo, sendo o primeiro na Itália. O museu fica dentro da Associação São Tiago Maior, na rua Mané Garrincha, 3154, bairro Socialista, e funciona de terça a domingo, das 10h às 13h e das 15h às 20h. Para mais informações, ligue: (69) 3214-7443 ou (69) 99312-1501, ou acesse o perfil do instagram @museuinternacionalpresepio.

O centro da cidade também conta com vários pontos do Circuito das Artes, como o Centro Cultural e de Documentação Histórica Desembargador Hélio Fonseca, situado na avenida Rogério Weber, 2399, em frente à Praça das Caixas d’Água, funcionando de segunda a sexta, das 10h às 17h. O CCDH conta com documentos da época da construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), além de material histórico do Tribunal de Justiça de Rondônia. Atualmente, o CCDH está com a Exposição de Arte “Ser de Fibra”, do artista plástico Jan-Frits Obers, até o próximo dia 23 de maio. Mais informações no Instagram @ccdh_tjro.

O Museu do Complexo da EFMM possui quatro estações que contam com itens históricos
O recém-inaugurado Museu da EFMM, localizado no Complexo Madeira-Mamoré, na avenida Farqhuar, 5, funciona de quarta a sábado, das 10h às 18h, e aos domingos, das 10h às 16h. Para visitação é necessário retirar o ingresso gratuito no site, seja para visita guiada ou não guiada. O Museu possui quatro estações que contam com itens históricos da construção da ferrovia que deu origem à cidade de Porto Velho, além de obras de arte, fotografias, poesia e itens interativos.

Rota cultural

Ainda pelo centro da cidade, na Rota Cultural, está a Casa de Cultura Ivan Marrocos, que funciona de segunda a sexta, das 8h às 17h30. Ponto imponente próximo à Praça das Três Caixas d’Água, a casa de cultura recebe passeios escolares e visitantes de todo o Brasil. A Casa de Cultura Ivan Marrocos recebe até o dia 31 de maio a exposição de artesanato, no hall de entrada e no Quintal Carambola. A programação do local está sendo divulgada através do instagram @casadacultura.ivanmarrocos.

Foto: Wesley Pontes

*Com informações da Prefeitura de Porto Velho

Pará e Amazonas concentram mais startups e negócios inovadores, aponta mapeamento


 ​Composta por nove estados brasileiros, a Amazônia Legal possui uma grande diversidade de startups e negócios que atuam com foco em inovação. A fim de identificar insights relevantes sobre esse ecossistema, o Observatório Sebrae Startups analisou 646 empreendimentos já cadastrados na Plataforma Sebrae Startups e acaba de lançar o Mapeamento das Startups e Negócios Inovadores da Amazônia Legal.

Para realizar o levantamento, foram analisadas as startups inovadoras que possuem potencial de escalabilidade. Em relação ao estágio de maturidade, foram incluídas tanto as que estão na fase de ideação quanto aquelas que já podem se considerar empresas consolidadas – seja pelo critério de faturamento ou quantidade de funcionários -, mas que ainda se consideram startups ou negócios inovadores.

A Amazônia Legal é uma divisão geográfica e administrativa estabelecida pelo governo brasileiro nos anos 1950, com o objetivo de promover o desenvolvimento social e econômico dos estados que compõem a região amazônica. Segundo o estudo, o Pará lidera em número de startups e negócios inovadores, totalizando 147 e, correspondendo a 23% do total. Ele é seguido por Amazonas, com 116 desses empreendimentos (18%), e pelo estado do Maranhão, com 82 startups e negócios inovadores (13%). Os estados de Rondônia com 76, Amapá com 69, Acre com 64, Mato Grosso com 45, Tocantins com 28 e Roraima com 19 representam 46% do total de negócios mapeados.

Imagem: Reprodução/Sebrae Startup

Faturamento e segmentos de atuação

As informações sobre faturamento das startups e negócios inovadores se conectam com o estágio em que as empresas se encontram, sendo:]

“Sem faturamento” com 38% empresas em estágio inicial;
“Entre R$ 81 mil a R$ 360 mil” com 36,3% em crescimento intermediário;
“Entre R$ 360 mil e R$ 4,8 milhões” com 9% no topo, refletindo suas respectivas maturidades e contribuições para a economia.

Além desses, apenas 0,6% encontra-se na faixa entre R$ 4,8 milhões e R$ 300 milhões, enquanto que 16,1% não informou o faturamento.

Esses dados evidenciam a diversidade e a dinâmica do cenário desses empreendimentos, destacando seu percurso desde a concepção até o sucesso estabelecido.

Seguindo um panorama nacional, 39,6% dessas empresas consideradas trabalham atualmente com o modelo de negócio B2B , focados em vender os produtos para outras empresas e 32,5% no modelo B2B2C. Além disso, 34,8% das startups e negócios inovadores na Amazônia Legal estão na fase de obtenção de clientes e captação de investimentos, 68,3% são consideradas microempresas e grande parte atua nos segmentos de Alimentos e Bebidas, Agronegócio, Saúde e Bem-Estar e Impacto Socioambiental.

O mapeamento aponta que cerca de 9.8% das startups e negócios inovadores estão há 10 anos ou mais no mercado, enquanto aproximadamente 76,7% foram criadas nos últimos 5 anos. Esse cenário revela o crescimento do setor nos últimos anos na região.

Diversidade de gênero e faixa etária

Conforme identificado em diferentes estudos do Observatório Sebrae Startups, na Amazônia Legal ainda há uma disparidade entre gêneros na liderança das startups e negócios inovadores. São 61% de empresas que contam com homens como fundadores, enquanto apenas 33,4% possuem mulheres como fundadoras. Reforça-se a importância de buscar a equidade nos quadros societários, através de oportunidades e incentivo da participação das mulheres no ecossistema das startups e dos negócios inovadores.
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Já na análise da faixa etária dos sócios, o perfil é mais diversificado e dinâmico. A maioria (36%) está situada entre 41 e 55 anos, equilibrando experiência e criatividade. A presença significativa de sócios entre 31 e 40 anos (32,4%) e jovens de 21 a 30 anos (24,5%) contribui para expertise e inovação. Faixas acima de 56 anos com 5%, e até 20 anos com 2,2%, demonstram o potencial existente, que contribui com a colaboração intergeracional alinhada com a natureza progressista das startups e dos negócios inovadores.

Ecossistemas de inovação

Além dos dados coletados na plataforma Sebrae Startups, o estudo contemplou informações adquiridas nos últimos 3 anos com o Inova Amazônia, que é uma estratégia focada em fomentar, apoiar e desenvolver pequenos negócios, startups, empreendimentos e ideias inovadoras alinhadas à bioeconomia, que tenham como premissa a atuação direta ou indireta para preservação ou uso sustentável dos recursos da biodiversidade do bioma Amazônia. O programa tem como objetivo gerar novos negócios, agregar valor às empresas existentes e fortalecer o ecossistema de bioeconomia amazônico, por meio da inovação, da sustentabilidade e da conexão entre empreendedores da região e de outras localidades.

Além desta e outras iniciativas do Sebrae, que totalizam 29 em toda a Amazônia Legal, a região ainda conta com 13 centros de inovação, 9 aceleradoras, 22 núcleos de inovação tecnológica, 3 parques tecnológicos e 34 pré-incubadoras ou incubadoras.

“Esses dados somente reforçam os nossos pilares de atuação enquanto Sebrae, que são promover sustentabilidade, inclusão e inovação. Não há como inovar sem cuidar da vida e do meio ambiente ao qual pertencemos, por isso, precisamos sempre alinhar as áreas de sustentabilidade e inovação. Teremos, com isso, resultados significativos na diminuição das desigualdades. Tenho a certeza de que estamos sendo indutores de desenvolvimento do nosso país”, afirmou o presidente do Sebrae Nacional, Décio Lima.

Bruno Quick, diretor técnico do Sebrae acrescenta que o mapeamento serve como bússola para direcionar os esforços do Sebrae, maximizando seu impacto no desenvolvimento empreendedor da Amazônia Legal.

“Temos ainda muito a avançar na promoção de ações que possibilitem a floresta permanecer de pé, gerando riqueza e renda para a população. Com esses dados, podemos intensificar nossa atuação e atrair novas parcerias para que possamos alavancar ainda mais os negócios da região”, completou.

 Amazônia Legal

Essa área abrange cerca de 5.217.423 km², correspondendo a 59% do território brasileiro, e é caracterizada por limites territoriais definidos com base em considerações sociopolíticas, não exclusivamente geográficas. A Amazônia Legal foi delimitada para enfrentar os desafios econômicos, políticos e sociais compartilhados historicamente por esses estados, proporcionando uma estrutura para o planejamento e implementação de políticas públicas específicas. Sua extensão territorial incorpora não apenas o bioma Amazônia, mas também 37% do bioma Cerrado e 40% do Pantanal matogrossense.

Fábio Zanuzzi, diretor técnico do Sebrae em Santa Catarina, estado responsável pelo Polo de Referência em Startups, onde são conduzidas as pesquisas do Observatório, afirma que vem sendo desenvolvido um modelo para atuação sistêmica em startups, criando um ambiente propício para surgir soluções e negócios, desburocratizar políticas públicas, facilitar o acesso a investidores, fomentar a inovação e o empreendedorismo. “Uma das características marcantes do Polo de Referência em Startups é sua ampla rede de parceiros estratégicos, formada por grandes empresas, investidores, aceleradoras e instituições de ensino renomadas. Essa rede permite ao Polo conectar empresários a diversos assuntos importantes, como fundos de investimento, aspectos jurídicos, parcerias com universidades e monitoramento da maturidade”.

Para acessar o estudo completo e dados por estado, clique AQUI.

Peixe dorme? Comportamento do animal surpreende pescador em Rondônia

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Como cita o ditado popular: “para um bom pescador, meia isca basta”. Mas no caso de Anderson Guedes, nem de anzol precisou. O pescador esportivo rondoniense viralizou na internet ao registrar o momento em que pesca um peixe com as mãos.

As imagens mostram o peixe parado em uma parte rasa do rio. Anderson chega a falar: “olha só, um surubim dormindo“. Em seguida, ele se aproxima aos poucos e faz a primeira tentativa de capturar o animal, mas não consegue.

Na sequência, o peixe segue para outra parte do rio, ainda na margem, visivelmente na parte rasa. Na segunda tentativa, o pescador aproveita que o peixe está “de bobeira” e consegue pegar ele com as mãos.

Segundo Anderson, a aventura inédita aconteceu em setembro de 2023 em uma viagem que fizeram para uma pousada no estado do Amazonas. No entanto, o vídeo só foi postado em suas redes sociais no início desta semana.

Mas… peixe dorme?

Apesar do vídeo surpreender pela façanha de Anderson, o comportamento do peixe também chama atenção. Afinal, o peixe realmente estava dormindo? Aliás, peixes dormem? O pesquisador e especialista em diversidade e biogeografia de peixes de água doce, Fernando Dagosta, explica sobre o comportamentos do animal:

“Eles dormem, mas não da forma como a gente, mamíferos terrestres, faz. Eles abaixam o metabolismo, mas não têm pálpebras. Então eles não fecham o olho e não descansam da forma como nós descansamos. Eles ficam em alerta, embora estejam de repouso”.

E por que o peixe insistia em ficar na parte rasa da água? Segundo Dagosta, existem algumas possibilidades, uma delas é que ele estivesse apenas “tomando um banho de sol”.

“Embora eles [peixes] não tenham controle de sua própria temperatura corporal, eles têm comportamentos que fazem com que eles alterem a temperatura. Um peixe que quer se esquentar, por exemplo, tende a ir para águas rasas e ficar perto do sol. Então, nesse caso, esse peixe pode estar tomando um banho de sol”, exemplifica.

Outra possibilidade cogitada pelo pescador é que o peixe esteja apenas muito cansado. “Ele pode ter sido pescado, soltaram ele no raso e ele estava descansando”, comenta Dagosta.

*Por Emily Costa e Jaíne Quele Cruz, do g1 Rondônia

Casos de síndromes gripais crescem no Acre, informa Fiocruz

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O Acre aparece em situação de aumento nas tendências de curto e longo prazo em casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) – síndromes gripais – considerando a 19ª semana epidemiológica de 2024, entre 28 de abril a 4 de maio, segundo o Boletim InfoGripe, divulgado dia 16 de maio pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Segundo o estudo, se observa sinal de aumento dos novos casos semanais de SRAG na tendência de longo prazo, ou seja, nas últimas seis semanas, além de sinal de aumento a curto prazo, nas últimas três semanas. O cenário atual do aumento de SRAG no país, segundo o boletim, é decorrência fundamentalmente dos vírus sincicial respiratório (VSR), Influenza A e rinovírus.

Marcelo Gomes, coordenador do Boletim Infogripe, ressalta que a vacina e os cuidados são fundamentais pois, com a atual queda das temperaturas na região e a situação de vulnerabilidade em que a população se encontra, os quadros respiratórios podem se agravar.

“A vacina e os cuidados são fundamentais pois, com a atual queda das temperaturas na região e a situação de vulnerabilidade em que a população se encontra, os quadros respiratórios podem se agravar”, complementa.

Entre as capitais, 15 apresentam sinal de crescimento nos casos de SRAG. Entre elas, estão sete da Amazônia Legal:

Boa Vista (RR)
Cuiabá (MT)
Macapá (AP)
Manaus (AM)
Porto Velho (RO)
Rio Branco (AC)
São Luís (MA)

Acre aparece com tendência de crescimento nos casos de síndromes gripais, segundo Fiocruz. Foto: Reprodução/Fiocruz

“O indicador de longo prazo permite avaliação de tendência suavizando o efeito de eventuais oscilações entre semanas consecutivas, algo natural em dados de notificação. Já o indicador de curto prazo permite identificar, de forma oportuna, possíveis alterações no comportamento de longo prazo, mas que necessitam interpretação cautelosa à luz de eventuais oscilações”, complementa o relatório epidemiológico.

Cenário nacional

No cenário nacional, 16 unidades da federação apresentam sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo. Além do Acre, apresentam-se: Alagoas, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins.

“Referente ao ano epidemiológico 2024, já foram notificados 53.179 casos de SRAG, sendo 25.194 (47,4%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 19.434 (36,5%) negativos, e ao menos 5.645 (10,6%) aguardando resultado laboratorial […] dentre os casos positivos do ano corrente, 18,0% são Influenza A, 0,3% Influenza B, 39,6% vírus sincicial respiratório (VSR), e 29,5% SARS-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 27,6% Influenza A, 0,2% Influenza B, 56,8% vírus sincicial respiratório, e 5,1% SARS-CoV-2 (Covid-19)”, diz.

Emergência

O governo do Acre decretou situação de emergência em decorrência do aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave e da superlotação dos leitos de terapia intensiva. O documento foi publicado na última terça-feira (14) no Diário Oficial do Estado (DOE) e tem validade de 90 dias.

O documento, assinado pelo governador Gladson Cameli, enumerou que tomou a decisão baseada na “alta taxa de ocupação de leitos adultos em unidades de terapia intensiva nas unidades de saúde pública e rede privada”.

Além disto, a publicação diz ainda que a declaração de emergência é por conta da situação anormal vivenciada pelo estado, além do “aumento exponencial da procura por atendimento nas unidades estaduais de saúde, com grande número de queixas de sintomas gripais, e a gravidade dos casos identificados, os quais muitas vezes são submetidos a internação em leitos de terapia intensiva”.

*Com informações do g1 Acre