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Amapaense retrata Ilha de Santana em exposição no Carrossel do Louvre, em Paris

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Foto: Cris Guedes/Arquivo pessoal

Retratando as vivências dos moradores e a Ilha de Santana, região ribeirinha do Amapá, a artista Cris Guedes expõe dois quadros no Carrossel do Louvre, em Paris, nos dias 18, 19 e 20 de outubro.

A primeira obra retrata a Ilha e suas características. A região que fica próxima ao segundo município mais populoso do Amapá também ganha, nesta exposição, um documentário, o qual mostra o processo de criação do quadro.

Outro trabalho de Cris que vai estar disponível no Carrossel é um que expõe a rotina dos moradores da Ilha. Junto à primeira obra, a artista traça um paralelo sobre o lugar e as vivências das pessoas que vivem na Ilha. Este quadro também ganhou um documentário.

Para a artista, representar o Amapá em Paris é a realização de um sonho, principalmente porque ela está tratando sobre a sua terra natal num cenário mundial.

De acordo com o contrato assinado junto à organização da exposição, as obras só poderão ser vistas no evento. A ideia é manter a exclusividade do trabalho dos artistas.

Além disso, Cris deve participar do lançamento do livro Vivemos Arte, que reúne a biografia dos artistas selecionados para esta exposição.

Sobre a artista

Cris Guedes, tem 33 anos e se diz apaixonada por contar histórias através da arte. Atualmente, ela trabalha com pintura em paredes, quadros e pinturas em casamentos.

Além disso, a artista dá aulas de arte para crianças e tem um projeto social chamado “Criativando”, onde leva a arte para comunidades ribeirinhas e crianças carentes.

Esta é a segunda exposição internacional de Cris Guedes. A primeira ocorreu em abril, em Barcelona, na Espanha.

Ainda em Santana, a artista produziu um documentário sobre o Orfanato da Ilha de Santana, a produção conta com o depoimento de diversos moradores e deve ser inscrita em concursos de audio visual (veja documentário abaixo).

Documentário

No Amapá, a artista também é conhecida pelo documentário em homenagem à Fortaleza de São José de Macapá, ponto turístico da capital, localizado no centro da cidade.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

“Raríssimo”: vaca dá à luz trigêmeos em Rondônia

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Vaca dá à luz trigêmeos. Foto: Reprodução

O que era para ser uma gestação normal se tornou um evento raríssimo: uma vaca deu à luz três bezerros de uma só vez. O caso aconteceu na propriedade rural de Isabel Soares Lopes em Alvorada do Oeste (RO).

“Dois já é bem incomum e três então nem se fala né?”, relata a professora doutora Evelyn Rabelo, atuante no Departamento Acadêmico de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Rondônia com especialidade em reprodução animal.

Segundo a professora, o comum é que em bovino ocorra apenas uma ovulação. Em casos de inseminação artificial é possível fazer a manipulação hormonal e propiciar as ovulações múltiplas. No entanto, a vaca gerou os trigêmeos em um processo natural.

Isabel, dona da propriedade, contou que durante a sua rotina de ordenhar as vacas percebeu que um dos animais tinha nascido. Ele era mais pequeno que o normal, ”mas até aí tudo bem”.

No dia seguinte, pela manhã, ela foi novamente para ordenha e percebeu que outro bezerro tinha nascido, mas achou que ele era de outra vaca que também estava prenha. No entanto, o animal ainda não tinha dado à luz. Isso fez ela se preocupar, não com a vaca, mas com a sua saúde mental.

“Eu comecei a ficar preocupada comigo mesmo. Eu vi dois bezerrinhos, agora a vaca não criou, mas nem imaginei que podia ser gêmeo. Pensei: ‘meu Deus eu vou ter que consultar porque não estou normal'”, diz a produtora rural.

A situação foi comprovada pela presença do sobrinho de Isabel, que foi até o local ajudar.

Segundo a professora doutora Evelyn Rabelo, além do caso ser raro, outras situações incomuns podem ocorrer em gestações de gêmeos, como a “masculinização” da fêmea, caso os bezerros sejam de sexos diferentes.

“É uma patologia que a gente chama de freemartinismo. Enquanto os bezerros estão na mãe, pode ocorrer troca de células sanguíneas entre eles, troca de hormônios, e aí a gente pode ter o que a gente chama de ‘masculinização’ da fêmea. A fêmea não fica apta à reprodução, ela fica como se fosse um macho, mas com algumas características femininas”, relata.

Um exame deve ser feito quando os bezerros estiverem grandinhos, para que se comprove se existe ou não a patologia. Enquanto isso eles estão bem e saudáveis.

*Por Luciana Kuster e Mateus Santos, da Rede Amazônica RO

Editora especializada em mulheres indígenas de todo o Brasil: conheça a Pachamama

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Foto: Reprodução/Instagram – @alinerochedopachamama

Aline Pachamama tem se esforçado para ler o material que chega até ela por e-mail ou mensagem de texto. A escritora e pesquisadora com raízes na etnia Puri tem atravessado um período intenso de cirurgias oculares, devido a alguns problemas de visão. E embora sua condição atual requeira cuidados atenciosos, a rotina de editora de livros não foi drasticamente afetada: a vontade de se manter atuante e produzir literatura fala mais alto.

Historiadora de formação, Aline Pachamama é doutora em História Cultural pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), e sempre esteve envolvida em iniciativas para preservação e divulgação da cultura indígena.

Ao longo dos anos pôde acompanhar de perto, na universidade e fora dela, a produção de autoras indígenas, mas percebia que muitas delas não conseguiam publicar suas obras em grandes grupos editoriais. Para suprir esta demanda, Aline resolveu elaborar um projeto de editora para publicar novas vozes, e daí surgiu a Pachamama, no ano de 2016.

Em entrevista à Mongabay*, Aline ressaltou a necessidade de contar a história de seus ancestrais:

Pachamama, que em língua quíchua significa “Mãe Terra”, é um projeto que tem como foco a publicação de obras bilíngues com ênfase em literatura indígena. O nome da editora é uma homenagem à mãe, dona Jecy, uma artesã que trabalha com tecidos.

Aline e a mãe, Jecy, inspiração para a criação da editora. Foto: Alice Pachamama/Acervo pessoal

A editora é composta exclusivamente por mulheres – e se destacou no cenário literário brasileiro ao propor um modelo editorial que integra oralidade e memória dos povos originários por meio do texto e dos processos de escuta, fugindo das praxes do mercado editorial tradicional.

Para a historiadora Márcia Mura, autora da casa, a editora foi uma escolha coerente e natural na hora de publicar seu livro, Tecendo Memórias. “O livro é um recorte da minha tese de doutorado, que traz a questão da afirmação indígena e do fortalecimento cultural”, diz Márcia.

Coordenadora do coletivo Mura, em Porto Velho (RO), que realiza um trabalho de recuperação de memória e reconhecimento dos antepassados, Márcia acredita que o trabalho da editora é pioneiro por mobilizar uma grande rede de autoras indígenas de todo o país.

Aline concilia a produção de livros com o ativismo pela palavra. Em suas redes sociais, mantém um diálogo aberto com o público e vê com otimismo a circulação de ideias sobre os temas que lhe são caros, como a ecologia, a luta antirracista e a história dos povos originários.

Para a professora Shirlei Rodrigues, conselheira da editora, a Pachamama se diferencia de outras pequenas casas editoriais por carregar um projeto que ultrapassa a barreira editorial e assume uma luta política. Por “honrar a ancestralidade e o convite que faz a todas as pessoas para uma caminhada de valorização dos povos originários e das causas ambientais”, ela diz.

Com uma linha editorial eclética, a Pachamama publica de obras de não-ficção, como ensaios, a histórias e poesia. “Nós publicamos livros que não apenas documentam as tradições indígenas, mas que também valorizem as línguas originárias”, diz Aline. Um dos projetos mais importantes da editora foi seu primeiro lançamento, em 2016, Guerreiras: Mulheres Indígenas na Cidade, Mulheres Indígenas da Aldeia.

O livro surgiu da inquietação de Aline ao questionar onde estavam os indígenas na cidade do Rio de Janeiro. O livro, fruto de uma pesquisa que envolveu entrevistas com 13 indígenas de diferentes etnias, aborda as realidades de mulheres que viviam tanto em áreas urbanas quanto em aldeias.

Entre as etnias representadas no livro de estreia, estão Anambé, Guarani, Kayapó, Puri e Xavante. O trabalho, que foi concebido por meio de um edital, mostra como as experiências dessas mulheres em suas lutas e conquistas cotidianas têm a ver com a questão de território.

Alguns títulos do catálogo da editora Pachamama. Foto: Divulgação

Desafios

Para Shirlei, que é professora, a curadoria também é uma questão primordial. “A editora Pachamama requer uma mentoria bem criteriosa, pois apoia autoria de pessoas indígenas e negras que são comprometidas com esses movimentos.  É muito importante que promova a qualidade dos livros e do conteúdo. A Pachamama propõe a publicação de livros multilíngues que nos leva a refletir e se sensibilizar sobre as diversas etnias que estão no Brasil, no mundo”.

A iniciativa criou raízes e Aline fundou, em 2021, o Instituto Pachamama, que tem sede em Visconde de Mauá, no Rio de Janeiro, onde Aline mora. O instituto foi criado também para desenvolver o projeto Inhã Uchô, que busca reparar historicamente o povo Puri da Mantiqueira. Além de ser um espaço de resgate cultural, o local, que abriga também a editora, propõe um diálogo entre a ciência e as práticas ancestrais dos povos indígenas.

Em 2023, Aline Pachamama recebeu apoio da Faperj e do Instituto Serrapilheira por meio de uma chamada conjunta voltada para apoiar cientistas indígenas e negros. O projeto intitulado “Ecologia é Ciência, e nós, indígenas, a praticamos” foi contemplado na modalidade de apoio discricionário. A iniciativa tem como objetivo desenvolver projetos inovadores em ecologia e ciência, preservando memórias e práticas ancestrais do povo Puri.

Agora em outubro, Aline relançará o livro TAYNÔH no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo. Considerado o livro mais ambicioso da editora Pachamama por ter sido traduzido em 13 línguas, entre elas Guarani, Xavante e Puri, além da língua crioula falada em Guiné-Bissau, na África, a edição contempla traduções para espanhol, francês, inglês, italiano e português.

Além de trazer discussões sobre o meio ambiente, a autora destaca que o propósito do livro é promover a educação antirracista e a reparação linguística, estimulando o público, especialmente professores, a olhar para as línguas indígenas existentes no Brasil e na África.

“Queremos reconquistar territórios através da palavra”, diz Aline Pachamama, que reconhece que a produção literária no Brasil é cara e desafiadora, mas vê nos seus livros uma forma de manter viva a história e a ciência de seu povo. “O livro, para mim, é vivo”.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Mongabay, escrito por Matheus Lopes Quirino

Saiba quais foram as maiores vazantes do Rio Negro em Manaus

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Foto: Raffa Neddermeyer/Agência Brasil

Com registro de 12,11 metros em 9 de outubro, pelo Porto de Manaus, o Rio Negro na capital amazonense chegou ao menor nível em 122 anos de monitoramento até então. A cota é monitorada desde 1902.

O período mais crítico da estiagem do rio é entre agosto e outubro. O monitoramento do Serviço Geológico do Brasil (SGB) indica que cota tem descido cerca de 12 centímetros por dia. Porém, com ritmo acelerado, em 16 de setembro houve redução de 26 cm em 24 horas.

Após chegar aos 12,11 metros, o rio manteve o nível em 10 de outubro, segundo registros do Porto, sendo a primeira vez desde 28 de junho que o rio se mantém estável.

Em 2024, o Amazonas registrou pelo menos 750 mil pessoas impactadas pela seca de acordo com a Defesa Civil.

A demografia da PanAmazônia: quase 43 milhões de pessoas vivem na região

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Foto: Reprodução/Equador Viagens

Uma razão pela qual é possível ser otimista em relação ao futuro da PanAmazônia é que nenhum dos países precisa enfrentar uma explosão demográfica iminente. Esse não foi sempre o caso. Na década de 1970, as altas taxas de natalidade e as tradições católicas sugeriam que a América Latina estava enfrentando uma bomba-relógio demográfica. As populações nos países amazônicos estavam se expandindo de 2,4% a 3,5% ao ano, uma taxa que teria dobrado a sua população a cada vinte anos. Os esquemas de colonização das décadas de 1970 e 1980 foram concebidos, em parte, para criar uma válvula de escape para uma população em expansão.

Com exceção da Venezuela, o crescimento populacional nos países pan-amazônicos caiu para entre 1% e 0,5% ao ano, colocando-os em um grupo de países que inclui os Estados Unidos, o Canadá e a Espanha. O Brasil tem a taxa mais baixa, enquanto as mais altas são as do Equador e da Bolívia.

A Venezuela complicou esse panorama com sua implosão econômica, que levou à migração em massa de aproximadamente sete milhões de refugiados econômicos entre 2014 e 2023. A maioria foi reassentada na Colômbia, no Equador e no Peru, que apresentaram taxas de crescimento excepcionalmente altas durante esses anos.

O crescimento populacional da Pan-Amazônia, estratificado por país e período temporal. A mudança média anual mostra um pico nas décadas de 1980 e 1990. Dados obtidos de agências nacionais de estatística: Bolívia (INE); Brasil (IBGE); Colômbia (DANE); Equador (INEC); Guiana Francesa (INSEE); Guiana (BS); Peru (INEI); Suriname (ABS); Venezuela (INE).

Atualmente, as jurisdições da Pan-Amazônia abrigam aproximadamente 43 milhões de pessoas, contra 12 milhões em 1970. O crescimento ocorreu de forma progressiva, quase linear, mas houve um grande pico na década de 1980, quando os fluxos líquidos de entrada variavam de 100.000 a 300.000 imigrantes por ano. Se as tendências atuais continuarem, a Pan-Amazônia deverá ter uma população total de cerca de 60 milhões em 2050 e estabilizar-se em cerca de 65 milhões em 2100.

As taxas de natalidade na Amazônia são ligeiramente mais altas do que nas jurisdições não amazônicas, mas seguem as tendências nacionais com um atraso de cerca de vinte anos. Em comparação com outras regiões de florestas tropicais, esse é um cenário demográfico bastante moderado e deve ser um bom presságio para os ecossistemas naturais da Pan-Amazônia, bem como para as comunidades humanas que fazem dela seu lar.

Essas projeções presumem que não haverá outra migração em massa para a região; no entanto, o impacto da migração passada é evidente. Dados do Censo de 2010 do Brasil mostram que mais de três milhões de residentes da Amazônia Legal nasceram em uma das outras cinco macrorregiões. Por outro lado, menos de 400.000 cidadãos brasileiros nascidos na região Norte agora residem fora da mesma, e a maioria deles vive nos estados adjacentes de Mato Grosso e Goiás. No entanto, os dados do censo não abrangem os imigrantes de segunda geração, nem revelam os movimentos migratórios dentro da Amazônia. Talvez até dois terços da população da Amazônia brasileira se enquadrem nessas duas categorias.

Os povos indígenas representam cerca de 5% da população total, um dado que não inclui as comunidades Ribeirinhas/Ribereñas, que são descendentes de povos indígenas destribalizados, ou os Seringueiros, cujos antepassados eram os primeiros migrantes que buscavam meios de subsistência baseados na floresta, não muito diferente das comunidades indígenas.

Os defensores do meio ambiente e da causa social geralmente se referem a esses e a outros grupos semelhantes como “povos tradicionais” e frequentemente os incluem em iniciativas de políticas que buscam conservar os ecossistemas florestais naturais de forma justa e equitativa. O restante da população amazônica é composta por imigrantes ou descendentes de imigrantes que chegaram depois de 1960, e agora representam provavelmente cerca de oitenta por cento da população amazônica.

Em 1991, o local de nascimento da população da Amazônia Legal revela que os imigrantes vieram de todas as partes do Brasil. Rondônia tinha a maior proporção de imigrantes, enquanto o Amazonas tinha a maior proporção de habitantes nativos. No geral, a maior fonte de migrantes foi o Nordeste (painel inferior esquerdo); no entanto, essas estatísticas subestimam a contribuição dos nordestinos para a cultura amazônica, porque muitos residentes nativos são descendentes de imigrantes que vieram do Nordeste durante os dois booms da borracha. Fonte de dados: IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2023. Sistema IBGE de Recuperação Automática – SIDRA, Censo Demográfico.

“Uma tempestade perfeita na Amazônia” é um livro de Timothy Killeen que contém as opiniões e análises do autor. A segunda edição foi publicada pela editora britânica The White Horse em 2021, sob os termos de uma licença Creative Commons (licença CC BY 4.0).

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Mongabay, escrito por Timothy J. Killeen e com tradução de Lisete Correa

Vídeos ensinam a usar mapa interativo com informações sobre a rodovia BR-319

Foto: Orlando K Júnior

O Observatório BR-319 (OBR-319) produziu vídeos explicativos que ensinam como usar o mapa interativo com dados públicos sobre a rodovia BR-319. A ferramenta de pesquisa e monitoramento permite ativar camadas para visualização de todas as categorias de Áreas Protegidas na região de influência da estrada, além de pontos de desmatamento, focos de calor, entre outros. Os vídeos estão disponíveis no canal do Observatório BR-319 no Youtube.

A plataforma está organizada em cinco categorias principais:

  • interflúvio Madeira-Purus,
  • infraestrutura,
  • Áreas Protegidas e destinadas,
  • monitoramento
  • e ordenamento territorial.

Outro destaque da plataforma é a origem variada dos dados, que inclui fontes como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), entre outras instituições ligadas ao tema.

Imagem: Divulgação

Os mapas podem ser baixados em diferentes extensões, como CSV, GeoPackage, GeoJSON e KML, e os usuários ainda podem escolher o fundo do mapa entre Global Land Analysis & Discovery (GLAD) e Bing Satellite.

“Com esse sistema, o Observatório BR-319 dá um passo importante na transparência e no acesso a dados socioambientais, ajudando a sociedade a acompanhar as mudanças na região de forma precisa, interativa e instigante. Sendo que este se mostra um instrumento útil para todos interessados e envolvidos com a temática”, diz o secretário executivo do OBR-319, Marcelo da Silveira Rodrigues.

Até o momento, estão disponíveis três vídeos que apresentam o mapa interativo, mostram como visualizar as camadas e dados e falam sobre as fontes de dados.

Pipoca em Cena: projeto que ensina importância do cinema chega à 10ª edição; assista o documentário

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Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Quantas vezes você já se imaginou produzindo ou atuando em uma obra cinematográfica? Em Manaus (AM), o projeto Pipoca em Cena realiza essa atividade na prática com adolescente e chegou à sua 10ª edição em 2024.

Criado em 2015 com o objetivo de aproximar a sétima arte de um público que não tinha acesso à esse universo, o projeto ganhou novos ares quando passou a incluir as oficinas, ensinando na prática, todo o processo de criação necessário para essas produções.

O resultado? Mais de 50 curtas roteirizados, filmados e editados por alunos amazonenses no currículo e o crescimento da paixão pelo cinema.

O projeto ‘Pipoca em Cena’ é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM) e para celebrar a conclusão das oficinas, realiza sessões de exibição das produções dos estudantes com direito a pipoca e refrigerante e ainda exibição de obras da Globo Filmes.

Em 2024, foi realizado em setembro, e contou ainda com o apoio da Polícia Militar do Amazonas; Secretaria de Estado de Educação e Deporto Escolar (SEDUC); e o apoio da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC); Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SEC) e Governo do Amazonas.

Novenário em Cruzeiro do Sul, no Acre, passa por processo para reconhecimento de patrimônio histórico imaterial

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Novenário de Nossa Senhora da Glória. Foto: Marcos Vicentti/Secom AC

A Fundação Elias Mansour (FEM) deu início, no dia 1º de outubro, ao processo de reconhecimento para que o novenário de Nossa Senhora da Glória, que acontece todo início de agosto, em Cruzeiro do Sul (AC), seja considerado um patrimônio histórico imaterial do estado.

A historiadora da FEM, Iri Nobre, mediou as primeiras discussões com a comunidade local para iniciar o inventário para reconhecer a prática religiosa como patrimônio histórico do Acre.

O novenário da padroeira de Cruzeiro do Sul é um evento centenário, realizado no período de 05 a 15 de agosto há mais de 100 anos. A festa religiosa atrai milhares de fiéis, na segunda maior cidade do estado.

De acordo com a historiadora a iniciativa de reconhecer o novenário como patrimônio histórico partiu da própria comunidade local.

“O que nós vamos fazer enquanto patrimônio histórico do estado e Fundação de Cultura Elias Mansour é atender uma demanda que nos foi colocada pela própria comunidade da cidade e adjacências. Vamos registrar este que já é um bem cultural para que ele se torne um patrimônio cultural imaterial do Estado do Acre. Aí ele vai para a supervisão do Conselho Estadual de Patrimônio e eles vão avaliar esse dossiê que a gente está construindo durante todo esse processo e aí vão publicar no Diário Oficial”, explicou ela.

Os historiadores irão fazer estudos para levantar todas as informações do novenário, que é considerado como o segundo maior evento religioso da região norte. A expectativa é que o processo para reconhecimento como patrimônio histórico do estado seja concluído até o novenário de 2025.

*Por Mazinho Rogério e Hellen Monteiro, da Rede Amazônica AC

Pesquisadores mapeiam dispersão e evolução de planta ancestral que também é encontrada na Amazônia

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Imagem: Acervo dos pesquisadores

Em estudo publicado no periódico Annals of Botany, cientistas do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) traçaram, pela primeira vez, a história evolutiva completa do ancestral grupo de plantas Bocageeae, desde sua origem na África até sua dispersão por biomas neotropicais, nas Américas. Os resultados mostram que mamíferos e aves frugívoras foram os principais responsáveis por levá-las a regiões geograficamente separadas.

As plantas do grupo Bocageeae representam um exemplo ilustrativo de disjunção vegetal, como é conhecida a ocorrência de espécies vegetais em áreas independentes e distintas. Presente atualmente em diversas regiões neotropicais, sua distribuição exibe uma separação geográfica descontínua entre a África e as Américas – marcada pelo oceano Atlântico.

Para descobrir como a separação ocorreu, pesquisadores do IB-USP reconstruíram a filogenia dessas plantas em nível de espécie (70% das espécies foram amostradas), utilizando um conjunto de dados composto por 116 marcadores moleculares do núcleo, analisaram sequências de DNA e recriaram seus frutos antigos.

As plantas do grupo Bocageeae representam um exemplo ilustrativo de disjunção vegetal. Imagem: Acervo dos pesquisadores

As principais descobertas do estudo, financiado pela FAPESP por meio de três projetos, foram que as Bocageeae se originaram na África e na proto-Amazônia durante o Eoceno Inferior, com frutos grandes, de cores vivas (amarelo, vermelho, roxo, preto, laranja), poucas sementes grandes (uma a dez) e deiscentes (frutos que se abrem sozinhos para liberar as sementes). E que suas diferentes linhagens se espalharam por meio de interações com animais frugívoros (mamíferos, como os morcegos e elefantes, e aves) pelas regiões e biomas da América do Sul.

“A disjunção americana-africana ocorreu por dispersão por longa distância pela flora boreotropical [grupo de plantas que, acredita-se, formaram uma faixa de vegetação topical no hemisfério Norte durante o Eoceno], com duas separações de linhagem da Amazônia para a Mata Atlântica em diferentes tempos – a primeira há 21 milhões de anos e a segunda há 16 milhões de anos – e outra da Amazônia para o México e a América Central há 21 milhões de anos”, conta Jenifer Dantas, pesquisadora da Universidade Harvard (Estados Unidos) e do IB-USP, além de primeira autora do artigo.

A primeira divisão de linhagem deu origem a um clado exclusivamente Neotropical durante o Eoceno Médio, na proto-Amazônia. Inferiu-se que as transições em diferentes conjuntos de morfologias de frutos estão relacionadas a eventos de dispersão nas regiões/biomas da América do Sul.

Passado, presente e futuro

Pela importância do trabalho, Jenifer Dantas recebeu recentemente o prêmio “Jovens Talentos” da Comissão de Pesquisa e Inovação do IB-USP, para autores dos melhores artigos científicos publicados por estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado e pesquisadores de pós-doutorado, na categoria “Biodiversidade”.

“Estudos como este, de caráter integrativo, reunindo informações de áreas diversas, como ecologia, geologia, morfologia e biologia, entre outras, são fundamentais para entendermos o passado e nossas origens”, afirma Lúcia Lohmann, professora do Departamento de Botânica do IB-USP e orientadora do trabalho.

A investigação também contou com pesquisadores das universidades de Ghent (Bélgica), de Leiden (Países Baixos), de Montpellier (França), do Chile (Chile), Ohio Wesleyan (Estados Unidos) e do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (França). O grupo também foi apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Comitê de Pesquisa Europeu.

O artigo Dispersal from Africa to the Neotropics was followed by multiple transitions across Neotropical biomes facilitated by frugivores pode ser lido em: https://academic.oup.com/aob/article/133/5-6/659/7424320.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Julia Moióli

Soluções para a seca: como as PANC podem ajudar na agrofloresta

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Foto: Reprodução

O pesquisador e especialista nas Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC), Valdely Kinupp, tem buscado soluções práticas com PANC encontradas na Amazônia. Entre elas, algumas podem até mesmo ajudar a enfrentar a seca histórica que atinge o Amazonas e o Brasil.

Como o uso das folhas espinhentas de tucumã como adubo e aeradoras de solo, preparando o terreno para o cultivo da hortaliça-tuberosa ariá.

Confira: