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Moradores do sul do Amazonas relatam situação desafiadora do verão amazônico

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Foto: Reprodução/Observatório BR-319

Olhos irritados, dificuldade para respirar, tempo seco, navegação prejudicada, falta de alimentos e água para beber. Essas são algumas das situações enfrentadas pelos amazonenses durante o verão de 2024. A combinação de crimes ambientais e mudanças climáticas impôs a moradores das sedes municipais e das zonas rurais desafios extremos de sobrevivência. O cenário é reflexo do aumento geral dos focos de calor na Amazônia Legal, apesar da redução no desmatamento, o que sugere que as queimadas continuam a ser uma prática preocupante na região, tanto em áreas já desmatadas, como em áreas de floresta. 

Leia também: “Verão amazônico”: entenda as origens do fenômeno e suas consequências

O depoimento de Pedro faz parte da série “Entre a fumaça e a seca: vozes do sul do Amazonas”, produzida pelo Coletivo Jovens Comunicadores do Sul do Amazonas (Jocsam) para dar visibilidade aos desafios enfrentados pelos moradores da região durante o verão, ano após ano. 

“Bom, quando a gente fala de Humaitá, o perímetro urbano tá sofrendo com a fumaça, muita gente passando mal, em hospitais, muitos idosos e crianças precisando de atendimento de saúde. E quando a gente fala da parte ribeirinha de Humaitá, da parte rural, muitas as pessoas estão com dificuldade pra escoar produção, para conseguir o acesso à escola, então é algo que tá bem complicado. A gente vê que os produtos estão aumentando o valor para quem está consumindo aqui na cidade e muitas vezes não está conseguindo chegar. E para o produtor que está lá, escoar também não está fácil porque tem muita praia, muita distância para carregar, muita coisa”, contou Del Belfort de Moraes, membro do GT Desmatamento e Queimadas da Aliança para o Desenvolvimento Sustentável do Sul do Amazonas e articulador da Rede Transdisciplinar da Amazônia (Reta). 

Del avalia que a abertura de áreas de pasto contribuiu para a situação vivida pelos moradores de Humaitá nos últimos meses. “A gente notou que esse ano teve muitas pessoas da região contribuindo, muitos empreendimentos da região. Então, assim, as queimadas no Apuí, em Lábrea, no próprio território de Humaitá para abrir espaço para o agronegócio, também é um grande contribuidor nesse desastre que a gente está vivendo nesse momento”, disse. 

Os municípios do sul do Amazonas estão entre os que mais desmatam e mais queimam na Amazônia. O próprio estado está entre os que mais destroem a floresta. A região fica na área de influência da rodovia BR-319, que, hoje, é o maior catalisador de desmatamento, focos de calor e degradação florestal no Amazonas. 

“Bom, o principal causador de queimadas na região, principalmente no sul do Amazonas, é a expansão da fronteira agrícola aqui nessa região, que é principalmente chamada de Arco do Desmatamento. A gente tem visto nos últimos anos o avanço dessa fronteira agrícola, juntamente com o avanço das queimadas. E esse aumento das queimadas aqui na região acontece principalmente próximo às rodovias. A gente percebe, também, que áreas ambientais, como unidades de conservação e terras indígenas, freiam um pouco o avanço tanto do desmatamento quanto das queimadas na região do sul do Amazonas”, disse Hildeberto F. Macedo Filho, engenheiro e mestrando em Ciências Ambientais pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). 

O manejo inadequado do solo e a falta de controle efetivo das queimadas podem estar agravando a situação, que se converte em impacto no bem-estar e no cotidiano da população. 

“A nossa motivação ao pensar na criação da série “Entre fumaça e seca: vozes do sul do Amazonas” está não somente em uma, mas em várias razões”, declara o Jocsam.

“Essas motivações refletem um compromisso com a justiça social, a preservação ambiental e o fortalecimento da identidade comunitária, queremos mostrar que tudo o que vivemos nunca, jamais será esquecido”, concluíram. 

Assista todos os depoimentos da série no perfil do Jocsam nas redes sociais.

Contexto 

Entre setembro de 2023 e setembro de 2024, a Amazônia Legal registrou um aumento expressivo no número de focos de calor, que passou de 33.247 para 41.463, o que representa um aumento de 24,71%. “Esse crescimento no número de focos de calor é um indicativo de que, embora o desmatamento tenha diminuído no período, a prática de queimadas, frequentemente associada ao manejo de áreas já desmatadas, intensificou-se, potencialmente devido a atividades agropecuárias ou à limpeza de áreas já convertidas para outros usos”, avalia o especialista em geoprocessamento e analista do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), Heitor Paulo Pinheiro. 

Já no Amazonas, houve uma leve redução no número de focos de calor, de 6.990 em setembro de 2023 para 6.879 no mesmo período de 2024, representando uma diminuição de 1,59%. Segundo Heitor, essa redução é pequena, mas relevante, considerando a vasta extensão florestal do estado e a importância de manter baixos níveis de focos de calor. “Visto que esses focos estão diretamente relacionados à degradação florestal e à emissão de gases de efeito estufa”, destaca. “Vale ressaltar que mesmo com a diminuição no número de focos de calor, os números gerais ainda permanecem altos, e preocupantes, principalmente para saúde da população, devido à fumaça e também aos impactos a longo prazo na degradação de espaços naturais”. 

Em Rondônia, o cenário é diferente, com um pequeno aumento de 3,36% nos focos de calor, passando de 2.650 em setembro de 2023 para 2.739 em setembro de 2024. O estado é historicamente afetado pela expansão agropecuária e desmatamento e continua a apresentar desafios no controle das queimadas, que são muitas vezes usadas como técnica de manejo agrícola. “O aumento, embora pequeno, reflete a persistência de práticas que contribuem para a degradação ambiental”, diz Heitor. 

Nos municípios localizados na área de influência da rodovia BR-319, houve uma redução de quase 10% nos focos de calor, caindo de 3.936 em setembro de 2023 para 3.544 em setembro de 2024. “Essa redução de 9,96% é um dado positivo, especialmente considerando o potencial de impacto ambiental dessa área sensível, onde a pressão por expansão agrícola e pecuária, além da grilagem de terras é elevada. A redução dos focos de calor pode indicar uma maior eficiência nas políticas de prevenção e combate às queimadas, agregada ao aumento de chuvas na região”, avalia. 

“Vale ressaltar que o momento político, de eleições municipais contribui com este cenário de aumento e é a oportunidade de fazermos uma indagação: será que fogo e política não estão ligados? E como frear e identificar os causadores de tantas ocorrências? Sem políticas públicas eficazes e adaptadas à região esta será uma realidade que se repetirá ano após ano”, alerta Heitor. 

Brigada Indígena 

Em Lábrea, município que está em terceiro lugar no ranking de focos de incêndio em 2024, o povo Apurinã criou a Brigada Indígena de Incêndio da Terra Indígena Caititu, que desempenha um papel fundamental na proteção do território. Composta por 23 indígenas que receberam treinamento do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), através do projeto Raízes do Purus, realizado pela Operação Amazônia Nativa (Opan), a brigada atua no combate a incêndios florestais e na prevenção de queimadas ilegais em um território que sofre com a intensificação do desmatamento. A criação da brigada foi motivada pela necessidade de proteger os sistemas agroflorestais (SAFs), que são essenciais para a subsistência da comunidade. 

Os SAFs, que produzem alimentos como frutas, feijões e tubérculos, têm sido ameaçados por incêndios que se alastram para dentro da terra indígena. A brigada, formada por meio de um processo que envolveu treinamento técnico e a aquisição de equipamentos, atua em ações emergenciais e em atividades de prevenção, como a realização de queimadas controladas. A atuação da brigada tem sido crucial para evitar a perda de plantações e garantir a segurança alimentar do povo Apurinã. 

Foto: Reprodução/Observatório BR-319

O processo de criação da Brigada da Terra Indígena Caititu começou em 2022. Na época, Francisco Padilha, indígena do povo Apurinã que já tinha formação na área de combate a incêndios, ofereceu uma formação básica a um pequeno grupo. “Eram sete pessoas e já fizeram um bom trabalho. Agora são 23 brigadistas que estão atuando dentro da nossa terra”, conta Tata Apurinã. No mesmo ano, os Apurinã também fizeram a aquisição de equipamentos necessários para o trabalho, como abafadores, bomba costal, rádio comunicadores e equipamentos de proteção individual. 

Apesar dos desafios, como a alta demanda por trabalho e a necessidade de lidar com incêndios que se alastram rapidamente, os brigadistas demonstram grande comprometimento com a proteção do seu território. A brigada é vista como um exemplo de como as comunidades indígenas podem se organizar para enfrentar os desafios do desmatamento e das mudanças climáticas, contribuindo para a conservação da Amazônia. Saiba mais acessando este link.

Texto produzido em parceria com o Coletivo Jovens Comunicadores do Sul do Amazonas (Jocsam). 

Com informações de texto produzido pela jornalista Talita Oliveira, do projeto Raízes do Purus, executado pela Operação Amazônia Nativa (Opan).

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Observatório BR-319

Terapia fotodinâmica com corante de urucum é eficaz contra mau hálito

Foto: Reprodução/Cruda

Estudo publicado na revista PLOS ONE demonstrou que a terapia fotodinâmica antimicrobiana utilizando corante de urucum e LED azul é uma opção viável e eficaz para o tratamento de mau hálito em crianças respiradoras bucais.

Quando o indivíduo respira pela boca, explicam os autores, a saliva pode evaporar com mais facilidade, reduzindo seu efeito antibacteriano e suas propriedades de limpeza, o que pode levar a um aumento significativo da halitose. O grupo de pesquisa selecionou 52 crianças de 6 a 12 anos respiradoras bucais com diagnóstico de halitose confirmado com um medidor portátil de baixo custo encontrado em lojas on-line (possibilitando que o protocolo de diagnóstico seja realizado facilmente por cirurgiões-dentistas em seus consultórios). Halitose é o termo que define qualquer odor ou mau cheiro proveniente da cavidade bucal, de origem local ou sistêmica.

O artigo descrevendo os resultados é resultado de pesquisa realizada por Laura Hermida Cardoso, aluna do Programa de Doutorado Interinstitucional (Dinter) promovido pela Universidade Nove de Julho e a Universidade Católica do Uruguai, em parceria com pesquisadores da Universidade Metropolitana de Santos.

A terapia fotodinâmica antimicrobiana (aPDT, na sigla em inglês) é um tratamento no qual é utilizado um agente fotossensibilizador que, na presença de luz, produz radicais livres de oxigênio, provocando a morte das bactérias. Embora o estudo tenha sido feito apenas com crianças, o método pode ser aplicado para o tratamento da halitose em indivíduos de todas as idades.

Bussadori, que também é professora da Universidade Metropolitana de Santos e presidente da Associação Brasileira de Odontopediatria, conta que durante atendimentos percebeu que várias crianças e adolescentes apresentavam halitose. “Diante disso, começamos a estudar mais a fundo essa condição com o objetivo de desenvolver protocolos de tratamentos simples e eficazes”, afirma.

Tratamento acessível

Segundo Bussadori, quando se fala em terapia fotodinâmica a primeira opção que vem à mente no meio acadêmico é o fotossensibilizador azul de metileno associado ao laser vermelho.

Na sessão de aPDT, o fotossensibilizante de urucum foi misturado na concentração de 20% em forma de spray ( Sandra K. Bussadori et al./PLOS ONE)

Leia também: Ancestralidade indígena: conheça as diversas utilidades do urucum

Após várias formulações, pesquisas in vitro e clínicas, Bussadori conseguiu desenvolver o Spray de Urucum, cuja patente foi deferida em 2020. O urucum (ou urucu) é o fruto do urucuzeiro ou urucueiro, que se torna vermelho quando maduro.

As 52 crianças que atenderam os critérios de inclusão da pesquisa foram instruídas por meio de palestra sobre como realizar a escovação com creme dental fluoretado e usar o fio dental três vezes ao dia após as refeições durante 30 dias. Essas crianças foram divididas em dois grupos. No primeiro foi aplicada terapia fotodinâmica antimicrobiana no terço médio do dorso da língua e, no segundo, foi utilizado raspador de língua.

Na sessão de aPDT, o fotossensibilizante de urucum foi misturado na concentração de 20% em forma de spray, aplicado em quantidade suficiente para cobrir o terço médio do dorso da língua (cinco borrifadas) e deixado por dois minutos para incubação. Seis pontos foram irradiados com distância de 1 centímetro (cm) entre os pontos, considerando a propagação da luz e a eficácia da aPDT. A luz foi irradiada para garantir uma área de feixe de 2 cm de diâmetro por ponto. O tempo de exposição foi de 20 segundos por ponto.

Dados em relação à halitose e à saburra lingual foram obtidos antes e logo após o tratamento, bem como sete e 30 dias depois, analisados e comparados. A saburra lingual, de coloração branca ou amarelada, é composta principalmente por bactérias, metabólitos e restos alimentares que se acumulam geralmente na região posterior do dorso da língua.

Vários estudos mostram uma correlação entre saburra lingual e concentração de compostos sulfurados voláteis produzidos pelas bactérias, levando ao mau hálito. Porém, na pesquisa coordenada por Bussadori não foi encontrada uma relação direta entre a presença de saburra na língua e o mau hálito nas crianças respiradoras bucais. “A principal causa do mau hálito nessas crianças parece ser o ressecamento da boca causado pela respiração bucal”, explica.

Nos dois grupos houve melhora significativa do mau hálito, mas o grupo que recebeu aPDT apresentou resultados ainda melhores.

A halitose é considerada um importante fator social, pois causa constrangimentos e interfere nas relações interpessoais. Além de gerar preocupações relacionadas à saúde física, pode, portanto, provocar alterações psicológicas, conduzindo a uma barreira social.

O artigo Assessment of photodynamic therapy with annatto and led for the treatment of halitosis in mouth-breathing children: Randomized controlled clinical trial pode ser lido em:  https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0307957

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Fapesp, escrito por Ricardo Muniz

Aluna amazonense faz parte de delegação do Brasil em prova de astronomia e astrofísica internacional

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Foto: Euzivaldo Queiroz/Seduc-AM

Aluna da Escola Estadual (EE) Maria Calderaro, localizada em Presidente Figueiredo, no Amazonas, Maria Eduarda de Araújo, de 17 anos, é a única representante do estado na 2ª fase da Olimpíada Copernicus, uma competição internacional de astronomia e astrofísica. Com o resultado, a estudante vai viajar para o Texas, nos Estados Unidos, para realizar mais uma etapa do certame.

O bronze alcançado por Maria Eduarda na primeira etapa da Olimpíada Copernicus, entretanto, é apenas mais uma dentre as diversas medalhas conquistadas em olimpíadas. Com medalhas na Olimpíada Brasileira de Língua Inglesa, de Geopolítica, Biologia Sintética e honra ao mérito no Torneio Nacional de Física, a estudante busca participar ativamente em provas de diversas áreas do conhecimento.

Isso porque Maria Eduarda tem um plano bem definido para o futuro: cursar astrofísica em uma universidade no exterior. E para chegar lá, já organiza uma espécie de currículo intelectual para melhor aceitação nas instituições a partir de cartas de recomendação. Agora com 17 anos, Maria Eduarda conta que o interesse pela astrofísica e astronomia surgiu bem mais nova, aos 13 anos.

Experiências únicas

Destinada para alunos do 3º ano do Ensino Fundamental à 3ª Série do Ensino Médio, a primeira etapa da Olimpíada Copernicus consiste em uma prova com 25 questões de múltipla escolha. Aprovada, Maria Eduarda inicia a segunda fase do certame no dia 5 de janeiro de 2025, no Texas. Lá, a estudante realizará provas teóricas e práticas.

“Para mim é um sonho compor a delegação brasileira que irá representar o país na fase global da Copernicus. Visitarei a Nasa, estarei em museus e observatórios de astronomia, e estou muito empolgada”, compartilhou Maria Eduarda.

Suporte escolar

Apesar do interesse por assuntos complexos que fogem da grade curricular da escola, foi com o corpo docente da EE Maria Calderaro que a estudante encontrou apoio em sua trajetória. Para além dos aconselhamentos após as primeiras participações em olimpíadas, Maria Eduarda despertou uma verdadeira força-tarefa entre os professores de exatas da unidade de ensino.

De acordo com o docente Rodrigo Garcia, que orienta a estudante e ministra a matéria de Matemática na unidade de ensino, a adesão ao sonho de Maria Eduarda foi total entre os professores.

Com o auxílio do docente, Maria também participou da Olimpíada Internacional de Astrofísica, das primeiras edições da Olimpíada Brasileira Online de Astronomia e da Olimpíada Brasileira de Inovação, Ciência e Tecnologia, além da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas.

No dia 23 de outubro, Maria Eduarda foi recebida pela secretária de Educação do Amazonas, Arlete Mendonça, em seu gabinete. O esforço em conjunto, de acordo com a secretária, é um exemplo de sucesso para a rede estadual.

“Tivemos com ela a participação intensa dos familiares, dos professores e do interesse da própria aluna. É muito satisfatório ver uma jovem cheia de sonhos e objetivos bem estabelecidos. E ter profissionais comprometidos enquanto possibilitadores desses destinos é muito importante. O Amazonas tem muito orgulho da Maria Eduarda”, finalizou Arlete Mendonça.

*Com informações da Agência Amazonas

Nova lei busca reduzir vulnerabilidade das florestas no Amapá

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Amapá possui unidade florestais mais preservadas da Amazônia. Foto: Rafael Aleixo/g1 Amapá

Foi sancionada pelo Governo do Amapá, a Lei nº 3.128 que institui uma política estadual para reduzir a vulnerabilidade dos sistemas ambientais, sociais, econômicos e culturais no estado, por conta de impactos causados pela mudança climática no estado mais preservado do país.

O documento consiste em uma série de medidas sustentáveis, que aborda a Política Estadual sobre Mudanças Climáticas. A lei foi aprovada por unanimidade pela Assembleia Legislativa do Amapá (Alap).

Entre as ações que buscam reduzir estas vulnerabilidades, estão o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) e o monitoramento das emissões de gases do efeito estufa. O Amapá é reconhecido como o estado mais preservado da Amazônia, e abriga vastas áreas de floresta tropical, sendo um importante guardião da biodiversidade.

O secretário adjunto de Meio Ambiente, Cássio Lemos, disse que esta nova legislação consiste em uma resposta aos desafios ambientais que o Amapá enfrenta nos últimos tempos.

“A sanção da lei pelo governador Clécio Luís assegura a proteção e manutenção de um meio ambiente ecologicamente equilibrado e estável, socialmente justo e economicamente viável em benefício das presentes e futuras gerações”, disse Lemos.

As medidas surgem de uma contribuição dos países que buscam a conservação da Amazônia, a partir da 28ª Conferência das Nações Unidas Sobre Mudanças Climáticas (COP 28), que aconteceu no ano de 2023.

A reunião teve como objetivo não apenas destacar as riquezas e preservação ambiental, mas também valorizá-la a partir da população que vive na região. Nestes encontros, o Amapá caminha para uma apresentação internacional como um local que segue os acordos ambientais e climáticos.

Além disso, a nova lei estabelece o Sistema Estadual do Clima e Incentivo aos Serviços Ambientais, além de criar um Comitê Técnico-Científico. Um dos seus principais focos é a proteção dos direitos das comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas.

O documento prevê ainda, a adoção de incentivos econômicos e fiscais, gestão democrática e acesso à informação, promovendo uma economia verde de forma integrada e cooperativa, considerando as oportunidades, desafios locais e a conservação da biodiversidade, além da criação de programas e projetos.

Com isso, o estado busca atrair investimentos e fortalecer a bioeconomia e a economia de baixo carbono, mantendo o Amapá na vanguarda da conservação.

A nova política pública implementada busca não apenas reduzir os efeitos das mudanças climáticas, mas também se adaptar a eles, promovendo um meio ambiente ecologicamente equilibrado.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Pesquisa analisa hibridização de peixes-boi na costa amazônica

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Foto: Flávia dos Santos

O peixe-boi é um mamífero aquático caracterizado por seu grande porte, sua dieta vegetariana e seu comportamento calmo, quase gentil. Não há, entretanto, um único tipo de peixe-boi. Existem no mundo três espécies distintas, sendo duas delas nativas do Brasil: o peixe-boi-da-amazônia (Trichechus inunguis), que habita os rios do bioma que carrega no nome; e o peixe-boi-marinho (Trichechus manatus), que vive na região costeira do país.

Apesar dos lares distintos, uma análise genética dos animais revelou uma até então invisível hibridização natural – ou seja, a reprodução e “mistura” das duas espécies – na foz do Amazonas. A descoberta é fruto da pesquisa de Flávia dos Santos Tavares, que em 2020 deu início ao seu mestrado para decifrar a genética destes carismáticos mamíferos marinhos com apoio do Programa Bolsas FUNBIO – Conservando o Futuro.

Em seu mestrado, concluído em 2022, Flávia fez coletas de material genético das duas espécies a partir de animais resgatados e reabilitados no Centro de Mamíferos Aquáticos do ICMBio, em Itamaracá, Pernambuco.

Os peixes-boi-marinho, também conhecidos como manatis, podem ser encontrados em diferentes pontos da costa do Brasil, entre o Alagoas até o Amapá. E é justamente na foz do rio Amazonas, no Pará, que seu caminho se sobrepõe com o do peixe-boi-da-amazônia, restrito à Bacia Amazônica.

Ao fazer a análise genética dos animais oriundos da foz do Amazonas, Flávia se surpreendeu ao se deparar com híbridos, indivíduos que carregavam genes de ambas as espécies. De acordo com a pesquisadora, há muitos fatores que podem levar à hibridização natural de espécies e a alta semelhança genética é um dos mais importantes.

Foto: Flávia dos Santos

Ainda que seja um fenômeno natural na foz do Amazonas, onde o rio encontra o mar, a pesquisadora explica que certos contextos podem pressionar as populações de peixes-boi para essa hibridização, como o desmatamento da mata nas margens dos rios, a perda de habitat, a caça ilegal ou mesmo a captura acidental por pescadores.

Em resumo, quanto menor for a oferta de alimentos, a qualidade do ambiente e o número de indivíduos em idade reprodutiva, maiores as chances dos peixes-boi se aventurarem fora dos seus domínios tradicionais e acabarem reproduzindo com seus “primos” de água salgada.

Tanto o peixe-boi-marinho quanto o amazônico são considerados ameaçados de extinção de acordo com a avaliação nacional do ICMBio.

A pesquisa também revelou parte da história evolutiva dos peixes-boi, comprovando pela primeira vez que a espécie dos rios amazônicos é mais antiga do que a dos mares, com muitos sinais de ancestralidade entre todos do grupo taxonômico, e permitindo uma maior compreensão da árvore genealógica destes parentes distantes dos elefantes e mamutes.

Estudar o passado é crucial para entender como os peixes-boi “evoluíram na região amazônica e em outros habitats, se adaptando e diversificando ao longo do tempo”, acrescenta.

Flávia é encantada pelo estudo dos mamíferos aquáticos desde a graduação e já na iniciação científica mergulhou nos mistérios dos peixes-boi. Aos poucos, a própria pesquisadora ajuda a encontrar respostas para as perguntas sobre estes animais e a entender como garantir sua conservação.

“Os peixes-boi ainda são enigmas para os estudos de biodiversidade”, pontua. “Foi crucial o apoio do Bolsas FUNBIO para avançar com as pesquisas. As coletas de material dos peixes-boi requerem um manejo bastante organizado e programado, principalmente por se tratar de diversos fatores como: serem animais ameaçados de extinção, serem animais com instruções específicas de manejo para reintrodução à natureza, animais de grande porte etc”, completa a doutoranda.

Foto: Flávia dos Santos

O encantamento – e a pesquisa – continua no doutorado, em que agora Flávia quer conhecer melhor esses híbridos de peixe-boi e caracterizá-los geneticamente, um dado vital para auxiliar o manejo e conservação dos animais porque mesmo sendo natural, a ciência ainda não sabe quais seus efeitos a médio e longo prazo.

Do lado preocupante da balança, a hibridização pode gerar um desequilíbrio genético nas populações e gerar uma pressão seletiva na escolha por parceiros sexuais. Com isso, pode haver uma diminuição da capacidade reprodutiva, o que poderia levar até mesmo à extinção no longo prazo, alerta a pesquisadora. O que afeta não apenas as espécies, mas os ecossistemas que dependem delas.

No próximo passo da sua pesquisa, Flávia espera que os estudos genéticos dos híbridos tragam ainda mais respostas e possam orientar as melhores estratégias de manejo e conservação para garantir o futuro dos peixes-boi, tanto nos rios quanto no mar.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela FUNBIO

Confira 5 competições curiosas que já aconteceram na Amazônia

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Muita gente gosta de uma competição, não é? Seja no mundo virtual, quanto no real. Na Amazônia, por exemplo, existem concursos e competições de diversos níveis que refletem a criatividade e o espírito comunitário de seus habitantes.

Esses eventos são uma combinação de tradição, esporte e cultura, atraindo participantes e curiosos. O Portal Amazônia preparou uma lista com competições inusitadas pela região amazônica:

A melhor farinha

Pode faltar qualquer coisa no rancho de um amazônida, exceto farinha. Essa iguaria feita da mandioca é motivo de competição no Maranhão. O evento, que visa valorizar a produção da farinha d’água no estado, ocorrerá novamente na 2ª Feira Maranhense da Agricultura Familiar (Femaf), no período de 4 a 7 de dezembro de 2024 em São Luís.

Foto: Divulgação/Governo do Maranhão

Vaca leiteira

A Exposição-Feira Agropecuária de Roraima (Expoferr), que acontece no Parque Dandãezinha, movimenta a cidade de Boa Vista.

Um dos eventos que traz a rivalidade dos amazônidas é o Torneio Leiteiro. Ano passado, a campeã foi a vaca Ana Lú, da fazenda São Pedro, de Manaus (AM), com a produção de 46,2 quilos de leite. O tempo válido para as ordenhas foi cronometrado em 20 minutos!

Foto: Reprodução/Expoferr

Haja bucho

O Kikão é um lanche famoso na capital amazonense, principalmente quando fazem a promoção “3 por 10” (três lanches por 10 reais). Porém, o lanche Hot Dog Mania foi além e realizou uma competição para ver quem comeria mais kikão.

A competição aconteceu em setembro de 2021 e teve como vencedor o venezuelano Alan Marin, que conseguiu comer 18 kikões em apenas 10 minutos.

Foto: Reprodução/RankBrasil

Corrida de Rabeta

A rabeta é um dos meios de transporte mais utilizados pelos ribeirinhos nas “estradas aquáticas” da Amazônia. Porém, algo da rotina deles se tornou a principal peça de uma competição – o campeonato de rabeta. A modalidade já foi realizada no município de Manicoré e Manaquiri, no Amazonas.

A primeira edição em Manaquiri, por exemplo, foi dividida em quatro categorias: Amador 6,5 HP e 13 HP; e Força Livre 6,5 HP e 13 HP.

Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Gato e Gata na Parada

Essa é antiga! O projeto ‘Na Parada Manaus’ surgiu em 2014, com a proposta de auxiliar usuários do transporte coletivo por meio das redes sociais. Em 2016, a página propôs um concurso para escolher os “colírios” da categoria.

Não demorou para a repercussão tomar conta de terminais, empresas de transporte e pontos de ônibus de Manaus.

Os vencedores do “Gato e Gata Na Parada” na época foram: Sabrina Alves (cobradora), Beth Estrela (motorista), Diego Amorim (cobrador) e João Júnior (motorista).

Foto: Diego Araújo/Rede Amazônica

E aí? Quais outras competições e concursos deveriam entrar pra essa lista?

O surgimento de cidades ao redor da Amazônia e o fluxo de migração

Foto: Reprodução

A migração rural-urbana é um fenômeno mundial e a Amazônia não é exceção. No entanto, uma grande proporção de seus imigrantes são pequenos agricultores que vieram originalmente dos Altos Andes e do Nordeste do Brasil, apostando seu futuro nas paisagens de floresta da Pan-Amazônia

Esse fluxo de pessoas para as comunidades rurais diminuiu drasticamente após o ano 2000, quando as famílias rurais começaram a transferir seu domicílio principal para os centros urbanos. No Brasil e na Bolívia, elas tendem a se mudar para cidades amazônicas, grandes e pequenas; no Peru, Equador e Colômbia, no entanto, é mais provável que se mudem para cidades nas terras altas, serras ou montanhas, ou para o litoral.

No Brasil, a proporção relativa de residentes rurais e urbanos na Amazônia Legal era aproximadamente equivalente antes de 1990; no entanto, em 2000, mais de setenta por cento dos residentes residiam no que o censo nacional considera áreas urbanas. A maior parte da migração rural-urbana ocorreu para os seis maiores centros metropolitanos: Manaus, Belém/Ananindeua, São Luís, Cuiabá/Várzea Grande, Porto Velho e Macapá/Santana.

Houve uma expansão semelhante de cidades intermediárias e pequenas, muitas das quais são centros administrativos de municípios conhecidos por seu papel nas cadeias de suprimentos agrícolas (Itaitatuba [AM], Sorriso, Sinop [MT], Tailândia [PA], Ji-Paraná [RO]), minas corporativas (Marabá, Parauapebas, Oriximiná [PA]), cidades de garimpo (Itaituba [PA], Pontes e Lacerda [MT]), ou paisagens pecuárias conhecidas por altas taxas de desmatamento (Altamira, São Félix do Xingu [PA], Humaitá [AM]). 

A maioria delas dobrou sua população entre 2000 e 2010 e tem crescido de dois a três por cento ao ano na última década, uma tendência que foi replicada nas categorias de cidades grandes e pequenas que estão no centro da economia rural da Amazônia brasileira.

Imagem: Reprodução/Mongabay

A Amazônia boliviana tem as taxas de imigração mais altas de qualquer jurisdição amazônica, mas essa estatística é distorcida pelo crescimento fenomenal da cidade de Santa Cruz de la Sierra, que passou de cerca de 100.000 residentes em 1970 para mais de 2,5 milhões em 2022. Outros municípios que registraram influxos significativos incluem San Ignacio de Velasco (Santa Cruz), Yapacaní (Santa Cruz), Ivirgarzama (Cochabamba), Cobija (Pando), Riberalta (Beni), Palos Blancos e Caranavi (La Paz). Todas estão localizadas na fronteira agrícola e apresentam taxas muito altas de desmatamento.

No Peru, os esforços para promover a migração para a Amazônia são prejudicados pela atração econômica de Lima e de outras cidades costeiras; consequentemente, a população da Amazônia tem se expandido um pouco acima da taxa nacional na última década (cerca de 1,4%).

A expansão observada da população da Amazônia peruana é consequência de uma taxa de natalidade relativamente alta, pois a emigração atualmente excede a imigração em todos os departamentos de planície, com exceção de um: Madre de Dios, local de uma corrida do ouro em constante expansão, sua população aumentou cerca de 5% ao ano na última década. A maioria dos recém-chegados são residentes rurais que trabalham em campos de mineração.

No restante da planície peruana, há uma migração consistente de pessoas do campo para as cidades e vilas regionais; as comunidades rurais de Loreto têm aproximadamente a mesma população hoje que em 2000, enquanto sua capital, Iquitos, teve apenas um crescimento modesto, aumentando de 360.000 para 423.000 habitantes entre 2007 e 2020 (1% ao ano).

Taxas de crescimento mais altas são registradas para Pucallpa (2,5%) e Yurimaguas (4,1%), sendo ambas cidades terminais de rodovias troncais. De qualquer forma, o número de emigrantes de Ucayali desde 2000 excedeu o de imigrantes; a maioria provavelmente é composta por jovens que estão se mudando para Lima.

O Equador amazônico tem a maior taxa de crescimento populacional de todas as regiões do país, apresentando uma taxa média decenal que é aproximadamente o dobro da média nacional (4% vs 2%).

Aparentemente, isso se deve a uma taxa de natalidade mais alta, porque a migração para a região praticamente parou, com apenas 1,3% dos entrevistados se identificando como imigrantes no censo de 2010. As taxas de natalidade relativamente altas e o ritmo lento da migração interna são justapostos com o ritmo lento da urbanização, já que apenas 29% (em comparação com 59% a nível nacional) dos residentes da região moram no que o órgão responsável pelo censo define como cidade ou vila

Imagem: Reprodução/Mongabay

A crescente urbanização da Amazônia se reflete no número de habitantes da jurisdição administrativa de menor nível (por exemplo, município, cantão, distrito), conforme relatado nos dados recentes do censo nacional (parte superior e central), bem como a mudança relativa entre 1980 e 2020 (parte inferior). Fontes de dados (painel superior e central): Bolívia (INE); Brasil (IBGE); Colômbia (DANE); Equador (INEC); Guiana Francesa (INSEE); Guiana (BS); Peru (INEI); Suriname (AGS); e Venezuela (INE). Fonte de dados (painel inferior): Thomas Brinkhoff, City Population, http://www.citypopulation.de/

Na Amazônia colombiana, a violência civil empurrou milhões de famílias rurais para as cidades. A população de Caquetá diminuiu em 50.000 pessoas entre 1993 e 2005, enquanto a cidade de Florencia aumentou em 33.000: dezenas de milhares de pessoas fugiram para refúgios seguros, como Villavicencio, Huila e Bogotá.

A campanha militar (Plano Colômbia) e o acordo de paz de 2016 mudaram essa dinâmica, e Caquetá tem crescido cerca de 3% ao ano na última década. O aumento da população é impulsionado em grande parte por uma corrida por terras e um boom econômico, com colonos e investidores rurais atraídos por terras baratas que estão sendo comercializadas por grileiros em uma das paisagens mais sem lei da Amazônia. 

Ironicamente, os centros populacionais locais cresceram apenas marginalmente com essa nova onda migratória, mas, se as tendências de outras fronteiras florestais se mantiverem, em breve elas sofrerão outro boom populacional.

Historicamente, a região do Escudo das Guianas tem uma população estável e majoritariamente urbana, com a maioria dos habitantes residindo em cidades no Rio Orinoco, na Venezuela, ou na planície costeira da Guiana, Suriname e Guiana Francesa. Os dados do censo podem não refletir com exatidão o número de pessoas nas jazidas de ouro, que sofreram um boom populacional local devido ao influxo de garimpeiros brasileiros e venezuelanos na última década.

A Guiana sofreu um êxodo em massa durante a última metade do século XX. Um pouco mais da metade de seus cidadãos nativos – 750.000 pessoas – deixaram o país desde 1970. A taxa de emigração diminuiu de recordes de quase 15.000 por ano no final dos anos 80 para cerca de 5.000 na última década. A grande maioria dos emigrantes reside atualmente nos Estados Unidos e no Canadá, mas não é incomum manter uma segunda residência e sustentar membros da família. Entre 2015 e 2020, o valor total das remessas variou de US$ 300 milhões a US$ 500 milhões, aproximadamente metade da receita do setor de garimpo de ouro.

Um fenômeno semelhante, porém menos grave, afetou a população do vizinho Suriname, onde cerca de 250.000 cidadãos emigraram, principalmente para a Holanda. A emigração diminuiu para menos de 1.000 cidadãos por ano, o que é aproximadamente igual ao número de indivíduos que imigram ou retornam ao Suriname.

“Uma tempestade perfeita na Amazônia” é um livro de Timothy Killeen que contém as opiniões e análises do autor. A segunda edição foi publicada pela editora britânica The White Horse em 2021, sob os termos de uma licença Creative Commons (licença CC BY 4.0).

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Mongabay, com análise de Timothy J. Killeen e tradução de Lisete Correa.

Estilista de Santana é a primeira do Amapá a estrear no São Paulo Fashion Week

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Santanense levou bandeira do Amapá para o São Paulo Fashion Week. Foto: Raul Fernando

A Poliana Brilhante de 24 anos, nascida e criada em Santana, no Amapá, foi destaque na 58ª edição do São Paulo Fashion Week (SPFW), considerada a maior semana de moda não só do país, mas da América Latina. A jovem é a primeira amapaense a integrar uma coleção no evento.

Na passarela, foram apresentadas peças de crochê com uma pegada futurística, que compõem a coleção DUPE: A Streetwear Parody, assinada pelo estilista Dario Mittman. Ao total, os modelos desfilaram oito peças.

A estilista focou nas peças de crochê por conta da carga emocional que a técnica possui para ela. Poliana começou a ‘crochetar’ ainda criança, aprendendo de sua mãe que buscou a prática durante um tratamento de câncer, e se transformou na assinatura de sua marca “Abrilhante”.

A coleção leva texturas e cores com a pegada ‘cyberpunk’ com composições em jeans com pontos, camisas de time, bonés, calças com costura e renda de roupa em crochê, dando destaque a estampas artesanatos e o branco.

A jovem iniciou o trabalho de divulgação nas redes sociais, que logo tomou uma grande proporção. A estilista vestiu com sua marca, grandes nomes da música brasileira, como as cantoras Marina Sena, Glória Groove, Iza e a cantora internacional Erykah Badu.

“Eu sempre fazia tudo muito só eu. E agora eu tenho essa possibilidade de ter outras pessoas trabalhando comigo. Então, foi um processo muito compartilhado, com muitas mãos, de muitas crocheteiras. E isso foi perfeito. As peças a gente conseguiu desenvolver numa construção de ideias”, disse Poliana sobre a parceria com Dário.

Foto: Raul Fernando

História da artista

Poliana nasceu e foi criada em uma área de ponte no bairro Fonte Nova, no município de Santana. Desde criança a costura e a produção de peças esteve presente de alguma forma. Após o diagnóstico da mãe com câncer, a família precisou ir até Belém (PA) para o tratamento.

“Como não tinha hospital de câncer no Amapá, ela teve que fazer esse tratamento em Belém. E quando ela voltou já curada, ela me ensinou a fazer. E foi quando eu comecei a entender o crochê como uma forma de me aproximar da minha mãe também, que a gente tinha essa troca muito íntima, mas também como um lugar de criar coisas, e principalmente roupa, que era quando eu fazia roupa para as minhas bonecas, tentava fazer alguns tipos de roupa para mim, enfim, para as pessoas que viviam ali ao meu redor”, disse.

A estilista contou que foi para o Rio de Janeiro de forma não pensada, e atualmente vive em Niterói. Antes da mudança, Poliana trabalhava em um bar próximo a uma Universidade, quando decidiu ajudar uma amiga a perseguir um sonho de fazer jornalismo no Rio de Janeiro.

Logo quando chegou à cidade, a jovem para o seu sustento começou a vender doces no metrô, recitar poesias, além de outros trabalhos manuais como trancista, para conseguir uma renda extra.

Após a pandemia, no final de 2021, a estilista voltou a produzir peças de crochê para si mesma e para vendas pela internet, onde suas coleções viraram uma febre rapidamente.

Foto: Raul Fernando

“Como eu queria sair, e a pandemia estava acabando, eu fazia roupa para eu ir para as festas, porque eu não tinha dinheiro para comprar. Comecei a postar na internet e isso começou a viralizar. Acho que quatro meses depois eu já estava vestindo celebridades. Então, foi uma coisa muito rápida, muito instantânea”, disse.

Tudo mudou rapidamente na vida de Poliana no período de um ano após o investimento nas produções de peças de crochê. Logo a jovem se deu conta de que era a primeira amapaense a conseguir tal feito.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Revista científica internacional destaca projeto mato-grossense como “modelo social inovador” para Amazônia

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Foto: Reprodução/ICV

A Rede de Produção Orgânica da Amazônia Mato-grossense (Repoama) foi destaque como “modelo social inovador” para soluções na floresta amazônica brasileira em artigo da renomada revista científica ‘Ecosystems and People‘.

Publicado no fim de setembro sob o título ‘Abordagens relacionais de base para a transformação agrícola na América Latina‘, o estudo buscou entender como os valores da relação humano-natureza colaboram para modelos de produção mais justos.

Analista socioambiental do Instituto Centro de Vida (ICV), Marcondes Coelho, um dos autores da pesquisa, apontou que a análise partiu de estudos que mostram que abordagens da agricultura tradicional para incentivar a produção sustentável são baseadas em suposições equivocadas sobre sistemas de valores humanos e sua ligação com a terra.

O analista afirmou que a incorporação de valores relacionais, que são aqueles que remetem às relações recíprocas entre pessoas e a natureza, podem possibilitar resultados mais justos e sustentáveis para modelos de produção no campo e, por conta disso, esses índices facilitam a formulação de políticas públicas.

Repoama

A Repoama foi criada em 2019 a partir do desejo das famílias agricultoras da região norte e noroeste de Mato Grosso de se articularem sob uma perspectiva agroecológica de apoio mútuo com o objetivo de ampliar seus conhecimentos em agricultura orgânica.

Conforme destacado pelo coordenador do Programa de Economias Sociais do ICV, Eduardo Darvin, que também é um dos autores do estudo, a rede é baseada no Sistema Participativo de Garantia (SPG), que permite que as pessoas que participam da Repoama certifiquem suas propriedades mutuamente independentemente de intermediários corporativos.

A Repoama passou por importantes reformulações internas nos últimos anos que a permitiram realizar dois ciclos de verificação de conformidade para certificação orgânica além da expansão de novas práticas agrícolas que passaram a agregar cada vez mais famílias.

“Exemplo disso é a rede contar com a ampliação de seu escopo de atuação, abordando também o povo indígena Rikbaktsa que aderiu ao SPG para além da produção agrícola poder certificar também seus produtos extrativistas principalmente a castanha-do-Brasil”, apontou Darvin.

*Com informações do ICV

Projeto visa integrar saberes indígenas com tecnologias de produção sustentável por meio de SAFs

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Foto: Reprodução/Programa REM MT

O Programa REM MT apoia um projeto de criação e manutenção de Sistemas Agroflorestais (SAFs) em seis aldeias do Parque Indígena do Xingu. O projeto, que está em fase final de execução, é coordenado pelo Instituto de Pesquisa Etno Ambiental do Xingu (IPEAX) e visa integrar os saberes tradicionais indígenas com tecnologias de produção sustentável por meio da implantação de SAFs.

O projeto promove a segurança alimentar e nutricional, beneficiando diretamente 900 indígenas, sendo a maioria mulheres, das aldeias Piyulaga, Pyulewene, Moygu, Kurere, Moitará e Capivara, dos povos: Waurá, Ikepeng e Kawaiwete.

Com um investimento de R$198 mil, a iniciativa amplia a produção de alimentos de forma sustentável, realizando a expansão do uso de SAFs, respeitando os conhecimentos indígenas e adaptando-os às demandas atuais.

Além de melhorar a qualidade do solo e das plantações, o projeto busca consolidar um modelo participativo de gestão das roças, envolvendo homens, mulheres e jovens em todas as etapas da produção. Dois indígenas por área foram capacitados e remunerados como bolsistas para atuar na implantação e manutenção das roças, garantindo a multiplicação do conhecimento para outras aldeias interessadas.

O coordenador do Subprograma Territórios Indígenas do REM MT, Marcos Antônio Camargo Ferreira, destacou a importância desta iniciativa:

Os alimentos produzidos nos SAFs são compartilhados entre os membros das aldeias, assegurando alimentos de qualidade e a expansão da produção. Foram cultivados: abacaxi, pequi, banana, café, ingá, jenipapo, mandioca, mamão, palmeira e pimentas.

Por meio do apoio técnico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), a iniciativa também ofereceu oportunidades de pesquisa e disseminação de conhecimento, promovendo a sustentabilidade ambiental no Parque Indígena do Xingu.

Este projeto é um exemplo de como a integração entre conhecimentos indígenas e novas tecnologias pode garantir a preservação das práticas ancestrais, ao mesmo tempo em que atende às demandas alimentares e ambientais dos territórios indígenas, como enfatiza Marcos Antônio Camargo Ferreira.

“O apoio do Programa REM MT é crucial para fortalecer ações para mitigar a crise climática. Com iniciativas que promovem a agroecologia e a conservação, estamos contribuindo diretamente para a redução das emissões de CO2 e para a preservação da biodiversidade. Este trabalho é um exemplo de como a união entre conhecimento indígena e inovação pode transformar não só as aldeias, mas também inspirar soluções eficazes para a luta contra as mudanças climáticas em todo o mundo”, disse Marcos.

Para registrar toda a experiência e os resultados do projeto, o Instituto de Pesquisa Etno Ambiental do Xingu, com o apoio do Programa REM MT, produziu um vídeo documentário: