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Desintrusão na Terra Indígena Munduruku, no Pará, impõe prejuízos ao garimpo ilegal

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Foto: Divulgação/Casa Civil

A primeira semana da Operação de Desintrusão da Terra Indígena (TI) Munduruku, localizada no Pará, gerou resultados no combate ao garimpo ilegal na região. O Governo Federal, responsável pela execução das ações, contabiliza 120 intervenções de segurança executadas, resultando em autuações, embargos e apreensão de mais de 100 mil litros de combustíveis.

Já foram aplicados R$ 4,4 milhões em multas, e o prejuízo direto ao garimpo ilegal ultrapassa R$ 32 milhões, com a inutilização de maquinário pesado e estruturas de apoio à atividade criminosa. Todas as ações ocorreram entre os dias 10 e 16 de novembro foram divulgadas pela Casa Civil da Presidência da República, pasta que coordenada a desintrusão, ou retirada de pessoas que ocupam uma área de forma ilegal, principalmente no caso de TIs.

A operação conta com a participação de diversos órgãos federais, incluindo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Força Nacional de Segurança, Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Ministério dos Povos Indígenas e Exército Brasileiro. Além disso, as agências reguladoras ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) também desempenham papéis cruciais.

O Censipam tem contribuído com monitoramento por satélite e análise de dados geoespaciais, ajudando a localizar áreas estratégicas de atuação. As ações incluem patrulhamento terrestre, aéreo e fluvial, com foco na inutilização de equipamentos e na desarticulação de redes logísticas que sustentam o garimpo ilegal. Um dos maiores desafios relatados é a capacidade dos garimpeiros de ocultar maquinário e combustível, o que exige aprimoramento contínuo das estratégias operacionais.

Divulgação/Casa Civil

Segurança Pública

Além do combate ao garimpo, a operação teve reflexos positivos na segurança pública. Em Jacareacanga, município que abriga quase que a totalidade da TI Munduruku, moradores relataram uma queda nos índices de crimes como tráfico de drogas e roubos, atribuída ao policiamento 24 horas realizado pela Força Nacional, com suporte da PF e PRF.

Próximos Passos

Com os primeiros resultados, a operação segue sem registros de ocorrências graves nos primeiros dias. O objetivo é manter o foco em proteger o território indígena e combater atividades ilegais. As lideranças envolvidas destacam a importância de medidas contínuas para garantir a segurança e a sustentabilidade da operação. O relatório também aponta para a necessidade de reforçar e ampliar a fiscalização em áreas próximas à Terra Indígena Munduruku.

A operação reforça o compromisso do Governo Federal em combater crimes ambientais e proteger comunidades indígenas, enquanto busca minimizar os impactos econômicos e sociais nas regiões afetadas.

*Com informações da Casa Civil

Em dois meses, mais de 400 focos de incêndio foram registrados no Amapá

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Foto: Rafael Aleixo/g1 Amapá

Foram registrados no Amapá 426 focos de incêndio em 13 munícipios no período de setembro a outubro de 2024. Da quantidade, 22 foram totalmente combatidos, segundo um levantamento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos (Ibama) divulgado no último dia 12.

Dos 426 focos registrados no estado, Mazagão foi o município que apresentou a maior porcentagem de concentração, já a capital foi a terceira. Veja:

  • Mazagão: 171 focos (40,1%)
  • Vitória do Jari: 53 focos (12,4%)
  • Macapá: 39 focos (9,2%)
  • Calçoene: 28 focos (6,6%)
  • Tartarugalzinho: 23 focos (5,4%)
  • Santana: 22 focos (5,2%)
  • Amapá: 13 focos (3,1%)
  • Laranjal do Jari: 9 focos (2,1%)
  • Pedra Branca do Amapari: 7 focos (1,6%)
  • Pracuúba: 7 focos (1,6%)
  • Ferreira Gomes: 5 focos (1,6%)
  • Porto Grande: 5 focos (1,2%)
  • Cutias: 1 foco (0,2%)

Dos municípios atingidos, o combate de focos foi registrado nos seguintes:

  • Laranjal do Jari : 1 foco combatido;
  • Tartarugalzinho: 6 focos combatidos;
  • Amapá: 15 focos combatidos .

Segundo a pesquisa, o combate em questão foi mapeado a partir do início do mês de novembro, registrados até o dia 10 do mesmo mês.

Dados são conforme levantamento do Ministério do Meio Ambiente, Ibama, Diretoria de Proteção Ambiental, Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais e a Coordenação estadual do Prevfogo-AP

Soluções de combate aos incêndios no Amapá

Uma iniciativa do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMbio) é o Sistema Vellozia, que mostra uma visão detalhada e estratégica de monitoramento das áreas florestais atingidas nas unidades de conservação federal.

O sistema apresenta dados relevantes sobre camadas de dados e autuações de infração, fornecendo informações aos gestores ambientais. E apresenta também uma precisão de análise espacial temporal das áreas que estão sendo diretamente impactadas pelas queimadas.

Além da proteção nacional, medidas estão sendo reforçadas no estado na busca do combate aos focos, como a Operação Amapá Verde. Outro fator que contribui para o aumento das queimadas em áreas florestais, é o período de intensa estiagem que enfrentam os 16 municípios do estado. O governo federal reconheceu situação de emergência nas cidades.

Dados da operação Amapá Verde

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Amapá (CBM) a operação iniciou no dia 1º de agosto de 2024 e segue até o mês de dezembro do mesmo ano com a mobilização de 760 bombeiros militares.

No ano de 2023, a operação iniciou em 16 de agosto. Este ano os serviços foram antecipados devido aos altos índices de incêndios registrados no ano passado.

“O início antecipado em 2024 foi uma resposta aos altos índices de incêndios registrados no ano anterior, com o objetivo de intensificar as ações preventivas e minimizar os impactos ambientais”, disse a sargento do Corpo de Bombeiros do Amapá, Gisele Brasil.

O CBM divulgou ainda que a operação conta com 13 bases avançadas para prevenção e combate nos municípios com maior incidência de incêndios. Quatro bases foram instaladas em locais que já possuem quartéis dos bombeiros. São eles:

  • Vitória do Jari;
  • Laranjal do Jari;
  • Porto Grande;
  • Oiapoque.

Outras 9 foram montadas em locais que não possuem os quartéis da corporação, que também possuem incidência das queimadas, incluindo a comunidade de tartarugalgrande. São:

  • Ferreira Gomes;
  • Mazagão;
  • Cutias;
  • Pedra Branca do Amapari;
  • Tartarugalzinho;
  • Amapá;
  • Itaubal;
  • Calçoene
  • Vitória do Jari

Os bombeiros informaram ainda que esse ano a prioridade foi a prevenção com 8.586 pessoas atendidas. O serviço foi reforçado com o nivelamento de 38 militares pela Força Nacional. De 1º de agosto até 13 de novembro, foram feitos:

  • 475 Combates;
  • 398 Prevenções;
  • 688 Monitoramentos.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Presidente dos EUA anuncia aporte ao Fundo Amazônia e diz deixar legado “forte” para Trump na área ambiental

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Foto: Alexandro Pereira/Rede Amazônica AM

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Joe Biden, anunciou o aporte de US$ 50 milhões ao Fundo Amazônia durante a visita a Manaus, no Amazonas, neste domingo (17). Em seu pronunciamento, Biden também reforçou que deixa um ‘legado forte’ para Donald Trump, que assume a presidência americana em 2025.

O anúncio foi feito durante a agenda do democrata no Museu da Amazônia (Musa), onde ele se reuniu com lideranças indígenas da Amazônia brasileira e cientistas. O novo investimento elevará o total de contribuições dos EUA ao Fundo Amazônia para US$ 100 milhões.

A doação está sujeita à aprovação do Congresso americano – agora de maioria republicana – e tem como objetivo acelerar os esforços globais para conservar terras e águas, proteger a biodiversidade e enfrentar a crise climática.

O aporte de mais US$ 50 milhões ao Fundo Amazônia foi o segundo anunciado pelo governo Biden. Em 2023, no começo do governo Lula, um primeiro repasse de US$ 50 milhões foi anunciado na retomada do fundo, que havia sido desativado durante o mandato de Jair Bolsonaro.

Os valores anunciados por Biden, porém, ainda estão longe da promessa de repassar US$ 500 milhões feita em abril de 2023.

Criado há 16 anos, o Fundo Amazônia reúne doações internacionais para financiar ações de redução de emissões provenientes da degradação florestal e do desmatamento, apoiar comunidades tradicionais e ONGs que atuam na região, além de fornecer recursos diretamente para estados e municípios para ações de combate ao desmatamento e a incêndios.

O presidente americano também anunciou que está lançando uma coalizão internacional para mobilizar, no mínimo, US$10 bilhões até 2030 para restaurar e proteger 20.000 milhas quadradas de terras. Ele também assinou uma proclamação designando o dia 17 de novembro como o Dia Internacional da Conservação.

 Foto: Alexandro Pereira/Rede Amazônica

Outras medidas anunciadas por Biden foram:

  • Emitir uma proclamação oficial para proteger a conservação da natureza no mundo inteiro.
  • Mobilizar, por meio da Corporação Financeira de Desenvolvimento, centenas de milhões de dólares em parceria com uma corporação brasileira para reflorestar a Amazônia.
  • Oferecer financiamento para lançar o Fundo das Florestas Tropicais, iniciativa do governo brasileiro.
  • Apoiar uma legislação que irá lançar uma nova fundação de conservação internacional, que irá utilizar fundos públicos para atrair bilhões de dólares em capital privado.
  • Ele reforçou estar deixando ‘uma base muito forte’ nas políticas climáticas para o sucessor Donald Trump.

“Estou saindo da presidência em janeiro e vou deixar ao meu sucessor uma base muito forte, se eles decidirem seguir esse caminho. Alguns podem negar ou atrasar a revolução de energia limpa que vem acontecendo nos EUA, mas ninguém pode revertê-la”, disse.

Ainda durante o pronunciamento, o presidente dos Estados Unidos enalteceu a região. Foi a primeira vez que um presidente em exercício dos Estados Unidos visitou a região da Amazônia brasileira, conforme a Casa Branca.

A visita de Biden à Amazônia ocorre dois meses antes do fim do mandato dele à frente da presidência dos EUA. A eleição do republicano Donald Trump no começo de novembro reacendeu as discussões sobre clima e meio ambiente. Como a maior economia do mundo e a segunda emissora de gases de efeito estufa, as decisões dos EUA têm impacto direto na luta global contra as mudanças climáticas.

Negacionista das mudanças climáticas, Trump usou o mote “Drill, baby, drill” (perfure, baby, perfure), sobre aumentar a exploração de petróleo do país, durante a campanha deste ano. Conhecido por sua postura de flexibilização regulatória e apoio ao setor de combustíveis fósseis, Trump promete tocar uma agenda antiambiental, o que preocupa especialistas

No seu primeiro mandato, Trump tirou os EUA do Acordo de Paris, pacto assinado pela comunidade internacional em 2015 para limitar o aquecimento global, e revogou mais de 100 regras ambientais, que impactaram nas emissões de gases de efeito estufa, um dos principais responsáveis pelo aquecimento global.

Foto: Daniele Branches/Rede Amazônica

Visita à Amazônia

Joe Biden desembarcou em Manaus por volta das 13h30 (horário de Brasília) e partiu por volta das 18h com destino ao Rio de Janeiro. Ele estava acompanhado da filha Ashley e da neta Natalie, segundo a agência de notícias AFP. A porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, também estava na comitiva.

Por volta das 14h, o democrata fez um passeio de helicóptero pela região. Ele foi escoltado por outros seis helicópteros da Força Aérea Americana. Por alguns minutos, Biden sobrevoou o Encontro das Águas, dos rios Negro e Solimões, a Reserva Florestal Adolpho Ducke e o Museu da Amazônia (Musa).

Depois, o presidente visitou o Musa, onde encontrou com os pesquisadores Henrique Pereira, do Instituto de Pesquisa da Amazônia (Inpa), Filippo Stampanoni, diretor geral do Museu, além da pesquisadora do Camila Ribas, também do Inpa, e Peter Fernandez, CEO da Mombak, empresa que negocia créditos de carbono.

No Museu, Biden fez uma trilha pela floresta. Ele também encontrou com lideranças indígenas dos povos Kokama, Xerente e Wapichana, que o aguardavam ao pé de uma Sumaúma – maior espécie de árvore encontrada na Amazônia que pode chegar a 50 metros de altura e viver cerca de 120 anos.

Biden também foi recebido pela embaixadora dos EUA no Brasil, Elizabeth Bagley, pelo governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil) e pelo prefeito de Manaus, David Almeida (Avante).

O climatologista brasileiro Carlos Nobre, referência há décadas nos estudos sobre os efeitos das mudanças climáticas na Amazônia, também acompanhou o presidente americano durante a visita.

Após a viagem a Manaus, o Biden seguiu para o Rio de Janeiro, onde participa da Cúpula dos Líderes do G20. No evento, ele deverá reforçar o papel dos EUA no incentivo ao crescimento econômico sustentável.

A Casa Branca anunciou a viagem do presidente no último dia 7 de novembro, detalhando que Biden visitaria Manaus e o Rio de Janeiro entre os dias 17 e 19. Antes de chegar ao Brasil, ele participou da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), realizada em Lima, no Peru.

*Por Juan Gabriel, da Rede Amazônia AM

Projeto de beneficiamento de castanha gera renda para extrativistas e indígenas de Mato Grosso

Silvio Bragança de Souza da ACCPAJ e Silvana Fuhr (consultora) mostrando os frutos da castanheira coletados na região. Foto: Vitória Lopes

O Programa REM MT apoia um projeto de fortalecimento da cadeia de valor da castanha, no município de Cotriguaçu, região noroeste de Mato Grosso. Desenvolvido pela Associação dos Coletores(as) de Castanha do Brasil do PA Juruena (ACCPAJ), o projeto recebeu um investimento de R$ 1,54 milhão e conta com a participação de 45 famílias associadas e indígenas do povo Rikbaktsa.  

Para estruturar a coleta e o beneficiamento de castanhas na região, foram realizadas diversas melhorias e aquisições, impactando diretamente o trabalho e a infraestrutura dos coletores. Dois barracões foram construídos na Aldeia Babaçuzal, do povo Rikbaktsa, que atuam diretamente na coleta das castanhas para beneficiamento. Os barracões serão utilizados para abrigar máquinas, equipamentos e para secagem das castanhas. E para facilitar a coleta, foram adquiridas cinco motocicletas, três quadriciclos com carretinha acoplada e barco com motor.

Os veículos otimizam o transporte das castanhas dentro da mata e auxiliam no escoamento da produção em locais que o acesso é realizado somente pela água, permitindo um transporte mais ágil e eficiente dos produtos ao longo dos rios, facilitando o acesso a áreas mais remotas e contribuindo para a expansão da distribuição, além de, melhorar as condições de trabalho dos coletores com o peso das castanhas.

O projeto investiu também na adequação da agroindústria, com aquisição de maquinários e equipamentos, visando tornar o local plenamente operacional, facilitando a estocagem e o processamento da castanha. No local, foi feita a instalação de uma rede de vapor da caldeira para a autoclave, que assegurará que os processos de esterilização e cozimento sejam realizados conforme os padrões exigidos. A agroindústria está em fase final de implantação, necessitando apenas de adequações para sua plena funcionalidade. 

Agroindústria para beneficiamento de castanhas está sendo finalizada em Cotriguaçu. Foto: Divulgação/Programa REM MT

Em parceria com a Associação Indígena Abanatsa (AIABA), as castanhas coletadas pelos indígenas e extrativistas serão processadas na agroindústria, com uma infraestrutura adequada. Os coletores de castanha da região ficam envolvidos praticamente o ano todo com a atividade, iniciada com a coleta entre novembro e dezembro, com pico nos meses de março, abril e maio, com uma atuação menos frequente até o mês de setembro. O volume colhido anualmente é de cerca de 160 mil kg.

O projeto apoiado pelo Programa REM MT também visa aumentar o engajamento das mulheres e jovens, especialmente na fase de industrialização. Atualmente, a receita das associações ACCPAJ e AIABA provém majoritariamente da venda de castanha não processada. Por meio do projeto será possível agregar valor ao produto, melhorar sua qualidade e aumentar sua vida útil, além de garantir maior segurança no transporte e comercialização.

Foi realizado um curso de associativismo e cooperativismo aos extrativistas e indígenas, fortalecendo a coesão entre os membros da ACCPAJ e AIABA, aumentando o conhecimento sobre responsabilidades e direitos. No curso, foram introduzidas técnicas e conceitos de gestão para melhoria da administração de ambas associações. O projeto promoveu também a capacitação técnica para os coletores em boas práticas de coleta de castanha.

Segundo o coordenador do projeto, Silvio José Bragança de Souza, a iniciativa vai além do beneficiamento da castanha: “O intuito é agregar valor à matéria-prima, melhorar a remuneração dos coletores e criar um ciclo sustentável onde tanto os coletores quanto os proprietários de áreas de manejo possam se beneficiar economicamente, sem a necessidade de desmatamento. Assim, mantemos a floresta em pé”.

Indígenas do povo Rikbaktsa, na Aldeia Babaçuzal, também são beneficiados com o projeto apoiado pelo Programa REM MT. Foto: Priscila Soares/Programa REM MT

Atualmente, o projeto beneficia diretamente 45 famílias, associadas da ACCPAJ, além dos coletores indígenas da aldeia Babaçuzal e há uma expectativa de ampliação do número de beneficiários com a finalização da agroindústria. 

O apoio do Programa REM MT em projetos como esse fortalece o trabalho das comunidades que sobrevivem da floresta. “O projeto do REM MT fez uma diferença enorme, especialmente no apoio direto às comunidades e associações. É por meio de iniciativas como essa que conseguimos recursos capazes de transformar a realidade das pessoas que vivem e dependem da floresta. Acredito que projetos como esse são essenciais para garantir que nossa floresta continue preservada e de pé”, finaliza Silvio. 

*Com informações do Programa REM MT

Atlético Rio Negro Clube: museu mostra o sonho de garotos que se fez realidade

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Rio Negro, Manaus, 1947. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br 

O torcedor Rio Negrino que tiver interesse em conhecer a história de um dos mais importantes clubes sociais e esportivos do Amazonas é só visitar o museu lá instalado. São mais de três mil e oitocentas pecas (3,8 mil), entre manuscritos, documentos, fotografias, livros de atas, troféus, medalhas, móveis, reportagens de jornais, revistas e até objetos pessoais de atletas que ajudaram a construir, com sua participação, os momentos de glória do clube que, desde sua fundação, marcou um período importante da história esportiva no Amazonas. O museu foi inaugurado em 13 de novembro de 1993 e recebeu o nome de um antigo diretor: Rubens Samuel Benzecry, em homenagem póstuma a esse diretor.

Resultado de 15 anos de pesquisa levantando, recuperando e restaurando objetos, o clube preservou seu acervo. Todas as peças e objetos ali encontrados têm uma história ligando personagens que participaram do clube.

O Atlético Rio Negro Clube têm sua história intimamente ligada ao futebol. Foi fundado no dia 13 de novembro de 1913, na casa da família Nascimento, na Rua Henrique Martins, hoje Lauro Cavalcante, sonho de um grupo de jovens adolescentes que gostavam de se reunir para jogar futebol. O idealizador do clube foi Schinda Uchôa, à época com 16 anos. No decorrer dos anos, Schinda Uchôa (na época residindo na cidade do Rio de Janeiro) retornou a Manaus para receber o título de Presidente de Honra do Clube.

Porém, o passo importante para sua fundação foi dado por outro fundador: Manoel Affonso do Nascimento, que cedeu o porão de sua residência para a fundação da agremiação. Edgar Lobão, o mais velho do grupo com 19 anos, foi o primeiro presidente do clube. O pai de Manoel Affonso do Nascimento, Paulo Ferreira do Nascimento, entrega as taças de cristal bacará de propriedade da família, para brindar com vinho do Porto a criação do clube.

Nasce assim, desta forma, a festa mais tradicional do clube, o ‘Porto de Honra’, que tradicionalmente foi executado sempre no dia do aniversário do clube. A família Nascimento é a maior responsável pelo surgimento da agremiação, sendo que, a matriarca Maria Affonso do Nascimento foi sua eterna madrinha. Foi ela que contribuiu com o suporte para que o Clube fosse fundado. Foi nesse mesmo dia que Maria Affonso do Nascimento presenteou na pessoa de seu filho Manoel Affonso do  Nascimento um broche de brilhante que lhe pertencia, o que era vendido um a um dos brilhantes para comprar os primeiros equipamentos que eram importados da Inglaterra.

Esquerda: Edgar Lobão, fundador e primeiro presidente do Rio Negro. Direita: Shinda Uchôa, idealizador. Fotos: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Mas é o esporte o principal motivo da existência e manutenção do clube e é, sobretudo, a ele que se refere a maior parte das peças do museu do Rio Negro. Histórias de títulos, pioneirismo, de craques e figuras intimamente ligadas ao clube. Um fantástico acervo, dificilmente encontrado em outro clube de futebol. Memórias registradas com detalhes reveladores uma verdadeira viagem ao passado de uma cidade encravada em plena floresta amazônica.

O voleibol surgiu no Amazonas através do Atlético Rio Negro Clube. Em 1928 os atletas Ésio, Heitor, Lúcio, Edwuino, Euclides e Arhtur formaram o primeiro time de voleibol do clube. Em 30 de dezembro de 1930 o esporte já estava consolidado e conquista o Campeonato Norte/Nordeste em Recife. O Clube foi campeão da taça Luiz Martins, com os seguintes atletas: Augusto Brito, Jacob Melo, Januário Nóbrega, Agnaldo, Renato Sá de Andrade e Humberto Ponzi. Figuras importantes do cenário político do Amazonas foram atletas de voleibol do Rio Negro: Arthur Virgílio Filho, Leopoldo Amorim da Silva Neves (pudico) e Adalberto Ferreira do Vale, este destacou-se no time do Santos em São Paulo.

O clube também teve tradição em regatas, sendo campeão desse esporte em 1922. A competição se deu na baía do Rio Negro, foi em comemoração ao primeiro século de imigração francesa para o Estado do Amazonas, patrocinada pelo Consulado da França em Manaus.

Porém é o futebol que tem o maior número de recordações. A foto do primeiro time campeão amazonense de 1921 têm lugar especial. Antes disso, não havia campeonato estadual, os times se enfrentavam entre si, em torneios de onde saia os campeões.

O primeiro campeonato amazonense de tênis de quadra também foi realizado pelo Atlético Rio Negro Clube sob o patrocínio da Federação Amazonense de Desportos Atléticos (FADA), em 1949, ocasião em que o clube foi campeão.

Waldir Oliveira, Atlas Barbosa, Jaias Reis Filho, Francisco Torquato Ribeiro, Domingos Carvalho Leal, Arthur Virgilio Filho. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

O Atlético Rio Negro Clube também foi o único clube amazonense, cujo um diretor seu foi presidente de um clube nacional. Hilton Gonçalves, seu ex-diretor de esporte, foi presidente do Flamengo de 1946 à 1947 e de 1957 à 1960. A carta de renúncia dele para o Rio Negro encontra-se na parede do Museu, junto a uma carta do ex-presidente do Flamengo, Augusto Veloso.

Esportes Olímpicos nasceram no clube

Na área de esporte de competição, o Rio Negro manteve equipes de handebol (infanto-juvenil, juvenil, júnior e adulto) nos naipes masculinos e femininos. Natação (mirim, petiz e sênior). Triathlon, voleibol, (infantil, juvenil, infanto-juvenil e adulto) masculino e feminino. Futebol (infantil, juvenil, júnior e profissional), futebol feminino de campo e de areia, além do basquete. O primeiro título de beisebol foi conquistado em 1920 e de Esgrima em 1923, o basquete em 1931 e o tênis de mesa em 1940.

No futebol profissional começou a conquista em 1921 seguindo-se nos anos 1923, em 1927, 1931, 1932, 1938, 1940, 1941 e 1943. Em 1945 à 1959 o clube ficou afastado do futebol. O próximo título veio em 1962, 1965, 1968, 1971, 1974, 1975, 1977, 1979, 1981, 1982 e 1985. O Rio Negro foi Tetra Campeão Amazonense nos anos de 1977, 1988, 1989 e 1990, data em que encerramos a pesquisa.

Quem não conhece a história da Miss amazonas, Miss Brasil e Vice Miss Universo, Terezinha Morango. Mas não é só Terezinha Morango que merece destaque, tais como: Edna Frazão Ribeiro, a primeira Miss Amazonas pelo clube, em 1929. Com destaque também para Maria Amália, que também conquistou o título estadual pelo clube em 1949, finalmente Ane César, a última Miss Amazonas, candidata pelo clube, em 1987.

Campeão 1938. Em pé, da esquerda para a direita: Babé, Bezerra Waldir, Cláudio, Benjamin, Lê. Ajoelhados: Nilo facdinha, Zuiith, Waldemar, Shildebranda, Zeca Sena, Amandio, João liberal, “técnico”. Sentados: Meireles, Atlas, Yano e Amancio. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

O Atlético Rio Negro Clube também têm tradição na vida cultural, uma vez que grandes escritores que foram membros do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas e da Academia Amazonense de Letras foram diretores, tais como: Genesino Braga, Álvaro Maia, Manoel Bastos Lira, Arlindo Porto, Moacir de Andrade, Aristophano Antony, Max Carpenthier, Robério Braga, Jurandir Batista de Sales, Gebes Medeiros e tantos outros nomes.
 
Matéria publicada no Portal Amazônia em 18 de agosto de 1997.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Amapá lidera ranking nacional com taxa zero de desmatamento em 2024, aponta Inpe

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Foto: Israel Cardoso/GEA

Dados recentes do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), confirmam que o Amapá é o único estado da Amazônia Legal a alcançar taxa de desmatamento zero.

O Amapá, que será subsede da COP 30, se consolida como líder em conservação ambiental da Amazônia Legal, mantendo a menor taxa de incremento de desmatamento acumulado dos últimos anos. Esse resultado expressivo foi registrado entre julho de 2023 e agosto de 2024, um marco para a preservação dos ecossistemas florestais do estado.

Foto: Israel Cardoso/GEA

A conquista do Amapá é resultado de um esforço integrado e colaborativo entre diversas instituições ambientais, como a Sema, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que atua nas Unidades de Conservação e pesquisas como nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Iratapuru; a Delegacia Especializada em Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), que combate garimpos ilegais; e o Batalhão Ambiental da Polícia Militar, com atuação conjunta na proteção das florestas e da biodiversidade local.

O diretor de Desenvolvimento Ambiental da Sema, Marcos Almeida, explica que os dados refletem um modelo de gestão ambiental pautado em práticas de produção sustentável de floresta em pé e na integração de esforços de fiscalização. 

Território preservado

Com cerca de 73,5% de seu território sob proteção ambiental, incluindo unidades de conservação, terras indígenas e quilombolas, o Amapá abriga um dos maiores percentuais de áreas protegidas do Brasil. Essas áreas somam aproximadamente 9,3 milhões de hectares dos 14,3 milhões que compõem o estado, reforçando seu papel na preservação da Amazônia. Atualmente, o estado conta com 21 Unidades de Conservação (UCs), que promovem um modelo de desenvolvimento sustentável.

*Com informações da Agência Amapá

COP29, o mundo, cansado de fracassos, muito espera de Baku, Azerbaijão

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A COP29 teve início nesta segunda-feira, 11 de novembro, em Baku, no Azerbaijão. Foto: Divulgação/COP29

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O festival de COPs continua “não” produzindo os resultados planejados. Planejados, diga-se, não se sabe por quem nem, precisamente, onde. A menos em relação a beneficiários diretos; no caso, uns poucos, as ONGs (Organizações não Governamentais), sobretudo as estrangeiras apoiadas por grandes interesses corporativos cuja magna estratégia é ter o mundo sub ou em desenvolvimento subordinado a seus tentáculos. Com a promessa de ser a “COP da implementação” do histórico ‘Acordo de Paris da Natureza’ – adotado em 2015 durante a 21ª Conferência das Partes (COP21), na capital francesa, e assinado por 196 países, incluindo o Brasil a 16ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP16), levada a efeito em Cali, Colômbia, no período de 21 de outubro a 1º de novembro, chegou ao final na mesma situação das anteriores. Zero de avanços objetivos.

Durante a COP15, que se realizou no período de 7 a 18 de dezembro de 2022, em Montreal, no Canadá, os países assinaram outro acordo que incluía metas para proteger 30% das terras e mares para a natureza, reformar bilhões de dólares em subsídios prejudiciais ao meio ambiente e reduzir o uso de pesticidas. O resultado mais expressivo materializou-se na adoção do Marco Global de Biodiversidade Kunming-Montreal (GBF, na sigla em inglês), que tem como objetivo enfrentar a perda da biodiversidade, restaurar ecossistemas e proteger os direitos indígenas. No entanto, apenas 25 nações fizeram o dever de casa. Os outros 170 países signatários – quase 80% do total, o Brasil entre eles – até agora não apresentaram seus planos para deter a destruição dos ecossistemas da Terra, ao que mostra uma investigação conjunta feita por Carbon Brief e Guardian.

Na construção do Marco Global chegou-se à estimativa de que seriam necessários ao menos US$ 700 bilhões por ano até 2030 para interromper a perda da biodiversidade e iniciar um processo de regeneração dos biomas agredidos. A maior parte desse valor, US$ 500 bilhões, viria do fim de subsídios a atividades responsáveis por impactos negativos na natureza. Quanto aos outros US$ 200 bilhões ainda continuam sem acordo definido quanto à sua operacionalização. Os países ricos concordaram, na COP15, em mobilizar para as economias em desenvolvimento não mais que US$ 20 bilhões anuais a partir de 2025 e aumentar esse valor para US$ 30 bilhões a partir de 2030. Mesmo o conceito de “perdas e danos”, que se refere aos “impactos das mudanças climáticas que não podem ser evitados ou mitigados”, não chegaram a termos práticos e objetivos

Durante a COP28, em 2023, o governo dos Emirados Árabes Unidos, então na presidência da Conferência, liderou o esforço para aportar recursos ao programa. Até maio de 2024, contudo, o fundo havia arrecadado apenas US$ 660 milhões, um montante muito aquém das necessidades crescentes dos países mais vulneráveis. Na COP 29, que se realiza em Baku, Azerbaijão, de 11 a 22 do mês em curso, a ONU, governos e entidades multilaterais confiam que “detalhes sobre sua operacionalização sejam discutidos realisticamente e que haja um compromisso mais claro dos países desenvolvidos em fornecer apoio financeiro e técnico a países afetados por danos ambientais de alto impacto”. Cuidados com a natureza, preservação ambiental e desenvolvimento, no geral intimamente relacionados são potenciais geradores de conflitos, “especialmente quando entra em jogo aspectos relacionados à variação climática, degelo dos polos, nível dos oceanos, desmatamento predatório, queimadas, desertificação, enchentes, secas, poluição de rios, lagos e oceanos”.

No caso particular da Amazônia, não só por questões alusivas aos diferentes graus de desmatamento e queimadas registrados nas últimas décadas, a região tem sido alvo frequente de pressões externas multiformes sem, contudo, chegar a conclusões operacionalmente exequíveis no combate às perdas ambientais que, entretanto, avançam em magnitudes inimagináveis desde a COP1, realizada em Berlim, Alemanha, 1995, ou, antes ainda, à ECO-92, a Cúpula da Terra, como ficou conhecida a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro entre os dias 3 e 14 de junho de 1992. Convenção que reuniu chefes de Estado e representantes de 179 países, organismos internacionais, milhares de organizações não governamentais e contou também com a participação direta da população, aceita internacionalmente como um marco nas discussões sobre a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

COP29: Funai defende que terras indígenas devem ser protegidas e receber financiamento climático

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Foto: Lohana Chaves/Funai

As terras indígenas devem receber financiamento climático condizente com os esforços dos povos indígenas para a proteção e preservação do meio ambiente. Foi o que defendeu a presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, na COP29, durante participação em evento a convite do Instituto Talanoa e da organização de advogados de mudanças climáticas na América Latina, LACLIMA.

O evento, realizado dia 13 de novembro, teve como objetivo debater a justiça climática. Joenia ressaltou a importância da Funai no processo de enfrentamento às mudanças climáticas.

A Funai destacou que as vozes dos povos indígenas devem ser ouvidas nos processos de negociações nas COPs, considerando os conhecimentos tradicionais e as práticas de manejo sustentável utilizados por esses povos que contribuem de forma significativa para a preservação ambiental. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), os indígenas representam 5% da população mundial e são responsáveis por proteger 80% da biodiversidade do planeta.

A Funai ressaltou ainda que a crise climática é uma realidade que não vai retroceder. Por isso, é necessário que o financiamento climático seja visto como um investimento permanente e não como uma despesa. A autarquia indigenista defendeu ainda a participação da sociedade nas discussões sobre o tema, de repercussão e impacto global, em especial dos povos indígenas, que historicamente são guardiões das florestas e da biodiversidade.

Neste contexto, a Funai reforçou também a importância da demarcação, gestão e proteção dos territórios indígenas como um mecanismo de mitigação dos efeitos climáticos extremos. Isso porque os povos indígenas possuem uma conexão espiritual com a terra que tradicionalmente ocupam, o que os leva a adotar um modo de vida sustentável em harmonia com o meio ambiente. Assim, as terras indígenas protegidas têm se tornado verdadeiras ilhas de vegetação nativa em meio a áreas degradadas e contribuído para o sequestro de carbono e enfrentamento às mudanças climáticas.

*Com informações da Funai

Em 15 dias de novembro, número de queimadas no Acre já chega a 94% do total de todo o mês em 2023

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Foto: Neto Lucena/Secom AC

Nos primeiros 15 dias de novembro, o Acre registrou 151 focos de queimadas segundo o monitoramento feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número significa que o estado chegou a 94% do total de todo o mês no ano passado, quando novembro encerrou com 160 queimadas segundo o Inpe.

Historicamente, o mês de novembro costuma dar sequência à redução das queimadas no estado registrada a partir de outubro. Em 2023, o número saiu de 1.675 em outubro para os 160 focos registrados. Em dezembro, o número voltou a cair e ficou em 4.

Já entre outubro deste ano e as primeiras duas semanas de novembro, a queda já é de 91%, considerando que o mês passado ficou em 1.876 focos. Com os números deste período, o total de queimadas em 2024 chegou a 8.619 focos. O montante é 31% maior que todo o ano de 2023, que encerrou em 6.562 queimadas.

Ainda de acordo com o Inpe, o município que mais registrou focos na primeira quinzena de novembro deste ano foi Tarauacá, com 28 queimadas (18,5%). Em seguida, estão Feijó, com 21 focos (13,9%) e Assis Brasil, com 19 queimadas (12,6%).

Já os três municípios com menor número de queimadas são Acrelândia, Mâncio Lima e Porto Acre, com 1 foco cada.

*Por Victor Lebre, da Rede Amazônica AC

EUA formalizam apoio à conservação em visita de Biden à Amazônia

Foto: Alexandro Pereira/Rede Amazônica AM

O governo dos Estados Unidos (EUA) anunciou na manhã deste domingo (17) a consolidação de um pacote de ajuda a iniciativas de conservação da Amazônia, como parte de seu programa nacional de combate às mudanças climáticas. O presidente americano Joe Biden visitou Manaus neste domingo. 

Foi a primeira visita de um presidente estadunidense à Amazônia no exercício do mandato, onde foram anunciados acordos bilaterais, marcando os 200 anos de relação mútua entre Brasil e Estados Unidos; ações em conjunto com ONGs e empresas, inclusive bancos brasileiros e atuação no apoio ao combate ao crime organizado, especialmente a ação ilegal em mineração e derrubada de árvores e o combate a incêndios florestais. 

As ações, segundo o anúncio, são para “ajudar a acelerar os esforços globais para combater e reverter o desmatamento e implantar soluções baseadas na natureza que reduzam as emissões, aumentem a biodiversidade e construam resiliência a um clima em mudança”.

Simbólica, a ação amplia o leque de iniciativas para o que a Casa Branca coloca como financiamento climático internacional, e se opõe a algumas posições públicas do presidente eleito Donald Trump, notório negacionista do impacto da ação humana sobre o clima. 

Na nota sobre o pacote, o governo americano lembra que “desde o primeiro dia do governo Biden-Harris, a luta contra as mudanças climáticas tem sido uma causa definidora da liderança e da presidência do presidente Biden”.

“Nos últimos quatro anos, o governo criou um novo manual que transformou o combate à crise climática em uma enorme oportunidade econômica – tanto em casa quanto no exterior. Depois de liderar a ação doméstica mais significativa sobre clima e conservação da história e liderar os esforços globais para enfrentar a crise climática, hoje o presidente Biden está viajando para Manaus, Brasil, onde se reunirá com líderes indígenas e outros”, diz a nota.

A ação anunciada comemora a marca de US$ 11 bilhões anuais garantidos para ações de conservação em todo o mundo, aumento alegado por Washington de seis vezes em relação ao orçamento para financiamento bilateral no começo do governo Biden, quando sucedeu o primeiro mandato de Trump.  

Parte das ações virá por meio do escritório federal Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA (DFC) e do Banco de Exportação e Importação dos EUA (Exin). O primeiro doará US$ 3,71 bilhões e o segundo US$ 1,6 bilhão ainda este ano.

Entre os anúncios formalizados em Manaus, os Estados Unidos doarão US$ 50 milhões para o Fundo Amazônia, dobrando a contribuição do país a esse instrumento internacional de financiamento; lançarão uma coalização de investidores, em parceria com o banco BTG Pactual, para restauração de terras e apoio à bioeconomia, que pretende conseguir US$ 10 bilhões até 2030, focados em projetos de remoção de emissões e apoio às comunidades locais; o apoio a iniciativas de geração de créditos de carbono com reflorestamento de áreas convertidas em pastagens, sob responsabilidade da empresa Mombak; a entrada do país no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (FFTS), proposto pelo presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e em fase de modelamento e instalação, com uso de capital privado.

Estão previstos investimentos diretos, como o de US$ 180 milhões junto à Coalizão Redução de Emissões por meio do Avanço do Financiamento Florestal (Leaf), para ações de reflorestamento no Pará; a ampliação de um acordo de investimento e cofinanciamento entre o DFC e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ampliando acordo assinado mês passado; o financiamento para o Laboratório de Investimentos em Soluções Baseadas na Natureza (SbN), com US$ 2 milhões do fundo Usaid para a iniciativa, do Instituto Clima e Sociedade e de financeiras; o investimento de US$ 2,6 milhões no projeto Rainforest Wealth, do Imaflora e do Instituto Socioambiental (ISA), além de pouco mais de US$ 10 milhões em investimento a outros projetos em bioeconomia, cadeias de suprimentos de baixo carbono e outras modalidades de produção local, e outros cerca de US$ 14 milhões em financiamento direto à atuação de comunidades indígenas.

O anúncio do pacote também incluiu três pontos críticos na proteção do bioma: o combate à extração ilegal de madeira,o combate à mineração ilegal e a assistência para o combate ao fogo.

Contra a extração de madeira haverá treinamento em tecnologia para identificação de origem da madeira, a partir da técnica de Espectrometria de Massa (Dart-Tofms: Análise Direta em Espectrometria de Massa em Tempo Real de Voo), para identificar de onde partem as madeiras fiscalizadas com precisão.

O pacote anunciado destaca a participação dos Estados Unidos no financiamento do combate a atividades criminosas com atuação em mineração ilegal e tráfico de mercúrio, com doação de US$ 1,4 milhão.

Contra as queimadas, destacam-se a parceria de 15 anos com o Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais (Inpe), por meio da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), que atua com a rede de satélites de monitoramento dos Estados Unidos. Também haverá treinamento do Serviço Florestal dos EUA para “o manejo inclusivo do fogo, capacitando mulheres e comunidades indígenas, incluindo a primeira brigada de incêndio indígena só de mulheres no Tocantins e no Maranhão. 

Repercussão 

A Agência Brasil ouviu o movimento Amazônia de Pé, que congrega 20 mil ativistas e cerca de 300 organizações. Sua porta-voz e diretora, Daniela Orofino, declarou que recebeu “com muita alegria a notícia dada pelo presidente Biden hoje (17), de que os EUA irão apoiar o Fundo Floresta Tropical para Sempre, uma proposta encabeçada pelo governo brasileiro para financiamento multilateral da proteção das florestas tropicais. Essa é uma demanda que os povos tradicionais e a Amazônia de Pé estão levantando há algum tempo, para que o Fundo efetivamente saia do papel”. 

“Um país como os EUA, que produz impactos que têm relação direta com as mudanças climáticas, têm também a responsabilidade de investir em ações globais de mitigação, e a Amazônia está no centro das políticas da mudança climática”, disse Orofino.

“A questão da terra é chave para o combate à crise climática. Demarcar territórios indígenas e de comunidades tradicionais na Amazônia e garantir recursos para a sua proteção é o caminho. Precisamos fazer o dinheiro chegar nos povos da floresta, que são guardiões desses espaços, e nas estruturas de proteção, como o Ibama e o ICMBio. Por isso, ficaremos atentas para que esse apoio seja implementado, ainda que com os desafios que virão com a mudança de governo norte-americano”, disse Daniela Orofino.

O secretário executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, disse que o anúncio é positivo e pode consolidar políticas públicas que estão sendo estruturadas na região.

“São anúncios extremamente importantes, e a maioria deles relacionados à proteção da Amazônia, à defesa da biodiversidade e combate ao desmatamento. O desmatamento é um dos principais fatores hoje de emissões de gás de efeito estufa no Brasil. Zerar o desmatamento é algo absolutamente possível. O atual governo, inclusive, vem diminuindo de forma bastante substancial as taxas de desmatamento, nos dois últimos anos, cerca de 45% de redução, e esses investimentos vão permitir que essas políticas de combate ao desmatamento continuem fortalecidas e também que uma economia de floresta seja colocada no local, nos lugares que hoje você tem o desenvolvimento de uma economia de destruição. Portanto, a preservação se torna uma forma de gerar renda, de gerar benefícios, para a população, e é isso que a gente precisa, combater o crime, gerar renda através da proteção da floresta. Esse tipo de anúncio que está sendo feito vai nessa direção e por isso da importância”.

O secretário executivo da organização não governamental dedicada à redução de emissões, ressaltou o “destaque bastante especial vai para a questão do Fundo Amazônia”.

“Os Estados Unidos chegaram a já depositar cerca de US$ 50 milhões no Fundo Amazônia nesse último período. Pelo anúncio parece que a gente vai ter mais um depósito de US$ 50 milhões e o Fundo Amazônia tem demonstrado ao longo do tempo que é um instrumento fundamental para o combate ao desmatamento e combate ao crime ambiental, uma vez que quase todos os desmatamentos da Amazônia acontecem na ilegalidade”.

*Com informações da Agência Brasil